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História Salvation - Capítulo 12


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Notas do Autor


Tô tentando escrever o máximo que posso, mas tá sendo meio dificil😷

Boa leitura💞

Capítulo 12 - Culpada


Fanfic / Fanfiction Salvation - Capítulo 12 - Culpada

Hyelim havia sonhado com Taehyung naquela mesma noite. O Kim havia surgido em seus sonhos de forma comum, não fantasiosa. Assim que a menina deitou-se em sua cama alguns minutos após o jantar, já completamente aninhada no conforto de seu cobertor quente e convidativo, Taehyung havia entrado no quarto escuro, depois de Jisoo já ter pegado no sono — depois de passar quase duas longas horas revisando matérias do Instituto—, e flutuara até a cama de Hyelim como um verdadeiro fantasma. Ele não estava com a pele roxa ou excessivamente branca, pálida, tal como a forma em que os seres fantasmagóricos costumavam mostrar-se rotineiramente em filmes de horror que ela assistia na televisão há algum tempo atrás. Na realidade, Taehyung havia apenas "caminhado" até sua cama e, posteriormente, sorriu fraco para a garota e, ainda sentado na borda da cama de solteiro de Hyelim, elevou as mãos até os cabelos da jovem e afagou os fios curtos esparramados sobre o travesseiro, de forma inócua, e a qual o fazia sentir a maciez dos fios da menina entre seus dedos.

O toque de Taehyung em seus cabelos, deslizando os dedos por seu rosto enquanto cantava para que ela pudesse dormir com tranquilidade, havia sido vívido. A melodia sublime de sua voz era singela; suave como o cantar de um pássaro em meio ao alvorecer. E despertou em Hyelim o sentimento mais etéreo de sentir-se protegida, mesmo que somente naquele momento. Ela não conseguia se lembrar há quanto tempo exatamente havia dormido tão tranquilamente quanto naquela noite e, ainda que o pensamento fosse indevido, Hyelim desejou, por um segundo, que não tivesse de acordar, pois abrir os olhos ao amanhecer significava deparar-se com a realidade lasciva e angustiante de estar de volta ao mundo real.

Ali existia todo o caos do qual ela tentava escapar, embora soubesse que era impossível. Se pudesse, Hyelim não hesitaria em abrir mão da realidade e mergulharia para sempre no mundo da utopia, onde ela não tinha de se preocupar com as consequências de seus atos, porque nada do que fizesse seria "real", de fato.

As pálpebras de Hyelim abriram-se lentamente e ela revirou o corpo na cama por diversas vezes antes de erguer o tronco acima do colchão, os cabelos castanhos bagunçados e sua visão turva por ter acordado recentemente. A menina soltou um bocejo preguiçoso e arrastado, suas costas doloridas, a cabeça latejando como se tivesse levado uma pancada na região com algum objeto pesado e seus ombros parecendo pesar uma tonelada — qualquer mínimo movimento, ainda que involuntário, poderia fazê-los desmoronar sobre o restante de seu corpo. No entanto, ainda que estivesse fisicamente debilitada, Hyelim sentia-se, pela primeira vez desde o desaparecimento de Taehyung, psicologicamente bem. Apenas bem. Vê-lo em seu sonho havia sido importante, uma vez que a fez melhorar consideravelmente apenas por ter tido a oportunidade de ver o belo rosto do garoto mais uma vez. E, agora, ela estava satisfeita em ter sentido seus toques em seus cabelos e sua voz cantando para si enquanto lhe fazia dormir, porque isso, de algum modo, ficaria em sua mente para sempre. As memórias não desapareceriam mesmo se quisesse. Isso porque Taehyung, em seu sonho, parecia tão real. A sensação de ver e ouví-lo na noite passada, antes de acordar, parecia ter acontecido de verdade, sem ser uma maldita fantasia.

Bem, Hyelim certamente queria que fosse. Mas sabia que não. Acreditar nisso era como acreditar na fada dos dentes ou em papai noel. Você até acredita nessas coisas, mas sabe que nunca poderá vê-los em formas reais, como realmente são.

Hyelim suspirou profundamente outra vez, até que sua visão voltasse a se acomodar com o espaço ao seu redor e ela pudesse enxergar as coisas com clareza. A garota levantou-se, calçou as ridículas sandálias macias em formato de ursinho de pelúcia e, em seguida, arrumou os lençois de sua cama. Park divagou até o outro lado do cômodo, onde parou diante da cama de Kim Jisoo. A roupa de cama da melhor amiga estava bagunçada mesmo que Jisoo tivesse levantado há muito mais tempo do que a própria Hyelim.

