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História Salvezza (Taekook-Vkook) ABO - Capítulo 19


Escrita por: koopearl

Capítulo 19 - L'hai ucciso davvero?


Acordei com o sol forte brilhando diretamente no meu rosto e uma enorme dor de cabeça.

— Ah, Deus! — gemi, levantando-me da cama.

Olhei em volta e percebi que definitivamente não estava na casa dos meus pais. Entrei na sala e ver a mesa do apartamento me fez lembrar dos acontecimentos da noite anterior: Jeongguk debruçado sobre o pó branco, minha conversa com Hyunjin e mais nada. Peguei o telefone e liguei para o número do alfa: ele não atendeu.

Fui ao banheiro e tomei um longo banho, depois fui até a janela e vi o SUV preto e Paolo fumando um cigarro na frente dele. Olhei para o lugar onde a Ferrari preta estava estacionada no dia anterior – ela não estava mais lá. Eu me vesti e desci.

— Onde está don Jeongguk? — perguntei a Paolo, que apagou a bituca do cigarro.

Ele não me respondeu, apenas apontou para o banco do carro e, quando entrei, fechou a porta. Dirigimos até a casa dos meus pais e Paolo parou na frente sem entrar na propriedade. Meu motorista saiu do carro e abriu a porta.

— Vou esperar aqui — disse ele, entrando no carro.

Subi ladeirinha correndo e apertei a campainha e, depois de um tempo, minha mãe abriu a porta com uma leve careta.

— Não há nada como sair à francesa e voltar de manhã — disse ela, estremecendo ligeiramente. — Venha, eu fiz o café da manhã.

Quando me sentei à mesa, minha mãe me entregou um prato de bacon com ovos. 

— Bom apetite!

O cheiro de comida fez com que tudo me viesse à garganta e saí correndo para o banheiro.

— Taehyung, você está bem? —perguntou ela, batendo na porta. Saí, enxugando o rosto com a mão.

— Exagerei no vinho ontem. Você sabe onde está o Jeongguk? — Minha mãe me olhou indagadora.

— Eu pensei que estivesse com você. Como você chegou aqui?

Não adiantava mentir, então disse a verdade.

— O motorista me trouxe; eu disse a você que ele também tem negócios aqui, um funcionário dele estava me esperando. Meu Deus, como minha cabeça está doendo! — murmurei, caindo sentado na cadeira junto à mesa.

— É, estou vendo que, depois da dança, a festa foi para outro lugar.

Fiquei sentado olhando para ela e tentei me lembrar do que havia acontecido, mas sem sucesso. Peguei minhas coisas e, depois de tomar chá com meus pais, me preparei para a viagem.

— Quando você volta? — perguntou minha mãe, despedindo-se de mim.

— Vou para a Sicília na próxima semana, provavelmente não volto logo, mas vou ligar.

— Cuide-se, querido — disse ela, me abraçando com força.

 

 

Dormi durante todo o caminho até Seoul, acordando apenas duas vezes e tentando em vão falar com Jeongguk pelo telefone.

— Senhor Taehyung, chegamos — A voz de Paolo me acordou.

Abri os olhos e descobri que estávamos no terminal de embarques VIP no aeroporto de Incheon.

— Onde está Jeongguk? — perguntei, sem sair do carro.

— Na Sicília; o avião já está esperando — disse, segurando minha mão.

Ao ouvir a palavra avião, comecei a procurar, nervoso, pelos comprimidos na mochila, peguei dois e me dirigi ao balcão de check-in. Trinta minutos depois, eu já estava sentado no avião particular, tonto, esperando a decolagem. A ressaca não era propícia para viagens, mas, combinada com os sedativos, fiquei ainda mais sonolento.

Depois de quase onze horas de voo, chegamos à Sicília, onde um carro que eu já conhecia bem me esperava no aeroporto. Ao chegarmos em casa, Namjoon me cumprimentou na entrada da casa.

— Olá, Taehyung! Que bom que você já chegou! — disse ele, me abraçando com força. 

— Namjoon, que saudade de você! Onde está don Jeongguk?

