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História Sand tears - Gaaten - Capítulo 5


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Notas do Autor


Você sabe?
Eu não sei.
Relações verdadeiras não são previsíveis,
tão pouco seguem um padrão.
São uma caixinha de surpresas

Boa leitura :)

Capítulo 5 - Ninguém sabe


Vergonha é pouco para descrever o que se passa em minha mente, eu poderia me dissipar em forma de areia e mesmo assim não me importaria, na verdade agradeceria aos céus por isso. Abri e fechei meus lábios diversas vezes buscando algo para dizer, mas apenas murmúrios gaguejantes saem dos mesmos.

- Hora não há motivo para isso - Gaara finalmente se pronunciou, ainda levemente corado mas aparentando não se importar muito - È apenas uma cadeira, nada mais que isso, já passa da hora de deixarem de costumes sem sentido - disparou dando de ombros e bebendo algo de sua taça.

De certa forma o descomprometimento do ruivo com o assunto acalmou-me, apesar de ainda sentir minha pele queimar. De canto de olho pude perceber os homens assumirem uma postura levemente decepcionada, e talvez um pouco desconfiada. Mesmo que a tensão ainda permaneça no ar, os conselheiros optaram por ignorá-la, voltando a conversar entre si.

- Sinto muito por isso - a voz de Gaara soou baixinha ao meu lado - Deveria ter lhe dito algo a respeito disso, é culpa minha esse constrangimento.

Virei-me para encarar suas orbes esmeraldinas, seus olhos me receberam com certa preocupação e vergonha. Agradeço aos céus por ter construído uma certa aproximação com Gaara, sequer imagino como seria estar aqui sem um rosto amigo por perto, em uma situação em que todos os olhos se voltam a mim...

Me vi levemente mais tranquila e me forcei a esquecer o ocorrido e tentar agir o mais naturalmente possível, apesar de ter certeza que me lembrarei disso para sempre e morrerei de vergonha toda vez que isso ocorrer em minha mente.

- Está tudo bem - forcei um sorriso fraco - Foi falta de atenção minha também…

- Tsc, não seja boba - disse mais uma vez tomando um gole de vinho - Ouso dizer que os conselheiros e o restante dos convidados ficaram até mesmo decepcionados, ao ver que se tratou de um equívoco - O ruivo disse se divertindo com sua própria fala.

- Por que? - intrigada franzi o cenho, a curiosidade não deu sequer espaço para vergonha.

- Mais tarde lhe explico - meneou, mais uma vez soltando um sorriso ladino ao notar minha curiosidade.

Meu cenho se fechou em uma expressão emburrada, mas fui obrigada a me contentar com a falta de respostas. Logo mais o jantar foi servido, algum tipo de carne defumada com um molho agridoce. Só quando dou a primeira garfada noto a fome que me encontro, a jornada até aqui havia cobrado seu preço, me esforcei para comer calmamente saboreando o sabor excepcional do prato.

Já cometi gafes o suficiente para uma só noite, não preciso aparentar ser uma esfomeada também.

Diversos assuntos foram e voltaram na mesa, negócios, construções, política. O kazekage respondia a todos de maneira sucinta, acrescentando poucas palavras às discussões e na maioria das vezes optando pelo silêncio. Os convidados diversas vezes se dirigiam a mim, perguntas cordiais a respeito da vida em Konoha e sobre meu trabalho, pura cordialidade sem fundamento.

- Tínhamos certeza que o Kazekage nos traria alguém com boas habilidades - um moreno de porte musculoso soou no meio do jantar - Só não imaginava que seria alguém de alto nível como você.

- Ah… - murmurei levemente nervosa, não estou habituada a ser atribuída a tais comentários - Creio que está superestimando meus conhecimentos, mas garanto que farei o meu melhor.

- Bobagem! - uma mulher requintada, de roupas caras e nariz pontudo disparou - Todos aqui ouvimos maravilhas a seu respeito, principalmente seus feitos durante a guerra.

A última palavra se chocou aos meus ouvidos com uma pontada de dor, a comida em meus lábios se tornou amarga por um instante e desceu arranhando minha garganta, como se fossem… Espinhos.

- Bom… - forcei minha voz para soar o mais natural possível - Fiz o que foi preciso, todos lutaram muito para manter a paz, não creio que eu tenha um grande mérito nisso.

