História Same Blood - Capítulo 5


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Capítulo 5 - Mesmo sem êxito


Fanfic / Fanfiction Same Blood - Capítulo 5 - Mesmo sem êxito


Jungkook encarou outra vez a tela do celular de modo discreto, verificando as horas. Faltava pouco minutos para o término da última aula, apesar de ser quarta-feira, um dos dias da semana que gostava, ele não se sentia nem um pouco animado.


Yoongi, que estava ao seu lado, na cadeira mais próxima dormia tranquilamente sobre os livros abertos. Jungkook ergueu o olhar até a professora que continuava enrolando em qualquer frase que dizia, somente para prolongar e torturar os alunos naqueles infinitos dez minutos antes da saída.


Jungkook percebia o olhar acusatório da mais velha sobre si, já que na última aula da mesma, havia a interrompido com uma breve discussão com outro aluno que particularmente, Jeon detestava. Ele sabia que daquela vez não teria como fugir do "castigo" passado, que era basicamente ter de limpar alguma sala não muito usada da escola. 


A professora se escorou na beirada da mesa pessoal, cruzou os braços e manteve o olhar centrado em Jungkook, para não perdê-lo de vista e consequentemente ele fugisse do castigo.


— Alunos, livres. — a orientadora ditou alto e todo o alvoroço característico se fez presente ao que os alunos se apressaram em arrumar os pertences e irem embora em questões de segundos.


Com a exceção de Jungkook, que arrumava suas coisas preguiçosamente. Se levantou, pôs a mochila nas costas e chutou disfarçadamente a cadeira do Min para que este acordasse. Assim como ele, Yoongi também estava incluso em ter que cumprir com os trabalhos, visto que Yoongi sempre o defendia quando se metia em qualquer "briga" mesmo que fosse para apanhar ou ser ofendido também, ele gostava de defender seu melhor amigo ou, ao menos tentar.


— Você e seu colega, eu acompanho vocês. — a mais velha ditou.


Em resposta, Jungkook sorriu falsamente antes de ela seguir para fora da sala. Fez o mesmo, puxando Yoongi pela barra da blusa e o arrastando com pressa, já que o Min estava sonolento e mal humorado, e também, ele poderia fugir e deixar Jungkook na mão.


Alguns corredores percorridos até que chegassem a sala de música. A mulher destravou a porta e deu espaço para os dois alunos.


— Os produtos de limpeza estão todos lá dentro. Se fugirem, eu irei saber e o diretor também. — os alertou, sorrindo e fazendo seu caminho para o lado contrário deles. — Estudem para a prova! — aconselhou de modo irônico.


— Fofoqueira. — Yoongi murmurou.


Ambos adentraram aquela sala sem qualquer ânimo ou disposição.


— Eles já usaram isso pelo menos uma vez? — Yoongi perguntou dando uma observada no lugar empoeirado e abafado.


— Pelo visto, não. — respondeu Jeon erguendo o dedo indicador com uma boa quantidade de poeira após o passar por um violão pendurado em um suporte.


— Foda, isso aqui tá imundo. — o mais velho reclamou com as mãos na cintura, retirando a bolsa dos ombros e jogando no chão fazendo com que toda a poeira subisse, ele mesmo começou a tossir. 


— O quê tá fazendo? — indagou ao ver o outro limpar uma espécie de caixa de som com as mãos e logo se assentar sobre, escorando as costas confortavelmente. 


— Eu já fiz o mais pesado, então você é quem limpa e eu te espero, fechou?


— Como é? Você não limpou um grão daqui.


— Mas eu te defendi ontem! Eu ia bater naquele playboyzinho, mas você me impediu.


— Você não ia bater nele, Yoongi.


— É, não ia, mas te defendi. 


— Você só piorou a situação, enquanto eu estava no controle, tava tudo certo, mas você tinha que surtar e gritar um monte de palavrões.


— Mas eu me senti melhor dizendo aquelas coisa pra ele!


— Levanta e me ajuda. — silabou, jogando um espanador na direção dele.


— Também não te defendo mais.


— Como eu vou sobreviver assim? — ironizou, tocando em seu peito.


— Pede pro seu irmão agora.


