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História Sara, a babá perfeita - Capítulo 27


Escrita por:


Notas do Autor


Que massa seria se o Namjoon chamasse a Sara de pretinha né?
tipo assim: "ain, pretinha, faz assim não que desse jeito cê me desmonta!"
Achei tendência e vocês?

Reflitam sobre isso e Boa Leitura, pretinhas!





-pegou a vibe?

Capítulo 27 - Capítulo XXV - Nem por isso você desiste


Quando o som do despertador conseguiu finalmente arrancar Sara da cama, foi como se, junto ao despertar, o alarme tivesse ativando o modo turbo na preta, porque o atraso de meia hora seria drástico no seu horário de trabalho. Enquanto tomava um café fuleiro sem valor nutricional e corria as escadas do prédio às pressas, a frase “Já começa desse jeito, pretinha?” vinha e ia da mente da Róger.

Já começava desse jeito? Dormindo tarde porque não conseguia dormir ao imaginar que Kim Namjoon provavelmente dormiria também tarde depois de lhe dedicar “homenagens”? Tendo que correr contra o tempo por ter caído naquela armadilha da imaginação?

E mesmo que essas questões surgissem e fossem todas de cunho repreensivo, o sorriso idiota também surgia sempre que lembrava da última mensagem recebida pelo seu chefe.

Na cabeça de Sara havia a certeza que ele não tinha o direito de fazer algo como aquilo com ela. Era tão cedo para falarem sacanagens daquele modo, e era muito cedo também para Sara querer tanto aquilo. Parecia estar novamente com seus dezessete anos, com todo o fogo precipitado de quando teve sua primeira vez e não curtiu a experiência, mas na terceira tentativa foi maravilhoso. Aquele fogo adolescente e juvenil tinha acarretado a preta novamente, como a um tempo não sentia, era bom senti-lo novamente.

E mesmo que não fosse velha coisa nenhuma – quem é velho com vinte e seis anos? –, Sara podia jurar que se sentia uma menininha com seu primeiro paquera, ou pior, uma novinha enlouquecida pelo homem experiente. Namjoon tinha dez anos a mais que ela, não era pouca coisa, admitia internamente, mas não costumava acreditar que os mais velhos são os melhores; homem não é melhor por idade, é por caráter. E ele não seria o primeiro, e Sara se gabava de ter uma experiência em seu currículo, não gostava da ideia de romantizar exageradamente a discrepância de idade, ainda mais no seu caso com Namjoon.

Falando a verdade? Sara não era boba coisa nenhuma, sabia ser diferente entre quatro paredes, sabia o que fazer e fazia. Era a realidade sexual adulta na sua mais pura sacanagem.

Chegar na casa Kim fez o coração de Sara acelerar, e ela odiava o coração acelerado em momentos assim porque começava a suar e sentir frio. Tratou de respirar fundo e lembrar do combinado que fez com Namjoon; dentro de casa é senhor Kim.

— Ayume? — chamou, como sempre fazia ao chegar e não ver a família Kim na sala. Ouviu os passos de corrida virem da cozinha e imediatamente se agachou para receber nos braços a pequena que lhe chamava lindamente:

— Titi! Titi! Titi! — Lindo ser recebida com aquela empolgação e aquele sorriso quase banguela!

— Oi, meu amor, ‘tô aqui! ‘Tô aqui! — Sara agarrou Ayume e jogou-a para o alto, depois abraçou o pingo de gente com todo o amor que sentia por ela.

— Primeiro atraso em meses — Namjoon disse observando Sara encher sua filha de beijos. —, fiquei até assustado.

— Pensei que tinha capotado — a voz de Taehyung chegou antes mesmo dele aparecer na sala.

— Taehyung! — repreendeu Namjoon, achando horrível ele ter dito aquilo.

— Capotado de sono, pai! — Taehyung encarou Sara esperando uma reação humorada dela, ele tinha dito capotar no sentido de acidente de carro mesmo, mas tudo na base da brincadeira. E Sara sabia disso e por um momento pensou em se sentir mal, mas não fez.

— Se eu tivesse capotado de verdade — dizia, enquanto soltou Ayume e ia até o garoto. — Taehyung morreria sentindo minha falta — falou e levou imediatamente as mãos ‘pra bochechas do rapaz, apertando com força exagerada e de propósito. —, porque esse menino me ama!

— Morria nada! — Taehyung murmurou. Rindo enquanto Sara colocava o braço em volta de seus ombros e o encarava.

— Não ia sair do lado da minha cama por um instante — ela ditou, apertando o queixo dele num carinho nada carinhoso. E os encaminhando para cozinha.

— Você teria sorte se eu te visitasse alguma vez. — Taehyung ergueu o dedo indicador direito e falou cheio de pompa, andando no mesmo passo que ela.

— Ia ficar se perguntando: “E agora, quem vai me fazer tapioca? Quem vai me dar comida nos domingos? Mas que droga!”. — Apertou ainda mais o braço nos ombros dele. Entraram na cozinha.

— Restaurante brasileiro e serviço de entregas. Você se acha! — Sara se virou de frente para ele com as mãos em seus ombros e semicerrou os olhos, falou baixinho:

— Quem ia te livrar das tuas merdas, garoto? Quem ia falar com teu pai ‘pra tu fazer aula de teatro, hein? Quem? — ela perguntou, deixando Taehyung sem opção. Namjoon estava na porta da cozinha e ouvia os dois, Ayume estava ao lado do pai esperando Sara terminar de falar com seu irmão pra poder falar com Titi. Namjoon riu quando Sara disse a última frase e viu seu filho pensando bem naquela verdade; e penando bem, Sara sempre tentava ajudar aquele moleque quando ele se encrencava de alguma forma.

— Talvez eu sentisse falta — Taehyung falou, sem outra chance.

Namjoon riu mais alto e Sara fingiu se sentir indignada.

— Desse jeito eu vou ter que sair daqui mesmo, senhor Kim, o moleque é um sem coração! — Bateu no ombro de Taehyung e riu quando ele começou a rir.

O garoto quis dizer que sentiria sim a falta dela, mas todo adolescente é emocionado demais e possuía uma vergonha descabida de dizer o que sente para as imagens adultas de sua vida, e mesmo que Taehyung não tenha se atentado a isso, Sara era uma figura adulta presente em sua vida e nem ele gostaria que deixasse de ser assim.

— Titi, faz panqueca, a do papai ficou ruim — Ayume pediu, cansou-se de esperar eles pararem de falar.

— A do seu pai sempre fica ruim! — Sara alfinetou. — Vou fazer agora.

— Mas não usa a massa dele não, ficou terrível, sério, um gosto de ovo tão grande que chega dá embrulho no estômago — Taehyung pediu se afastando.

— Meu deus, é um complô? — Namjoon questionou, os olhos arregalados e lábios franzidos.