Ela, como alguém que conhecia a Kim melhor do qualquer outra pessoa no mundo, sabia o quanto a menina detestava arrumar sua cama após levantar-se. Segundo Jisoo, por quê deveria "perder tempo" arrumando seus lençóis, se teria de bagunçá-los durante à noite, quando fosse se deitar?

Sinceramente, Hyelim até que via um pouco de razão naquela teoria batizada de A Teoria dos Lençóis Não Arrumados de Kim Jisoo. No entanto, como qualquer virginiana que se preze, Hyelim se recusava a deixar qualquer mínimo cômodo do apartamento bagunçado. Sua excessiva mania de limpeza era algo do qual ela não podia evitar.

Assim que terminou de arrumar a cama da amiga, Hyelim caminhou até o armário onde guardava suas roupas e objetos pessoais, do outro lado do quarto e abriu uma das portas do móvel, retirando uma toalha limpa de uma prateleira dentro do local.

Enquanto atirava a toalha de tecido amarelado acima da cama, e voltava até a gaveta do armário, vasculhado-a à procura de um absorvente noturno — a garota preferia usar os "para à noite" do que os diurnos, pois além de ser maiores, eram mais confortáveis —, Hyelim não conseguia parar de pensar no quanto o sonho com Taehyung havia parecido extremamente real. Real até demais.

Aqueles estavam sendo dias difíceis, era claro, pois Hye ainda se culpava pelo que havia acontecido, mesmo sabendo que era ridículo se passar de culpada. Mas, de alguma forma, vê-lo em sua mente tomada pelo sono profundo havia acendido uma faísca de esperança dentro dela. Algo que a fazia acreditar que Taehyung não estava possivelmente morto, e que seria sim encontrado. Com vida. São e salvo.

Hyelim, pela primeira vez depois de todo o holocausto, sentiu que não era a culpada pelo que havia acontecido com o garoto que gostava. Sentiu que poderia ter a oportunidade de ser perdoada pelas palavras ácidas das quais tinha lhe dito e que, acima de tudo, poderia ver Taehyung outra vez.

Era algo sublime. Uma pontada de esperança lhe tomava a cada segundo. Mas o que Hyelim não sabia era que, de fato, aquilo não havia sido um sonho. Nem pensar! Taehyung esteve mesmo ali. Cantou para ela, afagou seus cabelos da forma mais singela imaginada e a observou dormir serenamente, como se fosse o anjo da guarda que a protegia dos demônios que pudessem espreitar seu quarto durante as madrugadas frias, os quais ela acreditava existir quando era criança, e o mesmo que a impedia de ter pesadelos. A Park, por ser noite e por estar cansada, acreditou que fosse um sonho. Mas estava errada.

Ela havia visto o espírito de Taehyung em seu quarto. Apenas não sabia que havia sido real, que havia sido verdade.

Se soubesse, é claro que surtaria. Entraria em pânico e acreditaria estar louca, com o juízo em declínio. Mas ela não podia evitar.

No fundo, não queria. Sentia-se bem por ter sonhado com ele era algo tão bom...

Taehyung estava ali. O garoto estava sentado na borda de sua cama quando a garota levantou, minutos atrás. E agora mantinha-se apoiado na parede perto de uma escrivaninha, à frente da cama das duas garotas. Seus braços estavam posicionados atrás das costas, os olhos castanhos fixos em Hyelim fechando a gaveta, erguendo o corpo novamente e caminhando até a cama com um pacote azul escuro em suas mãos.

Taehyung sabia o que eram aquelas embalagens quadradas e descartáveis. Mas não era exatamente aquilo que havia atraído sua atenção quando a menina o atirou junto a toalha acima do colchão.

Não. Os olhos do Kim acabaram por petrificar-se na silhueta baixa de Park Hyelim, a qual, de costas para a parede onde ele estava recostado — sem que ela humanamente o pudesse ver  —, levava as mãos até a barra da camiseta larga que havia usado para dormir, puxando-a para cima e revelando um top preto de alças também largas, o qual deixava à mostra o volume de seu decote recatado e a cintura fina onde, do lado esquerdo, a cicatriz de uma provável cirurgia de apendicite — Taehyung não sabia ao certo, mas deveria ser isso — "adornava" o corpo da garota.