- Tempos terríveis exigem jovens talentosos, guerras sugam da nova geração uma coragem que os mesmos sequer reconheciam… - a mulher continuou em um tom reflexivo - Jovens como você que mudaram o destino da humanidade, mesmo que o custo tenha sido a vida de tantos outros, garotos brilhantes….

Não fui capaz de responder sua fala. Não fui, o máximo de esforço que pude fazer fora abrir um fraco sorriso, e um aceno em agradecimento. Gostaria de fingir melhor que sua fala não havia me afetado, porém acho que já é tarde demais, sinto o olhar preocupado de Gaara sob mim, mesmo que meus olhos ainda estejam fixos no prato a minha frente.

- Mas será ótimo confiar a segurança de Suna há mãos tão experientes - um homem completou - Creio que o Kazekage ainda não contou-lhe todos os detalhes de seu trabalho aqui, mas é algo importante senhorita Mitsashi.

- Bom para ser sincera… - Levantei meus olhos para encarar meu interlocutor - Fui pouco informada do que realmente farei aqui… - pronunciei levemente curiosa.

- Temos alguns pedidos a fazer,alguns favores que você irá ponderar se pode realizar ou não - Gaara soou finalmente chamando minha atenção para o mesmo - Que revitalize o arsenal de Suna, terá recursos o suficiente para tal… Se fosse possível, gostaríamos de armas novas para a vila, projetadas por você - o ruivo soou calmamente, com a postura que têm quando trata de assunto importantes.

Me vi levemente em choque com sua fala, é verdade que já projetei diversas armas para Konoha, apesar da quantidade as mesmas ainda se mostram uma exceção. Como projetista ainda me considero uma iniciante, e acabei de ser jogada em uma grande e importante empreitada, envolvendo diplomacia e a segurança de uma vila estrangeira.

Por Kami!

- Bom… Com certeza posso ter algo em mente - minha voz soou em um murmúrio enquanto encarava o ruivo, o mesmo acenou com a cabeça, em um leve gesto de incentivo - Sunagakure é um local propício para se trabalhar com armamento, já li o bastante sobre o aço de vocês, o clima abre um leque de oportunidades, irei pensar em algo…

Uma corrente de murmúrios seguiu-se por entre a mesa, seguidos de sorrisos e agradecimentos a minha pessoa. Tìmida agradeci em um aceno, de canto de olho recebi um sorriso mínimo de Gaara, e em seus olhos notei um leve ar de orgulho.

Prossegui em silêncio o restante da refeição, o que não fora de todo ruim, a maioria dos assuntos burocráticos que percorreram a mesa pouco me interessam. Temari por sua vez parece tão silenciosa quanto, volta e meia comentando alguns tópicos, mas nunca comprometida com o diálogo, na verdade a mente da loira parece estar há quilômetros de distância daqui.

- Acho que já vou subindo - Temari disse se esquivando da despedida entre os convidados - Se precisar de algo bata em minha porta, cunhadinha - provocou em um sussurro antes de subir a escada rindo de si mesma.

Me virei rapidamente para xingá-la, mas a mesma já se encontrava distante demais para que eu o fizesse. Essa oxigenada me paga!

Gaara e eu seguimos ali em mais alguns protocolos, nos despedindo com palavras cordiais dos homens, que a essa altura já percorrem a saída conversando sobre futilidades, já levemente alterados pela quantidade de vinho servida no jantar.

- Lembre-me de nunca mais aceitar seus convites para um jantar - brinquei me virando para o ruivo, exibindo uma feição emburrada.

- Não foi tão ruim assim - meneou enfiando as mãos nos bolsos, subindo as escadas e dando de ombros - Já participei de alguns piores, vai se acostumar.

- Me acostumar? Prefiro a morte - esbravejei o seguindo escada a cima - Tsc, não nasci para isso não, ser dirigida com essas cordialidades…

- Deixe de resmungar! - Sabaku se virou para mim, exibindo um sorriso fraco se divertindo com meu desconcertamento - Venha quero lhe mostrar algo, disse indicando para o restante da escada com o olhar.

