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História Saseum (VHope) - Capítulo 24


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Notas do Autor


boa madrugada
to aqui atualizando de noite na cara dura mesmo
sem arrependimentos oi remorsos ta ligado
pq foram quase 5k fucking palavras de pura premonição

to cansada para um caralho e vou editar as notas amanha
botar uns trens mais bonitinhos
mas agora eu quero postar esse cap e vazar que nem gás

Capítulo 24 - Matcha Leaves;


29 de Março, 1920

 

Changwon, Gyeongsang 



 



 

A vila era adorável. 

 

Uma típica vila coreana, cheia de vielas e casinhas como as que via nas fotos de seu pai. Ainda era cedo e não sabia muito bem para onde estavam indo; mas podia ao menos apreciar o agradável cenário. O sol brilhava timidamente, aquecendo seu corpo um pouco mal agasalhado. 

 

Podia ver poucas pessoas na rua (até porque ninguém se levantava tão cedo em um final de semana…), levando suas próprias vidas e cuidando de seus próprios afazeres. Era uma cena linda, com a qual podia se acostumar. Esperava que sua vida no futuro fosse assim, cheia de rotina, sabendo exatamente onde estava e para onde voltaria no fim do dia. 

 

Poderia muito bem aprender a gostar daquela tranquilidade, ao invés da bagunça que eram as cidades grandes. Talvez, quando estivesse de volta ao Japão, considerasse lugares mais calmos. Tóquio, Osaka, Kyoto… Eram todas cidades muito movimentadas. Por mais que gostasse daquilo, começava a repensar todo aquele conceito. 

 

Pensar no Japão, ao mesmo tempo que lhe confortava imensamente, lhe machucava um pouco. Lembrar-se de sua casa trazia uma alegria imensa, mas também trazia saudades. Muitas saudades. Sentia falta de ouvir sua língua materna. Conversar com pessoas que estavam dispostas a lhe ouvir, e sem a intenção de lhe condenar ou qualquer coisa daquela natureza. 

 

Era eternamente grato à família que lhe acolheu, porque praticamente salvaram sua vida; mas não era e jamais seria a mesma coisa. Jamais teria aquela atmosfera que só havia em casa, com sua família, com as pessoas que verdadeiramente amava e de quem sentia tanta falta. 

 

Seguia o alfa pelas ruas sem dizer uma única palavra, perdido em seus devaneios para que o contexto não lhe fosse tão pesado nos ombros. Sozinho com Kim Namjoon; sem saber o que esperar. Sem saber se deveria começar uma conversa, ou se deveria se manter em completo silêncio. Sem saber se devia andar ao seu lado, ou atrás dele. 

 

Não sabia o que fazer e aquilo lhe incomodava imensamente. 

 

Via apenas suas costas e cabelos negros, e não conseguia parar de pensar nas cicatrizes que havia por baixo daquele casaco azul marinho e sua camisa branca. O que elas podiam significar? Por que é que aquilo sempre vinha à mente quando pensava em Kim Namjoon, afinal de contas? Ele mesmo havia lhe dito para aquela não ser a imagem que tinha dele. E mesmo assim, era como se lhe tivesse dito para pensar o contrário. Não podia negar, a curiosidade e genuíno interesse lhe deixavam agoniado. 

 

O que alguém tão imponente e imprevisível poderia estar escondendo? 

 

– Chegamos. – Namjoon olhou para trás, tirando Hoseok de seus devaneios. Estava distraído, um pouco mais do que deveria estar, então foi pego de surpresa. Não mostrou expressão alguma, entretanto, e apenas assentiu. 

 

Depois de pouco mais de dez minutos na estrada, chegaram à uma trilha encoberta por altos arbustos e cerca viva. Bastante semelhante à de Jinju, o que lhe levou a conclusão de que deveriam ter uma conexão. Como havia sido mencionado, Gwangsan Kims estavam espalhados pelo país. Não seria surpresa alguma que houvesse deles em Changwon. 

