História Satoshi no atama no kyouki: Hunted by the unknown - Capítulo 12


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Categorias JoJo no Kimyou na Bouken (JoJo's Bizarre Adventure), Pokémon
Personagens Ash Ketchum, Blue, Professor Carvalho, Red, Yellow
Visualizações 7
Palavras 10.834
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Comédia, Crossover, Drama (Tragédia), Ecchi, Famí­lia, Fantasia, Ficção, Ficção Científica, Luta, Magia, Mistério, Policial, Romance e Novela, Saga, Sci-Fi, Shounen, Suspense, Violência
Avisos: Linguagem Imprópria, Mutilação, Sadomasoquismo, Suicídio, Tortura, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Comparado ao último, esse cap nem demorou pra sair… Kyekye

Eu literalmente não tenho nada de especial pra falar aqui… A não ser que os meus nomes bons pra stands tão acabando e eu tô ficando desesperado! :D

Bom, eu aconselho que você deixe uma aba aberta no youtube pra ler isso aqui por causa das músicas do cap… Agora já deve dar pra eu parar de enrolar e deixar vocês com isso de uma vez… Boa leitura!

Capítulo 12 - I'm With You


– Você realmente não quer ajuda com isso? – Red perguntou, com um leve tom de preocupação, ao fitar o homem concentrado em arrumar alguns objetos em uma cristaleira a alguns metros de distância do próprio garoto.

– Não tem motivo pra se preocupar, você já fez muito catando todos aqueles cacos… Red, não é? – Brock disse sorrindo alegremente, imaginando onde seriam bons lugares para colocar o único jogo de chá de porcelana e as decorações metálicas que haviam sobrevivido a queda que a tal cristaleira havia sofrido devido a Volt a horas atrás.

O tempo havia se passado a ponto de Brock conseguir chegar até a residência de Carvalho, local onde o mesmo, finalmente, conheceu o neto do Professor, decidindo ajudá-lo com as poucas tarefas que o próprio Professor havia pedido para o mesmo realizar.

A agradável conversa que a dupla esteve envolvida durante os minutos que passaram se auxiliando foi o suficiente para gerarem um pequeno afeto um pelo outro, tornando assim a sua interação muito mais passiva e agradável.

– Na verdade, eu até acho que é melhor assim… Eu simplesmente não sei como arrumar coisas pra fazer elas ficarem bonitas.

– Eu também não tenho muita noção sobre isso, mas acho que eu consigo fazer não ficar ruim – Brock riu brevemente. Parecia ser prazeroso para o policial realizar aquela simples tarefa, isso devido a uma leve nostalgia que fazia o mesmo se lembrar de alguns bons eventos que ocorreram a ele anos atrás.

Red se alegrou ao se mover em direção a um dos sofás da sala que, nesse momento, se encontrava quase completamente arrumada, devido aos esforços de quase todas as pessoas que estavam naquela casa.

O garoto se sentou para descansar durante alguns poucos minutos, assim curtindo mais uma vez a boa sensação de ter sua barriga preenchida pela boa comida de seu avô.

Após finalmente encontrar uma maneira de arrumar tudo o que deveria estar dentro da cristaleira que o deixasse satisfeito, Brock se virou com o intuito de chamar a atenção de Red, isso para ambos darem início ao processo de colocarem os quadros caídos pelo chão de volta em seus lugares nas paredes… Porém...

– AAAHH! – Um curto grito completamente carregado de raiva ecoou por toda a casa, fazendo assim os dois presentes naquela sala virarem suas cabeças na direção perceptível do surgimento de todo aquele som. Ambos agora fitavam o topo da escadaria existente naquele mesmo cômodo.

­– Isso quer dizer que você terminou de falar com ela…?

– Sim… Finalmente – Ash afirmou em resposta a Red ao descer as escadas com lentidão com uma expressão irritada estampada em sua face. O garoto havia dado início a conversa pelo celular com sua mão a bastante tempo. Poucos segundos após a mulher atender sua chamada, o mesmo se trancado em um dos quartos do segundo andar da casa com medo e vergonha de pensar que os berros de Delia poderiam ser escutados por qualquer um.

Brock tomou uma postura mais atenta ao ver o estado emocional do garoto que descia as escadas, isso por ele já saber muito bem sobre o estado alterado de Ash enquanto permanecia com raiva e a provável facilidade para colocá-lo nesse tal estado.

O policial se lembrou do primeiro encontro que teve com o garoto irritado. Em todos os seus anos de trabalho, ele nunca havia visto alguém responder à acusação de um policial com uma ação completamente movida por ira contra o mesmo, não com desespero, ou com uma tentativa de explicação ou de fuga. Todos esses fatos fizeram o homem ter um grande cuidado em pensar como seria a melhor maneira de falar com Ash.

– Pelo pouco tempo que eu falei com ela, deu mesmo pra perceber que a sua mãe é uma pessoa bem difícil de se lidar…

– Brock! Então você já chegou? – O garoto se alegrou ao escutar a voz do policial, parecendo até sentir prazer em conseguir conversar com uma pessoa entendível para seres humanos comuns.

– Já faz algum tempo… Eu estava ajudando o Red a arrumar isso tudo.

– Inclusive, foi uma ótima ajuda! – Red afirmou ao sorrir de canto para o homem enquanto se levantava, com grande esforço, do sofá – Mas eu to meio preocupado em saber se você conseguiu fazer sua mãe vir pra cá? – O garoto vermelho perguntou com uma leve curiosidade em seu tom de voz, fazendo a expressão de felicidade que pouco durou em Ash desaparecer em um piscar de olhos.

– Ela ficou falando meio milhão de coisas nada haver por uns trinta minutos! Quando eu finalmente consegui falar alguma coisa, ela começou a me perguntar se eu preferia fugir pra América do Sul ou pro Oriente Médio!

– Como eu disse, é uma pessoa bem difícil de lidar… Meio maluca, eu diria.

– Pois é! Quem caralhos foge pro Oriente Médio!?

– Acho que não foi bem isso que o Brock quis dizer… – Red disse ao coçar sua nuca com sua mão direita, tentando disfarçar as suas reações em relação ao quão divertido era para ele escutar a maneira engraçada que Ash passou a agir devido a sua raiva.

Antes que o garoto de roupas pretas pudesse ter a chance de continuar sua explicação e descontar ainda mais suas emoções fortes com suas palavras, o policial se apressou em pedir ajuda a Ash para que ele e o garoto vermelho conseguissem terminar a sua última tarefa mais rápido. Ash não demorou para retornar a um estado próximo a sua normalidade ao concordar em finalmente ajudar em arrumar aquela casa para a chegada de sua mãe.

Os esforços para fazer todos os preparativos para a chegada de Delia haviam começado antes mesmo da confirmação de sua vinda, isso devido a Ash afirmar para Carvalho que seria possível a convencer a minutos atrás.

Enquanto Red arrumava as poucas coisas ainda fora de seu lugar em meio a sala de estar, o próprio Professor e Blue deveriam fazer um almoço adequado para as prováveis oito pessoas que ali estariam. Yellow havia finalmente decidido se juntar aos outros, sendo levada por uma leve inspiração que surgiu em seu ser assistindo todas aquelas pessoas se esforçarem a sua volta, devido a isso, Carvalho pediu a pequena garota tentasse arrumar ao máximo a enorme bagunça existente nos quartos de hóspedes no segundo andar da casa que, finalmente, seriam usados para algo além de serem como armazéns provisórios para o que fosse possível alojar em seu interior.

Foi uma experiência única para o Professor cozinhar tendo Blue ao seu lado, isso em razão ao fato de a mesma conseguir realizar em um curto período de tempo tudo o que ele poderia pedir, isso enquanto uma faca flutuante cortava com absoluta precisão qualquer coisa necessária em pedaços absolutamente idênticos e geometricamente perfeitos.

– Blue, eu realmente não consigo acreditar que você realmente não saiba cozinhar – Carvalho disse ao parar seus afazeres durante um curto período de tempo para fixar sua visão na garota ao seu lado – Você consegue fazer tudo que eu peço sem qualquer tipo de problema, isso sem nem usar a ajuda do My Dearest pra maioria dessas coisas.

