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História Sand tears - Gaaten - Capítulo 6


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Notas do Autor


Chegueeei. Atrasadinha um pouco por culpa da net mas estou aqui.

Prontos para uma viagem pela mente da Tenten? Para conhecer um pouquinho mais ela?

Prontos para começarmos a deixar essa historias mais interessante? Sand Tears vai abordar alguns assuntos mais "pesados" e fora da zona de conforto para um romance, portanto isso é uma amostra gratis do que veremos por aqui.

Boa leitura meus xuxus, nos vemos nas notas finais.

Capítulo 6 - Receios


Ao mesmo tempo que penso em tudo, o vazio parece preencher minha mente. Percorri anos de memórias mesmo que apenas alguns milésimos de segundo tenham se passado.

Os lábios de Gaara instigaram-me, tão perto que posso sentir seu calor irradiar-se por minha pele, e suas lufadas leve de ar se chocam com minha pele, trazendo um súbito arrepio com ar de conforto. Não entendo, não consigo raciocinar sobre os conflitos que Gaara do Deserto causa em mim.

Seu olhar encarou-me, existe ali nervosismo, ansiedade, mas também uma confiança e certeza que me causa inveja. Queria tocá-lo, sentir a maciez de seus lábios que como um imã, parecem me atrair.

Estava tão perto… Tão perto. Porém, mais uma vez meu próprio corpo traiu-me, entre o furacão de sentimentos senti meu corpo estagnar, paralisada cenas se repetiram várias e várias vezes por detrás de meus olhos e quando dei por mim meu corpo já se movia sozinho.

Um passo para trás, lentamente. Em um estalo repentino a bolha entorpecente que estava se rompeu, e um sentimento de desespero tomou conta de meu corpo, um último olhar intenso foi trocado e notei a confusão em suas orbes tão brilhantes.

Desculpe-me

Meus pés fizeram todo trabalho por mim, desci as escadas, os sapatos soaram em um tom opaco conforme corria pelos degraus. Não sabia o que fazer. Meu maior desejo é que os pensamentos parem, que minha mente tenha um descanso, não sei lidar com isso, realmente não sei. Talvez fugir fosse a melhor opção.

Porém assim que a porta do meu quarto se fechou atrás de mim… Me arrependi amargamente. Ofegante deslizei as mãos por meus cabelos, sentindo minha mente ferver. O quarto pareceu dar voltas ao meu redor, efeito do pouco álcool que bebi? Improvável. Sintomas de minha perturbação? com certeza.

Idiota! Tenten idiota!

Já derrotada me joguei sob a cama encarando o teto.

Covarde!

A situação piorou quando o cheiro amadeirado adentrou minhas narinas. Intrigada levantei a cabeça para percorrer o quarto com meu olhar, poderia jurar que Gaara está no ambiente, com seu cheiro tão presente assim. Mas só agora me dei conta, o moletom vermelho escarlate sob meu corpo exala seu aroma, as notas de menta e madeira.

Eu o desejo. Pensando nisso aqui, no silêncio esmagador do meu quarto, esse fato me parece tão claro quanto água. Gaara possui uma beleza inegável, e talvez tenha me tratado com um carinho que não estou habituada. Pelo menos não esteja mais habituada.

Talvez preferi ignorar esse sentimento de atração que cresceu durante a viagem, simplesmente por achar que um homem tão reservado e silencioso jamais cogitaria tal possibilidade. Afundei esse sentimento e não pensei no mesmo, pois além de tudo Gaara é uma companhia da qual gosto de verdade. E não gostaria de estragar tudo.

Foi por isso que fugi? Por medo de arruinar nossa amizade com uma atração como esta?

Tsc não se engane Tenten.

A atração não me amedronta, não mesmo. Por muito tempo minhas amigas pensaram que sim, talvez até hoje ainda pensem. Mas não é verdade. Talvez eu tema o carinho.

O carinho que nunca permiti que adentrasse a minha vida depois de Neji.

