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História Salvadores - A profecia Melíade - Capítulo 2


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Capítulo 2 - Academia Mística de Redders


Fanfic / Fanfiction Salvadores - A profecia Melíade - Capítulo 2 - Academia Mística de Redders

Capítulo 02

« Academia Mística de Redders »

Herman não sentia mais as próprias pernas e o fôlego era o que lhe faltava. Tomado pelo desespero, correu dezoito minutos seguidos sem pausa para respirar, tinha sorte de já estar acostumado com corridas matinais, mesmo assim, fôlego fazia falta no momento.

Parou colocando as mãos no joelho e respirando fundo, ao levantar os olhos, se viu diante de um enorme portão de ferro e pelas grades dele, observou um enorme casarão que mais parecia um castelo antigo. Não sabia se pela manhã aquele lugar era belo, mas na noite, era bem assustador e sem nenhuma iluminação.

Herman encostou um dos dedos em uma das grades do portão e sentiu um pequeno choque no seu corpo.

— Ótimo! — Bufou o jovem frustrado. — O portão da choque! — Bagunçou os cabelos, procurando uma solução rápida e não viu outra além de gritar. — Olá? — Olhou para cima, em específico para uma das janelas fechadas. — Alguém? — Gritou mais uma vez e ficou em silêncio, esperando alguma resposta, mas nada voltou, foi então que Herman se lembrou, com dor no coração, que Donna tinha dito para procurar por uma garota chamada Grace e que ela lhe atenderia se ele dissesse o seu sobrenome, assim, Herman gritou com um último fio de esperança. — Me chamo Herman! — Respirou fundo. — Herman Bennet… — Falou um pouco mais baixo e esperou. Foi em questão de dois minutos para o enorme portão se abrir e Herman olhou incerto para dentro, não sabia se devia entrar ou correr para bem longe dali, mas por fim entrou, totalmente inseguro.

A primeira coisa que Herman viu ao entrar, foi uma trilha de pedras até o que parecia ser um saguão iluminado por luzes fracas e amarelas. Caminhou em passos lentos até lá e observou tudo em volta, onde viu árvores tão verdes que chegavam a brilhar, flores bem tratadas e um gramado que ele diria ser artificial se não conhecesse tão bem a natureza por causa de sua quase madrasta que tinha uma mania de cuidar das plantas da vizinhança e às vezes, levava Herman junto nessas visitas.

Ao chegar no saguão, encostou no balcão e olhou para a cadeira giratória do outro lado que balançava, como se alguém tivesse acabado de sair dali e bem rápido.

— Alguém? — Herman chamou e a única coisa que recebeu em resposta foi uma janela batendo por conta do vento, o que espantou Herman. — Me chamo…

— ... Herman Bennet — Com um pulo, Herman olhou para trás e viu um homem alto e engravatado. Tudo nele parecia normal, exceto pelas orelhas pontiagudas. — Ouvi os seus chamados e estávamos esperando por você a muito tempo — Seu sorriso era tão brilhante que chegava a cegar Herman. — E me desculpe pelo nosso funcionário — Olhou para a cadeira que agora estava parada virada para a esquerda. — Ele não está acostumado a receber convidados tão especiais — Sorriu e Herman não soube identificar se ele estava zombando do garoto ou falando a verdade.

— Eu estou aqui porque…

— ... Por causa da Donna — Sorriu novamente e Herman pensou que ele era uma espécie de vidente. — Meus pêsames, jovem garoto.

— Como você sabe? — Perguntou confuso. — Digo, tudo acaba de acontecer.

— A alguns minutos recebemos a notícia de uma Melíade recém morta por um Ranger e eu fiquei surpreso ao descobrir que era Donna — Diminuiu o sorriso, mas ele ainda era um pouco visível em seu rosto. — As notícias correm bem rápido por aqui — Seu grande sorriso voltou a aparecer. — E sabíamos que ela estava cuidando de você, ou melhor, te escondendo — Coçou a garganta nervoso. — Ela foi convocada a uns meses atrás a te entregar para a Academia, seria melhor para você, mas falaremos sobre isso mais tarde.

— Então as pessoas são obrigadas a entrarem aqui? —  Herman questionou. — E porque ela deveria me entregar?

— Elas escolhem isso — Afirmou convicto. — É o melhor para elas e todos sabem disso. Agora sobre você, sua mãe é o motivo, deveria saber — Herman não entendia, mas não queria questionar. — A pedido de sua mãe, Donna estava te escondendo — Ele abaixou o olhar como se estivesse lembrando dela. — Sua mãe era uma grande Salvadora e sabia, assim como todo Salvador, que correria riscos, ainda mais quando se tem um filho no meio de toda essa loucura.

