História Sala 7 - Capítulo 8


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Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 14 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Crossover, Fantasia, Romance e Novela, Saga, Universo Alternativo
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Heterossexualidade, Homossexualidade, Linguagem Imprópria, Spoilers
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Capítulo 8 - A Droga da Verdade


— Pode repetir, por favor? — Perguntei, mesmo após ter entendido perfeitamente as palavras praticamente gritadas pelo garoto.

— Uma GALINHA GIGANTE! — Repetiu Jace, dando ênfase na última palavra. — Uma maldita galinha gigante! — Ele soava indignado, ainda apontando para o local vazio onde, aparentemente, estivera uma “galinha gigante” segundos atrás.

Balancei a cabeça compreensivamente enquanto olhava para Adam de soslaio. Magnus estava sentado no braço do sofá, de braços cruzados, apenas observando Jace descrever a cena que desenrolara um minuto antes da nossa chegada. Alec e Isabelle estavam um de cada lado de Jace, com olhares sérios.

— Bom, Isabelle e eu também vimos… O que quer que fosse aquilo. Foi muito rápido. Estava escuro na varanda, ouvimos um estrondo e fomos verificar, mas a criatura foi embora tão rápido quanto chegou. — Alec parecia calmo enquanto falava, como sempre.

— Vocês não tem ideia do que possa ser? — Perguntou a garota.

Apesar de a pergunta ter sido feita para ambos, Adam e eu, ela olhava apenas para Adam. Não consegui evitar ficar carrancuda.

— Talvez seja melhor os levarmos para Maryse, como sugeri horas atrás. — Comentou o loiro, nos fitando com uma mão apoiada no queixo. — Desde que Alec os salvou no Central Park coisas estranhas tem acontecido, tenho certeza que tem ligação com eles.

Ser acusada era a pior parte de estar entre aqueles que eu admirei por tantos anos. Mesmo sabendo que tudo de estranho acontecendo nas diferentes dimensões era culpa minha, ainda era difícil. Eu não poderia contar quem realmente éramos ou tudo poderia piorar ainda mais. O que você faria se soubesse, de repente, pela boca de um estranho tudo o que aconteceria no seu futuro? Ou o que aconteceu no seu passado, mesmo sem a pessoa nunca ter te visto antes? Com certeza não receberia bem as notícias. Entretanto, eu já não tinha tanta certeza assim sobre o futuro desde a morte do Peeta na Arena. Temia que mais coisas do gênero estavam para acontecer, e eu não tinha controle sobre isso.

— Nós não vamos ao Instituto! — Vociferei. — Nossa ida ao Instituto só deixaria a Clave no nosso pé, ainda mais perguntas sem respostas e um atraso. — Expliquei, tentando manter a paciência.

— Adam? — Chamou Isabelle, com sua voz meiga.

— Lori, talvez… — Começou ele.

— Não! — Insisti.

— É, melhor ficar com a sua irmã ou sua namorada vai desconfiar que a esteja traindo. — Comentou a menina, dando um passo para trás.

Conhecendo bem meu amigo, esse tipo de frase o instigava a seguir em frente. Ou a garota conhecia muito sobre caras como Adam ou ele tinha dito algo sobre a Luella. Nenhuma das opções eram boas. Ás vezes essa mania de tentar parecer o bad boy pegador me irritava mais que mosquitos em churrasco.

— Luella? — Gargalhei, jogando a cabeça para trás.

— O que? Não! É... Hã… — Gaguejou.

Adam estava ficando vermelho. Isabelle arqueou as sobrancelhas e encarou o menino com certo desdém… Ou era ciúmes?

— Quantas namoradas você tem? — Indagou.

— Chega de palhaçada! — Jace interveio.

Sem aviso prévio, o grandalhão agarrou Adam pelas pernas e o jogou sobre o ombro como se ele fosse um saco de batatas. Antes de eu abrir a boca para protestar, Alec fez o mesmo movimento comigo e eu gritei, enquanto balançava as pernas e socava suas costas. O mundo estava de ponta cabeça enquanto fomos arrastados para um longo corredor de paredes da cor de Fanta Uva, até chegarmos em um conjunto de portas japonesas. Izzy passou por nós e abriu as portas, apesar de parecer um pouco contrariada. O som agudo de cadeiras sendo arrastadas preencheu o local, fazendo meus ouvidos latejarem. Fui jogada em uma das cadeiras, ainda lutando para me libertar dos braços fortes de Alec, mas sabia que não conseguiria fugir, mesmo que me soltasse de seu aperto. Amarraram minhas mãos e pés com fita isolante enquanto o loiro carrancudo dava um nó de marinheiro na corda que prendia Adam e eu, um de costas para o outro.