 

De qualquer maneira, foi um grande alívio colocar os pés em terra firme. Levou os olhos à casa, que era realmente bastante semelhante à casa em Jinju mas não tinha metade de seu tamanho. Era um lugar charmoso, tranquilo; definitivamente não era o que esperava que “coletar taxas” fosse. Talvez estivesse pensando que a Coreia era… Tradicional demais.

 

E estava muito feliz por estar errado. 

 

Havia um pequeno caminho de pedregulhos até a porta principal, e a pequena varanda tinha cadeiras de madeira e vasos de flores. Uma típica casa coreana, em uma linda localização e estrategicamente construída para que recebesse abundante luz natural. Era um lugar lindo. 

 

Seus cavalos foram levados ao estábulo por um rapaz jovem, que acenou entusiasmadamente para Namjoon. O mesmo acenou de volta, sorrindo abertamente. Se conheciam, afinal de contas. O ômega lhe fitou, esperando por uma apresentação, explicação; qualquer coisa assim. 

 

– Estamos na casa dos meus tios Jinsang e Miso. Pais do Seokjin hyung. – Virou-se para fitar Hoseok de volta, ainda com o pequeno sorriso no rosto. Uma expressão confortante, e com a qual Hoseok podia se acostumar. Mas o ômega ficou confuso. 

 

– Seus tios? Pensei que ia… Coletar taxas. – O alfa olhou para frente, divertido. Revelando duas covinhas para as quais o Jung não havia dado atenção até aquele momento. 

 

Huh. Kim Namjoon tinha covinhas. Por que o universo daria traços tão preciosos para alguém tão… Difícil? 

 

– Eu sou responsável pela parte burocrática. Quem coleta as taxas são os outros garotos. 

 

– Então por que me trouxe aqui? Não acho que vá se machucar. Afinal, foi só para isso que eu vim com vocês. – Hoseok riu, um pouco desacreditado e bastante confuso. Mas Namjoon, com sua destreza com palavras, imediatamente lhe contrariou. Como já imaginava que faria, o que não o surpreendeu. 

 

– Eu sei, mas ninguém vai se machucar lá, de igual forma. E você prefere ficar aqui, são e salvo, ou na cidade rodeado de pirralhos? – Olhou bem em seus olhos, e o menor não pôde evitar um pequeno sorriso fechado. Então não estava tentando lhe torturar psicologicamente. Estava apenas lhe poupando de toda a testosterona e conversação estressante que certamente experienciaria. 

 

Aquele garoto… Talvez ele não fosse assim tão ruim. 

 

Ao ver que Hoseok não responderia, já que a resposta era óbvia, Namjoon apenas passou a liderar o caminho. O ômega lhe seguiu, um pouco nervoso por chegar na casa de outros Gwangsan Kims sem que sua presença tivesse sido previamente anunciada. Podia lidar com muitos incidentes; mas jamais toleraria ser um estorvo. 

 

Usava roupas simples, casuais; diferente do alfa, que usava linho da melhor qualidade. Não sabia se estava tão apresentável quanto ele. 

 

Sem nem ao menos dar ao Jung algum tempo para se recompor, Namjoon bateu na porta. O menor gritou internamente, um tanto inquieto e sem saber o que esperar. Como seria tratado por eles? Eram tão indecifráveis quanto os Gwangsan Kims que conhecia? 

 

O que estaria enfrentando, afinal de contas? 

 

– Posso sentir sua ansiedade daqui. Pode se acalmar, por favor? – Ele comentou com toda a naturalidade do mundo, não somente deixando o ômega ofendido, mas também boquiaberto. Por acaso era telepata? Lia mentes, sentia os sentimentos alheios? – Eles não mordem. 

 

– É fácil falar, Kim Namjoon. – Bufou, um tanto indignado. – É sua família. – Ele lhe olhou de cima à baixo, com um maldito sorriso divertido no rosto. Como se estivesse tirando sarro de sua inquietação e genuína preocupação. E Hoseok, diferente do que esperava, ficou só um pouco incomodado. 

