História Save Me From Me - Capítulo 2


Escrita por: ~

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Categorias Originais
Personagens Personagens Originais
Tags Amor Entre Garotas, Colegial, Garotas, Lesbicas, Original, Personagens Originais, Save Me, Save Me From Me, Sexo, Yuri
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Palavras 3.580
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Comédia, Drama (Tragédia), Famí­lia, Festa, Ficção Adolescente, Hentai, Romance e Novela, Violência, Yuri (Lésbica)
Avisos: Adultério, Álcool, Bissexualidade, Drogas, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Mutilação, Nudez, Pansexualidade, Sadomasoquismo, Sexo, Suicídio, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas do Autor


△ Cincinnati foi usado neste primeiro capítulo e será usado nos outros, aparentemente. Escolhi como estado Ohio, para que a história se passasse. Ohio é um dos cinquenta estados dos Estados Unidos, localizado na região Centro-Leste. O Ohio é um dos principais polos industriais do país. Cincinnati é uma cidade do estado americano do Ohio. É a sede do Condado de Hamilton no extremo sudoeste do estado. É banhada pelo rio Ohio, que a separa do estado de Kentucky e é conhecida como a "Queen City" ou simplesmente "Cincy"

△ Boa leitura! Caso queiram me seguir ou serem meus amiguinhos, tamo ai.

@_Error

Capítulo 2 - I


Fanfic / Fanfiction Save Me From Me - Capítulo 2 - I

Encheu-se até a borda.

E então, sua respiração finalmente, falhou.

06:30

Devagar eu catava todos os cacos, sentia-me tão quebrada quanto eles. Juntava-os todos em uma pequena sacola plástica, antes que meu pai acordasse e trouxesse sua visita para sala. Meus olhos ainda pesavam pelo sono, mas não conseguia – nem podia – mais dormir. As noites se tornaram bem mais solitárias agora, sem você para apagar a luz e brigar comigo pela manhã por ter deixado-a acesa. Silêncio, como eu amava. Era difícil ter silencio nessa casa, lembra? Quantas vezes te vi rir, tanto quanto te vi chorar. Como eu odeio o silêncio dessa casa agora.

Distrai-me com os pensamentos, automaticamente machucando-me. O sangue escorria por meu dedo indicador, chamando a atenção em meio à pele tão pálida. O vermelho estava se tornando algo presente ultimamente, diferente de você que sempre gostara de tons pastel. Admirei-o. Um pouco psicopata, admito! Aquela sensação ao ver o sangue descer por meus dedos até contornar toda minha mão estava a hipnotizar-me.

Suspirei.

Eu andava tão desatenta ultimamente, sempre me pegava em devaneios de minha mente. Com certeza não muito saudável. Decido então levantar-me, logo sentindo minha cabeça rodar. Fechei os olhos bruscamente na tentativa de fazer aquela tontura passar, o que aconteceu segundos depois. Eu conhecia bem essa sensação, estava me sentindo fraca e enjoada, em outras palavras; ressaca. Eu me considero alguém bem forte para álcool, e apenas um vinho não me deixaria nessas condições, isso era resultado de muitas outras noites cumprindo a mesma rotina de bebedeira. Isso não pode ser chamado de superação, pode?

Aproveitei por estar indo ao banheiro e levei comigo a sacola de vidros, jogando-a no lixo. Encarei-me no espelho grudado na parede, logo acima do lavatório. As olheiras pediam para serem notadas. Qualquer pessoa poderia julgar que minhas noites não estavam sendo aquelas coisas. Eu mudei depois que se foi. Abri o armário, fazendo com que o espelho se escondesse. Peguei a cartela de aspirinas, apenas duas, precisava comprar mais uma caixa. Ao ir em direção a porta, em busca de um copo d’água na cozinha, sinto algo voltando de mim. Por puro reflexo corri de volta, aproximando-me do vaso sanitário. Eu sempre odiei a sensação de vomitar. Sentia-me vazia.

Poético.