– É como eu tinha dito pro senhor, eu não sei como cozinhar, mas sou muito boa em seguir ordens… E não que eu tenha feito algo realmente difícil até agora.

– Acho que faz sentido isso tudo ser mais simples pra uma pessoa jovem como você – O Professor riu ao terminar seu dito, assim voltando a se concentrar em descascar os ovos já cozidos na mesa logo a sua frente – Bom… Deixa eu formular melhor o que eu queria dizer… Eu te pedi pra me ajudar aqui por você ter dito morar sozinha já a algum tempo. Eu pensei que você teria aprendido muitas coisas desse tipo por ter se tornado independente tão cedo – Carvalho abriu uma gaveta existente em um balcão à sua esquerda a procura de algum utensílio específico, isso estando satisfeito com a refacção de sua fala feita para Blue.

– Olha… Eu posso garantir pro senhor que eu sei usar um micro-ondas como ninguém – A garota deu de ombros ao falar e ir em direção a pia existente naquele local com o objetivo de lavar suas mãos – As coisas que eu mais como são comidas instantâneas de mercados ou coisas parecidas… Eu consigo fazer e comer elas bem rápido pra não perder tempo, mas...

– Espera, o que!? – Carvalho perguntou em gritos ao fitar a garota após virar sua cabeça com rapidez na direção da mesma, assim passando a observar Blue de cima para baixo com seus olhos arregalados – Me desculpe se eu estiver sendo rude, mas isso é impossível pra mim! Eu não estaria exagerando em dizer que você é, de longe uma das garotas com o corpo mais bem formado que eu já vi em toda a minha vida! Você chega até a parecer uma adulta que tem uma dieta muito rígida! – Ele gritou mais uma vez ao mesmo tempo em que gerava inúmeras teorias em sua cabeça. Era perceptível a empolgação em meio ao quanto o Professor parecia ter esperanças de que Blue poderia revelar algum tipo de habilidade secreta de seu stand que deixaria algo tão improvável ser real.

– B-bom… Eu agradeço pelos elogios – A garota se envergonhou ao escutar tudo aquilo vindo de alguém como Carvalho, isso provavelmente devido a ser absolutamente perceptível a inexistência de malícia vinda do idoso, tornando assim todos aqueles elogios completamente técnicos e muito mais acreditáveis do que vindos da boca de alguém que apenas estaria interessado em Blue – Acho que isso acontece por eu comer bem pouco, tipo, isso em relação a quantidade de vezes que eu como por dia. Eu gosto de comer frutas e alguns vegetais puros, sem preparar nada específico… E eu também me exercito uma hora ou outra, quando eu não tenho nada pra fazer… Isso faz meio que parte da minha vida agora, sabe? Ter um corpo bonito e mais adulto facilita muito pro meu lado pra conseguir bastante dinheiro…

Um breve período de silencio tomou conta entre a dupla após o término da fala da garota. O Professor passou um bom tempo tentando descobrir o que aquilo poderia realmente significar, isso enquanto julgou ser uma boa ideia manter um certo cuidado em falar com Blue em relação a aquela situação. Carvalho poderia facilmente e não intencionalmente levar a mesma a ter uma conversa desconfortável, talvez falando sobre assuntos em que ela não goste de revelar a outras pessoas.

– E então… O que eu faço agora?

– Eu acho que nós dois poderíamos descansar um pouco… Fica de olho no fogão por um tempinho, eu vou ver como os garotos estão – O idoso disse sorrindo ao tomar seu rumo em direção a entrada da cozinha.

Carvalho tentava esconder a preocupação que ele passou a sentir por Blue. O Professor torcia em sua mente para que aquele fosse mais um dos vários momentos em que Red insistia em dizer que ele teria tido uma reação exagerada para algo completamente simples.

Tentando ignorar seus pensamentos recentes, o idoso pareceu se alegrar ao perceber que a sala de estar de sua casa estava completamente arrumada. Os dois garotos e um certo homem, que Carvalho não havia visto até então em sua casa, conversavam alegremente em um pequeno círculo formado pelos mesmos logo a frente de sua cristaleira.

– Brock! Então você já chegou?

– E fui muito bem recebido, Professor… Eu cheguei já a algum tempo, consegui até dar uma mão pro seu neto com toda aquela bagunça.

– Espero que isso não tenha sido nenhum incomodo pra você, afinal, já deve ter sido difícil sair do seu trabalho pra vir até aqui.

– De maneira alguma, eu gostei de ajudar… E a parte que era pra ser difícil ficou bem fácil por causa do Ash! É bem útil ter braços extras que se esticam pra colocar quadros nas paredes! – O policial comentou ao rir brevemente para a figura amigável e agradável que era Carvalho. O fato da cidade em que estão ser muito monótona tornava o trabalho de Brock muito fácil e entediante, mesmo com as loucuras que ocorriam atualmente, parecia ser uma completa alegria para o homem estar passando seu tempo em meio a pessoas novas e interessantes como as que o rodeavam.

A fala do policial fez o Professor se atentar a algo que o mesmo ignorou durante aquele curto período de tempo, Ash estava presente naquela sala e não estava mais berrando para o seu celular.

– E então Ash, como foi com a sua mãe? Ela vai vir?

– Não precisa nem se preocupar com isso… Ela já deve estar vindo – O garoto de roupas pretas afirmou ao virar seu rosto e serrar seus dentes em uma expressão de raiva, lembrando-se do quão horrível havia sido falar com Delia a minutos atrás.

– Isso é ótimo! Bom, se me dão licença, eu vou dar uma olhada na Yell…

– Ela tá ali… – Red interrompeu a fala de seu Avô ao afirmar e apontar na direção dos sofás da sala.

Deitada no maior dos três sofás, a irmã de Ash cochilava tranquilamente enquanto sorria e babava ao mesmo tempo em que dizia palavras misteriosas e sem sentido em um tom quase inaudível para todos os outros ali presentes.

– Ué… Mas eu não tinha pedido pra ela arrumar os quartos?

– E... Eu já… Já arrumei tudo… Tudo lá…  – Se levantando com extrema lentidão e se apoiando no encosto do sofá logo após escutar o que a mesma julgava ser seu nome em meio a aquela conversa, a loirinha disse em meio a um longo bocejo.

– Mas já!?

– Deixa que eu explico pro senhor… Quando ela apareceu aqui, ela procurou uma vassoura e um pano de chão, deu os dois pro Volt, e falou pra ele arrumar e limpar todos os quartos… Ele esticou aquele cordão dele até o segundo andar e simplesmente sumiu da minha vista, daí a Yellow deitou no sofá e dormiu… E o Volt voltou uns três minutos depois, eu acho – Red resumiu os acontecimentos presenciados por ele a pouco tempo atrás, tentando ser o mais claro e breve possível para não atrasar muito Carvalho no que o garoto vermelho imaginou ser um curto período de descanso para o idoso.

Sem nem sequer responder seu neto, o Professor subiu as escadas com velocidade elevada, mantendo uma expressão incrédula em seu rosto, com o intuito de checar cada um dos seis quartos existentes no segundo andar.

– E então… Quem é Volt?

– Você não conhece Brock? Eu achei que o Ash e o meu Avô teriam te contado lá na delegacia.

– Você vai ver ele uma hora ou outra. Quando a Yellow estiver completamente acordada, acho que ela convence ele a te conhecer… Mas antes disso, eu tô meio curioso pra saber o motivo pro Gary não estar aqui – Ash disse ao se virar na direção de Brock, parecendo levemente incrédulo em relação a ele mesmo não ter percebido a falta do outro policial depois de todo o tempo que havia se passado.

Brock demorou alguns segundos para dar uma resposta para o garoto curioso, ele tomou uma pose completamente pensativa perante esse pouco tempo, aparentando raciocinar se seria realmente uma boa ideia compartilhar as informações que ele havia recebido.

– Bom… Daqui a pouco é capaz que isso vire notícia mesmo – O homem deu de ombros ao falar, se virando na direção de Ash para encará-lo imediatamente após terminar a tal fala – Nós recebemos algumas chamadas sobre algo estranho que aconteceu em uma região próxima do centro da cidade… Aparentemente era algo bem sério, isso pela quantidade de chamadas que nós recebemos e tudo mais… Eu também recebi a ligação do Professor a algum tempo atrás e ele mesmo garantiu que queria informar eu e o Gary sobre algo importante, então nós simplesmente nos dividimos.

