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História Saudade (One) - Capítulo 1


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Notas do Autor


❤ boa leitura ...

Capítulo 1 - Encontros


Fanfic / Fanfiction Saudade (One) - Capítulo 1 - Encontros

Amanhã vinha fria pela terceira vez aquela semana. O céu estava escuro e parecia que uma chuva estava a caminho com seu cheiro úmido passando com o vento entre as folhas das árvores, que faziam um som engraçado junto de um passarinho marrom que cantava com seu filhote no alto de galho seco. Sarada esticou as pernas cobertas pelas meias pretas e fechou os olhos para sentir mais uma vez o ar gelado agradar os pulmões. Havia tanto em que pensar ... A academia começaria no fim do mês e até as missões com seu futuro time depois da graduação já estavam a deixando ansiosa. 

Seria uma nova fase da vida, em que ela já tinha feito seu próprio acordo inconsciente para ser durona e a melhor de sua classe assim como Sakura dizia que seu pai era, pois ele tirava as melhores notas e apesar de Sarada não se lembrar dele, ela queria que de alguma forma tivesse algo para se orgulhar dela, pois talvez assim ele voltasse para casa e pensasse em ficar com ela e Sakura.

Sarada tirou da mochila preta as novas kunais que comprara com a mãe na loja de Tenten, que era a melhor ninja de armas da vila. Ela não contara para ninguém, mas já vinha treinando técnicas de arremesso desde que sua mãe lhe deras as armas, e mesmo ainda não conseguindo acertar todas de uma só vez no tronco, ela já podia arremessar de olhos fechados uma a uma que as Kunais e as shurikens paravam exatamente onde mirava.

Estava quase na horado almoço e ela sabia que Sakura procuraria por ela se não estivesse em casa para almoçarem juntas, e como a menina não tinha nenhum amigo, acabava por andar sozinha e não podia dar desculpas de estar na casa de outra pessoa. Fechou a bolsa e desceu a árvore com cuidado para não escorregar na casca molhada. Talvez as árvores sentissem a chuva, pois sempre ficavam úmidas assim que o tempo fechava, e sarada sempre gostara dessa aproximação que sentia com a natureza, pois chegava a ser até mesmo uma boa companhia.

A corrida até em casa fora outro exercício de treinamento mas dessa vez de resistência, pois o caminho era longo e ela precisava ficar mais forte para poder se tornar Hokage um dia, e mostrar ao pai como ela uma boa ninja. Ao longo da estrada vira duas pessoas de macacão verde andando de cabeça para baixo, animados e confiantes em seu próprio treinamento. Seria legal ter alguém para treinar junto com ela, já que as outras meninas pareciam mais interessadas em colher flores ou olhar os garotos.

Assim que sentiu uma lágrima escorrer pela bochecha quente, limpou quase que imediatamente não querendo demonstrar sua unica fraqueza, a saudade. Quando chegou em casa, Sakura ainda estava no hospital então deu tempo de tomar banho e limpar as botas pretas sujas de terra sem preocupações, até que a campainha tocou e sabendo que não poderia ser sua mãe, prendeu o cabelo longo em um coque alto e foi atender a porta.

Era certamente um homem lindo. 

O cabelo escuro e as roupas pretas criaram em seu corpo uma tensão de perigo, mas de alguma forma aquela imagem era familiar, com os ombros largos e os olhos frios como o garoto na foto que ficava na estante posando ao lado de Sakura. Talvez fosse ele... de qualquer forma pela primeira vez na vida Sarada perdeu as palavras, mesmo tendo uma língua afiada como o pai (segundo sua mãe).

- Ola.. - só aquele som de três letras, grave e firme fez seu coração bater mais forte. O que ela deveria dizer? talvez olá ou alguma outra coisa mais comum... - Sarada? - o homem à porta parecia um tanto confuso com o desenrolar da situação, mas decididamente estava sendo mais difícil para ela. 

Pensar que aquele homem vestindo preto da cabeça aos pés, com o cabelo tão escuro quanto o seu e o mesmo formato dos olhos abrigando as iris negras que ela mesma já havia se cansado de encarar no espelho, fosse a pessoa que fazia o chakra de sua mãe oscilar sempre que pegava o porta retrato na mesa de centro da sala, era demais para o momento.

Sarada sempre fora uma garota mais esperta que as crianças de sua idade, planejando e pensando a frente dos problemas com os olhos de águia sob as pessoas e as situações. Assim, olhar para Sasuke era como se a insegurança viesse junto de inúmeras questões das quais ela sempre procurava uma resposta em pequenas coisas que sua mãe deixava escapar as vezes.

A pequena garota apenas reparou que o fitava com o rosto se banhando de lágrimas proibidas quando aquela enorme muralha escura se abaixou e com um braço a puxou para perto em um abraço do qual ela desejou que durasse parar sempre, embaixo da capa preta, sentindo o cheiro fresco que lembrava a terra molhada em um dia chuvoso. Era um lugar apertado e escuro, do qual ela conseguia ver apenas um feixe de luz por entre uns fios do cabelo preto. 

