História Salvation - Capítulo 4


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Categorias Histórias Originais
Personagens Personagens Originais
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Palavras 2.217
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Famí­lia, Hentai, Romance e Novela, Violência
Avisos: Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Sexo, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Capítulo 4 - Nightmare.


– Ei Sophie! – Acenei para ela, assim que me encostei no balcão.

 

– Eai! – Ela sorriu. – Ah, olha só, consegui algo pra você!

 

– Sério?! – Sorri surpresa.

 

– Na verdade, foi o Brian. – Revirou os olhos. – Ele me disse que a Senhora Jones despediu a pouco tempo a única funcionaria da sua floricultura e está procurando outra. Você só tem que entender de flores...

 

– Com um nome desse, se eu não entendesse de flores... – Ri balançando a cabeça.

 

– Ótimo, ela está esperando você amanhã, pela manhã. – Ouvi a voz grossa se aproximar de mim.

 

Olhei para o lado, Brian sentava no banco ao lado do meu. Senti aquele medo me invadir novamente. Ok, calma. Respirei fundo, tentando me conter. Eu não poderia ser grossa com essas pessoas que me acolheram.

 

– Desculpe se te assustei hoje mais cedo... – Ele me encarou com certo receio.

 

– N-não, eu que devo desculpas... – Sorri envergonhada. – Eu não... Não gosto muito de violência, acho que ver você socando aquela coisa me deu medo. – Admiti, causando risos no homem.

 

– Não se preocupe, baixinha, é só um hobby. – Sorriu mostrando os dentes brancos.

 

– Ah... Ok... – Balancei a cabeça, sentindo minha bochecha arder. – Obrigada por ter me arrumado um trabalho, alias, obrigada você também, Sophie...

 

– Não tem de que! – Ela piscou, pegando uma garrafa de cerveja e levando para algum lugar.

 

– Somos todos uma família aqui nessa cidade. – Brian murmurou.

 

– É uma cidade muito bonita, eu não esperava tanto. – Disse desviando o olhar.

 

– Realmente, é pequena, mas acho que não a trocaria por nada. – Sorriu. Sophie voltou para o balcão. – Então, nos conte sobre a cidade grande, sobre você...

 

– Não tem muito o que contar. – Encolhi os ombros. – Eu meio que estou recomeçando.

 

– Isso é bom! – Sophie sorriu, colocando um copo de suco em minha frente e uma enorme caneca de cerveja em frente a Brian. – Mal vejo a hora de chegar o fim de semana, nós fazemos uma festinha aqui na lanchonete! – Ela piscou.

 

– E não esquece da inauguração daquele Karaokê ridículo que você comprou! – Brian rolou os olhos.

 

– Ah, para cabeção! – Sophie deu um tapa em seu ombro. – Ophelia, diz a ele, Karaokê é muito legal!

 

– Eu nunca tive a oportunidade. – Respondi bebericando meu suco. – Mas acho que seria legal.

 

– Caramba, você é estranha! – Sophie ri balançando a cabeça.

 

– Um pouco. – Ri. – Me contem sobre vocês...

 

– Você está mudando de assunto... – Murmurou Brian, com a sobrancelha arqueada.

 

– Eu realmente, não tenho o que contar de minha vida... – Dei de ombros em uma mentira descarada.

 

– Que tal... – Sophie franziu a testa. – Sobre seus pais! Nosso pai morreu há alguns anos, e mamãe está viajando a um tempo, ela o amava muito. – Disparou com um sorriso triste.

 

– Eu sinto muito. – Murmurei.

 

– Sua vez... – Sophie apontou o dedo para mim.

 

– Hm... – Apertei a copo em minhas mãos. – Deixei meus pais na cidade grande, não que eles se importem com isso... – Dei um sorriso amargo. – Eramos uma família de aparência.

 

– Poxa, eu sinto muito. – Sophie sorriu.

