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História Samsara - Capítulo 3


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Capítulo 3 - Nem triste nem com raiva


Samsara era uma ilha muito aconchegante — do tipo verão, mas com clima confortável. Demorou uma semana para chegarem lá e durante toda a jornada, Zoro ficou se perguntando o motivo pelo qual a mulher tinha sido colocada para descansar em tal lugar. Talvez ela seja de lá? Mas a ilha ficava muito além do East Blue, onde ele a encontrou pela primeira vez. Bem, não importa, eu nunca vou saber de qualquer maneira.

O centro da cidade era pequeno, havia um festival acontecendo, fazendo-os esbarrar nas pessoas o tempo todo, famílias indo e vindo, sem realmente prestar atenção neles. Mas como a ilha estava cheia de soldados da Marinha, e eles com certeza reconheceriam seu cabelo verde e o enorme esqueleto ambulante, todos decidiram usar disfarces. Melhor prevenir do que remediar.

Afinal, não havia necessidade de chamar atenção para si mesmos — o objetivo daquela visita era apenas prestar homenagem à mulher marinheira. Nada mais. Até Luffy pediu a todos para que fizessem o possível para passarem despercebidos e que não fizessem nada de suspeito. O que, obviamente, fez com que todos apenas olhassem para ele, totalmente estupefatos, boquiabertos e com os olhos arregalados. Foi a primeira vez que presenciaram seu capitão, que era franco demais, recusando um pouco de diversão às custas da Marinha e por conta disso, a tripulação soube na hora que ele estava falando sério.

Decidiram se dividir em grupos e tentar chegar ao cemitério ao mesmo tempo. Era melhor do que apenas caminhar juntos e se tornarem um alvo fácil. Zoro foi colocado com Robin e Franky, o que não foi tão bom, considerando que o ciborgue ainda o estava irritando sobre a tal "conversa sobre sentimentos".

Mas para falar a verdade, ele não podia culpar o homem. Zoro tentou ao máximo esconder, mas sabia que não estava agindo normalmente desde que a fatídica notícia chegou até eles. Agora ele tinha quase certeza de que o que sentia era tristeza. Ou raiva. Ainda não estava cem por cento certo, mas se a maneira como ele cerrava os punhos diariamente fosse alguma indicação, ele escolheria a raiva.

— Está um dia tão bom hoje — disse Robin casualmente.

Franky concordou com a cabeça e respondeu: 

— Sim. É uma pena que estamos indo visitar o túmulo de uma bela jovem.

Zoro revirou os olhos porque já sabia para onde aquela conversa estava indo. Ele estava quase esperando as palavras de Franky de "Só entre você e eu aqui, chorar nem sempre é uma coisa suuuuper masculina, mas não vou contar a ninguém porque você precisa ser um com suas emoções, Zoro. Você precisa senti-las e se você precisa chorar, então chore, mano. Eu posso chorar com você se quiser porque sou um homem suuuuper emocional mas viril!". Ele se encolheu com o pensamento, até conseguia ouvir as fungadas e tinha quase certeza de que o homem diria tudo isso enquanto chorava. No entanto, ficou surpreso que quem começou a conversa que ele temia não fora Franky.

— É normal ficar triste e zangado, Zoro. Acho que todos estamos nos sentindo da mesma maneira — Uma mão apertou seu ombro direito com força e ele ficou impressionado ao descobrir que era uma mão natural e não uma criada pela bizarra fruta do diabo.

Franky apareceu ao seu lado esquerdo e Zoro se perguntou por um momento fugaz se as pessoas que passavam por eles pensariam que os dois gigantes eram seus guarda-costas, a julgar pelos ternos que vestiam e como quase o esmagavam entre eles. 

O ciborgue também apertou seu ombro e Zoro fez uma careta.

— Eu não sou a merda do filho de vocês, seu casal velho e assustador.

— Tenha modos, meu bem — A mão em seu ombro direito apertou com mais força e o sorriso de Robin não era mais suave. Zoro estremeceu ao ouvir o tom agradável demais na voz dela. Não 'tô errado. Assustador pra caralho.

