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História Sala Precisa - Capítulo 17


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Capítulo 17 - Sem Pressa


Draco sorria para si mesmo enquanto caminhava – quase saltitava – pelo corredor do sétimo andar. Ah. Estava tendo um ótimo dia.

Potter não aparecera na aula de Defesa Contra as Artes da Trevas com uma desculpa qualquer que deixara Flin vermelho de raiva quando uma garota lhe perguntou sobre a ausência do Menino-que-não-morre. Naquele dia, ele sequer mencionara Potter durante toda a aula. E Nott até angariara 20 pontos para a Sonserina ao acertar uma questão. Aquele fora um bom dia e ele estava pronto para matar o próximo período – adivinhação – na Sala Precisa com Hermione quando o viu e parou subitamente.

Potter estava encostado na parede do corredor onde geralmente a porta da Sala aparecia para ele. Os cabelos pretos estavam bagunçados, como sempre, e uma mecha escondia a cicatriz em sua testa. Ele ajeitou os óculos redondos quando desencostou da parede e foi até Draco, a capa farfalhando no chão atrás dele enquanto andava. Ele cruzou os braços e parou diante do sonserino.

Eles tinham a mesma altura e se encararam por um longo momento antes de Draco bufar. O bom humor se fora.

- O que você quer, Potter?

Harry suspirou, então descruzou os braços.

- Desculpe por aquele dia no Três Vassouras.

Draco arqueou uma sobrancelha.

- Hermione obrigou você a se desculpar?

- Não.

Ele ergueu as sobrancelhas loiras, surpreso.

- Então o que você quer, exatamente?

- Apenas aceite a droga das desculpas, Malfoy. – Potter se irritou.

Mas o sonserino apenas o encarou de novo, analisando, ponderando, então deu de ombros.

- Não há nada para ser desculpado. – disse – Passei anos provocando vocês da mesma forma.

Harry apertou os lábios numa linha rígida. Ora, isso foi inesperado.

- Mesmo assim. Eu não deveria usar aquilo contra você.

- Não ligo para o que pensa sobre mim ou para o que diz sobre mim para ela, Potter. Podemos até brigar se quiser, com xingamentos, magia ou socos, honestamente, vou até gostar. Mas não quando estivermos com ela. – Draco disse – Quando eu estiver com ela, vou suportá-lo, você e o Weasley, e espero que tenham a mesma decência. Por ela.

Por ela. Harry suspirou. De alívio dessa vez e assentiu.

- Nós conversamos. – contou – Hermione e eu. E nos entendemos. – ele observou Draco enrijecer o corpo e quase sorriu - Somos amigos. Então não se preocupe comigo.

- Nunca me preocupei com você. – mentiu o rapaz.

Harry Potter sorriu.

- Ficou com medo de que eu a roubasse de você. – provocou.

Draco estreitou os olhos.

- Não conseguiria nem se quisesse.

O sorriso de Harry se alargou.

- Não. – admitiu e não doeu quando o fez – Não mesmo. – murmurou mais para si mesmo – Até mais, Malfoy. – disse e passou por ele em direção a grande escadaria.

Draco o observou virar a esquina do corredor antes de encarar a parede.

- Se esse não é um dia estranho... – resmungou para si mesmo enquanto a parede se transformava naquela pequena porta com arabescos dourados.

***

Charlie saltou de algum lugar da sala quando ele abriu a porta e veio imediatamente se esfregar contra suas pernas, ronronando como se dissesse: “Eu senti sua falta”. Draco sorriu para o amasso e se abaixou para pegá-lo nos braços enquanto a porta se fechava atrás dele.

- Também senti sua falta. – disse roçando o nariz nos pelos macios do animal.

Hermione deixou escapar um muxoxo de desdém.

- Traidores. – resmungou, fazendo biquinho.

Draco riu e foi se sentar com ela no tapete felpudo, acomodando Charlie em suas pernas.

- De quem, exatamente, está reclamando?

- Dos dois. – ela o olhou pelo canto do olho.

Ele sorriu e se inclinou para ela, roçando a ponta do nariz no pescoço exposto pelo coque alto e casual que ela vestia naquela tarde.

- Senti sua falta também.

O corpo dela enrijeceu e aqueceu quando ele depositou um beijo abaixo de sua orelha antes de se afastar.

Simples assim. Casual. Como se ele lhe tivesse beijado o rosto.

Aquilo fez seu sangue ferver não só de desejo, mas de frustração também e ela fechou as mãos em punhos. Eles já eram adultos para os padrões bruxos. O que ele estava esperando? Talvez Ginny estivesse certa e ele não tivesse experiência, talvez não soubesse como iniciar qualquer coisa mais intima.

- Como foram suas aulas? – perguntou ele distraidamente enquanto passava as mãos pela pelagem sedosa de Charlie.

Completamente alheio às apreensões dela.

Hermione mordeu o lábio e se moveu, virando-se na direção dele, sentando-se sobre as próprias pernas, calculando todo e cada movimento. Ela se aproximou, tentando parecer tão casual quanto ele fora, e roçou a ponta do nariz abaixo da orelha de Draco, inspirando profundamente aquele cheiro mentolado e fresco antes de roçar os lábios na pele exposta. As mãos dele se interromperam em Charlie e Hermione quase sorriu quando o percebeu enrijecer o corpo, completamente imóvel, esperando. Charlie miou indignado e saltou para o sofá. Hermione se aproximou mais, pressionando os lábios contra a pele dele, a ponta da língua explorando a superfície morna. Draco arfou, mas não fez menção de se mover. Ela o observou fechar os olhos, os dedos longos se curvando no tapete. Hermione sorriu satisfeita e levou uma mão à nuca dele, subindo pelos cabelos, agarrando os fios entre seus dedos enquanto ela fechava os lábios no lóbulo da orelha dele. Draco estremeceu e um som baixo e maravilhoso escapou de seus lábios.

- O que está fazendo? – perguntou baixinho, a voz enrouquecida.

Ele abriu os olhos e a fitou pelo canto do olho.

- Devo parar? – ela sussurrou contra a pele dele e pressionou os lábios na curva de seu pescoço.

Ele riu, mas a risada saiu fraca, entrecortada e enrouquecida.

- De maneira alguma. – murmurou de volta.

Hermione inclinou a cabeça.

- Seria sua primeira vez... se nós... – ela hesitou.

Ele riu e não havia nenhum indicio de nervosismo nesse riso.

- Ah. – disse ele como se entendesse algum mecanismo secreto dela e aquele sorriso arrogante cortou seus lábios de orelha a orelha.

Draco virou o rosto para encará-la, os olhos cinza claros brilhando de divertimento.

- O que foi? – ela franziu o cenho.

O sorriso dele se alargou, exibindo os dentes brancos e perfeitos.

- Estou te deixando insatisfeita? – perguntou ele, sem nem um pingo de preocupação ou hesitação.

Hermione sentiu o rosto arder e fez menção de se afastar, mas ele a agarrou e a puxou para o colo dele, prendendo-a num abraço.

- Estou? – provocou ele e riu – Você está se perguntando se eu não sei o que fazer? Está com medo que eu não saiba o que fazer? – riu de novo.

E apesar da cor e do calor em seu rosto e pescoço, Hermione fez o possível para olhar nos olhos dele e arquear uma sobrancelha em desafio.

- E você sabe?

Draco não deixou de sorrir e ela sentiu as mãos dele se acomodarem em torno de sua cintura fina como se ele pudesse medi-la com as palmas.

- Eu devo? – arqueou uma sobrancelha.

Hermione sentiu as mãos dele subirem, os polegares roçando a polpa dos seios. Ela não tinha posto o sutiã de novo e corou ao se lembrar disso. A camisa e a blusa de seda por baixo eram as únicas coisas entre as peles deles e sem o suporte... ele podia sentir exatamente que formato tinham.

A bruxa segurou as mãos dele e as desceu de volta à cintura.

- Hoje não. – decidiu.

Ele ainda estampava aquele sorriso, cheio de malícia.

Hermione saiu de cima dele e se sentou ao seu lado com uma careta de irritação.

- Você nunca usa sutiã, então? – Draco perguntou, segurando a mão dela e entrelaçando seus dedos.

Ela sentiu o rosto arder de novo e tentou soltar a mão dele, mas ele a segurou firme, aquele sorriso enorme ainda nos lábios.

- Estava com pressa e está frio demais para tirar todas as roupas com as quais dormi. – explicou a contragosto.

- Entendo. – ele tentou desmanchar o sorriso, sem muito sucesso, e pigarreou – Se serve de algum consolo, não é a primeira vez que reparo nisso.

- Por que isso me serviria de consolo?

Ele beijou sua mão e abafou uma risada.

- Você achou que eu não sabia o que fazer. – o corpo dele chacoalhou enquanto ele tentava conter as gargalhadas.

Hermione bateu nele, mas isso só o fez rir livremente, gargalhando alto enquanto o corpo caia de lado no tapete. Ela o observou abraçar o próprio corpo, lutando contra a falta de ar que os risos provocavam.

- Não sei por que acha tão engraçado. – ela franziu o cenho para ele.

Draco parou para observa-la, deitado no tapete, um sorriso tremendo nos lábios, o corpo ainda chacoalhando levemente enquanto ele tentava conter um novo ataque de riso. Ele limpou as lagrimas que tinham escapado das gargalhadas e respirou.

- Você podia ter simplesmente me perguntado. – observou – Se queria que não fosse engraçado. – seu sorriso aumentou, como se já não estivesse insuportavelmente enorme.

Ela o chutou de leve. Tinha tirado os sapatos, então não se preocupou enquanto afundava os pés na barriga dele com força.

Draco riu e segurou seu pé. Ela tentou puxá-lo, mas ele o segurou firmemente pelo tornozelo. Então parou de rir e se sentou, ainda segurando-a. Os olhos cinza dele se prenderam aos dela e ele levou os lábios ao seu pé, depositando um beijo sobre a meia, os dedos longos envolvendo a parte de cima enquanto a outra mão apalpava do tornozelo à panturrilha, subindo pela perna dela.

