História Salvation of my Light - Capítulo 1


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Categorias Gravity Falls
Personagens Bill Cipher, Dipper Pines
Tags Bill Cipher, Billdip, Billxdipper, Dipper Pines, Gravity Falls, Salvação
Visualizações 68
Palavras 2.257
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Ficção, Romance e Novela, Slash, Universo Alternativo, Yaoi (Gay)
Avisos: Bissexualidade, Homossexualidade, Spoilers
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Hey~

Essa é a minha primeira vez postando uma fanfic, então desculpe-me por qualquer erro nos gêneros ou na escrita. Terá somente três capítulos, e não tem previsão de postagem. Gravity Falls é, para mim, um desenho fascinante e o meu preferido, e precisava escrever algo sobre a história. Depois de horas pensando e não conseguindo escrever uma frase, está ai.
Boa Leitura a Todos!

Capítulo 1 - Capítulo Um


 

 Se você já fez uma viagem pelo noroeste do Pacífico, já deve ter visto um adesivo de para-choque de um lugar chamado Gravity Falls. Não está em nenhum mapa, e a maioria da pessoas nunca ouviu falar. Tem gente que acha que é um mito. Mas se você for curioso, não espere. Faça a viagem. Encontre-o. Ele está lá, em algum lugar da floresta, esperando.


 Desceu do ônibus, com uma pesada mochila nas costas e uma mala retangular de carrinho em mãos. Sua vista eram apenas árvores e arbustos, um asfalto bem pintado e uma placa grande: Bem Vindo a Gravity Falls.
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 A rua bem asfaltada, as casas com uma pintura nova; Realmente, o prefeito Tyler tinha feito um trabalho incrível nesses últimos cinco anos. Desde o Estranhageddon, muita coisa tinha mudado. Fisicamente e psicologicamente.

 Era por volta de cinco meia da manhã, e já tinha acordado na pequena cidade que tanto tinha saudades. Não visitava desde o incidente do seu aniversário de treze anos, e, como decisão de sua mãe e seu pai, deixariam o filho mais novo -por quinze minutos, mas ainda sim, mais novo- morar em Gravity Falls, a cidade que não se encontra em nenhum mapa. E afinal, já tinha seus dezoito anos, era "hora de ir para a rua". Já tinha pedido para Soos para ficar com o porão em que dormia quando tinha ido passar o verão, e, o atual Senhor Mistério, sem pensar duas vezes, concordou entusiasmado.
 Mabel, por outro lado, ficaria na Califórnia, pois "não estava preparada para morar longe", como seus pais diziam. Dipper ficaria no porão. O mesmo local com uma janela em forma triangular, onde dormia com Mabel. O mesmo quarto em que jogavam minigolfe que eles mesmos faziam. O mesmo quarto em que passou um verão inteiro.

 Vamos lá, Dipper. Mais um dia vivendo nessa droga.
 Sentou na varanda da casa, tomando uma xícara de chocolate quente, quase fervendo. Queimava a língua as vezes, mas o achocolatado fervendo que descia pela garganta o deixava acordado. Era agradável aquela hora da manhã, com cheiro de grama e terra molhada devido a chuva da noite passada, as ruas vazias, com apenas o som do canto dos pássaros e dos carros passando, indo para fora da cidade ou para seus trabalhos. O sol surgindo no horizonte, deixando o céu com as cores laranja, rosa e roxo. Era uma dádiva divina do céu, mesmo que aquilo não importasse de nada. Claro, depois de recusar a oferta de Ford, para ficar naquele lugar, sendo o aprendiz dele, tinha guardado um pouco de mágoa, mas muita decepção.
 Já tinha terminado o Ensino Médio, sendo considerado o "nerd". De hora em hora era um pouco "zoado" no colegial, saia com uma ou outra garota de vez em quando, mas era assim, poucos eram aqueles que se aproximavam. A pressão que os professores colocavam, o clima terrível do ensino médio, era o inferno. Com o tempo, passou a ficar desleixado. Olheiras bem marcadas, roupas sempre amassadas, cabelo bagunçado, o quarto uma bagunça. O clássico adolescente. Já tinha mudado muito desde os treze anos. Queria voltar para o ontem, mas não podia, pois ontem era um rapaz extremamente diferente de hoje. Não sabia nem quem era, já tinha mudado tantas vezes desde sua saída de Gravity Falls.

 A Cabana do Mistério não mudara nada, a letra "S" ainda caída, a loja de presentes. As mesmas exposições falsas, máquinas quebradas, os mesmos chicletes que Mabel mascava e colocava no sofá. Os mesmos restos de zumbis que ficavam entre os móveis. Embalagens de doces do Summerween. Lar, doce lar.

 É ótimo estar em casa, mesmo que não seja minha casa de verdade.
 Pegou o fone de ouvido, plugando no celular e colocando uma música aleatória. Começou a tocar The Scientist, do Coldplay, sua música favorita, enquanto bebia um pouco de sua bebida, sentindo o líquido descer goela abaixo. Sozinho, ali, com uma música bem alta, várias lembranças e um vazio no coração.