– E você sabe o que seria essa “coisa séria”?

– Ainda não Red, mas se o Gary não me ligou até agora, acho que isso quer dizer que ele pode estar tendo problemas… Ou que isso pode ser realmente mais sério do que eu imaginava.

– Sendo sério ou não, acho que isso quer dizer que o Gary não vai conseguir vir até aqui… Eu não acho que um daqueles assassinos tenha ido atrás dele – Mesmo sendo um puro palpite, Ash não chegou a descartar essa possibilidade, assim se tornando levemente preocupado ao imaginar se algo teria acontecido com o outro policial.

– Acho que não precisamos ficar nos preocupando… Ele sabe se virar e tem como ele me chamar a qualquer hora, então, eu acho que o preocupante mesmo é saber o motivo pra nós ainda não termos ido arrumar a mesa do almoço pra sete pessoas! – Brock falou parecendo se alegrar com seu dito, mesmo também existindo um leve pingo de preocupação em sua mente sobre seu parceiro.

Ficou bem claro para ambos os garotos ali presentes o quanto Brock tentava desviar o ponto principal daquela conversa simplesmente para tentar manter ambos mais calmos, objetivo que certamente foi alcançado pelo mesmo. 

Red foi o primeiro a realmente entender a urgência existente quanto a arrumar a mesa do almoço, sendo assim o primeiro a chamar os outros a irem em direção a cozinha para pegarem tudo o necessário para tal.

O tempo parecia se passar cada vez mais rápido para o grupo composto por todas as pessoas presentes naquela residência acabarem todo e qualquer preparativo possível para a chegada de Delia. Fato que definitivamente não demorou para acontecer.

A mulher tão comentada havia chegado no local pouco antes de Blue e Carvalho terminarem os preparativos finais do udon que tanto se esforçaram para fazer, isso reaproveitando o máximo possível o pouco que havia sobrado do karê feito exclusivamente para Red, e comido quase que exclusivamente por Yellow, a algum tempo atrás.

Os sete agora se encontravam em meio a sala de jantar da casa, existente logo atrás de uma porta na sala de estar, localizada logo à esquerda do longo corredor que levava até o laboratório do Professor. Eles se sentavam ao redor da enorme mesa retangular de madeira escura no centro da sala, local decorado apenas por algumas decorações de parede e luminárias de teto similares ao lustre da sala de estar, também é importante citar a única enorme janela existente naquele local que quase cobria por inteiro uma das paredes existente do lado oposto da sala em que se encontrava a porta de entrada.

Ash ficou completamente espantado com sua mão, isso devido ao mesmo imaginar o quão infernal poderia ser aquele período de almoço simplesmente por ela estar ali, porém, a tal inacreditavelmente agia como uma pessoa completamente normal. Mesmo estando sentada na mesma mesa que o policial que tanto aterrorizou seus pensamentos durante toda aquela manhã, era assustadora a maneira como Delia não se preocupava ou enlouquecia conforme os assuntos de conversas entre todos aqueles sete se alteravam.

– Professor, eu realmente estou impressionada! – Delia disse com um enorme sorriso em seu rosto enquanto remexia o macarrão em seu prato com a ponta de seus hashis – Nem a minha mãe conseguia fazer um udon tão bom quanto esse!

– Fico feliz que você tenha gostado, Delia… Mas hoje eu tive muita ajuda, muita ajuda mesmo! Eu posso até dizer que todos os ingredientes foram preparados literalmente perfeitamente! – Carvalho riu ao falar e desviar rapidamente seu olhar na direção de Blue, sorrindo para a mesma em uma espécie de gesto de agradecimento para a garota.

De acordo com Ash, aquela teria sido a septuagésima quarta vez que sua mãe teria elogiado a comida de Carvalho e Blue, e isso com a mais completa razão. Era praticamente um dogma que aquele era um dos melhores udons que o garoto de roupas pretas teria comido em toda a sua vida. Aparentemente, todos naquela mesa concordavam sobre a enorme delicia que era aquela refeição, porém, uma daquelas pessoas já sabia que tudo aquilo era uma tentativa de prolongar o tempo em que todos estavam ignorando o verdadeiro motivo para estarem ali.

– Professor… – Brock chamou a atenção do idoso em questão com enorme seriedade em seu tom de voz, seriedade aquela que certamente era perceptível para todos ali presentes – Agora que todos estão aqui, você não deveria falar pra mim e pra Delia o que você queria que nós dois ouvíssemos? – Ele perguntou juntando suas mãos logo à frente de seu rosto, curioso para descobrir seja lá o que o Professor estaria prestes a dizer.

“Ele está certo”. Carvalho pensou ao levar sua mão direita até seu queixo para apoiá-lo, assim pensando em uma boa maneira de colocar em palavras o que o mesmo estava prestes a dizer.

– Bom… Eu acho que é uma boa ideia falar com você primeiro – O idoso afirmou ao passar a fitar a mãe dos irmãos com uma leve seriedade em sua expressão – Delia, eu queria que você e os seus dois filhos passassem o resto do tempo que vocês vão ficar aqui em Pallet na minha casa…

– Oi...? – A mulher levantou uma de suas sobrancelhas ao virar sua cabeça em direção ao idoso com extrema lentidão.

– Brock, eu preciso da sua ajuda aqui – Carvalho disse ao fazer um rápido gesto com suas mãos para o policial pedindo seu apoio – Eu preciso que você fale pra ela sobre os assassinatos…

– Ei, ei, ei! Isso é uma informação que, pra começo de conversa, não era pra qualquer um aqui saber! Eu não posso simplesmente…

– E o que você quer que eu faça quanto a ela? “Não seria legal se os seus filhos e você passassem o resto das suas férias aqui na casa de um desconhecido que você conheceu ontem?” – O idoso alterou ao extremo o seu tom de voz e a sua maneira de ser ao interromper o protesto de Brock, passando a demonstrar uma quantidade de seriedade grande o suficiente para assustar cada uma das pessoas ali presentes – Olha… Se eu quero que todos fiquem aqui pra todos ficarem mais seguros, eu quero que ela saiba pelo menos do que eles estão se protegendo…

– Vocês estão me deixando assustada… O que exatamente está acontecendo?

– É… O Professor não está errado… – O policial admitiu sentindo-se derrotado. Ele se virou na direção de Delia, tentando se manter calmo e passar essa exata sensação com suas expressões para a mulher – Eu não sei direito como eu posso falar sem te deixar em pânico, mas…

– Brock… Eu posso falar isso por você? – Chamando a atenção do policial prestes a finalmente ajudar Carvalho a tentar fazer Delia compreender toda aquela situação, Ash foi a primeira pessoa mais nova a dizer uma palavra em meio ao falatório dos três adultos.

Quando o assunto de toda aquela conversa havia se alterado para o motivo principal para Carvalho trazer Brock e Delia para sua casa, pareceu ser um subentendimento para todos os garotos naquela mesa que sua interrupção ou suas tentativas de explicação seriam nada mais que um incômodo para aquela situação, porém, Ash tinha um pensamento diferente sobre o assunto a partir daquele momento.

“Então o seu plano era trazer o Brock aqui pra ele, por ser uma autoridade muito maior, conseguir convencer a minha mãe de todo o perigo que nós corremos… Isso talvez desse certo se você tivesse pedido pro Brock se preparar antes, mas é da minha mãe que nós estamos falando… Qualquer coisa dita errado pode ser o suficiente pra fazer ela ficar maluca de raiva ou preocupação e simplesmente arrastar eu e a Yellow pra fora daqui!”. O garoto de roupas pretas pensava ao mesmo tempo em que fitava Brock com uma expressão neutra em sua face, praticamente implorando ao mesmo que o deixasse falar nesse momento. “Eu tive que conviver com uma mãe completamente louca a minha vida inteira… Não existe uma pessoa na Terra que saiba persuadir ela melhor do que eu!”. Depois de um curto período de tempo, o policial pareceu apostar sua confiança no garoto que ele tanto respeitava e temia sentado naquela mesa, assim realizando um gesto indicando para que Ash continuasse a falar.