Suspiro resistindo a tentação de afastar esses pensamentos, simplesmente me virar e dormir, não tocar nesta ferida. Mas preciso pensar, preciso urgentemente me entender antes que tudo vire uma verdadeira bagunça.

Depois que Neji se foi, as pessoas temeram que eu jamais me envolvesse com alguém, depois de um ano e alguns meses, as meninas sempre comentavam esporadicamente nomes de alguns rapazes, despretensiosas tentavam movimentar minha vida nesse sentido.

Sempre tiveram medo que o luto tomasse conta da minha vida, e que eu nunca me permitisse de novo. Elas estavam certas, porém em parte.

Depois de muito tempo, e bastante insistência, comecei a frequentar algumas festas na companhia das mesmas. E tomei gosto por este mundo, a bebida que acalma a mente, a música tão alta que impede que meus pensamentos me assombrassem, tudo parecia entorpecido. Não estava me divertindo, estava escapando, fugindo da escuridão silenciosa de meu apartamento e dos demônios que encontraria durante o sono.

De início não estava interessada em nada mais, queria encher a cara e rir alto com minhas amigas. Mas obviamente as mesmas não conseguiriam acompanhar meu ritmo insano, e aos poucos a companhia diminuiu, não as julgo, não mesmo longe disso. Todas começaram a ter mais obrigações, a promoção de Sakura no hospital, os relacionamentos esporádicos de Ino juntamente com sua demanda de trabalho na Inteligência, a dedicação de Hinata com seu clã e ao Naruto.

Todas possuíam, ou possuem ainda, alguém para retornar em casa, ou um motivo para se deitar cedo. Nem mesmo meu cargo na Anbu fora o bastante para tal, por não suportar minha própria companhia continuei a frequentar barzinhos e boates, onde conversas com desconhecidos me entretiam.

Em meio ao álcool e luzes ofuscantes, beijei algumas bocas, aspirando o hálito de gin e cigarro. Isso jamais abalou-me, sempre foram mais uma de minhas distrações e válvulas de escape para minha realidade destrutiva. A atração não me assusta, me aventurei pela mesma diversas vezes.

Já o carinho…

Volta e meia compartilhava minhas aventuras com as meninas. As mesmas se empolgavam, armando novos encontros e com altas expectativas, imaginando que um novo romance estava há bater em minha porta. Mal sabiam elas que eu mal lembrava-me de seus nomes, e tão pouco queria vê-los no dia seguinte

Nunca fui capaz de encarar aqueles rostos com algo a mais, sempre foi por diversão, desespero por me sentir um pouquinho mais completa. Nunca significou nada mais além que uma noite. Quando deixavam seus números sob minha bancada, assim que saíam de meu apartamento pela manhã, nunca ligava, nunca.

O carinho me assusta, me esquivo dele como se fosse uma kunai.

Essa rotina de aventuras noturnas seguiu por alguns meses. Até que em uma das noitadas um rosto conhecido surgiu, se aproximando com um sorriso ladino e eu soube naquele momento, que tudo aquilo não acabaria bem.

Depositou seu copo de whisky sob minha mesa, sem pedir licença, exalando um ar de superioridade e pose de galã. Ele sabe que as mulheres o desejam e sabe o poder que tem em um lugar como esse. Mas desta vez seu olhar recaiu sobre mim, encarando-me como sua próxima presa.

- Sozinha a esta hora Ten? - soou descompromissado se sentando ao meu lado .

Sua voz apesar de simplória carregava uma malícia explicita, que não minto, me agradou. Audacioso.

- Procurando uma boa companhia - disse no mesmo tom rodando o copo de vodka em meus dedos - E você? Ainda não arranjou ninguém para atazanar.

Seu olhar percorreu por mim, eu sabia que ele estava me olhando, encarando minhas pernas naquela calça apertada, sabia que estava observando minhas bochechas e lábios avermelhados por conta de toda a bebida. Eu sabia, mas deixei que o mesmo olhasse, pois queria que se atraísse por mim.