 

Mas antes que qualquer outra coisa pudesse ser dita, a porta foi aberta por um senhor que se assemelhava muito à um certo Kim Seokjin. Alto, bem vestido e tão explicitamente… Gwangsan Kim. Céus… Porque eles tinham traços tão fortes? Eles se pareciam em tudo. Absolutamente tudo. Eram como sua própria etnia. 

 

Talvez uma diferença muito grande entre Namjoon e o tal senhor, fosse o grande sorriso que ele exibiu e que foi tão sincero que subiu à seus olhos. Muito diferente do alfa mais jovem, que se curvou discretamente. Mostrando um respeito talvez exagerado, já que fora recebido tão casualmente. 

 

Mas Hoseok não diria nada… Não era problema seu, de qualquer forma. 

 

– Namjoonie! Quanto tempo, filho! – Assim que o Kim ajeitou a postura, o senhor lhe deu dois tapas carinhosos no ombro. Como eles pareciam fazer muito um com o outro; os alfas daquela família. – Está forte, bonito! O tempo está te fazendo bem, huh?! – Ele riu alto, logo notando a presença tímida do ômega que estava praticamente encolhido atrás do Kim. 

 

Um par de olhos redondos. Um garoto alto, mas bastante esguio. Com feições gentis, dóceis até. E, para piorar sua situação, suas bochechas estavam sutilmente vermelhas com toda a situação. Podia ser mais explicitamente ômega do que já era? 

 

O sorriso do senhor ficou ainda maior, e o Jung não soube dizer se aquilo era bom ou mau sinal. 

 

– E quem é esse rapaz, Joon? Por acaso seria seu…? – Olhou surpreso para o Kim, que imediatamente começou a se explicar. 

 

– Ah, não, Jinsang-ssi… Esse é Jung Hoseok. Um amigo da família. – Trouxe o rapaz para mais perto dele, e o ômega imediatamente se curvou em noventa graus. Tudo porque se sentia extremamente deslocado por algum motivo, e sentia uma necessidade irracional de mostrar respeito. Se não mostrasse respeito, sobraria espaço para a desconfiança. E desconfiança levava a descobertas. E descobertas levavam à perigo. 

 

Céus. O que inferno estava fazendo ali? Se jogando em um abismo por nenhuma razão plausível. 

 

– Jung Hoseok, hm? 

 

– Sim. Prazer em conhecê-lo, Jinsang-ssi. 

 

– O prazer é todo meu. – Sorriu gentilmente, e tudo nele lhe lembrou Seokjin mais um pouco. O que era um ponto positivo, pois o alfa era uma das pessoas mais doces que conhecia. Esperava que seu pai fosse tão doce quanto ele. – Entrem, por favor. – Namjoon deixou que Hoseok entrasse primeiro, a destra em suas costas lhe guiando o caminho. Aquilo não lhe incomodou tanto quanto pensou que incomodaria. 

 

Tiraram os sapatos, e Namjoon literalmente estava apenas há alguns centímetros de distância. Não sabia se de propósito, por força do hábito, ou inconscientemente. Hoseok podia sentir seu cheiro; rosewood, e podia jurar que nunca havia experienciado algo que tão explicitamente gritava “alfa.” 

 

Alfa. 

 

Alfa. 

 

Olhou-o de relance, encontrando as mesmas feições definidas e imponentes de sempre. Mas agora, ao menos naquele momento específico, Hoseok pôde ver que havia alguém atrás daquela máscara de frieza e presunção. Alguém que, se dada a oportunidade, o ômega gostaria de conhecer. 

 

– Onde está Miso-ssi? – Perguntou, tirando seu casaco e o pendurando na arara ao lado da porta agora fechada. 

 

– Está vindo. Sentem-se, rapazes. Estão em casa. 

 

Jinsang se afastou e foi em direção aos sofás na elegante sala de estar. Era uma casa bastante moderna para uma família tradicional como era aquela; a casa em Jinju não tinha tantas decorações e móveis. Eles tinham um tapete persa! Aquilo foi o suficiente para lhe deixar ao menos um pouco impressionado. 