- Papai ... - com medo de que ele a deixasse, mesmo que por instante, ela agarrou com os braços frágeis sua cintura e sua cabeça alcançou a curva funda do ombro largo de Sasuke, deixando ali toda sua saudade e choro, mas estava brava com ele além de tudo. Ele as havia deixado, havia deixado sua filha, e mesmo que Sarada tivesse a noção de que tudo tinha sido pelo bem da vila, ainda se sentia frustrada. 

Sua mão se fechou e com a dor que sentia no peito por amar tanto alguém que ela mesma não tinha muitas lembranças, bateu com o punho no ombro de Sasuke se perguntando por quê tinha que ser daquele jeito.

Quando achou que ele a soltaria para se livrar dos pequenos golpes, ele a abraçou mais forte, como se sentisse sua dor. Era um pedido de desculpa silencioso demais para ela se contentar, mas amor era algo que sua mãe lhe ensinara que não precisava ser dito, apenas sentido, e Sarada podia sentir que não era a única derramando lágrimas naquele abraço.

- Eu espero que não tenha desistido e mim ainda ...

- Nunca papai. - uma lembrança invadiu o coração de Sasuke. Era uma noite em que voltara à Konoha para entregar alguns ninjas que havia prendido nas fronteiras do  do país fogo, para que passassem pelo interrogatório da AMBU. Nesse tempo seu coração se viu pesado e com saudades de casa, e apesar de não voltar a muito tempo para a vila, ele sabia onde sua família morava pelas cartas que Sakura sempre enviava.

Elas ainda estavam morando no distrito Uchiha e Sarada tinha apenas 6 anos, então não lhe surpreenderia se não se lembrasse mais dele, contudo, para o ninja, aquele fora um dos melhores dias de sua vida. Fora a primeira demonstração de carinho que partiu de Sarada desde que segurara seus dedos com as mãozinhas pequenas logo que nascera. E para ele, sentir o amor de uma das pessoas mais importantes em sua vida, não valia o preço que pagava estando fora por tanto tempo.

Ele não vira seus primeiros passos, primeiras palavras, seu primeiro dia na escola e não sabia sua comida preferida. Ele apenas sabia que ela estava saudável e que era uma garota formidável, pois Sakura sempre colocava em suas cartas as novidades da vida de sarada, e mesmo que de certa forma aquilo o confortasse, nunca era o bastante.

Quando ela finalmente parou de chorar Sasuke viu que era a hora de deixa-la ir, então a segurou frente a ele para que pudesse fitar seus olhos e ver se eram realmente tão iguais aos seus como quando pequena. Para sua surpresa, as iris que deveriam estar escuras, agora se mantinham no tom escarlate que ele mais que ninguém conhecia muto bem. Seu coração se apertou ao pensar na dor que causara a própria filha ao ponto de despertar aquele fardo tão cedo. 

Ela certamente não merecia.

Ela passou a mão coberta por uma luva preta em seu rosto por baixo da franja, para revelar o olho roxo que ele tanto tentava esconder. E diferente do que pensava, a expressão que se abriu no rosto da pequena foi de curiosidade, e não de medo como sempre achou que seria. Seu corpo se arrepiou com aquele toque, Sarada era metade sua e metade de Sakura, mas o amor que sentia por aquele ser pequenino dava para mais de dois corações. Ele era seu pai, e ela era parte dele. Quando voltou a abrir os olhos, o direito se pintara de vermelho igual aos dela, que o encarou mais fascinada do que à alguns minutos atrás quando abrira a porta da casa.

- São como os meus ... - sussurrou surpresa ao tocar seu próprio óculos e abrir um sorriso que acabou fazendo Sasuke olhar o mais cautelosamente para aquela expressão, afim de nunca mais esquecer o sorriso que o lembrava tanto de Sakura. 

- Sasu... Sasuke - kun ... - ainda agachado olhou para a mulher que carregava uma sacola de papel marrom nas mãos. Sakura ainda era a mulher mais linda que já vira. Nunca deixara de abalar seu coração nos encontros que tinham quando ele voltava para vila, e sempre assegurando que ele não se perdesse com a luz da rosada quando partia.

De fato ela mudara um pouco desde que se viram à alguns meses, quando Sasuke voltou para casa em mais uma visita noturna para ficar com sua filha e esposa assim que percebia que enlouqueceria na estrada. Seu cabelo comprido se prendia em um rabo e ela usava a o roupão verde como o de sua mestre sob a blusa vermelha.

- Quer ajuda com essa sacola? 

De fato as duas se pareciam muito quando se tratava de personalidade. Sarada tinha sua a aparência, mas a gentileza de Sakura e a vitalidade de seu irmão. Sua mulher se voltou para a filha que ainda tinha o rosto corado e manchado pelas lágrimas com as enormes iris vermelhas tão cortantes quanto as de Sasuke, sem saber bem o que fazer, já que não esperava que os dois se encontrassem dessa forma, ela simplesmente sorriu e deixou que a alegria entrasse em seu coração.