Bufei baixinho mas no fim acabei cedendo, segui alguns degraus acima, para minha surpresa o garoto não seguiu para o terceiro andar como de costume, e sim adentrou uma das portas. O mesmo me encarou, aguardando que eu também entrasse, arqueei as sobrancelhas exigindo respostas, mas o mesmo novamente se resumiu a indicar para que eu entrasse.

Assim que o fiz, dei de cara com uma escada, não a mesma que nos leva para o terceiro andar, uma secreta escondida dentro deste escritório.

- Mas o que é iss… - comecei a indagar.

- Tsc venha logo! - mas logo o ruivo interrompeu subindo os degraus.

Subi sem mais questionamentos, alguns lances de escada depois estamos em um pequeno corredor, possuindo uma pequena porta, desta vez de ferro. Nas paredes alguns ganchos de metal, sustentando alguns casacos e capas de chuva. Observei o ruivo caminhar até os mesmos calmamente, retirou dos mesmos um moletom vermelho escarlate lançando o mesmo até mim.

- Vista isso ou vai acabar doente - disse enquanto deslizava pelo tronco um casaco marrom-escuro.

- Estou começando a achar que você é Gaara da Medicina - resmunguei enquanto vestia a peça - Nem mesmo Sakura se preocupa tanto com minha saúde.

- Disse à Kakashi que cuidaria de você, não é? - soou descompromissado.

A fala deixou-me boquiaberta, porém rapidamente disfarcei. Não posso fingir que não me senti levemente especial ao ouvir que Gaara está destinado a cuidar de mim… Tsc está louca tentando… Completamente louca.

Tenten Mitsashi não precisa de cuidados.

- Venha logo sua teimosa - insistiu novamente, dessa vez abrindo a porta de metal.

Para minha surpresa a pequena portinhola, dá acesso há um enorme terraço. Me vi completamente encantada, a vista de Suna com certeza deve ser uma das coisas mais belas que já vi. O emaranhado de luzes e ruas tem um belo contraste, juntamente com o vazio do deserto que nos cerca, é impossível não se sentir pequeno ao colocar os olhos nisso.

- Uau - foi tudo que consegui dizer ainda vidrada naquela visão.

- É… Uau - concordou parando ao meu lado.

Virei-me levemente para o ruivo, que ainda mantinha o olhar fixo na paisagem à nossa frente. Não sou lá muito poética, mas gosto de ver a beleza real contida na vida, e com certeza o olhar de Gaara é uma dessas. A forma como os focos de luz refletem em suas íris esverdeadas, fazem parecer que as mesmas são como grandes e afetuosas esmeraldas, poderia me perder facilmente as encarando.

- Talvez seja a minha visão favorita… - o ruivo murmurou e seu olhar recaiu sobre mim.

Fiquei levemente sem jeito por ser flagrada o encarando, mas logo a atmosfera mágica me absorveu novamente, afastando qualquer sentimento negativo.

- É tão… Encantador - confessei em um suspiro - Nem direi muito, se não vou começar a filosofar. - brinquei meneando, apoiei meus braços na grade protetora que havia ali no terraço.

- Ah vamos - insistiu, parecendo ansioso com minha fala passada - Gosto de te ouvir falar.

Mais uma vez Gaara surpreendeu-me essa noite. Apesar de inédito, seu tom calmo transformou sua confissão em algo rotineiro, como se eu escutasse algo assim todos os dias. E mais uma vez um sorriso envergonhado escapou por meus lábios.

- Não sei muito bem como explicar - suspirei voltando meu olhar para o horizonte - Normalmente não sinto uma calmaria como aqui, talvez Kakashi estivesse certo afinal… Suna está me fazendo um bem que Konoha nunca foi capaz de fazer - desabafei em um tom baixo, deixando que apenas as palavras fluírem.

- Sempre fala de Konoha de uma maneira tão distante… - o ruivo indagou me fazendo que eu voltasse a olhá-lo - Mesmo sendo uma ninja tão fiel…

Não pude conter uma risada baixa, uma risada que carregava um pouquinho de dor em si. Mas no fundo estou me divertindo com as ironias da vida, e como Gaara do Deserto já me conhece bem o suficiente para ler as entrelinhas de minhas falas.

Este ruivo está entrando em minha mente… Para ler meus pensamentos, claro. Apenas para isso.

