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História Sangue de Aço - Capítulo 20


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Notas do Autor


Ei gente!
Estou de volta, agora com os capítulos finais da fanfic. Venho adiando o fim por tempo demais; chegou a hora de colocar um ponto final na história, mas relaxem: não é nesse capítulo! c:
Venho também dizer que pode ser uma surpresa para vocês, mas eu estou acostumada com escrita, especialmente de histórias de fantasia e ficção. Com isso, venho anunciar que recentemente lancei os meus três primeiros livros de uma série de fantasia na Amazon, a série Legado! É uma obra pela qual eu tenho um carinho profundo por ter sido minha primeira, e hoje em dia estou trabalhando no desenvolvimento do quarto e quinto livros da série.
Segue o link para o primeiro livro: https://www.amazon.com.br/dp/B086RY5KPL

Agradeceria de coração se pudessem me apoiar <3
Agora, vamos dar continuidade à história! Espero que gostem do próximo capítulo...

Capítulo 20 - Mina de ouro


As viaturas policiais começavam a chegar ao local em que Genos se encontrava após ter interditado a van. Genos explicou aos policiais toda a situação, deixando claro que eles não precisavam se preocupar em esclarecer muito as coisas, uma vez que tudo se tratava de uma “operação do quartel general frente a possíveis intervenções de empresas individuais, a fim de interferir na segurança de dados do quartel”. Ele também permitiu que o homem que dirigia a van fosse levado para custódia; imaginava que, por mais que não parecessem haver indícios de que ele estivesse envolvido em algum crime do tipo que Genos descrevera, talvez houvesse algo que os policiais pudessem desenterrar da história daquele homem – possíveis antecedentes, talvez. Dessa forma, ninguém seria prejudicado, e tudo não pareceria apenas um mal-entendido envolvendo toda uma ação e tiroteio desnecessários.

Logo os carros das autoridades se preparavam para se retirar, e tudo voltava a se acalmar. Um toque leve no ombro de Genos chamou sua atenção. Ele se virou e se deparou com Mitsuru, que sorria maliciosamente ao observar os arredores.

- Quer dizer que seu plano era destruir a van? – perguntou, observando os buracos das balas que atravessaram o teto do veículo.

Genos deu de ombros, fitando o rosto dela. Parecia estar bem.

- Eu não diria que era uma das prioridades... Como você está?

- Estou bem.

- Ótimo... E quanto à sua missão?

Mitsuru estendeu a mão até a cintura de Genos. Ele pensou que ela iria tocá-lo, porém ela agarrou o walkie-talkie e apertou o botão, aproximando o equipamento dos lábios.

- Saitama.

Um chiado dois segundos depois de seu chamado e a voz de Saitama soou do outro lado da linha.

- Oh, Mit-chan! Há quanto tempo você encontrou o Genos?

- Acabei de chegar. Encontre-nos no quartel, no escritório do Hideki. Temos de discutir os avanços de hoje.

 

Aquela havia sido a missão mais gratificante realizada até então, em relação a Hebi. Os dados que Mitsuru coletara do sistema dos computadores da empresa revelavam absolutamente tudo o que havia para se saber a respeito da empresa. A partir de agora, possuíam a localização de todas suas fábricas e instalações secundárias distribuídas por todos os distritos existentes; seus manufaturadores e terceirizados, fornecedores dos materiais que necessitavam, bem como todos os seus clientes e empresas independentes que compravam de seus estoques; tabelas que detalhavam todos os dados sobre os monstros criados até então, incluindo fotos, nome atribuído a cada monstro, data e local de criação; bem como uma lista com o nome de todos os heróis que foram utilizados para auxílio nas experimentações a fim da evolução das mutações, bem como os heróis que foram mortos por seus monstros, por interferirem em seu caminho; pessoas comuns que também chegaram a interferir e tiveram de ser eliminadas – o nome da família de Mitsuru entrava nessa categoria –; e os nomes de todos os integrantes da empresa, categorizados de acordo com o cargo e relevância para o andamento da corporação.

                Dois nomes tiveram maior destaque. A médica experimentadora, responsável pelas pesquisas com procedimentos de mutação e decodificação de código genético: Dra. Nozomi Nao. Previamente conhecida como uma médica legista em um dos hospitais mais renomados do distrito Z, a dra. Nao auxiliava, claro, diretamente e mais frequentemente na realização de autópsias para corpos enviados como fontes para investigação de casos criminais, sendo uma das profissionais mais reconhecidas e mais excêntricas da época. Durante os anos iniciais de sua carreira, seu nome cresceu de tal forma que apenas os melhores casos lhes eram enviados, e seu trabalho passou a ser incontestável e indubitavelmente excepcional.