— Você é péssimo, nossa! — Sara disse, provando de um pedaço da panqueca que ele tinha assado, enquanto Namjoon negava para aquele disparate dos três. — Vão se arrumar, daqui a pouco eu chamo — Sara mandou, enquanto se virava para começar a fazer comida. Ela abriu os armários e franziu o cenho, lembrando na hora que estava a alguns dias para avisar a Namjoon que tinha acabado a comida. — Tem que fazer compra! — gritou, achando que Namjoon já não estava ali assim como os mais novos, pois tinha escutado os passos deles.

— Depois a gente faz — Namjoon respondeu, perto demais dela, e lhe dando um baita susto.

— Meu deus do céu! — exclamou em português, tremeu e logo começou a rir pelo susto. — Quer me matar? — perguntou, Namjoon se escorou na bancada e ficou oposto a ela, mas ao seu lado.

— O que você disse? — perguntou, nunca ouvia Sara falar nada em sua língua nativa.

— Meu deus do céu — respondeu, agora sim numa língua que Namjoon entendesse.

— É um algum tipo de mecanismo automático isso? — Ele riu quando viu a expressão dela. — Desculpa, mas eu não tive culpa! Eu nem saí daqui. — Deu de ombros. — Anda assustada demais, Sarinha? Está escondendo algo? Com medo de ser pega?

— Dormiu bem ontem, senhor Kim? — a preta perguntou, apenas para vê-lo fazer aquela cara de safado, sorrindo de lado e lhe dizendo sem palavras ditas que a noite havia muito proveitosa.

— Dormi sim, e você? — jogou de volta.

— Tanto que me atrasei! — respondeu, sorrindo maliciosa e mentirosa. — Pode pegar o açúcar, por favor?

— Quando vamos sair novamente? — ele questiona, entregando o açúcar a ela.

— Pode pegar o limão também? — Namjoon buscou e a entregou como fez com o açúcar. — Poderia também seguir com o combinado de agir normalmente aqui dentro — o encarou de lado, sorrindo minimamente e concluindo: —, senhor Kim?

— Eu posso sim — respondeu, sorrindo e se afastando sem pressa. — Faz fofinho! Odeio panqueca empelotada — mandou, e gargalhou quando conferiu a expressão revoltada que Sara lhe lançou por ouvir tal ordenado sem sentindo, já que ela era a própria chefe!

Sara fez seu trabalho e sorriu diversas vezes naquela manhã; o dia prometia tanto!


 


 

[…]


 

Hoseok leu o último paragrafo do documento em voz alta, logo depois leu novamente, dessa vez só para si mesmo e com mais atenção ainda. Respirou fundo e disse:

— Kim Seokjin adorou nossa defesa, está feliz que o contratempo tenha sido resolvido e- — Hoseok parou no mesmo instante que sentiu Yoongi cutucar seu braço, recebeu um olhar de ordem para encarar Namjoon e assim o fez bem a tempo de vê-lo sorrir para tela do celular. Encarou Yoongi ao seu lado novamente e assistiu o pálido negar com a cabeça. — Ei! — chamou alto, mas não surtiu efeito de susto, apenas tirou o olhar do Kim de cima do aparelho e fez ele lhe encarar ainda sorrindo. — Você prestou atenção?

— Aham! Ele adorou a defesa, está feliz por… ter terminado tudo bem. Foi isso? — falou, incerto daquilo, mas voltou a encarar a tela de celular.

— Foi sim — Hoseok respondeu, olhando para a velocidade que Namjoon respondia quem quer que fosse. — Com quem está falando? — perguntou, se esgueirando para ver as mensagens.

— Ah… uma pessoa — respondeu, tirando de perto do olhar do amigo o seu aparelho. Soltou um sorriso ao ler a mensagem que chegara, mas foi um sorriso do tipo inconsciente, que simplesmente sai sem o dono dar conta. Namjoon estava de papinho com Sara.

— É mulher? — o Jung insistiu, erguendo as sobrancelhas ao ver o sorrisinho surgir nos lábios do Kim. Yoongi observou a atitude e riu baixinho quando o olhar de Namjoon subiu para eles dois enquanto dizia:

— E que mulher, meus amigos! — Era tanto entusiasmo que surpreendeu o casal a frente.

— Conta ‘pra gente! Deixa de ser podre! — Yoongi mandou. — Onde você conheceu ela? — perguntou, se aproximando e interessado.

Namjoon riu um pouco mais, parou e se deu conta que não pensara na sua parte do plano. Não podia simplesmente dizer que era a Sara pois seus amigos não aprovariam aquilo, perguntariam se tinha perdido a noção. Mas o que ele faria agora? Não tinha bolado nada ainda.

— Não posso contar — respondeu de mal jeito, bloqueando o celular e deixando-o ao lado.

— Por quê? — Hoseok achou tão estranho isso. Da última vez que Namjoon não pôde dizer de quem se tratava a mulher que estava saindo, o resultado não foi bom e quebrou nas costas do Jung e do Min. — Tu não ‘tá se envolvendo com mulher casada não, né?

Com a menção do episódio, Yoongi se prontificou:

— Ei! Nem invente essa besteira de novo, ouviu? Pelo amor de Deus, Namjoon, você lembra da última vez? — Yoongi perguntou, encarando o amigo de modo sugestivo. — Nós fomos te buscar num condomínio longe ‘pra caralho, você estava sem roupas, e era duas da manhã! Olha na minha cara e vê se eu vou fazer isso de novo por você?

— Ainda mais depois de você estragar uma foda nossa — concluiu Hoseok, lufando desprezo.

— Como eu te odiei naquela noite, meu amado! — O branquelo negou com a cabeça enquanto espremia os olhos.

— Ela não é casada! — Namjoon afirmou, pois Sara já foi casada, mas não é mais a muito tempo!

— Então conta ‘pra gente! — Hoseok mandou. — Onde você conheceu essa mulher? Qual o nome dela? Onde ela trabalha? A quanto tempo vocês estão nisso? — Namjoon encarou o Jung depois de todas as perguntas dele e ficou de mãos atadas! Deveria ter pensado melhor na sua própria parte do plano em vez de apenas querer saber a parte de Sara.

— É que eu realmente não posso contar, ela pediu segredo… digamos assim — respondeu.

Namjoon viu Min Yoongi e Jung Hoseok se entreolharem como se estivessem conversando por telepatia, a cara de um mais desconfiada que a do outro.

— Digamos assim? — Yoongi perguntou, sem entender aquele “digamos assim”. Olhou bem para o amigo e perguntou de uma vez: — Ela é prostituta?

— O quê?! Claro que não, hyung! — o Kim arregalou os olhos, quase se engasgando com a própria respiração. — Que ideia! — reclamou.

— Ah ‘tá, é que você falou que não pode contar, então achei que fosse alguém fora da lei, sabe? —O Min justificou, ficando em silêncio e encarando o namorado, mexeu a perna direita sem muita paciência e, depois de uma pausa dramática, perguntou de uma vez novamente: — Ela vende droga?

— Não! Ela não vende drogas! E não é prostituta! — respondeu alto, encarando Yoongi e vendo o riso de gozação na cara dele, sabia que aquela última pergunta era só para tirar gracinha. — Ela trabalha e estuda-

— Ela ainda estuda? — Hoseok o interrompeu, agindo como o namorado. — Meu deus do céu, Namjoon, tu ‘tá com uma ninfeta?

