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História Save Me - Capítulo 1


Escrita por: WYutaL

Notas do Autor


Aqui é a ex LYutaL! Fui obrigada a fazer uma nova conta, enfim aproveitem o cap!

Capítulo 1 - Capítulo 1 - Sombra.


Fanfic / Fanfiction Save Me - Capítulo 1 - Capítulo 1 - Sombra.

  - Tenho certeza que você vai amar a nossa casa nova -  minha mãe disse
pela milésima vez ao olhar pro banco de trás, aonde eu estava sentada. - E você vai ter seu próprio quarto com banheiro.

  O tom de voz dela parecia animado mas se prestasse bem atenção, veria que continha uma certa inquietação, como se estivesse com medo de que eu acabasse chorando ali mesmo. Seus olhos castanhos mostravam apreensão e isso estava me deixando desconfortável. Daqui pra frente serei uma grande preocupação costante para ela e padastro, invandindo suas vidas perfeitas sem consideração. Tudo culpa daquele acidente que me fez ser pega pela diretora e a policia, sendo obrigada a deixar meu pai sozinho porque ele não tinha tempo pra cuidar de uma filha adolescente. 

  - Sério? Isso é otimo, não vou  precisar esperar na fila pra tomar banho.- Falei com um falso entusiasmo.

  Me sentia um pouco mal por fingir entusiasmo mas eu estava muito cansada, iria tentar de novo em outro dia.

  - Só vai precisar entrar na fila na hora do almoço respondeu meu - padastro em um tom de brincadeira Miguel e Jude amam comer as comidas da sua mãe, assim como eu .. por isso que estou gordo.

  - Eu gosto assim meu amor! - Anne gargalhou ao olhar seu marido.- Você estava muito magrinho antes, vê- lo assim significa que anda comendo bem.

  Eles pareciam bastante apaixonados um pelo outro, assim como dois adolescentes no começo do namoro. O início da história deles começou estranhamente bem romântico e isso sempre me deixava com um pouco de surpresa e inveja. Me sentia mal por estar entre eles, então tentei focar minha atenção na paisagem fora da janela. Mesmo sentindo uma intrusa na vida deles, gostaria de tentar ser feliz de novo e ter um novo começo.

  Sim, iria me esforçar pra me dar bem com os meus meio irmãos, mesmo achando isso estranho. Além disso eu teria que tratar meu padastro bem, não fazer caretas quando ele beijasse minha mãe igual um desentupidor de pia (talvez?) Mas com certeza ia ser estranho morar com todos. Faz bastante tempo que eu não tinha uma família, com muitas pessoas em casa e agora teria que dividir várias coisas com todos.

  Mas com certeza ia ser estranho morar com todos. Faz bastante tempo que eu não tinha uma família, com muitas pessoas em casa e agora teria que dividir várias coisas com todos.    
  Quando chegamos em casa, logo percebi que a aparência dela era rustica e mais velha do que esperei.  
  A casa era grande, a pedra foi utilizada para revestir toda a área externa das parede, misturando o medieval e com campestre, telhado normando como se a casa estivesse usando um chapéu. Ela tinha cinco quartos e dois banheiros, rica em detalhes em uma forma bastante bela e só precisou uma viagem para levar todas as minhas coisas para o andar de cima.

  Fiquei com o quarto que tinha janela para o pátio de trás, era um pouco estranho na minha opinião. Tinha um quintal bonito mas olhar aquela floresta de noite poderia ser desconcertante, senti um certo frio na espinha com o pensamento. As paredes do quarto tinha uma cor lilás clarinha, com uma estante perto da janela que cabia direirinho. Fiquei impressionada ao ver meus livros que tinha uma daquelas janelas famosas; bay window, com assento e tudo. Uma cama de casal colada a parede e já tinha cobertores na cama, minha mãe deve ter comprado como um presente de boas vindas, tinha até um cheirinho de novo.

Havia uma escrivaninha também sem computador, aonde coloquei meu laptop. Eles tinham preparado o quarto com bastante carinho, dava pra ver esforço que fizeram para deixar o meu quarto o mais confortável possível e bastante feminino. Tinha até uma penteadeira branca com um banquinho com estofado felpudo brilhante branco. Caramba, eu nunca tive um negócio desses, nem tive necessidade de ter um, apenas o espelho do usava banheiro. Havia um banheiro pequeno ali como minha mãe me avisou e isso me deixou aliviada.

