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História Sangue Impuro - Capítulo 3


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Notas do Autor


Tá indo devagar, mas tá indo...

Capítulo 3 - 03


[Sora]

Depois que a vampira saiu tentei forçar as cordas para soltar mas não tinha como. Estavam bem apertadas, mas não a ponto de me machucar. Você é tão gentil, que droga. Assim fica difícil não gostar de você. Penso comigo mesma deitando na cama e esperando a minha morte.

A imagem de meus pais sendo atacados pelo ancião, o pai dela me atacando e me levando. Pessoas correndo desesperadas, morrendo de todos os lados... E eu ainda não sabia se meus pais estavam bem. Se eles conseguiram escapar ou não. Preciso sair daqui o quanto antes. Espero que não estejamos tão longe agora...

Espera, como eu vou conseguir sair daqui se eu nem sei o caminho de volta pra casa? Aaargh. Droga. Eu tô dependente daquela vampira. Espero que ela me ajude como disse que iria. Com todas essas preocupações na mente eu não resisto a fadiga e logo adormeço.

Em meu sonho eu estava em meu reino. Estávamos em volta da árvore central, pareciamos estar comemorando meu aniversário. Meus pais sorriam muito e todos em volta de mim estavam bem. Num segundo depois os habitantes de Astrax começaram a cair um a um. Me vi perdida e assustada, os meus pais caíram também ensanguentados, e por detrás deles surgiu Reyli. Com a boca suja de sangue. Ela estava com seus dentes e garras a mostra. Se aproximou de mim como uma predadora.

- Não tem pra onde fugir não é? - Passou seu indicador-garra em meu rosto. Eu olhava dentro de seus olhos verdes e sentia a escuridão que eles não mostravam. Sentia a dor dentro dela. - Você é minha.

E ela me mordeu arrancando a carne em meu pescoço. Nesse mesmo instante eu acordei. Ofegante e assustada. Olho pros lados e percebo que ainda estou ali naquele zeppelin maldito. Ouço duas batidas na porta.

- Princesa Sora, vou entrar. - E então Reyli entra sem muitas cerimônias. Me vê no estado confuso que estou e se aproxima. Desvio meu olhar do dela enquanto ela se senta na cama sem pedir permissão.

- Aconteceu alguma coisa? - Pergunta preocupada checando se eu estava com febre colocando sua mão em minha testa.

- Não, nada... Estou bem.

- Tudo bem então. - Se esticou para abrir a gaveta do criado mudo e nessa hora eu olho pra ela. - Toma. - Havia me entregado uma toalha branca.

Segurei a toalha com uma certa saudosidade que eu tive de estar em casa. Até agora ela estava sendo gentil comigo e eu não sei por quanto tempo isso duraria, como eu passaria de toalhas brancas,  pro pano de chão que esfrega o chão deles. Está tudo suportável, relativamente bem.

- Obrigada. - Eu me esforço para enxugar meu rosto suado. E ao ver isso ela se rende e me ajuda a me secar com mais precisão. - Não precisava.

- Vem. Vamos jantar. - Ela dá um sorriso de canto.

- Jantar? - Ter uma refeição ao lado dos vampiros não me parecia seguro. 

 

[Reyli]

Seguro no braço dela pelos corredores até chegarmos no espaço reservado de refeições dos servos.

Nos deparamos em frente a porta, eu empurro a porta entre-aberta e antes mesmo de mergulharmos na variedade degustante de aromas tentadores sinto os cheiros incitando a minha fome, e de alguma forma faziam-na se retrair se sentindo desconfortável. A princesa me espera ao lado da mesa com uma postura acuada e absolutamente intimidada.

- Se sente. - Puxei um das cadeiras em uma mesa de 12 assentos.

Me sento ao lado da cadeira que havia puxado e espero pelos servos chegarem ao recinto.

- Ô Reyli, cê tem certeza que não vai comer nada? - O cozinheiro alto de corpo pálido, mas rígido vem até a mesa abandonando o balcão de preparação. - Ow. - Ele leva um susto ao ver a princesa à mesa, que ainda estava de pé.

- Não Augustus, minha refeição é apenas quando chegar em Chewhoay. - Ponho uma mão apoiando meu queixo na mesa.

- Quem é essa? - Ele aponta pra criatura desconhecida.

- Essa é a princesa de Astrax, Sora. E este é Augustus, nosso cozinheiro, princesa. - Olho para ela ainda intimidando a se sentar.

- P-prazer. - Ela estende as mãos amarradas para apertar a mão dele.

- E... Isso é... - Ele para um pouco tentando assimilar a situação. - Você é nossa prisioneira não?

- Ah sim, sou sim. - Ela diz sorrindo nervosa. - Sou muito perigosa aparentemente. - Diz em tom irônico.

- Bem... Então, se sente. Nós também temos comidas para... Bem pra dizer a verdade eu já servi humanos, mas elfos nunca. O que vocês comem?

- Ah não se preocupe, comida de humano serve, não somos tão seletivos. - Ela diz sorrindo e finalmente se sentando ao pedido dele.

Augustus então se prontifica a preparar uma refeição no balcão para servir junto as demais.

- Você mudou de humor rapidinho. - Mencionei vendo seu sorriso. - Acho justo, já que não quer ser a refeição.

Ela desfez seu sorriso me olhando seriamente. Pôs as mãos em cima da mesa e assumiu uma postura mais digna.

- Ele foi gentil comigo. Costumo ser reciproca. - Acho que estava incomodada com o fato de ter dado uma falsa sensação de conforto a ela.