— Não entendo — Herman suspirou. — O que a minha mãe era? E porque me esconder?

— Eu entendo que tenha muitas perguntas, meu jovem rapaz — Ele colocou a mão direita no ombro de Herman. — Mas pelo momento, não sou eu que devo respondê-las — De uma maneira gentil, afagou os ombros do garoto. — Já está tarde e pela manhã os alunos estarão circulando por aqui. Vou lhe mostrar o seu quarto e quando estiver descansado, conversamos.

Herman foi guiado para dentro daquele enorme casarão, que na verdade era a escola mística, mencionada por Donna.

Parecia ser um corredor normal de uma escola. Toda a decoração rustica e por cada sala que passavam, Herman percebia que no lugar de placas nas portas, tinham símbolos de animais na cor dourada.

— Por hora, este será o seu quarto — Herman observou a porta de madeira quase bege. — Durma bem garoto — Com isso, ele largou os ombros de Herman, que até então estavam sendo pressionados por ele.

— Espere! — Herman o chamou antes que ele partisse. — Ainda não sei o seu nome — Disse acanhado e o homem elegante sorriu.

— Archer Russell, o diretor acadêmico dessa humilde escola mística — Fez uma leve referência. — E a propósito, seja bem-vindo a Academia Mística de Redders.

✩✩✩✩

Herman não conseguiu pregar os olhos a noite inteira. Sempre que os fechava, visualizava em sua mente o ser monstruoso que atacou a sua madrasta, que na verdade não era a sua madrasta e sim apenas uma grande amiga de sua mãe.

Imaginava se a notícia teria chegado ao seu pai e se ele sabia sobre esse mundo totalmente estranho, no qual, aparentemente, Donna e a sua mãe viviam. Tal pensamento fez com que ele levantasse de uma só vez da cama macia com cheiro de flores e procurasse uma saída imediatamente.

— Se eu fosse você, não pensaria em fugir agora que acabou de chegar — Uma voz fina o assustou, assim que Herman colocou os pés para fora da cama.

— Mas o que é…  — Se embolou nas palavras.

—  Margarita Gardner em sua presença, Bennet — Seu sorriso parecia o Sol de tão iluminado, mas o que mais chamou a atenção de Herman, foi suas roupas extravagantes em um tom de amarelo, carregada por girassóis em volta do vestido rodado na altura dos joelhos. Margarita aparentava ter em torno de trinta e sete anos, apesar de ser um pouco rechonchuda, isso não impedia de ser tão bela quanto as flores que carregava pelo corpo.

— Quem é você e como entrou aqui?

— Sou a orientadora dos seres da natureza dessa instituição e devota a Mãe Natureza, que pode receber inúmeros nomes ao redor do mundo. Fui instruída a lhe orientar — Apesar de suas palavras serem carregadas com simpatia, era nítido a impaciência que ela tinha e Herman não entendeu uma só palavra.

— Seres da natureza? — Falou confuso.

— Fadas — Falou simples. — Existem um monte de espécies delas, desde a que o seu mundo conhece, pequenas e bonitas, até as poderosas como as Melíades, iguaizinhas a Donna.

— Bom, eu não deveria estar aqui, tenho certeza de que tudo isso é um completo engano, tenho de apenas encontrar uma aluna chamada…

— Grace Wayward — Completou com um tom duro e frio. — A garota problema — Suspirou alto. — Não deveria se misturar com ela, prejudicará a sua reputação aqui, Bennet.

— Não tenho nenhuma reputação aqui dentro — Herman não conseguiu controlar o tom insolente em sua voz.

— Querido Herman — A orientadora sorriu bondosa pela primeira vez. — Tem muita coisa sobre você, que o próprio não imagina — Afagou os ombros dele. — Devo culpar aquela fadinha medíocre... — Sob o olhar reprovador de Herman, Margarita se desculpou com um sorriso sem graça e continuou a expor a sua opinião. — Quero dizer que ela fez algo que não devia, como esconder esse mundo de você, mas por hora, vamos conhecer a escola e um pouco sobre aqui, eu prometo que no final vou te levar até a Grace, mesmo reprovando essa ideia maluca — Herman finalmente se levantou da cama e estranhou quando, em um piscar de olhos, sua cama estava arrumada novamente e com o mesmo cheiro intenso de flores. — É um feitiço criado pelo professor Gordon, um grande mago da nossa academia. Aprenderá isso e mais um pouco em suas aulas futuras — Herman pensou em protestar sobre a ideia de permanecer ali, mas apenas balançou a cabeça e olhou para suas roupas.