Lavei as mãos e enxuguei a boca, engolindo o remédio seco mesmo. Eu ainda não havia acabado, lembrei das condições em que eu deixara o tapete noite – madrugada – passada. Rapidamente retirei-o da sala, as manchas provavelmente não sairiam mais. Coloquei-o na lavanderia. Devo-te desculpas. Percebi estar atrasada ao olhar para o grande relógio de parede na cozinha. Corri para o quarto. Era quase surreal o tempo que gastei apenas em pensamentos. Ao subir as escadas pude ouvir risadas do andar superior. Desejei não presenciar nada. Nada surpreendente. Apenas mais uma que eu encontrava saindo do quarto.

— Não cansou, baby? — disse entre risadas maliciosas.

Desagradável. Era como descobrir de onde os bebês veem aos sete anos de idade. Apenas ignorei, eles não pareciam estar incomodados com minha presença, diferente de mim. Ela era o oposto de você. Exalava desejo e usava sua pele negra em contraste com cores fortes. O vestido vermelho sangue marcando bem o corpo curvilíneo – parecia gostar da cor – fazendo questão de mostrar o que tinha por baixo daquele tecido fino. Os cabelos pretos desciam em molas até sua bunda, onde os cachos se rebelavam. Ao descer o olhar pude perceber o que lhe faltava; estava descalço.

A dona dos saltos.

Fechei a porta assim que passei pela mesma, abafando qualquer som exterior. Não tive tempo para pensar em banho, eu sempre demorava. Você nunca gostou disso, era tão controvérsia. Eu passava horas no banho, enquanto você, rapidamente. Eu me arrumava em cinco segundos, e você meia hora. Passei a gastar mais água depois que se foi.  Abri o grande armário de madeira escura. – assim como o resto da casa – A visão não mudou muito, continuavam pretas, um pouco mais amarrotadas agora.  Vesti-me como todos os outros dias, peguei a primeira roupa que me apareceu. Simples. Dessa vez, pelo menos, fiz questão de jogar uma jaqueta de couro por cima. Avisei-te, cinco segundos.

Eu havia perdido a fome, não comia bem fazia dias. Eu sentia falta de suas panquecas, o cheiro invadia-me logo pela manhã. Mel, sempre mel. Por isso eu comia apenas as beiradas, eu odeio mel! Eu não estava com vontade de comer, mas sabia que passaria mal se não ingerisse nada além de álcool. Na expectativa de evitar problemas, encaminho-me para cozinha, na esperança de que tenha sobrado pelo menos uma maçã desde a última compra. Já não ouvia mais nada vindo do corredor, os dois não estavam lá. Provavelmente no andar de baixo, para o qual me aprontei ir. Eu possuía uma grande habilidade de me atrasar, até mesmo quando o horário estava ao meu favor. Eu perdia meu tempo pensando em você. Concordemos.

Em lembranças hipérboles. Exageradas. Onde achei que seria para sempre. Mas então, partistes antes do combinado. Eu não lhe julgo por ter feito o que fez. Não podes me julgar! Estou cheia de perguntas, apenas. E elas nunca terão uma resposta, pois o para sempre que imaginei foi muito longo para você. Entendo, tempo demais, mãe. E então, eu fiz novamente. Presa em devaneios em meio à escada, apenas atrasando-me. Perdendo um exagero de tempo.

Hiperbolicamente.

Olhei para a fita formada por pequenos ladrilhos brancos da cozinha, onde se estendiam de canto em canto, complementando os desenhos de flores e frutas que se espalhavam pela parede. Mesmo passando a maior parte do tempo fazendo observações, parecia que não prestava mais atenção em minha própria casa. Não me sinto parte dela. Afinal, você a decorou. Agradeci mentalmente por ainda sobrar algumas maçãs na fruteira e peguei uma. Em seguida a mochila preta e surrada, nunca fiz questão de mudar. Eu gostava dela, era o essencial. Guardei a maçã no menor bolso e coloquei-a em minhas costas. Lembrei-me dos intervalos escolares, onde me enchia com lanches antes de sair de casa. Colocados sempre em potinhos tampados para que eu comesse-os depois.

