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História Santinha e Richard - Laços de Sangue - Capítulo 4


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Capítulo 4 - O Diário de Altiva


Fanfic / Fanfiction Santinha e Richard - Laços de Sangue - Capítulo 4 - O Diário de Altiva

Santinha e Richard- Laços de Sangue

 

Santinha caminha pela rua de Greenville, passa pela praça, onde estão sentados, Delegado Motinha e Padre Joseph. Ao vê-la cruzar a calçada, padre Joseph se aperreia, pois tem a sensação de que a coisa vai feder.

- Look, Reverendo, é dona Santinha entrando no British Club!

- Estou vendo. E pela dor em meu joelho direito, vem tempestade por ai. - Prontamente se levanta.

- Aonde o senhor vai?

- Fazer a única coisa que eu sei e posso fazer por eles: Rezar!

O padre segue para a igreja, ajoelha-se diante da imagem da padroeira da cidade, traça o sinal da cruz e fecha os olhos, está pedindo pela reconciliação do amigo e da sua filha espiritual. Sabe que os dois se amam, mas precisam se esforçar um pouco mais para fazerem as pazes.

....

Abre a porta do bar, cuidadosamente. Dentro do Club ninguém aparece, ela procura um lugar para se sentar. É outra espera longa, mas aproveita para analisar e pesar as palavras para confessar outro segredo que esteve adormecido por tanto tempo. Da última vez em que precisou contar que Richard tinha um filho, foi muito penalizada e sofreu bastante. Não, ela não gostaria de passar por tudo de novo. Nesse pensamento, escuta o homem descer as escadas, ela olha na direção dos passos. Não está aflita, mas sente o coração bater mais rápido ao vê-lo. Richard não acredita na cena, achava que tinha sido bastante claro ao lhe dizer que tudo tinha acabado.

- But Shit, Santa Maria, por God Save, o que tá fazendo aqui em meu Club, outra vez? - Ele se protege atrás da bancada, e mantem o olhar carrancudo em sua direção. Pega uma garrafa, aleatoriamente, apenas para entreter as mãos..

Santinha deixa a cadeira para se aproximar do balcão, e pede que lhe escute só mais essa vez: - Antes de me botar pra fora, por favor, Richard, me escuta, eu garanto que será a ultima vez.

- Isso você já me garantiu das vezes passadas. Ou será que não se lembra?

Por um instante, ela nada responde com a boca. O olhar diz quase tudo. E Richard pressente que vão recomeçar as ofensas.

- Por favor, vá embora daqui, nós já nos magoamos muito. Eu não quero guardar nada contra sua pessoa, Santa Maria.

Santa Maria jamais pensou que aquele amor tão forte, um dia, seria reduzido à migalha..

- O assunto é sério, mas não se preocupe. - Estava complicado concluir a frase, ela sentia a garganta secar. Naquele momento, a garrafa nas mãos dele seria ideal, todavia, beber nunca resolveu nada. - Eu não quero tentar te convencer a voltar pra mim. - Os dois ficam sérios. - Eu já entendi que o quê houve entre nós dois ficou no passado. O que eu quero lhe contar é sobre o resto das maldades de minha irmã. - Ele se aquieta e se apoia no balcão para escutar o que Santinha pretende contar.

- Oxente, Altiva? - Fica confuso, porque imagina conhecer todas as barbaridades da ex-futura cunhada. - Eu sempre soube que Altiva é louca, mas pensei que a história tivesse chegado ao fim! - Ele aproxima mais o rosto do dela, e como quem sussurra, quer saber: - O que mais ficou faltando?

- É que não é fácil para mim.

- Santa Maria, sem mais delongas, por favor, please. Eu sou todo ouvidos.

- Vou ser clara. - Ela toma um ar de sobriedade, e despeja a questão que lhe fez entrar novamente no British Club: - Você tem mais dois filhos, eles são gêmeos, se chamam Marie Thérèse e Jean Pierre. 

- Mas que brincadeira de mal gosto é essa? Com quem eu teria esses filhos?

- Com quem seria?

- Oxente, eu não gosto de charada e você sabe.. - Ele toma um ar de perplexidade, por um miléssimo de segundo cogitou a possibilidade de Artêmio ser trigêmeos e terem lhe omitido essa parte da história.. - Com Altiva? - Arrisca um palpite.

- Comigo! – Sua voz sai chorosa, quase abafada. Em seguida, baixa a cabeça enquanto entrega o diário de Altiva. Richard está petrificado. – Por favor, leia a pagina marcada.

Ele assim faz.

Ainda atônito pela inesperada revelação, toma o caderno nas mãos e passa os olhos nas linhas marcadas. A folha amarelada pelo tempo não apaga a clareza da letra escrita com tinta azul. E Começa a ler:

Os filhos de minha irmã nasceram saudáveis, mas eu os desprezo por terem o sangue daquele filho de inglês com curiboca. O médico aceitou minha oferta em dinheiro, uma quantia, consideravelmente boa. Subornei também a enfermeira e consegui o atestado de óbito que faria minha irmã acreditar na minha versão dos fatos. Dopamos Santa Maria para trocarmos os bebês por uma criança morta. Ela jamais saberá o que fizemos naquela noite..”