- Se eu tivesse um diário iria suspeitar que você o roubou para ler - brinquei - Mas sim, amo Konoha, faria de tudo por aquela vila, pelas pessoas que vivem lá… Meus amigos, a família que me resta - as palavras dançam em minha boca a mesma medida que os pensamentos martelam em minha mente - Entretanto, não sei se é lá o meu lugar. No fundo acho que a Vila da Folha é uma página virada, que cumpri o meu papel.

- Me senti assim por um bom tempo, sabia? - um suspiro longo escapou por seus lábios rosados - Via este lugar como uma prisão, toda a raiva que eu sentia parecia destinada às pessoas que aqui vivem. Cheguei a machucá-las por conta disso - a voz de Gaara vacilou um pouco.

Mesmo que seu olhar esteja fixo para a frente eu o encaro, como se pudesse enxergar alguns traços de sua alma. E como gostaria que isso fosse verdade… Gostaria de entender cada centímetro de quem és Gaara do Deserto, para talvez confortá-lo dos traumas que sei que carrega consigo. Mas no fundo me sinto tranquila, e até mesmo honrada, por ser digna de ouvir tais coisas.

- Mas veja-me hoje… Cometeria loucuras para salvar este lugar, e cada uma destas luzes - um sorriso singelo se desenhou em sua expressão - Talvez seja isso que as pessoas chamam de redenção.

- Ainda estou tentando encontrar a minha…

- Não vejo motivos - pareceu intrigado - Não tem pecados para se redimir Tenten, parece que nunca cometeu sequer um erro na vida.

Novamente uma risada baixinha e tristonha soou por mim, e meu olhar vagou sem rumo pela cena.

- Então, realmente não tem lido meu diário, posso ficar mais tranquila agora - meu tom calmo e tristonho surpreendeu até mesmo a mim - Existem muitas coisas da qual me arrependo, e que me assombram até hoje. Mas temo que para elas não exista como se redimir.

- Talvez a redenção seja deixar ir… Esquecer - seus olhos encontraram-se com os meus e senti um arrepio correr pela minha espinha - Como foi que você disse mesmo? Virar a página não é?

Um clima estranho se estabeleceu, não sei sequer descrevê-lo. Uma tensão misturada um carinho, pesares e talvez uma… Conexão? Não! Estou enlouquecendo, só pode ser. A conversa escalou rápido, um pequeno passeio ao telhado havia se transformado em uma conversa profunda sobre medos e traumas.

Nunca havia dito nada disso a ninguém, mas encarando os olhos de Gaara senti uma urgência por falar, uma necessidade de expor minhas dores e implorar para que ele a abraçasse.

Pois sei, que mais do que ninguém, o Demônio do deserto as entenderia, como jamais alguém foi capaz.

Uma atração crepitou em meu peito, como um click. Talvez ela sempre esteve ali, mas a escondi por uma série de motivos. Mas senti uma necessidade de estar perto… Perto de Gaara.

As palavras arranham-se pela minha garganta sedentas por serem ditas, mas não sei se possuo coragem o suficiente para tal.

- Conseguiu Gaara? - indaguei fitando seus olhos com intensidade - Conseguiu virar todas as páginas?

Minha resposta não veio rapidamente, o ruivo me encarou. Seus olhos crepitam sobre a luz, há audácia ali, carinho também é algo que não pude distinguir. Seu corpo se moveu para frente, alguns poucos passos, se aproximando de mim. Minha respiração trancou-se em expectativa. Cèus…

- Estou tentando - respondeu por fim me lendo com seu olhar - Tentando de verdade.

- Então acho que também posso tentar - sorri fraco.

Ficamos ali alguns segundos nos encarando, a brisa fria batendo contra nossos rostos fazendo com que meus fios castanhos voem, e seu cabelo avermelhado levemente longo se bagunce.

Queria realmente compreender o que está acontecendo aqui, ao mesmo passo que tenho medo de realmente colocar em palavras o que estes olharem querem dizer. Estou há um passo de entrar em um colapso com tantos sentimentos borbulhando dentro de mim.

- Lhe trouxe aqui para lhe mostrar algo, mas você realmente sempre me influencia a começar a filosofar - brincou quebrando a tensão.

- Eu vi a paisagem, nem venha! Não disse nada demais - desferi um soquinho em seu ombro.