— Certo. — Disse Jace, parando do nosso lado, onde pudesse ver nós dois de uma vez. — O que vieram fazer em Nova York? — Perguntou, cruzando os braços.

Soltei um suspiro alto e revirei os olhos, mordendo o interior da bochecha inconscientemente. Pude sentir a cabeça de Adam contra a minha, quase deitei em seu ombro.

— Viemos visitar nosso tio, mas nos perdemos. — Respondi monotonamente, sem fitá-lo.

— Como sabe sobre a Clave, demônios e coisas que não são parte do mundo mundano?

Sua cabeça se inclinava para um lado diferente a cada pergunta feita, era uma mania estranha.

— Temos a Visão do mundo das sombras. — Dei de ombros.

Era algo comum, então com certeza era uma desculpa plausível.

— Mas isso não explica como sabia meu nome quando nos encontramos. — Interrompeu Alec.

Fechei os olhos, me repreendendo mentalmente por ter sido tão burra. A tensão do momento me deixou com falta de ar, não sabia o que responder. “Pense, Lorena. Pense!”

— Tio Snow nos contou tudo sobre Nova York, os Caçadores de Sombras e tal. Ele só queria nos manter informados para quando chegássemos. — Explicou Adam, com naturalidade. — Na verdade, a prima da avó da tia da amiga de uma amiga do meu tio trabalhou no Instituto há alguns anos, é. — Completou.

Isso foi meio genial. Tive vontade de beijá-lo. Raramente o garoto tinha boas desculpas ou pensava rápido, fiquei feliz por ter decidido colaborar naquele momento. Até me deu tempo para reparar na pequena biblioteca particular do feiticeiro; Várias prateleiras de mogno escuro cobriam a parede branca formando o desenho de uma árvore, completando-se com plantas em diversos tons de verdes entrelaçadas na parede alta, um trabalho de artista. Toda a sala tinha tons naturais, com divãs e pufes espalhados em volta de uma grande mesa de centro de vidro laminado. No teto havia uma claraboia e, através da mesma, pude ver que o sol já estava nascendo. Passamos a noite toda acordados? Tais pensamentos me fizeram bocejar, desejando estar deitada na minha cama quentinha e confortável, longe de toda essa bagunça.

— Escutem! — Chamei a atenção daqueles que discutiam algum assunto aleatório. — Não queremos ficar no seu mundo, ok? Viemos só dar uma volta pela cidade, cuidar de alguns negócios e ir embora. — Finalmente despejara o que estava querendo. — Não viemos atrapalhar suas preciosas vidas, então nos soltem e iremos embora! — Pedi.

— Maryse ligou. — A voz de Magnus atravessou o local de repente. — Disse que vocês precisam ir para o Instituto urgentemente.

 

Nova York passava diante de meus olhos como um filme através da janela do carro de Magnus Bane. Os moradores da cidade mais maravilhosa do mundo eram incomuns e fascinantes, não existia um grupo de pessoas iguais, todos tinham estilos diferentes, andavam diferente, entretanto, todos falavam alto e bebiam café como malucos. Eu jamais entenderia o vício que todos tinham por café, aquela coisa era amarga, fedida e ferrava meu estômago. Outra coisa que americanos amam, mas eu odeio, é bacon. Pensar em comida e ver as pessoas comendo nas ruas me deixava ainda mais faminta. Meu estômago deve ter gritado, pois fez os garotos, sentados na frente, me encararem.

— Chegamos! — Anunciou o feiticeiro.

Desci do carro as pressas, adentrando uma cafeteria que fedia a café. O cheiro era tão forte que me deu arrepios quando nos sentamos em uma mesa isolada. Mesmo morrendo de sono, não conseguia parar de balançar a perna impacientemente, provavelmente por causa da hiperatividade. Eu nunca, jamais, conseguia ficar parada. Adam pousou uma mão na minha perna, gesto que ele sempre fazia para me acalmar quando eu estava agitada e eu sorri. Magnus apoiava os cotovelos na mesa e nos avaliava, mas parecia tão sonolento quanto nós. Quando a garçonete chegou para nos atender, Adam e Magnus foram os primeiros.

— Vou querer leite com nescau e pão de queijo, por favor.

— Como? — Perguntou a moça, confusa.

— Hã… Lorena! — Adam me encarava com a expressão do tipo “WTF?”.

— Ah, certo… — Esqueci que aqui eles não tinham esse tipo de coisa, que inferno. — Então eu quero leite puro e… Torradas com… Geleia? — Era mais uma pergunta do que um pedido, mas foi anotado e a moça saiu.