— Está na biblioteca, ele tem uma reunião e pediu para você descansar da viagem. Vocês vão se ver durante o jantar.

— Não achei que viríamos embora tão de repente. Minhas coisas de Seoul já estão aqui?

— Eles vão trazê-las amanhã, mas acho que depois que eu terminar de encher o seu armário, nada vai lhe faltar.

Enquanto caminhava pelo corredor, parei na porta da sala onde o alfa estava. Eu ouvi uma discussão em voz alta lá dentro e, apesar da minha vontade enorme de entrar, resisti.

Tomei banho e me arrumei para o jantar. Não sabendo completamente o que tinha acontecido na noite anterior, decidi me vestir bem, só para garantir. Calcei meus mules e fui para o terraço. Jeongguk estava em uma conversa telefônica, sentado à mesa posta e iluminada por velas.

Eu me aproximei, beijei seu pescoço e me sentei na cadeira ao lado dele. Sem interromper a conversa, ele me examinou com um olhar obscuro e frio que não anunciava nada de bom.

Quando terminou, colocou seu celular sobre a mesa e tomou um gole da taça à sua frente.

— De que você se lembra da noite passada, Taehyung?

— Acho que da coisa mais importante: de você de frente para uma mesa cheia de coca — lancei ironicamente.

— E depois?

Eu pensei por um momento e comecei a ficar com medo. Não tinha ideia do que havia acontecido depois da segunda garrafa de vinho com Hyunjin.

— Fui bater papo e estava bebendo vinho — respondi, encolhendo os ombros.

— Você não se lembra de mais nada? — perguntou Jeongguk com os olhos semicerrados.

— Lembro-me de ter bebido muito. Porra, Jeongguk, o que você quer com isso?! Você vai me dizer o que aconteceu ou não? Eu apaguei de novo, isso é tão terrível assim? Fiquei chateado com você e com o que vi, fui ao jardim e encontrei Hyunjin lá. Ele queria conversar e bebemos vinho demais, só isso. Além do mais, você me deixou sem dizer uma palavra mais uma vez, estou de saco cheio de você desaparecer toda hora.

O alfa recostou-se contra a cadeira e seu peito subia e descia mais e mais.

— Isso não é tudo, garoto. Quando seu irmão voltou para me encontrar depois de um tempo, ele me disse por que você reagiu daquele jeito ao ver a cocaína. Eu queria te encontrar e então vi vocês — sua mandíbula ficou tensa. — No começo, de fato, vocês estavam conversando, mas depois seu coleguinha começou a exagerar e ficar expansivo demais e tentou se aproveitar do estado em que ele te deixou de propósito — Jeongguk fez uma pausa e seus olhos ficaram completamente negros.

Ele se levantou da poltrona e jogou a taça no chão. O vidro se espatifou em centenas de pedaços.

— Aquele filho da puta queria te foder, entendeu?! — gritou ele, cerrando os punhos. — Você já estava tão inconsciente que chegou a pensar que era eu que estava ao seu lado. Você estava se entregando, então eu tive que interromper.

Sentei-me assustado e tentei me lembrar do que tinha acontecido, mas tudo que eu tinha era um buraco negro na minha cabeça.

— Minha mãe não me disse nada. O que aconteceu? Você bateu nele?

Jeongguk começou a rir com sarcasmo enquanto se aproximava e, virando-me junto com a cadeira, apoiou as mãos nela, uma de cada lado.

— Eu o matei, Taehyung — sibilou entredentes. — E antes disso, ele confessou o que fez com você no passado, quando vivia chapado. Se eu soubesse disso antes, não teria deixado que ele passasse pela porta do salão onde você estava — podia-se ver as emoções quase rasgando seu corpo. — Como você pôde não me contar sobre isso e me deixar comendo à mesma mesa que aquele degenerado?!

Atordoado e apavorado, eu tentava respirar. Eu rezava para que Jeongguk estivesse mentindo.

