1. Spirit Fanfics >
  2. Same Mistake >
  3. Amar Alguém

História Same Mistake - Capítulo 2


Escrita por:


Notas do Autor


Oie,

Obrigada pelos favoritos e pelos comentários! <3

Espero que gostem :)

Capítulo 2 - Amar Alguém


“A vida é feita de escolhas e você sempre vai ser a minha”

                            -Devaneios

As batidas leves na porta fizeram com que o moreno despertasse do transe em que se encontrava. A chuva era severa lá fora, e por isso não entendia quem poderia estar batendo na sua porta. Os pingos batiam fortes contra a sua janela, e ele observava tudo com certa melancolia. O céu chovia, e ele também.

Mais batidas foram deixadas na madeira, dessa vez mais fortes, então Mário apressou-se para atender quem quer que fosse. E assim que abriu a porta, não pôde conter a surpresa.

-Nana? – A morena encarou o amigo envergonhada, e até tentou lhe lançar um sorriso, mas falhou.

-Oi Mário... – Ela estava totalmente molhada. Os cachos compridos grudavam em sua pele, e as gotas desciam livres por seu corpo. O poeta suspirou profundamente, tentando conter todos os pensamentos que passaram livres por sua mente, e tentou conter também a vontade incontrolável de ser uma daquelas gotas...

-Meu Deus Nana, o que você está fazendo aqui essa hora e com essa chuva? – Ele a puxou para dentro, fechando a porta em seguida.

-Eu... – Nana tentou falar, mas se calou. Veio o caminho todo pensando em um discurso, mas nada era bom o suficiente para falar para Mário. Ela queria dizer que ele era a pessoa que ela amava. Queria dizer que largaria tudo pro alto, sua viagem, seus planos fora do país, se ele quisesse ficar com ela, mesmo sabendo que ele jamais permitiria que ela largasse tudo. Mário percebeu que os olhos dela estavam vermelhos e inchados. Ela havia chorado.

-O que aconteceu?  - Ele se aproximou da morena – Brigou com seu pai? – Ele a encarava curioso, mas também preocupado, e isso só fez com que Nana o amasse um pouco mais...

-Também... – Mariana não conseguia tirar os olhos de Mário. Havia tanto tempo que ela o amava... estava sufocada, aquilo lhe transbordava. – Mas eu queria te pedir desculpas... – Finalmente ela disse algo concreto, despertando, mais uma vez, a surpresa de Mário. Ele não precisou falar nada, sua expressão o denunciava. Mariana quase nunca pedia desculpas.  – Eu exagerei.

Mais uma vez, eles haviam tido uma briga boba. Mariana estava super estressada por esses dias, estava começando a planejar o intercâmbio que sempre sonhou, seu pai estava quase a deixando louca, já que não aceitava nenhuma das suas escolhas, e para ajudar, tudo o que sempre sentiu por Mário, só aumentava. Os dois estavam na faculdade agora, e Mário não era mais da sua sala, estava cheio de novos amigos e amigas, e Mariana não era ciumenta, sabia que Mário nunca colocaria ninguém em seu lugar, mas e se ele se apaixonasse? Como ela iria lidar? Afinal, ele não sabia que ela gostava dele. Sua cabeça estava confusa, a mil com tudo o que poderia acontecer, e ela já estava criando mil histórias onde Mário arrumaria alguém melhor. Por tudo isso, brigou com o amigo quando o mesmo lhe disse que iria almoçar com duas colegas para preparar um trabalho da faculdade. Se sentia constrangida.

-Tudo bem Nana, você está sob muita pressão, e...

-Não Mário – Ela o cortou – Eu fui injusta com você – Suspirou - Sabe... – Aproximou-se mais um pouco do poeta, sentindo seu coração quase sair do peito. Será que ele podia ouvir o órgão batendo? – Eu tenho medo que você encontre outra pessoa – Deu um sorriso, se achando a pessoa mais boba do mundo – E eu não suportaria te perder. Sei que não corro esse risco, foi só a insegurança... – Mário a olhou de uma forma tão carinhosa, que qualquer barreira que havia se erguido entre os dois, caiu. Ele a puxou para si, mesmo ela estando encharcada, e abraçou com todo o amor que tinha dentro de si.