Ergue os olhos para olhar Santinha.  Está externamente consternado. As mãos estão trêmulas. Ele sente como se uma manada de elefantes tivesse passado sobre sua cabeça. Não pode acreditar no que acabou de ler. É impossível. Necessita descobrir se tudo aquilo é verdade. Necessita ouvir uma boa explicação. Exige de Santinha toda a verdade.

Santa Maria está chorando calada, passando os dedos na face para exugar as finas lágrimas. Há um espaço enorme entre eles, porque o silêncio paira no ar, mas logo é rompido pela voz aguda de Richard. - Santa Maria, what hell, que diário é esse? Que brincadeira é essa?

- Isso mesmo que você tá vendo! Tudo que você leu ai é a mais pura expressão da verdade.

- Tá querendo me dizer.. - Titubeou um pouco, porque a ficha começou a cair:  - Você também me negou a paternidade desses filhos?

- Por favor, não me julgue sem antes conhecer a história inteira.

- Pois então fale, que eu não tô entendo mais é nada! Ande, me diga por que você escondeu essa gravidez de mim, inclusive quando teve oportunidade de contar!

- Eu só descobri quando já estava dentro do trem, cruzando a França. Depois que eu soube, só pensava em voltar pra contar pra você, mas Altiva estava tão abalada, ela precisava de mim, por isso fiquei, mas em nenhum momento pensei esconder meu filho do pai. Sou completamente contra o que Altiva fez com você e Artêmio..

- Pois eu lhe digo com todas as letras: Você agiu igualzinha a ela! - Seu tom de voz é elevado, mas comovido pelo choro da mulher que ainda ama, engoliu as críticas para tentar compreender todo o restante daquele quebra-cabeça. Com voz amena, pergunta: - Por que não me contou quando nos reaproximamos?

- Porque Altiva me fez acreditar que a criança tinha morrido. Era cruel demais pra te contar, só iria causar mais sofrimentos. Nós dois estávamos tão despedaçados, eu não queria causar mais danos.

- Você quis me poupar?

- Não tinha porquê você amargar por um filho que nós não tivemos o direito de conhecer. Se a crinaça tivesse vingado, Richard, pode ter certeza, ela estaria aqui com você, teria crescido ao seu lado, mesmo sem a gente se entender!

- Santa Maria, look.. – Richard sai do balcão para ficar mais perto, quer falar com mais compreensão, dessa vez sem agressões. – Tudo isso que você tá dizendo é verdade?

- Nada saiu como nós planejamos, não é? Tantos planos, pra nada. - Santinha está tranquila, agora que a voz de Richard diminuiu o volume. - Eu pensava que teria o bebê aqui no Brasil. Depois que Altiva também desse a luz, traria nosso filho pra você conhecer. Mas ai vieram as contrações, o parto prematuro, eu era ingênua demais. Quando acordei, Altiva estava do meu lado me dizendo que o bebê não tinha resistido.

- Então você acreditou?!

- É claro, né Richard? Eu ainda não conhecia minha irmã como conheço hoje.

Pela primeira vez em meses, estão conversando como duas pessoas que se amaram muito no passado, e independente do que ainda sentem, se respeitam e escutam o que o outro tem pra falar.

- Seu problema sempre foi seu coração mole. Eu lhe disse centenas de vezes que Altiva não era flor que a gente cheira. Tentei abrir seus olhos, mas você nunca me escutou.. Look, nesses anos todos, eu nunca escondi, nem omiti, tão pouco menti pra você, Santa Maria. Mas, você, você..

- Eu fiz exatamente o contrário, eu sei. -  Ela completa a sua frase. Não há mais nada pra argumentar.

Os dois respiram fundo. Richard anda alguns passos pelo salão, as botas macias não fazem barulhos quando pisam nas tábuas. Está digerindo a bomba que acabou de explodir sobre si. Finalmente, após intermináveis dois minutos de suspense, ele diz alguma coisa: - Ai diz que Altiva trocou nossos filhos. – Emudece novamente, como quem procura organizar as ideias antes de pronunciá-las. – Santa Maria, tivemos gêmeos!

- Sim!- Ela sorri timidamente, retribuindo o sorriso que Richard deixou escapar.

- Onde estão? Eu quero conhecer meus..

- Em algum lugar na França. – Ela responde, abruptamente.

- Santa Maria! - Ele para. De repente compreende e se irrita. - Altiva, Altiva me tirou as maiores alegrias que um homem pode ter! – Seu olhar dele está furioso, e seus punhos estão cerrados. Richard cerra a boca para falar, suas palavras são ditas com desprezo. Típica raiva de quem suportou muito e agora precisa explodir, botar pra fora tudo que está entalado. Aguentou Altiva por muito tempo, sofreu o pão dos humilhados, manteve distância em consideração ao amigo Pedro Afonso, porém agora, agora não dá mais.

Richard passa por Santa Maria e vai na direção da porta. Ela estranha: - Aonde você vai?

- Fazer sua irmã falar aonde estão nossos filhos, nem que eu tenha que pendurá-la pelos pés!

E sai desaforado, batendo a porta com força. Santinha segue logo atrás, tendo que correr para alcançar suas passadas largas e rápidas.

 



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