— Acho que ele tinha planejado desde o início traçar você ontem à noite, mas minha presença frustrou um pouco suas expectativas. Então ele esperou o momento certo; ele tinha drogas com ele, que eu acredito que tenha colocado na sua bebida. Para provar que não estou mentindo, faremos um exame de sangue em você — Jeon deu um passo para trás e pousou as duas mãos na mesa. — Quando eu penso no que aquele puto fez com você enquanto você estava com ele, eu tenho vontade de matá-lo outra vez.

Eu não sabia o que estava sentindo, o medo se misturava em mim com a raiva e a impotência. Ele tinha matado uma pessoa por minha causa, ou talvez estivesse apenas blefando, talvez ele quisesse me dar uma lição de novo e me assustar. Levantei-me devagar da cadeira, Jeongguk se aproximou de mim, mas estendi a mão para afastá-lo e cambaleei enquanto ia em direção à casa. Chocando-me contra as paredes, cheguei ao meu quarto e tranquei a porta. Eu não queria que ele entrasse, não queria vê-lo. 

Tomei uma pílula para acalmar um pouco meu coração acelerado, tirei a roupa e fui para a cama. Eu não podia acreditar no que Jeongguk tinha feito. Depois que os remédios fizeram efeito, adormeci.

 

 

No dia seguinte, fui acordado por uma batida na porta.

— Taehyung — ouvi a voz de Namjoon. — Você pode abrir?

Fui até a porta e girei a chave. O jovem italiano entrou na sala e olhou para mim com simpatia.

— Namjoon, gostaria de lhe pedir uma coisa, mas não quero que don Jeon saiba.

Ele estava de pé e olhava para mim confuso, pensando no que iria responder.

— Depende de qual será o pedido.

— Eu gostaria de ir ao médico, não tenho me sentido bem e não quero preocupar Jeongguk.

— Mas você tem o seu médico, ele pode vir aqui.

— Eu quero ir a outro, você pode fazer isso por mim? — não me dei por vencido.

Namjoon se levantou e me observou atentamente. 

— Claro, a que horas você quer ir?

— Me dê uma hora — falei enquanto entrava no banheiro.

Eu sabia que Jeongguk iria descobrir tudo de qualquer maneira, mas eu tinha que verificar se ele estava realmente falando a verdade e se dois dias antes eu não estava apenas sob efeito do álcool.

Antes das 13h, entramos no carro e fomos a uma clínica particular em Catânia. O dr. Di Vaio me atendeu quase imediatamente. Não era o cardiologista que eu tinha visto antes, mas um clínico geral, porque foi o que eu havia requisitado. Expliquei o que queria verificar e pedi a ele que fizesse exames. Enquanto esperava o resultado, Namjoon me levou para um café da manhã tardio e, às 15h, voltamos à clínica. O médico me convidou para ir a seu consultório, sentou-se na cadeira e examinou calmamente os papéis.

— Senhor Taehyung, na verdade, existem substâncias intoxicantes no seu sangue, para ser exato, a quetamina. É uma substância psicoativa que causa amnésia. E é esse fato que me preocupa, devemos pedir uma série de exames e consultar um ginecologista.

— Um ginecologista? Pra quê?

— O senhor está grávido e precisamos ter certeza de que não aconteceu nada com o bebê.

Fechei os olhos e tentei digerir o que tinha acabado de ouvir.

— O quê?

O médico me olhou surpreso.

— O senhor não sabia? Os exames de sangue mostram que o senhor está grávido.

— Mas eu fiz o teste há vários dias, então como isso é possível?

O médico sorriu gentilmente e apoiou os cotovelos na mesa.

— Veja bem, pode levar um tempo, até três meses na gravidez, para que seja confirmado. O resultado do teste depende de muitos fatores, incluindo o tempo de fertilização. Vamos pedir exames e ultrassom, o ginecologista vai dar mais detalhes para o senhor. Só precisamos coletar mais uma amostra de sangue.

Eu fiquei lá sentado, fechando minhas pálpebras com força e me sentindo tonto. 

— O senhor tem cem por cento de certeza? — perguntei novamente.

— De que o senhor está grávido? Absolutamente.

Tentei engolir, mas minha boca estava completamente seca.

— Doutor, o senhor manterá seu sigilo médico, certo?

Ele confirmou, balançando a cabeça.

