História Sangue Secular - Capítulo 8


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Categorias Bangtan Boys (BTS)
Personagens Jeon Jungkook (Jungkook), Jung Hoseok (J-Hope), Kim Namjoon (RM), Kim Seokjin (Jin), Kim Taehyung (V), Min Yoongi (Suga), Park Jimin (Jimin), Personagens Originais
Tags Bangtan Boys (BTS), Bottom!jungkook, Mistério, Mitologia, Sobrenatural, Taegust, Taekook, Top!tae, Vkook
Visualizações 397
Palavras 7.205
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Drama (Tragédia), Fantasia, Ficção, Lemon, LGBT, Luta, Magia, Mistério, Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Suspense, Terror e Horror, Universo Alternativo, Violência, Yaoi (Gay)
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Heterossexualidade, Homossexualidade, Incesto, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Mutilação, Nudez, Sexo, Tortura, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


OI, OI, OI (to postando assistindo avenida brasil, tô no clima)

E ai, meus anjinhos? Gostaram do show hoje? Af, tô mto boiola com o cabelinho do JK e as tatuagens (sim, no plural pq eu acredito na teoria do braço fechado tá ok!})

Bom, como eu disse capítulo passado, a partir de agora as coisas vão ficar quentes hehehe É, Sangue Secular começou oficialmente.

Muito obrigada por todos os comentários e favoritos, sério. Mesmo eu não respondendo todos (me perdoem :() eu leio todos e eles me incentivam muito a continuar, então, por favor, nunca deixem de comentar.

É isso, obrigada por tudo e aproveitem o capítulo <3

Capítulo 8 - Pandemônio


Fanfic / Fanfiction Sangue Secular - Capítulo 8 - Pandemônio

 

“[...] Porque esta nuvem de fumaça está me dando abrigo

E eu me sinto muito melhor

E demônios balançam as bandeiras brancas por mim

Até meus ossos continuarem sangrando para saírem 

— Smoke Clouds (James Arthur)”


 

Jeongguk olhava vez ou outra para o bilhete do ônibus para ter a certeza em qual entrar. Taehyung, ao seu lado, olhava curioso para todos os lados, impressionando-se com todas as coisas que, para ele, eram estranhas naquela rodoviária. 

O mais novo tinha a jaqueta amarrada nos quadris e uma mochila simples em suas costas onde carregava suas roupas e as de Taehyung que também eram suas, afinal, além do sobretudo e da roupa social que o homem de letra usava, ele não possuía mais nada. O Kim não saiu do lado do Jeon nenhum minuto sequer, pois a movimentação crescente na rodoviária o deixava assustado e com um pouco de taquicardia. 

— O nosso expresso direto para a riqueza acabou de chegar, vem — Jeongguk chamou ao avistar o ônibus que os levaria até Gwangju. 

— Espere por mim — Taehyung gritou e apressou o passo para seguir o ritmo do rapaz mais novo. Quando se deram conta, já estavam na fila para subir no ônibus. 

— Já andou de ônibus? — Jeongguk perguntou em tom de riso enquanto procuravam seus lugares.

— Preciso responder que não? — O Jeon apenas riu pelo nariz e apontou as poltronas que iriam ser suas melhores amigas durante a longa viagem de um dia e meio. 

— São confortáveis pelo menos — comentou, deitando mais a poltrona para poder esticar as costas.

— Sim, são tão macias — Taehyung sorria ao sentir o quanto as cadeiras eram fofas e confortáveis. 

— Você não vai ficar tão animadinho assim quando partirmos e começarmos a passar pelos buracos.

— Não tem problema. Estou indo resgatar um bom dinheiro, nada irá tirar o meu bom humor. 

— Acho bom mesmo — Jeongguk lhe olhou de canto de olho, deixando a mochila sobre o colo. 

A viagem até Gwangju seria comprida, não restava dúvidas. De ônibus, o tempo para chegar até lá dobrava, tornando-a ainda mais longa, contudo, eram o que podiam pagar. 

Podia parecer loucura Jeongguk gastar todas as suas economias em duas passagens de ônibus justamente quando ele havia acabado de perder o emprego, contudo, havia passado três dias inteiro pensando e conversando com Taehyung para ter a certeza de que estaria fazendo o certo. Claro, aquela parte que dizia que tudo poderia dar errado ainda lhe atormentava, todavia, o Kim sempre lhe acalmava e pedia para ele pensar positivo e, principalmente, não acelerar seus pensamentos. 

A relação entre eles estava progredindo diariamente. Já se sentiam próximos o suficiente para conversarem sobre tudo e todos e, pela primeira vez em anos, Jeongguk sentia que tinha um amigo com quem contar — um amigo estranho do século passado e que não entendia os piercings em suas orelhas, mas, ainda sim, um bom amigo. 

Viajar com Taehyung, de certo, seria uma aventura peculiar. Não sabia o que esperar do mais velho, nunca sabia, pois o Kim não era o que podemos chamar de previsível. Durante os últimos três dias, Jeongguk havia flagrado Kim mexendo em seu notebook de madrugada e, para seu espanto, corretamente. Tinha percebido que o homem de letra aprendia rápido e que, devido a sua inteligência fora do comum, já havia aprendido centenas de coisas na internet. Ele havia entrado para aquela pequena lista de pessoas que utilizavam a internet para fins acadêmicos e proveitosos, o que deixava o rapaz tatuado com um certo orgulho. 

O caminho era seguido sem muitos conflitos. Jeongguk repreendeu o Kim por ter comido demais na hora do almoço e ter dado um baita prejuízo, mas nada que uma carinha de cachorrinho e uma voz mansa pedido desculpas não resolvesse. Quando já passava das 20h e ainda faltava muito para chegarem à Gwangju, o motorista parou em uma pousada chinfrim que mais parecia um motel de beira de estrada. 

— A previsão do tempo indica chuva aos arredores de Gwangju e a estrada até lá é esburacada. A companhia avisou e disse que havia reservado quartos com uma pousada parceira pela metade do preço e isso será cobrado à parte — audíveis sons de represália ressoavam pelo interior do ônibus. — Sinto muito, são apenas ordens. Desçam e vão até a recepção pegar a chave dos quartos de vocês, ficarão em pares. Por favor, estejam no ônibus amanhã às seis em ponto. 