Isso no começo de sua carreira. Tudo mudou quando uma denúncia anônima (diz-se que se trata de um estagiário bisbilhoteiro no hospital) relatou que a dra. vinha realizando experiências próprias nos corpos, não solicitadas pelas autoridades, tais como possíveis trocas de órgãos de um corpo ao outro, injeção de medicamentos ou misturas das quais não se tem ideia nos corpos... Dentre outros atos inteiramente imorais e antiéticos, que consequentemente acabaram resultando no mandato de suspensão das atividades da dra. por tempo indeterminado, ou até que uma ordem posterior fosse declarada a respeito de seu futuro. Antes que algo mais pudesse ser decidido, Nozomi Nao deu no pé; simplesmente desapareceu. Seu desaparecimento súbito levantou ainda mais suspeitas de que talvez ela estivesse realizando algo mais do que essas simples “experiências” nos corpos, e muito contribuiu para que ela fosse então declarada como procurada pelas autoridades de todos os distritos urbanos possíveis. Ela jamais foi encontrada. Pelo menos, até então. Ao que tudo indica, ou ela descobriu Hebi ou Hebi a descobriu. De qualquer forma, ela passara a atuar para eles; de acordo com os dados, com uma quantia mais do que satisfatória sendo depositada semanalmente em uma conta sigilosa em banco. Certamente a dra. encontrava-se feliz agora, e era a responsável pela criação de muitas das abominações que perturbavam a população atualmente.

O último nome não era familiar: Kyoichi Ryu. Absolutamente nada se encontrava a respeito deste homem. Não havia registro algum de seu nome em quaisquer bancos de dados; sua foto não batia com nenhuma disponibilizada em todos os sistemas possíveis de se acessar; sem antecedentes criminais, sem comprovante de residência, sem emprego declarado; sem impostos pagos, sem participação alguma na comunidade. O homem era um fantasma. Apenas uma coisa se sabia a seu respeito: ele era o líder da organização. Encontrava-se na posição de maior prestígio da organização Hebi e, ainda assim, nada se sabia a seu respeito. Até onde se sabe, poderia ainda ser um fantasma...

Por mais que Kyoichi Ryu permanecesse um mistério na mente dos investigadores, nada mais era. Tudo havia se esclarecido. Eles – e, com eles, referindo-se principalmente a Saitama, Genos e Mitsuru – haviam realmente encontrado uma mina de ouro. A vantagem estava ao seu lado.

Hideki mal conseguia conter sua satisfação.

- Vocês conseguiram! Mais do que apenas conseguiram: trouxeram-nos muito mais do que esperávamos conseguir! Meus parabéns a todos!

- Obrigado – Saitama falou num tom inocentemente convencido, deixando-se levar pelas emoções e contentamento alheios. Genos conteve uma risada. Mitsuru não se deixou levar. Observava silenciosa e fixamente as imagens de Kyoichi Ryu e Nozomi Nao diante de si, sem dizer uma única palavra.

Hideki apontou para as telas dos computadores ao redor de todos eles.

- Estão vendo isso tudo? É mais do que informação o suficiente para afundar essa empresa. Esses criminosos estão ferrados. Não duram mais do que um mês, quando conseguirmos reunir um bom número de grupos de investigadores para levá-los por água abaixo. Prenderemos cada um deles e daremos um fim para toda a sua sujeira. Apodrecerão na cadeia, e todos, inclusive a Associação de Heróis, terão uma infinidade de problemas a menos com que se preocuparem.

Mitsuru finalmente se virou para Hideki, unindo as sobrancelhas.

- Presos? – indagou.

- Até que seus cabelos fiquem grisalhos – Hideki respondeu, exibindo um sorriso largo de orgulho e satisfação – Mitsuru, não há nada mais a lhe dizer além dos meus mais sinceros parabéns. Com tudo o que teve de enfrentar... Deve estar orgulhosa por atingir seu objetivo. Eu certamente estou. Seus pais também estariam... Meus parabéns.

O maxilar de Mitsuru contraiu enquanto ela ouvia as palavras de Hideki, incrédula. Buscou manter o controle. Apontou para as imagens de Kyoichi e Nozomi.

- Quem são eles? – ela perguntou, fitando os olhos de Hideki. Saitama e Genos também a observavam, intrigados.

Hideki fitou as imagens por alguns segundos e então voltou a observar Mitsuru.

- São alguns dos maiores responsáveis por todas as calamidades cometidas por Hebi – respondeu, num tom quase que mecânico.