— Então… — Começou Magnus. — Sei que estão mentindo. — Disse, sem rodeios.

Encolhi os ombros e deitei a testa na mesa, querendo cavar um buraco e sair da conversa. Sabia que ele tinha nos livrado dos Caçadores de Sombras por um preço, SABIA. Tudo bem, ele era um dos meus personagens favoritos de todos os tempos, mas eu não podia contar o que eu era. Ninguém podia saber a droga da verdade.

— Escutem, eu menti para os Caçadores de Sombras para libertar vocês. Posso, ao menos, receber a verdade em troca? — Seus olhos de gato nos buscavam como faróis de carro no escuro. — Ou eu posso voltar e amarrar vocês de novo, não tenho problemas com isso também. — Ele rio e recostou-se no assento da cadeira, esperando por uma resposta.

Nesse momento a garçonete entrou em cena trazendo nossos pedidos e suspirei de alívio. Bane nos olhou como se dissesse “Vocês não vão escapar dessa conversa!” enquanto bebia seu copo extra grande de café como se fosse água. Ignorei seu olhar, assim como Adam, atacando minhas lindas torradas e o copo de leite puro gelado.

Do lado de fora, setembro mostrava que estava chegando com força. Não havia rastros de verão, só árvores com folhas laranjas e quebradiças balançando de um lado para o outro, dançando ao som do vento gélido. A blusa de frio que eu trouxe era quentinha, mas não o suficiente. Agora que estava alimentada, senti todo o peso que esqueci por algumas horas, como os cortes que recebi na arena, que agora latejavam e ardiam como se estivessem ofendidos por terem sido esquecidos.

— Ei, como está sua perna? — Perguntei, quase num sussurro, ao lembrar-me de que ele também estava ferido.

— Incomodando, mas vou sobreviver. — Ele piscou e sorriu, logo voltando a comer.

Provavelmente estava um pouco pior do que apenas “incomodando”, mas ele estava tentando ser forte e eu admirava isso. Ele sabia que, se reclamasse, eu me sentiria um milhão de vez mais culpada do que já estava, por ter metido ele nessa encrenca. Tudo o que eu queria era que ele voltasse a salvo para casa, independente do que fosse acontecer comigo.

— Terminaram? Precisamos ir e discutir algumas coisas, se bem me lembro. — Disse Magnus, levantando-se.

Compartilhei uma careta com meu amigo e nos levantamos. Magnus deixou o dinheiro na mesa e seguimos para a saída, passando por várias pessoas que já lotavam o local gritando pedidos para as garçonetes que corriam de um lado para o outro, milagrosamente sem tropeçar.

Ao caminhar de volta para o carro, deixei de sentir o vento gelado atravessando minhas roupas, assim como deixei de prestar atenção nas pessoas que esbarravam em mim na calçada, deixei de ouvir o barulho ensurdecedor do trânsito e, quase deixei de respirar. Apenas fiquei imóvel bem no meio da calçada observando a cena que se desenrolava em frente aos meus olhos, me perguntando se era real ou se eu havia pegado no sono enquanto ainda estava amarrada na casa do Magnus. As pessoas não pareciam notar, então devia estar envolto em algum tipo de macumba, sem dúvidas. Senti as mãos de Adam apertando meu braço em desespero, uma dor aguda me invadiu e eu quis gritar; O idiota escolheu apertar logo meu braço machucado, que tinha sido atingido pela flecha da Glimmer vadia. Permaneci parada. Eu podia esperar tudo, TUDO MESMO, exceto aquilo. Não podia estar acontecendo. Não era POSSÍVEL.

— Acho que tem um hipogrifo no teto do seu carro, Sr. Bane! — Disse, em estado de transe.

A enorme criatura alada pisoteava o carro do feiticeiro, que encarava ainda mais espantado do que eu. Tinha cabeça, asas e patas dianteiras de um grifo (ou uma águia gigante, como preferir), o resto era de cavalo. Ele nem deve ter me ouvido, entretanto, seu olhar era acusatório quando o mesmo se virou para nos encarar, o dedo apontando ameaçadoramente em nossa direção. Apesar de seus olhos de gato brilharem, sua expressão era de verdadeiro choque. O homem viveu centenas de anos, viu e fez tudo o que era possível, não existia mais novidade…. Pelo menos até agora.

— Nós, com certeza, iremos conversar! — Afirmou.

Droga! Eu estava encrencada? a) Sim b) Com certeza c) Sem dúvidas d) Todas as alternativas anteriores estão corretas. É, acho que estou ferrada.

— Acho que encontramos a galinha gigante do Jace! — Murmurou Adam, brotando um sorriso zombeteiro nos lábios.



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