- É porque queria mais princesa? - Ela fica sem responder desviando o olhar. Sorrio ao ver que a pergunta a deixara vermelha.

A porta se abre bruscamente e os servos entram todos amontoados, felizes e conversando alto. Eles se arrumam em volta da mesa, alguns me reverenciam, os mais veteranos, os mais novos são obrigados pelos mais velhos. E assim que todos se ajeitam as conversas vão cessando por perceberem a princesa ao meu lado e o meu silêncio incomodador.

- Servos, essa é a princesa Sora de Astrax, ficará conosco durante a nossa viagem até que meu pai decidir por quanto tempo isso vai durar.

- Então ela é prisioneira? - Barmud pergunta com sua voz grave e rasgante apontando com os talheres para ela.

- Sim, mas não ousem tocá-la. - Ditas essas palavras, ele se retraiu e os servos se atemorizaram. Todos sequer ousaram olhá-la depois disto.

A refeição é servida a todos. Nada de legumes, vegetais ou frutas, era pura carne sangrando nos pratos deles, todos devoram rapidamente enquanto ao meu lado Sora tinha dificuldades de comer com os talheres, tentava uma ou duas vezes mas elas escapavam de sua mão caindo no prato.

Posso te ajudar? - Me compadeço falando em seu pensamento.

Ela balança a cabeça e eu pego os talheres divindindo a carne assada, diferente da que os servos estavam saboreando. Levo até sua boca e ela aceita o bom gosto que tinha.

Não está preocupada com o tipo de carne que isso possa ser? - Brinquei sorrindo e tendo um leve susto em reação. - Relaxe, é apenas carne de veado.

Ela suspira aliviada. Eu continuo a alimentando silenciosamente, enquanto os servos vão deixando a mesa um a um quando terminam suas refeições.

Quando dou sua última garfada o cozinheiro vem até nós.

- Que bonito, já estão a esse nível de relacionamento? - Ele cruza os braços sorrindo.

- Não tenho escolha. - Fiquei emburrada, mas ele toca em meu ombro me confortando.

Augustus é uma das poucas pessoas que entende como me sinto em relação a minha condição de sobrevivência.

- Estava muito bom, obrigada Augustus. - A princesa sorri se levantando.

- Pois não princesa, volte sempre! - Ela faz uma reverência se curvando genuinamente, mesmo que em tom de brincadeira. - Reyli, estarei aqui se precisar de mim.

- Eu agradeço. - Ele recolhe os pratos sobre a mesa e volta para o balcão.

Encaminho Sora a guiando novamente pelos corredores. Antes que cheguemos ao seu quarto passamos pelo meu pai.

- Vejo que já alimentou nossa convidada. E quanto a você filha?- Ele esperava que eu quebrasse minha dieta mesmo dizendo que me apoiava.

Talvez ele esteja torcendo pra que eu machucasse a princesa a qualquer custo. Talvez seja por isso que... Não, ele não está pensando que a minha atração por ela me faria libertar o chaos dentro de mim.

- Quando chegar em casa pai.

- Está bem. - Ele sorri de forma pretenciosa. - Tenham uma boa noite senhoritas. - Ah e... Princesa Sora, seus pais estão bem. Vamos fazer a negociação por você quando chegarmos em nosso reino.

É tudo o que ele diz antes de se virar e tomar seu caminho até a cozinha. Assim que chegamos no quarto Sora ainda estava assimilando a boa notícia.

- Eles estão bem! - Ela sorri me abraçando.

- Isso é ótimo.

Mas ele provavelmente está mentindo e quer te manter aqui. - Mando a mensagem telepatica a ela sem desejar que ela se iluda. Ela se aproxima rente a mim quase relando nossas bocas.

Como sabe disso? - Leio seus lábios sem que saia som algum.

Meu pai as vezes é ardiloso. Se você acreditar que eles estão bem, acha que você vai coloborar muito mais.

Ela tentou falar mais alguma coisa mas não consegui compreender a leitura. Ela tenta de novo mas eu realmente não entendia. Então ela apenas me diz obrigado e se deita em sua cama me evitando.

 

[Sora]

Ela não havia entendido o que eu tentei dizer. Vamos tentar fugir, me ajuda? Parece que quer fugir também. Esse lugar parece que te aflinge. Depois tentei dizer mais resumido: fuja comigo. Ela não é tão boa em leitura labial, a gente tem que dar um jeito de se comunicar aqui. Me deitei na cama ignorando sua presença ali. Depois ouço a porta se fechando. Estava só de novo.

O tempo passa de um modo que não entendo. Estávamos naquela reunião, eu havia me alimentado e não depois que algumas horas eu estava com fome e ainda era noite. A não ser que tenha... Se passado... Algum tempo.

Eu fiquei com fome depois que eu acordei, mas não senti nada. Droga será que ela colocou alguma coisa naquela água?

Desgraçada! Pensei que ela estivesse tentando me ajudar, mas ela apenas é cumplice nos planos do pai! Nossa como eu caí na lábia dela? Preciso dar um jeito de sair daqui agora!

 

[Reyli]

Volto ao meu quarto para pegar um lápis e um papel. Acho que isso vai facilitar nossa comunicação, pelo menos por enquanto. Quando retorno para ver a princesa ela estava sentada encarando a porta.

- Você está bem? Tem alguma coisa errada?

- Eu vou te mostrar a coisa errada! - Ela falou furiosamente vindo pra cima de mim pra me atacar.


Notas Finais


Ai Sora, tinha que complicar tudo...


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