— Então eu desejo que absolutamente ninguém seja informado sobre os resultados dos meus exames.

— Entendo, claro, será assim. A recepcionista irá encaminhá-lo para a sala de exames e depois marcará uma consulta com o ginecologista.

Eu apertei sua mão e saí do consultório com as pernas bambas. Fui primeiro tirar sangue novamente e depois fui à sala de espera onde Namjoon estava.

Passei por ele sem dizer uma palavra e fui para o carro. Quando se juntou a mim, Namjoon me olhou interrogativamente. Os acontecimentos dos últimos dias, minha raiva, tudo perdeu a importância: eu estava grávido.

— Taehyung, e aí? Está tudo bem?

Juntei todas as forças que tinha e respondi com um sorriso falso.

— Sim, estou com anemia e é por isso que me sinto cansado o tempo todo. Tenho que tomar suplemento de ferro e vai passar.

Eu estava em transe, como se soubesse o que estava acontecendo, mas não compreendesse. Eu ouvia um estrondo na minha cabeça e minha pele era tomada de suor e depois eu ficava todo arrepiado. Tentava não respirar muito alto, mas foi inútil tentar recuperar o fôlego.

O carro começou a andar e eu tirei meu telefone do bolso e liguei para Seokjin. 

— Oi, arrombado — ouvi a adorável saudação ao telefone.

— Seokjin, você vai estar muito ocupado na semana que vem?

— Como é que vou saber? Se não levar em consideração aquele loiro que me fode como um foguete, provavelmente não muito. Meu caso viajou para conquistar mais mercados de cosméticos, então com certeza vou ficar entediado. Por quê? Você tem alguma proposta para mim?

Namjoon me encarava sem entender nenhuma palavra, e fiz força para tentar agir com naturalidade.

— Você viria aqui para minha casa na Sicília?

Houve um silêncio perturbador do outro lado da linha.

— O que houve, Taehyung? Por que você viajou logo? Você está bem?

— Seokjin, apenas me diga se você vem — sibilei irritado. — Vou providenciar tudo, só me diga que sim, por favor.

— Querido, é claro que vou, diga-me quando e onde devo estar. Aquele Don Bifão, o semideus, ele te fez alguma coisa? Se for isso, vou matar o filho da puta e a máfia dele vai fazer merda comigo.

Achando graça, recostei-me no assento.

— Não, estou bem, só preciso de você aqui. Te aviso quando tudo estiver organizado, faça as malas.

Coloquei o telefone de volta na bolsa e olhei para Namjoon.

— Eu gostaria que meu amigo viesse me visitar amanhã, você poderia cuidar da viagem dele de Seoul para cá?

— Então ele vai ficar para o casamento, não é?

Porra, o casamento! Por causa das revelações da noite anterior e daquele dia eu tinha me esquecido completamente. Será que todo mundo sabe do casamento menos eu?

Namjoon encolheu os ombros se desculpando e digitou um número no teclado do telefone.

— Eu vou cuidar de tudo — disse, colocando o fone no ouvido.

Quando o carro estacionou na entrada, saí sem esperar que o motorista abrisse a porta para mim e me dirigi para a casa. Andei pelo labirinto de corredores e entrei na biblioteca. Jeongguk estava sentado a uma grande mesa com alguns alfas. Todos ficaram em silêncio quando me viram. Jeon disse algo para eles e se levantou da cadeira.

— Precisamos conversar — falei, cerrando os dentes.

— Taehyung, agora não, eu tenho uma reunião. Podemos fazer isso de noite?

Fiquei lá olhando para ele e tentando acalmar meus nervos. Eu sabia que, no meu estado, ficar agitado não era aconselhável.

— Preciso de um carro, mas sem motorista, quero dar uma volta e pensar.

Ele olhou para mim, me examinando e estreitando os olhos.

— Namjoon vai lhe dar um carro, mas você não pode ficar desprotegido — sussurrou. — Taehyung, está tudo bem?

— Sim, quero refletir longe deste lugar.

Eu me virei e fechei a porta atrás de mim. Aproximei-me de Namjoon, que estava parado à porta.