 

Namjoon ajudou o ômega a tirar seu casaco, para sua completa surpresa. Um gesto tão normal para duas pessoas da mesma idade, para pessoas que se conheciam; mas naquele contexto, um ato tão estrangeiro. Tão inesperado. Seus olhos mostraram sua surpresa, e foi retribuído apenas com um sorriso discreto. 

 

Sem explicações. Sem satisfações dadas. 

 

Pendurou a peça ao lado do seu próprio casaco, se sentando no sofá pequeno e sendo imediatamente acompanhado pelo ômega. Que, àquele ponto, já não sabia mais o que pensar ou como agir. Sabia que suas expressões faciais lhe entregavam, e que o pulso insistente de seu coração inquieto era causado por inevitável satisfação. Satisfação por ser tratado como outro rapaz. Como outro jovem adulto. 

 

Não como apenas um estrangeiro. 

 

– Então, rapazes. Como foi a viagem para Changwon? 

 

– Tudo ocorreu bem. Chegamos mais cedo do que o esperado, na verdade. Não choveu como pensamos que choveria. – Ele respondeu educadamente, recebendo um aceno de Jinsang. Hoseok instintivamente se tornou um espectador, já que não estava na situação mais confortável para falar. Certo, Jinsang era gentil e Namjoon não parecia estar querendo lhe colocar na cadeia; mas mesmo assim. 

 

Mesmo que detestasse pensar assim, de um jeito ou de outro era um estrangeiro no contexto. 

 

– Como está Seokjin? 

 

– Muito bem. Fala de vocês quase todos os dias. – Hoseok não pôde evitar um sorriso ao se lembrar do alfa mais velho, que era sempre tão agradável. Era ainda mais agradável saber que era assim tão próximo de seus pais. Geralmente, as pessoas de quem mais gostava tinham bons relacionamentos com suas famílias nucleares. Aquele era um conceito que não podia ignorar. 

 

– Pirralho. Poderia ao menos ter vindo nos visitar. 

 

– Ele queria, mas ficou em Jinju ajudando meu pai. 

 

– Namkyu hyung sempre trabalhando, hm? – Namjoon assentiu dentre um sorriso. – E quando você se torna o representante do clã? Em seis meses, certo? 

 

– Sim, em Setembro. – Eles continuaram a conversa, e o alfa pareceu mais entusiasmado por finalmente poder falar de si mesmo e seu futuro. Mas o ômega fixou seu olhar em um ponto aleatório do cômodo, pensando sobre o que havia acabado de ser dito. Namjoon seria cabeça do clã Gwangsan Kim. Ele era o único filho do atual líder; era um alfa com habilidades de liderança impecável e com certeza faria um ótimo trabalho. 

 

Que curioso. Ele não falava daquilo tão frequentemente. 

 

– Namjoon-ah! – Uma voz feminina ecoou pelo cômodo, chamando para a ela a atenção dos três. Concluiu que era a tal Miso-ssi. Bem, Hoseok sabia que Miso queria dizer sorriso… E aquele nome realmente fez perfeito sentido. – Que bom te ver, querido! 

 

Sem ao menos esperar que Namjoon se curvasse, tendo acabado de se levantar, a mulher deu-lhe um abraço apertado e pegou o alfa de surpresa. Com olhos arregalados que logo se transformaram em duas linhas, o Kim a abraçou de volta. Arrancando um sorriso do ômega que lhes observava. 

 

– É bom estar aqui, Miso-ssi. – Ela traçou seu rosto com o polegar direito, uma expressão satisfeita no rosto. 

 

– Garoto bonito. – Como toda boa ajumma, Miso apertou sua bochecha de maneira carinhosa, o que fez com que Hoseok risse alto. Divertido. E consequentemente levou o olhar da senhora à sua pessoa. Por mais que seu sorriso não tivesse se esvaído, não podia negar que ficou um pouco nervoso. Logo ele… Tão sociável e fácil de se aproximar. Intimidado por uma senhora tão amigável. – Kim Namjoon… 

 

Ela murmurou sem tirar os olhos de si. 

 

– Quando pretendia me avisar que traria seu ômega?! – De maneira sincronizada, ambos os rapazes arregalaram os olhos com o mal entendido. 