- Estou procurando alguém agora mesmo - respondeu por fim se aproximando um pouco mais.”

Ele foi minha aventura mais longa. Nos encontramos e tivemos “algo”, por meses. Fingíamos para as pessoas que haviam sentimentos envolvidos, mas ambos sabíamos que era mentira. Fomos duas almas descompensadas, que se encontraram em uma atração puramente carnal, mas que gostamos de atuar, sedentos por uma normalidade que nunca nos pertenceu, fingíamos ter um relacionamento normal como o de todos os outros.

Eu queixava-me para minhas amigas sobre suas atitudes, revoltada por sua demora em assumir um relacionamento sério. Assim finalmente parei de receber aquele olhar de pena que realmente odeio, e as mesmas pareciam animadas com isso. Pelas aparências eu estava finalmente retomando os eixos.

Mal sabiam que era eu quem o mandava embora quando a noite acabava, e nunca o deixava dormir em minha cama. “Para que isso não fique pessoal”. Ele sempre me entendeu, e eu o compreendia também, sempre foi um fanfarrão e não se incomodava com minha frieza.

Em certo momento também me cansei deste teatro, e pedi para que ele não voltasse mais.

Porque sou incapaz de deixar que as pessoas se aproximem, que cheguem ao meu coração.

Eu poderia ter deixado Gaara beijar-me, não haveria nenhum problema com o ato em si, eu o desejo. Mas o problema está no carinho, o ruivo não é apenas um dos caras que encontrei no meio de uma festa, ele é diferente. Gaara me deu todo carinho e delicadeza que poderia haver.

E o carinho me apavora.

Não posso, não quero que Gaara seja mais uma peça no meu teatro, na minha mania de “brincar de ser feliz”, não posso. Não quero destruir tudo que construímos até aqui. E sim fugi como uma covarde, pois estou com medo. Apavorada pois pela primeira vez almejei que houvesse algo de verdade, pois pela primeira vez senti algo além de atração.

Sentimentos…

[...]

Senti minha cabeça latejar antes mesmo de abrir os olhos. A noite passada havia sido tão conturbada que causou consequências físicas, e até agora não sei se pensei em tudo que precisava. Estou perdida.

Mas me obriguei a me levantar, preciso cumprir meu trabalho aqui em Suna e minha vida pessoal bagunçada não tem nada haver com isso. Me forcei a ir até o banheiro e tomar um banho, vesti minha roupa usual e sai do quarto em um conflito interno.

Não sei se estou preparada para encarar Gaara. Droga como me odeio por ter corrido ontem, eu não deveria ter feito aquilo. Acima de tudo temo que as coisas fiquem estranhas entre nós, como irei olhar para ele depois disso? Por kami eu sou mesmo uma imbecíl.

Desci as escadas lentamente, na expectativa se me depararia ou não com o Kazekage no andar de baixo. Mas para minha sorte, ou azar, não me deparei com o mesmo. No recinto apenas Temari se encontra sentada à mesa, rodeada de um farto café de manhã, bebericando um copo de suco enquanto lê um livro.

- Ah, bom dia Tenten! - pronunciou levantando os olhos para ver-me.

- Bom dia - respondi animosamente me aproximando da mesa.

Torci o nariz ao ver tanta comida, todas parecem tão apetitosas. Mas com certeza não estou com fome hoje, não mesmo.

- Aconteceu algo? - indagou a loira me fitando com seus olhos acusativos - Parece péssima.

- Dormi mal - rebati tentando fingir uma naturalidade - Mas estou bem. Gaara está? Preciso ir com ele para o arsenal.

- Saiu que nem um foguete ao nascer do sol - rebateu dando de ombros - Mas venha, coma, ele não vai se importar em te esperar alguns minutos.

Fiquei levemente incomodada com o fato apresentado. Gaara saiu cedíssimo hoje, seria para não me ver? Meu estômago se revirou mais um pouco e virei-me para sair da cozinha.

- Não precisa, eu como mais tarde - respondi já distante de Temari - Nos vemos mais tarde!

Me despedi em um aceno e saí pela porta da frente. Me pûs ha caminhar pelas ruas de Suna, volta e meia recebendo alguns olhares curiosos, seguidos de alguns poucos murmúrios. Com certeza indagando acerca da presença de uma forasteira como eu.

Alguns minutos depois e já me encontrava em frente ao prédio central de Suna, a bela construção de aparência arenosa parecia se estender céu acima demonstrando todo o porte que a sede do Kazekage deveria ter. Nervosa entrei pela porta da frente, remexendo minhas mãos para tentar aliviar o nervosismo crescente em meu peito.

Uma secretária recebeu-me no saguão com um sorriso receptivo, a mesma parecia já esperar por mim, pois assim que cheguei a mesma se levantou e veio até bem.

- Senhorita Mitsashi venha por favor, o Kazekage está lhe aguardando - disse de maneira aveludada e me guiou escada acima.

Senti minha respiração se tornar acelerada, Kami, não quero encará-lo. Não posso olhar para ele agora, encarar aquelas orbes esverdeadas me julgando depois do que ocorreu ontem. Não consigo me perdoar por ter saído daquela maneira.

Por que tão complicada Tenten? POR QUE?

Fiquei muito absorta nestes pensamentos, pois quando dei por mim a mulher baixinha já estava a abrir uma porta à minha frente. Perdi o ar quando notei que estava adentrando a sala de Gaara, o ruivo se encontra sentado atrás de sua mesa, com dois conselheiros por mim já conhecidos.

Ah merda…

- Senhorita - o moreno fez uma breve aceno - Que bom que chegara, estávamos lhe aguardando para começar o trabalho.

Nervosamente acenti com a cabeça me aproximando um pouco mais na mesa. De canto de olho fitei Gaara, que parecia ignorar minha presença ali, sequer olhou-me quando entrei, permaneceu concentrado nas folhas espalhadas sobre o tampo da mesa. Algo se apertou em meu peito ao notar sua indiferença.

Parabéns, eu realmente estraguei tudo.

Senti uma leve ardência em meus olhos e quase não me reconheci, não acredito que fiquei tão mexida com isso… Kami, não reconheço mais essa Tenten. Meneei com a cabeça voltando meu olhar para os dois homens.

- Sou o responsável pela segurança de Suna, irei acompanhá-la e trabalharemos juntos, se estiver tudo de acordo para a senhorita - o loiro soou de maneira cordial.

- Claro! - minha voz soou baixinho - Sem problemas.

Observei o loiro por alguns segundos, não havia prestado muita atenção no mesmo desde que cheguei, creio ser Maxy seu nome, ou algo assim. É jovem, não muito mais velho que Gaara. Loiro de cabelos dourados e cristalinos olhos azuis, carrega um porte descontraído apesar de passar um ar responsável.

- Aguardarei os relatórios ao final do dia - Gaara finalmente disse algo, ainda sem desviar o olhar da mesa.

Sua frieza machucou-me mais uma vez, e tudo que quis foi logo sair deste lugar. Para minha sorte a conversa não se estendeu, os conselheiros trocaram mais uma ou duas palavras com o ruivo e logo saímos pela porta.

Mas claro que nem tudo é simples para mim.

Enquanto saia senti o olhar de Gaara crepitar em minhas costas, instigada virei-me e nossos olhos se encontraram. Suas íris exibiram sentimentos que sequer sei descrever, talvez eu tenha visto um pouco de raiva ali… Não sei, realmente não faço ideia, e não sei se realmente quero saber.

- Vamos, irei levá-la até nosso arsenal - Maxy soou empolgado andando ao meu lado - Fica no subsolo do prédio, é uma área bem protegida - disse enquanto andávamos pela construção.

