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História Sangue sob o luar - Capítulo 3


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Capítulo 3 - Capítulo 3


Fanfic / Fanfiction Sangue sob o luar - Capítulo 3 - Capítulo 3

Eles haviam combinado tudo nos dias que se seguiram. Taemin escaparia de casa na primeira noite de lua cheia e iria com Jongin para a floresta. Parecia até uma aventura, isso o deixava empolgado por um lado, mas por outro lado, estava receoso. Poderia um vampiro se transformar em lobo? Aquilo seria realmente possível? Jongin achava que era o certo a se fazer e se empolgou tanto como se fosse a primeira vez dele. O mais novo contou o que sentiu em sua primeira transformação. Disse que era como se o mundo inteiro tivesse mudado, criado novas formas e cheiros. Todos os sentidos pareciam aprimorados e a vitalidade também aumentava. Mais do que tudo, o mais incrível, porém, era a sensação de liberdade, de correr pela floresta a toda velocidade como se a natureza lhe pertencesse e corresse em suas veias. Parecia ser realmente uma experiência excitante e Taemin acabou se empolgando com o relato. Gostaria de sentir tudo aquilo, viver algo novo. 

Quando chegou a esperada noite, os dois passaram no mercado e compraram alguns "suprimentos", que não passavam de snacks e refrigerantes. Aparentemente a preparação para o momento não requisitava muitos aparatos... Era apenas seguir o instinto, Jongin explicara. Então seguiram em meio à floresta até achar uma gruta que lhes servisse de abrigo até a hora chegar. Após passar um tempo jogando alguns games no celular, assistindo vídeos e comendo, viram que as horas haviam avançado.

Chegara o momento.

Jongin se levantou e estendeu a mão para ajudar o mais velho a se levantar. A lua estava quase cheia no céu. Foi então que Jongin começou a se despir na frente do amigo.

Taemin tentou virar o rosto, envergonhado. Era certo que o nível de intimidade havia aumentado muito nos últimos tempos, mas ele ainda não tinha visto o amigo totalmente sem roupas. Talvez em alguns ensaios, quando estavam se trocando, ele tenha visto o corpo de Jongin de relance algumas vezes, mas nada comparado ao que estava vendo à sua frente. Taemin admirava o dançarino mais novo, sem dúvidas, quem não admiraria? Quem não o invejaria? O corpo dele parecia esculpido pelas mãos dos mais hábeis artistas, uma obra-prima. Cada detalhe parecia ter sido minuciosamente pensado e era fruto de uma genética maravilhosa aliada a incansáveis horas de treino. Ali, à sua frente, ele parecia uma força da natureza, banhado pela luz do luar.

E ele sorria. — Taemin, vamos.

— Eu preciso tirar a roupa mesmo? — Não que Taemin tivesse vergonha do seu corpo, mas qualquer um que ficasse despido ao lado de Jongin sentiria-se pelo menos minimamente humilhado. 

— A não ser que você não se importe que elas rasguem, daí você teria de voltar pelado para casa. — Jongin deu risada.

— Tudo bem então… — Taemin começou a se despir, um pouco envergonhado pela situação. Ele reparou que Jongin não estava olhando diretamente para ele, porém dava umas bisbilhotadas de relance antes de desviar o olhar. Quando terminou, Jongin o guiou pela floresta. 

Em um instante eles pararam e a lua apareceu gigantesca no céu. Havia um brilho diferente no olhar de Jongin ao olhar para cima, uma admiração. 

— Não há muito segredo aqui, apenas siga seus instintos, não tente reprimi-los. Qualquer coisa, lembra que eu estou aqui com você.

Quando a transformação começou, Taemin mal podia acreditar no que estava vendo. Era um tanto assustador a princípio, mas incrível de se ver. Viu as formas do corpo do seu amigo mudarem, alongarem-se e aumentarem de tamanho. Jongin se curvou ao chão, enquanto a metamorfose continuou, até que ele se transformou num lobo, num majestoso lobo de pelagem escura e olhos negros como a noite. 

Taemin se assustou quando a enorme criatura se aproximou. Ele sentiu um hálito quente contra sua pele e a mandíbula tão próxima ao seu corpo. No momento seguinte, porém, sentiu um focinho gelado se encostar em sua mão e uma espécie de choro baixinho, como de um cachorro que pede atenção. Ele sentiu a língua do lobo lamber seus dedos delicadamente.

— Você quer brincar? — Taemin ousou afagar as orelhas do lobo, que aceitou o carinho sem contestação. Elas eram macias e estremeciam levemente com as carícias.