-Eu te amo, Mariana mole – Se afastou levemente, olhando nos castanhos que continham a galáxia dentro deles – E sempre vou amar – Ele esperava que ela entendesse. Por Deus, ele queria ter coragem de falar pra ela... Os dois estavam tão próximos, que podiam sentir a respiração quente um do outro. Ela fitou seu lábio tempo o suficiente para que ele notasse, e então Mário entendeu que ali, teria que fazer uma escolha. A beijaria e cederia a tudo o que sentia, colocando em risco tudo o que construíram durante aqueles anos, ou deixaria ela livre para ter um futuro melhor do que com um ferrado como ele...

Mário não precisou pensar muito, pois o telefone fixo tocou, interrompendo o momento dos dois. Por fim, o destino decidiu por eles. A vida é feita de encontros, e muitas vezes, desencontros.

"Podia ter dado certo entre a gente, ou não. Eu nem sei o que é dar certo"

                             -Caio Fernando Abreu

Nana sorriu levemente enquanto olhava o céu escuro na janela de seu pequeno apartamento. Aquele dia as coisas eram para ter sido diferentes. Ela não foi até a casa de Mário apenas para pedir desculpas das suas burradas, mas também para se declarar, para dizer ao seu amigo de uma vida toda, que o amava, e não era apenas um amor de amigos, não. Era um amor que transcendia o seu peito, chegava a doer. Lhe tirava os sentidos do certo ou errado, e lhe fazia pensar em um futuro junto dele. Se ela tivesse tido coragem de lhe contar tudo, talvez agora não iria precisar escrever um e-mail lhe felicitando por seu casamento.

A artista suspirou profundamente, encaminhando-se lentamente para sua escrivaninha, onde depois de quatro dias, iria responder Mário. Sabia que ele deveria estar estranhando sua demora, mas iria encontrar alguma desculpa boba, que sabia que ele não iria acreditar. O homem a conhecia melhor do que ninguém. Seus dedos digitaram vagarosamente, sentindo tanto em cada frase... segurou as lágrimas. Pelo menos naquele momento queria poder ser forte. Depois ela sentiria e choraria, mas só depois.

Finalizou o e-mail e sem ter coragem para revisar, enviou daquele jeito mesmo. Ela já havia o perdido, e agora, entregará de bandeja o homem que amava. O que poderia fazer? Estava do outro lado do mundo tentando encontrar um motivo para seguir com sua vida um pouco solitária demais.

Mariana gostava da vida que tinha, é claro que sim. Tudo o que sempre sonhou foi em ir para a Europa aperfeiçoar sua arte, e havia conseguido tal feito. Vendia bons quadros, e conseguiu um emprego novo em um museu incrível de Paris. Mas estar longe de sua família, e de Mário, deixava seu coração, por vezes, triste. Às vezes ela tinha dias ruins, e estava tudo bem.

“Eu não sou tão triste assim, é que hoje eu estou cansada”

                       -Clarice Lispector

                                                                                          ***

[MM – Mariana Prado Monteiro [email protected]

          SEG, 10/03/2019 21:39

Para: Mário Viana

Assunto: Re: Tenho novidades... / Parabéns?

Poeta,

Me surpreendi muito ao ler sua novidade. Acho que nem consigo colocar em palavras... seria certo lhe dar os parabéns? ... sabe que o que você decidir, irei te apoiar. Não conheço a Silvana pessoalmente, mas se você gosta dela, e ela te faz feliz, se entregue, afinal, vai que ela seja a pessoa certa?

Você merece alguém que te aprecie devagar, que te leia, te decore, e te decifre. Espero que ela possa te olhar desse jeito, poeta. Espero que ela possa te amar, mais do que qualquer outra pessoa... mas acho que nunca vai chegar próximo ao meu amor por você, sabe disso.

Fico feliz que as coisas na editora estão se encaminhando, meu pai sempre gostou muito de você. Sei que estão fazendo a editora crescer muito mais! Meu pai andou me contando que estão com uns excelentes lançamentos! Claro que durante a ligação ele não podia deixar de falar que era pra eu estar lá né... reclamou que nenhum dos filhos liga para a editora... acho que ele não está tão errado, né? Eu amo aquele lugar, mas minha arte é minha vida, larguei tudo o que eu amava para estar aqui, e não posso me arrepender das minhas escolhas.

Minha mãe não está muito bem de saúde... eles me disseram que ela está com muita dor de cabeça, passando mal a todo o tempo... estou mega preocupada, e muito angustiada, se pudesse, voltaria para vê-la, mas acabei de arrumar esse emprego... até por conta disso demorei esses dias para responder, tudo está uma correria, me desculpa.