Droga. Hyelim virava a peça de roupa para o lado original e a dobrava, colocando-a acima da cama. E a sensação ruim entorpeceu Taehyung justamente no momento em que Hyelim segurou o cós da calça de dormir e a desceu pelas próprias pernas fortes — sim, as costumeiras roupas da garota escondiam o belo corpo que possuía.

Taehyung se sentiu nervoso. Ele não queria ser ousado e fazer parecer que estava aproveitando-se da situação. Jamais.

Ele nunca faria algo do tipo. Portanto, quando a Park tocou a barra de sua calcinha, o Kim fechou os olhos, apertando as pálpebras com força e virou-se de costas para ela. Ele esperou, com o rosto virado para a parede, até que Hyelim tivesse tirado todas as suas roupas, enrolado-se na toalha e seguido até o banheiro.

Assim que o barulho da água caindo no chuveiro chegou até seus ouvidos, Taehyung virou-se de frente novamente, abriu os olhos e sentiu-se aliviado ao ver que ela já não estava mais naquele local.

O menino, que agora não passava de uma alma perdida, sentou-se na borda da cama da Park, outra vez. Ele não sabia que era possível se sentir tão nervoso quando naquele instante. E disse a si mesmo que deveria ser menos indiretamente invasivo da próxima vez. Afinal, quando estivesse no apartamento que Hyelim residia e até mesmo com sua mãe, momentos como aquele não deveriam acontecer.

•••



— Bom dia.

Hyelim saudou a Jisoo, assim que chegara até a cozinha. A amiga estava passando geléia de morango em dois pães e ergueu a cabeça automaticamente ao vê-la sentar-se na cadeira em frente a si.

— Bom dia. Como você está?

O garoto por quem eu sou apaixonada foi dado como morto e eu me culpo até o fim por isso. Mas ontem à noite sonhei com ele. Isso diminuiu um pouco da minha culpa, porque eu estou tentando acreditar que Taehyung está vivo. Mas mesmo assim, não consigo me sentir 100% bem... Me sinto um lixo.

Foi exatamente isso que Hyelim pensou em responder. Mas preferiu poupar saliva e mais preocupações, dizendo:

— Estou bem. Não se preocupe — respondeu a Park, colocando café em um xícara branca, melancólica.

O líquido preto parecia borbulhar. Hyelim meneou a cabeça, erguendo sua visão a Jisoo, que lhe fitava com as sobrancelhas arqueadas.

A Kim não sabia se podia acreditar nas palavras de Hyelim. Afinal, ela era mestre em esconder seus sentimentos e mentia muito bem quando tentava fazer isso.

— Hmm. Espero que você não esteja tentando me enganar. Quero você como era antes.

Jisoo sentou-se na cadeira à frente da amiga após entregar-lhe um pão com geléia, sorrindo amigavelmente. A menina não foi retribuída pelo sorriso, pois o pasado era algo do qual Hyelim não podia voltar.

— Não posso mais ser quem eu era antes, Jisoo. Você sabe disso, não é?— indagou a Park.

Jisoo se sentiu idiota.

— Eu sei. Eu só... — As palavras dela perderam-se no ar. — Eu só estava pedindo para você não se antidepreciar, ok? Lembra do que Jungkook e eu falamos? Você não teve culpa alguma nisso tudo, certo? Porra, não é como se você tivesse ido lá e contratado alguém pra fazer isso com o Tae ou algo assim. Para de se culpar, tá bom?

Hyelim suspirou. O café voltou a borbulhar em sua xícara como as ondas de uma mar durante a ressaca, e o pão não parecia mais tão saboroso assim. Park sentiu-se enjoada.

— Não é uma coisa que eu possa controlar, Jisoo. Eu não tenho um botão onde posso apertar e dizer "acabou, eu tô bem". Se fosse assim, seria bem mais fácil passar por isso e eu nem estaria dizendo tudo isso a você. Amanheci bem, de verdade. Mas não posso prometer que ficarei assim para sempre. Não dá.

Jisoo bebeu um gole de café com pressa, porque não sabia o que deveria dizer. Mas, quando a menina abriu os lábios, pronta para relembrar  Hyelim que estava ali para o que fosse preciso, batidas estridentes na porta da sala de estar a fez parar, engolindo as palavras internas para si.