Yoongi gargalhou e Namjoon ficou boquiaberto com o pensamento do Jung.

— Ninfeta?! — Kim pergunta, de olhos arregalados. — Hyung… — chama arrastado, como se repreendesse aquele pensamento. —, que mau juízo é esse de vocês sobre mim? Cadê os créditos de responsabilidade que eu tenho?

— Depois daquele dia com a casada eu nunca mais te vi como responsável, Namjoon — Hoseok negou com a cabeça após dizer aquilo, como se dissesse com o ato que havia desistido do grandão naquela época.

— Era a casada de um sócio, cara, como você pôde? — Yoongi quem questionou, lembrando-o.

— Como eu pude? Podendo! Porque ela deu chance, veio atrás e foi gostoso, é isso que querem que eu diga? — perguntou, lembrando bem de que ele estava sem compromisso algum quando aconteceu com a casada e não se importava mesmo se ela tinha ou não o nome de outro; Namjoon não estava traindo ninguém!

— E depois o viado que é safado — Yoongi falou, desviando o olhar de maneira teatral.

— Ela é adulta, Namjoon? — Hoseok insiste.

— Porcaria! Ela é adulta sim! Está fazendo uma pós-graduação, só isso! — Negou com a cabeça, achando tudo aquilo uma merda. — Ela não é efeito Eunbi, está bem? Eu não vou me afundar de novo, se essa é a preocupação real de vocês. Eu posso ao menos tentar?

— A gente só não quer que você tente algo ruim para você — o Jung respondeu.

— Ela não é algo errado não. Confiem — pediu, a imagem de Sara tomando toda sua mente. A Róger não era um efeito Eunbi, longe disso! Sara era um efeito Sara e ponto!

Os dois advogados não falaram muita coisa mais, apenas o necessário sobre trabalho e depois cada um foram sua respectiva sala – mesmo que ainda estivessem se roendo de vontade de saber quem era a mulher que Namjoon tinha interesse.

Quando estava sozinho novamente, o Kim recostou-se a sua poltrona e pegou o celular, debloqueou o aparelho e conferiu as mensagens recebidas. Logo tratou de responder as mensagens de Sara. Tomou um grande susto quando a porta do escritório foi aberta de supetão e quase derrubou o celular das mãos, olhou para quem entrara e respirou fundo tentando controlar a reclamação que daria na própria mãe por sequer se anunciar antes de entrar.

— Não preciso me anunciar, você sabe disso — Michan já entrou lembrando o filho daquilo. — Eu vim porque tenho um pedido mais do que especial para te fazer. E você vai atender!

— Bom dia, mamãe, como a senhora está? A dor nas pernas passou? — perguntou, ignorando aquele anunciou de pedido dela. Os pedidos de dona Michan eram sempre carregados de momentos constrangedores para ele.

— Eu estou ótima! — Sorriu cheia de alegria. — Sei que você e meus netos estão ótimos também, vou poupar esse estendimento, então — alegou, causando uma curiosidade absurda em Namjoon sobre a alegria que ela estava sentindo. — Filho, lembra de quando te falei da irmã de Kim Yonghee, a Kim Yongsun?

— Lembro, mas não queria lembrar.

— Ah, para com isso! — mandou, se ajeitando na cadeira. — Yongsun é uma garota linda! Além de ser de classe, ela é uma mulher que trabalha bastante e tão adorável, tomei café com ela hoje!

— Ai meu deus… — Namjoon murmurou, pois sua mãe era a única que lhe fazia sair do titulo de ateu para o mais cristão do mundo com as invenções dela.

— Falei com ela, perguntei se estava interessada por alguém e achei muito estranho quando ela disse que não. Então eu perguntei se ela aceitava que eu a apresentasse a alguém- — Foi interrompida.

— Muito bom ver que está fazendo novas amizades, mas eu espero que esse alguém não seja- — Do mesmo modo que interrompeu, foi interrompido.

— É claro que é você, meu amor! E sabe o que ela disse? Disse que sim! Ela adorou a foto que mostrei de você e até pareceu relutante em dizer sim antes de te mostrar, mas com um sorrisinho de lado e um brilho no olhar, ela concordou! — Michan estava feliz demais de ter arranjado um encontro para seu filho, e sorriu abertamente com isso, em contra partida, Namjoon afundou na cadeira, mesmo que escorado à mesa, com cada mão em cada lado da cabeça.

— Tenho certeza que a senhora coagiu a moça a fazer isso, mamãe! Pelo amor! — Ele já imaginava a cena! Com certeza aquela mulher apenas aceitou por conta da insistência de sua mãe, pois não era a primeira vez que Michan fazia isso. — Nem conte comigo! — avisou logo, olhando para a outra Kim de forma exageradamente repreensiva. Viu no mesmo instante a cara de desaprovação da mãe; tratou de se adiantar: — Não! Eu não vou! Nem tente! A senhora sempre me promete que vai parar com essas tentativas, mas, mesmo assim, me mete nessas roubadas! É insuportável, porque parece que a senhora não me conhece e não sabe como funciona um relacionamento entre duas pessoas! — se exaltou ao falar, não queria acreditar que de novo sua mãe estava fazendo aquilo.

— Eu estou te fazendo um favor! E você está reclamando? — perguntou na mesma altura.

— Favor? Me arranjar pretendentes é um favor? — perguntou, voltando ao seu tom calmo. — Está se ouvindo, mamãe? Toda mulher rica, que nunca foi casada e não tem filhos a senhora quer empurrar ‘pra cima de mim. Já percebeu?

— É que essas são qualidades fundamentais para uma boa esposa — argumentou, se ajeitando na cadeira que estava.

— Qualidades? Isso lá é qualidade? Foi por isso que começou a empurra a Jaeun ‘pra mim quando ela se tornou representante comercial?

— Jaeun sempre foi uma boa escolha! — Michan esclareceu, se irritando com a dedução do filho. — Mesmo não sendo tão rica quanto nós, ela é um anjo! E me deixa muito triste que vocês não tenham dado certo e, por sua culpa!, ela tenha se apaixonado por outro.

— Por minha culpa? — perguntou exasperado. — Ela se apaixonou por outro porquê ela nunca gostou de mim desse jeito, fazia aquilo ‘pra te agradar!

— Mas você soube aproveitar, não é? — A mais velha nunca perdia uma oportunidade para lembrá-lo de quando de fato foi para cama com Jaeun, adorava esfregar aquilo na cara dele, como se dissesse: “No fundo, você até queria também”.

— Me arrependo profundamente daquela noite! De todas as cosia que fiz depois que aquela desgraçada foi embora, essa foi a pior! — Michan o encarou de olhos arregalados com tamanha indelicadeza do filho. — Isso quase estragou a minha amizade com Jaeun — explicou. — Ela cresceu do meu lado, mamãe, aquilo não deveria ter acontecido, somos praticamente família!