— Eu preciso de um carro. Jeongguk disse que você me daria um, então eu queria a chave.

Sem uma palavra, ele se virou e seguiu rumo às escadas que levavam à entrada dos carros. Quando estávamos saindo, Namjoon me parou na porta.

— Espere aqui, vou pegar seu carro.

Um momento depois, um Porsche Macan cereja estava estacionado à minha frente. Namjoon desceu e, entregando-me a chave, disse:

— É uma versão turbo com motor muito potente, chega a quase 270 quilômetros por hora, mas é melhor você não dirigir nessa velocidade — advertiu ele com uma risada. — Por que você quer ir sozinho, Taehyung? Por que você não fica aqui e conversamos? Don Jeongguk vai trabalhar até tarde, vamos beber um pouco de vinho.

— Não posso — falei, pegando a chave de sua mão.

Entrei no interior cor de creme do imponente veículo e fiquei paralisado: botões, centenas de botões, interruptores, controles. Como se não bastasse, para o motorista, apenas os pedais e a caixa de câmbio. Namjoon se aproximou e bateu na janela.

— O manual está no porta-luvas, mas, para resumir, aqui você tem o controle do ar-condicionado e a transmissão é automática, mas você provavelmente já percebeu isso — Namjoon então listou todas as funções do carro, uma por uma, e eu comecei a sentir lágrimas surgindo em meus olhos.

— Ok, eu já sei de tudo agora, tchau — interrompi-o, ligando o carro e pisando no acelerador.

Quando saí da propriedade, um SUV preto me seguiu. Não tinha vontade de ter companhia, muito menos uma que ficasse me controlando. Assim que entrei na rodovia, pisei no acelerador com mais força e senti a potência que Namjoon havia mencionado. Corria feito um louco, ultrapassando os carros, até que o SUV preto do meu segurança desapareceu no espelho retrovisor. Na primeira saída, virei para Giardini Naxos. Eu sabia que eles não iriam adivinhar que eu estava voltando para a cidade.

Parei no estacionamento do calçadão e desci. Pus os óculos escuros e fui para a praia. Me sentei na areia e uma torrente de lágrimas escorreu de meus olhos.

— Mas que merda eu fiz? Vim para cá há dois meses passar férias, me tornei o ômega de um chefe da máfia, e agora vou ter um filho dele! — rugi, chorando; não era apenas choro, era um rugido selvagem de desespero. 

Fiquei sentado imóvel enquanto as horas passavam como se fossem apenas minutos. Centenas de pensamentos passavam pela minha cabeça a cada segundo, inclusive o de me livrar do problema que eu estava carregando dentro de mim.

O que vou dizer à minha mãe, como vou contar para o Jeongguk, o que vai acontecer depois? Como pude ser tão estúpido, por que fui para a cama com ele e por que foi que confiei nele?

— Puta merda! — gemi, colocando minha cabeça entre os joelhos dobrados.

— Eu conheço essa palavra.

Olhei para cima e vi o Jeongguk sentando-se ao meu lado na areia.

— Amor, você não pode fugir dos seguranças, eles não fazem isso para te irritar, apenas para protegê-lo.

Seus olhos demonstravam bastante preocupação e me penetravam com perguntas.

— Desculpe, eu tinha de ficar sozinho. Não levei em consideração que esse carro também tem GPS, e tem, não é?

Jeongguk fez que sim com a cabeça.

— Eles terão grandes problemas se perderem você, você deve estar ciente disso. Se um garotinho sabe despistá-los, como eles podem te proteger?

— Você vai matá-los? — perguntei apavorado.

O alfa riu e passou a mão pelo cabelo.

— Não, Taehyung, isso não é motivo para matar alguém.

— Eu sou adulto e posso cuidar de mim mesmo. 

Ele me envolveu com o braço e me puxou para si.

— Não duvido. Agora me diga o que está acontecendo, por que você foi ao médico?

Ah, muito obrigado, Namjoon, pensei, encantado com sua discrição. Estava abraçado a Jeongguk, aninhado em seu pescoço. Eu me perguntei se deveria contar a verdade a ele ou se, para mim, seria mais conveniente mentir.