— Eu vou pedir sim. — disse sorrindo fraco da careta preguiçosa do amigo, mas logo o desfez, lembrando que sua relação com o seu irmão mais velho não era a das melhores há tempos.


"Antigamente, talvez ele me defendesse mesmo."


— Yoongi? — após um tempo em silêncio Jungkook o chamou, parando de limpar um instrumento qualquer e se virando para o amigo, que esfregava o chão preguiçosamente e com a cara de poucos amigos. 


— Fala. — Jungkook achava engraçado que só naquele meio tempo, o Min fazia questão de ficar murmurando palavrões a cada segundo. — Não enrola, Jungkook. — voltou a passar os esfregão no piso.


— Você gosta de mim? — perguntou de forma hesitante e repentina.


Yoongi paralisou na mesma hora e encarou Jungkook como quem via um fantasma, até deixado o cabo do esfregão cair.


— O que foi que você me perguntou? 


Jungkook fez uma careta confusa e então riu do desespero alheio.


— Não, idiota. Não assim. — revirou os olhos e Yoongi soltou um suspiro de alívio.


— Graças a Deus. — pegou o utensílio caído. — É claro que eu gosto de ti então, e você que é idiota em não dizer com clareza. Por que a pergunta assim tão do nada?


— Acha que sou importante na sua vida?


— É claro que é, se não fosse, eu não te defenderia todos os dias, pagasse vergonha junto contigo e muito menos estaria aqui agora. Que papo é esse? Tá me assustando. 


— Bem, é que, sei lá. Eu só acho que talvez eu não tenha tanta importância assim para as pessoas ao meu redor.


— Mas pra mim tem, você é meu melhor amigo aqui e somos uma dupla, esqueceu?


— Eu acredito em você e eu sei que somos uma dupla. É só que, quando estou sozinho eu sinto como se aqui não fosse o meu lugar, entende?


— É sua família? — questionou seriamente. 


— Às vezes sinto que deveria ir embora e-


— Você perdeu o juízo? Não tem essa de ir embora, ainda por cima me abandonar. Você nunca pensou assim e agora me vem com esse papo. Não, não, não. — se aproximou, puxando Jungkook pelos ombros e os segurando para passar firmeza em suas palavras. — Você é importante, ok? Principalmente para sua família e se não for, é pra mim, beleza? Não precisa se sentir assim, não faz besteira!


— Tá, eu já entendi que você me ama, hyung. — Jungkook riu fracamente e Yoongi revirou os olhos. — Eu só precisava ouvir isso de alguém, mesmo que indiretamente, obrigado.


— Não sei o que aconteceu pra você ficar assim tão de repente, mas você vai sair dessa vibe depressiva. E já sabemos como!


— Como?


— Festa, garotas e álcool.


— Você tem razão. 



(...)



Algo não deixava os pensamentos de Jimin, especificamente, as palavras de Hyejin martelavam em sua mente.


Dar atenção


Pensar na possibilidade de que Jungkook poderia mesmo não passar de alguém carente e desesperado por atenção, não parecia fazer tanto sentido como agora. As coisas pareciam ligar perfeitamente, por mais que aquilo fosse previsível, nunca antes havia passado pela cabeça do Park.


Ele achava graça de si mesmo, alguém que viu a situação de fora não precisou mais que minutos para chegar naquele terminação que: 


"Se Jungkook não vai mudar, sou eu quem devo fazer diferente."


Jimin tinha expectativas de que talvez pudesse dar certo, mas ele não sabia como fazer ou por onde começar com aquilo. Já era sexta-feira e desde de sua conversa com Hyejin, Jimin não havia tomado qualquer atitude. E não é como se sua rotina e disposição estivesse a favor, passava o dia fora e quando chegava era tarde e se encontrava exausto, mas naquela noite. Senhor Bin havia o deixado livre, e coincidentemente e até como um milagre, Jungkook estava em casa ao invés de alguma festa, justo por ser final de semana. Poderia ser um sinal?


— Se concentra. — Jimin disse a si mesmo, voltando a encarar o pequeno caderno sobre seu colo com a lista de preços que teria atualizar para o novo estoque da farmácia, jogando mais as costas sobre o sofá.