— Bem, isso é verdade — concordou, lembrando dos seus três filhos – Jaeun era uma filha para ela – brincando quando crianças. —, mas Jaeun é minha querida, queria que meus dois amores tivessem um futuro bonito juntos.

— É, eu sei, eu sei! Mas, por conta dessa história, não vou compactuar mais com suas tentativas de me arranjar esposa — decretou.

— Você vai sim! Eu já marquei, seja homem e honre — ordenou, cruzando os braços e fazendo cara emburrada, Namjoon arregalou os olhos minimamente e disse, quase num rosnado:

— Esse compromisso não é meu!

— Faça isso por sua mãe! — pediu, mudando o tom para o mais doce e carinhoso possível. — Já que não quer vir morar comigo novamente… eu cuidaria muito bem de meus netos, mas insiste em deixar aquela estrangeira-

— Quer me convencer desse jeito? — a interrompeu.

— Última vez, prometo mesmo! Dessa vez é sério. Me prometeu ontem que pensaria ao menos — ela o lembrou.

— Vai parar de falar sobre isso se eu disser que penso? — Namjoon diria qualquer coisa só para sua mãe parar de falar daquele assunto.

— Você sabe que não — respondeu, rindo ao ver o filho revirar os olhos e bufar. — Vou te vencer pelo cansaço, meu filho, como sempre. Então vamos pular logo isso, certo?

— O que a senhora pede que eu não faço chorando, bufando e explodindo de raiva, não é? — perguntou, massageando as têmporas e pensando quanto tempo poderia adiar aquela resposta.

— Mas faz! — disse, querendo rir mais.

Namjoon negou com a cabeça, e com um assentimento fraco, concordou em pensar sobre o encontro. Não queria se meter em nada que o comprometesse com Sara, agora que finalmente estavam caminhando na direção que queriam, não podia dar chance de fazê-la recuar.


 


 

[…]


 

Namjoon terminava de vestir seu shorts quando Taehyung chegou no umbral da porta do seu quarto e, sem muita paciência, disse:

— Pai, preciso de dinheiro, acabou meu creme de barbear.

— Creme de barbear? ‘Pra barbear o que, Taehyung? — se virou para o filho na hora de questionar, Namjoon nem sabia que o garoto se barbeava, ele não tinha pelos na cara, como isso era possível?

— A minha barba, né? — respondeu óbvio.

— Que barba, Taehyung? Você não tem barba! — pegou a camisa e começou a vestir.

— Eu tenho sim! É que eu barbeio, daí o senhor não vê, mas me deixa uma semana sem barbeador e verá minha barba de lenhador. — Taehyung terminou de falar e passou as mãos pelo rosto, pelos lugares em que ele passava o barbeador quando ia fazer “a barba”.

— Só se for a barba da bunda. — O mais velho soltou uma gaitada assim que viu a expressão do filho se transformar em tédio e constrangimento fingido de raiva – se é que existe essa expressão.

— A gente não consegue ter mais uma conversa civilizada com o senhor, né? Impressionante! — Namjoon riu ainda mais, enquanto Taehyung prendia a vontade de o acompanhar na gargalhada. — Vai me dar o dinheiro ‘pra comprar ou não?

— Quando formos fazer as compras você compra — respondeu ainda com um sorrisinho no rosto, passando perfume e saindo do quarto acompanhado do filho. — ‘Tá certo? — Namjoon seguia para a sala, descia as escadas com Taehyung em seu encalço. Já podiam ouvir o som da TV dali.

— Mas vai comprar logo, né? Eu tenho que me barbear de três em três dias. — O mais velho parou e virou-se para encarar seu filho, com aquele olhar queria dizer que achava vergonhoso e engraçada a insistência do menor sobre ter uma barba digna de um creme de barbear. Taehyung parou também, encarou o pai querendo evitar zoação e disse: — Pai, sério! Sem brincadeira.

— Eu só não vou falar mais nada, porque quando eu tinha a sua idade eu também era bem iludido a respeito da minha barba. — Voltou a descer as escadas e continuou: — Amanhã fazemos as compras, daí você pode cortar sua barba imaginária.

Taehyung se apressa e desce antes do pai.

— O senhor não dá folga, né, velho? — acusa, indo se jogar de uma vez no sofá.

— Velho? — perguntou, surpreso com aquela forma do filho de falar consigo. Mas antes de poder repreender o mais novo, a voz da Sara lhe chama.

— Namjoon, não tem nada na geladeira e nem na dispensa ‘pra fazer o jantar — diz da porta da cozinha.

— Nada? — perguntou, assustado.

— Nada, nem rámen — disse, para impactar, pois uma casa que sequer miojo tem, não tem esmo comida.

— Como que acabou tudo de uma vez? — Ele andou até onde ela estava, entrando na cozinha e olhando para as portas do armário, onde tudo que tinha eram temperos prontos, sal e algumas outras coisas que sem comida mesmo, não serviam para nada!

— Comendo, talvez? — Sara o encarou dando de ombros. Namjoon percebeu que desde que Sara começara a fazer as refeições da casa que a comida acabava mais rápido, mas também notou que o dinheiro gasto com entrega de comida diminuiu bastante.

— A gente vai fazer as compras agora? — Taehyung perguntou com entusiasmo, acompanhou o pai até a cozinha assim que ouviu a fala de Sara.

— Vai fazer compra? — A simples menção em compras fez Ayume correr descontrolada até eles, sempre que ouvia a palavra compras, ficava eufórica com a possibilidade de fazer bagunça no mercado.

— Eu pensei em pedir comida e amanhã comprava — Namjoon respondeu, encarando sua filha.

— Não! Faz hoje, papai, faz hoje! Por favor! — pediu ela, as mãos juntinhas e uma cara de pidona.

— Filha, eu ‘tô cansado, amanhã fazemos — o Kim maior tentou.

— Por favor, papai, faz hoje! Eu quero ir — arrastou a fala na última palavra, fez sinal de choro e ergueu os braços em súplica.

— Amanhã a gente vai, Ayume — Namjoon decretou sério. Taehyung observou a insistência da irmã torcendo para que seu pai cedesse, mas viu a expressão de Namjoon e de como estava tão absoluto sobre, bufou dizendo alto “Eu queria ir também” e voltou para a sala, se jogando no sofá.

— Titi, pede ‘pra ele fazer hoje? — Foi num rompante de desespero que ela se virou e correu para sua babá e pediu à preta que lhe ajudasse na missão, como se Sara tivesse alguma voz ativa nas decisões da casa. A Róger semicerrou os olhos e alisou o rosto da menina, riu da expressão tão chorona dela e olhou para Namjoon, logo perguntou:

— Por que ela quer tanto ir?

— Ela gosta — Namjoon respondeu girando os ombros. — Amanhã nós vamos, hoje pedimos comida — reforçou encarando Ayume.

A pequena, por sua vez e diferente de outras vezes, não gritou exigindo que o pai fizesse as compras naquele dia, não chorou realmente, nem fez nenhuma birra costumeira; apenas emburrou, cruzou os braços e foi para a sala, sentou-se no sofá ainda de braços cruzados e ficou ali, ao lado do irmão, olhando para a TV.