Ninguém disse que seria fácil
É uma pena nos separarmos
Ninguém disse que seria fácil
Mas também não disseram que seria tão difícil
Oh, me leve de volta ao começo


Eu só estava analisando números e figuras
Desfazendo os enigmas
Questões da ciência, ciência e progresso
Não falam tão alto quanto meu coração


Diga-me que me ama, volte e me assombre
Oh, e eu corro para o começo
Correndo em círculos, como se perseguindo nossas caudas
Voltando a ser como éramos


Ninguém disse que seria fácil
É uma pena nos separarmos
Ninguém disse que seria fácil
Mas também não disseram que seria tão difícil
Eu estou voltando para o começo

 Mesmo depois te ter acabado o colegial, não tinha procurado uma faculdade. Não tinha ânimo para isso, o mundo parecia ter acabado quando saiu de Gravity Falls. Era tudo preto e branco. Nada parecia ter sentido.
 Quando percebeu, a música já tinha acabado, sua bebida também, e tinha ficado ali, olhando o nada, e pensando em tudo. Músicas aleatórias continuavam tocando -em uma sequência louca de balada com música lenta-, e sua mente vagando, por um mundo de sonhos e pesadelos. Lembrando de tantas coisas que já vivera e o magoou. A Bolha da Mabel, o Estranhageddon, sua chegada, o Summerween, a Sociedade do Olho Cego, seu aniversário de treze anos.


Se eu pudesse, eu escolheria não sentir nada
 Essa é a verdade e eu não me importo

 Mesmo que a música estivesse no volume mais alto, sua mente ainda era extremamente barulhenta. Até mais que a própria música. Pessoas caladas tem as mentes mais barulhentas. Olhou o céu, deixou a música invadir seus ouvidos, e abaixando o volume de sua cabeça, sentindo o vento. Ventava bastante, o céu completamente negro, indicando grandes chuvas que estariam por vir. Suspirou. Era aquela sua vida. Acordar todos os dias as quatro ou cinco horas sem sono, depois de uma noite inteira mal dormida, ficar sentado no telhado ou na varanda vendo o dia amanhecer, tomando chocolate quente ou uma boa xícara de café. Queria dormir para evitar a vida, mas não conseguia. Entretanto, o amanhecer era sua parte preferida do dia, e não podia perder esse espetáculo. Pensava sobre tudo olhando o vazio do nada, com um fone de ouvido, uma música e mil pensamentos. Parecia uma eternidade quando o fazia, parecia que duraria para sempre, sem saber que as vezes, o para sempre só dura um segundo. Passou-se segundos e minutos, ouviu várias músicas, relembrou de tudo e todos, viu o sol surgir no horizonte, mesmo sendo coberto por nuvens fofinhas, que, quando pequeno, queria poder deitar em uma e segurar uma estrela, ou a própria lua.

 Não demorou muito, até pequenos pingos d'água começarem a cair, ficando cada vez mais fortes junto de trovoadas. Uma manhã calma, apenas com música boa e alta, uma boa chuva, um vento e um coração amargo. Olhou para seus braços, após aperta-los um pouco. tentando se aquecer em vão. Desde que tinha descoberto ser um dos signos do Zodíaco de Bill Cipher, não conseguia não pensar naquele "jogo de amarelinha", como dizia Pacífica, e tatuou, em seu braço, seu signo: Um pequeno Pinheiro. Talvez fosse a única imagem que o trazia paz e tristeza ao mesmo tempo. "Não quero nunca esquecer da experiência e essência que tive em Gravity Falls", era tudo o que pensava, afinal, viveu um verão mágico, com pessoas incríveis, lugares surreais e um final nem tanto feliz assim. Cobriu seu pulso com a manga do moletom azul marinho, cobrindo o seu signo. Suspirou.

 Não sabia se era o tempo frio, se eram suas mãos frias ou se era seu coração, que ficava amargo com o passar dos anos. Segurou a caneca de porcelana, ainda meio quente, devido o achocolatado fervendo que continha ali antes de ser bebido.

A vida é assim.

O cigarro apaga.

A bebida esfria.

O tempo passa.

As pessoas mudam.

As pessoas vão embora.

 Olhou para o céu, suplicando a Deus um pouco de vontade de viver naquele pequeno fim do mundo. Tinha uma irmã incrível, tios maravilhosos, mas aquele vazio nada podia cobrir. Seus olhos marejaram um pouco, seu coração quebrava mais um pouco, mas lágrimas não caiam e e coração não doía. É a pior lágrima que existe, aquele que nem sequer cai. O pior choro, é aquele que é por dentro, e você não vê.

Suas mãos, um pouco fracas e trêmulas, devido ao nevorsismo que tinha em sua mente. Por que? Nem sabia dizer ao certo. Estava tão abalado.  Nada o deixava tão feliz como Gravity Falls, mas era tudo tão diferente. Talvez aquela mágica fosse só sua pré-adolescência estúpida. Seus olhos não brilhavam mais, e sorrir era raro. Suas mãos tremiam tanto, o nariz ardendo devido a vontade de chorar. Deixou a xícara cair no chão.