 

– Infelizmente, não é o ômega do garoto, Miso. – Jinsang interrompeu. – Joon disse que é um amigo da família. 

 

– Sim. Estou de passagem em Jinju, mas fui convidado a viajar com eles. – Falou a primeira frase completa naquela casa, agora podendo se sentir ao menos um pouco mais confortável. Agora que seu cérebro havia processado que não estava em perigo, ou correndo algum risco moral. 

 

– Hoseok é enfermeiro e muito querido em Jinju. Como sabem, Jimin está quase dando à luz. Não podíamos trazê-lo; e deixamos que JungKook ficasse dessa vez para ficar com ele. Então Jung Hoseok nos está fazendo esse imenso favor. – Namjoon explicou, tendo como resposta os acenos do casal. Parte de si ficou imensamente aliviada por ele não ter contado sobre o que lhe levou a chegar em Jinju. E a outra ficou preocupada, porque talvez contasse aquele detalhe mais tarde. 

 

E a história era um tanto difícil de se acreditar… Talvez o alfa pensasse da mesma forma. 

 

A conversa se tornou algo agradável antes de poder se perder em pensamentos novamente. Apesar de tudo, Hoseok pôde ver uma semelhança muito grande entre os membros daquela família. Muitos eles tinham uma facilidade enorme em transformar qualquer tópico em uma discussão agradável. Sabiam contar histórias como nunca havia ouvido antes. E algo que achou bastante interessante, foi como eles conheciam a história da própria família. Miso sabia de histórias de gerações passadas. Jinsang sabia o nome de cada um de seus avós e bisavós; paternos e maternos. 

 

Havia uma razão pelo qual aquele clã era tão poderoso. Eles mantinham o poder entre eles. Mesmo que houvessem casamentos fora da família, o novo membro sempre se tornaria um “Kim.” E havia sido assim desde o início. 

 

Conversaram por algumas boas horas, e Hoseok pôde finalmente entender que por mais que houvesse membros daquela família que talvez não fossem tão agradáveis, o oposto também era verdade. Havia uma razão pela qual Seokjin era tão agradável… Seus pais lhe haviam criado muito bem. 

 

Na casa de Kims, e na presença de Kims, Jung Hoseok se sentiu, pela primeira vez já em algum tempo, bem vindo. Como um convidado. 

 

Eles lhe apresentaram a casa, e Hoseok se apaixonou perdidamente pela biblioteca extensa que o casal mantinha intacta e em perfeita condição. Havia naquela biblioteca tesouros da literatura coreana. Mapas ancestrais. Listas e listas de nomes de soldados, concubinas; era como tocar ouro puro. 

 

Aquela família talvez fosse mais rica do que o ômega pensava que fossem. 

 

Estava lidando com sangue real. E aquilo era um tanto assustador. 






 







 

– Eu vou pegar alguns papéis no andar de cima com meu tio, mas volto logo. Tudo bem? – Namjoon disse discretamente, tocando-lhe o ombro. Hoseok assentiu, mesmo que a gentileza em seu tom de voz fosse algo completamente diferente do que estava acostumado. Olhou para seu rosto, e ao fazê-lo, encontrou duas pequenas covinhas em suas bochechas enquanto ele sorria pequeno. 

 

Como aquilo era diferente… Não pensou que ouviria aquelas palavras dele, e nem o veria sorrindo daquela maneira. Sem ter intenções ruins. Mas definitivamente podia se acostumar com isso. Ele se retirou com Jinsang, deixando-o sozinho com Miso. Ela era uma boa companhia; sabia daquilo. Com a interação que tiveram, pôde perceber que havia por trás de suas jóias e elegantes trajes uma personalidade estonteante. 

 

– Vamos tomar um chá, querido. – Ela convidou gentilmente, imediatamente recebendo um aceno positivo. – Sabe como são os rapazes dessa família… Sempre tão práticos e teóricos. – Hoseok riu divertido com o comentário, concordando com a senhora. Seguiu-a até a cozinha, onde se sentou na mesa redonda e própria para tomar um bom chá e conversar. 