O motorista anunciou e foi o primeiro a descer do transporte, deixando todos os passageiros e a balbuciar desgostosos pelo fato de se atrasarem ainda mais.

— Fala sério — Jeongguk reclamou, bufando. 

— A explicação dele foi bastante coerente. Prosseguir por uma estrada ruim, molhada e durante a noite é uma péssima ideia.

— Eu sei, senhor sabe tudo, mas é que vamos ter de passar a noite nesse muquifo — apontou para a pousada com um grande letreiro brilhante que explicitava seu nome. — “Hotel Vermelho” e que nomezinho brega — revirou os olhos. 

— Você reclama muito, Jeongguk. Alguém já lhe disse isso? — Taehyung falou e o Jeon preferiu fingir que não tinha ouvido, pegando a mochila em seu colo e colocando-a em seus ombros. 

— Anda logo, vamos — chamou e desceram do ônibus. 

Ficaram na fila por alguns minutos para que pudesse pegar a chave do quarto que dividiam. Enquanto esperavam, o Jeon pôde ver, do outro lado da rua, uma casa noturna que, assim como o hotel, possuia uma placa. Diferentemente da pousada velha, a boate parecia moderna, até mesmo o seu nome contribuia para essa impressão: “Pandemônio”. 

— Ei, Taehyung — Jeongguk chamou após guardar as chaves no bolso da calça e sorriu maliciosamente. — Já foi à uma festa? — Arqueou as sobrancelhas, vendo o mais velho franzir o cenho por trás dos óculos.

— Claro que já fui à festas — caminhavam até o quarto que passariam a noite, observando e vendo que, de fato, aquela pousada poderia ser tudo, mesmo de boa qualidade. Não era de se espantar que a companhia houvesse fechado justamente com ela, mas, pelo menos, sairia mais barato. 

— Não estou falando de festas onde você toma ponche e dança com uma garota de vestido comprido — Jeongguk destrancava a porta do quarto e a abria para que pudessem adentrar o cômodo. 

— E de que tipo de festa está falando?

— Uma festa do século XXI, Kim — Jeongguk sorriu, jogando a mochila sobre a cama estreita de casal. Desenrolou a jaqueta que estava amarrada em sua cintura e vestiu, virando-se até um pequeno espelho que havia na parede e bagunçando um pouco os cabelos compridos. — Com música eletrônica e meninas de minissaia, além de caras fortes e que tiram a camisa na pista de dança — o Jeon viu quando as bochechas do mais velho assumiram um tom rubro com aquelas palavras. 

Ora, Jeongguk precisava espairecer, tirar os pensamentos acelerados de sua mente, e, principalmente, se divertir. Depois de tanta coisa ruim acontecendo, no mínimo ele merecia dançar em uma boate e beber alguns drinks para esquentar a garganta. Com sorte, poderia beijar um cara bonito que lhe deixaria excitado, mas que não conseguiria lhe levar para a cama. Jeongguk precisava se divertir como uma recompensa por aguentar firme, uma retribuição dele para ele mesmo por ser forte e aguentar as provações da vida. Por isso ele iria àquela boate meia-boca, mas que serviria para suprir seu desejo por farra. 

— Você acha que uma festa assim é apropriada? — Taehyung perguntou, arrumando os óculos no rosto. 

O quarto que iriam dormir era pequeno e cheirava a coisa velha, mas Jeongguk nem ao menos conseguiu se importar com isso quando começou a planejar as coisas que faria na boate. Queria se acabar na pista de dança e ensinaria Taehyung a como dançar, pois queria ver o mais velho deixando aquele lado travado de lado. 

— Não, por isso mesmo quero ir — sorriu com os dentes proeminentes. — Vem comigo?

— E-eu? — Taehyung engoliu em seco. — Não acho que combino com esse tipo de festa.

— Ah, combina sim.

— Jeongguk…

— Olha, Taehyung, vamos nos divertir um pouco. Sabe, a gente passou o dia inteiro chacoalhando naquele ônibus desgraçado e ainda vamos dormir neste hotel velho e que deve está cheio de assombrações, então, por favor, vamos aproveitar — Jeongguk pediu, olhando dentro dos olhos de Taehyung para poder convencê-lo. 

Mesmo que o Kim não fosse, o Jeon iria de qualquer jeito, mas ele preferia estar acompanhado pelo mais velho, afinal, Taehyung conseguia deixar as situações infelizes da vida um pouco mais leves. 

— Temos de estar de volta à meia noite, tudo bem? — Jeongguk olhou para o relógio e viu as horas: 21h30, estava perfeito.

— Ótimo! — Jeongguk sorriu. — Agora temos que arrumar você.

— Mas eu já estou pronto — Taehyung juntou as sobrancelhas em confusão. 

— Tá nada, vem cá — o rapaz tatuado segurou os ombros do Kim e o levou até a cama, fazendo-o ficar sentado na ponta do colchão.

— O que vai fazer? 

— Eu vou te deixar com cara de século XXI — disse enquanto vasculhava algo dentro da sua mochila. Acabou pegando o que parecia ser um spray de cabelo e um perfume. 

— Não me deixe muito extravagante, por favor — pediu, temeroso sobre o que o Jeon poderia fazer com aquelas coisas em mãos. 

— Relaxa, eu vou só… — Começou a pentear os cabelos escuros de Taehyung, tentando tirá-los do rosto. Aplicou um pouco de spray de cabelo para que eles ficassem no lugar e então deixou os frascos dos produtos sobre a cama. — Tira o sobretudo.

— O quê?! 

— Tira o sobretudo, mané — Jeongguk rolou os olhos, ficando de joelhos entre as pernas do Kim para poder ele mesmo tirar o sobretudo pesado do corpo alheio. 

Taehyung tremeu um pouco quando sentiu os dedos alheios passearem rapidamente pela pele coberta dos seus braços. Engoliu em seco quando ambos os olhares se cruzaram e ficaram a se encarar por alguns instantes. 

