História Sangue Amaldiçoado - Capítulo 15


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Categorias Histórias Originais
Personagens Personagens Originais
Tags Abel, Amaldiçoado, Amor, Bruxas, Caim, Cristian, Demonios, Feitiço, Lemon, Lucifer, Magia, Maldição, Sangue, Sombras, Vampiros, Yaoi
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Palavras 5.478
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Comédia, Drama (Tragédia), Fantasia, Lemon, LGBT, Luta, Magia, Mistério, Misticismo, Romance e Novela, Shonen-Ai, Shoujo (Romântico), Shounen, Sobrenatural, Suspense, Terror e Horror, Universo Alternativo, Violência, Yaoi (Gay)
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Heterossexualidade, Homossexualidade, Incesto, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Mutilação, Nudez, Sadomasoquismo, Sexo, Tortura, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas do Autor


Quero agradecer a todos por lerem essa história tão especial ♡ fiz em inspiração de uma RPG, jogada em parceria com minha amiga Kadij Morgenstern ♡

Capítulo 15 - Capítulo 14: O Último Sacrificio


Caim voava pelos céus noturnos, vendo que logo o Sol nasceria no horizonte. 

O vento estava gelado, quase cortando sua pele por causa do frio intenso. Ainda assim, ele continuou a voar e disfarçava sua presença do irmão para que ele não o atrapalhasse, enquanto dava um jeito no seu pequeno problema chamado Cristian Nostrade. 

Ele então vê uma caverna, em uma montanha a sua frente e pousa em sua direção. Porém, a consciência de Cris parecia ainda querer lutar contra si e o caçador se desequilibra. Invés de um pouso suave na entrada da caverna, ele se choca contra o solo e sai rolando até os fundos do túnel escuro. Com suas forças, ele se ergue e cambaleia para mais dentro, com as mãos em sua cabeça e sentindo dores terríveis. Gritava agoniado, se contorcendo no chão com duas almas lutando entre si, dentro de um mesmo corpo. 

Em seu interior, Cris e Caim guerrilhavam violentamente.

"Deixe Abel em paz!"

"Nunca! Ele é meu!"

"Ele não pertence a você! Ele não é um brinquedo!"

"E ele não é seu também! Você não passa de uma fonte de sangue para ele!"

"Mentiroso! Ele me ama eu sei disso e eu o amo!"

"Não por muito tempo! Logo ele irá sumir inseto!"

"É você que vai sumir, desgraçado!"

Ao mesmo tempo em que aquela batalha interna acontecia, no mundo exterior, o corpo de Cris sofria uma mudança monstruosa, causada pelo veneno que o sangue de Caim provocava ao ser levado ao limite. Tanto ódio e raiva entre ambos fazia o corpo se transformar em uma criatura demoníaca, com uma infinita sede por sangue. 

Asas negras de erguia, os membros ficando negros — como se estivessem manchados pela escuridão — , os cabelos crescendo, orelhas pontudas, garras, presas... E quando a transformação se concretiza, a criatura alçava voo e saia da caverna, urrando alto e abissal.

Um grito que ecoava pelas montanhas e pelo vento, anunciando o caos iminente. Foi na direção a antiga vila de Cristian, em busca de destruir tudo o que estivesse a sua frente.

Nada iria o parar naquele momento.

[......]

Enquanto isso, no castelo de Abel, Daven vai lentamente acordando em seu quarto, com Travis deitado ao seu lado, o observando. 

Mesmo com uma pontada de dor em seu pescoço, o menino virava seu rosto para o namorado, muito confuso e assustado. Tentando se manter de pé, ele perguntava. 

— Travis... O que está acontecendo? Onde está Abel e meu irmão? — estava abalado.  

— Calma, não se force demais... — ele o ajeita na cama, acarinhando suas mãos e seu rosto — Abel foi ajudar Cristian, ele teve de beber seu sangue para se curar... Mas você não estava acostumado, por isso desmaiou — explicou.

— Mas e agora? O que podemos fazer?

— Não sei... — respondeu Travis, preocupado — Escute... Abel tem um irmão mais velho, chamado Caim. Ele e Cristian... Estão batalhando pelo amor de Abel, isso já um tempo. Agora, Cris e Caim estão em seu maior conflito até então, e Abel foi intervir nisso...

Explicou da melhor forma que podia, pois não achava que um menino de quatorze anos poderia entender uma situação tão complexa. Daven parecia muito preocupado, e Travis mordia o lábios, sem saber como poderia o ajudar naquele momento.

— Eu quero meu irmão de volta...  — disse o humano, chorando baixinho.