– Mãe… Já faz algum tempo que essa cidade vem tendo uma onda de desaparecimentos muito estranhos – Depois de passar um bom tempo do seu dia antes de sua mãe chegar até aquele local pensando em uma boa estratégia para conversar com a mesma, o garoto pode finalmente começar a colocar seu plano em prática – Hoje mais cedo, o Brock veio até a nossa casa por ele querer falar comigo exatamente sobre isso…

– M-mas o Professor não tinha falado sobre assassinatos…? – Ao arregalar seus olhos e demonstrar um leve pavor em seu tom de voz, Delia perguntou se esforçando para escutar seu filho.

– Isso por acreditarem que essas pessoas que estão desaparecendo por motivos desconhecidos estão morrendo… Mas isso não é muito importante agora… Olha, a polícia acredita que existe um padrão em relação a essas pessoas que estão desaparecendo, é por isso que nós estamos reunidos aqui… O Brock nos reuniu porque algum de nós pode ser o próximo a…

– Nii-Chan, isso não é bem o que... AAAH!

– Yellow! Eu te disse pra tomar cuidado com essa cadeira! Uma das pernas dela tá muito bamba – Ash não ficaria parado apenas observando a única que não havia entendido o que estava acontecendo ali simplesmente destruir toda a falsa explicação bem bolada que ele havia preparado. Em um milésimo de segundo, o braço direito de Identity surgiu em meio ao nada e empurrou a cadeira onde a loirinha se sentava, logo a direita de seu irmão, para fazê-la cair e cessar completamente suas falas. Blue até mesmo soltou uma curta e baixa gargalhada ao ver aquela cena ridícula acontecer.

Carvalho estava completamente impressionado com o que o garoto de roupas pretas estava fazendo, e era bem visível que ele não era o único. O idoso não havia imaginado a possibilidade de esconder a existência de stands de Delia, inclusive, ele nem mesmo podia pensar em um motivo melhor que “ela não acreditaria” para esconder o fato da mesma, porém, era visível o enorme esforço que Ash estava tendo para manter essa mentira viva.

– É exatamente isso… Todos aqui correm perigo, mas isso não é realmente um problema – O Professor se apressou em afirmar os fatos ditos a pouco, confiando na esperteza do garoto de roupas pretas e no motivo ainda desconhecido para toda aquela mentira – Esse prédio não é exatamente meu, ele foi dado a mim pelo departamento de polícia para eu continuar as minhas pesquisas sem ter problemas, ou seja, esse é um local mais que seguro e bem monitorado para manter todos seguros. Não é Brock? – Carvalho virou seu rosto na direção do policial ao finalizar sua fala com uma pergunta para o mesmo, assim realizando um movimento com sua cabeça tentando indicar para o homem continuar com tudo aquilo.

– É isso mesmo...! – O policial afirmou ao mesmo tempo em que assentia com sua cabeça, assim dando início a uma pausa em suas falas para pensar o que ele deveria dizer a seguir e, o mais importante, o que ele poderia fazer para retirar a expressão de pavor da face de Delia.

Era enorme a sensação de prazer sentida por Ash ao ver seu plano finalmente funcionando, mesmo com as interrupções de Carvalho e Brock, tudo estava seguindo um caminho em que seria possível fazer sua mãe concordar com tudo aquilo… Isso antes de um simples erro dificultar muito as coisas…

(Primeira e quase última música do dia, e essa vai ser bem rápida… Vá até o YouTube e pesquise “xenoblade ost tension”, entre no vídeo de 2:54 de tempo de duração e escute ele pra ler os próximos parágrafos)

Ash começou a entender sua completa falha ao perceber o que seria uma estranha luminosidade aparecer em sua visão, tal iluminação era perceptivelmente criada de algo que existia provavelmente logo atrás do mesmo.

O pior de todos os erros que poderiam ter acontecido havia sido gerado pelo próprio garoto, isso devido a sua enorme concentração em tornar sua grande mentira o mais falsamente verdadeira possível ter o feito fazer não medir as consequências de seus atos.

“O Identity empurrou ela com muita força… Não é?”, Ash pensou ao se lembrar de seu ato realizado contra sua irmã a segundos atrás, isso ao mesmo tempo em que ele pode prestar atenção nos sons ao seu redor e escutar um baixo choramingo, provavelmente originado da própria loirinha.

Os olhares completamente assustados de Red e Blue, ambos sentados logo à frente de Ash, já eram mais que uma prova da veracidade do fato que o garoto de roupas pretas havia imaginado. Volt pairava logo atrás de Ash, estando completamente furioso pelo mesmo ter machucado sua tão amada usuária.

(Próxima e última música… Pare de escutar a outra música, volte pro YouTube e pesquise “sotc liberated guardian”, entre no vídeo de 29:08 minutos e se prepare pra ler as próximas cenas!)

A fortificação daquele brilho amarelado ao lado direito de seu rosto eram um sinal que o stand de sua irmã estaria começando a se mover para finalmente atacar. Tal luminosidade foi o que indicou o local exato para Identity aparecer e agarrar o punho assustadoramente veloz de Volt com sua mão direita.

– B-bom… Delia… – Era impossível para Brock raciocinar o que ele deveria fazer naquele momento. Aparentemente, era necessário manter segredo sobre stands na frente da mulher, porém, era assustadora a incerteza da necessidade de ceder ou não ajuda a Ash e seu Identity que, nesse momento, já havia usado sua outra mão para defender outro soco avassalador de Volt.

– Esperem… Por que devemos continuar aqui então? Não seria melhor pra cada um de nós sair da cidade!?

– NÃO, MÃE! – O garoto de roupas pretas respondeu à pergunta da mulher aos berros, isso devido ao fato do mesmo estar observando a movimentação de Volt a segundos atrás com sua cabeça virada em direção a suas costas. Nesse momento, Ash havia se levantado aos pulos de sua cadeira para desviar de uma golpe que a criatura de energia desferiu com seu cotovelo por não conseguir movimentar as mãos agarradas por Identity – É que… É que nós...!

– E que nós não podemos garantir que é seguro sair da cidade, ainda... – O Professor disse ao sorrir para Delia, tentando assim deixar a mulher mais segura com suas incertezas.

Sendo os únicos incapazes de enxergar o que ocorria naquela mesa, a mãe dos irmãos e Carvalho eram os únicos ainda sãos e não assustados o suficiente para continuarem tendo um bom raciocínio durante aquela conversa.

Se Ash não conseguisse resolver tudo aquilo sozinho, sem chamar a atenção e atiçar a curiosidade de sua mãe, tudo estaria perdido.

“É só uma questão de tempo até eu ter que contar ao Brock e o Gary sobre o que aconteceu naquela casa a um tempo atrás comigo e com a Blue… Se a minha mãe souber sobre os stands, ela certamente também vai descobrir!”, a cabeça do garoto de roupas pretas não parava de raciocinar nem mesmo por um segundo, nesse instante, ele já havia até mesmo começado a soar e ofegar levemente.

“Quando eu era bem menor, eu fiz um amigo meu cair do balanço em que nós estávamos brincando… Naquele dia, mesmo não tendo acontecido quase nada com o meu amigo, a minha mãe começou a chorar e a tentar se desculpar quase que vendendo a alma pra mãe do meu amigo que veio pra ajudar ele… Ela literalmente teve que tomar remédios contra estresse e ter acompanhamento médico para melhorar o estado mental dela durante meses depois daquele dia… Se esse problema de excesso absoluto de exagero emocional dela fez tudo aquilo, o que caralhos poderia acontecer com ela se ela descobrisse que eu matei um cara!?”. Seus pensamentos o levaram a se lembrar mais uma vez do motivo que Ash tanto tinha para esconder todos aqueles acontecimentos de sua mãe, assim apenas comprovando a enorme urgência que existia em relação a parar o stand de Yellow.