  Mamãe me ajudou a guardar algumas coisas no guarda roupa apenas pra ter alguma desculpa pra ficar mais tempo comigo e provavelmente conversar sobre a razão de eu ter sido encontrada com drogas junto com aquele grupinho suspeito, só que não estava com humor pra entrar nesse assunto justo nesse momento. A viajem tinha sido longa e a ultima coisa que eu queria era lembrar da merda a qual fui arrastada.

  - Está tudo bem mesmo, Mia? - quis saber ela. - Eu sei que é uma mudança muito grande. Sei que é pedir muito de você...

  Eu tirei meu casaco de botões, Não sei se já disse, mas estava quente à beça para o mês de janeiro. Uns 26 graus. Eu quase havia torrado no carro.

  - Está tudo bem, mãe - respondi baixinho, sabendo que ela estava tentando entrar no assunto com algo mais leve primeiro.- Mesmo.

  - Estou querendo dizer que pedir que você se separasse do seu papai, de David, de Brooklin... Foi egoísmo meu, eu sei. Sei que as coisas não têm sido... como dizer, fáceis para você. Especialmente desde que seu pai e eu nós separamos mas quero que saiba que você não foi a razão.

  A voz dela falhou na hora como se não soubesse como continuar e isso me deixou um pouco nervosa. Eu não queria entrar nesse assunto agora também, por que era muito cansativo lembrar de tudo e já sabia no que iria dar.

  - Não precisa se desculpar por isso mãe! respondi soltando as - roupas na cama.- Sério mesmo, eu estou de boa com tudo o que está acontecendo e estou até animada em morar em um lugar aonde a praia está tão perto.- Dei um sorriso largo pra ela, mostrando todo meu entusiasmo para que não se preocupasse tanto comigo e que esquecesse o assunto principal também.

  Me senti muito mal por arrastar minha mãe e sua vida perfeita junto comigo. Sei que ela desejava que eu fosse mais como ela; popular, atlética e maravilhosa. E é claro bastante comunicativa e criativa mas infelizmente..nunca fui nada disso, talvez só a parte da beleza? Na escola nunca me destaquei em nada por passar maior parte do tempo a dormindo nas aulas, não sei como consegui passar de ano todas as vezes.

  Normalmente não me metia em problemas mas quando acontecia, sempre virava motivo pra ela tentar me fazer me sentir culpada; tipo igual àquela vez que encontraram um celular na minha mochila e demorei um tempão pra fazer eles perceberem que não fui eu, mas acabei pegando suspensão até descubrirem que tinha sido um cara chamado Brad que colocou lá e no final não pediram desculpas pra mim..apenas ficou como estava.
   E as vezes me metia em brigas necessárias que era quando algum cara tentava assediar alguma menina, então ia lá e quebrava a cara dele mas no final eu era a "única" errada da história.

  Mamãe já estava careca de saber que as vezes eu ficava um pouco irritada com essas injustiças e tentava fazer algo a respeito mas em nenhuma delas fui pega com drogas. então ela estava hesitante e estarrecida.

   - Eu fico feliz de ouvir isso..se quiser amanhã podemos dar uma volta na praia juntas - ela respondeu feliz com meu humor.- Tomar um solzinho vai te fazer bem, está tão pálida.

  - É uma boa idéia...

   Ignorei seu comentário e voltei a arrumar as roupas no guarda roupa.

  - Mia, seja sincera comigo - minha mãe voltou a falar.- Você estava usando crack com aqueles delinquentes?

  Ofeguei com a pergunta indiscreta e peguei mais algumas roupas da mala antes de olha-la nos olhos, parecia que iria chorar a qualquer minuto como se isso fosse a pior coisa do mundo. Bem, é claro que drogas era a coisa mais horrível do mundo mas eu já tinha dito várias vezes que não usei nada. Só fui pega lá pela polícia, porque um cara que gostei...me fez ir. Achei que iriamos para uma festa de alguma escola vizinha mas quando cheguei lá, não tinha festa nenhuma.
 
  - Não, eu não usei nada, mãe - disse eu, o mais calma possível e sem revirar os olhos como uma criança.- Só estava no lugar errado e na hora errada.

  - Então por que você fugiu depois de dizer que foi culpa de um tal de Levi? - ela exclamou em um tom sério.

  - Porque foi culpa dele mesmo!! - resmunguei com irritação.- Confesso que escolhi a forma errada de agir na hora, invés de ficar calma e mostrar que não estava fazendo nada de ilegal mas acabei entrando em pânico e fazendo merda. Era um tipo de situação que eu nunca mais esqueceria e agora tinha entrado pro top 10 das merdas vergonhosas que fiz na vida.