Taemin gostava de cães. Kibum tinha dois e o meio-vampiro adorava brincar com eles. Um lobo não era tão diferente de um cão… Taemin pensou, apesar de bem maior que um poodle...

O meio-vampiro se abaixou e fez carinho no lobo à sua frente, que retribuiu com longas lambidas em seu rosto. Taemin se perguntava o quanto de consciência Jongin tinha da situação, se no momento ele ainda pensava com o lado humano ou se a consciência dele havia sido reprimida pelo instinto de lobo. Perguntava-se o quanto Jongin o julgaria se ele pegasse um graveto e jogasse para o lobo pegar. Será que teriam o mesmo instinto de cachorros para esse tipo de brincadeiras? Porém, enquanto Taemin se distraía pensando sobre aquelas questões aleatórias, seu corpo começou a esquentar. Era como se aquela estranha febre tivesse acometido seu corpo. Tentou reprimir como havia feito das últimas vezes, mas lembrou do que o seu amigo disse. Então resolveu se entregar à sua natureza. Parecia ser tão difícil, mas afinal de contas era até simples. O conflitante era tentar segurar aquela força toda dentro dele. Não era à toa que ele estava ficando doente por tentar. Aquela era uma energia avassaladora. Ele teve medo a princípio, mas lembrou-se que Jongin estava lá por ele. Pareceu ao mesmo tempo uma eternidade e passou tão rápido. Seu corpo se transformou e ele sentiu as modificações, porém parecia ser algo tão natural. Sua mente foi invadida por uma porção de cheiros e sons completamente novos. Sussurros quase sobrenaturais. Quando seus olhos se abriram, viu um mundo que parecia ter criado dimensões diferentes. Jongin em forma de lobo estava olhando para ele atentamente. O lobo à sua frente era uma criatura magnífica, bem mais do que seus olhos de outrora viram.

Foi com curiosidade que Jongin observou a transformação. Esse tipo de coisa era algo até comum de se ver quando saíam em bandos com seu clã, porém havia algo de diferente em Taemin. Ele não era tão grande quanto os lobisomens costumavam ser. Mesmo entre os seres lupinos, haviam diferenças de pelagem e estruturas físicas, entre um indivíduo e outro. Taemin era relativamente menor que a maioria dos lobisomens que Jongin conhecia, mas mesmo assim muito maior que um lobo normal. Sua pelagem era outro destaque. Jongin nunca havia visto um lobo prateado. A cor natural dos lobisomens de Seul costumava variar de castanho escuro a cinzento. Lobos albinos existiam, Jongin conhecia um, porém aquela pelagem prata de Taemin lhe parecia ainda mais sobrenatural, assim como seus olhos igualmente prateados. Isso era ao mesmo tempo lindo e perigoso. Num meio natural, a cor dos pelos influenciam como camuflagem. Se fosse em épocas de guerra, Taemin seria facilmente caçado. Era um alívio que aqueles eram tempos de paz, mas caso houvesse alguma mudança, Taemin nunca poderia se transformar desacompanhado. Não que isso fosse um problema também, porque Jongin decidira acompanhá-lo sempre em suas andanças pela noite.

Taemin parecia curioso com o mundo ao redor. Seu focinho cheirava as flores por perto e suas orelhas tremelicavam com os sons das águas do rio próximo. Ele foi cheirando as coisas ao redor, com um fascínio brincalhão. Jongin observou a exploração, até que decidiu mostrar mais da floresta ao seu amigo, chamando-lhe a atenção com um meio rosnado e um meio uivo. Taemin entendeu que era para segui-lo. Eles foram passando por entre as árvores com extrema agilidade. Taemin sentia o vento contra o rosto e os arbustos acariciarem seus pelos, assim como a terra fofa sob suas patas. Foi então que viu Jongin aumentar a velocidade. Taemin fez o mesmo e sentiu seu coração acelerar, as imagens em seus olhos se tornavam rastros distorcidos, porém ele não colidia, seu instinto sabia como desviar dos obstáculos.

Jongin então foi diminuindo a velocidade até parar à beira de um precipício. De lá se podia ver a floresta e a cidade inteira. A lua era completamente discernível no céu, alta e majestosa. Foi então que Jongin soltou um uivo longo, que reverberou por todo o horizonte. De longe Taemin escutou mais uivos responderem em pontos diferentes da floresta. Entendeu que haviam mais lobos na região. O novo lobisomem resolveu tentar a nova experiência e viu que uivar para a lua era até que muito legal, principalmente se você fosse um lobo. Era como se a sua alma se reconectasse com a mãe natureza.