Não era a primeira vez que Taehyung olhava para Jeongguk dessa forma. Os olhos brilhantes do mais novo eram encantadores, fossem eles castanhos — como estavam no momento — ou azuis. Dava para ver muito de Jeongguk apenas olhando para aqueles olhos grandes e expressivos. Conseguia ver o quão carente de atenção e carinho Jeonguk era, o quão prestativo e gentil ele conseguia ser, mas, acima de tudo e o que mais lhe doía, era ver o quão frágil e amedrontado ele era. 

O homem de letra chacoalhou a cabeça para afastar os devaneios e viu o outro um pouco desconcertado quando enfim terminou de tirar a peça de roupa e deixou sobre a cama. Ainda de joelhos e olhando para o outro com um pouco de vergonha, Jeongguk se permitiu levar os dedos até os dois primeiros botões da camisa social de Taehyung e abri-los, deixando um pouco da pele amorenada do peito alheio à mostra. O Jeon observou aquela tez bronzeada e constatou que a melanina do mais velho era muito bonita e, além disso, ainda era mais uma coisa para a lista de peculiaridades de Kim Taehyung. 

Após o término da curta transformação, Jeongguk borrifou um pouco de perfume masculino no pescoço do Kim e contemplou o novo visual do mais velho. Deixaria os óculos em seu rosto, pois sabia que o outro não enxergava um palmo na frente do nariz sem eles e não queria perder Taehyung no meio da festa porque ele havia confundido o banheiro com a saída. Sem falar que o óculos lhe dava um charme sério e, até mesmo, um pouco sexy. 

Teve de prender a respiração enquanto olhava para ele, afinal, se já o achava lindo com aquelas roupas sem graça, agora que ele parecia bem mais moderno e com mais atitude, Jeongguk poderia cair aos seus pés tamanha a beleza e magnitude que Taehyung estava exalando.

— P-pronto — Jeongguk se levantou, ficando frente a frente com o mais velho. 

— Como estou? — Perguntou Taehyung e o tatuado coçou a nuca. “Gato pra caralho” ele pensou. 

— Tá bonitinho — sorriu sem jeito, fugindo do olhar alheio. — Anda, vamos logo. 

Antes de saírem, Taehyung se olhou no espelhinho que outrora Jeongguk se olhava, estranhando aquela nova visão de si mesmo. Estava diferente, até mesmo sua testa estava à mostra, contudo, não achou ruim, muito pelo contrário. Estava se achando bonito com toda aquela modernidade e, poderia até dizer, sensualidade. 

— Anda logo, Taehyung! — Ouviu o grito de Jeongguk que já estava fora do quarto. 

O Kim sorriu e deu uma piscadinha para si mesmo no espelho, saindo do quarto em seguida. 

O caminho até a tal boate foi regado à muita falação da parte de Jeongguk que insistia em dizer que fazia tempo que não ia à uma festa e que, realmente, estava precisando espairecer. Tudo bem que estavam em uma viagem em busca de um sério objetivo, mas não fazia mal algum deixar os problemas um pouco de lado e se divertir, e era isso que o Jeon tinha em sua mente quando atravessou a porta de entrada com o Kim ao seu lado. 

Taehyung partiu os lábios para a visão que estava tendo. Pessoas dançavam e pulavam amontoadas umas sobre as outras descontroladamente. Gritos de animação e podiam ser ouvidos por toda parte, misturando-se com o som alto da música sem letra. 

— Viu só?! — Jeongguk exclamou alto por conta da música alta. — Isso é uma festa de verdade, Kim! — Sorriu e olhou de canto de olho para o mais velho, vendo-o com uma careta em sua face bonita, desaprovando todo aquele barulho.

— A música está muito alta! — Disse o homem de letra enquanto seguia o Jeon para algum lugar que ele não sabia ao certo. 

As luzes coloridas pintavam a pele do garoto tatuado de azul, deixando-o ainda mais bonito na visão de Taehyung. 

— Não sai de perto de mim, fica aqui! — Exclamou novamente, puxando a mão de Taehyung para que ele chegasse mais perto de si na pista de dança. 

Não estavam pensando direito naquele momento, pelo menos não Jeongguk. O mais novo sorriu e mostrou todos os dentes salientes que tinha em sua boca. As pessoas dançavam descontroladamente ao redor dos dois; o calor humano emanando freneticamente, deixando-os quentes. Taehyung agradeceu por ter tirado sobretudo e, quando o Jeon envolveu seus ombros com as mãos e começou a dançar no ritmo da música, tudo que o Kim pensou foi sobre como ele estava bonito com aquele sorriso nos lábios e, acima de tudo, como parecia alegre. 

— Dança comigo! — Ele pediu e Taehyung tremeu os lábios em um breve sorriso, realmente sem saber o que fazer com seus pés. 

Nunca foi bom em dançar, e estamos falando de valsas lentas e músicas clássicas, então não era de se espantar que o Kim não tivesse ideia do que fazer ou de como se movimentar ao som daquela batida sem letra que fazia seu coração palpitar junto com as vibrações. 

— Eu não sei dançar — disse o Kim e Jeongguk mordeu os lábios, negando com a cabeça enquanto sorria. — Qual é a graça? — Dizia tudo com a voz alta o suficiente para que o Jeon pudesse ouvir apesar da música estrondosa. 

— Você! — Apertou o tecido da camisa escura de Taehyung, trazendo-o para mais perto do seu corpo, ficando cara a cara com ele. — Deixa se levar — ditou pacientemente, dançando perto do corpo alheio. — Relaxa, ninguém aqui sabe dançar — deu uma piscadinha e Taehyung engoliu em seco, nervoso com todo aquele contato físico e a proximidade que cada vez mais crescia. 

— Devagar! — Pediu, querendo seguir o ritmo do Jeon. 

Jeongguk começou a ondular os quadris no ritmo da música, fechando os olhos ao sentir o corpo leve enquanto apenas deixava seus músculos balançarem por conta própria. Seu corpo estava falando, estava se expressando, e quando o Kim começou a lhe acompanhar, tudo pareceu ter ainda mais sentido, pareceu ser ainda mais certo.