  - Aquele garoto te forçou a ir pra usar drogas juntos? Seja sincera comigo, Mia! - Ela disse cruzando os
braços sobre o peito.

  - Não, já disse que não usei droga nenhuma e ele não me forçou a ir..apenas me convidou, dizendo que seria uma festa e que era pra mim encontrá-lo lá. Então foi onde deu tudo errado e o resto você já sabe.

  Engoli em seco quando me dei conta que estava gritando em irritação e os olhos castanhos dela estavam arregalados com a minha explosão, normalmente eu era uma garota muito calma. Mas o que eu poderia fazer? Ela tinha me pressionado demais! Fui pressionada pela diretora, pelos policiais e agora por ela..isso era demais pra minha cabeça.
  A única coisa que queria nesse minuto eratomar um banho pra relaxar e chorar um pouco, lembrando da péssima decisão em confiar em Levi que me enganou totalmente. Mamãe não respondeu nada de volta, ficando um pouco pensativa por uns minutos e separei uma roupa para vestir depois do banho, mostrando pra ela que queria um pouco de espaço.

  - Você está falando a verdade mesmo né? ela quebrou o silêncio e sua voz parecia sensibilizada. Mordi os lábios pra conter minha irritação e meu embaraço, não sabia que isso iria me deixar tão mal.

  - Sim, estou falando a verdade - respondi lentamente.razão pra mentir e me desculpe de novo. Ela ficou me olhando por uns minutos com o olhos cheios de lágrimas e isso me cortou o coração. Eu estava deixando minha mãe triste de novo, tudo por culpa de um erro meu!
  Quando tentei fazer algo diferente e sair da minha zona de conforto acabou em um desastre. Mamãe soltou meu xampu na cama me abraçou, antes que pudesse dizer mais alguma coisa me fazendo ficar surpresa. Podia sentir suas lágrimas molhando meu ombro me deixando triste por ser o motivo delas e tentei conforta-lá.

  Senti um certo nervosismo porque o padastro iria perguntar a razão dela ter chorado e isso me deixava um pouco temorosa, seria mais um motivo pra ele me odiar. Quando finalmente ela ficou calma, pediu desculpas por não acreditar em mim e que se sentia culpada por não ter me defendido lá na delegacia, e estava agradecida por eu ainda não ter feito 18 anos porque se não..eu teria sido presa.

  - Vou deixar você sozinha agora, pode tomar seu banho querida. – ela disse com um sorriso nos lábios, antes de sair do quarto. Resolvi tomar um banho demorado e usar meu shampoo novo de camomila para me acalmar com o cheiro e deixar meus cabelos loiros bem macios.

  Amava fazer essa etapa porque era como uma terapia pra mim, apenas minhas mãos entre meus cabelos e o shampoo. Mas antes de tudo deixei meu colar em cima da cabeceira da cama e fui tirando as roupas durante o caminho. Hoje eu iria fazer uma coisa normal, tentar ter um momento em família e comer a comida gostosa da minha mãe, também tentar ignorar os olhares julgativos dos meus "irmãos". Fazia tanto tempo que não comia nada do que ela preparava. Comia sempre fora, já que me sentia solitária em cozinhar apenas pra mim e papai não tinha tempo de ir pra casa por causa do trabalho.

  Soltei um suspiro pesado ao me lembrar da face cansada e assustada dele, espero que ele esteja bem agora e que não tenha pulado nenhuma refeição. Bem, agora o fardo cairia em cima dos ombros da minha mãe e isso não me deixava aliviada. Eu estava ansiosa pra completar 18 anos me tornar totalmente independente da minha própria vida para não depender mais dos meus velhos. Assim tudo ficaria bem e eu não iria mais ser um peso morto em cima deles que sugava suas vidas. Meus olhos se encheram de lagrimas com os pensamentos, sei que as coisas vão melhorar pra ele agora, não vai mais precisar se preocupar com meu bem estar e vai poder finalmente seguir em frente sem mim.

  Tentei ignorar incomodo do meu peito e coloquei meu roupão assim que sai do banheiro. Mordi os lábios em confusão por um momento, quando vi algo de estranho na sombra que estava projetada no chão sobre o tapete branco no meio do quarto, me fazendo perder a linha de raciocínio e travar na entrada do banheiro.