O vampiro sentiu seu peito doer. Tudo o que podia fazer era cumprir com seu dever e manter Daven protegido, pois nada poderia fazer para ajudar Cristian. Somente Abel poderia o trazer de volta, são e salvo... Ajudou o menor a se levantar, selando seus lábios em um pequeno e delicado beijo.

— Abel vai trazer Cristian de volta. Prometo — sorriu tristemente, tentando transparecer uma confiança que não sentia. Abraçava Daven, o mantendo junto a si o tempo todo.

Pela primeira vez em muito tempo, ele rezou.

[.......]

Abel sobrevoava as montanhas, a procura de qualquer sinal de Cristian. 

Imaginou que, confuso e desorientado como estava, o amado estaria voando sem rumo por entre os picos congelados e acabaria, eventualmente, pousando em qualquer lugar ali. Quando não achou rastro dele, entrou em pânico! Sua única escolha foi retornar para perto do seu castelo e verificar as redondezas da vila onde Cristian morava.

Ouviu um urro abissal à sua frente, fazendo o Rei recuar com medo. 

Era uma sensação horrível, gélida. O ódio estava impregnado no ar. 

Ao se aproximar da vila, pode ver a fumaça em alguns pontos, pessoas gritando e correndo e mais rugidos ferozes. Pousou graciosamente no topo de uma casa, observando, horrorizado, o monstro em que seu amado se tornara destruir tudo o que via a sua frente. 

Aquilo era Cristian e Caim? 

Franziu o cenho, abrindo suas asas para procurar uma brecha na besta. Não sabia se conseguiria atacar Cristian, não queria o ferir ou mesmo matar, mas sabia que tinha que o parar antes que matasse pessoas inocentes. Suspirou, quando viu o Sol começar a queimar-lhe a pele, mas mesmo assim, sobrevoou e atacou o monstro pelas costas.

Ignorou a parte que gritava para parar de atacar o amado, enquanto rolava com o mesmo pela neve macia. Tentava, a todo momento, encontrar uma forma de trazer Cristian de volta.  

O monstro tentava arranhar e ferir Abel com suas longas e afiadas garras. De sua boca, apenas urros e rugidos animalescos saiam, ao ser cortados nas asas para que não pudesse voar para longe. Aquele, definitivamente não era nem Caim e nem Cristian, mas sim um ser desprovido de consciência, racionalidade e compaixão. O ser empurra o vampiro até uma arvore, a partindo ao meio com a força do impacto. Ele rugia e rosnava como uma animal, encarando Abel raivosamente e raspando suas garras nas rochas, deixando marcas no solo rochoso. 

Ele então voa na direção do vampiro, começando a ataca-lo com voracidade. O rei vampiro revidava como podia, dando chutes e socos para tentar incapacitar a criatura. Usava a espada apenas como forma de proteção, evitando ao máximo usa-la para ferir o outro. 

Mas, enquanto tentava salvar o amado, lembranças surgiam em sua mente, como flashes.  

...

"Irmão, irmão!"

O jovem Abel corria em torno do irmão mais velho, sorrindo enquanto pulava na grama macia da fazenda deles. 

"Uma ovelha está parindo, quer ver?"

Caim enxugava o suor da testa e acariciava os cabelos morenos do irmão mais novo. Sabia que ele sempre ficava agitado quando isso acontecia, pois temia perder as ovelhas que tanto amava cuidar.

"Só se você prometer ficar quietinho e deixar a natureza tomar seu curso.E se morrer, nós podemos pedir a Deus para que cuide da alma dela, sim?" 

"Está bem, prometo. Você vai ficar comigo?"

"Estarei ao seu lado irmãozinho"

O sorriso de Abel iluminou o rosto pálido e suas pequenas mãos puxaram as mãos de Caim, obrigando-o a largar as suas beterrabas para o seguir mato adentro.

...

Em meio a aquela luta implacável, o vampiro franziu o cenho e cuspia o sangue negro na neve branca. Estava ferido, com marcas de unhas profundas em sua pele e o chão ao redor deles dois estava com vários respingos de sangue. 

Se levantou, encarando o monstro nos olhos.

— Eu deveria te dar o descanso que você tanto merece, Caim... — sua voz estava embargada  — Venha, irmão, dance comigo... A dança da Morte. 

Erguia a espada, decidido a acabar com tudo de uma vez por todas. 

— Deixe-me guiá-lo para o descanso eterno, pois sua alma não pertence ao Inferno... Deus é misericordioso e verá que morreu lutando comigo. Será purificado por minhas mãos...