Com agilidade corri para porta, as vozes vindas do pequeno jardim depois da lavanderia foram grandes incentivos para minha pressa – que até então estava relaxada, mesmo com o atraso –. Tarde demais, deveria ter sido mais rápida. Fugir agora seria algo inapropriado, mas que eu desejava muito fazer.

— Então você é a filha?! — não soou como uma pergunta. A filha. Isso era estranho e desconfortável. A mulher que a pouco havia visto no corredor estava a puxar papo comigo. Não que nunca tenha acontecido, apenas nunca fora confortável.

— Sou eu. — disse por fim — Com licença, estou atrasada. — Quem disser que estou tentando escapar dessa conversar extremamente irrelevante e com nenhum fundamento em minha vida, merece um doce por pensar em palavras tão certas.

— Mas já? Acabamos de nos conhecer. Nem ao menos sei o seu nome, querida! — Sentia um sarcasmo no ar. Querida, que inadequado. Percebi que com sua quase confirmação, esperava uma resposta de mim. A negra batucava suas unhas grandes e pintadas, em uma sequência irritante. Parecia impaciente com a demora por respostas.

— Acredito que não tenha vindo por mim. Não faz diferença meu nome, faz? — respondi sem nenhum sentimento pairando sob mim. Apenas respondi sem me importar. Entendi seu silêncio e feição desgostosa como uma ótima deixa para retirar-me. Assim fiz. Logo, estava do lado de fora de minha casa.

Senti o vento gélido em meu rosto assim que passei pela porta atrás de mim, segundos atrás. Por sorte minha jaqueta impedia que este mesmo vento passasse para meu corpo quente. Não precisaria voltar para dentro em busca de alguma outra blusa para aquecer-me, essa dava total conta do serviço. Com meus grandes coturnos marrons eu ia em direção oposta de minha casa, pisando na pouca grama cuja neve fazia questão de tampar mais e mais a cada piscar. Após alguns passos já podia avistar minha moto. Para falar a verdade, eu não andei nada, apenas estava do outro lado da calçada. Eu sempre me esquecia de guardá-la na garagem, por sorte Cincinnati nunca fora conhecida por grandes perigos, ainda mais onde eu moro. No lado mais calmo do estado de Ohio. Uma Harley Davidson 1200 preta. Porra, como amava essa moto! Eu e meu pai havíamos montado-a juntos, quando ainda possuíamos algum vinculo – mesmo que pouco –. Eu divertia-me indo as ruas enquanto pilotava-a. Sempre recebendo olhares, principalmente de homens carrancudos. Como se pensassem: Uma garota deveria pilotar uma moto menor, pelo menos.

Antiquados.

Pude ver-me no pequeno retrovisor assim que senti o aconchegante assento abaixo de mim. Meus cabelos negros – acima dos ombros, mas abaixo das bochechas – estavam levemente desarrumados. Na verdade, nunca me importei.  Eu gostava assim, para ser sincera. Ignorei meus pensamentos que muitas vezes pareciam surgir involuntariamente e coloquei meu capacete preto coberto de adesivos de bandas dos anos 80. Ouvi o motor rugir ao dar partida. Admito; já fizestes sons melhores, carinha. Pensei comigo mesma em dar uma passada no mecânico. Provável que eu esquecesse pelo fim do dia. Ao sentir o vento invadir-me e a sensação gostosa de adrenalina tomar conta de mim, sabia que estava em direção ao meu destino.

[...]

Estreitei os olhos novamente, na esperança de conferir em meu papel – o qual havia rasgado de meu caderno, algumas semanas atrás – se aquele endereço estava correto. As letras malfeitas e com caligrafia um tanto difícil não facilitavam nada. Sem contar o estado do papel; amassado. O mesmo havia ficado tanto tempo dentro do bolso jeans que começara a se desintegrar pelas beiradas. Encarei novamente o local, e então o papel, o local, o papel. Acho que eu só estava tentando adiar ainda mais minha ida até lá. Mesmo já estando completamente atrasada, torcia para que já houvessem acabado. 