Hermione sentiu o corpo todo estremecer. Draco sorriu e engatinhou na direção dela, entre suas pernas. Ela hesitou buscando apoio, mas sua mão escorregou pelo tapete e caiu de costas enquanto ele se avolumava sobre ela.

Draco abaixou a cabeça e ela prendeu a respiração quando os lábios dele pressionaram contra seu pescoço. Seu corpo se arqueou levemente e ela fechou os olhos, concentrando-se na sensação vibrante que percorria cada nervo do seu corpo todas as vezes que ele a tocava. Ele puxou gravata dela, desmanchando o nó com destreza e soltou um botão e Hermione arfou quando ele beijou sobre sua clavícula e depois mais embaixo onde o busto começava. Então Draco suspirou uma vez, baixinho, e colou seu corpo sobre o dela e Hermione o sentiu entre suas pernas, completamente rígido.

Ele roçou a ponta do nariz por toda a curva de seu pescoço até o queixo e prendeu os lábios dela entre os dele.

- Eu tenho me contido com você. – murmurou contra sua boca.

Hermione abriu os olhos e encontrou os dele a encarando, brilhando com uma fome que ela jamais tinha notado antes.

- Por que? – conseguiu perguntar.

Draco tocou a ponta do nariz no dela.

- Porque você é mais que isso. Mais que esse desejo. Porque eu não tenho pressa. – roçou seus lábios nos dela – E quero me demorar com você. Quero te fazer sentir coisas que não sabe que pode.

Hermione suspirou, estremecendo com a promessa nas palavras dele.

- Você... – ela sorriu completamente inebriada por ele, sem conseguir encontrar as palavras para expressar aquele sentimento.

Draco sorriu de volta.

- Eu sei.

Ela riu baixinho, o riso chacoalhando seu corpo, fazendo-a roçar contra a rigidez dele, liberando uma nova onda de desejo. Ele pressionou seus corpos ainda mais, fechando os olhos e estremecendo sobre ela, o ar escapando entre os dentes cerrados enquanto ele resistia ao impulso selvagem de toma-la completamente bem ali naquele instante. Draco reuniu todo seu autocontrole e, em vez disso, separou seus corpos e a beijou de novo.

- Vamos nos atrasar para o jantar. – disse e se levantou.

Hermione suspirou resignada quando o calor dele foi substituído por uma brisa fria e se sentou também. E Draco lhe estendeu a gravata vermelho e dourado que ela se apressou a vestir de volta. Os olhos presos em cada movimento dele enquanto Draco alargava ainda mais o nó de sua própria gravata, revelando os botões abertos da camisa e a pele pálida por baixo. Ele inclinou a cabeça de um lado para o outro, estalando os ossos do pescoço e massageou os ombros com um suspiro final, tentando acalmar o próprio corpo enquanto contrariava seus instintos mais primitivos. Hermione deixou os olhos descerem, a capa com os detalhes verde-escuro estava aberta, deixando a camisa branca exposta, seus olhos continuaram explorando o corpo dele, o abdômen esguio, até pararem sobre o volume por baixo da calça preta.

Draco acompanhou o olhar dela e sorriu.

- Vamos nos atrasar, Hermione.

Ela piscou como quem acorda de um sonho e assentiu, se levantando.

Ele também se levantou e olhou ao redor a procura de Charlie, mas não o encontrou. Devia estar escondido debaixo de um dos móveis.

- Vou voltar para pegá-lo depois. – murmurou para si mesmo enquanto passava o braço pelos ombros de Hermione e a guiava em direção a porta.

- Vai leva-lo para outro lugar? – ela perguntou.

- Nas próximas vezes que viermos, é melhor que ele não esteja aqui. – ele sorriu com malícia para ela.

Hermione corou, mas não o negou e o sorriso dele se alargou em satisfação.

- Pare de sorrir e arrume sua gravata. – disse ela ao atravessar a porta.

Draco saiu atrás dela para o corredor.

- Se eu sair fechando botões e ajeitando a gravata, não vai parecer suspeito?

A porta se fechou e desapareceu atrás deles.

- Não vai para o salão expondo tanta pele desse jeito.

Ela girou e começou a fechar os botões dele. Todos eles.

- Sempre uso assim. – Draco argumentou.

- Não mais! – ela subiu o nó da gravata até que ele engasgasse com o aperto.

- Hermione! – ralhou, tossindo e soltando o nó.

- Humpf. – bufou ela e começou a caminhar na frente dele – E não se sente perto daquela garota Greengrass. – avisou em tom ameaçador.

Ele riu.

- OK. Vou me sentar entre Nott e Zanbini e ser um bom garoto. – ele a alcançou, passando o braço pelos ombros dela.

Ela sorriu para ele, satisfeita.

- Amo você. – ficou na ponta dos pés para beijar o seu rosto rapidamente enquanto andavam.

Draco a pressionou contra o próprio corpo e a beijou na testa.

- Eu amo você mais.


Notas Finais


D: Me diverti muito escrevendo esse capítulo ~ espero que gostem tanto quanto eu gostei


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