E contando do meu emprego novo, está tudo bem. As pessoas são muito gentis, e eu já fiz alguns amigos ótimos. Nenhum se compara a você, porque você é insuperável! Lá tem um café maravilhoso e eu estou viciada! É incrível trabalhar com arte, Mário! Tanto no museu quanto nas feirinhas. Vendi vários quadros ontem. Fico impressionada como as pessoas aqui gostam de arte, e até mesmo os turistas (os brasileiros valorizam mais a arte aqui fora do que aí, vai entender)

Estou com saudade, poeta. Saudade do abraço, do colo, do cheiro... saudade de comer maria mole com você, enquanto víamos aqueles filmes clássicos que você tanto gosta. A cada ano que passa, minha saudade apenas cresce. Não sei quanto tempo mais irei aguentar ficar longe, ainda mais com a situação da minha mãe. Eu estou precisando de você...

As coisas mudam tanto né...

Espero que você seja feliz com as suas escolhas, Mário.

Ps: As fotos do museu estão no anexo.

Ps²: Eu amo você. Sempre vou amar.]

 

Mario encarava aquele e-mail com um turbilhão de sentimentos. O que responderia? Mariana tinha aquele poder de lhe deixar sem graça. Ela nunca foi muito boa com as palavras, sempre se expressava através da sua arte, mas dessa vez havia conseguido. Pela primeira vez em muito tempo, o poeta havia ficado sem ter o que dizer para a mulher que ele mais amava. Tomou um gole de seu café, e encostou-se na cadeira, relendo o que mais havia lhe chamado a atenção.

“Você merece alguém que te aprecie devagar, que te leia, te decore, e te decifre. Espero que ela possa te olhar desse jeito, poeta. Espero que ela possa te amar, mais do que qualquer outra pessoa... mas acho que nunca vai chegar próximo ao meu amor por você, sabe disso. “

Passou uma mão pelos cabelos escuros, que estavam um pouco grandes, tomou um gole de seu café e ajeitou melhor seu óculos. Sua mente o levou para junto dela, porque mesmo que o tempo tenha passado, Mário a imaginava. Imaginava quando ela saía do banho e ia correndo deitar devido ao frio, ou quando ela acordava descabelada e com o rosto marcado do travesseiro, era adorável. Imaginava os lábios chegando a xícara de café, e apreciando o líquido negro. Imaginava ela pintando, tão concentrada, escolhendo tudo com maestria. Imaginava ela rindo das piadas bobas que ele sempre lhe contava. Imaginava ela andando pelas ruas de Paris, apreciando todas as vistas, com os olhos brilhando, passando desde os pontos mais famosos, aos mais desconhecidos, que era o que ela mais gostava...

-Paixão? – A voz de Silvana o tirou de seus devaneios, e ele a olhou depressa, um pouco assustado

-Que susto, Sil...

-O que está fazendo ai? Temos que ir logo, já estamos atrasados – Mário deu uma última olhada no e-mail, antes de concordar e desligar o computador, seguindo até o quarto para colocar uma camisa

-Acabei me distraindo, Nana me mandou um e-mail – Sorriu de leve, entrando no cômodo e indo em direção ao guarda-roupa.

-Você já contou pra ela? – Silvana não sabia muita coisa sobre Mariana, a não ser que era a melhor amiga de Mário, e que eles tinham uma conexão que ela nunca poderia romper, o homem sempre deixou isso muito claro.

-Já – Tirou uma camisa azul cheia de desenhos desconexos do armário a colocando rapidamente, ajeitando o óculos que saíra do lugar.

-E?... – Silvana o observou abotoando a camisa, e ele parecia... triste?

-Ela nos deu parabéns – Deu um sorriso sem mostrar os dentes e passou por ela rapidamente, indo até a sala buscar sua carteira.

-Acho que você deveria pedir para ela vir para o Brasil quando casarmos. Quem sabe até ser a madrinha, não sei... – A loira sugeriu receosa, apenas porque sabia que ele jamais iria querer se casar sem a melhor amiga estar presente. Ela o olhava atentamente, seguindo cada passo seu. Não sabia o real sentimento que Mário sentia por Mariana, e sempre se sentiu um pouco ameaçada pela mulher.

-Quem sabe quando pensarmos em uma data – Ele não a olhou. Pegou tudo o que precisava e então o casal se encaminhou para começar as suas devidas rotinas naquela manhã de terça-feira.

“A pior dor é a de amar alguém que você não pode ter.”

                 -American Horror Story



Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...