Sentiu as mãos firmes em sua cintura poucos instantes depois, engolindo em seco com a quentura que sentiu no local. Começaram a balançar os corpos juntos em uma sintonia fora do comum, como se estivessem sido feitos para aquilo. Taehyung não entendia o que estava fazendo, mas, naquele momento, a racionalidade não valia de nada; era instintivo, primitivo, e não importava se estava cem anos no futuro, mesmo em 1919 ou em 3019, se ele vivesse aquele momento junto a Jeongguk novamente, sentiria tudo que estava sentindo, como se o mais novo despertasse uma parte sua que nunca havia descoberto e que, talvez, nunca viesse a descobrir caso não o conhecesse. 

Suas almas se comunicavam sem precisar de palavras naquela dança desajeitada e, quando abriram os olhos e se encararam sem desviar os orbes dos olhos alheios, souberam que nada havia sido por acaso, que Taehyung não havia parado naquele beco por mera coincidência ou por um erro em seu feitiço; tudo era para ser da maneira que foi, sem tirar nem pôr e, se profecias realmente existissem, eles sabiam que havia uma que falava sobre eles, pois não era naturalmente possível duas pessoas sentirem aquilo tão de repente, tão intensamente. 

A música continuava a tocar, mas não era como se eles prestassem atenção na batida frenética ou no movimento das outras pessoas que dançavam ao lado deles na pista; era como se o som estivesse abafado e tudo ao redor estivesse girando em câmera lenta, a troca de olhares ficando mais intensa e mais penetrante. Taehyung viu o sorriso de Jeongguk crescer, fazendo com que seus olhos ficassem pequeninos e enrugados. O Kim sentiu o coração vibrar e ele soube que, nem de longe, era por conta da música que tocava, e sim por causa da sensação de tocar o Jeon, de olhá-lo sorrir e, principalmente, de estar se sentindo, mais do nunca na vida, vivo.

Começaram a pular juntos e a gargalharem, sentindo a euforia tomar conta de ambos os corpos. De olhos fechados, apenas apreciavam a sensação de liberdade que tomava conta dos corpos em chamas e, enquanto ainda saltavam, abriram os olhos ao mesmo tempo, voltando a se encararem. O que Taehyung viu naquele momento poderia ser considerado a coisa mais bela que já havia visto em toda sua vida. 

Os cabelos compridos do mais novo balançavam a medida que ele se movia e o sorriso ficava cada vez mais largo. Seus olhos brilhavam em um tom intenso de azul celeste enquanto as tatuagens que ficavam à mostra por conta da roupa estavam tão brilhantes quanto os orbes. Taehyung engoliu em seco, parando em seu lugar para observar a cena majestosa que era Jeongguk em toda sua magnitude sendo banhado pela luz azul e se misturando à luminosidade do ambiente ao refletí-la em sua íris. 

A cena sobrenatural durou breves instantes, e quando Taehyung se deu conta, o rapaz já estava com sua aparência normal outra vez, mas não menos lindo. A música teve fim e Jeongguk deixou seu corpo parado, olhando o Kim com intensidade e uma aparente alegria. Sorriu e puxou o corpo estático junto ao seu em uma abraço apertado e eufórico.

— Você foi incrível! — Disse Jeongguk, sentindo os braços alheios também o envolverem. 

— Essa música é coisa de outro mundo — Tae disse com a respiração entrecortada por conta da dança. 

— Sabe o que é de outro mundo?! 

— O quê?!

— Tequila! — Dito isso, Jeongguk saiu de seus braços e o puxou pelo meio da multidão na direção do bar. 

Jeongguk ainda sorria e, em sua mente, nada poderia estar melhor. Estava indo, no dia seguinte, retirar um dinheiro limpo que o ajudaria a pagar muitas contas e que, ainda por cima, o sustentaria até o momento em que conseguisse um novo emprego. Nada melhor do que comemorar com tequila. 

— Senta aqui — o rapaz tatuado indicou um banco ao seu lado. Ambos se puseram sentados de frente para o balcão. — O que está achando? 

— É diferente como tudo que estou vivendo ultimamente — Taehyung sorriu brevemente. 

— Diferente bom ou ruim? 

— Não me peça para definir isso, é muito complexo. 

— Chato — revirou os olhos de brincadeira. — Psiu — chamou o barman que logo olhou para ele. — Coloca algumas doses de tequila pra gente — deu uma piscadela charmosa e o homem atrás do balcão apenas assentiu, indo buscar o pedido. 

— Você bebe com frequência? — Indagou Taehyung, vendo que o Jeon parecia animado para tomar a bebida. 

— Não muito — deu de ombro, observando os sete copinhos de tequila que foram colocados à sua frente. — Nossa — Jeongguk suspirou, ansioso para beber e, principalmente, para ensinar Taehyung como se toma shots em uma festa. 

— Vai beber tudo isso?! — Taehyung se espantou. 

— Não, você vai me ajudar — sorriu malicioso.

— Oh, não, eu não sou muito de beber — recusou com educação. O máximo que tomava era vinho e uísque eventualmente, contudo, não era um grande fã de bebidas alcóolicas.

— Ah, vai, para de ser careta — o Jeon disse com uma voz manhosa, empurrando dois copinhos para ele. — Bebe comigo.

— Jeongguk, eu não acho que seja uma boa ideia. Precisamos voltar cedo para o hotel, partiremos amanhã logo ao amanhecer, então… 

— Shhh — o rapaz tatuado colocou o dedo indicador sobre os lábios do Kim que pararam de se mover no mesmo instante. — Você fala demais. Anda, só um — pediu novamente e Taehyung deu-se por vencido.

— Tudo bem, mas nada de descontrole — advertiu e Jeongguk assentiu. 

— Eu sou forte para bebidas — disse o Jeon. — Muito forte — suspirou e pareceu decepcionado. — Vai, bebe. 

Taehyung não disse mais nada. Pegou o copinho cheio com o líquido transparente e virou de uma vez só em sua boca, fazendo uma careta adorável e colocando o copo com a borda para baixo no balcão. 