— Isso tudo foi demais para mim. Fui para a clínica para saber se você estava certo e estava. Havia quetamina no meu sangue, então não me lembrava de nada. Jeongguk, você realmente o matou?

Eu me levantei e tirei meus óculos. O alfa se virou para mim e segurou minha cabeça suavemente com as duas mãos.

— Dei uma surra nele e o levei para o lago perto dos estábulos. Eu só queria assustá-lo, mas depois que comecei, não consegui parar, especialmente porque ele confessou tudo. Sim, Taehyung, eu o matei e os homens de Chanyeol cuidaram do resto.

— Meu Deus! — sussurrei, com lágrimas escorrendo pelo meu rosto. — Como você pôde? Por quê?

Jeongguk se levantou e pôs as mãos em meus ombros. Seus olhos estavam quase completamente pretos e gélidos.

— Porque quis. Não pense mais nisso. Como você mesmo disse: você não tem uma máquina do tempo, então não pode fazer nada a respeito.

— Me deixe em paz, eu quero ficar aqui sentado sem você — disse, quase engasgando, sentando-me outra vez na areia.

Eu sabia que ele não iria embora, então eu tinha de dizer algo que o convencesse e me proporcionasse um momento de paz. Paradoxalmente, não estava preocupado com a morte de Hyunjin, mas apenas em dar à luz um filho do alfa que estava diante de mim.

— Você matou uma pessoa por minha causa. Você impôs a mim uma culpa que não posso suportar. Minha vontade agora era entrar num avião e nunca mais ver você. Portanto, você vai honrar meu pedido ou este será nosso último encontro.

Ele ficou olhando para mim por um momento, depois começou a caminhar em direção ao calçadão.

— Seokjin chega ao meio-dia de amanhã — disse ele enquanto se afastava e desaparecia no SUV preto.

O sol começou a se pôr e me lembrei de que quase não havia comido nada naquele dia. Agora eu não podia mais ter aquele estilo de vida. Levantei-me e fui para o calçadão, em direção aos restaurantes coloridos. Caminhando pela calçada, percebi que estava ao lado do restaurante onde vi Jeongguk pela primeira vez. Vendo-o, um calor passou pelo meu corpo, que estremeceu. Tudo era muito recente e, no entanto, desde então tanta coisa tinha mudado. Na verdade, tudo tinha mudado.

Entrei e sentei-me a uma mesa com vista para o mar. O garçom chegou com extraordinária rapidez, cumprimentando-me em inglês fluente, e desapareceu, deixando o cardápio. Eu o folheei, me perguntando o que eu poderia comer, se havia algo que eu não podia comer ou então o que deveria comer, dada a minha condição. No final, optei pelo prato mais seguro: pizza.

Dobrei as pernas na cadeira e peguei o telefone. Eu queria falar com minha mãe. Em outras circunstâncias, ela seria a primeira pessoa para quem eu ligaria com as boas-novas, mas não naquele momento. Pois a notícia da gravidez não era nada feliz, e eu teria que expor todas as minhas mentiras, o que provavelmente faria seu coração se despedaçar.

Depois de comer minha pizza e beber um copo de suco, entreguei ao garçom meu cartão de crédito, olhando para o mar quase negro.

— Senhor Taehyung, me desculpe — ouvi atrás de mim. — Não o reconheci com essa cor de cabelo.

Eu me virei para um alfa e o olhei com ar indagador. O jovem garçom estava ao lado da mesa e entregou a mim o cartão com as mãos trêmulas.

— Eu realmente não estou entendendo. Como você deveria saber como eu sou?

— Temos uma foto sua como convidado VIP, que nos foi dada pelo pessoal de don Jeongguk. Desculpe novamente, a conta não foi cobrada.

— Vou pedir mais suco de tomate, por favor — falei, virando-me.

A ideia de voltar para a mansão e encontrar o alfa fez meu estômago embrulhar.

A hora seguinte passou despercebida e decidi que precisava voltar e dormir. Amanhã, a Seokjin vai estar ao meu lado e vai dar tudo certo, eu vou poder chorar o quanto quiser.