E, nisso, a verdadeira luta entre Abel e Caim começava. O bem contra o mal. 

...

"Caim, o que será que nos espera no céu?"

Era uma pergunta inocente, a qual Abel sempre fazia quando estava com o irmão mais velho nas noites em que observavam o céu estralado. Caim nunca sabia como responder a aquilo, pois nunca tinha parado para questionar tal coisa.

"Eu não tenho certeza irmão... Só posso imaginar que, quando morrermo, Deus estará nos aguardando em um portão dourado, para nos guiar a sua morada iluminada"

"Como será que é a casa de Deus?"

"Um lugar cheio de luz, paz e amor. Um lugar onde passaremos a eternidade juntos de nossa família, amigos e anjos celestiais. Não terá mais sofrimento, nem tristeza e nem nada assim... Não seria legal estar em um lugar assim?"

"Acho que sim... Me promete que, não importa o que aconteça, sempre seremos irmãos?

"Que promessa boba. Sempre seremos irmãos! E nada no mundo vai nos separar... Isso é a minha promessa a ti Abel"

"Eu te amo, Caim"

"Eu também te amo, Abel"

...

Mesmo que o monstro o atacasse furiosamente, o vampiro conseguia desviar dos ataques facilmente, deixando que todo seu poder fluísse de si e fazendo a espada vibrar. Cortava o ar, cortava as asas do ser abissal, entre outras partes de si. 

Suas lágrimas dançavam no ar, cristalizando rapidamente por causa do clima gélido.

A criatura já estava sem asas e cortes no corpo todo, quando o Rei Vampiro parou para agarrar a bainha de sua espada com mais força. Ambos estremeciam pelo frio e pelos ferimentos, ofegando muito enquanto pisavam na mistura de sangue e neve que estava cobrindo o chão. Abel deixou que seus longos cabelos negros tapassem o rosto, para ocultar-lhe as lágrimas e os soluços. Seu corpo já estava quase perto do limite, o Sol estava o enfraquecendo.

— Cristian... — chamou o nome do louro — Se você estiver aí, se estiver me ouvindo... Quero que saiba que amarei você para sempre. Me perdoe por não conseguir te salvar...

O monstro o encarava, respirando fundo. Mesmo que ele estivesse com um olhar sanguinário, Abel pode ver uma fina lágrima escorrer pelo rosto do ser abissal. Era um sinal de que Cris o ouvia, que estava triste... Mas Abel sentia, no fundo de seu ser, que ele o perdoava e o amava.

No mesmo segundo em que a criatura se preparava para atacar de novo, Abel correu até a besta e segurou-lhe fortemente no rosto, erguendo a espada para o alto. A luz refletiu na lâmina, pronta para o golpe final.

— Adeus... Meu amor... — desceu a lâmina pelo corpo do abissal, abrindo um corte profundo no peito e abdome e quase lhe partindo em dois.

Soltando o rosto da criatura, a via cair no chão... Sem mais nenhum movimento.

...

"Você não está domado" 

Lembrou-se de dizer essas palavras ao rebelde Cristian, que estava acorrentado na cama.

Vivenciou, de novo, a primeira vez de ambos. A luta, o salvamento de Daven... Todas as coisas que sempre dizia ao humano. 

O sabor de seus lábios, a doçura de seu corpo, a forma como fazia seu coração bater acelerado, como... Como desejava ser humano para amá-lo, para viver com o louro... 

Ah, todos os planos que fizeram juntos!

...

Com o restante de seu poder, viu que a alma de Cristian ainda bailava sobre a carcaça morta daquilo que outrora fora. Engoliu em seco, se ajoelhando sobre o corpo caído e murmurando as palavras proibidas.

Fez o último sacrifício para salvá-lo. 

O chão se tornara negro com o sangue que caía de suas feridas abertas, o vento se levantando um pouco ao redor deles dois e agitando a neve. A sua forma foi mudando... As orelhas não mais eram pontudas, as presas sumiam e o olhar tão amarelado e brilhante, se tornava escuros e humanos. Suas asas aos poucos foram se desintegrando como poeira e Abel sentiu todo o seu poder ser tirado de seu corpo e transferido para o amado. Sua imortalidade, sua força, seu poder... 

Tudo pertenceria a Cristian agora.

Abraçou o corpo do novo Rei dos Vampiros e beijou-lhe a testa adormecida, soluçando. Seu corpo, aos poucos, ia voltando ao estado normal de antes do pacto. Mas ele não poderia resistir por muito mais tempos. Cinco mil anos era tempo demais para um humano sobreviver além de sua linha natural de tempo, sem contar as feridas que lhe deixaram com tão pouco sangue. Sentia o peso do tempo lhe tomar a última gota de energia, sabendo que logo não lhe restaria nada.