— Isso é horrível — reclamou, ainda com a careta formada. Jeongguk riu um pouco e arqueou uma das sobrancelhas, imitando o gesto de Taehyung e virando uma dose, contudo, sem fazer careta.

— Melhora com o tempo. 

— Não acredito nisso — nem foi preciso que Jeongguk insistisse, Taehyung pegou mais um copinho e virou em sua boca novamente. A careta, dessa vez, não foi tão feia, como se seu paladar estivesse se acostumando. 

— Viu? Vai melhorando — Jeongguk disse quando bateu o segundo copo na mesa. 

Restavam apenas três shots na frente deles.

— Estou começando a me sentir estranho — Taehyung disse após tomar mais uma dose, deixando duas para Jeongguk. 

— Eu estou perfeitamente bem — dito isso, o Jeon virou, de uma só vez, os dois copinhos que restaram, sorrindo ao engolir o líquido alcoólico.

— Nossa, você é mesmo forte para bebida.

— Você não imagina o quanto — o Jeon suspirou, dando um risinho em seguida. 

Eles ficaram no bar sentados enquanto conversavam sobre coisas triviais. Jeongguk havia explicado um pouco sobre a música que tocava e o Kim comentou sobre como as músicas do século XXI eram peculiares. As luzes coloridas ainda banhavam os corpos na pista de dança e em momento algum o homem de letra comentou sobre o brilho nos olhos alheios e sobre suas tatuagens. 

Que Jeongguk não era um simples humano Taehyung já tinha certeza, e aquilo só reforçava a ideia de que havia algo que ele ainda não havia conseguido perceber o que era. Talvez algum pequeno detalhe que houvesse passado despercebido, uma coisa pequena demais ou algo implícito. Nada se passava pela sua cabeça além de que o Jeon tinha algo a ver com a Espada de Raziel. 

Era engraçado pensar sobre isso, afinal, como um garoto de 21 anos, com conflitos com os colegas de apartamento, um ex namorado louco e tatuagens aleatórias poderia ter ligação com o artefato místico mais misterioso e mais secreto do mundo? Taehyung não sabia, mas tinha certeza que isso estava começando a ficar estranho demais para ignorar, principalmente porque seus sentimentos para o Jeon estavam longe de ser indiferentes. 

Jeon Jeongguk poderia esconder um segredo que ele mesmo pudesse não saber; os olhos e tatuagens brilhantes — estas que o Kim tinha a estranha sensação de já ter visto em algum lugar — só confirmavam, juntamente com o fato de ele ter quebrado um balcão de vidro com a mente, que o rapaz era muito mais do que um jovem adulto com problemas em sua vida. 

Tinha algo errado com Jeongguk, e Taehyung precisava saber o quê. 

— Ei — o mais novo estalou os dedos na frente do Kim que deixou os pensamentos de lado e focou no rosto alheio que tentava lhe dizer algo. — Tá me ouvindo?

— Eu não estava, sinto muito — foi sincero e Jeongguk suspirou.

— Eu disse que preciso ir ao banheiro. Não sai daqui nem a pau, tá ouvindo? — Falou já descendo do banquinho. 

— Fique tranquilo, ficarei onde estou — deu um pequeno sorriso e Jeongguk assentiu, seguindo o seu caminho por entre a multidão em busca do banheiro. 

Taehyung suspirou e mexeu no cabelo preto, logo em seguida ajustando os óculos sobre o rosto. Quando se virou para o lado se pôs a observar o local, pôde ver uma mulher loira que lhe olhava com um meio sorriso charmoso. Ela bebia um martini e tinha as pernas cruzadas enquanto levava o líquido aos lábios, olhando sensualmente para o Kim. 

O homem de letra engoliu em seco quando ela desceu de seu banco e caminhou lentamente até ele, ocupando o local que antes pertencia a Jeongguk.

— Boa noite — ela disse, colocando o martini sobre o balcão. Taehyung olhou para ela com receio e forçou um sorriso nervoso. 

— Boa noite, senhorita — foi educado, ganhando um sorriso bobo da mulher que ergueu a mão para o barman. 

— Pode trazer alguns drinks para mim e meu amigo? — Ela piscou para o barman e o homem, assim como da outra vez, atendeu prontamente. — Eu me chamo Joohyun, e você?

— Sou Kim Taehyung — arrumou os óculos como uma mania quando estava nervoso. 

— Você não é daqui, Taehyung — ela afirmou enquanto mexia o palitinho dentro do martini. 

— Eu sou de uma cidade um pouco distante.

— É da capital, certo?

— Sim, de Gangnam. 

— Oh, eu adoro Gangnam — os lábios vermelhos da mulher eram grosso e pintados de vermelho, o que contribuiam para que o estômago de Taehyung se revirasse cada vez mais por conta do nervosismo. 

Apesar de ter uma linda mulher ao seu lado lhe pagando bebidas — estas que foram aceitas prontamente por ele — Taehyung apenas desejava que Jeongguk voltasse logo do banheiro. O Jeon era como seu porto seguro naquele local estranho, e descumprir o que havia dito ao aceitar, depois de alguns drinks a mais do que deveria, dançar com Joohyun na pista, lhe deixou desconfortável por breve segundos, isso, claro, antes de começar a dançar e a pular junto a ela ao som de mais uma música eletrizante sem nenhuma letra. 

A fila para o banheiro estava quilométrica. Jeongguk devia ter passado quase meia hora esperando sua vez de poder entrar e, quando voltou ao lugar onde havia deixado Taehyung, se espantou ao ver que o Kim não estava mais lá. O desespero lhe atingiu em cheio. O medo de ter perdido Taehyung pela boate lhe assolava, mesmo que sua racionalidade lhe dissesse que ele não deveria se preocupar tanto assim, afinal, o Kim era um homem adulto e que poderia se virar sozinho. 

Seus instintos diziam o contrário, contudo. 

— Merda, Taehyung! — Praguejou, procurando com os olhos algum vestígio do homem de letra. 