Permaneci em silêncio, pensando no olhar que havia recebido. Adentramos o elevador e o silêncio perdurou, sendo o único som o ruído seco dos cabos de aço. A peça de metal desceu conosco, 1 ou 2 andares por debaixo da terra. Assim que as portas se abriram fiquei surpresa.

Okay Tenten… Hora de trabalhar.

Como sempre, meu trabalho acalma minha alma. Me pûs a andar sobre as estantes e prateleiras repletas de kunais, shurikens, armas básicas com toda certeza. Mas o que realmente interessa-me são os cristais únicos de Suna, suas armas únicas e que não encontraria em outro lugar.

- Vocês trabalham bem o aço! - pensei alto agarrando uma das shurikens sobre minha mão e a deslizando por entre os dedos descobertos da luva - Firme... Talvez se acrescentarem mais uma liga metálica na fabricação seja possível conseguir um fio mais afiado, fiz isso em Konoha e o resultado foi excepcional.

- Ah claro - Maxy acenou seguindo-me por entre os corredores. - Nosso armeiro diz que liga metálica corrói o aço de qualidade.

- Não, se for feito da maneira correta - rebati com um sorriso mínimo.

Continuamos andando enquanto eu citava algumas mudanças que poderiam ser feitas. O arsenal de Suna com certeza é bem antiquado, e precisa de uma revigorada, haverá muito trabalho a se fazer. Pelo que Maxy contou-me o armeiro é levemente ultrapassado e rígido há mudanças, pelo visto terei que convencê-lo de que minhas ideias realmente valem a pena.

- Aqui estão nossas armas especiais… Os diamantes de Sunagakure - o loiro pronunciou com orgulho.

Com certeza é uma área digna de se gabar, se estes são os diamantes este lugar possui uma jazida. Diversas espadas, entalhadas com jóias e com aços raríssimos, metais esses que talvez nem se encontrem mais na natureza nos dias atuais. Armas milenares que com certeza são heranças de famílias poderosas e influentes. Lança afiadíssimas marteladas sobre aço damasco, um material de tamanho valor e resistência.

- É incrível - soei maravilhada deslizando meus dedos pelo fio de uma katana - São realmente joias únicas.

- Ainda não viu nosso mais precioso - indicou com o olhar para mais à frente.

Meu olhar seguiu sua indicação e me deparei com nada menos que um leque, o leque de Temari, lá estão as três luas encarando-me, a arma parece me julgar. Não pude deixar de rir, a risada saiu descontraída conforme me aproximava do mesmo.

Intrigado, o homem ao meu lado me lançou um olhar indagante, enquanto eu ainda me recuperava da gargalhada.

- Vamos dizer que esse eu conheço bem - disse enxugando a lágrima de riso que correra por meu olho - Na verdade bem de perto… - Deslizei os dedos pelo topo do leque - Já estive bem aqui.

O loiro parece ter demorado um pouco para entender o que eu quis dizer, mas quando percebeu seu queixo caiu-se e sua boca se entreabriu um pouco.

- Já perdeu uma luta para Temari? - disse surpreso.

- Perder? Eu levei uma surra - disse em um sorriso - Odeio essas luas, odeio mesmo - brinquei me afastando do leque.

- Desculpe… Estou surpreso - explicou seguindo-me e realmente parecia não acreditar no que eu havia acabado de lhe dizer - Me parece uma ninja excepcional, não que Temari não seja… Mas nunca imaginei que… - disse nervosamente.

- Eu era uma criança - expliquei o interrompendo - E digo que mereci aquela surra, depois disso jurei que nunca mais deixaria uma oxigenada bater em mim. Estou esperando até hoje uma revanche, mas acho que ela tem medo… - pronunciei com um nariz empinado me achando.

Maxy riu de meu comentário e continuamos andando. O mesmo anotava em um bloquinho minhas sugestões, essas que iríamos analisar mais tarde.