— Ayume — Namjoon chamou, esperando que ela entendesse que ele estava muito cansado e naquela noite não dava para irem. — Ayume? — Mas ela não respondia, nem olhava para o pai. O Kim mais velho negou com a cabeça verdadeiramente surpreso com a atitude da filha, mas não tentou mais; entrou para cozinha e Sara o seguiu.

— Eles sempre vão com você quando vai fazer as compras? — Ela passou para atrás do balcão, se escorou no mármore com os braços cruzados e esperou que Namjoon fizesse o mesmo.

— Taehyung faz a cabeça da Ayume, e a Ayume faz a minha cabeça. Eles compram besteiras e comem tudo de uma vez. É por isso que não quero levá-los — respondeu, fazendo exatamente a mesma coisa que Sara, como ela esperava.

— Eles gostam de ir? — Os dois estavam quase de ombros colados e se encaravam de pertinho sem quebrar o contato visual.

— Adoram! Taehyung empurra o carrinho de compras no estacionamento com Ayume dentro, eles se divertem bastante quando vão.

Sara pensou sobre, respirou fundo e voltou-se para o homem.

— Olha… talvez seria bom ir hoje. — Namjoon franziu o cenho. — Eu sei que já falei que não deve mimar ela nem o Taehyung, mas você me disse que sábado agora completa três anos que aquela mulher foi embora. Taehyung precisa de mais atenção no momento — explicou.

— Eu sei. Ele fica triste nesses dias, é bem ruim ver como ele se tranca quando chega essa semana. — Só então o Kim olhou para outro lugar que não os olhos de Sara.

— Então? Taehyung precisa se divertir, ignorar um pouco esse momento do ano.

— Está bem — ele disse depois de pensar. — Estou morto de cansaço, mas faço isso por nós. Você vai com a gente, né? — perguntou, começando a achar minimamente boa a ideia de irem ao supermercado.

— Certeza? — Sara o encarou com um olhar esnobe, brincando. — Eu planejava aproveitar que vai sair com eles e me encontrar com uma nova paquera que eu arrumei hoje, sabe?

— Ah! Mesmo? — Ela assentiu, e só seguiu com a brincadeira para poder ver aquele sorriso no rosto do Kim. — Mas eu sou o chefe, vou te prender aqui até a hora que eu quiser.

— Isso é abuso de autoridade, senhor Kim, se eu-

— Abuso é a autoridade que sua boca tem sobre a minha! — Namjoon partiu para quebrar a regra que Sara tinha estipulado sobre a relação deles não passar para as paredes daquela casa segurando o queixo dela e virando os lábios da preta em sua direção; a beijaria intensamente se dele dependesse, mas o susto que levou ao ouvir a voz chorosa de Ayume entrando na cozinha fez com que todos dois dessem cada cá um pulo para longe.

— Por favor, papai! Vamos hoje! Por favor! — Ayume estava de ombros baixos, cabeça levantada e expressão muito triste, como se carregasse a pior das dores fingidas.

— Ficou melhor agora? — Namjoon disparou, tocando no queixo de Sara e olhando bem em um dos olhos dela.

— Am? — a preta perguntou em troca, sem entender do que ele falava.

— O que foi? — Ayume mudou totalmente a expressão querendo saber o que era.

— Caiu um cisco no olho da Sara, eu ‘tava tirando, princesa — o Kim respondeu, e então as duas entenderam.

— Pai — Ayume voltou a chamar, novamente os ombros caídos e carinha pidona. A menor andou até os dois, e Sara riu baixinho da carinha e manha dela, Namjoon negou e logo pegou a princesa dele e sentou-a na bancada de ilha. — Papai, por favor, vamos hoje, papai — insistiu, juntando as mãos como fizera antes. — Eu quero muito!

— Ayume, calma! — Namjoon pediu, acompanhando o riso da babá. — Nós vamos hoje, mas só se você parar de chorar! — impôs.

— Eu paro! Vamos! Vamos! — Era tão engraçado ver a mudança de humor de Ayume, Sara adorava ver aquela energia toda dela. Namjoon negou novamente, pegando a mais nova nos braços, jogando para cima e segurando com firmeza.

— Taehyung! — chamou, se aproximando da entrada da cozinha. Colocou Ayume no chão e concluiu: — Vai arrumar sua irmã, vamos no mercado.

— E a Sara vai fazer o quê? — Não era que Taehyung não gostasse da irmã e achasse horrível ter que arrumá-la, mas Sara não era a babá e aquela não era a função dela?

— Eu pedi ajuda com as compras, vamos anotar algumas coisas… — o pai respondeu, saindo da cozinha e pedindo, com um aceno de mão, para que Sara o acompanhasse. Taehyung não respondeu nada, apenas se levantou do sofá, pegou a irmã nos braços e levou ela – às carreiras – para o quarto, Sara quase reclamou, prevendo uma queda feia com aquela brincadeira, mas deixou passar.

Namjoon abriu a porta e entrou no escritório, Sara logo em seguida, quando a preta ia fechar a porta, o Kim fez antes que si e a puxou pelo braço, cercando bem rapidinho a cintura dela. Róger teve surpresa com isso, e talvez permitisse que o apressadinho lhe beijasse caso não tivesse proibido aquilo de acontecer ali dentro.

— Não, Namjoon! Aqui não! — disse, não tão alto quanto queria, mas o suficiente para ele ouvir.

— Eles não estão aqui — justificou, sentindo as mãos de Sara lhe afastarem com resistência, não forçou o abraço e se afastou. Sorriu arteiro quando ela, cheia de caricaturas, disse:

— Deixei claro que não queria fazer nada disso aqui dentro. É muito arriscado! — alegou. — E a história do cisco não vai cair de novo, nem com a própria Ayume.

— Um beijo não mata, Sarinha — deu um passo para perto dela.

— Você concordou comigo, Namjoon! — em contrapartida ela ergueu a mão esquerda o mandando, com o gesto, ficar onde estava.

— Você é muito certinha, não sabe se divertir — disse, a cara franzida e achando a posição dela uma chatice. Namjoon não confiava muito em si mesmo para seguir aquela regra.

— E você é um fingido! — proferiu mais alto do que devia. — Eu disse que seria assim, não disse? E você aceitou!

— Menti para poder ter sua confirmação. — Enquanto Sara arregalava os olhos e abria a boca, Namjoon se aproximou rápido demais novamente e prendeu a pretinha em seus braços, olhando para aqueles olhos que pareciam tão puros agora e até ofendidos. — Passamos horas juntos, Sarinha, algumas delas sem o Tae por perto, acha mesmo que eu não vou te roubar uns bons beijos? Acredita mesmo nisso? — Era tão furado aquele papo. Sorriu todo sem vergonha quando aproximou a boca da orelha de Sara e sussurrou: — Ainda mais depois das loucuras que você me fez imaginar ontem?

Sara tremeu, mas tinha que se recompor.

— Acho! Porque foi o combinado, e você tem que cumpr-

— Eu não vou! — interrompeu-a. — Mas se me der um beijo agora, talvez eu pense sobre.