— Preciso de algo que não seja um pijama — Margarita olhou bem intensamente as roupas do garoto.

— Os uniformes são costurados por mim, mas tenho quase certeza de que tenho uma bela roupa de missão reservada para você no meu dormitório.

— O que seria uma roupa de missão?

— Quando os Salvadores precisam ir para o outro mundo — Ela analisa bem a sua frase. — Para o seu mundo, eles devem ir disfarçados ou com uma roupa a prova de fogo, talvez balas, arranhões ou qualquer coisa que danifique o corpo. Como aqui dentro eles usam apenas uniformes e roupas que eles mesmo compram, precisam de um modelo que se encaixe no ambiente em que a missão será feita. Eu fico encarregada de fazer essas roupas para os Salvadores. — Era tudo tão complexo que Herman se sentia satisfeito em apenas concordar com tudo. — Trago em dois minutos a sua roupa, Bennet — E com isso ela saiu, deixando o jovem analisando todo o quarto em que estava.

Era aconchegante e com cheiro de flores, também era possível perceber que por onde a senhorita Margarita tinha passado pelo quarto, tinha uma pequena flor que brotava do chão de concreto e reluzia pelo quarto, mas Herman sabia que em tempos elas morreriam, já que o quarto não tinha sequer alguma fresta para o Sol.

O quarto tinha três camas grandes e arrumadas, mas apenas ele tinha dormido ali naquela noite. No canto esquerdo, uma escada caracol que dava acesso a um enorme guarda roupa e um banheiro cheio de espelhos. Mais na frente do banheiro, uma estante cheia de garrafas de vidro com objetos dentro, como uma que continha conchas do mar e a outra, balas de alguma espécie de arma.

Era tudo tão bonito como um palácio, mas sombrio. Herman custava a acreditar que aquilo era mesmo real.

— Vista-se — Herman se assustou ao olhar para o primeiro andar do quarto e ver Margarita segurando delicadamente roupas compridas e que de longe era possível ver que não faziam muito o estilo de Herman, porém, serviam mais do que o seu pijama amarrotado.

Herman as vestiu sem demora e observou, pelo enorme espelho rústico, que eram compostas por uma calça apertada e escura, que esticava horrores e contida de alguns detalhes em couro, parecendo porte para armas, uma regata branca e fina, que ia pôr de baixo de uma jaqueta de couro preta grudada na calça e com um zíper na frente e por fim, um par de botas de cano alto pretas. Parecia uma versão mais jovial de seu pai indo para a primeira entrevista de emprego no corpo de bombeiros.

— Começaremos pelos dormitórios — Margarita fez um gesto com a mão esquerda, quase imperceptível aos olhos humanos e automaticamente a porta do dormitório de Herman se abriu silenciosamente. — Estamos na ala masculina — Apontou para debaixo de seus pés que tinha um enorme tapete vermelho com detalhes que formavam uma figura masculina no topo na cor dourada, que se estendia por todo o corredor. — Três longos corredores com doze quartos em cada corredor, contendo três camas, ou seja, três alunos em cada quarto. O mesmo acontece com a ala feminina, logo à esquerda — Virou acompanhada de Herman, o corredor. — Ao todo, temos 216 Salvadores pela instituição — Desta vez, o mesmo tapete com detalhes em dourado que formavam uma figura feminina, parecia ser uma deusa grega, mas não soube identificar quem. — Dobrando a esquerda do último corredor, temos as primeiras salas de aula que variam, como: feitiços, controle de magia e enfim... — Margarita prosseguiu andando com toda a sua elegância. — As três próximas salas, são as menos adoradas pelos Salvadores — Sorriu maldosa apontado para uma das portas que continha o símbolo de uma coruja esbelta. — São salas teóricas, onde eles aprendem coisas necessárias para a vida de um Salvador, como: história, física e um pouco de matemática para se calcular os movimentos.   

— Tudo isso é realmente necessário? — Quis saber o jovem e como resposta, recebeu um olhar atravessado da orientadora.

— Verá em breve o quão necessário são.

— Não pretendo ficar por muito tempo — Disse tranquilamente colocando as mãos no bolso da calça.