Estava morrendo, sabia bem disto e, por isso, clamou pelo perdão de Deus. Clamou para que o louro pudesse passar pela transformação e gritou, a pleno pulmões, o amor que sentia por ele. 

Foi um grito triste, um lamento da alma de Abel que se partia novamente. Apertou Cristian ainda mais contra si, estremecendo, ao usar suas últimas forças para retirá-lo do Sol.

— Daven e Travis precisam de você, Cris... — murmurou — Eu preciso de você... Volta pra mim...

Seu corpo de repente pesou e o ex vampiro caiu sobre o corpo do louro, vomitando sangue e delirando de febre. Precisava de mais tempo.

— Mesmo que não esteja vivo... Quando acordar, por favor... — gemeu, sem conseguir controlar a voz, sem conseguir controlar o corpo — Por favor, volte... Tem tantas pessoas que precisam de você... Volta pra mim, Cris, por favor...

Fechou os olhos, aceitando sua morte lenta.

De repente, Cristian, finalmente, abria seus olhos. 

— A-Abel... — ele falava, respirando fundo e de olhos arregalados. Sentia falta de ar, como se tivesse esquecido o que era respirar.

Tentava normalizar sua respiração, não mais sentindo qualquer tipo de dor. O corpo não tinha mais um corte enorme no peito, assim como não tinha mais sangue seu escorrendo de suas feridas... Estava vivo e curado, era um milagre?

— A-Ai... o que...? —  então, sentiu uma queimação em sua pele. Viu sua mão direta descoberta pela sombra da árvore que o cobria, ardendo fortemente com a luz do Sol. 

Estava chocado, sem conseguir entender nada. Aproximava sua mão para a olhar melhor e, em poucos segundos, a queimadura sumia como em um passe de mágica. A pele mais pálida que nunca, se curando do machucado como se... Como se fosse Abel.

Instintivamente, tocou os dentes e sentiu as presas pontudas e afiadas. Ele era um vampiro.

— Abel... —  ele finalmente se dá conta da presença de seu amado, caído ao seu lado e sem qualquer reação — Abel!

Se ergueu, sem se importar de ainda estar desorientado e confuso. Agarrou o amado, o trazendo para perto de si e o abraça com força. Chorava, sem saber se ele estava ainda vivo ou morto.

— Abel acorde... Acorde por favor! — suplicava, desesperado — Não morra Abel... Não morra...  —  ele sente as lágrimas começarem a cair de seu rosto, sem qualquer controle — Eu te amo... Não me deixe Abel... Não me deixe... 

Os pedidos eram carregados de dor, olhando como o amado estava mais humano... Os traços de sua aparência mostravam isso e foi quando Cristian se dera conta do que houve.

Abel o havia transformado em vampiro para o salva-lo da morte. 

— Seu idiota... Seu idiota! — ele gritava, chorando muito — Porque teve de me salvar?! Eu já tinha aceitado meu destino! Por que?! — ele sacudia Abel, estava devastado — Porque...? Porque não me deixou morrer? 

Cristian chorava mais e mais, tocando seu rosto. Nesse momento, seus sentidos vampiros estavam se aflorando muito rapidamente, todos de uma vez só. Com a cabeça confusa por tantas sensações diferentes serem ampliadas ao mesmo tempo, Cristian sentia sua mente latejar de dor... Mas uma coisa se destacou, entre tudo o que pode sentir e ouvir.

Os batimentos do coração de Abel.

Estavam fracos, a beira de parar. Mas estava batendo.

Isso mostrava que o amado ainda estava vivo, o que encheu Cristian de emoção. Mas como poderia o salvar?  Foi então que ele pensou em uma ideia absurda. 

Se Abel pode o transformar em vampiro, por que ele não poderia o fazer também? Com o plano em mente, ajeitou Abel em seus braços e aproximou-se do pescoço dele. Com cuidado, foi usando seu novo poder para sentir uma das veias do parceiro, que estava bem fina devido aos batimentos cardíacos fracos. Não sabia se faria certo, mas tinha que tentar!

— Por Deus, que isso funcione... — disse apreensivo.

Com suas presas, ele as crava no pescoço do outro e injeta, de um jeito atrapalhado, o seu próprio. Demorou para que ele pegasse o jeito da coisa, para que conseguisse dar a Abel seu néctar da vida amaldiçoado. Quando conseguira injetar o bastante, soltou o pescoço alheio para o olhar... Bem quando o coração do moreno parava de bater.