- Tsc sua teimosa! A paisagem é bonita mas ela não é meu objetivo aqui - contestou - Quero te mostrar mais uma coisa.

Curiosa arqueei a sobrancelha aguardando que o mesmo prosseguisse com aquilo, o mesmo indicou para minha mão com o olhar e ainda mais curiosa fiquei. Ele parecia pedir permissão para algo, então eu o consenti, mesmo sem saber do que se trata, pois confio nele.

Sua mão agarrou a minha e senti borboletas em meu estômago, não apenas uma ou duas, parece-me que engoli centenas destes insetos e agora suas asas aladas se chocam em meu interior. Seus dedos gélidos conduziram minha mão para cima, em direção ao céu.

Segui nossas mãos unidas com o olhar para me deparar com o céu mais belo que já presenciei. Perdi o fôlego por um instante, não sei se pela visão, pela proximidade, ou o toque compartilhado. Não sei! Apenas não sei.

A visão é… Inimaginável. Soube em nossa viagem que o céu no deserto é belíssimo, porém aqui, em uma construção alta, tenho a impressão de que posso tocar estas estrelas com a ponta de meus dedos. Ao mesmo passo que em minha pele, sinto mesmo que estou tocando em uma.

Droga Tenten, o que? O que os raios está pensando? Você não é assim!

Seu cheiro adentrou minhas narinas e sinto-me entorpecida. Sua proximidade ao mesmo tempo que me colapsa, me acalma, e isso praticamente me fragmenta. A forma com que Gaara olha, a forma como tocou-me, pareceu tão envolvente e desejante. Mas ao mesmo tempo, tão inocente, tão carinhoso.

- Acho que nunca conversamos sobre estrelas tão lindas quanto essas - confessei em um sorriso bobo.

- Mesmo em um dia nublado é bom ter você como companhia - disse me pegando de surpresa.

Mais uma vez virei-me para o mesmo, mas desta vez a uma distância perigosa. Kami! Isso não deveria estar acontecendo. Gaara? Não! Não com Gaara! Eu apenas não… Não entendo. Não entendo porque quero isso. Eu não deveria querer.

Gaara é apenas um amigo, um amigo por mim muito querido. Não… Isso não é possível, não penso nele de maneira diferente. Quem sabe eu pensei mas… Não! Isso está rápido demais. Muito rápido.

Mais uma vez as palavras imploraram por escapar por entre meus lábios, mas meu coração frenético não deixou que minha racionalidade agisse. Portanto, as mesmas alçaram voo por minha língua.

- Gaara… O que é isso? - indaguei olhando nos olhos.

E ele sabe, eu vi em seu olhar que ele sabe, sabe que estou falando sobre isso… Falando sobre nós.

Porém o mesmo nada disse. Droga Gaara! Agora não é o momento para voltar a ser o homem silencioso, me diga algo, me diga que não estou delirando, me diga que isso não é efeito do vinho.

Porém o mesmo nada disse. Fiquei tão vidrada sem seus olhos, que só senti seu toque em minha bochecha quando sua pele ali tocou. Estou perdida, kami, completamente perdida.

- Eu não sei - respondeu finalmente.

Não sei quanto tempo se passou. O mundo parece ter parado, estagnado, até as estrelas acima de nós pareciam meras figurantes nos iluminando ansiosas pelo o que aconteceria a seguir. Meu emaranhado de pensamentos e indagações apenas crescia, à medida que flashes de memórias correm em minha mente.

Porém tudo ficou branco, límpido, nada mais se passou por entre minha cabeça, assim que Gaara se aproximou um pouco mais e senti sua respiração quente como o deserto chocar-se em meu rosto.

 


Notas Finais


"O amor é fácil de rastrear, ele é construído e alimentado e sempre nos damos conta quando o mesmo começa a dar alguns sinais. Já a atração? Essa é perigosa, surge até mesmo entre desconhecidos, não depende de convivência, está nos olhares na conexão natural, em meia hora de conversa sem pretensão. Cresce sorrateira por entre as relações mais simplórias, sendo negadas por ambas as partes. Mas em algum momento ela implode, pegando de surpresa e nos deixando à deriva. É impossível entender a atração, ou prevê-la, é uma espécie sorrateira. Simplesmente não sabemos."

Capítulo novo - Amanhã 18:00


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