Casa de Apoio: Live Well 

Acredite, eu mais do que ninguém, também me perguntava o que fazia aqui. A resposta é que fui praticamente obrigada a vir pelo diretor Hanson, dizendo-me que isso seria bom para mim depois de tudo o que aconteceu. Que poderia ajudar no meu desenvolvimento, que estava baixo ultimamente.  Meio que minha responsabilidade de vir havia acabado quando fui expulsa da academia. É isso ai. Minhas notas esse semestre estavam baixas, pior ainda para sustentar uma bolsa. Então a perdi. Isso faz a questão do o que estou fazendo surgir novamente. Eu não sei. Acho que tentando fugir da minha casa e escondendo-me atrás da responsabilidade que nem tenho mais que cumprir. É impressionante como todos que dizem que eu tenho um enorme potencial, é logo após dizer que estou desperdiçando-o. Óbvio.

Desci assim que estacionei minha moto na calçada do estabelecimento, junto a algumas bicicletas que ali estavam. Era pequeno o local, olhando por fora. Não era algo de se amedrontar, mas também não me parecia muito convidativo. Era como um posto de saúde. Pintado em um azul acinzentado, deixando tudo meio mórbido. Acho que a intenção de uma casa de apoio é causar sensações contarias de tudo isso. Repensei duas, três, quatro vezes. E finalmente, empurrei a porta também cinza e levemente enferrujada. Logo senti o cheiro do local, somente confirmando o que meus olhos haviam visto segundos atrás, remetiam-me a um posto de saúde. Questionei-me se estava no lugar certo, mas minhas dúvidas foram esclarecidas ao ver um grande cartaz branco, esticado de ponta a ponta, com os dizeres Estamos com você, pintados com letras grandes e cores verdes; a cor da esperança.

Mais uns passos e pude ver um circulo formado por cadeiras de plástico na cor cinza – nada de novo –. Umas cinco a seis pessoas. Surpreendi-me. Confesso estar esperando por menos, nunca imaginei que pessoas realmente viessem nesses tipos de reuniões por pura e espontânea vontade. Estranhos. Dentre essas seis pessoas, uma delas estava de pé, no meio da roda. Parecia comandar a brincadeira. Todos os outros estavam vendados e sentados. Na direção esquerda outra mesa, desta vez coberta por uma toalha quadriculada, vermelha e branca. Sob a mesma, biscoitos e café. O que faço agora, apenas entro na roda? Eu nem mesmo queria vir, pensei que todos já estariam indo embora e eu só falaria um: Oi amigos, tchau amigos. Perdida em pensamentos novamente, quando a moça notara minha presença. Por sua aparência parecia ter uns quarenta e três anos, talvez mais ou quem saiba menos. O corpo magro era coberto por mantas hippies, com diversas cores. Os cabelos louros presos em uma trança, com uma flor de enfeite. Era tão contente. Uma felicidade que doía os olhos – os meus olhos – mas aquele estilo combinava com ela, aparentemente. Sorriu-me.

— Olha só! — sua empolgação não mostrava a realidade. Como pode ficar tão empolgada apenas por ver mais uma pessoa; eu. — Quase não te vejo ai, novata. — aproximou-se de mim, o máximo que consegui fazer – e ainda muito mau – foi dar um sorriso broxante. Estava sentindo-me desconfortável por não conhecer ninguém e por estar fazendo isso.

— Cheguei muito atrasada? —perguntei-lhe bem mais pela educação. Eu sabia que havia chegado atrasada, na verdade essa era a intenção. Minha intenção com tal pergunta era que me respondesse que sim, havia acabado.

— Estamos no fim, mas acabados de começar a última brincadeira do dia. Venha fazer conosco.— direcionou suas mãos para uma cadeira vazia, ao lado de um homem. Não consegui decifrá-lo por causa da venda.  Obedeci a sua ordem, logo recebendo uma venda também. Assim como todos, coloquei-a. E o esperado veio a acontecer. Escuro.