— Abel? — chamou, sem resposta — Abel...

Não havia resposta vinda dele. Apenas silêncio.

Cristian sentia suas lágrimas escorrerem novamente de seu rosto, sentindo que fora inútil. Era tarde demais, não pudera salvar seu amor e, agora, teria de passar a eternidade sem Abel. Sem o que fazer, tudo o que lhe restou foi abraçar o corpo de Abel e chorar em seu peito. Todos os sonhos e ambições do casal, se foram... O agora Rei dos Vampiros estaria sozinho.

Tudo o que conseguia fazer era chorar sua perda tão estimada.  

Mas, em meio a seu lamento, algo extraordinário acontecia.

Quase como se uma força divina tivesse ouvido as palavras de Abel e Cristian, uma luz ilumina aquela árvore onde os dois estavam. Um toque suave e invisível, ao qual Cristian sentia em seu ombro e o despertava de seu choro. Depois de alguns segundos, olhando em volta a procura de quem poderia te-lo tocado, ele sente um som sair da boca de Abel.

Olhando chocado para o corpo que abraçava, via a boca do moreno se abrir e fechar com a respiração fraca. Em um movimento brusco, Abel abre os olhos.

Estavam novamente amarelos.

— A-Abel?! — o albino deixava o outro respirar e se recuperar de sua ressurreição.

Abel estava em estado de choque, pensando que morreria. Ele tinha aceitado seu fim, mas sentiu seu pescoço arder dolorosamente. Abriu os olhos confuso, prendendo a pouca respiração que tinha ao ver Cristian parado ali, agora com as presas e os olhos de vampiro.

— C-Cristian... — ele falava ofegante.

— Abel... Meu amor...  — ele sorri abertamente, ainda sentindo lágrimas escorrerem por seu rosto. Mas, desta vez, de felicidade.

Tocava o rosto do moreno, o beijando na testa.

— Eu pensei que te perderia...  

— Ahh... Não é tão fácil se livrar de mim assim, querido... — sussurrava, abrindo um sorriso para o parceiro. Sua mão segurava a de Cris, os dois finalmente sentindo alivio por estarem juntos novamente — Você está lindo... — balbuciou, encantado — Você realmente está lindo, Cristian...

O mais novo soltava um risinho sem jeito, corando. O rubor se destacava mais do que nunca, por sua pele estar pálida como porcelana, assim como Abel. 

Então, sem conseguir se conter, Abel tossiu e agarrou-se ao abraço do parceiro, como se ele fosse sua tábua de salvação. Com tantas emoções misturadas, disparou a chorar. Chorou por si, por Cristian e pelo seu irmão, por tudo o que não havia desabafada por milênios e que só conseguiu parar quando foi confortado pelo albino. Ambos se olhavam, acariciando seus rostos e se beijando, com Abel ainda soluçando baixinho. 

Estavam aliviados e, entre sorrisos e choros, notaram  uma presença.

Ao olharem para cima deles, uma névoa se movia e era iluminada pelos raios de Sol. Ainda que bem fracamente, a imagem de uma pessoa surgia... Era Caim. 

Cristian, a princípio, ficou preocupado de que o irmão do amado fosse tentar algo contra eles de novo, mas Abel o tranquilizou. Ele sabia que seu irmão tinha sido purificado. Tinha sido perdoado por Deus... Sua divida estava paga com a morte de Abel e com a sua própria. Mesmo que o moreno tivesse sido ressuscitado por Cristian, por poucos segundos ele voltara a ser um humano e esteve morto por alguns minutos. 

A alma de Caim se foi, indo finalmente para onde deveria estar, nos braços de Deus, deixando de ser o mostro que o mesmo havia se tornado.   

Com um último sorriso direcionado a Abel, o irmão mais novo dizia:

— Eu te perdoo Caim... Sempre será meu irmão amado — ele sorria de volta — Descanse em paz Caim... Eu amo você...

Uma lágrima escorria pelo rosto do espírito, o sorriso aumentando ainda mais. Ele se vira de costas, sumindo com o vento para sua passagem ao plano celestial.

Foi um momento lindo. Abel estava grato por seu irmão finalmente ter paz.

Ficaram alguns minutos ali, sentados na neve, enquanto ainda processavam tudo o que tinha acabado de acontecer... Caim tinha ido para o céu, Abel tinha ressuscitado, desta vez como vampiro servo de Cristian, o novo Rei dos Vampiros. 