Sara não respondeu, apenas semicerrou os olhos e se deixou ser apertada mais ainda por Namjoon. Apertou os ombros largos dele e deixou-se ser beijada, aproveitando daquele momento para jogar a culpa nele, e somente nele, do fogo que queimou tudo dentro dela. Sara nem estava tão afim – tentou se convencer disso —, era Namjoon que atiçava, que provocava e a deixava sem muitas opções além de se jogar de uma vez naquele fogo. Retribuiu o beijo, procurando os lábios carnudos com calma, prendendo com os dentes e puxando. As línguas se tocavam e essa sensação era tão encantadora que chegava a ser preocupante. Sara começou a guiar o beijo, tacando o dane-se para a própria regra, e Namjoon gemeu em resposta, fazendo ambos despertarem para o perigo que realmente era aquele comportamento ali dentro.

— Chega! — ela disse, se afastando. Respirou fundo, passou as mãos pela roupa e depois cabelo, encarou o Kim e, sem reais palavras ‘pra dizer, disse a primeira coisa que pensou: — Atrevido!

— Atrevido? — Namjoon perguntou, logo rindo da expressão e comportamento de Sara, enquanto ela apenas ignorou aquilo e prosseguiu:

— Cadê aquela lista de compras? — Namjoon foi até a primeira gaveta de sua mesa e pegou a folha com a lista – uma tarefa que fez por não ter tempo às turras para gastar com compras – entregou o papel para Sara e a observou ler por cima todos os produtos. — Acho que podemos tirar só a parte desses doces aqui, nós dois sabemos que eles vão comer tudo dentro de uma semana, e com ajuda sua — o encarou com um olhar acusador. Antes que Namjoon pudesse desfazer a cara indignada, ela continuou: — Se o problema for lanche, acho que podemos mudar para lanches não tão processados.

— Eu me sentiria desrespeitado se não concordasse com você — ele disse primeiramente. — E podemos tirar essa grade de soju, percebi que venho bebendo soju demais, nem vi quando acabou dessa última vez. — Um estalo de lembrança soou na mente de Sara e Namjoon percebeu quando ela fez um caretinha demonstrando aquilo. — O que foi?

— Sobre isso… eu tenho que te contar uma coisa — disse, se aproximando dele e falando mais baixo.

— Fala — pediu.

— Taehyung pegou uma garrafa de soju sua e bebeu escondido no quarto-

— O quê?! — exclamou, interrompendo-a.

— Eu só descobri isso porque vi a garrafa vazia no quarto dele quando fui acordá-lo, e não descansei até ele me contar se já tinha feito aquilo… ele falou que aquela era a segunda vez — deu de ombros ao dizer o final. Sara havia ficado bastante irritada com aquilo de início, mas Taehyung era um adolescente e ela entendeu, não aceitava e reclamou do mesmo modo, mas entendeu.

— Eu vou matar aquele moleque! — exasperou o pai, olhando em direção a porta.

— ‘Tá vendo? É por esse motivo que vocês brigam! Você é muito estourado, Namjoon! — criticou, dando conta que desde que chegara naquela casa, percebera o pavio um tanto curto do Kim.

— O meu filho ‘tá bebendo escondido, Sara, você quer que eu vá com carinho e outra garrafa de soju ‘pra ele? — questionou no conhecido tom debochado e irritado de Kim Namjoon.

— Custa falar com ele sem berros? — perguntou, assistindo Namjoon respirar fundo e exasperado. — Taehyung só me contou porque eu prometi não contar ‘pra você.

— Se prometeu, por que contou? — Franziu o cenho e cruzou os braços a encarando.

— Porque eu acredito que se o pai dele falar que é desnecessário ele inciar a ingestão de bebida alcoólica agora, talvez ele evite fazer isso de novo. — Descruzou os braços e o encarou com uma careta no rosto. — É só alegar que isso não é bom, dar os motivos certos e pronto!

— E você acha que ele vai ouvir esse conselho todo pedagógico? — Como sempre, no tom dele.

— Meu deus, Namjoon! Ele tem quinze anos, está na idade de ser curioso com tudo que não presta. Se você não falar direito talvez seja pior. Custa tanto assim não partir para os gritos? — Sara cruzou os braços novamente, batendo o pé no chão começando a se irritar com Joon. — Ele vai beber você querendo ou não! Escondido e junto com os amigos! Você já teve a idade dele, ponha a cabeça para funcionar, homem!

Esperou qualquer coisa do chefe, mas ele ficou em silêncio, engolindo que mais uma vez ela tinha razão sobre algo. Namjoon já teve aquela idade, sabia o que beber representava para aqueles jovens sem noção.

— Não é só a segunda vez que ele bebe, tenho certeza. — Namjoon respirou fundo, encarou o olhar de lado que recebia da preta e concluiu: — Vou falar com ele sobre isso depois, sem falta!

— E sem gritos? — perguntou, agora a voz estava calma e até meiga.

— Sem gritos! — confirmou, com a voz arrastada e entediada. Sara riu e acariciou o rosto dele, com uma intimidade carinhosa que nem sabia que podia exercer ainda. Namjoon negou com a cabeça quando ela baixou o braço, segurou a lista de compras com as duas mãos e baixou a própria cabeça. — Você é muito mandona! — disse, chamando novamente a atenção dela. — E eu não sou estourado!

— Você não- ah, Namjoon!, não me faz rir uma hora dessa! A única diferença entre você e um dinamite é que alguém precisa acender a dinamite, enquanto você estoura só com o vento bagunçando seu cabelo! — Namjoon queria rir daquilo, mas tinha que manter a expressão indignada. — E eu não sou mandona, é que eu geralmente estou certa e por algum motivo desconhecido você nunca quer cooperar antes de uma discussão. Por que será, né?

— Eu sempre mantenho a calma, é que tem gente que abusa! Tipo você, e o Taehyung! — proferiu, jogando bem a direta a ela. — Eu sou advogado, sou treinado para manter a calma em discussões.

Sara tocou o próprio queixo e fez uma careta como se estivesse tentando resolver algo.

— Essa é uma dúvida que eu tenho — devaneou em alto. —, como você consegue manter o alvará para exercer sua profissão? Porque quando você se exalta, meu bem, só sendo pau ‘pra dar em doido ‘pra querer te enfrentar! — Ela quis rir só pela expressão revoltante e impagável que o seu chefe fizera.

— Você está exagerando! Além disso, você já me enfrentou! — jogou de volta, porque Sara não era nada friinha quando começava a brigar também.

Róger sorriu para Kim, lembrando da discussão suprema entre eles no começo do convívio.

— É porque eu sou mandona — respondeu, admitindo a acusação dele. Ela pensou um pouco mais e acrescentou: — E nordestina. No meu país, doido é o homem que decidir enfrentar um nordestino, a gente resolve tudo na peixeira. — Sara gargalhou quando Namjoon arregalou os olhos depois do seu exagero – um tanto verídico – sobre o povo de sua terra. — Não mexe comigo, compadre! — disse por último, rindo mais uma vez do Kim e seus olhos arregalados.