Ele olhou mais uma vez para suas costas, assim tendo visão do rosto raivoso de Volt mais uma vez. Ao perceber que o stand amarelo estava forçando cada vez mais seus braços agarrados por seu stand, Ash finalmente tomou a decisão de reagir, assim fazendo Identity dar uma poderosa cabeçada contra a cabeça de Volt, deixando seu inimigo momentâneo atordoado. A criatura preta e branca juntou o braço esquerdo do stand que agarrava no corpo do mesmo durante esse período de tempo, assim esticando seu braço direito para amarrar o membro de Volt a seu próprio corpo de energia.

– Dora! – O stand de Ash gritou ao largar o braço direito de Volt para levar sua mão esquerda na direção do rosto da criatura amarela, assim a golpeando para deixá-la ainda mais atordoado enquanto ele tentava a afastar com os esforços do seu outro braço que continuava a enrolar Volt.

– Olha… O perigo não é realmente sair da cidade… O… O perigo mesmo é… – Percebendo a enorme quantia de tempo em que o ele ficou parado apenas observando o confronto que ocorria a alguns metros de distância do mesmo sem poder fazer nada, Brock tentou organizar palavras em sua cabeça para continuar a explicação do Professor, porém, aquilo realmente parecia ser impossível devido a todos os barulhos causados por aqueles dois stands.

– O perigo é que esses desaparecimentos podem ter acontecido nas saídas! Quero dizer… Não todos! Não é bem isso, é que… Eles são... Né, Professor!? – O garoto de roupas pretas jogou a responsabilidade sobre o término de sua explicação para Carvalho, isso devido ao mesmo perceber que, além de não existir um bom sentido em sua fala, para continuar tal conversa, seria preciso encarar sua mãe durante os instantes em que ele se pronunciava, ação que era absolutamente impossível em meio a um combate contra o assustador stand de sua irmã.

– B-bom… O que o Ash quer dizer é que alguns desses desaparecimentos provavelmente podem ter acontecido nas saídas da cidade, isso provavelmente por outras pessoas também terem descoberto sobre tudo isso e terem sido surpreendidas enquanto tentavam fugiam! – O idoso disse enquanto uma expressão de preocupação e dúvida surgia em seu rosto, demonstrando que o mesmo estava percebendo que algo poderia estar muito errado naquela sala de jantar.

O garoto estava completamente sem tempo. “Mesmo ele sendo muito mais esperto que ela… Se o Professor já está desconfiando de alguma coisa, a minha mãe pode desconfiar também em pouco tempo!”, o garoto continuava a pensar ao mesmo tempo em que ele derrubou discretamente os dois hashis que segurava em sua mão direita, assim passando a se virar e se posicionar poucos passos à esquerda do local onde ele se localizava ainda em pé.

– DORA!!! – Agarrando os hashis com sua mão direita livre em um piscar de olhos, Identity usou a cobertura, que era o corpo de seu usuário recentemente reposicionado, para esconder os dois pequenos objeto que a criatura branca e prata acabara de alojar no centro do peito de Volt.

– RIIIAA!!! – Volt gritou com a altura de sua voz sendo extremamente aguda, causando assim um desconforto razoável nos tímpanos de todos os usuários de stand ali presentes, inclusive de sua própria usuária que, naquele momento, ainda se mantinha choramingando apoiada em seus dois braços sobre o chão.

– Volt! O que… O que você…? – Antes da loirinha conseguir gritar devidamente para repreender seu stand, a fraqueza da criatura de energia que acabara de ser explorada por Ash havia feito seu efeito.

Uma enorme quantia de luz amarelada começou a ser expelida para fora dos buracos feitos pelos hashis alojados no peito de Volt. Depois de enfrentar aquele stand de energia várias vezes em sua vida, Ash havia descoberto o fato do quanto Volt era completamente inutilizado quando era perfurado. Toda a energia luminosa que saia pelos buracos em seu corpo nada mais era que a própria energia de Volt sendo expelida para fora de seu ser, dessa maneira, por perder muita energia, a criatura amarelada começaria a diminuir seu tamanho e consumir muita da energia do corpo de Yellow, tal fato já até mesmo havia feito a pequena dormir mais uma vez.

De maneira discreta, um pequeno sorriso surgiu nos lábios de Ash, praticamente anunciando sua vitória contra aquele enorme problema… Porém…

Um vulto amarelado cruzou a frente da visão do garoto de roupas pretas em um milésimo de segundo, tal vulto nada mais era que o braço de Volt que Identity havia soltado para golpeá-lo com seu punho e com os hashis.

Estava tudo acabado. Era absolutamente visível a intenção do stand furioso de golpear a mesa de jantar para tentar ter sorte em relação a alguns de seus destroços atingir o irmão de sua usuária. Seria completamente impossível explicar para Delia algum motivo decente para a mesa logo a sua frente ter simplesmente se auto destruído do nada, ou seja, ela certamente deveria ser informada sobre a existência de stands após esse momento.

– Ah! – Um grito afeminado, baixo e propositalmente discreto pode ser escutado pelas orelhas de Ash em meio ao seu crescente desespero.

O garoto estava tão incrédulo e irritado por ter suas chances de conseguir sucesso em seu plano simplesmente reduzidas a zero, que ele havia simplesmente parado de se manter atento ao seu redor e as outras pessoas ali presentes.

A enorme mesa de jantar havia apenas se movimentado com leveza devido aos esforços de Blue. My Dearest se encontrava ajoelhado logo a cima da mesa. O stand azulado havia usado ambos os seus braços e o seu ombro direito para impedir o avanço do último golpe poderoso que Volt executaria naquele momento, agarrando o braço de energia e colocando seu próprio ombro na frente do golpe para tal.

Virando seu olhar transbordando de agradecimento para a garota, Ash pode perceber uma pequena quantia de lágrimas saindo dos olhos da mesma e, também, uma vermelhidão anormal em uma pequena parte da pele próxima ao ombro direito da garota. My Dearest não era um stand que possuía força física para ir de encontro a um dos golpes de Volt. O fato fez o garoto de roupas pretas imaginar que Blue poderia ter deslocado ou até quebrado algum osso de seu ombro por ela sentir todo o impacto que My Dearest também sentiu.

“Se o Ash não hesitou em nenhum momento pra enfiar aqueles hashis no Volt, isso quer dizer que a Yellow não deve sentir nada se ele for machucado… Não é?”. O raciocínio rápido de Red fez o garoto vermelho não ter piedade contra o stand de energia. Ele levantou seu braço esquerdo em um movimento veloz na direção de seu alvo, assim fazendo Ginsen no Kaze surgir em um majestoso brilho avermelhado em sua mão, assim estocando o braço de Volt com a lâmina intangível de sua espada.

– RRRIIIIIIIAAAAAA!!! – O stand de energia gritou mais uma vez em um volume de voz absurdamente mais agudo que o último de seus berros. Isso devido a dor e ao desespero absoluto que ele sentiu ao ver seu braço direito ser simplesmente cortado para fora de seu corpo por uma fraca energia avermelhada que rodeou seu membro a segundos atrás.

A luz que saia do corpo de Volt teve sua quantia praticamente quadruplicada em um mísero segundo, fazendo a criatura amarelada diminuir seu tamanho cada vez mais rápido. Volt revirava seus olhares ao seu redor apavorado, demorando alguns segundos para encontrar Yellow ainda caída no chão. Antes de flutuar para a segurança do corpo de sua usuária, o stand decidiu olhar mais uma vez para todos os presentes naquela sala, assim tendo sua visão indo de encontrando com os frios olhos de Red. Ainda tendo Ginsen no Kaze em mãos, o garoto vermelho possuía suas íris completamente encobertas por uma energia carmesim hipnotizante e amedrontadora, que se assemelhava a sangue sendo iluminado por uma forte e constante luz. Aquela visão marcou o fim de toda a ainda restante sanidade do pobre, e agora minúsculo, stand amarelo. Volt gritou pela última vez em completo pânico ao finalmente flutuar rapidamente na direção do corpo de sua amada Yellow.

(E é aqui que você já pode parar de escutar a música...)

– Isso! – Red comemorou ao fazer seu próprio stand desaparecer e serrar seus punhos em comemoração, demoraram mais alguns poucos segundos para o mesmo perceber o quão alto havia sido seu grito – E… Eu quero dizer… Isso não é bom! Blue, esse barulho na mesa agora foi por que você acabou de bater a perna nela, não foi?