 

Logo Miso trouxe duas xícaras, e um bule que havia acabado de sair do fogão. Conseguia ver o vapor saindo do recipiente. Era assim que gostava de seu chá; extremamente quente. Lembrava-o de seus pais, que sempre acordavam cedo para dividir alguns minutos de um dia sempre tão ocupado. O cheiro de camomila invadia a casa inteira. Uma de suas memórias mais ternas. 

 

– Um bom chá de matcha. Espero que goste; eu tenho outras ervas, se quiser. 

 

– Ah, não; eu adoro matcha. – Sorriu gentilmente, contando a mais plena verdade. Era um de seus sabores favoritos, no geral. Qualquer coisa com matcha automaticamente se tornava uma comida favorita. Miso sorriu com satisfação, servindo tanto a ele quanto a si mesma. 

 

Ficaram em silêncio por alguns minutos, enquanto Hoseok bebericava seu chá e a senhora sorvia o seu com toda a facilidade. Bem… Talvez o líquido estivesse mais quente do que pensava.  Mas estava tudo bem ficar em silêncio. A presença dela não lhe intimidava, ou incomodava. Era algo agradável, gentil… Lembrava-o até um pouco de… Taehyung. 

 

Se perguntou brevemente como ele estava naquele momento. Devia ser, no mínimo, três horas da tarde. Hoseok já havia almoçado com eles, conhecido sua casa, praticamente a história de todo o clã; e em nenhum momento pensou em Taehyung. Se sentiu egoísta e ingrato, porque o alfa era sempre tão atencioso e gentil; sempre lhe fazendo sentir tão querido. 

 

E não havia, ao menos, se lembrado dele até o presente momento. Como ele devia estar, debaixo do sol que brilhava agressivamente? Coletando taxas, como um carrasco? Enquanto o ômega e seu primo se encontravam bastante confortáveis na casa de sua família, comendo, rindo e conversando. 

 

Seu coração doeu um pouco. 

 

– Quais são os seus planos para o futuro, Hoseok-ah? – Chamou sua atenção sem muito esforço. O Jung pensou por alguns momentos; mas aquela era uma pergunta fácil de se responder. 

 

– Eu pretendo ser enfermeiro em um hospital urbano. Trabalhar em uma cidade grande, ter uma rotina estável. – Miso lhe olhava com atenção, o que lhe encorajou a continuar falando. – Quero continuar o legado da minha família, que por vários anos se dedicou a salvar vidas. Seja pela medicina, ou pela lei. 

 

– Há muita honra em seu futuro. – Hoseok lhe fitou de volta, encontrando um par de olhos sinceros, bondosos. E seu coração se esquentou um pouco. – E… Pensa em se casar, certo? Encontrar uma boa pessoa para entregar seu coração? 

 

– Ah, Miso-ssi… – Riu soprado. – Na verdade, eu penso sim. Mas talvez não por agora. 

 

– Depois de estar firme em seu ofício, hm? – A ômega perguntou, levando o Jung a assentir dentre um sorriso. – Se ao menos os jovens dessa idade tivessem sua mentalidade… – Ela pareceu pensar por alguns momentos, perdida em seus próprios devaneios enquanto assistia o rapaz terminar seu chá com muita satisfação. Ele era um garoto diferente. Não somente por ser ele; mas sim porque podia sentir em sua aura. E Miso não ficaria em paz até fazer o que geralmente evitava, quando não conhecia alguém o suficiente. 

 

– O chá estava incrível, Miso-ssi. Obrigado. 

 

– Não agradeça, querido. – Sorriu. – Me deixaria ver sua xícara? Para, bem… – A mulher coçou a nuca, medindo as palavras para que não soasse estranho. Ou suspeito. Ou uma mistura perigosa dos dois. – Ler as folhas? 

 

Hoseok demorou alguns segundos para processar o que havia sido dito, por mais que as palavras tivessem sido claramente proferidas. 