Ela andou em direção a porta enquanto Namjoon ria. Sara ouviu o chamado de Taehyung e não queria prejuízo; abriu a porta e ficou encantada com a roupa que o rapaz escolhera para Ayume.

— Meu deus do céu! — exclamou, toda caidinha pela pequena.

— Olha a minha roupa, Titi! — Ayume ergueu os braços e girou ao redor de si mesma para mostrar a fantasia fofíssima de panda que seu irmão tinha lhe vestido. A fantasia possuía um capuz e era de tecido felpudo, era preta e branca, característica dos ursos pandas.

— É a pandinha mais linda do mundo, do mundo todinho!

Ayume e Sara ficaram alguns minutos naquela apreciação pela fantasia e pela menina, até mesmo dentro do carro a caminho do supermercado. Namjoon ria com algumas coisas que Sara dizia esperando a reação de Ayume. Taehyung apenas respondia seus amigos no celular e ouvia música.

Chegaram no mercado e a primeira coisa que Taehyung fez ao descer do carro foi ir direto até os carrinhos de compras e puxar um, segurou Ayume pelos braços e dizendo “Se segura” colocou-a dentro dele. Ayume comemorou de tanta felicidade, batendo palminhas e sorrindo para o irmão. Sara riu e ficou feliz por aquela interação dos dois, assistiu Taehyung segurar na barra do carrinho e correr um espaço curto, apenas para ver Ayume rir. Namjoon também assistia aquilo e esperou o filho voltar para entrarem no mercado de uma vez.

Taehyung parou perto dos dois ainda rindo, ele amava ver Ayume tão alegre daquele jeito. Sentiu Róger se aproximar e lhe segurar o braço, quase ao mesmo tempo ela lhe bagunçou os cabelos. Tae era bastante alto já, com apenas quinze anos já estava quase na altura da Róger, então quando a olhou, ficaram frente a frente por igual.

— Você é um ótimo irmão, sabia? — Sara o elogiou, e quase não acreditou quando Taehyung ficou envergonhado por aquilo. Ele baixou a cabeça e riu sem graça. — É sério, o máximo que meus irmãos faziam quando eu tinha a idade da Ayu era me dizer que eu sou adotada.

Tae fez cara de nojo e disse:

— Ayume é parecida demais com o grandão ‘pra ser adotada.

— Isso é uma verdade! — concordou ela, olhando para a pequena citada, depois voltou a encarar o menino ao lado. — Você sabe ser fofo quando quer, deveria querer mais vezes — comentou.

— Tae oppa é fofo! — Ayume declarou alto, fazendo Sara lhe encarar e assentir concordando com ela.

— Eu sou um homem, Sara, não posso ser fofo — Taehyung respondeu, a preta via a brincadeira nos olhos dele e ouvia a brincadeira na voz dele também, mas, mesmo assim, olhou-o indignada e depois mudou o olhar para Namjoon que estava ali pertinho deles, como quem diz “ouviu essa barbaridade?” e o Kim mais velho riu deles dois, então falou:

— Não exija que ele seja fofo com os demais, Sara — pediu. — Sabemos que ele é fofo quando Kari aperta as bochechinhas dele e diz “Quem é o bebê mais bonito do mundo, quem é?” — A babá gargalhou no mesmo momento que Namjoon terminou de falar a última frase com uma vozinha fininha imitando um bebê.

— Ele responde: “Sou eu! Sou eu! O seu bebê, amorzinho” — Sara concluiu, falando do mesmo modo que Namjoon, apertando a bochecha direita de Tae e rindo mais ainda quando o Kim mais velho apertou a esquerda.

— Vocês só sabem me envergonhar! — Tae reclamou, se fastando do aperto deles e massageando as duas bochechas. — Cadê o comportamento adulto de vocês?

Sara e Namjoon deram de ombros, nem ligando.

— Você acha que isso é vergonha? — Namjoon perguntou. — Vem cá, filhão, deixa eu te envergonhar de verdade!

Foram alguns minutos ainda para entraram. Taehyung tratou de fugir de Namjoon quando ele veio em sua direção, o pai queria lhe abraçar e dar vários beijos enquanto gritava “Eu te amo filho!” – Sara e Ayume riram tanto quando a fuga de Taehyung não deu certo e ele foi agarrado pelo pai, a vermelhidão no rosto do garoto deixava claro que ter estranhos olhando aquela cena era simplesmente:

— Revoltante! — o adolescente exclamou quando entraram no mercado. — Palhaçada isso, pai! De verdade, você me expõe demais! Eu nunca mais saio com vocês! — declarou, andando para dentro do estabelecimento.

— Quer que eu repita aqui dentro do mercado, Taehyung? — Namjoon perguntou, já dando um passo em direção ao filho e sorrindo quando o viu dar um pulo para longe. — Pega o carrinho da sua irmã, vamos fazer logo essas compras que eu ‘tô cansado.

Sara desdobrou a lista de compras e foi riscando a cada produto pego. Durante as compras ela falava se tinha ainda algum produto não perecível na casa, Namjoon riscava eles também, Taehyung e Ayume começaram a achar as compras chatas, pois não viam nada de doce ser colocado dentro de nenhum dos dois carrinhos, e a tristeza foi dupla quando Sara disse que daquela vez não levariam um montão de doce. Foi uma grande peleja para que Namjoon deixasse os dois comprarem, e somente sob ameaça de devolução no caixa e proibir comerem caso enchessem o carrinho que os dois mais velhos deixaram Taehyung sair com Ayume atrás de doces.

— Eles vão encher o carrinho, Namjoon — Sara disse, acompanhando Taehyung virar a equina do corredor de produtos que estavam.

— A gente devolve, já disse — o Kim garantiu.

— Está bem.

Continuaram a fazer as compras, mas agora os dois sozinhos, e como se fosse um tipo de mecanismo automático, sempre que ficavam sozinhos, o clima entre os dois mudava. Namjoon tinha algumas perguntas para Sara, queria respostas dela.

— Quantos irmãos você tem, Sarinha? — perguntou quando chegaram na sessão de alimentos grossos.

— Três. Richard, o mais velho de todos; Renan, o segundo mais velho, e Jonh, mais velho que eu apenas. — Ela encarou Namjoon e riu da expressão dele. — Eu sou a caçula.

— Nossa, três irmãos… você conseguiu ter algum namorado no Brasil? — riu ao fim da pergunta, enquanto Sara pegava alguns pacotes de comida.

— Eles são bastante ciumentos! — disse, lembrando com carinho de todas as presepadas que eles a submeteram por isso. Namjoon pegou os pacotes dela e colocou no carrinho, pararam se encarando durante um tempinho. — Souberam do meu noivado quando eu estava a uma semana de me casar, caso contrário, viriam direto do Brasil para impedir; ‘pra checar o meu ex-marido; ‘pra dar sermão; xeretar minha vida íntima!, e coisas que eles sempre faziam! Tudo apoiado pelo meu pai.