— Veremos Bennet — Prosseguiu caminhando até uma área com uma parte aberta, e nela tinha vários armários. Do outro lado, na parte aberta, Herman conseguiu ver o Sol queimando o enorme campo verde com algumas estátuas de pessoas em um círculo enorme, no centro, tinha uma espécie de bastão dourado que brilhava ainda mais quando o Sol estava iluminando aquela parte. — Aqueles são os primeiros Salvadores que existiram — Comentou a orientadora, assim que percebeu a curiosidade do garoto sobre as estatuetas. — E no centro, temos uma arma muito poderosa deixada por eles — Disse com uma feição séria. —  Aprenderá sobre isso nas aulas de história, mas é claro, se pretender ficar — Olhou divertida para o mais novo. — A única coisa que precisa saber por hora, é que não poderá tocar naquele cetro se não pretende virar pó — Herman a olhou assustado. — Prosseguimos.

Continuaram andando por toda a academia mística dando algumas pausas para saciar a curiosidade de Herman e lhe apresentar alguma coisa importante.

— Agora que já fizemos esse incrível passeio — Disse sarcástico. — Podemos encontrar a garota?

— Como quiser, Bennet — Continuou andando com Herman em sua cola e seguiu até uma área que não foi apresentada para Herman.

— Ela estuda aqui? — Se interessou.

— Eu espero que não mais — Riu. — Grace não é como nós, tecnicamente — Falou duvidosa. — Seja lá o que você seja... — Sussurrou olhando Herman dos pés à cabeça. — Essa academia mística é invisível para o olho humano, só seres sobrenaturais podem encontrar a academia, mas só se os superiores quiserem — Jogou o cabelo para o lado. — Isso me faz duvidar se você — Acusou. — É mesmo um de nós? — Fez uma pergunta retorica.

— Isso significa que Grace não estuda aqui? — Ignorou as acusações da mais velha.

— Não por hora, mas ela já esteve aqui — Herman não entendia. — Grace tem poderes, é um ser místico, mas suas atitudes e sua ideologia sobre o nosso mundo... É insuficiente — Riu com sarcasmo.

— E eu sou... — Herman foi interrompido.

— Sua história é complicada, Bennet — Suspirou. — Eu não posso dizer muito, mas nós não fazemos ideia do que você seja e o porquê de ter encontrado esse lugar, mas talvez seja por causa de sua mãe — Herman arregalou os olhos interessado por mais informações. — Ela foi bem importante por aqui e é vista como uma rainha — Antes que Herman perguntasse, Margarita respondeu. — Ela era uma mulher muito sabia... — Margarita continuou andando sem pressa. — Mas ela ficou mais conhecida por outro motivo — Suspirou. — Ela foi expulsa daqui, por ter se envolvido com um humano — Seu olhar estava longe e Herman não conseguiu identificar o que se passava por eles. — Isso gerou muitos inimigos no mundo místico e ela foi morta pelos Revolucionários — Agora Herman podia identificar raiva em seu olhar, assim como os olhos dele que também tinham muita raiva, mesmo sem ao menos saber o que eram esses Revolucionários.

— Quem são? — Conseguiu dizer.

— Eles se acham melhores do que o Conselho, que é constituído pelos melhores Salvadores da humanidade e tratam sobre assuntos políticos desse mundo — Explicou. — Os Revolucionários não são boa gente e deve se evitar falar neles por aqui — Seu olhar voltou-se para Herman. — Eles fazem as próprias leis e agem em bando — Ela forçou uma tosse, querendo desviar o assunto. — Sua mãe perdeu toda a proteção do Conselho quando foi expulsa, os Revolucionários a pegaram e deram duas opções: perder os poderes, o que significa em sua morte lenta, ou morrer de uma vez — Herman sentiu seu peito apertar. — Ela escolheu morrer, como uma boa Salvadora — Sorriu para o longe. — Você foi tirado da barriga dela por alguém da Revolução e você foi entregue para Donna, que era a conselheira da sua mãe. Donna escolheu viver longe do mundo místico com medo da Revolução querer você, mas ela falhou nisso — Seu olhar encontrou o de Herman. — Você se tornou um Salvador totalmente despreparado — Torceu os lábios.

— Eu não sou um Salvador! — Herman vociferou com raiva.