E ficaram assim uivando uns para os outros por um longo tempo, como se cumprimentando-se ao compartilharem aquele precioso momento que só lobos entenderiam. Súditos da rainha prateada, filhos da noite, unidos como uma família lupina.

Findada a homenagem à lua, Jongin sinalizou a Taemin para segui-lo. Novamente adentraram a mata. Jongin começou a correr mais e mais, fazendo Taemin acompanhá-lo. Seguiram nesse ritmo frenético até o mais velho se perguntar se aquilo era algum tipo de desafio. Taemin decidiu então ultrapassá-lo. Ele aumentou a velocidade até alcançar Jongin e em seguida tomou a dianteira no meio da floresta. O mais novo passou a acompanhá-lo e depois segui-lo. Taemin achou divertida aquela brincadeira de pega-pega e resolveu correr o mais rápido que pôde, até Jongin ficar para trás. Não podia mais vê-lo. Foi só então que parou. Tentou prestar atenção em seus sentidos e ouviu um uivo no meio da floresta. Ele foi voltando devagar e viu Jongin sentado, esperando. Então recebeu uma espécie de rosnado em reprimenda e em seguida uma espécie de ganido dolorido. Teria Jongin se machucado? Taemin se perguntou. Foi quando viu o outro lobo se aproximar e cheirar seu pescoço, antes de uma lambida em seu focinho. Sentiu algo que pareceu um pequeno choque em seu cérebro e depois soou como uma voz baixinha.

"Você é muito rápido, não saia da minha visão novamente."

Não foram exatamente palavras que Taemin ouviu, mas era aquele o significado que ele compreendeu. Então os lobos eram capazes de telepatia?

Taemin passou a seguir Jongin pela mata, já num ritmo mais tranquilo. Exploraram as coisas com calma, cheirando as plantas e os pequenos bichinhos que se escondiam em meio à escuridão.

Mais uma vez um novo instinto despertou em Taemin. E se ele mordesse Jongin? Aquela poderia ser uma ideia absurda em outras situações, mas naquela parecia ser algo muito natural. Ele tentativamente roçou os dentes no pescoço do lobo maior e depois mordeu sua orelha. Jongin reagiu como se fosse a coisa mais natural do mundo e devolveu uma mordida no pescoço do amigo. Logo em seguida estavam os dois se mordendo e pulando um sobre o outro, numa briga de mentira. Então começaram a rolar pelo chão em divertimento. Ser um lobo não era tão ruim quanto Taemin pensava. Era como voltar à infância, só que com muito mais força... e pelos. Ele se sentia tão bem e livre dividindo aquele momento com seu amigo. Realmente sentia falta daquele contato, ter alguém, outra criatura com quem compartilhar suas experiências de vida.

A noite acabou passando mais depressa que o esperado. Antes das primeiras horas da manhã, Jongin sinalizou para voltarem para a gruta onde haviam deixado seus pertences. Ao retornar ao seu corpo original Taemin sentiu um enorme alívio. Nada daquela febre que andava tendo nos últimos meses parecia lhe assombrar. A lua ainda habitava o céu, mas com um brilho fraco, despedindo-se lentamente dos seus amantes. O céu estava límpido e o ar puro. O silêncio reinava, como se todas as criaturas noturnas tivessem ido dormir e os que estavam repousando ainda não tivessem acordado. Apenas os risos dos dois amigos podiam ser ouvidos dentro da gruta, ecoando alegremente. 

Havia sido muito divertido e intenso para Taemin, ele nunca esqueceria aquela noite. Estava deitado ao lado de Jongin, compartilhado o que havia sentido. Falou sobre a telepatia e o laço mental que os unira. Jongin explicou que era a forma como os lobos do clã se comunicavam, já que não podiam falar. Porém disse que só funcionava com uma pessoa mais próxima, como um membro da família ou lobisomens que se conhecem há muitos anos. Taemin mencionou que compartilhava de algo parecido com Kibum, que às vezes eles conseguiam se comunicar apenas por pensamento.

— Acho que precisamos ir agora. Logo mais vai amanhecer. — Jongin estava dizendo isso por se preocupar com Taemin, pois sabia que a parte vampira dele não gostava de sol. Ele estava prestes a se levantar, mas foi impedido por um movimento do mais velho.

Foi como se o tempo tivesse parado por um momento, uma pequena eternidade. Havia algo nos olhos de Taemin, algo intenso. Um instinto havia despertado nele.