A Kim alternou o olhar entre a porta e a própria Hyelim, franzindo o cenho para a amiga.

Elas não esperavam visita. Então, quem poderia ser?

— Quem você acha que é? — Jisoo perguntou e Hyelim deu de ombros.

— Sei lá. Será que é algum vizinho?

A Park maneou a cabeça. Jisoo fez uma careta quando as batidas tornaram-se mais frequentes do que nunca.

Quem diabos bate na porta de alguém logo tão cedo?

Ela não sabia. Mas estava ansiosa para descobrir o incoveniente do momento.

— Espera aqui. Vou ver quem é.

Jisoo deixou a xícara de café acima da mesa e levantou-se da cadeira, caminhando descalça até a porta da sala de estar. Hyelim acompanhou os movimentos calculados da amiga em direção a porta, curiosa. Naquele insatnre, uma constante sensação de estar sendo observada a atingiu, como quando você está sozinho em um local e começa a olhar para todos os cômodos do ambiente, a fim de checar de alguma mínima movimentação na região. Por mais que você saiba que não, ainda não é capaz de acreditar no que vê a olho nu.

E essa foi a última coisa que ela se lembrava de sentir, pois quando Jisoo girou os dedos na maçaneta e abriu a porta, relevando o rosto vermelho e molhado de Kim Dahyun, Hyelim havia entrado em modo robótico. Virara um fantasma de novo.

Dahyun...

No meio de toda aquela confusão relacionada ao desaparecimento de Taehyung, Hyelim havia esquecido completamente da prima do garoto. E agora, a julgar pela forma com a qual Day entrara na residência, os passos pesados e quase perfurando o piso da sala, os cabelos repletos de fios quebradiços e os olhos molhados por ter chorado no caminho de sua casa até ali, a menina certamente já sabia de tudo. Tudo.

Sabia sobre festa, sobre a discussão, sobre Taehyung e sua suposta morte.

Hyelim também se levantou sem saber exatamente que havia feito isso. A garota migrou até a sala de estar, as palavras de Jisoo soando estridentes atrás de Dahyun:

— O que você quer aqui, Dahyun? Eu não disse que você podia entrar e...

O que quer que fosse dito por Jisoo havia desaparecido no ar, porque Day fora bem mais rápida que ela, ignorando suas palavras, de costas para si e os olhos fixos em Hyelim. Park observou os cílios grossos da menina de forma rápida, porém eficaz, e percebeu que ela sabia mesmo de tudo o que acontecia até então.

Dahyun havia chorado. Ela havia sentido falta de Taehyung. Ela pensava tanto que estava ficando quase louca. Ela não conseguia entender o que diabos havia acontecido e sua maior vontade era, naquele momento, de sacudir Park Hyelim até que ela admitisse sua fiel culpa.

— Maldita! Isso tudo é culpa sua, Hyelim. Eu falei tantas vezes pra você ficar longe do Taehyung e olha só o que aconteceu. Ele tá morto por sua culpa. Sua. Culpa. Desgraçada. Como... Como é que você pôde fazer isso?

O coração de Hyelim batia forte. Muito forte. As paredes se aproximavam e o ar parecia deixar de existir aos poucos. A gravidade poderia se dissipar pouco a pouco e fazê-la flutuar pela sala. Ela se sentiu a pessoa mais suja e nojenta do mundo, a qual merecia a prisão perpétua por ser culpada.

Culpada...

Engraçado. Hyelim havia acordado contente por ter sonhado com Taehyung. Mas agora esse sonho parecia não valer nada. A magia havia se quebrado. A utopia escapou de suas mãos e Hyelim beirava o precipício.

— Day, me escute. Eu não quis que isso tivesse...

Hyelim começou a susurrar, lágrimas grosaas escorrendo de seus olhos enquanto fitava outra pessoa que também amava Taehyung. No entanto, a Park viu-se obrigada a parar quando a palma da mão direita de Dahyun foi de encontro ao seu rosto, desferindo um tapa rápido na face da menina, fazendo-a cambalear para trás, caindo no chão da sala de estar.

— Cala a boca, mentirosa. Assassina.

Dahyun cuspia as palabras de forma ácida e mortal. Ela também sofria. Ela também não sabia o que fazer. Ela também queria estar no lugar de Taehyung. Ela também sentia tudo o que Hyelim....

