História Sangue Azul - Capítulo 10


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Capítulo 10 - 9. Tipo certo de garoto errado


Fanfic / Fanfiction Sangue Azul - Capítulo 10 - 9. Tipo certo de garoto errado

Eu havia acabado de sair do chuveiro, tomei um banho quente, às vezes sentir a água quase queimando a minha pele me fazia um pouco bem, passei a mão no espelho para tentar limpá-lo pois o vapor teria tomado conta de todo o banheiro, faziam 17 graus naquela tarde, parei por um momento e encarei meu reflexo no espelho enquanto alguma música de uma playlist minha saía do meu notebook mas eu nem conseguia ouvir direito. Nu, eu observava perto do meu pescoço os chupões ou "provas do meu amor por você" como Breno dizia, que ele havia deixado. Não só no meu pescoço mas também perto da minha cintura, isso teria sido dias atrás, quando fomos para a praia juntos, mas é claro que ele não saiu ileso dessa, porque eu também deixei umas marquinhas nele, porém acho que os meus ficaram mais fortes. Lembrei por um momento de cada “ai” ou “calma” que Breno dava assim que eu terminava de fazer mais um chupão nele, a  lembrança me arrancou uma risada rápida. Me enrolei na toalha e saí do banheiro para pegar meu celular que estava tocando.

- Oi, maninho! — reconheci que era o Caio pelo "alô" dele.

- Oi, tudo bem, maninho? — respondi.

- Tudo, olha, a Manu quer vocês dois aqui. A gente vai fazer uma socialzinha e tal. Rola pra você?

- Posso ir sim, mas perguntinhas: Vocês dois quem? E...você se lembra como foi a última social dela que eu fui, né?

- Ei Nico, é claro que eu sei, mas já passou. E "vocês dois'' é claro que eu tô falando de você e do Breno né? Aliás, apostei 10 reais com a Manu que vocês começariam a namorar até o final desse mês ou no início do mês que vem, então por favorzinho, acelera aí um pouquinho as coisas?

- VAI SE FODER, CAIO — eu disse e ele riu.

- Mas falando de verdade, eu espero que esse Breno não seja um filho da puta contigo — Caio falou e comecei a rir de novo, não acredito que eles estavam shippando tanto nós dois que começaram a apostar dinheiro nisso.

- Eu também espero, vamos ver no que isso vai dar né...e eu vou com ele. Acho que ele consegue o carro dos pais pra gente ir.

- Beleza, a gente se vê às 9. — ele disse e desligou.

Vesti uma roupa e desci as escadas para falar primeiro com a minha mãe sobre mais tarde. Ela estava pintando as unhas esparramada no sofá, e vendo televisão. Seu cabelo ruivo estava amarrado em um coque muito bem feito, como sempre, ela tinha o costume de deixar o cabelo em certo penteado de uma forma tão bonita que até me fez criar momentos imaginários dela trabalhando como cabeleireira e ganhando bastante dinheiro com isso — perdi as contas de quantas vezes eu já havia dado essa ideia para ela — em questão de salões de beleza, geralmente minha mãe nunca gastava do próprio dinheiro com isso, ela sempre fez o próprio cabelo em casa, já fez até das amigas mas nunca cobrou nada.

- Mãe, tem uma social hoje na casa da Manu. Posso ir?

- Hm — uma resposta dessas? puts... — Sim, claro que pode, mas tem certeza, filho? — ela disse tirando a atenção que estava dando as unhas de um cor eu-sou-foda-usando-esse-tom-azul-escuro e dando para mim — E aquele garoto?

- O Gabriel não vai estar lá. Ele tá sendo odiado por todo mundo depois do que ele fez comigo.

- Ah, mais que merecido né? Você pode ir sim, e se for pra ir com o Breno, melhor ainda, que nele eu confio. — sorri pois gostei do que ela disse, parecia que o Breno já tinha conquistado a confiança dela pelo visto.

- Esse era o meu plano mesmo, obrigado mãe. — disse me aproximando dando um abraço apertado e um beijo no rosto dela.

- Tô indo lá pra chamar ele, okay?

- Okay.

Atravessei a rua, cheguei no portão da casa do Breno e toquei a campainha, Ingrid abriu o portão para mim. Ela estava dando água para as plantas.