  Que merda é essa? O cansaço estava finalmente afetando meus processos cognitivos? Havia uma sombra grande que parecia de um corpo e a parte que parecia ser de pernas e saia debaixo da cama até formar o resto da sombra projetada no chão e o pior de tudo era que a sombra não era minha! Da única alma viva naquele quarto e era nesse momento que eu deveria gritar igual uma louca. Mas não consegui mexer nenhum músculo ao encarar aquela cena grotesca e estranha. Como era possível isso? Não tinha ninguém de pé e de costas em cima da cama pra criar essa sombra.

Arregalei ainda mais os olhos quando me aproximei mais perto pra tentar tocar a sombra com o pé mas de repente a luz do abajur foi apagada; escurecendo todo o quarto e me fazendo soltar um grito alto.

  Meu Deus, Meu Deus, Meu Deus! Que merda estava acontecendo? Tinha algum demônio no meu quarto?! Eu não conseguia enxergar nada naquele escuro mas ainda sim, não consegui fechar os olhos por conta do medo e parecia que meu coração iria saltar do peito a qualquer momento. A minha maior vontade naquele momento era sair correndo do quarto de roupão mesmo e contar pra todo mundo. Só que não iria adiantar nada, eu não sabia que estava acontecendo naquele momento e mesmo depois de ter visto com meus próprios olhos, não conseguia acreditar. Podia até sentir meu corpo tremendo de medo e me afastei da cama aos tropeços.

  Estava basicamente cagada de medo naquele momento, então pela primeira vez na minha vida a razão me impediu de tomar um decisão impensada de novo, porque isso poderia custar caro como nas últimas vezes que fiz merda. Peguei minhas roupas de cima da cama e corri pro banheiro sem olhar pra trás. Depois de me recompor e me vestir devidamente, sai do banheiro um pouco cautelosa e com um certo medo de ver alguma coisa horrível.
   E mesmo que eu estivesse mais calma agora, meu cérebro não parava de pregar peças comigo ao me fazer imaginar várias cenas aterrorizantes que me fazia tremer levemente.

  O quarto continuava do mesmo jeito, ainda com a luz apagada e a primeira coisa que fiz foi ligar o abajur sem pressa que voltou a iluminar um pouco o quarto. Meu olhar recaiu no lugar aonde estava a sombra estranha minutos atrás mas felizmente não havia nada de errado. Até que percebi algo brilhante no chão e acabei notando que era meu colar.perto da penteadeira, A cama ficava numa distância grande em relação a ela, então como foi parar ali? Não tinha como ter caído sozinha sem que alguém tivesse mexido mas eu não vi ninguém entrar no quarto. Tremi com a lembrança daquela sombra porém ignorei, por qual razão ela iria entrar aqui, apenas pra pegar meu colar? faria mais sentido se fosse pra pegar meu pescoço. então está tudo bem.

  – Mia, vem jantar! Minha mãe chamou, me fazendo pular de susto.

  – Já vou! – gritei ofegante ao pegar o colar do chão e correr pra me vestir.

  Quando desci pra ir jantar, a casa estava dominada por cheiro um maravilhoso, minha barriga até roncou na hora. A mesa estava cheia com diversos pratos parecia até um banquete na minha opinião e todos da casa já estavam a mesa numa conversa bastante animada. Se a minha barriga não estivesse doendo, eu até poderia ter me sentido desconfortável com a animação de todos.
  Mamãe estava colocando comida para o pequeno Jude que não parava de tagarelar sobre alguma coisa haver com besouros. E Miguel enchia seu copo com refrigerante ao conversar com seu pai.
 
  Decidi me sentar ao lado de John que parecia alheio a conversa na mesa. Me senti um pouco emocionada ao ver algumas das minhas comidas preferidas, macarrão ao pesto, strogonoff de frango e porco assado mas havias mais outras comidas.

  – Filha, você está animada em estudar numa escola diferente? - ela perguntou de repente.

  – Até que sim - falei distraída, me servindo de strogonoff – Estou  ansiosa para aprender coisas novas, ouvi falar que as aulas de ciências são ótimas.

  - Tenho certeza que você vai  amar a nova escola, ela é uma das melhores daqui - comentou Richard com orgulho.

  É claro que e uma das melhores, você praticamente me colocou numa escola de rico. Porque parece tão orgulhoso? A escola nem era dele pra sentir isso, era é apenas professor de geografia...talvez ele esteja orgulhoso do próprio dinheiro. Tenho certeza que é mil vezes melhor do que a minha antiga escola pública, ela era bastante simples e nem pouco requintada.
   Mal tinhamos ventiladores nas salas de aula e ainda usávamos quadro negros enquanto as outras escolas já usavam aqueles quadros brancos e a maioria das faxineiras pediram demissão, então nós tinhamos que limpar tudo sozinhos. Tirando tudo isso, ainda era uma boa escola e aprendi bastante nela. Não sei se iria conseguir me adaptar numa escola aonde só tem almofadinhas.