— Não sei porquê, mas não sinto ciúmes da Hwasa, eu quero mais é que ela desencalhe de uma vez e me dê sobrinhos, ela já tem dois, ‘tá em dívida comigo! — Namjoon acompanhou Sara na risada dela. — Você é a única que mora fora do Brasil?

— Agora sim, mas antes, meu irmão Renan passou quatro anos morando nos Estados Unidos com nossa avó paterna — respondeu, encarando Namjoon. — Meu pai é estadunidense.

— Sério? Vocês são de lá? — perguntou surpreso.

— Não! Nosso pai que é — corrigiu. — Eu sou brasileira, e assino com o sobrenome da minha mãe, enquanto os meus irmãos assinam com o do meu pai, eles dizem que um sobrenome norte-americano chama mais atenção, eu digo que isso é balela!

— Sobrenome norte-americano? — O Kim sabia que ela possuía um segundo sobrenome, não lembrava qual. — Espera… acho que vi no seu currículo uma vez.

— Smith — Sara falou, entregando mais pacotes a ele. — Sara Róger Smith.

— É, esse é seu nome completo… quando vi pela primeira vez achei que era um sobrenome comum no Brasil — Namjoon dizia enquanto colocava os pacotes que Sara lhe entregava dentro do carrinho.

— Passa longe! — disse, se abaixando e pegando mais pacotes de comida.

— Por que assina com o da sua mãe? — soltou a pergunta assim que ela levantou e lhe entregou os pacotes novamente. Sara parou e se escorou no carrinho, enquanto assistia Namjoon colocar tudo empilhadinho dentro dele.

— Acho que é identificação brasileira, sabe? — respondeu. — ‘Pra não esquecer de onde eu realmente sou, qual minha verdadeira cultura, nem qual é a minha terra.

— Entendo. — Ele tinha entendido que ela era somente brasileira e estava verdadeiramente nem aí para sua descendência estadunidense. — Eu só me chamo Kim, mesmo, nada de nome estrangeiro. Apenas o sobrenome que metade da população coreana também carrega — disse, fazendo careta.

Sara sorriu de boca fechada, enquanto o apreciava sorrir em seguida.

— E nem por isso eu desisto de você — confessou, piscando o olho esquerdo. Os olhos de águia dele a encaravam com tanto gosto que a fizeram desviar uma vez, de tamanha intensidade. — Quando vamos sair de novo?

— Ah, então você pode fazer essa pergunta? — questionou, lembrando daquele dia mais cedo ter feito aquela mesma pergunta e ser ignorado.

— Não podemos falar sobre isso na sua casa — justificou, perguntando em seguida: — Nós estamos na sua casa? — Audaciosa! Lançou um beijo a ele quando o viu negar com a cabeça para aquela atitude. — Nessa quarta precisarei de uma horinha do trabalho, senhor Kim… — ela disse, mudando o tom para algo mais… torpe.

— Horinha, senhorita Róger? — E o Kim era esperto, pegou na hora.

— É, eu encontrei um carinha, num lugar aí da vida, e quero investir pesado nele.

— Uau, que bom, hein! — falou, por falar. — Vai investir como, só por curiosidade?

— Eu vou colocar um lindo vestido vinho com uma abertura em fenda pela perna, vou usar uma linda tornozeleira prateada, um salto preto, e meus cabelos soltos. — Inspirou fundo e encarou os olhos brilhantes dele. Sara levou a mão esquerda até o queixo de Namjoon e fez carinho ali, ele estava escorado na barra do carrinho e isso fazia com que ficassem pertinho um do outro. — E eu vou beijar ele, senhor Kim, mordendo o lábio dele e gemendo na boca dele, porque eu sei como isso o excita. — Sara passou a ponta do dedo no lábio inferior dele, quase riu quando ele mordeu a pontinha do dedo, só não fez porque aquilo mexeu consigo, um choque excitante lhe correu o corpo e afetou a região sul.

— Não quer demonstrar na prática? — perguntou, segurando a mão dela e beijando-a.

— Você gosta de correr perigos, não é? — Ele gostava! Ela tinha notado aquilo – parecia divertido.

— Essa foi a primeira vez que gostei de ouvir “senhor Kim” saindo da sua boa, acredite, o perigo aqui não é esse, é o que eu posso imaginar depois de ouvir isso — respondeu sério.

Ela não respondeu nada, o encarou durante uns segundo e se aproximou rápido demais selando os lábios de Namjoon uma vez, foi um lapso de desejo muito forte. Se afastou minimamente e então sorriu, dessa vez, estava era rindo de si mesma e de como a boca dele parecia ter um ímã especial que a puxava. Então, sendo instigada àquilo, beijou Namjoon sem pensar muito de onde estavam, apenas suspirou durante o beijo rápido, sentiu a mão dele segurar sua nuca, como se não quisesse que ela se afastasse – pois de fato ele não queria. Não teve língua no beijo, porque logo Sara recobrou o senso de responsabilidade e se afastou depositando nos lábios dele um último selo.

Eles riram e se afastaram um do outro, checaram se Taehyung estava por perto e suspiraram em uníssono quando viram que não.

— Sabe, se você investir assim em mim, vai ter quantas folgas quiser — ele disse.

Sara virou-se para Namjoon ao ouvir aquilo, bufou ao ver a carinha safada do Kim enquanto ele passava as pontas dos dedos em cada lado da boca, ele umedeceu os lábios logo depois e sorriu todo cafajeste para ela. Róger negou e disse:

— Você é um sujeito de alta periculosidade, sabia?

Ele sorriu e deu de ombros respondendo:

— E nem por isso você desiste de mim.


Notas Finais


Menina! Que o negocio tá ficando quente!
Faz anos que não escrevo um hot, sabiam? Mas, algo me diz, não sei o quê, mas algo por aqui ao meu redor me diz que quando esses dois entrarem num quarto pro rala e rola deles, a Dallol da Etiópia vai perder o titulo de lugar mais quente do mundo (sim, eu pesquisei pra saber qual era o lugar mais quente do mundo e deu esse aí).

O que cês acharam?? Gente, me conta que senão eu perco o foco!
Já tem uma penca de capítulo dessa história programados, agora eu peguei o jeito mermo e juro que vou meter o aço pra ver se essa história sai ainda esse ano, pq misericórdia, tamo nessa luta desde 2017, meus amados! tem que acelerar o passo!

Então, nega, fala pra mim... fala o que você sente por mim oi oi oi oi... diga o que será~~... eu disse que perdia o foco, num disse: comenta sobre nosso casal cheio da saliência, sobre esse encontro do Namjoon (insira aqui a frase conhecida e respeitada do Capitão Nascimento) com a nossa Solar (isso msm) e me dá uma chance, amor, desiste de mim não, por favor, eu volto, demoro, mas volto, sou tipo o pai de certas pessoas não...

Por falar em chance, dá uma chance pra minha fic novinha que tem mais de um mês já kakak vou deixar o link aqui
LINK: https://www.spiritfanfiction.com/historia/dominancia-18319911

bjs no bumbum delicia, amo 6


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