História Sangue do Meu Sangue - Capítulo 1


Escrita por:

Postado
Categorias Histórias Originais
Tags Les, Lésbico, Lgbt, Lgbtq, Orange, Romance, Vôlei, Yuri
Visualizações 0
Palavras 2.665
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Esporte, LGBT, Orange, Romance e Novela, Shoujo-Ai, Yuri (Lésbica)
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Incesto, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas do Autor


Oii, gente. Eu já tinha postado essa fic aqui antes, mas resolvi reescrevê-la e postar outra vez. Espero que gostem, viu?

Capítulo 1 - Acampamento


Fanfic / Fanfiction Sangue do Meu Sangue - Capítulo 1 - Acampamento

Mesmo ainda sofrendo as consequências da noite gélida, o sol brilhava forte no céu, iluminando as folhas aparentemente molhadas pelo sereno. O ambiente não era apenas rico em verde, mas também em outras colorações. De um lado, um beija-flor azulado se alimentava do néctar de flores lilases, silvestres; do outro, duas borboletas amarelas voavam livres em meio às folhas. O gramado era amplo com muitas sombras, produzidas pela copa das árvores, que ali residiam há muitos anos.

Era como estar no paraíso, pensou Claudia ao sair do carro, sendo seguida por seus amigos - David e Juliana - logo depois. O ar era tão puro que quase sentiu vontade de permanecer ali a voltar para a cidade. Com a ajuda deles, tirou as malas e acessórios do porta-malas, jogando-os sobre a grama úmida. Entre elas, uma mochila com bolas de voleibol.

Claudia e Juliana faziam parte do time sub20 de voleibol profissional do Flamengo e David era filho do técnico delas. Depois de uma maratona de jogos intermunicipais, acabaram tendo uma folga de uma semana, e David, que participava do futebol de campo, decidiu acompanha-las naquela viagem. Depois disso, teriam que voltar para o estado do Rio de Janeiro com o novo objetivo que mantinham em mente: treinar para, se possível, entrar na Superliga desse ano.

Esse sempre foi o sonho da líbero Claudia Lacerda, que acreditava que esse ano seria o primeiro de muitas conquistas e vitórias.

- Vamos montar logo essas barracas - disse Juliana, desatando o barbante que mantinha as barracas de plástico devidamente dobradas.

Os olhos azuis de David brilharam com o convite, como se a garota o estivesse convidando para um encontro amoroso. Claudia não conseguia entender como alguém em sã consciência gostava de montar barracas quando se tinha todo aquele lugar maravilhoso para explorar.

- Olha, vou dar uma explorada nos arredores, está bem? - Disse, desejando desaparecer dali o mais rápido possível, mas antes de virar as costas esperou a reclamação dos amigos, que sabia que viria.

- Por que você sempre foge de montar as barracas? - Como Claudia já esperava, o garoto de cabelos arrepiados indagou de forma emburrada.

- Esse é o trabalho de vocês. Eu dirigi, lembra? - Acabou rindo ao notar que eles estavam se enrolando com o que tentavam fazer, mas não ergueu um dedo para ajuda-los.

- Vai logo, você só atrapalha mesmo - Juliana puxava algumas cordas de uma sacola plástica enquanto dizia.

Antes de sair, Claudia mostrou a língua para a amiga e finalmente se direcionou para a mata. Era tudo tão lindo quanto nas fotos. Sempre quis ir naquele lugar, mas seu pai nunca havia deixado. Eric sempre foi um pai dedicado e preocupado. Até demais. Nas primeiras viagens com o time, precisava ficar ligando de hora em hora para jurar que estava tudo bem ou que a menina raptada na televisão não era ela. Mas gostava disso, gostava de ter o carinho do pai em dobro, pois pelo menos a fazia esquecer que não teve o da mãe.

Completamente absorta em pensamentos, caminhou por entre as árvores enormes e pulou alguns troncos que estavam derrubados na trilha larga, provavelmente para deixar claro que carros naquela parte eram estritamente proibidos. Parecia uma criança perdida em um parque de diversões, olhando para todos os lugares possíveis e tirando fotos de tudo com o celular em mãos. Um pouco mais a frente, misturado ao canto dos pássaros, ouviu um barulho um tanto familiar e seu corpo rapidamente encheu de expectativa, afinal estava naquele lugar justamente por causa disso.