— Para com isso, sua ridícula. O que você quer aqui? — Jisoo empurrou Dahyun pelos ombros, fazendo a menina cambalear para tras. Mais um ponto e cairia no chão. — Se você veio até aqui para bater e ofender a Hyelim, cai fora, porque se não fizer o que eu tô mandando, eu mesma vou de colocar para fora. Mas será com pontapés.

Dahyun olhou para a outra Kim agachada ao lado de Hyelim, de forma desprezível, como se ela fosse um inseto asqueroso e venenoso que, com um simples toque, a envenenaria.

— Coloca, então — Dahyun deu de ombros para Jisoo. Sua expressão facial era de quem já não se importava com absolutamente nada. — Suas ameaças não me importam nem um pouco, se quer saber. Eu só vim até aqui para dizer que você é uma assassina, Hyelim. Você matou o Taehyung e eu não vou descansar até acabar com você. Entendeu? Você me ouviu bem? Taehyung está morto por sua culpa. Sua!

Hyelim havia caído sobre o chão, o corpo encolhido e abraçado às pernas como um feto. Os braços na altura da cabeça, as mãos cobrindo os ouvidos. As palavras duras de Dahyun faziam-no sangrar. Hyelim chorava, mas isso parecia ser a gota d'água para Day.

Onde estava a amizade das duas? Três? Onde estavam o respeito pela memória de Taehyung? Onde estava a compaixão uma com a outra?

Onde?!

— Se você não calar a porra da boca, eu vou ter que fazer isso por você, mesmo não querendo tocar nos seus cremes corporais vencidos. Então some daqui, agora! — Jisoo foi obrigada a deixar Hyelim sozinha no chão, abraçada a si mesma, enquanto levantava-se e ia de encontro a Day, os braços segurando os da ex-amiga e arrastando-a para fora dali. — Presta atenção: se você ousar colocar esses pés imundos no nosso apartamento de novo, eu vou ligar para um manicômio e mandar vir te buscar, ouviu bem? Você tá louca, Dahyun! Não é só você que ta sofrendo aqui, porra. Olhe para a Hyelim. Será que ela queria isso para o Tae? Será que ela é esse tipo de pessoa? Você era nossa amiga e sabia melhor do que ninguém o tipo de pessoa que Hyelim é. Eu tô cansada, e não vou mais deixar você ferir ela com as merdas que fala. Agora vai embora pela porta, antes que eu te jogue pela janela. 

Jisoo voltou a empurrar a outra Kim em direção a porta, e Dahyun apontou o dedo indicador para Hyelim, que ainda encontrava-se ao chão.

— Não pense que isso acaba aqui, Hyelim. Você o matou! E eu mesma vou destruir você. Assasina...

As palavras da menina histérica foram abafadas pela porta sendo fechada em um alto baque.

Nenhuma das duas garotas ali presentes sabiam que Dahyun já havia voltado. E agora, ela encontrava-se mais fora de si do que nunca. Estava irredutível. Alucinada.

Mas Hyelim só conseguia pensar em uma única coisa: repetir as palavras que a amiga usara para lhe atingir...

Assassina.

•••


Naquele mesmo dia mais tarde, Jisoo havia terminado de limpar a cozinha quando decidiu que deveria conversar com Hyelim. A menina havia se isolado completamente depois da discussão com Dahyun e recusou-se a sair do quarto para fazer qualquer coisa, inclusive comer.

Taehyung não estava ali quando a prima havia ido até o apartamento das duas garotas. Porém surgiu quando Hyelim havia entrado no quarto aos choros, as mãos abafadas sobre os lábios, cobrindo seus soluços desenfreados.

Taehyung não conseguia expressar uma reação diante daquilo, uma vez que não possuía mais a capacidade de chorar ou realizar estímulos corporais. No entanto, em sua mente ele gritava.

Hyelim estava sofrendo tanto, assim como sua mãe, e tudo o que ele podia fazer era apenas assistí-las sem que pudesse fazer algo. Aquela era uma sensação excruciante. Rasgava em mil pedaços o coração de qualquer um. 

Taehyung estava sentado na borda da cama de Hyelim, os olhos fixos na menina sentada em uma cadeira perto da janela, observando a área externa do apartamento sem realmente vê-la ali. Ele observou o momento exato em que Kim Jisoo abriu a porta do quarto não completamente. Mas o suficiente para que pudesse observar Hyelim pela fresta do local. A expressão na face da outra Kim era de algo indecifrável. Culpa. Medo. Sensação de insuficiência e de ser impotente. Mas Tae estava contente por saber que Hyelim tinha alguém tão compassivo ao seu lado quanto Jisoo. 