— Acho... Que agora eu devo servir a ti, Cris. Como se sente, sendo igual a mim?  — Abel sorri, beijando o albino.

— Nem acredito que agora sou vampiro... Agora eu também sou rei, é coisa demais para minha cabeça — ele esfrega o rosto, ainda descrente de sua nova condição — Eu... Nem sei como usar meus poderes, parece que sinto tudo duas vezes mais forte... Está mexendo demais comigo...

— Não se preocupe, meu rei — ele o beija de novo, tocando sua testa a do outro — Irei te ensinar tudo o que sei. Pode parecer assustador, mas vai aprender a gostar de ser um ser da noite...

Os dois se erguiam no chão, se abraçando e se olhando com amor.

— Estaremos juntos pela eternidade... Acostume-se.

— Essa é uma ideia muito sedutora. Gosto muito — Cris sorri, dando mais um beijo apaixonado. 

Nisso, Abel abria suas asas negras, segurando o parceiro no estilo noiva para os levar de volta ao castelo. Como Cristian ainda estava se acostumando a sua nova condição, ele não conseguiria abrir suas próprias asas ainda... Felizmente, Abel tinha cinco mil anos de experiência para ensinar ao amado. Eles sobrevoam pelas montanhas, voltando para casa e pousando graciosamente no centro do pátio, onde Daven e Travis os esperavam ansiosos.

— Abel! Cristian!

— Maninho!

Eles correm até o casal, os abraçando forte e animados, sentindo finalmente alívio por os verem bem e a salvos. Daven apertava Cris no abraço, chorando feliz por o ver de novo.

— Cris! Eu fique com tanto medo de te perder... Nunca mais suma desse jeito! — dizia choroso, afundando seu rosto no peito do irmão.

— Estou bem Davem de verdade — ele beijava a testa do menor, acarinhando seus cabelos. Sentia a pele arder com o Sol, que estava saindo por detrás das nuvens — Vamos entrar que eu te conto tudo ok? — logo, ele levava o irmão para dentro do castelo, sendo seguidos por Abel e Travis.

— Senhor — chamou o vampiro mais novo — Cristian... Ele é um vampiro agora. Eu pude ver isso... Isso quer dizer que derrotaram Caim?

— Sim... Caim foi purificado. Mas para tal tive de transformar Cris em vampiro, o que me custou meus poderes, minha posição de rei e, por muito pouco, minha vida... Mas então ele me transformou novamente em vampiro.

— Se ele agora é o Rei... Então, isso te faz o Guardião dele Abel — concluiu, e Abel acenava a cabeça positivamente — Foi muito bom ser seu guardião, foi uma honra. Agora... Você deve cuidar de seu amado, assim como irei cuidar de Daven — ele sorri gentil.

— Exato — Abel estava satisfeito com o rumo das coisas. Mas, ao chegarem no segundo andar, ele toma uma expressão mais séria — Falando em Daven... Amor? —  chamou Cristian para um canto, deixando os dois meninos a espera deles — O que acha de transformá-lo em vampiro? Travis faria isso de bom grado, tenho certeza.

  — Eu... Não sei bem o que devo fazer. Fico com medo dele viver como um vampiro, mas... Pensar que viverei para sempre, enquanto ele envelhece até a morte... Não quero o perder, já quase te perdi hoje Abel. Pensar nisso me assusta...

— Não pense nisso agora amor... — ele segura seu rosto delicadamente, o beijando na testa — Pergunte a Daven o que ele deseja para si. O que ele decidir, será feito.

— Hummm... Está bem... Farei isso então... — os dois então voltavam para perto do outro casal, e Cristian olhava o irmão mais novo com preocupação — Daven... Precisamos te contar algumas coisas...

— O que?

Constrangido, Cristian mostrava suas presas e as orelhas pontudas, sinais claros de que ele tinha se transformado em um vampiro. O meno ficou surpreso com aquilo, assustado por ver seu irmão naquela forma.

— V-Você é... Um vampiro?

— Sim... Mas especificamente, o Rei dos Vampiros...

— Um Rei? — os olhos de Daven estavam arregalados, sem conseguir acreditar no que estava ouvindo e vendo diante de si. 

— Sei o que está pensando... Mas por favor me escute — ele morde o lábio inferior, nervoso em contar sobre os últimos acontecimentos  — Não posso dizer exatamente o que aconteceu, não agora... Mas, de modo resumido, eu tive um problema muito grande com o irmão de Abel, Caim... Acabei me ferindo muito. Na verdade, se não fosse por Abel... Eu teria morrido com certeza... — aquilo perturbou Daven, que cobria seu rosto ao pensar que poderia, de fato, ter perdido seu amado irmão.