Cachoeira, a palavra ecoou por sua mente como um mantra, obrigando-a a baixar o celular e seguir apressada pelo restante da trilha. Estava tão extasiada que nem notou que tinha começado a correr, sentindo o coração acelerar quando finalmente os primeiros raios de sol, que antes as árvores não permitiam que tocassem o solo, apareceram. Passou por cima de um tronco, pulou alguns galhos e, quando estava bem perto, alguém surgiu na trilha como se tivesse se materializado ali. Claudia não teve tempo de pensar de onde a pessoa apareceu e nem como foi que tudo aconteceu, pois acabou esbarrando sem querer no corpo dela, o que acabou ocasionando uma queda feia.

Foi rápido demais, quando se deu conta já estava indo em direção ao chão de terra repleto de folhas secas. Sua primeira reação foi se apoiar com os braços para não ralar o rosto, mas descobriu depois que foi um erro fatal. Ao sua mão tocar o solo, gritou de dor e desabou sobre o corpo estranho. A dor que sentiu no pulso já machucado foi tão grande que Claudia teve a sensação de que havia sido picada por algum animal peçonhento e o veneno aos poucos ia destruindo suas células. Havia-o machucado no último treino, ao defender uma cortada fortíssima de Juliana, que era a melhor atacante do time até então.

- Você está bem? - Indagou a garota ao se desvencilhar do corpo de Claudia, que permanecia inerte. Sentou-se e a virou de costas, apoiando a cabeça dela em suas pernas. - Ei... sério, não me diz que você morreu.

A voz melodiosa da garota chegou aos ouvidos de Claudia mais uma vez, fazendo-a abrir os olhos devagar para encará-la. A primeira coisa que conseguiu ver foram mechas douradas, que brilhavam majestosamente devido aos poucos raios solares que furavam o espaço entre as folhas acima de suas cabeças. Depois seus olhos azuis se encontraram com os dela, que eram da mesma cor, porém em uma coloração mais clara, como o céu azul em um dia de verão. Por último, que percebeu ser o melhor até então, notou boca rosada curvar-se em um sorriso angelical.

- Eu morri? - É claro que não tinha morrido, mas estava tão fascinada com a beleza da garota que acabou divagando sem perceber.

- Não, graças a Deus - a loira sorriu abafado, se assustando ao perceber que aquela era a garota mais linda que já viu na vida. Seus olhos azuis formavam um contraste perfeito com os cabelos negros e lisos.

Claudia não a conhecia, mas alguma coisa prendia seu olhar ao dela. Não conseguia identificar exatamente o que era.

- Machucou alguma coisa? - Ela quebrou o silêncio.

- Só o pulso, mas acho que não foi nada - disse, levantando-se ao se tocar que estava deitada com a cabeça nas pernas dela. Ao apoiar os braços para se por de pé, uma fisgada forte a fez vacilar, gemendo de dor ao mesmo tempo em que era aparada pela garota desconhecida.

- O que foi? Deixe-me ver - Claudia deixou que ela pegasse sua mão e analisasse a contusão. - Está inchando. Aqui não tem gelo, mas podemos aliviar um pouco com a água gelada da cachoeira. Vem, eu ajudo você a se levantar.

Talvez não devesse ter saído de perto de seus amigos. E se tivesse esbarrado em alguém mal intencionado? Ainda bem que a loira não aparentava isso, muito pelo contrário, sua simpatia era tão contagiante que se sentia bem sem nem mesmo conhece-la. Sem querer prolongar o pensamento, deu a mão livre a ela e se levantou.

- Clara? - Uma voz feminina soou ao longe, chamando a atenção das duas.

- Estou aqui, Liane! - A garota, que aparentemente se chamava Clara, gritou para a outra ouvir. - Vem - puxou a morena pelo braço. - Na cachoeira!

- Não estamos na cachoeira, loirinha - Claudia sorriu divertida.

- Não, mas estamos indo para lá, não é? Quando ela nos alcançar, não estaremos mais onde estávamos. Sabe, nem toda loira é burra - sorriu ao ouvir a risada da morena, ela aparentava ser uma pessoa legal.