 A xícara de porcelana, antes inteira, se quebrou em trilhões de pedaços, que nunca poderia concertar, igual a si mesmo. Não tinha salvação, e sabia. A salvação da sua luz não existia. A cidade toda que ainda dormia, não podia ouvir os gritos de socorro que a sua pobre alma gritava. Aquele vazio que nada, nem ninguém podia preencher. Aquela sensação que estava a procura de algo, ou alguém. Não podia mudar. O que faltava? Quem faltava? O que precisava mudar? Milhões de perguntas, zero respostas. Só precisava seguir em frente, certo? Igual a um trem, mesmo vazio, precisamos seguir. Claro, não era tão forte assim, e as lágrimas caíram logo, igual a chuva. Precisava de sua mãe, um abraço bem apertado e ouvir sua voz doce falando que era apenas um sonho ruim, e acordou em casa, são e salvo. Mas afinal, estava em casa, mesmo que não estando. Nunca estaria em casa na verdade, e não tinha um lugar para voltar. Essa era a verdade. 

A música ainda tocava sem seus fones, e pioravam ainda mais sua cabeça.
 
Sonhei que vi
O céu cinza e cair
Você não estava aqui
Estava bem longe de mim
A chuva até que caia bem
Já que lua chegava também
Mas a falta vinha
E apertava também de lembrança
Que trazia um bem
Me vejo só, e mais ninguém
Nessa chuva de sexta
Que me faz refem
Tô na estação um esperando um trem
Que me leve pra onde você tá também
Meu coração é a casa que tu pode entrar
Pode ficar a vontade
Deitar no sofá
Só não repara na bagunça que ela tá

 

Sua cabeça e seu coração estavam um caos, tudo bagunçado e desgraçado, mas apenas um pedaço de luz ainda estava intacto. Era amor. Amor que tinha guardado atoa, pela sua irmã, que nunca percebeu de fato, tantas chances ótimas que seu irmão tinha, mas deixou de fazer por ela. Não conseguia consertar. Não conseguia arrumar. Se tivesse ficado com Ford, sendo seu aprendiz, seria tudo diferente? Teria tido um futuro melhor? O que teria acontecido? Infinitas possibilidades, talvez muito melhores. Teria escrito outros diários? Diário quatro, diário cinco, diário seis…? O que teria acontecido? Queria voltar no tempo, mudar tudo. Tinha recusado um futuro provavelmente brilhante e incrível, por causa de seu amor de irmão. Ajudara tanto Mabel, tantas vezes, e quantas vezes ela retribuiu? Mabel era uma criança mimada, uma parte sua dizia. 

 As lágrimas que não paravam de cair aliviavam um pouco sua alma, e aos poucos ia se acalmando, parando de soluçar. Céus, eu pareço uma criança chorando por um brinquedo quebrado. Essa era a vida real. Se pudesse, entraria numa bolha igual a Bolha da Mabel, criada pelo Bill. Um mundo só seu, com "Masmorras, Masmorras e mais Masmorras", contas de matemática, livros, ficções, mistérios. Diários para estudar, monstros para ver, lugares para descobrir, viver histórias para contar. Seu paraíso particular. Mas era isso, seu coração não tinha salvação. Nada o podia deixar tão feliz, como sua pré-adolescência. Talvez viver um amor como Mabel o deixaria bem. Mas da última vez que amou, como amou essa pequena cidade, esse amor só o deixou com lembranças apagadas e tristes. 

Saiu se todos os seus pensamentos, quando ouviu um alto som. Uma pequena caminhonete tinha saído da pista, e parado no seu quintal, derrubando algumas cercas. Escorregou devido a estrada cheia de poças d'água, ou o motorista tinha perdido o controle? Deixou a xícara quebrada ali mesmo e foi até o carro. Na mesma hora em que chegou até a porta da caminhonete, com um pouco de fumaça ao redor, devido a batida no capô, se afastou, pois o motorista abriu a porta do carro e caiu na grama molhada com rapidez, com um punho na terra e o outro sobre a mão, tossindo. Um rapaz bronzeado, loiro, e com o corpo inteiro arranhado e com um pouco de sangue, pelo o que a roupa não ocultava. Até que parara de tossir, percebeu, o loiro já estava desmaiado. O corpo do desconhecido, junto do seu, molhados pela chuva. Sua mão fria, tocando um corpo extremamente quente. O que tinha acontecido? Não importava, afinal. Apenas correu para dentro da Cabana, colocou-o deitado no sofá e pegou um quite de curativo, devido a tanto arranhões, férias abertas e sangue que tinha em seu corpo.

Suas mãos extremamente frias, em contato com uma pele tão calorosa. Era diferente e estranhamente bom.

 Não sabia exatamente o por que, mas sentia que precisava ajudá-lo. Sua mãe sempre dizia: quando você ajuda alguém, isso também te ajuda.

Porém, agora, se eu me machucar, você não estará aqui para cuidar de mim. Não é tão facil assim, mãe.


Notas Finais


As músicas que aparecem:

Coldplay - The Scientist
Blackbear - If I Could I Would Feel Nothing
Kamaitachi - Chuva de Sexta

Bye Bye~


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