— De certo que não — Disse sem delongas. — Aos doze anos todos os Salvadores devem entrar em uma academia mística e aos dezoito anos, os poderes se manifestam com mais intensidade, não controlados, podem se tornar um desastre — Olhou de canto para Herman. — Os terroristas do seu mundo são um exemplo disso — Herman arregalou bem os olhos. — Você quer saber sobre Grace, não é mesmo? — Ele concordou com um manear de cabeça. — Grace é uma rebelde sem causa, Herman — Revelou. — Sua família é bastante conhecida pelos Salvadores, seu pai faz parte do Conselho e eles tem uma grande dinastia e logo, todo o império da sua família vai ser repassado para ela, assim que ela completar dezoito anos e ter a capacidade de assumir o cargo do pai — Margarita se sentou em um banco de madeira, perto de um corredor cheio de armários e Herman se sentou ao seu lado. — Ela é teimosa como pedra e não quer toda essa responsabilidade, quer apenas curtir a vida e farrear, mas um acordo foi feito e ela tem que tomar conta do império da família.

— E aonde eu posso encontrar essa Grace? Existe algum contato com algum parente, ou coisa do tipo? — Herman juntou suas longas sobrancelhas e mantinha sempre o semblante sério.

— A Grace foi suspensa por tempo indeterminado a três meses, Bennet — Herman murchou feito as flores na roupa da Margarita. — Ela fez um acordo com o pai dela — Margarita olhou nos olhos de Herman. — Ela deveria assumir tudo aos quinze anos junto com o irmão — Herman se espantou. — Mas prometeu ao seu pai fazer tal aos dezoito, quando estivesse mais madura. Então ela estudou, compareceu todos os dias por aqui, fez amigos, se popularizou, foi a festas, aprontou de monte e arrumou um namorado — A mais velha suspirou bem fundo, mas não entrou em mais detalhes. — Não posso dar mais detalhes...

— Então por que eu não posso ir até ela? — Herman se exasperou.

— Porque ninguém sabe aonde ela está e antes que me pergunte, o pai dela é um homem muito poderoso pelo nome, mas poucos já viram o seu rosto, fora da Cidade Desconhecida, ele se esconde muito bem e aparece pouco nos lugares, mas às vezes aparece por aqui — Se levantou. — Se der sorte, pode encontrar ele aqui, se ficar, é claro — Sorriu sarcástica.

— Eu ainda não entendo — Herman apoiou sua cabeça nos joelhos e a levantou, logo em seguida. — O que é esse mundo místico? Por que a Donna pediu para encontrá-la? E o que a minha mãe e eu tem a ver com tudo isso? — Sua voz vacilou.

— Suas respostas serão atendidas, senhor Bennet — Herman se assustou diante a voz do diretor Archer Russell e Margarita se ajeitou rapidamente, tomando postura.

— Juro que não contei nada, senhor! — Abaixou a cabeça.

— Eu sei Margarita, relaxe — Passou as mãos pelos ombros da mulher que estremeceu. — Obrigada por acompanhar o menino até aqui, agora deixe comigo — Margarita assentiu e deu meia volta, deixando por onde passava várias tulipas quase murchas.

— Me acompanhe até o meu escritório — Sorriu abertamente e Herman fez o que foi pedido.

Ao voltarem pelos corredores, Herman se deparou com alguns alunos com roupas parecidas. Garotas passavam por ele o olhavam cheias de desejos, alguns garotos olhavam curioso para o menino de olhos verdes e Herman se sentiu estranho, como um novato, o que ele não era.

Chegaram até uma porta grande amadeirada que tinha uma placa dourada desenhada nela com uma coroa. Russell entrou e seguiu até a enorme janela atrás da sua mesa e ficou de costas para Herman, logo, o menino ouviu a porta se fechando e se assustou.

— O que queria comigo, diretor? — Uma sombra se moveu em um ponto distante da sala e Herman se assustou ainda mais ao ver os chifres brilhantes e negros.

— Eu que mandei lhe chamarem, Bennet — Uma mulher com vestes negras e longas caminhou lentamente e elegantemente até Herman, que paralisou ao notar que os chifres que viu, eram dela.

— Herman Bennet... — Pronunciou com doçura o nome de Herman, mas sentiu que a sua voz apenas aparentava ser doce, mas não era. — O que temos aqui… — Tocou com a ponta dos dedos magros o ombro do garoto que formigou de repente. — O que exatamente você é? — Rodou por volta de Herman e a sua capa rastejou pelos pés do menino. — Intrigante — Murmurou para si e logo se afastou de vez, deixando Herman mais aliviado.

— Essa é a Mrs.Riviere — Apresentou o diretor, ainda de costa, para Herman e com os braços entrelaçados nas costas. — Ela faz parte do Conselho — Falou olhando por cima dos ombros, apenas para contemplar a expressão de Herman, que não mudou muito. — Sua chegada foi inesperada — Olhou para a Mrs.Riviere, que fez cara de ofendida, totalmente irônica, e sorriu maldosamente. — Ela queria verificar pessoalmente o nosso convidado dessa humilde instituição.