Na medida em que se aproximavam, o barulho da água que jorrava entre as pedras ficava mais alto e excitante. Claudia pulou algumas pedras com Clara ainda segurando seu pulso gentilmente, e prestigiou a visão magnífica da água gélida, que vinha do alto da serra, cintilando contra a luz do dia.

- Coloca a sua mão um pouco dentro d'água, vai aliviar a dor.

A morena obedeceu, estremecendo com a baixa temperatura do liquido transparente, mas se esqueceu de tudo quando uma garota, cujo rosto era muito familiar, surgiu da mata. Por um momento, Claudia viu cenas passarem por sua mente. Ruins; boas. A garota, que em sua mente segurava sua mão, já não tinha os cabelos longos e totalmente escuros, mas poderia jurar que era mesma pessoa. Seu cabelo agora não passava da altura do queixo e tinha uma colocação mista de preto com mechas achocolatadas. Os mesmos olhos castanhos que...

- Lia?! - Claudia indagou, incrédula. Nem percebeu que tinha levantado de supetão. - É você mesmo?

Liane não tinha reparado muito bem a garota agachada na margem da cachoeira, mas agora tinha certeza que era sua antiga melhor amiga do colegial. Perderam contato depois de se formarem, mas nunca esqueceram uma da outra. Eram como unha e carne.

- Não acredito que é você! - Ela exclamou e, mesmo hesitante, andou na direção da antiga amiga para dar-lhe um abraço apertado.

- Que saudade - murmurou a morena, sentindo os braços de Liane envolvendo-a com carinho. Os dois corpos estremeceram levemente com o contato e afastaram-se rapidamente, pois havia sido exatamente por esse motivo que se afastaram no passado. - Eu simplesmente não acredito que você pintou e cortou o cabelo!

- Ah, você sabe que só o mantinha daquele jeito por causa de você - Lia sorriu. - E você não mudou absolutamente nada, continua tão linda quanto antes.

O rosto de Claudia ficou ruborizado. Mesmo depois de tanto tempo, Liane não tinha perdido a mania de deixar as pessoas sem graça. Ou irritada, dependendo do momento.

- Estou vendo que já conheceu minha amiga - Claudia agradeceu quando ela mudou o assunto, agora se referindo a Clara.

- É, nos esbarramos sem querer - sorriu ao olhá-la. - Sinto muito por isso.

- Não foi nada. É uma coincidência vocês duas se conhecerem. Está sozinha?

- É mesmo. Não, com dois amigos. Por que não ficam onde estamos? Vai ser mais divertido - Claudia disse.

- Também acho - Lia respondeu e depois se virou para Clara. - Tudo bem para você?

- Sem problemas, mas temos que falar com o Victor primeiro.

- Deixa comigo. Onde vocês estão? - Indagou para a antiga melhor amiga.

- Ao norte tem um campo aberto. Estamos lá.

Liane assentiu.

- Tudo bem. Vão indo na frente, já chego lá de carro com o Vitinho - depois de dito, ela virou as costas e sumiu entre as árvores da trilha.

Clara se sentou em uma pedra mediana e ficou observando a garota, que voltou a molhar o pulso na água corrente. Percebeu que ela tinha uma coisa que sempre achou bonito, tanto em homens, quanto em mulheres: um corpo bem definido por atributos atléticos. Será que ela praticava algum esporte? Queria saber, mas não perguntaria, não agora pelo menos. Sua timidez talvez fosse seu maior defeito.

- Vai ficar aí viajando ou vai voltar comigo? - Indagou Claudia, despertando a loira de seus pensamentos.

- O quê? Não, claro que não vou ficar aqui sozinha - a loira se levantou da pedra e pôs-se a segui-la.

- Você mora perto da Lia?

- Ela é minha vizinha. E vocês? Como se conheceram?

- Fomos da mesma turma no colegial. Éramos melhores amigas na época, mas perdemos contato - lembrou-se do dia em que voltou do seu primeiro jogo fora do Rio e descobriu que Liana havia se mudado temporariamente para fora do estado, mas ela nunca mais apareceu. Nunca sofreu tanto em sua vida como naquele dia.