Começou a andar pela multidão e, como um milagre, enxergou o mais velho dançando na pista na companhia de uma mulher de vestido de preto que estava de costas para ele. Taehyung parecia alegre — alegre demais — enquanto dançava e conversava ao mesmo tempo com a senhorita. Apesar do sentimento ruim que lhe apossou e do gosto amargo em sua boca que, definitivamente, não era da tequila, Jeongguk estava pronto para voltar para o bar e deixar o outro divertir, mesmo que sem ele. Antes que pudesse girar os calcanhares para deixar o Kim sozinho com sua nova amiga, a dita cuja virou para ele por poucos segundos, mostrando seu rosto para o Jeon. 

Ele ficou estático em seu lugar, o pavor tomando conta do seu corpo inteiro. 

Seu sangue gelou e seu coração palpitou e, Deus! ele agradeceu aos céus quando ela virou o rosto novamente, deixando apenas a visão dos seus cabelos. 

Sem saber o que fazer, Jeongguk apertou o colar de apanhador de sonhos em seu pescoço, fechando os olhos na tentativa de tirar a imagem horripilante que havia visto há poucos instantes. 

Parado no meio da multidão, o rapaz olhou novamente para o Kim, vendo que ele conversava animadamente com a mulher de vestido preto. Pelas ações alheias, Jeongguk pôde perceber que ele não estava sóbrio, o que lhe preocupou. 

— O que eu faço? — Respirou fundo, tomando coragem para poder ir lá e salvar o Kim da criatura monstruosa com a qual ele dançava. — Eu não vou conseguir — ele pensou alto. — Ela vai me pegar — e os sonhos voltaram a sua mente como um filme. 

Algo em seu coração lhe dizia que ele deveria ir até lá e arrancar o Kim daquele lugar, levá-lo embora para bem longe do monstro que estava logo ali. Sem raciocinar e seguindo sua primitividade, Jeongguk, ainda agarrando o apanhador de sonhos, andou a passos rápidos até onde Taehyung estava, podendo ver novamente o rosto da mulher. 

Ele quis gritar, quis sair correndo para longe daquele monstro, mas não podia, não sem Taehyung. 

— Vamos! — Puxou o braço do mais velho, ganhando o olhar questionador do moreno. 

— Ei, calma! — Disse Taehyung, visivelmente alterado. — Essa é a Joohyun — apontou para a criatura que lhe olhava com com perversidade. 

Jeongguk não percebeu, mas seus olhos ficaram azuis ao encará-la e, quando Joohyun viu aquele traço peculiar, sorriu de lado, mas, tudo que o Jeon viu, foi a boca deformada se abrindo como se fosse lhe devorar. 

Ainda segurando o braço do mais velho, Jeongguk puxou ele para longe sem dizer nada ou aceitar seus protestos. Precisava tirar o Kim de perto daquilo o mais rápido possível. 

Joohyun não os seguiu. Ficou lá, interpretando a bela e elegante mulher na pista de dança, feliz por ter conseguido o que queria; chegar perto de Jeon Jeongguk. 

Jeongguk corria em meio a pista de dança com Taehyung ao seu lado proferindo palavras contraditórias e sem muito sentido. Quando enfim chegaram ao lado de fora da boate, o mais novo pôde respirar aliviado, contemplando o meio fio e o hotel do outro lado da rua. Olhou para o Kim e viu seus cabelos bagunçados, e respirou aflito com o simples pensamento do monstro ter tocado em Taehyung. 

— Ela te machucou? — Tocou o rosto do Kim, virando sua cabeça em alguns ângulos na tentativa de ver algum machucado. 

— O quê?! — O bêbado Taehyung franziu o cenho. — Por que me tirou de lá? Eu estava me divertindo! 

— Eu tive que te tirar, me desculpe — Jeongguk tinha os olhos marejados enquanto procurava algum sinal que pudesse provar que a mulher tinha feito algum mal ao outro. 

— Eu ia te apresentar à minha nova amiga Joohyun.

— Ela não era sua amiga! Ela era… — pensou no que poderia dizer, mas desistiu ao ver que, muito provavelmente, Taehyung não compreenderia por conta da embriaguez. — Nada. Vamos embora.

— Eu quero ficar! — Taehyung tentou se desvencilhar do toque alheio.  

— Não, Taehyung, nós vamos voltar para o hotel agora. 

— Por quê? Você quem quis vir! 

— Eu sei, mas agora está na hora de ir! — Puxou novamente o braço de Taehyung que parecia cansado demais para continuar relutando com o mais novo. — Você vai se arrepender de ter bebido tanto amanhã — Jeongguk negou com a cabeça, prestando atenção na estrada para ver se não vinha nenhum carro na hora de atravessar. 

Em sua mente, a visão monstruosa da mulher ainda lhe assombrava, mas ele não contaria para o Kim ainda, não quanto ele estava cambaleando durante o caminho até o quarto. Naquele momento, deixou seus medos de lado para poder cuidar do Kim e fazê-lo dormir, afinal, era sua culpa ele estar naquele estado. 

A porta do quarto foi aberta com dificuldade pelo mais novo que tentava equilibrar o Kim bêbado pendurado em seu pescoço. Jeongguk chutou a porta para fechá-la quando já estavam do lado de dentro e, com toda a força que tinha, empurrou o corpo maior na cama estreita de casal, fazendo com que ele caísse de bruços. Taehyung murmurou algo que indicava que aquilo não foi o movimento mais confortável, todavia, o Jeon não tinha tempo para perder com delicadezas. 

Trancou a porta e viu o horário no celular. 00H43, ótimo, acordariam mortos no dia seguinte. Bufando, tirou os sapatos e a jaqueta, deixando-a sobre a cômoda de madeira velha que havia próximo a porta. Foi até a cama e girou o corpo de Taehyung para o lado, fazendo com que ele ficasse de barriga para cima. O Kim tinha os olhos fechados, mas ainda murmurava palavras desconexas por conta da embriaguez. 

— Jeonggukie — disse com a voz embolada, chamando o Jeon que se concentrava em tirar seus sapatos para que ele não sujasse o colchão. 

— Vai dormir — o rapaz tatuado mandou, não estava com paciência para lidar com pessoas bêbadas, ainda mais quando elas interagiam tão amigavelmente com um monstro de rosto deformado e que vestia meia calça. 

— Jeonggukie — chamou novamente, fazendo Jeongguk bufar e olhar para ele. Estava sentado na cama e, sem que pudesse perceber, o Kim o puxou para que ele ficasse deitado ao seu lado. 

— Qual é, Taehyung — reclamou, tentando se soltar das mãos que o puxavam para perto. — Me deixa sair — pediu, mas o homem de letra apenas apertava ainda mais. 

— Você é bonito, Jeonggukie — falou com a voz embargada e o mais novo revirou os olhos. 

— Você tá muito bêbado, cara.

— Eu não… Eu só… — começou a rir um pouco. — Eu só estou feliz… Muito feliz.

— Aquela vaca te embebedou — revirou os olhos. 

— Não xingue a minha amiga, Jeonggukie — tocou o nariz dele com a ponta do dedo indicador, fazendo o rapaz tatuado reproduzir uma adorável careta. 

— Já disse que ela não era sua amiga. 

— E você? É meu amigo? — Fez um bico adorável e, por mais que o Jeon quisesse dizer que sim, ele negou.

— Não. Eu não sou seu amigo — ao dizer isso, tentou empurrar o peito do Kim para que ele pudesse lhe soltar, mas o mais velho lhe puxou de uma forma que Jeongguk ficou com o tronco por cima do dele.

— Se você não é meu amigo, então eu posso te dar um beijo na boca — fez um biquinho engraçado e ficou tentando acertar beijinhos no rosto alheio. Jeongguk levou como idiotice até Taehyung segurar em seu rosto e, de fato, aproximar suas bocas.

— O que você tá fazendo? — Sussurrou, vendo o Kim lhe olhar intensamente; a proximidade deixando-lhe com as pernas bambas, mesmo que estivesse deitado.

— Eu quero te beijar, Jeonggukie — disse com a voz manhosa, fazendo um carinho desajeitado na bochecha rosada do mais novo. 

— Para com isso — tentou se afastar mais uma vez, mas Taehyung não permitiu.

— Me beija — sussurrou e ficou encarando o outro com a boca entreaberta. Fechou os olhos como se aguardasse o beijo que havia pedido e, naquele momento, foi como se tudo estivesse em câmera lenta.

Jeongguk não conseguiria colocar em palavras o quanto desejou atender o pedido do mais velho, mas ele estava tão bêbado e, muito provavelmente, atordoado demais para distinguir o que estava dizendo. Nunca em sã consciência Jeongguk se aproveitaria de uma pessoa em um momento tão vulnerável, era covarde e nojento. 

Sentia-se um pouco decepcionado ao constatar que, se estivesse sóbrio, o mais velho nunca lhe pediria um beijo, mas, dadas as circunstâncias, não tinha muito o que se fazer. 

Era apenas uma consequência da embriaguez alheia, não tinha motivos para se iludir. 

— Taehyung — chamou baixinho, esperando a resposta do outro que ainda estava de olhos fechados. — Ei, Taehyung.

O homem de letra não respondeu, pelo contrário, roncou baixo e lambeu os lábios, constatando, enfim, que havia pegado no sono. 

Jeongguk bufou, tirando as mãos alheias do seu rosto e empurrando-o para lado, deixando espaço para ele próprio no colchão. O rapaz tatuado deitou do outro lado da cama de costas para Taehyung, este que dormia como um bebê. 

Desde que o Kim havia chegado em sua vida, as noites para Jeongguk não eram mais tão apavorantes. Tanto o colar quanto a própria presença do mais velho lhe faziam se sentir seguro, como se os monstros não pudessem lhe pegar. Todavia, depois de ter visto a criatura na boate, sentia-se como há algumas semanas: perdido, com medo e, principalmente, sozinho. 

O Taehyung que lhe protegia estava deitado ao seu lado bêbado e falando coisas desconexas, não era como havia se acostumado. 

Ele sentiu medo de dormir novamente e, inconscientemente, apertou o colar entre os dedos no mesmo instante em que prensou os olhos e deixou uma lágrima escorrer de sua linha lacrimal até os lábios róseos.

 O monstro dos seus sonhos era real, agora ele sabia que sim. Ele estava perto de si, lhe rondando e cumprindo o que há anos lhe prometia: que Jeongguk era dele e que não havia como fugir. 

Chorando baixinho e implorando para que a criatura não lhe assombrasse em seus sonhos, Jeongguk cochilou por breves minutos antes do despertador tocar e avisar-lhes que estava na hora de levantar. 

Os raios do sol da manhã entravam timidamente pelas brechas da janela mal acabada do quarto, batendo diretamente contra o rosto de Taehyung. O homem de letra murmurou e abriu os olhos, sentindo como se a luz fosse um ácido em contato com sua íris. Jeongguk já estava de pé e de dentes escovados. Arrumava algo dentro da mochila enquanto estava perdido em seus devaneios. 

— Bom dia — o Jeon foi o primeiro a falar, notando que o Kim tentava se levantar.

— Minha cabeça… Aí! — Sentiu as têmporas latejarem como se martelos estivessem contra elas. — Que horas são?

— Cinco e meia — respondeu, entregando-lhe uma escova de dentes. — Vai rápido, o ônibus vai sair daqui a pouco. 

— Tudo bem… Me dê só um minuto — disse, pegando a escola e entrando dentro do minúsculo banheiro do quarto do Hotel Vermelho. 

Pouco tempo depois, Taehyung voltou esfregando os olhos e recolocando os óculos no rosto, entregando a escova para Jeongguk. O mais velho vestiu o sobretudo por conta do frio da manhã e olhou confuso para o Jeon.

— O que aconteceu ontem? — Perguntou ele.

— Você não lembra de nada? — Jeongguk parecia decepcionado. 

— Apenas de estar na boate e dançar algumas músicas estranhas… Só isso. 

— Bom, você encheu a porra da cara e agora vai ficar enjoado o caminho inteiro. Foi isso que aconteceu — girou a chave da porta e estava pronto para sair quando sentiu a grande mão de Taehyung pegar em seu braço, impedindo que ele passasse. 

— Por que está agindo assim? 

— Assim como? 

— Está agressivo comigo novamente. Eu te fiz algo, Jeongguk? — Ele se perguntava por que Taehyung tinha de ser tão puro e, aparentemente, tão ingênuo. O Jeon não conseguia ficar com raiva dele por muito tempo nem quando tentava com todo afinco. 

— Nada, você não fez nada — suspirou, arrumando a mochila em suas costas. — Relaxa. 

— Você tem certeza?

— Tenho. Vamos embora — fez com que o Kim soltasse seu braço e se colocaram a caminhar até o ônibus após fecharem a porta do quarto. 

As pessoas já tomavam seus lugares e Jeongguk e Taehyung fizeram o mesmo. O mais velho reclamava a todo momento sobre a dor de cabeça constante e, em um certo momento, o motorista foi obrigado a parar em um acostamento para que o Kim vomitasse toda a bebida que ele havia ingerido na noite anterior. O Jeon quis deixá-lo lá para se virar sozinho como uma pequena vingança por ter dito tudo aquilo quando estava bêbado e esquecer na manhã seguinte, mas não conseguiu. Ficou lá acariciando suas costas para que ele vomitasse tudo e depois lhe deu água e enxaguante bucal.

Ele não conseguia não se importar com Kim Taehyung. 

O ônibus parou no ponto indicado pelo Kim quando chegaram à Gwangju e os dois desceram, contemplando a estrada quase deserta. 

 — É aqui? — Indagou Jeongguk, achando o local estranho. 

— Sim, só precisamos andar um pouco.

 Taehyung explicou por onde eles deveriam ir e, poucos minutos depois, puderam contemplar um terreno baldio que abrigava uma antiga construção que mais parecia uma construção abandonada. 

 — Está lá — Taehyung apontou. — O cofre. 

— É seguro entrarmos? — Jeongguk estava com medo, mesmo que não admitisse. Algo lhe dizia que o local não tinha uma boa energia, principalmente por conta do clima seco e dos entulhos que estavam próximo à porta do galpão. 

— Sim, tenho certeza que é seguro  — deu um sorriso charmoso para o Jeon e o rapaz mais novo se sentiu um pouco mais seguro. 

Caminharam os poucos passos que eram necessários até a porta do galpão, podendo ver, gravado na madeira desgastada, o símbolo dos homens de letra: a Estrela de Aquário. 

— Como vamos entrar? — Perguntou o Jeon. 

— Dê-me aquela faca que está em sua mochila — estendeu a mão para Jeongguk e logo teve o utensílio em sua palma. 

— Cuidado com isso — Jeongguk avisou e Taehyung não se importou, estendendo a mão esquerda e passando a lâmina afiada da faca na palma de sua mão.

 — O que tá fazendo?! — O rapaz tatuado se assustou, tentando tocar a mão machucada. 

— Calma, não foi nada — Taehyung estava visivelmente calmo, mesmo com sua mão sangrando. — É só um corte superficial. 

— Você é louco — disse ele, observando o que o Kim fazia a seguir. 

O mais velho deixou que o sangue escorresse e, quando já havia o suficiente, grudou sua palma em cima da Estrela de Aquário, começando a falar palavras nunca ouvidas pelo Jeon. 

Quod sanguis effusus est a Kim quaerit ostium apertum — Jeongguk não sabia o que aquilo significava, mas ele soube que serviria para que a porta do galpão fosse aberta. 

Taehyung tinha razão, o lugar era mesmo protegido. 

Um barulho alto pôde ser ouvido e, logo em seguida, eles viram a porta do galpão ser aberta como mágica. Taehyung sorriu e tirou dentro do bolso um lenço, envolvendo a palma da mão cortada para estancar o sangue. 

— Conseguimos — suspirou o Kim e Jeongguk continuou olhando a porta aberta com os olhos arregalados em espanto. 

— Isso é loucura… 

— Alguém já disse que o mundo é dos loucos, não é mesmo? — Taehyung estava visivelmente alegre. 

— Talvez — deu de ombros. — Vamos logo — chamou e o Kim assentiu. 

Taehyung deu dois passos e estava dentro do galpão escuro. Ficou esperando que o Jeon lhe acompanhasse e ele o fez, suspirando antes de dar os passos necessários para ficar junto ao Kim. Antes que pudesse cruzar a porta, contudo, algo lhe impediu. 

Uma força o empurrou para trás, impedindo que ele entrasse dentro do galpão.

— Jeongguk?! — Taehyung gritou, vendo o mais novo caído no chão do lado de fora, sentado. 

— O que foi isso?! — Perguntou o Jeon, levantando-se. Ele caminhou novamente e tentou entrar mais uma vez, entretanto, a mesma força o impediu. Era como se houvesse uma segunda porta invisível que não o deixasse passar. — Por que eu não consigo entrar?! — Exclamou, visivelmente confuso. 

— Ah, não… — Taehyung, ainda dentro do galpão, passou a mão livre do machucado pelo rosto, parecendo compreender algo. — Eu deveria saber… 

— O quê?! Me fala, Taehyung!

— Meu pai encheu esse lugar de feitiços de proteção — começou a falar, olhando dentro dos olhos do Jeon. — É por isso que eu disse que nada poderia entrar aqui, Jeongguk.

— Eu não estou entendo nada. Desembucha de uma vez!

— Nada consegue entrar aqui, não ninguém… — Respirou fundo antes de concluir: — Nenhuma criatura sobrenatural consegue passar dessa porta. 

 


Notas Finais


HAHAHAHA Teorias e mais teorias, mas tudo já está prestes a se esclarecer, só tenham um pouquinho de calma.

E ai, gostaram do capítulo? Cada vez mais nossos nenes estão se aproximando e percebam que os sentimentos também estão aflorando, uh?

É isso, comentem bastante, divulguem a fic para que mais pessoas possam lê-la e até sexta-feira <3


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