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O dia anterior certamente havia sido maravilhoso para sarada,que não deixou o pai sozinho por um minuto se quer, levando ele para todos os cantos da vila enquanto Sakura fora chamada para uma cirurgia de emergência no hospital.

Quando acordara de manhã seguinte, não encontrara ninguém na casa além dela. As coisas estavam arrumadas como sempre e tinha apenas um pequeno bilhete de Sakura sob a mesa junto do café da manhã dizendo que voltaria tarde para o jantar. A pequena tentou não sentir a tristeza chegar aos olhos, pois nada dizia sobre Sasuke, então provavelmente ele partira para outra missão da qual os distanciaria de novo.

De certa forma se sentia traída por ele não ter nem mesmo dito adeus. Ela se abrira para o pai na esperança de que ficasse por mais que algumas horas, ou que pelo menos a considerasse para dizer alguma coisa antes de partir, mesmo que fosse apenas com um breve olhar distante, mas que fizesse alguma coisa além simplesmente ir embora mais uma vez.

Sua mãe nunca lhe ensinara como era difícil lidar com sentimentos como decepção ou saudade, pois talvez até Sakura não soubesse o que fazer diante do fato de que Sarada já havia visto ela se perder em pensamentos distantes quando achava alguma coisa de Sasuke pela casa ou olhava o porta retrato nos dias de limpeza ou depois de voltar do trabalho cansada. E Sakura sempre tentava esconder esses sentimentos com um sorriso amarelo ou limpando as lágrimas rápido para que a filha não visse.

Frustrada com aqueles assuntos, a pequena Uchiha enxugou as lágrimas que manchavam a carta, pegou a mochila e correu para o campo de treinamento, a fim de voltar a praticar os justsus de shuriken que estavam tomando grande parte do seu tempo no preparo para a academia ninja.

Sarada sempre mudava os alvos de lugar para não se acostumar a atirar em um única direção, mas sempre acertando todas as shurikens. Era difícil para ela crescer e se acostumar com sentimentos de amor e saudade, pois as coisas sempre pareciam mais intensas para ela do que para as pessoas de fora, e na maior parte do tempo ela não sabia bem como lidar com tudo aquilo,deixando que a angustia se libertasse com as shurikens acertando o centro de cada alvo que espalhara pela floresta.

O dia estava passando devagar e ela já havia comido todo o lanche da tarde que fizera para o treino, mas ainda não podia voltar pra casa e ver o lugar vazio mais uma noite, pois mesmo que por anos tenha sido assim, a chegada de Sasuke apagou pelas horas do dia anterior até mesmo as lembranças infantis do medo de abrir o armário a noite ou a sensação fria que as paredes guardavam quando ninguém ascendia a lareira no inverno.

Quando atirou sua ultima shuriken no alvo, se assustou quando outra cortou seu caminho tão rápido que se não estivesse usando seu sharingan ela provavelmente não teria visto.

- Estava procurando por você. - Sasuke se mantinha parado sob árvore atrás dela com a mesma expressão séria do porta retrato. Sarada enxugou rápido as manchas das lágrimas das bochechas, mas sabia que seu nariz vermelho e olhos inchados não esconderiam seu amor, então se virou para o alvo novamente e atirou mais uma shuriken, que também acabou sendo interceptada no caminho.

- Achei que estaria longe a essa hora ... - disse com a voz vacilante para provocar alguma resposta do pai. Sasuke sabia que ser mono silábico com Sarada não adiantaria de nada. Ela havia se mostrado uma garota muito esperta e apesar de sensível e com muitos sentimentos, poderia ser tão fria como ele.

- Nós carregamos um fardo muito grande você não acha?

- Não entendi ... - ela se voltou para o galho na árvore curiosa, com as bochechas manchadas pelo choro como Sasuke pensara.

- Esses olhos tem um preço Sarada ... - ele pulou da árvore e aterrissou bem aos pés da menina que com um olhar zangado e um bico, se afastou. - Alguém me disse uma vez que os Uchiha carregam muito amor no peito, e que esse amor nunca acaba realmente ... ele se transforma em raiva ... o preço dos seus olhos é a dor Sarada ... - sua face baixa impedia que Sasuke visse como ela se sentia pelo fios de cabelo caídos na frente, o que não o impediu de chegar mais perto do que ela gostaria, pois se com apenas um olhar ele já conseguia desarma-la, assim que aquela enorme parede se ajoelhava a sua frente ela não tinha mais nenhum desejo que não o de se deixar cair nos braços do pai para que talvez ele pudesse levar sua dor embora, e ela o perdoar mais uma vez. - Tudo bem chorar pequena ...

Sua mão forte colocou os fios e cabelo da menina atrás da orelha e sem se prender ao orgulho, não demorou meio suspiro e ela já estava em seus braços soluçando mais uma vez.


"Você sempre será minha garotinha ..."



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