 

Ler… As folhas? De matcha? Que soubesse, matcha era um pó. Bem… Sabia que desde o início do governo Japonês na Coreia, os bens mais valiosos do país deixaram de ser exportados. Incluindo matcha em pó. As folhas eram facilmente cultivadas e cresciam em qualquer jardim. 

 

Enfim; que fosse! Ela queria ler as folhas de seu chá! Que sentido tinha aquilo? 

 

Ergueu a sobrancelha em relutância, mas lhe passou a xícara e o pires. Notando a reação do garoto, Miso decidiu explicar-lhe exatamente o que estava fazendo. 

 

– Já ouviu falar de tasseografia? – Hoseok negou com a cabeça; e por descobrir que o ato de ler folhas tinha um nome técnico, se encontrou um tanto mais interessado. – É uma divinação antiga; quase tão antiga quanto o nosso clã. Minha mãe me ensinou. Assim como a mãe dela; e assim por diante. – O Jung assentiu, compreensivo. Cultura era algo muito presente e importante na vida de qualquer um; entendia aquilo melhor do que ninguém. – Não é como se fosse um horóscopo, ou qualquer coisa assim… Mas não custa nada checar uma vez ou outra, hm? 

 

Ela riu suavemente. Colocou o pires sobre a xícara, virou-a de cabeça para baixo, e a girou três vezes. Hoseok lhe observava, imensamente curioso agora. Virou a xícara para si, e passou a analisar as tais folhas. Decodificando uma mensagem enviada seja lá por quem, por meio de algo trivial como folhas de chá. Mas não duvidaria da natureza, e nem das crenças antigas daquele clã. Crenças que se originaram tanto, tanto tempo atrás. E além do mais, toda loucura carregava consigo alguma verdade. 

 

Miso sorriu após alguns segundos, atiçando sua curiosidade. 

 

– Há dois caminhos; um do lado esquerdo da xícara, e outro do lado direito. Um representado por uma folha curvada; uma jornada. O outro representado por uma folha reta, o que significa ficar no mesmo lugar. – Começou a falar, e o ômega não ousou tirar sua atenção da senhora. – A folha reta é seguida por um formato vago de coração. Sabe o que isso pode significar, hm? – Ela ergueu a sobrancelha, e ao notar seu tom de voz, Hoseok riu energizadamente. Até mesmo as folhas queriam que encontrasse alguém…

 

– Sei sim, Miso-ssi. 

 

– Esse caminho está rodeado de pessoas. E uma delas é a dona, ou dono, de seu coração! – O Jung revirou os olhos, ainda rindo, mas agora um pouco desacreditado. – Algumas delas são inimigas; muito poucas. Mas, Hoseok, você está rodeado de amigos. Pessoas que te querem bem. – Olhou-o diretamente nos olhos. E aquilo fez com que o coração do rapaz se enchesse de uma alegria estranha. Uma alegria que… Lhe confortava. Era confortante saber que era querido. – Entretanto… Esse caminho é muito difícil de ser interpretado. Talvez você não queira, verdadeiramente, estar nele. 

 

Ao processar aquelas palavras, Hoseok arregalou os olhos. O que havia acabado de ouvir? 

 

– Aquele que significa ficar onde estou?

 

– Sim. – Ela examinou a xícara com cuidado. – É como se estivesse longe de casa. 

 

Longe de casa. 

 

Longe de seu país. 

 

Longe do Japão. 

 

– Woah… – Murmurou, agora verdadeiramente tocado. Podia ser apenas uma coincidência; afinal de contas, todas aquelas “mensagens” eram bastante genéricas e semelhantes. Assim como em tarot, ou baralho. Mas mesmo se fosse… Era gigantesca. Ela sorriu com sua reação, explicando agora a segunda “opção” em seu futuro. Se é que realmente pudesse lhe revelar algo assim...

 

– Essa jornada, querido, te levará para casa se por acaso decidir enfrentá-la. Há símbolos me mostrando que será difícil, e te custará muito. Mas que no final, te dará muita paz. 

 

O levaria para casa. Lhe custaria muito. Mas lhe daria paz. Soava como um plano de fuga. 