 

Apesar de ter ficado um pouco triste com a lembrança de meus pais, continuei conversando com os irmãos Conner. Mas não era como quando eu estava sozinha com Sophie, eu sentia aquele medo, aquela angustia... Era como se eu esperasse pelo pior, era como se eu esperasse que o gigante ao meu lado, levantasse e me estapeasse. E cada vez que eu ouvia sua voz grossa ao meu lado, tudo piorava. Quando anoiteceu, dei alguma desculpa para ir embora. Suspirei aliviada quando cheguei em casa. Depois de um banho quente, eu deitei na cama, não demorou para que eu adormecesse.

 

Eu sabia que era um sonho, sabia sim, pois estava parada na frente daquela maldita casa. Um raio serpenteou pelo céu nublado, me causando um susto pelo barulho logo em seguida. Os vizinhos estavam parados na calçada, me olhando como se eu fosse culpada de algo. Estranhei. Fechei os olhos rezando para que eu acordasse na confortável casa da senhora Hope.

 

Você fugiu de mim... – Ouvi a tão conhecida voz que me atormentava a cinco anos. – Porque fugiu de mim, querida?!

 

Quando abri os olhos, Joey estava em minha frente. Senti meu corpo todo tremer, minha espinha gelar e minhas pernas bambearem. Seus olhos azuis me encararam com raiva.

 

E-eu... – Senti minhas lágrimas escorrerem por minhas bochechas.

 

Antes que eu pudesse dizer mais alguma coisa senti o tapa em meu rosto, minha bochecha ardeu e eu me abaixei para me proteger dos próximos ataques. Seus dedos puxaram meus cabelos com força, me arrastando pelo jardim de nossa casa.

 

Socorro! – Gritei esperando que alguém me ajudasse. – Por favor, alguém!

 

Cala a boca! – Chutou minha barriga fazendo com que eu me calasse. – Ninguém vai te ajudar, sabe porque?! – Sua mão apertou meu queixo, fazendo com que eu olhasse em seu rosto. – Porque ninguém te ama! – Riu maldoso.

 

N-não... – Choraminguei.

 

Você não tem amigos, nem seus pais te amam! – Gritou apontando para um certo lugar, então vi meus pais, me olhando com desgosto. – Só eu, só eu te amo! – Gritou.

 

Ele voltou a me puxar, desta vez pelo braço, para dentro de casa. Me jogou contra a parede e então a porta se fechou.

 

Você nunca vai escapar de mim, porque estou dentro da sua cabeça! – Riu.

 

O barulho do despertador me tirou daquele terrível pesadelo. Eu suguei o ar com tanta força, que acabei me afogando. Meio a tosses, passei a mão por meu pescoço, estava soando frio. Olhei para o despertador, eram oito da manhã, nunca amei tanto um despertador em minha vida. Sentei na cama, recuperando-me do susto.

 

– Foi só um pesadelo. – Disse em voz alta.

 

Estou dentro de sua cabeça”

 

Repetiu sua voz. Argh, eu provavelmente deveria estar ficando louca. Tomei um banho morno para me livrar do suor, vesti-me com uma calça rasgada e uma blusa branca qualquer e claro, meu all star. Tomei meu café rapidamente e deixei a casa. Sentir a brisa fresca pela manhã me fez esquecer o que havia acontecido, então sorri aliviada olhando aos arredores. As pessoas começavam a abrir suas lojas, e acenavam para mim, com um sorriso no rosto. Eu correspondia com um timido aceno de mãos. Não demorou para que eu chegasse no Shopping, e como havia visto no dia que cheguei, o lugar era pequeno, mas as lojas eram tão sofisticadas quanto as de uma cidade grande. Roupas de grifes e etc. Não foi difícil achar a floricultura, era mais bonita do que eu havia imaginado. A parede toda coberta por trepadeiras, e um letreiro escrito “Flouers de Jones”. Sorri, adentrando o lugar, cheio de flores coloridas espalhadas por mesas e prateleiras.