- Oi Nicolas! Acredita que eu tava pensando justamente em você, e você me aparece! Entra! Eu na verdade já estava saindo de casa para ir visitar a sua mãe. — ela disse, eu sorri, dei um abraço nela e entrei pela garagem.

- Ela está lá na sala pintando as unhas, acho que vai adorar se você for.

- Ah, então eu vou sim, mas posso conversar algo com você antes de entrar? — de repente o tom da voz de Ingrid mudou de alegre e risonha para um mais sério. Posso jurar que quase estremeci, ela pegou no meu braço e fomos para um canto mais para dentro da garagem.

- Olha, eu sei que você é uma pessoa especial pro meu filho, mas... — ela começou dizendo em um tom de voz bem baixo e aparentava estar bem calma, ela não estaria prestes a dizer que sou uma má companhia para ele ou coisa do tipo, estaria? Fiquei sem reação, apenas encarando-a. — Então...eu queria pedir a sua ajuda para a festa surpresa de aniversário dele que eu quero fazer para ele, você me ajudaria? É daqui duas semanas...

- Sério!? Ah, conta comigo então! — eu disse sorrindo, minha animação foi de 0 para 100.

- Mesmo? Me passa o seu número do Whatsapp então para irmos conversando então! E sim! Eu disse Whatsapp, sou uma mãe muito antenada! — eu ri, ela me deu o celular dela e adicionei meu número na agenda, logo depois ela me deu outro abraço e saiu fechando o portão, entrei na casa.

- Fernando! — cumprimentei-o vendo ele jogado no sofá vendo um jogo de basquete americano, eu nem entendia nada de basquete quanto mais de basquete americano, com times de basquete americanos, mesmo nem sabendo se tem alguma diferença entre basquete brasileiro e o americano. Achei bem culto da parte de Fernando sobre saber disso, mas no fundo não me impressionava tanto. Héteros.

- Tudo bom, Nicolas? Curte um basquetezinho?

- Ah, eu sou mais pro vôlei. — falei sorrindo.

- Opa, também adoro! Vi um jogo feminino hoje de manhã, as Brasileiras derrotaram as Austríacas, foi um sucesso! Ah desculpa, tá procurando o Breno? — ele perguntou, eu ri e balancei a cabeça fazendo que sim.

- Ele tá no quarto dele, pode ir! Aqui você já é de casa. — e ele abriu um sorriso. "Deus, muito obrigado pelos meus dois futuros sogros que tu colocaste na minha vida".

•••                       

- Er...Você tem certeza? — Breno disse, parecia ter ficado com um pé atrás.

- Olha, você é a segunda pessoa que me faz essa mesma pergunta sobre esse assunto... — eu disse e ele riu.

- Você não lembra do que aconteceu na outra social? E na festa que a gente foi?

- Cala a boca... — eu disse.

- Vem calar! — ele retrucou.

No mesmo instante empurrei ele na cama, peguei o edredom e ficamos nos beijando embaixo dele. 

- Eita, que selvagem... — ele disse.

- Você não viu nada... — eu disse, brincando.

- Um dia eu vejo. — ele falou.

- Um dia. — eu disse e saímos debaixo do edredom.

- Então, é as 9, e a gente pode ir no carro dos seus pais? — eu perguntei e ele concordou.

- Então... — lembrei do que a mãe dele tinha falado para mim sobre eu ser especial para ele. — Seus pais sabem? Que a gente tá...?

- E por que não saberiam? Não tá mais que óbvio? — ele perguntou, só de fazer aquela pergunta, me deixou meio aliviado. 

- Ah eu sei que tá mas, tipo...sei lá... — falei. — Mas, você é assumido pra eles então? — perguntei, ele levantou da cama e ficou na frente da janela, olhando os carros passarem.

- Vou ter que te contar do início então... — ele disse.

- Eita! "Senta que lá vem história". — falei, ele riu.