— Quando me disseram que era um Bennet — Batucou com a ponta das unhas afiadas a mesa do diretor. — Tive de vir ver qual seria o estrago desta vez — Se aproximou de Herman de uma maneira vaga e sombria. — Sua mãe já nos causou o bastante — Olhou superiormente para Herman. — Mas devo confessar que devemos alguns favores para ela — Seus olhos brilharam. — Ela foi muito útil — Sorriu maldosa e Herman não gostou nada daquilo. — Você não faz ideia do que eu estou falando, faz? — Se encostou na mesa e Herman negou com a cabeça, sem conseguir falar diante daquela criatura. — Sei que a dona florida — Falou com ironia, referindo-se a Margarita. — Contou mais do que devia — Tocou um dos seus chifres. — Você não é burro, Bennet — Não foi uma pergunta, mas sim uma afirmação. — Seu pai é um bombeiro e a sua mãe... — Riu alto. — Uma criminosa que era uma de nós! — Apontou e Herman apertou os punhos sentindo uma raiva tremenda consumir o seu corpo. — Ela era igualzinha a Grace — Riu mais uma vez. — A garota na qual você está procurando — Herman não fazia ideia de como ela tinha tantas informações sobre ele.

— Você está mentindo! — Herman conseguiu dizer com muito custo. — Minha mãe era a mulher mais incrível que eu já conheci e se ela se apaixonou por um humano, não foi por culpa dela, mas vocês tiveram culpa pela morte dela e não fizeram nada a respeito! — Seu peito subia e descia freneticamente.

— Sua mãe salvou muita gente, garoto — Cuspiu maldosa. — Assim como também matou — Herman se segurou — Ela não era lá muita coisa — Falou debochada. — Mas fazia parte daqui e isso que importava — Russell coçou a garganta e a Mrs.Riviere respirou, retomando a sua explicação. — Indo direto ao ponto, uma das missões da sua mãe era descobrir o porquê de tantas mulheres estarem morrendo tão drasticamente nas últimas décadas — Herman ouviu atento. — Sua mãe foi atrás de respostas e como uma excelente profissional que ela era — Debochou novamente. — Notou que nos locais das mortes, tinham alguns papeis pequenos enrolados em lugares improváveis, como se a mulher morta tivesse o escondendo. Ela tentou lê-los, mas não entendia.

— As mulheres mortas eram Melíades que foram mortas por Rangers — Russell começou sem olhar para Herman. — Nos últimos vinte anos, mortes assim acontecem o tempo todo. — Se virou. — Sua mãe foi cobrada pelos superiores, os membros do Conselho, pela demora para solucionar o caso, então ela mostrou os papeis, mas o que ela não fazia ideia, era que a profecia é escrita com sangue de uma Melíade com as palavras sagradas, que só quem tem a visão pode lê-las, ou seja, uma outra Melíade experiente.

— Concluímos que quem paga os Rangers para matar as Melíades, sabe qual é a grande profecia e tenta impedir de chegar até nós — Disse Archer. — Sua mãe foi perseguida por um — Revelou. — Correu por horas no meio da estrada de um Ranger, assim ela nunca chegaria perto da verdade. Você viu as estatuetas no centro do nosso colégio? — Perguntou.

— Sim, os primeiros Salvadores — Respondeu Herman atento.

— Isso — Confirmou o diretor. — Aquele cetro, no meio do círculo de estatuetas, foi a primeira arma divina usada pelos primeiros Salvadores, depois da grande guerra, como vocês chamam de Primeira Guerra Mundial, ela foi fincada ali e a escola foi construída ao seu arredor, em homenagem, colocamos as estatuetas. O cetro é mágico, é ele que permite quem pode encontrar aqui — Herman se arrepiou. — Sua mãe voltou aqui e se escondeu, despistando o Ranger que não podia entrar.

— Donna dava aulas aqui e encontrou sua mãe fraca e desidratada na entrada, ela desmaiou e Donna a levou para um dos quartos. Quando acordou, o Conselho foi convocado e ela teve de se explicar sobre o ocorrido.

— Ela ficou por um longo tempo aqui de repouso e foi graças a ela que descobrimos as mortes das Melíades — Russell coçou a garganta novamente. — Passamos a colocar Salvadores espalhados próximos as estradas das escolas místicas, assim, eles encobriam a passagem das Melíades para cá, mas não podiam impedir as mortes, Rangers são muito fortes e quando uma morte acontecia, os Salvadores retiravam os corpos antes da polícia encontrar. — Isso explicava eles saberem tão rapidamente da morte de Donna.