— Hah! Velho e assustador. Eu sou velho, mas sexy — ele abaixou os óculos escuros e piscou para ele. — e Robin é assustadora mesmo. Acertou em cheio, Zoro! — Franky riu até que Zoro ouviu um "Ai!" agudo e viu outra mão apertando a bochecha do ciborgue.

O que eu fiz para merecer isso?

Mas eles não tentaram dizer nada além disso e Zoro realmente agradeceu pelo gesto. Ele sabia que a declaração de Robin de se sentir triste e com raiva era verdade, fazia sentido. Também sabia que teria que parar de viver dentro de sua cabeça e falar. Apenas falar. Ele era bom em manter as coisas para si mesmo, mas esteve guardando tudo dentro de si durante uma semana, de alguma forma tudo isso teria que se esvaziar.

Eles chegaram ao cemitério ao mesmo tempo que o grupo de Sanji. Luffy já estava lá e Zoro suspirou, aliviado, porque obviamente nada de errado havia acontecido.

O lugar estava silencioso, ninguém estava por perto, o som do festival não chegava lá. Luffy colocou as mãos nos bolsos e perguntou, um pouco inseguro: 

— Tipo… nós não estamos tristes, né? Nem conhecíamos tanto assim a mulher da Marinha.

— Sim, acho que você está certo — Usopp acenou com a cabeça, concordando com o capitão.

— Sim, sim, não tem motivo pra derramar lágrimas — Nami mordeu o lábio.

Chopper murmurou, seus cascos fofos roçando um no outro:

— Da última vez ela me ajudou a cuidar dos feridos. Ela realmente cuidou de mim. E de si mesma. Disse que quando se cresce sozinho, é necessário saber.

Isso era verdade. Basicamente, depois de Punk Hazard, todos os seus encontros foram repletos de batalhas, houve reuniões muito apressadas, exceto aquela em que ele passou a noite perseguindo um traficante de armas enquanto estava disfarçado junto dela. E mesmo naquela noite, depois de terem derrotado um bando de mafiosos, ela também cuidou dele. Seus pequenos cortes e lábio inchado, mas não lhe deu a chance de enfaixá-la ou cuidar do corte aberto em sua bochecha. Zoro cruzou os braços e cerrou os punhos discretamente.

Robin acenou com a cabeça e acrescentou: 

— Ela era uma mulher gentil e muito justa. Até deixou vocês fugirem em Alabasta.

Todos eles viraram suas cabeças bruscamente em sua direção.

— O quê? Vocês não sabiam? — Robin ergueu um olho em suspeita.

Todos balançaram a cabeça negativamente.

— Vocês todos estavam inconscientes e ela ordenou a seus homens que não encostassem um dedo em vocês. Achei que sabiam disso — disse ela, impressionada. Sorrindo suavemente, continuou. — Ela poderia ter prendido todos vocês, mas optou por deixá-los livres.

Zoro franziu a testa, inconscientemente cerrando os punhos com mais força e desviando o olhar. Cerrou os punhos com mais força porque a nova informação deixou um gosto amargo em sua boca. Talvez não fosse raiva afinal.

— Uau. Ela era uma pessoa legal, hein? — Luffy perguntou, meio abatido, com as mãos ainda nos bolsos e Zoro sabia que os punhos estavam cerrados porque seu capitão era alguém que agradecia por tudo e por todos em sua vida, mas agora ele nunca seria capaz de dizer obrigado para a mulher chata. Agradecer a ela por deixá-los ir, livre para continuar sua jornada. Maldita nerd, por que não nos contou nada?

Usopp suspirou pesadamente e deu a todos um sorriso melancólico. 

— Agora estou triste. Nunca vamos conhecê-la de verdade.

— Ah cara, isso é péssimo — As palavras finais de Luffy expressaram o que Zoro sentia. Luffy cruzou o portão do cemitério e todos o seguiram.

É uma merda, essa é a verdade.



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