 

– Eu vejo amigos aqui também. E um… Dois, aliás… Amantes. – Chocado com aquela informação, Hoseok levou seu olhar à senhora com uma expressão visivelmente perplexa. Ela não estava com uma expressão diferente. Bigamia definitivamente não estava, e nunca esteve, em seus planos para o futuro. Miso lhe fitou com um olhar confuso. – Que complexo. E contraditório. 

 

– Realmente. – Decidindo não prestar tanta atenção no recente acontecimento, Hoseok cruzou os braços sobre o peito. 

 

– Querido… Se importa se eu ver sua mão? 

 

– Minha mão? – O ômega perguntou, quase pulando de sua cadeira. Por acaso estava lidando com uma feiticeira; ou algo assim? Mas ela simplesmente assentiu, e como diria não? Não podia lhe machucar, afinal de contas. Era só uma superstição antiga e influenciada pela cultura. Só isso. 

 

Fez o que lhe foi pedido, e Miso traçou os dedos por sua palma. 

 

– São bonitas, delicadas. Mas calejadas. – Comentou. – Já viveu tempos difíceis, não é, filho? – Olhou para ele, um pouco surpreso. Mas não pôde deixar de assentir. – Mas veja. Sua linha da vida é consistente, bastante marcada. Significando que não importa qual caminho escolher; vai viver uma vida significativa e especial. – A senhora traçou a linha no meio de sua palma. Aquelas palavras fizeram com que arrepios corressem por sua espinha dorsal. – Seu polegar proeminente revela uma pessoa corajosa, aventureira. E seu anelar é particularmente proeminente; mostrando que um casamento ou uma marca te esperam. 

 

– Não tenho como fugir do amor, então. Se até mesmo as folhas e minha mão me dizem isso… – Brincou, arrancando risos da ômega. 

 

– A mais pura verdade. E veja aqui; a sua linha de casamento. É longa e bem marcada, quer dizer que vai se casar cedo ou talvez já conheça a pessoa com quem vai se casar. 

 

Seu coração falhou, sem exagero, uma ou duas batidas. Casar cedo demais era um de seus maiores medos. E saber que talvez já conhecesse a pessoa que faria parte de sua vida pra sempre, era um tanto aterrorizante. Conhecia tantas pessoas. Havia estado em todos lugares e criado tantos relacionamentos especiais. Quem poderia ser? Quem na Coreia, no Japão, na Rússia ou na China poderia ser? 

 

– Eu só não entendo uma coisa. Esses… Amantes que se repetem. – Miso traçou a linha abaixo de seu mindinho; a linha do casamento, de acordo com ela. – Ela é dividida, então é provável que hajam dois casamentos. Mas a maioria das linhas divididas são quebradas; mostrando o fim de um relacionamento e o início de outro. – Hoseok assentiu, incrivelmente confuso. – A sua não se quebra, apenas se separa. Mostrando que um laço não interrompe o outro. 

 

– Isso pode significar que haverá um casamento, assim como uma marca, certo? Porque são duas coisas diferentes, e muito comuns entre alfas e ômegas. 

 

– Não sei o que pode significar. É muito… Confuso. – Ela riu soprado; e àquele ponto da conversa Hoseok já não tinha o que dizer. 

 

Sua cabeça martelava com tudo o que ouviu. Dois caminhos; um que lhe dava estabilidade mas lhe deixava deslocado. Outro que lhe dava um caminho de volta para casa, mas que lhe custaria muito. E agora, amantes no plural.

 

Um laço que não interrompia o outro. 

 

Uma promessa que não quebrava a outra. 

 

Por mais que sua mente lógica gritasse contra toda aquela superstição, e a bendita tasseografia, uma vozinha sussurrava que parte daquilo era verdade. Haviam decisões a serem tomadas. Promessas a serem feitas. 

 

Laços a serem estabelecidos. 


Notas Finais


agora ficou bom pro hoseok
tirem suas próprias conclusões, mas só digo uma coisa: todas as tags de saseum estão aí por uma razão.
rs.

que comece a treta.


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