Os ombros da amiga abaixaram ao ver que Hyelim continuava fazendo a mesma coisa das últimas quatro horas: vagando as íris através da janela do quarto como se fosse um robô programado para fazer somente aquilo. 

— Quanto tempo mais você vai ficar parada aí?

Hyelim indagou em um fio de voz. Seus braços apertaram as pernas e ela fungou baixo. 

— Tempo o suficiente para fazer você falar comigo — disse a Kim, parada na soleira da porta. 

— Eu já disse que não quero conversar! É difícil entender isso, Jisoo?

Kim Jisoo era uma garota "durona", vista assim por todos a sua volta. Entretanto, ali, pela primeira vez, a jovem sentiu-se despedaçada de verdade. Hyelim, a cada minuto que se passava, tornava-se mais silenciosa do que antes. Ela não havia saido do quarto desde quando Dahyun esteve ali. Ela também não tomou o café que estava em sua xícara, não almoçou e muito menos saiu dali para beber água. Nada. Apenas ficou naquele lugar e parecia respirar com dificuldade, cansada. Jisoo sequer conseguia fazer algo para reverter aquilo. E era a pior sensação de todas as que já havia tido.


O silêncio da Park deixava Kim Jisoo assustada. 

— Estou preocupada com você, Hyelim.

— Se preocupar comigo não é 1% mais importante do que o que estou sentindo aqui, Jisoo. — A garota apontou para o peito. Seus olhos marejavam. — Não ligo que seja a minha sentinela, só quero que me deixe em paz. A Dahyun tem razão ao dizer que eu sou perigosa. Fica longe de mim, entendeu? Sai daqui.


As palavras da Park foram ríspidas e dolorosas como um soco no estômago. Ela queria ficar sozinha. Mas não podia. Ninguém deve ser deixado a sós em condições como aquela.

Porém Hyelim era sua melhor amiga. Jisoo a amava como uma irmã, e decidiu que deixá-la sozinha por um único minuto poderia não ser tão preocupante assim. No entanto, se Park Hyelim continuasse agindo daquela forma, as coisas iriam sim, ficar fora de controle.



•••

Depois de Hyelim pedir para que a deixasse sozinha, no quarto, Jisoo resolveu ligar para Park Jimin.

Com tudo o que estava acontecendo, ela também precisava de alguém para conversar. Alguém que lhe confortasse. E quem melhor para fazer aquilo do que o próprio Jimin?

Felizmente, o menino havia concordado em encontrá-la em um local perto de seu apartamento e há quase meia hora, ambos conversavam. 

— ... E sabe o que me deixa mais triste nisso tudo? — Jisoo perguntou, mas Jimin meneou a cabeça. — Apesar de eu nunca ter me dado tão bem com a Dahyun quanto a própria Hyelim, nós três éramos inseparáveis! E agora isso tudo voou pelos ares. Meu Deus! A Dahyun age como se fosse um fantasma e a Hyelim parece uma possuída. Eu estou tentando de tudo para consolar a Hyelim mas confesso que está sendo difícil até para mim.

Park Jimin colocou as mãos nas costas da menina e afagou a região, tentando passar-lhe a sensação de estar consigo para lhe confortar.

— Eu sei, bonitinha. Tá sendo difícil para todo mundo. Taehyung é nosso amigo. Ninguém consegue acreditar que isso aconteceu, sabe? A mãe dele tá enlouquecendo. O Jungkook também tá isolado, assim como o Hoseok. A galera inteira tá chocada com isso.

Jimin não estava exagerando ou coisa do tipo. Todos eles estavam tensos e chocados com o acontecido e a razão era perdida a cada dia.

— Eu não sei o que faço com a Hyelim. Ela está se isolando e nem comigo quis falar — Jisoo escondeu o rosto entre as mãos e Jimin tocou seus cabelos, sorrindo amigavelmente.

— Ela não está sozinha. Nem você. Estou aqui para apoiá-la no que for necessário, Jisoo.


Jisoo retribuiu ao sorriso de Jimin e a canhota dele apertou seu ombro com suavidade.

 — Obrigada.
 



Notas Finais


Digam-me o que acharam🤗💜


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