- Então, desde os meus 14 anos que eu fico com meninas sabe, e então depois de um tempo eu achei isso algo sei lá, eu não diria que chato nem monótono, mas vamos dizer como sem graça. Acho que o motivo era todas as meninas que fiquei serem tipo farinha do mesmo saco, sabe? Eram todas com personalidades muito iguais, eu nunca tinha encontrado alguém único e diferente. Aí no meu primeiro ano do Ensino Médio tinha um menino novato no colégio que entrou na turma, isso quando eu tinha 16 anos já, ele foi o primeiro garoto que assim, realmente me despertou um interesse, então a gente fez amizade, se conheceu, se aproximou, e nisso um dia ele fazendo trabalho de física lá em casa a gente ficou e eu gostei muito, então foi daí que comecei a ficar com garotos, e de vez em quando com garotas também ainda. E quando eu estava com 17, contei pros meus pais e eles aceitaram de boa. Mas no início ainda ficaram meio...você sabe, quando sabem que estou ficando com algum garoto. Principalmente meu pai ficava assim. — ele disse, fiquei feliz e meio que até orgulhoso por ele ter sido tão aceito pela sua família assim como eu fui aceito pela minha. 

- Ah, sabe o que meus pais disseram sobre você? — ele perguntou, e eu arregalei os olhos de curiosidade. — Eles disseram que parecia que finalmente eu tinha achado o garoto certo pra mim.

- Nossa...

- O que?

- Nada, só que por um segundo fiquei com medo de tu dizer "garoto errado" — falei e rimos.

Ficamos nos olhando, ele da janela e eu sentado da cama dele, ele sorriu para mim e eu sorri de volta, não pude conter uma lágrima que desceu logo depois.

- Ei, tá chorando por quê? Eu te falei isso pra te deixar feliz! — ele disse.

- Mas eu tô chorando é de felicidade mesmo! Nunca encontrei ninguém igual a você, acho que você é o meu alguém único e diferente — eu falei, ele sentou do meu lado. Com o dedo ele enxugou as lágrimas dos meus olhos, nos abraçamos e depois nos beijamos mais um pouco.

•••

Já eram umas 8:45 da noite, quando eu estava sentado na varanda, olhando meu celular e esperando Breno sair da casa dele com carro, recebi um SMS de um número desconhecido: "Acho que verde realça sua beleza." — verde era a cor da camisa que eu estava usando. Depois recebi outra:

"Sentadinho na varanda, que coisinha mais linda de se ver." — de primeira impressão eu imaginei que as mensagens eram do Breno, nesse tempo todo Breno não havia me dado o número do celular dele mas me explicou o motivo no dia em que fomos juntos para a praia. Ele tinha sido roubado dias antes de ter viajado e vindo para cá, falou que cometeu a burrice de sair para pegar um ônibus para ir no shopping e quando estava na parada de ônibus com o celular na mão e o fone de ouvido, ouvindo música — me identifiquei, já cometi tantas vezes essa burrice que perdi as contas — Então foi aí que um cara mostrando uma arma havia rendido ele, infelizmente ele estava sozinho, disse que ouviu muito sermão dos pais quando voltou para casa. Falou também que era viciado demais no próprio celular e em tecnologia, e a perda do celular de certa forma o ajudou a "sair da bolha em que morava" quando ele estava com o celular nas mãos. Mas ele também me disse que tinha esperanças de ganhar um celular novo dos pais de aniversário, só não havia me dito quando era o dia do seu aniversário. A primeira coisa que pensei foi "Breno deve ter ganhado um celular novo antes do aniversário, talvez os pais não aguentaram e deram antecipadamente o presente."

Quando vi Breno saindo do portão com a caminhonete de Fernando, me levantei da calçada e cruzei a rua, entrei no carro fazendo uma cara de "acha que eu não sei o que você fez?" para ele.

- Idiota. — eu disse rindo.

- O que? — ele perguntou.

- As mensagens! — eu disse.

- Que mensagens?! — ele disse. Ele falou tão normal e sério que parei de rir no mesmo instante. Mas se não foi ele, então quem me mandou aquelas mensagens?

- Nada bobo, tô só brincando, vamos. Vou conectar no Spotify, tá? — confuso, resolvi mudar de assunto.

Tive que me fazer de GPS novamente como Breno não fazia ideia de onde era a casa da Manu, no caminho, paramos em uma conveniência e compramos uma caixa de Skol Beats.

- Finalmente! O casalzinho que eu tava esperando! — ela disse com um mega sorriso assim que abriu a porta para nós dois, nos abraçamos e entramos.

- Acho que é bom vocês não terem vindo pra cá de barriga vazia...porque hoje vai ser FEIO. — Manu declarou, ela ainda estava sóbria mas nos deixou com medo do que ainda vinha naquela madrugada.



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