— Vejo que você está muito entediado, deixe-me lhe fazer companhia — disse um o jovem beta, sentando-se na cadeira ao lado. — Eu ouvi você falando com o garçom, de onde você é?

Olhei para o estranho com meus olhos cheios de raiva e frustração.

— Eu não quero companhia.

— Ninguém vai ficar aqui se quiser ficar sozinho, mas às vezes vale a pena desabafar com uma pessoa que apareceu por acaso, porque a avaliação dela não vai ser importante para você e vai te aliviar.

Ele me divertia e me irritava ao mesmo tempo.

— Eu entendo sua encenação de camaradinha compreensivo, mas, em primeiro lugar, eu realmente quero ficar sozinho e, em segundo lugar, você pode ter problemas por se sentar aqui, então eu o aconselho a procurar outra coisa que o interesse.

O garoto não desistiu e se aproximou de mim.

— Você sabe o que eu acho?

Eu não dava a mínima sobre o que ele achava, mas sabia que não calaria a boca.

— Não acho que a pessoa em quem você está pensando te mereça.

Eu o interrompi, dirigindo-me a ele:

— Eu estou pensando que estou grávido e que vou me casar no sábado, por isso levante-se e vá ver se eu não estou lá na esquina.

— Grávido? — ouvi uma voz atrás de mim.

O cara se levantou como se tivesse se queimado e quase fugiu da mesa, e Jeongguk lentamente tomou seu lugar. Meu coração batia que nem louco e Jeon me encarava com seus enormes olhos negros. Eu engasguei e me virei para o mar, para evitar o contato visual.

— E o que eu deveria dizer a ele? Que você vai matá-lo? É mais fácil e seguro mentir. Além disso, o que você está fazendo aqui?

— Estou aqui para jantar.

— Não tem comida em casa?

— Estava faltando você à mesa e, além disso, vou viajar amanhã e queria me despedir.

Eu me virei para ele e fiz uma careta, franzindo a testa.

— Como assim vai viajar?

— Eu tenho de trabalhar, meu amor, mas não se preocupe, voltarei a tempo de me casar com você — disse, piscando para mim. — Queria te levar comigo, mas já que seu amigo vem, aproveite e faça uma despedida de solteiro. O cartão de crédito que você recebeu junto com a chave do apartamento é seu, então comece a usá-lo. Você ainda não tem seu terno para o casamento. 

Sua voz calorosa e sua preocupação me tranquilizaram e garantiram que ainda não era hora de ele saber. Eu estava completamente confuso – como Jeongguk era de verdade? –, mas, ao mesmo tempo, adorava sua imprevisibilidade.

— Quando você vai voltar? — falei, com um tom de voz evidentemente mais suave.

— Assim que tiver tudo acertado com a família que controla Palermo. A morte de Emilio vai me causar certos problemas, mas não fique pensando com sua linda cabecinha nisso — disse ele, levantando-se do lugar e me beijando na testa. — Se você já comeu e está pronto, então vamos. Eu queria me despedir de você em casa.

Chegamos ao carro e entreguei a ele a chave do Porsche.

— Você não gosta dele? — perguntou Jeongguk, abrindo a porta para mim. Eu entrei e esperei que ele entrasse.

— Não é isso, é lindo, mas é tremendamente complexo, e, além disso, eu gosto quando você dirige. 

Por um momento, hesitei em colocar o cinto de segurança, li uma vez que ômegas grávidos não deveriam fazer isso.

— Como você sabia onde eu estava?

O alfa começou a rir e arrancou cantando pneu, e eu pude sentir toda a potência do motor turbo.

— Lembre-se, amor, de que eu sempre sei o que você está fazendo.

Depois de alguns minutos, estacionamos na entrada reformada da casa. O alfa saiu do carro e abriu a porta para mim.

— Eu vou para o meu quarto — murmurei, passando a mão delicadamente na barriga.

— Claro, mas eu mudei o seu quarto, então me deixe mostrá-lo a você — disse, pegando minha mão.

— Eu gostava daquele — resmunguei, enquanto ele me puxava pelo corredor.



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