Ainda não se sentia totalmente bem com essa "volta" repentina de Liane, embora a amiga dela geralmente valesse a pena. Conversaram animadamente durante todo o caminho até o local em que seus amigos tinham armado acampamento. Tinham se dado muito bem, descobriram possuíam muitos gostos em comum, apesar de serem muito diferentes em diversas outras questões. Depois de alguns minutos, finalmente chegaram ao acampamento. As barracas já haviam sido montadas, uma azul e outra verde. David e Juliana eram craques naquela tarefa, diferente de Claudia, que era um desastre. Mas também tinha suas habilidades por fora.

- Por onde você andou, minha líbero? - Era assim que Davi a chamava. Ela já estava acostumada. - Quem é a gatinha? - Indagou ao reparar em Clara.

- Clara, esse é David e essa Juliana - apresentou-a. - Gente, ela e uns amigos vão acampar conosco.

Juliana estendeu a mão e apertou a da garota.

- Prazer em conhecê-los. Espero que não se importem - Clara murmurou com um leve rubor na face.

- Claro que não nos incomodamos - a mulata respondeu, sorrindo para a loira. Depois se virou para a amiga e concluiu: - Mocinha, não acha que já passou da hora de treinar não?

- Vamos logo - mostrando que concordava com o que Juliana tinha acabado de falar, David completou animado, pegando uma bola azul e branca da bolsa e jogando para a líbero em seguida.

- Claudia, seu pulso - murmurou a loira, preocupada.

- Está tudo bem - depois de dito, a jogadora sorriu docemente e se uniu aos amigos. - Fica aqui perto da gente.

Mesmo ouvindo-a afirmar que estava tudo bem, não acreditou nem um pouco. O pulso dela estava bastante inchado e, notando agora o que ela fazia, tinha certeza que pioraria a lesão. Não entendia nada de vôlei, mas entendeu vagamente que ela era uma espécie de zagueira do time, o que só dificultava as coisas. Estava preocupada. As cortadas de Juliana e Davi eram absurdamente fortes e, mesmo defendendo-as com maestria, a cada jogada, sua expressão de dor se tornava mais nítida. Mas ela não parava, parecia uma máquina.

O treino estava na metade quando Lia chegou com um garoto moreno de cabelos ondulados, Victor. Antes de anoitecer, montaram apenas mais uma barraca, para dormirem dois em cada uma delas, e passaram o resto do dia ajeitando tudo que havia faltado. Os meninos opinaram por sacos de dormir, já as meninas, por lençóis forrados na grama.

Todos se deram muito bem, como se já se conhecessem há muito tempo. Brincaram, riram e se divertiram até não aguentarem mais. Quando a noite finalmente chegou, tudo se tornou gélido e silencioso. Só se ouvia o cantarolar dos grilos, nada mais que isso. Durante o dia era um verdadeiro paraíso, à noite... nem tanto.

Claudia sabia que não podia ler com pouca iluminação, mas não estava com a mínima vontade de dormir, ao contrário de Juliana, que já dormia profundamente ao seu lado. Normal, sempre foi uma dorminhoca. Com uma pequena lanterna, iluminava as letras minúsculas do livro que estava lendo. Enquanto passava os olhos de um canto da página para o outro, ouviu uma melodia vinda do lado de fora da barraca. Sua primeira reação foi iluminar o rosto de Juliana com a única luz que possuía.

- Ju... - Chamou a garota.

- Vai dormir, Claudinha - a mulata respondeu de um jeito emburrado, virando o rosto para o lado oposto em seguida.

Revirando os olhos, ignorou as palavras da amiga e ajeitou os óculos de grau sobre os olhos azuis, saindo para a escuridão. Em pensamento, falava para si mesma que não estava com medo. Vestida apenas com uma camiseta branca, que ia até a metade das coxas e cobria as peças intimas que vestia por baixo - uma cueca feminina preta e um sutiã da mesma cor -, Viu uma silhueta em frente à fogueira, tocando violão. A melodia era lenta e reconfortante. Claudia se aproximou um pouco mais e em fim reconheceu o dono da linda voz que fazia um perfeito dueto com o instrumento.

- Posso ficar aqui olhando você tocar? - Indagou, sem querer assustando a pessoa, que parou de tocarimediatamente. Talvez não imaginasse que alguém apareceria de repente. 

 


Notas Finais


E aí, o que acharam? Pretendo postar entre uma a duas vezes por semana <3 Beijinhos e até a proxima


Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...