– É… M-me desculpem por atrapalhar a conversa de vocês…

– Não se preocupe com isso Blue… – Brock disse estando completamente aliviado por toda aquela confusão finalmente ter chegado ao seu fim. Ele demonstrava estar determinado a ajudar a garota provavelmente seriamente machucada de qualquer maneira – Isso parece ter realmente doído… Red, você se importaria de levar ela ali na sala e procurar alguma coisa pra diminuir essa dor? – O policial perguntou tentando deixar aparente para o garoto a urgência sobre tratar do braço de Blue.

– Sem problema algum… Vamo lá – O garoto vermelho disse ao ajudar a garota a levantar de sua cadeira, assim a encaminhando para fora daquela sala de jantar em poucos instantes...

– Bom… E então Delia… Entendeu o motivo por nós não podermos usar as saídas da cidade? – O Professor perguntou com o intuito de continuar a sua tentativa de convencer a mãe de Ash, porem, também demonstrando um mínimo pingo de curiosidade para descobrir o que havia acontecido a momentos atrás.

Não demorou muito tempo para Ash e Brock conseguirem se recuperar para continuarem a levar toda aquela conversa a frente. Era perceptível para aqueles dois o quanto o tempo se passava muito mais rápido longe de uma situação de perigo, assim como também era perceptível para eles que Delia parecia estar preocupada demais para sequer perceber que sua filha havia caído em meio ao chão a minutos atrás e nem sequer se levantado ainda. Esse fato deixou Ash absolutamente aliviado, isso poderia provavelmente provar que o nervosismo da mulher era grande o suficiente para ela nem sequer ter notado a movimentação absurdamente estranha de seu filho a pouco.

Carvalho tentou ao máximo também falar para a mãe dos irmãos o quão importante era a sua pesquisa, assim garantindo outra vez a completa proteção que os serviços policiais poderiam servir para ela e seus filhos, devido ao fato dos mesmos serem partes absurdamente importantes de seus estudos. Não demorou para que Delia realmente conseguisse compreender a gravidade falsamente bem montada do conflito que a cercava.

Tudo havia finalmente funcionado. Agindo conforme todas as suas fortes emoções a mandavam fazer, foi impossível para a mulher negar toda a ajuda que estaria recebendo estando sendo pressionada por cada vez mais fatos simplesmente malucos.

– Olha… Você tem mesmo certeza de tudo isso?

– Mas é claro que sim! Não tem motivo pra eu discordar! – Delia respondeu a pergunta feita por Brock ao colocar sua mão direita em seu peito e demonstrar seu olhar determinado para o mesmo.

– Como eu posso dizer… É que eu estou achando muito estranho que você não esteja achando nada aqui estranho – O homem afirmou ao inclinar levemente sua cabeça para seu lado direito – Sendo uma mãe, eu achei que você poderia suspeitar sobre a veracidade de tudo isso… Nós poderíamos estar tentando fazer algo horrível aqui, entende? Eu diria que eu mesmo, se estivesse na sua situação, eu pensaria estar envolvido talvez até com um esquema de sequestro… Não estou dizendo que você não deveria confiar em nós, mas eu acho que você deveria tomar mais cuidado em assumir o que é verdadeiro e o que pode não ser.

– Eu realmente entendo essa sua preocupação, Brock… Mas realmente nunca existiu um motivo pra eu acreditar que isso tudo poderia ser mentira – Delia afirmou com um sorriso em seu rosto, deixando de lado boa parte de sua preocupação ao estar entrando em um assunto de conversa que ela tanto adorava falar.

– E por que não suspeitar disso?

– Bom, na verdade, se você e o Professor tivessem me falado sobre essas coisas estando sozinhos, acho que eu chegaria a pensar que isso poderia até ser uma brincadeira de mau gosto… Mas o Ash também está com vocês! – Ela afirmou ao desviar seu olhar de Brock, assim passando a sorrir ainda mais e a fitar seu filho durante pouco tempo – Eu não sei se ele já contou pra vocês, mas o meu marido morreu já faz algum tempo e o Ash era muito mais novo quando isso aconteceu… O meu filho sempre foi esperto, mas quando ele perdeu o pai, ele mudou muito. Ele se tornou muito responsável e começou a aprender sozinho a como se virar, principalmente pra me ajudar com o que ele conseguia fazer no lugar do meu marido… Agora que ele já está crescido, ele é, de longe, a pessoa mais esperta que eu conheço e também é certamente a pessoa que eu mais confio… Então, se ele está do lado de vocês em tudo isso, eu já assumi que isso era verdade… Eu acho até que ele concordar com vocês já era mais que o suficiente pra eu concordar com isso também!

Um grande período de silencio tomou conta daquela sala, tanto devido a surpresa de todos ao escutar aquelas afirmações, quanto ao fato que parecia ser divertido para os três adultos observar a face completamente avermelhada e envergonhada de um certo garoto que nenhum dos três nunca haviam sequer visto assumir uma expressão tão engraçada.

– Awnnn! Eu deixei o meu bebê envergonhado? Me desculpa por isso.

– V-você tem é que se desculpar por ainda me chamar de bebê! – Ash praticamente gritou ao protestar, o mesmo desviou seu rosto com velocidade para esconder sua reação e fingir estar completamente interessado em apreciar um dos quadros existentes na parede daquela sala.

Mais alguns poucos minutos de conversas e decisões foram necessários para toda aquela discussão finalmente chegar ao seu fim. Delia e seus filhos realmente viriam para a casa de Carvalho o mais rápido possível.

Mesmo tendo sido convidado para tal, Brock deixou claro o quanto seria uma ideia melhor se ele e Gary não viessem para aquela residência. Mesmo oferecendo uma maior proteção para todos que ficariam ali, e até para eles mesmos, era enorme a quantidade de dificuldade que os dois policiais teriam em continuar seu trabalho passando muito tempo naquele local.

O homem afirmou que ele e seu parceiro provavelmente passariam seus dias em claro praticamente morando na delegacia, utilizando todo e qualquer recurso possível para descobrir o que estaria realmente acontecendo naquela cidade, isso, é claro, entendendo os pedidos de Ash e do Professor para manter aqueles acontecimentos e a existência de stands em segredo absoluto.

– Você não precisa se preocupar com nada, Ash… Eu sei me cuidar muito bem e eu posso garantir que sua mãe está em boas mãos! – Brock afirmou ao sorrir e desferir fracos e poucos tapinhas no ombro do garoto de roupas pretas.

– Eu confio em você… Mas tem certeza que não seria bom eu ir junto? Se alguma coisa que tenha haver com algum stand acontecer com vocês, talvez você não consiga dar conta sozinho.

– É como eu te disse, eu sei me cuidar muito bem, e olha que eu fui treinado pra isso… Nós não vamos demorar – O homem disse ao se virar de costas para o garoto, tentando manter o mesmo mais confiante em relação às decisões tomadas pelo próprio policial.

Brock se dirigiu para o lado de fora da residência de Carvalho, fechando a porta de entrada do local logo em seguida.

Mesmo decidindo se mudar para aquela construção, os pertences de Delia e de seus filhos não apareceriam magicamente naquele local. A mulher, acompanhada de Brock, estava seguindo seu rumo ao objetivo de conseguir arrumar e trazer até aquela casa todos os pertences que ela e seus filhos haviam trago para sua viagem… Isso além de uma certa outra pequena coisinha…

– É verdade… Será que o Professor teria algum problema com o Eevee...?

– Ash! – O policial interrompeu a fala do garoto ao retornar e abrir novamente a porta da frente da casa de Carvalho às pressas – Eu quase me esqueci de avisar… Eu não vou mais voltar aqui depois de trazer a sua mãe pra assumir o posto do Gary nas investigações lá no centro, mas o Gary vai passar por aqui pra melhorar a vigilância que nós prometemos pra Delia.

– E com isso, você quer dizer que ele vai fazer o que? Colocar câmeras?

– Bom… É mais ou menos isso mesmo… – Brock se despediu com um rápido gesto de sua mão após falar e tornar-se a sair novamente daquela construção.

Ash deu de ombros em relação aos seus pensamentos que tentavam entender o último dito do policial, assim dando início a uma curta caminhada em direção ao laboratório do Professor, passando logo ao lado de Yellow que, novamente, se encontrava dormindo em um dos sofás da sala.