- São os responsáveis pela morte de dezenas, centenas de pessoas, inocentes e heróis – Mitsuru disse em resposta, aproximando-se de Hideki – Inclusive de toda a minha família. Meus pais, minha irmã, minha melhor amiga... Ela criou o monstro e ele deu a ordem. Acha que prendê-los é realmente justo?

Uma breve pausa.

- Bem, cabe a outras autoridades determinar qual será o destino apropriado a eles, porém certamente serão presos. Sendo presos, a justiça será feita.

- Esse tipo de justiça não trará de volta a minha família, nem todos que eles mataram. Não irá devolver meu braço e minha perna. Isso é totalmente desproporcional em relação ao que é realmente justo. Eles não podem ser presos. Eles têm de ser eliminados!

- Mitsuru – Hideki repreendeu, dando passos acelerados em direção à sua porta e aproximando-se da porta, certificando-se de que ninguém os havia escutado – Não cabe a nós decidir esse tipo de coisa. Um juiz é quem tem a autoridade necessária para...

- Eu não permitirei que eles saiam vivos – Mitsuru sibilou.

- Não cabe a você determinar o que será feito – Hideki contrariou, fitando-a, tocando seus ombros e tentando fazer com que ela o compreendesse – E eu recomendo seriamente que não faça nada a respeito, Mitsuru. Uma vez que isso chegar às mãos das autoridades nacionais, a responsabilidade será deles, e qualquer um que se intrometer e interferir em suas vontades será retaliado. Por favor, não faça nada a respeito, Mitsuru.

Mitsuru permaneceu completamente calada diante de suas palavras. Sua face séria e fria apenas fitava os olhos brilhantes e emocionados de Hideki, que tentava, acima de tudo, transmitir a ela compreensão e clareza em relação ao que todos sentiam no momento, especialmente ela.

- Você lutou muito para chegar até aqui. Mais do que qualquer outra pessoa. E você conseguiu. Chegou ao melhor resultado que se poderia alcançar. Daqui nós assumimos. Por favor, não faça mais nada. Não se coloque em risco; pense agora apenas em você, no seu futuro, na sua vida. Você me compreende? Pode fazer isso por mim?

As mãos de Mitsuru se fecharam em punhos e ela se virou. As mãos de Hideki deslizaram para longe dela à medida em que ela se afastava, passando pelos três homens e seguindo para a porta do escritório. Falou enquanto caminhava:

- Minha vida foi tomada de mim há anos.

- Mitsu-...

- Eu compreendo – e saiu do escritório, sem olhar para trás.

 

Naquela noite, Mitsuru optou por fazer absolutamente nada. Não se permitiu sequer pensar sobre o dia que enfrentara; estava desapontada com a conclusão da investigação, e cansada demais para se deixar desgastar emocionalmente refletindo sobre o assunto. Não queria pensar sobre tudo o que acontecera, tampouco sobre como tudo seria a partir de agora. Não era hora para isso. Deitou-se cedo em sua cama, sozinha no frio, exausta, e se entregou a um sono pesado no breu do quarto.

Passadas algumas horas de sono, pegou-se acordada ao ouvir o som de batidas na sua porta. Esfregou os olhos e bocejou. Que horas eram? Estendeu metade do corpo para fora da cama, para alcançar o celular sobre a mesinha de jantar. Observou as horas. Faltavam quinze minutos para as duas horas da manhã. E havia uma chamada perdida e uma mensagem de Genos, que tentaram contatá-la enquanto ela dormia.

Mais uma batia suave na porta. Devia ser Genos. Afinal, faria sentido ele querer visita-la para saber como ela andava. Mitsuru se ergueu lentamente e seguiu para a porta, pensando em formas de convencer Genos de que ela estava bem, tudo estava bem, dizer que ela não queria conversar a respeito e que agora tudo o que desejava era uma boa noite de sono.

Mitsuru abriu a porta, porém se deparou com o corredor vazio à sua frente. A brisa fria da noite entrou no apartamento, ao que ela segurou o casaco sobre seu peito. Estranhou a situação e a quietude do lado de fora. Deu uma espiada pelo corredor. Nada nem ninguém. O que...

Antes que pudesse pensar em algo mais, sentiu uma dor aguda em sua cabeça. Sua visão escureceu e, quando se deu conta, estava caída no chão do corredor, o rosto tombado contra o azulejo frio do piso. Uma pulsação agonizante e quentura percorriam sua cabeça. Ouviu o respingar de sangue no azulejo. Nada pode fazer quando um segundo golpe a atingiu no mesmo lugar. Perdeu completamente a consciência.



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