  - Porque não me matricularam numa escola pública? O ensino é quase a mesma coisa.

  - Você merece, apenas aproveite -
ela comentou ao colocar comida no próprio prato.

  - Richard e eu decidimos que daqui pra frente você só teria o melhor. E nessa escola tem ar condicionado em todas as salas e várias outras coisas boas que escolas públicas não tem - explicou meu padastro como se estivesse falando com uma criança de seis anos. - Além de que o ensino é mil vezes melhor e as crianças daqui não são arruaceiros.

  - Ele está querendo dizer que essa escola é mais segura e existe um ensino melhor. Isso vai te ajudar bastante meu amor - minha mãe respondeu antes que eu pudesse abrir minha boca.- E seus amigos vão estar lá pra te ajudar, certo? - Ela sempre tentava intervir nossas conversas quando percebia que iria acabar dando briga e eu ia acabar pulando no pescoço do velho. Meu Deus do céu, quem aguenta conversar com um cara desses.
 
  - Sim, acho que vocês tem razão sorri educadamente, escondendo que eu estava cerrando os dentes para não dizer nada rude.

  - Figuei sabendo histórias terríveis de drogas e violência nos colégios públicos aqui da região.. - comentou Miguel.- Mia, você usa drogas?

  A mesa ficou silenciosa com a pergunta do moleque e tentei não demonstrar que eu fiquei puta de raiva. Meu padastro o olhou com irritação e minha mãe parecia espantada porque aquele assunto estava restrito em casa.

  - Não – respondi com indignação ao enfiar um pedaço grande de porco na boca. Torcendo para que eles não tocassem naquele outro "assunto".

  –  Se é pra abrir sua boca pra falar besteira, então fique calado – Richard - rallhou com o filho, que apenas deu de ombros com a bronca.

  A única pessoa que parecia um usuário de drogas era o próprio Miguel, completamente besta e sem cérebro. Sempre estava com aquela cara de sono e vivia aéreo, quando abria a boca era pra falar bosta. Eu sinceramente não conseguia ver qual era a vantagem de ter irmãos: eles comiam com a boca aberta e acabavam com todos os bolinhos de carne antes que eu conseguisse chegar perto de um.

  – É claro que ela não usa drogas, minha filha não seria doida da cabeça pra usar essas porcarias. Eu deserdaria ela.

  Revirei os olhos com as palavras dela e enchi mais a boca de comida pra não falar nada.

  – Pai, você vai me emprestar seu carro pra ir pra escola amanhã, não é? - perguntou John de repente.

  - Só se for com a Brasília e vai ter que levar seu irmão e a Mia junto. John fez uma cara feia com a condição do pai e despedaçou o peixe que tinha no prato.

  - Mas e o camaro?
 
  - O camaro não, eu já falei John - ele respondeu com o olhar no seu prato, nem um pouco incomodado com a irritação do garoto.- Já disse que o  carro é do meu chefe.

  - O Diretor não tem garagem pra guardar um carro? – perguntei confusa com a situação mas deixei sem querer o sarcasmo escorrer.

  - É claro que ele tem - ele riu  com a minha pergunta, nem um pouco ofendido como achei que ficaria.- Ele me pediu pra ficar com o carro por alguns dias e levá-lo a oficina.

  Observei sua expressão despreocupada em busca de algum nervosismo mas concluí que ele estava falando a verdade. Isso parece um pouco estranho pra mim, o Diretor pediu pra um professor cuidar do carro dele? Ele poderia ter ido pessoalmente invés de mandar um professor. Talvez eu esteja pensando demais..Fiquei em silêncio depois disso e apenas foquei na comida até ela acabar.

  Assim que o jantar terminou; todos se dispersaram da mesa e os meninos foram pro quarto, sem incluir Jude que parecia muito ocupado brincando com seus carrinhos no chão. E essa era a hora de eu me mandar pro meu quarto também e continuar a escrever meu conto mas um certo medo percorria meu corpo, me fazendo escolher ficar sentada no sofá com a mamãe e o Padastro.