Mesmo não sentindo muita empatia pela garota, era impossível para Ash não se sentir preocupado em relação ao estado atual que Blue se encontrava. Ele apressou seus passos em direção ao laboratório para descobrir o que realmente aconteceu com a garota que era a fonte de sua preocupação e que estava sendo tratada naquele local.

Míseros minutos se passaram para que Gary finalmente vir até aquela casa, assim sendo atendido e ajudado por Red a terminar o que o próprio policial afirmou serem rápidos afazeres que poderiam ceder uma leve ajuda.

– Então essa "Blue" realmente machucou o braço depois disso? – Gary perguntou a Red enquanto subia na escada extensível que o mesmo utilizava para se aproximar de um local alguns metros acima de um dos quadros existentes na sala de estar.

– Supostamente sim… Mas o meu avô disse que não tem motivo pra se preocupar com ela… Ele me disse que a Blue provavelmente sofreu uma fratura muscular, o que é bem menos leve do que eu imaginei que poderia ter acontecido… Aparentemente uns analgésicos, bastante gelo e o Volt da Yellow são o suficiente pra resolver isso... O Ash está lá ajudando ela com o meu avô, então supostamente realmente não tem motivo pra se preocupar.

– Isso é muito bom! É realmente uma vantagem enorme ter essa baixinha do nosso lado.

– A Yellow? Bom… Com certeza é… A propósito, o que exatamente você está fazendo? – O garoto vermelho perguntou ao estranhar a ação que Gary realizava nesse momento.

O policial havia retirado uma caneta preta do bolso de sua calça, assim a utilizando para desenhar o que parecia ser um pequeno olho na parede no qual ele usava para servir de apoio para sua grande escada. Ele se concentrava em terminar o desenho antes de responder a pergunta de Red.

– Esse ficou meio ruim, mas era pra ser o desenho de um olho. – O policial afirmou ao apreciar os simples três estranhos círculos que o mesmo acabara de desenhou um dentro do outro, isso sendo que o círculo mais externo dos três estava completamente achatado e o círculo mais interno era muito menor que os outros dois e permanecia completamente preenchido de preto.

– É, isso eu percebi… Mas por que você desenhou um olho aí? – O garoto vermelho perguntou enquanto fitava Gary com seus olhares confusos, assim o observando a descer sua escada.

– Eu vou te mostrar um truque bem legal… – Sem se preocupar em responder devidamente a pergunta feita pela outra pessoa ali presente, o homem falou calmamente ao se virar na direção de Red. Nesse momento, Gary utilizava sua mão esquerda para tapar seu próprio olho esquerdo.

– Truque? Que tru…? C-cacete! – Red arregalou seus olhos e deu poucos passos para trás, de maneira completamente involuntária, ao perceber do que se tratava o misterioso truque do policial.

Gary havia retirado a mão que cobria seu olho a um segundo atrás, assim revelando a Red a bizarra mudança que ocorreu com aquela região de seu corpo. O olho esquerdo do ruivo parecia ter simplesmente desaparecido, agora, no interior de suas pálpebras, existia o que aparentava ser uma tela em branco com um círculo preto imperfeito e um único e grande ponto preto em seu interior.

Presenciar aquela cena foi um choque grande para o garoto vermelho que, durante aquele momento, permanecia completamente despreparado para se deparar com algo com aquele nível de anormalidade. Ele, no entanto, reconhecia aquele círculo preto dentro das pálpebras de Gary. Tais pensamentos fizeram Red levantar sua cabeça com velocidade, tendo o objetivo de conseguir observar o desenho de olho que agora existia na parede da sala.

– O que!? – O garoto sentiu mais um espanto completo naquele momento. O local exato onde existia o estranho desenho agora era preenchido por um olho completamente verdadeiro. O tal olho possui uma íris castanha e conseguia fazer movimentos giratórios enquanto estava preso a parede, chegando até mesmo a encarar Red durante o momento em que ele fitava aquela bizarrice.

– Você realmente se surpreendeu? Achei que você já estaria acostumado com esse negócio de stands.

– Estando acostumado ou não, é bem difícil não se assustar com um olho na parede… Eu te imploro, tira aquilo dali! Isso tá me dando muita aflição! – O garoto vermelho disse ao escutar os risos de Gary, assim percebendo que o homem parecia estar se divertindo com as reações do garoto que encarava amedrontado o olho que continuava a se revirar e observar toda aquela sala.

– Eu vou te contar de um jeito que qualquer um poderia entender – Gary afirmou enquanto se aproximava da pessoa a sua frente com extrema lentidão – O nome dele é I'm With You! – Nesse exato momento, uma pequena mão esverdeada, contendo apenas quatro dedos e uma estranha lente arredondada em seu dorso, pareceu surgir das costas de Gary e agarrar o ombro esquerdo do mesmo.

A pequena criatura escalava o ombro do policial com lentidão, fazendo assim pequenos ruídos metálicos conforme o processo. I'm With You havia finalmente terminado de revelar seu corpo por completo. O ser de cerca de quarenta centímetros de altura era completamente esverdeada; ele possuía lentes arredondadas em ambos os dorsos de suas mãos e também no centro de sua face, a lente em seu rosto era relativamente maior que as outras duas, contendo assim um enorme olho com uma íris castanha em seu interior; o mais horrendo sobre o stand certamente era o exato motivo para ele criar todos aqueles irritantes sons metálicos; I'm With You possuía o que pareciam ser um total de três tiras grossas de metal talhado em seu corpo, a primeira o servia como um cinto ao redor de sua cintura, a segunda era um colar que parecia apertar forçadamente seu pescoço e a terceira nada mais era que uma mordaça que rodeava seu rosto e cobria por completo sua boca; todas as três tiras metálicas eram conectadas por pequenas correntes prateadas, objetos que existiam em grande quantidade pelas tiras de metal, sendo que algumas permaneciam completamente soltas, não se conectando a outras tiras ou a qualquer outra superfície.

– Ele consegue trocar a minha visão com alguma coisa, ou a representação de alguma coisa, que possa ter um campo de visão… Pra fazer isso, ele muda essa coisa de lugar com algum dos meus olhos! E também…

– Gary… Pelo amor de Deus! Eu realmente não consigo prestar atenção com aquele olho na parede!

– Puta merda… Eu tinha preparado toda a cena certinho… – O ruivo se irritou ao perceber que seria provável a necessidade de repetir toda a sua explicação. O mesmo piscou as pálpebras de seu olho esquerdo, tornando a abri-las logo em seguida, revelando assim que seu olho havia retornado para seu lugar de origem, exatamente como o desenho que, agora, estava de volta a parede.

Mesmo sendo visível para Gary o quanto o garoto vermelho parecia possuir um leve nojo de sua habilidade, não foi nada difícil para o homem explicar a ele a complexidade por trás de seu stand.

Olhos verdadeiros, desenhos de olhos ou até mesmo câmeras, I'm With You conseguia alterar os olhos de Gary e o campo de visão dele mesmo e de seu alvo desde que esse tal alvo fosse capaz de possuir um campo de visão. O policial também explicou detalhadamente para Red como o mesmo havia usado sua habilidade para descobrir sobre Ash, Blue e Misty na piscina pública e do leve conflito que os mesmos tiveram naquele local.

– Desde que eu saiba que existe e onde existe, o I'm With You consegue trocar a minha visão com essa coisa – Gary falou ao continuar toda a sua explicação com um grande sorriso em seu rosto – Então, quando eu recebi algumas denúncias de barulhos estranhos na piscina pública, eu nem cheguei a encher o saco do Brock ou qualquer coisa desse tipo… Eu só acessei o banco de dados da prefeitura e procurei a planta daquele lugar, depois disso, não foi difícil encontrar o planejamento das câmeras de segurança… Mesmo elas estando desligadas pela piscina estar sem energia, isso não me impedia de trocar os meus olhos com as lentes das câmeras… Foi aí que eu vi que o que estava acontecendo lá entre aqueles três era realmente coisa séria. Daí eu chamei o Brock, e o resto você já deve saber.

– Olha… Isso é sinceramente impressionante...