— Donna passou a ser muito próxima da sua mãe, que costumava a seguir para todos os lugares, logo, virou a Conselheira dela, mas foi em um evento, no casamento da prima de Donna, que tudo mudou. — O ar ficou mais tenso e Herman podia sentir isso.

— O que aconteceu? — Perguntou aflito.

— Sendo direta — Observou as unhas. — Sua mãe conheceu o seu pai.

— Meu pai? Jayden? — Mrs.Riviere sorriu maldosa observando as unhas. — Vocês estão loucos! — Herman berrou com raiva.

— Acalme-se Herman! — Pediu Russell. — Vamos lhe explicar direito — Maneou a cabeça para a Mrs.Riviere que continuou.

— Sua mãe se envolveu em um romance proibido com um dos amigos ou primos de Donna, não me recordo, e quando ela descobriu, tinha que contar para o Conselho, já que romance entre sobrenaturais e humanos é extremamente proibido — Olhou com nojo para Herman. — Nem todos os familiares são místicos, alguns nascem com defeito e viram humano — Ela riu mais uma vez e isso começava a irritar Herman. — Mas antes que Donna contasse, era tarde, sua mãe já estava grávida e Donna precisava contar, mas com pena de sua mãe e com a culpa de ter que entregar a pessoa que nos ajudou a descobrir as mortes das Melíades, ela ajudou a sua mãe.

— Sua mãe fugiu Herman, voltou para o seu mundo. Ela então procurou o Jayden — O semblante de Archer era sério. — Ela deixou tudo para trás, mudou a aparência e se escondeu, mas ela não esperava que um antigo amor fosse atrás dela. — Olhou com pena para o garoto, como se a cena se repetisse diante de sua face. — Ele descobriu a gravidez e o que ela fez, mesmo argumentando que era necessário, caso ao contrário, ambos sofreriam as consequências — Ele se referia a Herman e a sua mãe. — Ele estava tomado pelos ciúmes e contou tudo ao Conselho — Archer olhou de canto para a Mrs.Riviere que bufou.

— Qual foi a decisão? — Herman questionou apertando os punhos cada vez mais fortes.

— A decisão do Conselho, por voto da maioria — Engoliu a seco. — Foi expulsão e ela teria que entregar você para nós, assim que completasse doze anos.

— O que vocês fariam comigo? — A raiva consumia o corpo de Herman cada vez mais.

— O Conselho apagaria as suas memorias com ela — Russell revelou com muito custo. — Ela não fazia mais parte desse mundo.

— Sua mãe foi uma grande mulher — Riu baixo. — Ela lutou até o último momento e foi a primeira a conseguir fazer um acordo com o Conselho — Sorriu orgulhosa. — Nenhuma punição para Donna e que a sua vida fosse baseada no que ela criou, mas ela prometeu contar tudo antes dos doze anos e você viria para cá, fora que, não apagaríamos a sua memória — Herman via diante de si a sua mãe brincando com ele no parquinho em frente de casa e sorrindo a todo instante, como uma pessoa... normal. — Mas como pode ver, senhor Bennet — Olhou nos olhos de Herman, murchando o sorriso tenebroso. — Mentiras nunca serão verdades.

— Na noite da morte de Donna, uma aprendiz de Melíade nossa, Serena Shaw, teve uma visão. — Russell tentou mudar o foco da conversa.

— Como? — Herman quase gaguejou.

— Ela tem uns problemas com pesadelos e hora ou outra começa a delirar, falando sozinha enquanto dorme e a gritar. O professor Spike disse que ela tem parentesco com fortes Melíades e pode vir a se tornar uma, bom, ninguém sabe, já que ela ainda não consegue controlar os seus poderes, mas o pouco que desenvolveu, aparenta ser uma Melíade aprendiz, apenas.

— Com poderes de uma Melíade poderosa? — Perguntou confuso entendendo um pouco todo aquele mundo.

— Só se torna uma Melíade poderosa a partir dos vinte e seis anos, não com dezessete.

— Então ela é apenas uma Melíade — Afirmou Herman entendendo.

— Uma Melíade que está se desenvolvendo muito rápido — Suspirou. — Rápido até demais — Seu olhar foi para longe. — Ela é filha da Donna — Herman arregalou os olhos.

— Então ela estava delirando e…? — Questionou Herman voltando ao assunto anterior, já impaciente.