  Eles estavam conversando e vendo algum filme antigo que eu não fazia idéia de qual era, mas percebi que não faziam necessidade de me incluir naquele momento. Só que havia um certo desconforto pairando sobre meu coração, sentia que estar ali não era o certo pra mim. E a qualquer momento isso iria parecer ainda mais incerto como naquele dia que minha mãe implicou com tempero do meu miojo que ela mesma tinha comprado, porque segundo ela; o cheiro muito forte e poderia era incomodar o olfato do Richard! Só de lembrar disso me deixava indignada com essa loucura. Talvez seja melhor enfrentar a sombra do meu quarto... Desisti de continuar na sala assim que começou a sessão de beijos dos dois e me obriguei ir pro quarto. Levei até um prato com um pouco de sal grosso pra espantar a merda que tinha no meu quarto e um pouco de batata frita também pra minha mãe não estranhar. Só que felizmente não havia nada de errado no meu quarto, estava do mesmo jeito que eu tinha deixado. Então deixei pra lá e continuei a escrever meu conto enquanto comia as batatas fritas.

                             (...)

  Senti um certo frio se apossar do meu corpo e mesmo antes de abrir os olhos, soube que era por causa da brisa que saia pela janela. Eu tinha deixado a janela aberta enquanto escrevia e no final acabei dormindo na cadeira.        Soltei um resmungar de dor antes de sair da cadeira aos tropeços em direção à janela aberta que fazia as cortinas brancas dançarem lentamente com o vento suave e foi nesse momento que abri OS olhos completamente em uma tentativa falha de fecha-la. Até os mosquitos já se faziam presentes no meu quarto por causa do meu descuido.

  - Mosquito filho da puta.- resmunguei ao esfregar minha orelha quando escutei um deles passar perto do meu ouvido zumbindo. Assim que abaixei o vidro pra voltar a dormir (mas na cama dessa vez) notei algumas folhas de árvore caidas no chão ao lado da janela. Elas não estavam ali antes e as folhas não pareciam ser das árvores do quintal que poderiam ter sido levadas pelo vento; eram esqueletos de folhas secas de outra espécie que não existia na Califórnia. Peguei um punhado na mão e alisei o limbo de uma das folhas com o dedo, enquanto me sentia um pouco tonta por causa do sono interrompido.
  Mordi  os lábios em confusão ao esfregar os olhos, porque eu estava perdendo tempo analisando folhas? Com certeza era apenas de alguma árvore por perto. Não sei porque afirmei que essa espécie de árvore não existia Califórnia! Talvez eu esteja pensando na demais de novo.

Joguei fora as folhas na lata de lixo sem muito caso contornei a penteadeira pra pegar o prato vazio das batatas fritas de cima da escrivaninha e levar lá pra baixo. Eu já tinha tudo planejado; salvar meu texto, fazer minha higiene e amarrar meus cabelos loiros antes de finalmente cair na cama mas dei um pulinho de susto quando vi uma sombra parada na porta.

  - Ai meu Deus.- chiei assustada, sentindo meu coração batendo loucamente no peito. Por um momento achei que fosse aquela sombra estranha mas era apenas a minha, tinha certeza disso porque quando ergui a perna a sombra fez o mesmo e depois acenei apenas pra zoar; me sentindo uma tapada por duvidar de uma sombra..isso parecia estranhamente familiar.

  Me fez lembrar vagamente daquele desenho da Disney do menino que perdeu sua sombra e nunca mais pode voltar pra casa..que era seu lar mágico?! Não, não era isso. Segurei o prato com cuidado nas mãos resolvi deixar aqueles pensamentos de lado, mesmo sentindo um certo arrepio quando parei na entrada da porta.

Mas sério, como era o nome dele mesmo? Percebi que o corredor estava escuro, assim como o resto da casa porque todos deveriam estar dormindo agora e senti uma certa vontade de me bater por dormir em cima da escrivaninha.
   Eu tinha que atravessar esse corredor inteiro toda cagada de medo, mas assim que me encontrei no meio do corredor acabei dando um encontrão em alguém; fazendo o prato cair e se quebrar em vários pedacinhos. Por um momento achei que fosse meu irmão John mas arregalei os olhos quando vi o garoto voando no ar e ele parecia tão assustado quanto eu.

-  Aaaaaaaah.- gritei horrorizada.


Notas Finais


Eu ainda não desisti dessa fanfic meus leitores, eu perdi o email e a senha da minha conta original gente, fui obrigada a criar uma nova conta então não estranhem. Tou muito triste por ter que começar a postar tudo de novo.


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