– O que é aquilo? – Uma pequena frase comunicada através de uma baixa voz repentina acabou por interromper os elogios de Red, mas não devido ao garoto se surpreender com a pergunta, mas sim pelo mesmo ter curiosidade para descobrir quem a teria feito.

– Yellow! Você acordou! Eu sei que você deve estar cansada e com fome, mas o meu avô e o seu irmão estão precisando de você lá no… – O garoto vermelho cessou sua própria explicação ao perceber o desinteresse dado pela loirinha a suas falas. A mesma apenas permanecia observando atentamente a grande janela existente a poucos metros do sofá onde se sentava.

– Tem alguma coisa errada com você? – Gary perguntou cruzando seus braços em meio ao processo, sabendo que a seriedade por trás dos olhares daquela pequena garota indicavam que aquele não seria um bom momento para ele perder tempo se apresentando.

– Não é nada disso… Eu acho que tinha alguma coisa ali fora…

– Que tipo de coisa?

– Eu não sei, Red… Eu acho que era pequeno e meio marrom. Eu tenho certeza que entrou em um daqueles arbustos lá fora… Quem é esse cara aí com você? – A sonolência ainda era presente e atrapalhava os pensamentos ingênuos de Yellow. A mesma havia conseguido perceber o que poderia realmente estar acontecendo segundos após Red – Espera…! S-será que eles voltaram!?

– “Eles”?

– Gary, eu preciso de você comigo lá fora, agora! Yellow, corre no laboratório e chama o seu irmão! – Sem nem sequer se preocupar se os outros dois ali presentes acatariam suas ordens, o garoto vermelho se virou na direção da porta de entrada da casa, assim passando a correr em sua direção no menor período de tempo possível.

A encantadora visão proporcionada por aquele enorme jardim era fascinante para aquela criatura. Todas as enormes árvores ao seu redor aparentavam ter um toque elevado de beleza devido aos raios de sol que passavam pelas pequenas frestas existentes em suas folhas.

Mesmo a grama bem cuidada daquele local dificultando sua movimentação por chegar próxima à altura de sua cintura, a determinação existente em sua mente era forte o suficiente para aquele ser não querer desistir de seu objetivo… Isso até o momento em que tudo deu errado…

– Caramba… Como a Yellow conseguiu ver essa coisinha minúscula lá da janela? – Gary havia finalmente chegado até o local indicado pela irmã de Ash, sendo assim o primeiro a conseguir ver a estranha criatura, com cerca de oito centímetros de altura, que se movimentava por aquele quintal.

O ruivo esticou sua mão direita com rapidez na direção daquele pequeno ser, assim se agachando para conseguir agarrá-lo.

Ao ser preso entre os dedos de uma mão enorme e ser retirado de seu tão seguro chão, a criatura soltou um quase inaudível grito de desespero.

O policial observava de maneira curiosa o que o mesmo agora agarrava. A pequena criatura era realmente completamente marrom, tendo seu corpo sendo feito do que pareciam ser raízes ou galhos de uma árvore; o mais impressionante em relação ao pequenino era certamente a folha presente em sua cabeça, isso, claro, se não fosse dada a devida atenção a inexistência de uma boca em sua face em seus pequenos olhos completamente brancos.

– O que que é isso?

– Eu não sei, mas eu achei ele meio bonitinho – Gary afirmou em resposta a pergunta de Red ao revirar seus olhares mais uma vez para observar a criatura que se debatia e grunhia em sua mão.

– Isso não importa… Segura ele aqui perto… – Red disse ao levantar sua mão esquerda na altura de seu peito, assim fazendo Ginsen no Kaze surgir em um milésimo de segundo sobre seus dedos, tornando a apontar sua lâmina na direção da criatura que se apavorou por completo ao ver aquela espada.

– Espera, o que você tá fazendo!?

– Como assim o que eu tô fazendo? Eu vou matar essa coisa!

– Não precisa ser radical assim com alguém que nós nem sabemos se pode nos fazer mal! Olha só como você assustou ele!

– Você só pode estar brincando comigo… – Completamente incrédulo, o garoto vermelho passou a fitar o homem à sua frente com seus olhos arregalados de surpresa. O mesmo imaginou que um policial certamente teria uma conclusão sobre aquela situação idêntica a dele, não existindo qualquer maneira do tal imaginar algo diferente.

– Deixa eu te ajudar, amiguinho – Gary se agachou novamente, assim liberando a criatura presa em sua mão em segurança naquele gramado.

O ser marrom permanecia completamente confuso, assim estando inseguro em relação ao que ele deveria fazer em seguida. Se encontrando solto, ele poderia fugir dos assustadores dois gigantes que ali existiam, porém, isso poderia fazer o gigante que o protegeu concordar em matá-lo. Seu nervosismo era tanto, que algumas poucas lágrimas saiam dos olhos brancos do pequenino quando ela percebeu que o mesmo estaria sendo chamado.

– É aquilo ali que você quer, não é? – Lembrando-se do antigo rumo que a pequena criatura tomava em meio a aquele gramado, Gary perguntou ao apontar na direção de uma flor existente a algumas dezenas de centímetros a sua frente.

O ser se virou na direção apontada pelo policial, assim se lembrando do real objetivo que o trouxe até aquele local. Uma linda flor de íris, completamente roxa, crescia entre as raízes de uma das tão grandes árvores ao seu redor.

A criatura pode finalmente parar de chorar ao encontrar novamente aquela flor com a sua visão, se espantando mais uma vez com a sua imensurável beleza. Juntando toda a sua forte determinação que surgia mais uma vez em sua mente, o ser marrom virou seu rosto na direção de Gary, assim respondendo à pergunta feita pelo homem assentindo inúmeras vezes com sua cabeça.

– Gary, por favor, me escuta… Nós não podemos deixar…

– Cala a boca, Red! – O policial interrompeu o protesto do garoto vermelho com sua curta e raivosa fala – É uma flor muito bonita mesmo – Ele afirmou ao estender sua mão na direção da flor de íris, assim a retirando do solo e a observando por alguns segundos. Tal ação acabou por fazer a pequena criatura ficar completamente desesperada – Não precisa se preocupar, eu só queria dar uma olhada mesmo… Pode ficar com ela – Gary falou com um sorriso em seu rosto, assim entregando a flor roxa para os pequenos braços daquele estranho ser.

Ele abraçou a flor ao mesmo tempo em que uma enorme quantia de alegria desabrochava na expressão de seu rosto. A criatura marrom abaixou sua cabeça para Gary fazendo uma reverência de agradecimento para o mesmo, isso logo antes do pequenino se virar e sair em disparada na direção de alguns pequenos arbustos que ali existiam.

– Gary… Por que...?

– Olha… Eu não acho que um bichinho pequenininho que só queria uma flor é um stand de uma pessoa maligna que quer nos matar… Mas eu tenho certeza que aquilo ali era um stand de alguma pessoa.

– Aquilo me pareceu real demais pra ser um stand… Talvez possa ser uma coisa que saiu de um, ou algo assim.

– Exatamente! E a maior prova disso é que ele conseguiu ver a sua espada! – O homem afirmou com um certo brilho de alto orgulho em seus olhos, fazendo assim Red finalmente entender parte de seu raciocínio.

– Faz sentido… E o que nós fazemos agora? Deixamos ele ir embora?

– É claro! Afinal de contas, nós temos que encontrar o usuário dele e saber se ele é amigável ou não… – O policial fez uma curta pausa em seu dito, assim se virando na direção do garoto vermelho, revelando ao mesmo a existência de uma superfície delicada e completamente roxa no interior das pálpebras de seu olho direito. A superfície possuía alguns poucos furos malfeitos, criados por algo pontiagudo e impreciso, como uma caneta, em seu interior, fazendo assim dois círculos imperfeitos que formavam uma imagem muito similares a íris de um olho – Não acha…?


Notas Finais


Tudo bem que esse foi mais um cap bem grande, mas eu acho que deu pra você se divertir lendo ele! Kyekye

Vou tentar não demorar muito pra trazer os próximos caps, e eu espero que você também esteja lá pra ver… Isso, claro, se você quiser... Né? :3

Eu vejo vocês na próxima pessoal!


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