Teve sua atenção roubada ao ver Jungkook fazer o caminho de seu quarto até a cozinha com a louça suja do jantar em mãos, já que ele preferia comer no quarto.


— Jungkook? — Jimin o chamou antes que entrasse de volta para o quarto. — Podemos conversar?


Jungkook o olhou por alguns segundos e se aproximou naturalmente.


— O que houve? — pelo olhar do mais velho, entendeu que era para se assentar também, o fez.


— Você… você está bem, dongsaeng? — perguntou incerto, sem saber como tentar uma aproximação.


— Tô. — balançou os ombros. — Por quê? 


— Como foi seu dia?


— ...Normal. — fez uma careta.


— Detalhes, Jungkook, quero detalhes. — explicou deixando a caderneta sobre a mesa de centro, olhando para Jungkook que o encarava de volta com uma feição confusa.


Jimin nem ao menos sabia como dar o primeiro passo naquilo. A feição de estranheza do mais novo já deixava claro que não era daquela forma que conseguiria uma aproximação. 


— Por que isso assim tão de repente?


— Eu só quero saber como você está, como anda sua rotina e sua cabeça, mas quero ouvir da sua boca e não pelo o que me dizem, quero conversar com você. Podemos fazer isso? 


— Eu… eu acho que sim. — Jungkook deixou seus ombros caírem minimamente. — Mas… por quê?


— Porque eu quero te entender, Jungkook.


O mais novo abraçou ao próprio corpo, sentindo-se completamente vulnerável diante daquela atitude que para si, era demasiadamente inesperada. Jimin disposto a lhe compreender? Era novidade para o jovem.


— Sobre o que quer falar? — até mesmo o tom de voz de Jeon havia mudado.


— Sobre você, dongsaeng. Somente você. — Jimin sorriu, querendo demonstrar de alguma forma que independente de tudo, Jungkook ainda poderia confiar em si.


Jungkook deixou a atenção cair sobre o chão da sala, completamente alheio e reflexivo. Jimin engoliu a seco pelo clima estranho que se fazia, decidiu continuar:


— Conversa comigo. Como se sente, Jungkook?


— Chateado com você. — murmurou sem o olhar.


Jimin não pôde conter uma risada pela resposta alheia.


— Comigo? — questionou ainda risonho, apontando em seu próprio peito.


— Você só sabe gritar comigo, Jimin. Sei que é o mais velho entre nós dois, mas isso não te dá o direito de querer me controlar a todo momento. Você não me trata como seu irmão, você quer me educar como um filho, e eu odeio isso. Não preciso que você fique me dizendo sempre o que fazer, sabia?


— E o que você sugere? — questionou com seriedade. 


— Que me deixe em paz. — o respondeu na mesma entonação.


O interrompendo de responder ao mais novo, o celular Jimin tocou, indicando uma chamada. O Park gesticulou para que o outro esperasse e alcançou o celular, que identificava uma chamada do dono da farmácia.


Iniciaram uma conversa sobre o novo estoque do estabelecimento que perdurou por alguns minutos e, quando Jimin encerrou a ligação e procurou pelo irmão mais novo, este não estava mais em sua companhia ou disposto a dar continuidade ao assunto, Jimin estalou a língua em desgosto e jogou as costas no sofá, sem nenhum êxito aparente.


(...)


Era cerca das duas da madrugada quando o celular de Jimin continuava a tocar insistentemente pelo cômodo do seu quarto, ainda que sonolento ele se inclinou até o criado-mudo e aparou o aparelho, conferindo ser uma uma ligação de seu amigo Hoseok.


Fez uma expressão confusa e atendeu à ligação, afastando imediatamente o celular do ouvido por toda a zoada que se fazia ao outro lado da linha.


— Sim? — questionou passando as mãos no rosto. 


Jimin, eu acho que você deveria passar aqui.   


Por favor, hyung, seja direto.


 Seu irmão garoto problema por algum motivo conseguiu se infiltrar em uma das nossas festas da faculdade, ele está claramente bêbado e não para de chorar. — deu uma risada e Jimin respirou fundo. — Não queria dizer por telefone, mas ele se drogou à beça, você sabe como esses caras gostam de zoar com os alunos do ensino médio, não é?


Me manda o endereço.








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