 

Atrás do balcão, havia uma senhora loira, muito bem arrumada. Ela sorriu ao me ver, deu a volta no balcão.

 

– Você é a garota nova! – Sua mão direita se estendeu em minha direção. – Sou Abigail Jones.

 

– Ophelia Flowers! – Respondi apertando sua mão.

 

– Oh! – Ela me encarou surpresa. – Acho que esse realmente é o emprego perfeito pra você!

 

A senhora Jones era realmente muito querida. Pela breve conversa que tive com ela, descobri que era muito bem de vida e mantinha a loja apenas por paixão. Todas as flores ali vieram de sua estufa, o que tornava tudo mais especial. Infelizmente ela não podia passar o dia na loja, pois tinha um marido doente e precisava cuidar dele. Depois de demonstrar meu conhecimento sobre plantas, o emprego era meu, e eu começaria hoje mesmo. Não foi difícil, na verdade, eram poucas as pessoas que passavam a fim de comprar algumas flores, percebi que as sementes de verduras e frutas saiam mais do que as próprias flores. Exatas cinco da tarde, a Senhora Jones voltou para fechar a loja, deixou comigo uma cópia da chave da loja, pedindo para que eu a abrisse na segunda às oito e meia da manhã e fechar às cinco, caso não houvesse movimento algum, eu poderia fechar mais cedo.

 

Caminhei apressada até a lanchonete, também estava faminta, já que apenas havia comido uma mini pizza o almoço. Quando cheguei a lanchonete, percebi que estava mais agitada do que o normal. Motos e carros estacionados na rua, pessoas ocupando as mesas do lado de fora e a música, tocava em uma altura considerável. Caminhei para dentro do lugar, sorrindo e cumprimentando, quando as pessoas diziam, “a novata a cidade”.

 

– Oi Ophelia! – Sophie acenou de trás do balcão.

 

Eu acenei de volta e olhei ao redor, o lugar estava começando a lotar. E eu acabei por descobrir o motivo, quando olhei no canto da lanchonete. O karaokê. Sorri balançando a cabeça e caminhei até o balcão.

 

– Hoje está lotado, hein! – Ri.

 

– É sexta-feira Ophelia, e claro, chegou o karaokê! – Ela comemorou.

 

– Então, quando vai cantar um rap naquela coisa?! – Pergunto aos risos. Ela me encara surpresa.

 

– Logo! – Disse balançando a cabeça.

 

Não foi difícil perceber que gostava daquele tipo de música, levando em conta o jeito que ela se vestia, sempre usava bandanas ou bonés. Já seu irmão, bem, acho que não se encaixava no mesmo estilo. Ele tinha seu próprio estilo, camisetas apertadas com estampas diferentes, calças jeans surradas, sempre usava algum colar e seu pulso era enfeitado por pulseiras de couro.

 

– Finalmente chegou! – Minha espinha gelou. Foi só pensar, e ele apareceu.

 

– Hm, oi. – Dei um leve sorriso.

 

– Como foi com a Senhora Jones?! – Pergunta sentando-se ao meu lado.

 

– Foi bem, o emprego é meu. – Balancei a cabeça.

 

– Isso é ótimo! – Sorriu ainda mais. – Mas não me parece tão animada assim...

 

– Ela nunca tá animada! – Sophie resmunga, antes de pegar uma bandeja com alguns lanches e sair de nossa vista.

 

– Não é isso... – Disse revirando os olhos, enquanto Brian ria. – Eu tive um sonho ruim. – Dei de ombros.

 

– Quer compartilhar? – Ele cerrou os olhos me encarando. Eu apenas neguei, sentindo minhas bochechas arderem. – Você é cheia de segredos, hein... – Riu.

 

– Todas as mulheres têm segredos! – Dei de ombros, lhe lançando um rápido olhar.

 

– Claro! – Ele riu. – Sophie me disse que está na casa da Senhora Hope... – Comenta, alcançando uma garrafa de cerveja.