— Abel salvou sua vida?

— Sim... Mas para tal, foi preciso me transformar em um vampiro — ele então olha para baixo, com um olhar triste — Sou imortal e agora... Mas garanto que não vou matar ninguém inocente, usarei meus poderes para o bem, pois meu maior desejo é te proteger e proteger a todos deste castelo.  

— Mas se você é imortal... Quer dizer que... Você não vai morrer, mas eu vou... — Daven começa a chorar baixinho. Mais assustador que imaginar seu irmão bebendo sangue, era o fato de que ele viveria para sempre, enquanto o próprio não. 

Era devastador, seu coração estava despedaçado.

— Travis — nessa hora, Abel chamava o vampiro mais novo.    

— Sim senhor?

— Diga-me, quão profundo é seu amor por Daven? — perguntou o moreno seriamente, pegando todos de surpresa.

— Amor? — Travis corou muito, desviando o olhar — Não sei, Abel... Eu... Não quero que ele se machuque ou algo assim...

— Você teria coragem de transformá-lo em vampiro?

O jovem esbugalhou os olhos, negando com a cabeça. Não faria isso! Daven não merecia o tormento de ser um vampiro, beber sangue, matar pessoas... Aquilo seria demais para a alma pura do irmão de Cristian e mordeu os lábios, ansioso.

— Não... — respondeu, por fim.

— Mesmo se isso significar salvar a vida dele?

— Ele não merece isso, Abel... Ele não merece ser vampiro — sua voz embargada demonstrava o desespero que sentia.

— Cristian — Abel virou-se para o Rei — Quais são suas ordens? O que deseja?  

Cristian, como prometido, perguntaria ao irmãozinho sobre o que ele desejava fazer quanto a sua vida. Mas, bem antes de perguntar qualquer coisa, Daven chorava emocionado e balançava a cabeça positivamente.

— S-Sim! Eu... Eu quero — ele corre até Travis e o abraça forte.

— Tem certeza disso Daven? Saiba que se deseja isso, não terá mais volta. Não poderá ser mais um humano normal e terá de fazer muitas coisas sombrias para sobreviver... — disse Cristian, olhando o irmão menor — Poderá arcar com isso?

Daven apertava o abraço em Travis, concordando com a cabeça.

— Sim... Eu sei que terei de beber sangue, mas... Se você e Abel conseguem beber sem matar ou machucar ninguém, então eu sei que consigo também... Não quero perder você irmão, já perdi a mamãe, o papai e a nossa prima... E também... — ele então olha para Travis — Eu amo Travis... Muito mesmo — ele enterra seu rosto no peito dele, chorando baixo — Eu não quero perder ele também... E nem Abel também! Eu amo muito o Travis e quero ficar com todos vocês...

A confissão de Daven foi uma surpresa para todos. 

Cristian nunca tinha visto seu irmão tão decidido em algo. Ainda que a ideia de transforma-lo seja assustadora, o albino podia ver o amor que ele sentia por Travis, e o desejo intenso de estar ao seu lado para sempre. 

— É essa sua escolha? Sem arrependimento? — o menor olha para Cris e, com o mesmo olhar de determinação, ele maneia a cabeça de concordância. O albino suspira e diz — Então não há porque te negar isso...

— Pois bem... — Abel então olhava o seu antigo guardião, repassando a ordem de seu amado — Travis, seja gentil com Daven.

Travis encolheu-se, temeroso. Sabia que teria que machucar Daven para que ele possa se tornar vampiro, o que fazia seu peito doer com aquilo. Engoliu em seco e afastou os cabelos loiros do pescoço menor, cravando as presas no pescoço branco do príncipe e drenando seu fluído vital até deixá-lo pálido. Com um suspiro triste, Travis o segurou e injetou seu veneno em sua corrente sanguínea. Abel assistia a tudo de forma séria, segurando na mão do parceiro com o cenho franzido. 

O momento da transição era o pior, mas Daven era forte como seu irmão mais velho. Depois de alguns minutos, ele conseguiu passar por tal processo e acordou como um vampiro.

Os dois vampiros mais velhos soltaram as respirações, aliviados e deixaram que Daven se acostumasse com a sensação de ter presas, sentidos aguçados e alguma outra capacidade fora do comum.

— Como se sente Daven? — perguntou Travis, acarinhando o rosto do menor.

— Estou... Zonzo e... Com fome... — disse de forma inocente, mas tal afirmação deixou todos um pouco tensos — Quero um lanche de carneiro...