Passamos todo o dia nesta função, depois de conferir o arsenal fomos para a parte mais burocrática, chata porém necessária. Conferimos juntos papéis e mais papéis, notas e mais notas de entrada e saída de armas, o controle talvez seja o ponto principal de um bom armamento.

Depois do dia longo voltei para casa em expectativa, temendo em encontrar aquele olhar de Gaara novamente, frio e levemente julgador. Mas o que encontrei fora um pouco pior, sua ausência, o mesmo já havia ido se deitar quando cheguei. Jantei juntamente com Temari, contei-lhe a respeito da história com o leque e rimos bastante, enquanto eu fingia realmente estar feliz.

[...]

Essa fora a rotina por duas longas semanas, a frieza e a indiferença de Gaara. O mesmo se esquivou de mim de todas as maneiras que encontrou, saindo de casa antes que eu acordasse, se recolhendo antes que eu chegasse em casa, ou voltando do trabalho depois que eu fora dormir.

A rotina corroeu-me, e lentamente fui consumida pelo desconforto dessa situação. Por fora parecia nunca me importar com essa distância, mas todas as noites me via exausta e devastada ao encarar seu moletom sobre minha cama. O sono não é tranquilo, portanto nunca o escolho, a insônia é minha companheira e me instiga a ser produtiva. Aproveito as horas noturnas para desenhar e tentar colocar no papel minhas ideias malucas para alguns protótipos de armas.

O trabalho no arsenal é árduo mas fico feliz pois o mesmo me distrai, me vejo em paz cercada pelas lâminas e a papelada que a acompanha. Maxy e eu levamos essas duas semanas simplesmente para catalogar todo o armamento, volta e meia eu converso com o armeiro e o ferreiro acerca das mudanças necessárias. Fizemos bastante coisa, mas ainda estamos na pontinha de todo trabalho.

Mas uma vez retornei para casa, mais tarde que o habitual, bem mais tarde. Hoje creio que até mesmo a irmã sabaku não esperou-me para jantar. Senti a ponta de meus dedos arderem, havia os queimado mais cedo enquanto vistoriava uma kunai recém forjada.

Optei por não jantar, não estou com fome apesar de não ter comido nada o dia todo, mais uma coisa que me acostumei com os anos. Assim que chego ao andar dos quartos, noto que há uma porta entreaberta. É a porta de Gaara.

Penso em dar meia volta, pois para chegar ao meu quarto seria preciso passar por ali. Sou realmente covarde, não sou? Em um súbito ato de coragem e cansaço, opto por passar por ali.

No instante que passo a frente o aroma característico adentra minhas narinas. Ah mas isso já é tortura… Por acaso esse garoto toma um banho de perfume todos os dias? Resisti a tentação de olhar pela porta. Em frente Tenten, siga em frente, um passo de cada vez em direção a seu quarto.

- Tenten? - a voz rouca chamou-me quando estava prestes a alcançar a maçaneta da porta.

Senti um arrepio correr pelo meu corpo, pela primeira vez em duas semanas ouvi sua voz chamar-me. Senti falta disso… Como senti. Meus olhos se fecharam por alguns segundos e um suspiro soou por meus lábios, nervosa eu virei-me para olhá-lo.

- Precisamos conversar, não é? - minha voz pronunciou doce e aveludada.

 


Notas Finais


Não me matem... Não me mateeem.

Sou apaixonada por psicologia, por isso sou tão orgulhosa de tudo que construí para Tenten nessa história, a personalidade, o luto, seus traumas e doenças. Sim, não esperem personagens perfeitos aqui, hoje vocês viram uma pontinha do lado escuro da Ten. E bom... Essa história esta aqui porque Gaara e Tenten são ambos quebrados por dentro.

Fiz esse especial de dois capítulos seguidos em um puro surto, como forma de agradecimento por todo apoio que recebo nessa fic. De verdade muito obrigada.

Continuem comentando, vocês são meu motivo para continuar.


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