— Devem ter notado a presença de mais alguém aqui, mas isso não vai interferir em nada, pelo contrário. — se todos estivessem com os olhos atentos aposto que sentiria um grande constrangimento por todos olharem, mas por sorte, as vendas impediam essa sensação. — Hoje finalmente, depois de tantas reuniões, – as quais não vim – nós vamos falar o que nos fez vir até aqui. Cada um. — Automaticamente senti um frio na barriga, falar sobre isso era doloroso, imagina com cabeças que eu nem conhecia.

— Nos apegamos e acreditamos naquilo que podemos ver, por isso, nos esquecemos do mais importante; o que podemos sentir. Com os olhos vendados, terão de concentrar-se em seus outros sentidos.  

Belo discurso.

— Então, para começar. Misturem-se! Andem de um lado para o outro, e quando eu disser cinco, parem. Um. Dois. Três. Quatro. Cinco! — parei. Ficar no escuro era agonizante, sentia-me indefesa. Como se qualquer pessoa pudesse me assaltar ou sei lá. — Agora, quero que se prendam a primeira pessoa que achar no escuro — logo sinto uma mão puxar meu ombro. Fui pega.

— Ótimo! Não estão vendo, mas todos estão em pares. — eu não havia feito nada, na verdade. Só fiquei parada. — O próximo passo, e o mais importante da noite; quero que sintam uns aos outros. Aprenderemos a ver as pessoas com outra visão. Com as mãos, sintam os traços, a feição. Tentem imaginar como é esta pessoa. — isso era no mínimo estranho. Passou por minha cabeça o questionamento; se essa hippie não possuía algum fetiche louco em sentir prazer num monte de pessoas vendadas passando a mão umas nas outras. Pensando assim, parece mais sexual do que realmente é.

Despertei-me dos tão conhecidos pensamentos quando senti uma mão gelada tocar minha mão. Percebi que o jogo havia começado. Estranho alguém estar me apalpando, em outras situações já teria socado essa pessoa. Eu senti um leve arrepio quando tocou meu braço – mesmo que indiretamente por causa da jaqueta – subindo até os ombros. Meus pelos se eriçavam, ainda mais quando chegou a meu pescoço. Aquela mão fria. Acho que compraria luvas para alguém depois daqui. Suas mãos agora apertavam meu rosto, sentia-me um bebê sendo paparicado. Como eles aguentam as pessoas que os apertam e falam com vozinhas finas? Como eu aguentava isso quando era bebê? Sorri quando suas mãos passaram por minha orelha, eu sentia cócegas. Pareceu perceber isso, pois desceu seus dedos aos meus dentes. Isso ficava cada vez mais estranho. Revirei os olhos, mesmo sem ver nada, ao sentir a pessoa bagunçar minha franja. Na verdade eu nem ligava, mas eu não a conhecia para bagunçar minha franja. O meu par parecia estar se divertindo.

Minha vez havia chegado. Comecei sentindo suas mãos; finas. Subindo pelo braço cujo parecia estar coberto por uma fina blusa de frio, mas não parecia que estava esquentando-a. Logo pela estrutura óssea soube que se tratava de uma mulher. Estava realmente me dedicando a esse jogo? Sim, eu estava. Se fosse uma competição de quem decifra mais, eu queria ganhar! Acredito que esse não seja muito o espírito de uma casa de apoio. Agora em seu pescoço, circulava-o com minhas mãos. Vendo de fora era algo engraçado, imagino. Aparentava ser magra. Toquei seu rosto, sentindo-a mexer um pouco com a mandíbula, parecendo rir. Seu rosto assim como minhas outras observações; era fino. Será que estou fazendo algum progresso?  Toquei seus lábios, finos e secos, até mais ressecados que os meus. Não consegui sentir seu nariz muito bem, a venda atrapalhava. Tratava-se de alguém novo, pois não possuía marcas de expressões, pelo menos não visíveis. