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História Same Old Love - Capítulo 1


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Notas do Autor


Atenção: todas as músicas citadas nessa one estão altamente recomendadas! ^^

Capítulo 1 - Capítulo Único


Seola chamou Hoseok para o aniversário dela, tentando tirá-lo do home office ao menos uma vez na vida. Ela sempre reclamava como ele só saía para fazer compras e ir à academia, e ele próprio tinha seus incômodos com essa rotina, mas não iria expor isso. A troco de quê o faria?

A festa foi realizada em um salão enorme, cheio de pessoas desconhecidas e, para a surpresa de Hoseok, muitos rostos conhecidos. Ela havia convidado muitos antigos colegas de classe dos tempos de colegial, que receberam Hoseok com uma alegria que ele não esperava.

Lá estava o Jooheon do clube de basquete, o Changkyun do clube de música e Hyunwoo, seu grande parceiro do time de futsal.

Fazia tempo que Hoseok não se sentia contente de fato em conversar com os outros, e aquela reunião trouxe de volta lampejos dessa sensação. O colegial foi uma época muito boa para ele, sempre ao lado dos amigos e das amigas, um aluno muito ativo e que, apesar de estar longe de ser o melhor da turma, sempre se esforçava para não dar trabalho aos professores.

Sim, um aluno muito agradável. Nisso todos mundo concordava.

Naquele instante de diversão, Hoseok perguntou a si mesmo porque tinha esquecido de como tudo aquilo havia sido bom. Sim, porque ao se formar, sentia que todos os últimos três anos de estudo haviam sido um completo vácuo em sua vida.

Foi uma coisa forte que tomou conta de si, esse vazio estranho. Abandonaria os amigos, a vida adulta estava prestes à começar. No entanto, tinha alguma coisa faltando, uma coisa que ele enterrou lá no fundo de sua mente. O que seria? Ele já não se lembrava.

Recusou todas as bebidas, mas seus amigos — já podia chamá-los assim novamente — encheram a cara à vontade. Seola apareceu para eles, sentando-se entre as mulheres. Hoseok lembrava-se dela, sempre tivera muitos problemas de saúde quando jovem, vivia tendo que ser mandada de volta pra casa por conta de fortes dores no pé da barriga ou por crises de gastrite.

Curioso, pensou Hoseok, ela tinha um irmão, não tinha?

Então um arrepio ruim percorreu sua coluna.

Poucos instantes após Seola vir ter  com eles, as portas do salão se abriram, e uma figura alta, de cabelos cheios e escuros, chegou para se sentar com eles.

O homem sentou-se de frente para Hoseok, próximo à Seola.

— Estou feliz que veio, Wonnie.

Wonnie.

Que inferno.

Sim, Hoseok lembrou-se de tudo. Olhando para ele agora, pouco havia do jovem de 15 anos que existia nos fundilhos das suas memórias, mas o pouco que havia lhe provocavam vergonha, embaraço.

Naquela época, era fácil confundi-lo com uma menina. Seu rosto era delicado, o cabelo bem liso e com aquelas franjas estranhas que eram moda nos anos 2000. Ele sempre teve a boca carnuda, mas, quando no colegial, servia para que alguns colegas dessem a ele a alcunha de "boca de pato". 

Ele não fazia parte de nenhum clube. Sempre ia direto para casa toda vez que a aula acabava, assim como a irmã.

Ninguém sabia o que acontecia com eles. Ninguém podia imaginar. Nem Hoseok.

Então, quando fez amizade com Hyungwon, de forma bem despretensiosa, durante um dia em que Seola teve muitas dores fortes e precisou ficar na enfermaria e que Hoseok havia destendido  um músculo da perna.

Os irmãos eram bem engraçados, mais especificamente Seola. Hyungwon apenas reagia ao que ela fazia, soltando alguns comentários bem… incomuns? Exóticos? Hoseok não conseguia pensar numa classificação.

Eles começaram a passar o intervalo juntos, fazer trabalhos juntos. Hoseok realmente gostava da companhia dos dois.

Uma época, no entanto, Seola mudou de escola, foi para outra cidade. Hoseok perguntou à Hyungwon porque, e ele respondeu:

— Ela foi embora. Certa ela.

Ele deu o número de Seola para Hoseok, para que eles pudessem se comunicar. Ela, por sua vez, lhe pediu algo, que ele não tinha entendido direito naquela época.

"Por favor, cuide do meu irmão. Não deixe de ser amigo dele só porque estou longe, ele precisa dessa amizade."

Hoseok nem havia pensado em deixa-lo, claro que não. Fazia questão de continuar com ele, como sempre, pois não queria ser pintado como um "vacilão".

Ele parecia feliz, estava se soltando mais, fazendo mais piadas. Parecia estar mais à vontade.

Hyungwon sempre pareceu alguém introvertido, e ver que estava conseguindo ultrapassar essa muralha deixava Hoseok feliz.

Essa proximidade, no entanto, fez Hoseok perceber algumas coisas.

Fez perceber como Hyungwon sempre usava roupas de mangas longas durante o verão.

Ver como ele parecia deprimido sempre que não estava consigo.

Ver como ele começou a faltar várias vezes na escola.

Ver como ele sempre aparecia machucado, e dizia que tinha batido em algum lugar ou caído da escada.

Isso não estava certo. Havia alguma coisa de errada.

Hoseok resolveu perguntar para Seola, e ela passou muitos dias sem dizer coisa com coisa, o que convencia Hoseok de que algo realmente errado estava acontecendo.

Já que ninguém contava, ele mesmo foi descobrir o que acontecia.

Seguiu Hyungwon quando ele voltava para casa. Ele morava em um bairro bem pobre, pelo visto, e sua casa parecia de longe estar caindo aos pedaços.

Aproximou-se da casa, tentando escutar alguma conversa, e o que escutou ficou em sua mente por muito tempo.

Resmungos de um homem que falava trôpego, certamente bêbado, que parecia bater em alguma coisa. Ou melhor, em alguém.

Ah não, ele pensou.

Porque ninguém tinha lhe dito nada?

Esperou até o dia seguinte. Relembrando disso quando adulto o fez perceber como foi uma idiotice, afinal, Hyungwon continuou apanhando depois que ele foi embora.

No dia seguinte, foi conversar com ele. Haviam band-aids nos dedos e no pescoço, e ele claramente estava com dor na barriga.

Ele não perdeu tempo, nem contou para ele que já sabia de tudo, apenas lhe propôs:

— Quer dormir lá em casa por uns tempos?

Hyungwon não entendeu o porque daquela proposta, mas ele nem hesitou, aceitou na hora.

No fim do dia, ele nem foi pegar nada em casa, foi direto para a casa de Hoseok. Ele, que nem ao menos tinha consultado os pais, disse que os parentes de Hyungwon estavam viajando, e ele não podia deixar seu melhor amigo sozinho.

Os olhos de Hyungwon brilharam quando ele escutou o "melhor amigo". Ele sabia que eles tinham bastante proximidade, mas não sabia que chegava no ponto dos "melhores amigos". Ele sorriu sem perceber, estava contente de verdade.

Os pais de Hoseok eram bastante amorosos. Seu pai era uma criatura excêntrica, que ensinou Hyungwon a jogar videogame chamando-o de "fera" a cada dois segundos. Ele tinha dado um puxão de orelha em Hoseok por trazer um desconhecido para dormir em casa sem avisar a ninguém, mas não é como se ele estivesse realmente incomodado.

Já a mãe ficou encantada com Hyungwon. Ele era muito educado, começou a ajudá-la com o que podia em casa, deixando até mesmo Hoseok impressionado.

No entanto, ele permaneceu apenas quatro dias em sua casa.

Voltando para o seu presente, lá estava Hyungwon. Ele estava mudado, parecia uma figura distante do menino de anos atrás. Um homem de presença, que estava ali fumando e atribuindo um charme grande à esse ato tão desagradável.

Ele estava conversando com todos ali da mesa, fazendo-os rir e sem olhar uma única vez para Hoseok. Esse, por sua vez, mantinha a cabeça baixa, e começou a sentir-se um intruso.

— Vou dar uma saída. Já venho.

Seola olhou Hoseok sair, tristonha. Ela sabia de tudo o que tinha acontecido entre os dois, e queria vê-los felizes, próximos de novo. Por isso fez sua festa na cidade em que Hoseok morava, por isso convenceu Hyungwon à vir, e sentia que talvez não tivesse sido uma ideia tão boa.

Essa foi a primeira vez que Hyungwon dedicou sua atenção somente para a figura de Hoseok. Ele estava bem forte, percebeu, e bem bonito também. Perguntou-se se ele já tinha constituído família, se era o cantor que jurava a adolescência todinha que queria ser. Perguntou-se até que tipo de música ele cantava.

— Ele faz o quê da vida? — perguntou à irmã.

Ela respondeu, com desânimo.

— É um freelancer.

Hyungwon ergueu as sobrancelhas em surpresa.

— Trabalho informal… mas porque?

Seola comprimiu os lábios.

— Muita coisa aconteceu… Desde a última vez que vocês se viram.

Quase onze anos, Hyungwon sabia. É de se esperar que as coisas mudem, mas ainda assim, Hoseok era tão apegado à ideia de ser cantor…

— Sou todo ouvidos.

— Bem… Ele mora sozinho, sabe? Quer dizer, na verdade, bem antes disso, o pai dele morreu, e ele teve de trabalhar para sustentar ele e a mãe. Ela… não aguentou. Se é que você me entende…

A garganta de Hyungwon trancou. A notícia da morte daquele casal tão gentil e energético em suas lembranças doeu em si, doeu de verdade. Apesar dos ocorridos posteriores, ainda se sentia agradecido por eles o terem acolhido naquele período tão conturbado.

— E… E ele?

Seola baixou a cabeça.

— Está… Ok…

— "Ok", é? Que coisa.

— Não posso dizer que ele está mal quando se esforça tanto para ficar bem. Não posso dizer que ele está bem porque evidentemente não está. Então digo que as coisas estão "ok", na falta de uma resposta melhor.

Hyungwon quis ir atrás dele. Mas isso surtiria efeito? Queria conversar com ele, mas para quê? Tinha certeza que seria bem estranho aparecer para ele depois de onze anos e dizer "Ei, olha só, vim dar minhas condolências, veja como sou legal!".

Seola o cutucou com o cotovelo.

— Vai atrás dele. Resolve o que tem de resolver.

Ele expirou.

— E você acha que vai dar certo?

— Bem… — ela deu de ombros — Se você fizer merda, vai ficar sem bolo.

Hyungwon sorriu. Dei um beijo na bochecha da irmã e foi até o lado de fora.

Hoseok estava sentado em uma cadeira, com as mãos unidas sobre a barriga, olhando os carros passarem.

— Posso me sentar aqui?

Hyungwon perguntou, assustando Hoseok.

— Ah… C-Claro, nem precisava pedir.

Hyungwon foi pegar uma cadeira no salão e voltou.

 

— Ah, a noite está bem fria hoje, não acha?

— Uhum — Hyungwon concordou.

É incrível como esse homem não consegue ficar feio. Está bem mais velho, perto dos trinta anos, mas continua lindo, ainda mais do que na época de colégio.

— Err… Que coisa… Você tá bem diferente…

— Tipo…?

Hyungwon perguntou, tentando conter o sorriso malicioso.

— Er… Tá diferente, só isso.

— Seja mais específico, não estou te entendendo bem.

Hoseok engoliu seco. Ele ia dizer o quê?

— É o seu cabelo.

Ele praticamente falou entredentes, mas para o azar dele, o ouvinte entendeu.

— Ah, o cabeeeeelo. O que tem o cabelo?

Que filho da…

—… Tá grande.

Hyungwon começou a rir, fazendo Hoseok ficar nervoso.

— Ai, desculpa, eu não me aguentei. Você é demais sabia? Onze anos depois e ainda fica sem jeito quando vai elogiar os outros!

Sim, onze longos anos. E ele estava ali, do seu lado novamente, rindo como se estivessem nos velhos tempos. Isso era justo?

— Fiquei sabendo que você mora sozinho… É verdade?

Hoseok assentiu.

— Caramba, justo você? Eu podia jurar que você ia ficar mais velho, ter uma família enorme com uma moça super virtuosa com mais três cachorros, dois gatos e um porquinho.

Não havia escárnio no comentário, mas ainda assim, aquilo doeu em Hoseok.

— As coisas nem sempre vão do jeito que a gente quer…

— O quê, você queria esse futuro que eu previ?

Hoseok sorriu fracamente.

— Quem sabe… Talvez… Acho que não precisava ser com uma mulher e filhos, só…

Feliz.

Hyungwon olhou para aquele homem, com sua expressão triste e lamentou por ele. Ficaram anos sem se falar porque pareceu o certo a se fazer depois do fatídico dia do beijo, mas como ele encarava tudo aquilo? Será que o detestava?

Hyungwon lembrava desse dia. Na verdade, muito antes dele ele já sabia que gostava de Hoseok. Gostava como ele sempre tentava incluir ele nas conversas, como ele praticamente nunca o deixava em paz com seus pensamentos intrusivos, e como ele era alguém sonhador, doce, único… o ser capaz de inspirar fé no mais fatalista dos homens.

Ele amava músicas, e sempre fazia questão de dizer como ele associava músicas às pessoas que ele gostava. A música de seus pais era "Every Time I Look At You", do KISS. A música da irmã era "Umbrella" da Rihanna. Hyungwon sempre tinha curiosidade com qual seria a sua música, mas Hoseok dizia que não tinha ideia ainda, precisava pesquisar mais.

Nos dias em que dormiu na casa dele, ele descobriu essa música. Chamou-o para seu quarto e, pegando seu violão, disse todo animado que tinha achado a música de Hyungwon.

E ele cantou "Hunting High and Low".

Hyungwon não entendeu. Porque ele estava cantando para si uma música sobre procurar um alguém que assistiu partir?

Ele começou a chorar antes que se desse conta.

Aquilo foi para além de seus sentimentos amorosos. Lembrou-se de sua mãe.

Naquele momento, Hoseok não sabia o que estava acontecendo, mas a mãe de Hyungwon havia abandonado os filhos e o marido. O pai enlouqueceu, começou a bater nos dois, e Hyungwon pediu para que tia Hye deixasse os dois irem para a casa dela.

O marido dela disse que não receberia filho dos outros numa casa que já tinha cinco bocas para alimentar, então, ele pediu que abrigassem ao menos Seola, falando dos trabalhos que ela fazia como modelo de vez em quando, que poderia ajudar nas despesas da casa.

Já ele ficou com o pai, não tinha para onde ir. Ele queria ajudar o homem, acreditava que com paciência poderia acalmá-lo, mas isso nunca aconteceu. Seu pai havia se tornado um monstro, se é que não o foi desde sempre.

Hyungwon chorou bastante, e Hoseok o abraçou para confortá-lo. Foi assim, estando próximo dele, sentindo seu cheiro e seu calor, que ele beijou Hoseok.

Foi algo repentino, um impulso momentâneo, mas que ele fez. E o pior, ou talvez o melhor, foi que o gesto foi correspondido.

Hoseok tinha saído com algumas meninas antes, mas sempre algo que durava pouco tempo. Os beijos delas sempre eram bons, cheios de movimento, mãos bobas e sorrisos entre os beijos, sempre algo que gostava de recordar em momentos esparsos.

No entanto, havia algo de diferente nesse.

Primeiro que Hoseok foi pego totalmente de surpresa, e para ele dois meninos se beijando era algo estranho… mas… era errado? Não parecia.

Segundo, ele estava reagindo bem, na verdade muito bem. Aterrorizava-se em admitir, mas estava gostando daquilo.

Ele se deitou, com o corpo de Hyungwon abaixo de si, respirando irregularmente, com os braços dele abraçando seu pescoço. 

Ah, como era bom. Sempre percebeu como Hyungwon havia lábios cheios, mas nunca essa característica foi tão notável quanto ali, quando unia sua boca com a dele, mordendo, sugando, ansiando por contato, invadindo-a com sua língua sedenta, mostrando para aquele menino de primeira viagem toda a sua experiência, tendo por trilha sonora aqueles estalos tão reveladores.

Eles só se separaram quando o ar se fez necessário, e Hoseok não sabia onde enfiar a cara. Lá estava Hyungwon, abaixo de si, os lábios vermelhos, inchados, ofegante, e ele apreciando tudo aquilo com mais apreço do que deveria.

Saiu de cima dele. Hyungwon não entendeu nada, mas ele parecia confuso, até mesmo contrariado.

— Desculpa… Isso foi errado… Eu não deveria ter feito isso…

Hyungwon quis morrer. Naquela hora, ele teve certeza de que queria morrer, ou então sumir da face da terra. Hoseok foi ao banheiro lavar o rosto, e quando voltou, Hyungwon estava dormindo. No dia seguinte, ele sumiu.

Tento ligar para ele, mas ninguém atendeu.

Tinha que ir para a escola, mas queria ir até a casa de Hyungwon. Sabia que ele tinha ido lá, e sabia também do tamanho erro que isso significava. Quando chegou na escola, ficou sabendo que o estrago já estava feito.

Vizinhos do Sr. Chae ligaram para a polícia no meio da madrugada, escutando gritos e, aparentemente, uma briga. Quando os policiais chegaram lá, Hyungwon saiu da casa numa maca, e o pai dele em um camburão.

Ele se sentiu horrível. Foi visitar Hyungwon no hospital, mas ele não queria vê-lo. Mandou dizer por uma enfermeira que fosse embora.

Assim ele soube que a amizade de anos havia ido por água abaixo. E a culpa era toda sua.

Quando ele menos esperou, Seola lhe enviou uma mensagem, dizendo que Hyungwon e ela iriam morar com os avós, numa cidade a quilômetros da sua. Por intermédio dela, tentou falar com ele, mas nunca conseguiu.

As pessoas que foram visitar Hyungwon naquela época narravam em detalhes seu estado, para o desespero de Hoseok. 

O rosto inchado, roxo e cheio de cortes, a perna e um braço quebrados, vários hematomas por todo o canto.

Se sentiu um merda, um miserável, e quando a vida lhe arrancou seu pai e sua mãe, se lembrou desse fato, e entendia porque a morte ceifou tão cedo duas pessoas tão boas — para castigá-lo.

Agora, estando ali, com ele fazendo graça de si, resignava-se mais uma vez. Sentia que ele iria começar a xingá-lo, dizer muitas verdades grosseiras, e, na verdade, queria que ele fizesse isso.

Mas Hyungwon não tinha essa intenção. Ele queria apenas conversar novamente com ele, colocar os pingos nos is, e tinha suas dúvidas se estava fazendo isso certo.

— Vamos andar um pouco?

Hyungwon propôs.

Hoseok assentiu.

Eles foram andando pelas calçadas da rua à noite, sentindo que iria logo começar a chover.

Hyungwon tinha ficado bem mais alto que ele. Na verdade eram apenas alguns centímetros.

Seola tinha contado que agora ele trabalhava como modelo. Hoseok vivia escrevendo artigos e fazendo artes gráficas para se sustentar, então, vivia perdido nas notícias do mundo. 

— Sabe Hoseok, eu tenho uma coisa a dizer.

Ah, Deus, lá vem…

— Sabe aquele costume de dedicar músicas para as pessoas que você tinha?

Hoseok concordou com a cabeça.

— Eu… meio que fiz isso também.

— Sério?

— Sim. Quer saber delas?

Hoseok olhou para ele.

— Se você não se incomodar, então…

Ele passou o cabelo para trás.

— A música da minha mãe é "Finding Out The Hard Way". Nunca a perdoei pelo que ela fez, nem o farei, mas já me recuperei, depois de muitas lágrimas e dor de cabeça. Não tenho uma música para o meu pai, ainda tenho que pesquisar muito para descobrir.

Hoseok riu.

— A música da minha irmã é "Wind Flower", do Mamamoo. Conhece?

— Alguma coisa.

— Parece o tipo de coisa que ela gosta de escutar. Além disso, de não levar a música para o sentido romântico, diz um pouco sobre como eu me senti com ela longe, sem saber como ela estava. Sabe, você também tem uma música.

Hoseok parou de andar.

— Por que?

Hyungwon virou-se, olhando para ele.

— Que foi?

— Por que eu tenho uma música?

Hyungwon pareceu pensar.

— Assim, eu, pelo menos, acho humanamente impossível escutar mais de trezentas músicas e não ter pelo menos uma que me lembre você, não acha?

Claro que ele concordava. Quantas músicas não tinha ouvido até ali que não lhe rememoravam ele?

— Hoseok, veja bem, acho que sou responsável por um grande mal entendido entre nós — ele se aproximava — Eu não te odeio. De verdade, nem um pouco.

Hoseok parecia surpreso.

— O que aconteceu naquela época não é culpa de ninguém, só aconteceu. Se eu disse várias vezes que não queria te ver ou coisa do tipo foi porque… eu tinha vergonha do que eu fiz. Eu tinha uma paixonite por você e me deixei levar, mas eu deveria saber que você não gost…

— Qual a minha música?

Hyungwon inclinou a cabeça para o lado.

— Tão de repente… Posso saber a razão?

Agora Hoseok dava passos a frente.

— Eu quero saber.

Hyungwon sorriu.

— "Perfect Man". Shinhwa.

— Parece um tanto sugestivo.

— O que você faria se fosse?

Até Hyungwon ficou chocado com a própria audácia.  Bem, a esperança é a última que morre!

— Ah, esquece, vamos voltar para a festa…

Hoseok o parou, segurando sua mão.

— Você não precisava ter pedido desculpas, nem nunca precisou. E sabe por que?

Hyungwon agora olhava para ele.

— Porque eu nunca me arrependi do beijo. Eu não sabia o quanto o queria até tê-lo comigo, para dois instantes depois perdê-lo. 

O coração de Hyungwon parecia querer saltar para fora.

— Você… Bem… Estaria disposto a me perdoar… E… Se der…

— Hoseok — ele interrompeu — Para de enrolar e me beija logo, vai. Antes que eu pense que isso tudo é só uma alucinação minha.

Ele não precisou dizer mais nada.

Os dois foram para um beco ali perto e se atracaram como se beijar fosse uma necessidade da vida. Hoseok matou a saudade daquele bocão sedoso, guiou as mãos até debaixo da camiseta dele, sentindo a pele quente reverberar ao seu toque. 

Hyungwon não perdeu tempo. Nesses onze anos, havia sentido saudade daquela noite onde os dois praticamente se devoraram no chão, a ali estava o seu reembolso. Separou-se do beijo e atacou o pescoço dele, saboreando da região quente com sua língua, sugando-o e deixando suas marcas ali. Suas. Divertiu-se com o pensamento.

Hoseok já sentia a necessidade de mais em si. Como fazer, no entanto.

Hyungwon sentiu em sua perna que ele estava fazendo efeito em Hoseok, e olhou ladino para ele.

— Bom — ele lhe deu um selinho — Como você pretende resolver isso?

Hoseok estava respirando com dificuldade. Será que ele realmente estava disposto à ir aos finalmentes?

— Do jeito que se costuma resolver isso… Se é que você vai querer…

Hyungwon riu. Meu Deus, que homem bobo.

Ele deu outro beijo rápido em Hoseok, mas dessa vez, lambeu seus lábios, sentindo com prazer ele tremer contra si.

— Isso te responde?

Será que ele ainda tinha alguma dúvida?

Na manhã seguinte, Hoseok acordou mais perdido do que tudo, com o sol batendo em seu rosto e de Hyungwon do lado.

A primeira coisa que ele pensou foi que ele tinha ido embora, mas eis que ele olha para o lado e o vê tomando café na mesa. 

Suspirou aliviado.

— Bom dia! — Hyungwon acenou contente.

Eles estavam no apartamento de Hyungwon, que não era qualquer coisinha barata não, pelo contrário. Era espaçoso, paredes azul, cômodos bem divididos, bem diferente da pocilga onde Hoseok morava.

— O que? Vai ficar aí me encarando igual à um poste ou vai vir comer.

Hoseok levantou-se, mas logo as dores na bunda o fizeram começar a mancar.

— Você tá bem? — Hyungwon ergueu-se — Quer aju…

Mas logo ele sentiu dores também. Ambos gargalharam, realmente tinham feito muita coisa na noite anterior.

Logo se sentaram para tomar café.

— Então… Qual seu veredito?

— Veredito de quê?

— Ah não, nem me venha, você sabe do que eu estou falando.

Sim, ele sabia. Mas era um tanto constrangedor lembrar das liberdades que tomou.

Principalmente quando ele percebeu que Hyungwon estava usando uma camisa sua. Sem calças.

Ah não…. Fala sério…

— O que foi? — o sorriso dele denunciava sua premeditação.

— Nada.

Quando eles terminaram de comer, e Hoseok escovou os dentes, foram andar pelas ruas. 

— Sabe… O que você pretende fazer, daqui para frente?

— Com relação à?

— Sobre nós. Quer dizer… Argh, não sei, talvez eu nem devesse perguntar.

— Você tá querendo perguntar sobre namoro, rolo, coisas assim?

— Isso! Ainda bem, você tirou as palavras da minha boca!

Hoseok riu.

— Tudo bem, tudo bem. Se você não tiver problemas com isso, vai ser um prazer requisitar ser seu namorado. Vai querer?

— Não precisa pedir duas vezes.

Eles se deram as mãos. Hoseok ainda não tinha certeza se merecia aquela oportunidade, e ambos não sabiam se aquilo ia dar certo.

Se dependesse da boa vontade deles, aquilo daria sim, muito certo.

E assim saíram eles, felizes, sorrindo com sinceridade, rumo ao futuro, brilhante como o sol que os abençoava naquela manhã.

 


Notas Finais


Desculpem por não saber fazer um lemon. Quando aprender, recompenso vocês! Me digam o que acharam, sim? É minha primeira história, estou um tanto nervosa, heheh. Beijos e obrigada por lerem <3


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