— Ela disse palavras sem nexo como: Melíade, morte, Ranger, “Mãe, corra!”, depois acordou e nós contou o pouco que lembrava — Olhou para ele com os seus olhos azuis profundos. — Bennet... — Sussurrou fazendo suspense. — Na noite anterior, quando você chegou, eu estava no quarto ajudando a acalmá-la, foi quando ouvimos o seu grito. Assim que você disse o seu nome, tudo pareceu parar em nossa volta, até mesmo os olhos da Serena se abriram naquele instante. Estavam verdes feito folhas lavadas. Convocamos o Conselho, pois eu sabia que você iria querer explicações.

— Entendo perfeitamente o que estão querendo me dizer — Cruzou bem os braços. — Mas não tem motivos para essa coisa toda aqui — Apontou para ambos. — Não tem como eu continuar aqui! Minha mãe está morta… morta! — Repetiu aflito e sentiu o chão vibrar abaixo de si.

— Não nós compreendamos mal, Herman — O diretor se aproximou do garoto com cautela. — Mas em nosso mundo, um Salvador tem como regra manter o segredo desse mundo do outro mundo — Suas orelhas pontiagudas se mexeram sutilmente. — Sua mãe quebrou uma regra e escondeu isso de todos, não consigo defendê-la, mas posso compreender, o amor faz loucuras com a mente das pessoas — Herman sentia náuseas com aquele olhar de pena.

— Herman! — Mrs.Riviere disse séria. — Não sabemos o que você é! E isso é demasiado perigoso para você ir embora, ainda mais agora, com toda essa caçada por conta da grande profecia, sua mãe estava envolvida e justo a Donna foi tê-la, não é seguro para você lá fora.

— E aqui é? — Fez uma pergunta retorica. — Vocês mataram a minha mãe! Acham mesmo que eu ficarei aqui? — Seu corpo fervia.

— Herman, se acalme! — Pediu o diretor. — Sua mãe foi morta pelos...

— Revolucionários! — Herman disse. — Eu sei, mas isso não muda nada! — Seus punhos doíam. — Me levem até a Grace Wayward, agora! — Exigiu. — E não venham me dizer que não sabem aonde ela está, porque vocês sabem! — Mrs.Riviere estava pronta para negar, mas Archer Russell interviu com um olhar e as pontinhas da sua orelha balançaram novamente.

— Como desejar, Herman — Suspirou. — Não podemos obrigá-lo a ficar, mas mais tarde você irá perceber o quanto precisa de nós.

— Fique tranquilo, não voltarei mais, diretor — Disse carregado de ironia.

Archer alcançou o telefone na mesa e falou em voz baixa com alguém. Herman esperava que toda aquela confusão em sua mente não passasse de uma grande bobagem, pois não via a hora de sua vida voltar ao que era antes e o pesadelo acabasse, mas Herman sabia que no fundo, aquilo tudo era a mais pura realidade.

Já fazia meia hora que Herman esperava e o diretor fazia inúmeras ligações, Mrs.Riviere permaneceu calada sentada no batente da janela, com o seu longo vestido preto se arrastando pelo chão.

— Chega! — Herman disse se levantando, chamando a atenção para si. — Eu vou embora, vocês não ajudam de nada — Mrs.Riviere ergueu uma das sobrancelhas e encarou Herman dos pés à cabeça, voltando a sua atenção para a janela.

— Hoje o dia está muito agitado, Herman — O diretor disse largando o telefone de lado. — Fiz o possível para conseguir autorização da localização de Grace no momento — Archer olhou por cima dos ombros, mais especificamente para Mrs.Riviere que permanecia calada. — Aparentemente ela não foi mandada para outra base — Seu olhar era raivoso e ele pode ver um sorriso crescendo no rosto da mulher, que de fato, sabia onde Grace realmente estava.

— Bom — Herman se levantou da cadeira. — Foi ótimo estar dentro do conto de fadas, mas agora eu preciso voltar para o mundo real — Sua tonalidade era irônica e antes que alguém pudesse impedir, ele já caminhava para fora dos arredores da academia mística.

— Deixe-o ir — Mrs.Riviere se pronunciou pela primeira vez depois de horas, antes que Archer tentasse impedir o menino — Ele vai voltar — Disse sorrindo, observando pela grande janela o menino indo embora do que ele chamou de “conto de fadas”, mas a sua única esperança para ele era acordar, assim, era somente o que faltava para ele se livrar daquele pesadelo.

Autora (insta): @theleticiareis

 

 


Notas Finais


História também publicada no meu wattpad com o mesmo user daqui.


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