Jongin sentiu um arrepio quando um par de caninos roçaram seu pescoço. Se ele quisesse, poderia impedir o amigo de prosseguir, mas deixou que os dentes perfurassem sua pele.

Havia doído a princípio, Jongin não podia negar. Então começou a sentir a cabeça muito leve e uma estranha euforia enquanto seu sangue era sugado. Todo seu corpo foi tomado por uma sensação intensa de prazer. Como pequenos choques que despertavam todos os seus sentidos. Longe de ser um ato abominável que sempre imaginou nas histórias que ouvira, era como se ele tivesse encontrado o paraíso. Então era daquela forma que vampiros arrebatavam suas vítimas? 

Taemin sentia o sangue quente entrando em seu corpo, provocando-lhe sensações de prazer. O sangue que tomava para se alimentar não era nada comparado a beber diretamente de uma criatura viva. Era maravilhoso e instigante, então Taemin entendeu porque seus antepassados vampiros eram tão loucos pela caça. Se para um lobisomen o melhor momento da vida era a transformação, para um vampiro, era o ato de beber o líquido vital, quente e pulsante, o sangue. Foi com dificuldade que se obrigou a interromper a ação, para não causar nenhuma complicação ao seu amigo.

Quando parou, retirou seus dentes do pescoço de Jongin e o olhou nos olhos. Em nenhum momento o mais novo fez menção alguma para impedir o ato, ficando completamente à mercê dos desígnios do amigo vampiro. Havia um brilho naquele olhar, uma comoção. Taemin deslizou seus dedos pelo rosto do amigo e viu os olhos fecharem com o gesto. Então deslizou a mão pelo pescoço, descendo para o peito, admirando o físico de Jongin.

— Você é lindo — Taemin disse antes de beijar os lábios do amigo. — Logo em seguida, porém, afastou-se. — Me perdoa, eu não deveria ter feito isso… O que eu estou fazendo? — Taemin se deu conta de que provavelmente estava se aproveitando do mais novo. Jongin sempre parecia fazer tudo que ele queria. Antes de se afastar, entretanto, sentiu braços o puxando de volta ao corpo quente.

— Por favor, eu preciso de você — Jongin confessou e abraçou apertado o mais velho. — Eu preciso mais dos seus beijos. Eu preciso...

Por um momento, Taemin sentiu que ia se afundar naquele corpo quente. Jongin realmente não queria deixá-lo ir. Finalmente encontrou uma brecha no abraço para juntar a sua boca à dele e continuar o beijo que havia começado. 

O meio-vampiro sentiu receio de estar perdendo seu melhor amigo naqueles beijos desesperados, como se o desejo pudesse consumir aquela a amizade que lhe era tão preciosa e torná-la em outro sentimento. Porém, Jongin era tão quente, seu corpo pulsava de energia. Taemin podia sentir os batimentos cardíacos, o coração bombeando sangue por todas as veias. O meio-vampiro jurava que podia sentir o líquido quente correr por todo o corpo. Era inebriante.

Foi no meio de tudo isso que os primeiros raios de sol começaram a aparecer por entre as folhagens.

Taemin sentiu dedos deslizarem por sua coluna e arqueou suas costas instintivamente para encontrar o toque. Jongin interrompeu o beijo para encostar a boca na orelha de Taemin e sussurrar uma proposta que o deixou momentaneamente constrangido.

— O sol já está nascendo, vamos continuar isso no meu quarto.

Aquilo estava sendo ousado da parte de Jongin. Taemin estava surpreso no quão rápido o mais novo queria transformar a amizade em algo mais. Jongin se vestiu e Taemin fez o mesmo. Precisavam partir logo.

Embora o sol já estivesse iluminando o céu, as folhagens das árvores ainda ofereciam alguma proteção para o meio-vampiro. Jongin o guiara pela mata até chegarem a uma casa. Taemin poderia reconhecer uma espécie de vila e aquela era a habitação mais afastada, portanto, puderam entrar sem que ninguém percebesse. Era uma casa rústica, com paredes e móveis de madeira, simples, porém aconchegante. Jongin guiou Taemin pelas escadas, seu quarto era no sótão. Com sorte, Jonghyun-hyung ainda estaria em suas andanças pela mata, porém não aquele dia. O lobisomen mais velho ficou observando os mais jovens entrarem com um olhar questionador.

— Este é o Taemin — foi o que Jongin se viu obrigado a dizer após um constrangedor momento de silêncio.


Notas Finais


Tudo bem até agora?


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