 

– Sim, é uma boa casa, só está precisando de alguma decoração... – Murmurei enquanto mentalizava a imagem da sala, que era apenas ocupada pela estante e a pintura na parede.

 

– Você realmente tem sorte! – Riu. – Amanhã nossa vizinha vai vender algumas de suas coisas. Ela é uma daquelas acumuladoras, sabe?! – Deu uma leve risada. – Acho que você vai gostar, e vai economizar muito dinheiro.

 

– Acho que essa cidade me trouxe sorte. – Ri.

 

Por mais desconfortável que eu estivesse na presença de Brian, eu continuei ali. Tinha que perder o medo, pois ele não me apresentava perigo algum, era uma boa pessoa como sua irmã e estava tentando manter uma amizade. Mas algo dentro de mim se revirava de medo, eu me sentia pequena como uma formiga, sentia vontade de correr pra longe. Suspirei, as horas foram passando, a noite caiu, as pessoas continuaram cantando naquela coisa, Sophie até cantou uma música da Beyonce, e sua voz era muito bonita. Ela insistiu para que eu fosse também, mas eu neguei até o último pedido. Meu medo estava quase indo embora, quando percebo um homem no outro canto da lanchonete. Ele me encarava intensamente, sem ao menos disfarçar. Seu sorriso não era caloroso como os de todos os outros que me cumprimentavam, era um sorriso malicioso.

 

Um sorriso que me lembrava de Joey. Trinquei os dentes. Aquele homem me lembrava de Joey. Tinha os olhos azuis, eram bem mais azuis... Era branco, de cabelos negros. Muito bem vestido, pelo que pude ver. Nem de longe ele era feio, mas tudo em seu rosto me causava náuseas. Não podendo mais aguentar aqueles olhares atrevidos, eu me levantei.

 

– Preciso ir. – Disse dando um sorriso amarelo.

 

– Mas já?! – Sophie me encarou tristonha.

 

– Não estou me sentindo bem... – Murmurei olhando para o chão.

 

– Quer que eu te acompanhe? – Brian levantou-se.

 

– Não! Não precisa! – Balancei a cabeça negando. – Até...

 

Apressei meus passos para sair da lanchonete, mas assim que piso na calçada, ouço passos se aproximando.

 

– Ei, espere... – Era uma voz desconhecida, mas quando virei meu rosto para ver quem era, encontrei o homem que me encarava a pouco. – É Ophelia, não?!

 

– Me deixe em paz. – Resmunguei sem deixar de caminhar, porém seu corpo impediu-me de continuar a caminhar.

 

Estou dentro de sua cabeça”

 

De novo aquela voz em minha cabeça. Fechei os olhos.

 

– Posso te acompanhar?! – Pergunta com um sorriso galante.

 

– Não, obrigada. – Murmurei, abracei meu próprio corpo e dei um passo para frente, mas fui impedida novamente.

 

– Tem certeza?! Olha, as ruas podem ser perigosas, e você precisa de um amigo para... – Dizia em um tom simpático.

 

Você não tem amigos

 

– Me deixa... – Pedi, mas o desespero tomou conta de meu corpo. Minhas pernas bambearam.

 

– Você está bem? – Ouço sua voz, lhe encarei, ele se aproximou mais ainda e tocou meu braço.

 

– Não me toca... – Choraminguei dando um passo para trás.

 

Minha visão começou a embaçar, o ar começou a faltar em meus pulmões, meu coração batia tão forte que meu peito doía. Não ouvi mais nada, nem vi mais nada, mas senti meu corpo perdendo a força e caindo no chão como uma pena.

 

Eu disse que nunca vai se livrar de mim! – Joey riu.

 

Eu estava de volta naquela maldita casa. Chorei, sentindo meu corpo todo doer. Fechei os olhos novamente, esperando que fosse mais um pesadelo e eu acordasse logo. 



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