Nessa hora, todos soltaram risadas com aquela afirmação repentina do menino. Ele continuava tão doce e meigo, tanto como vampiro, como era como humano. Aliviados ao verem que Daven estava se acostumando bem a toda a transformação, decidiram dar um tempo para que o menino descansasse um pouco e absorvesse toda a sua nova condição.  

— Vamos descansar um pouco Daven — Travis sorria para o seu namorado lindo, o guiando para o quarto do mesmo para que ambos pudessem dormir um pouco.

Depois de essa crise resolvida, Cristian tocava sua barriga que roncava.

— Humm... Agora eu estou com fome... — ele olha Abel, receoso — Eu não sei se conseguirei beber sangue agora... Mas sei que preciso, ou posso morrer...

— Não se preocupe querido... — ele o beija carinhoso, o abraçando fortemente e acariciando seus fios brancos como seda. Eles estavam compridos agora, tão bonitos e macios — Eu irei arranjar comida para nós dois... Com certeza uma das bruxas poderá nos doar sangue — ele o leva até a porta do quarto deles, beijando suas mãos — Descanse um pouco. Volto daqui a pouco.

— Está bem... — ele sorri, beijando os lábios de Abel e entrando no quarto. Enquanto o amado buscava o sangue para ambos se alimentarem, o albino se deitava na cama e fechava os olhos.

Sentia o corpo relaxar imediatamente de toda a tensão. Necessitava desesperadamente disso, depois de tudo o que passou. Sua vida tinha dado uma reviravolta muito maluca.

Cansado, ele caia no doce sono que tanto desejava.

[.......]   

— Cristian?

O som da voz do amado, por um instante, o assustou. Ainda estava com os sentido a flor da pele, dando um pulo de susto na cama quando Abel lhe acordou.

— Calma amor, sou só eu — tranquilizava Cris, o vendo se ajeitar na cama com um suspiro  — Aqui está sua primeira refeição, meu rei  — mostrava uma taça de vinho grande com sangue fresco.  

— Ah sim... — ele se senta na cama, segurando a taça e, calmamente, provou o sangue. No inicio, ele fez uma careta com a sensação de beber aquele líquido grosso e metálico. Foi tomando aos poucos — Não é tão ruim quanto imaginei... Tem gosto de carne mau passada...  

  — Ah, que inveja de você...  — caçoou Abel, sorrindo — Pois pra mim parece prego. É como se eu chupasse prego toda vez que tomo sangue.

Começou a rir. Quando ambos terminaram de tomar o sangue, Abel envolveu os lábios albinos do outro em um beijo voraz. Seu desejo tinha aumentado e o ruivo mal conseguia ver a hora de mostrar o lado bom de ser vampiro para Cristian.

— Sem coisas estranhas hoje — comentou, derrubando o albino na cama — Só eu e você. Quero te mostrar como é sexo como um vampiro... Me deixe levá-lo à perdição, meu Rei.

— A perdição nunca me pareceu sensual como agora, meu belo Guardião — ele ri, antes de corresponder a mais um beijo e abraçando o amado. Foi mordido e mordeu de volta, distribuindo beijos e lambidos, além de gemidos e carinhos — Me mostre tudo o que sabe meu amor...

— Com todo o prazer, meu lindo rei.  

Retomou o beijo, tirando a própria roupa, antes de começar a despir a roupa de Cris lentamente, beijando a pele exposta com suavidade. Suspirou ao se afastar e morder o ombro alheio, lambendo o sangue com a pontinha da língua e subindo com a mesma até o pescoço, orelha e nos lábios entreabertos do Rei. Rosnou baixo, o virando para ficar por cima de si e sentindo a pressão deliciosa do corpo dele contra o seu, erguendo o olhar dourado com um sorriso malicioso.

— Mas isso não quer dizer que não haverá briga pelo poder. Pode vir, Cristian. Eu te aguento.  

— Quem brinca com fogo, pode acabar se queimando, meu amor...  — ele mordisca os lábios do amado, passando suas unhas levemente pela pele do moreno e se deliciando com os arrepios que causava no Guardião. Dedilhava os dedos no pescoço, no peito, abdômen e por fim pela extensão do membro rígido de Abel. 

Realmente, Cris nunca pareceu tão provocante quanto agora. 

— Quem com ferro fere, com ferro será ferido, Vossa Majestade. 


Notas Finais


Quero agradecer a todos por lerem essa história tão especial ♡ fiz em inspiração de uma RPG, jogada em parceria com minha amiga Kadij Morgenstern ♡


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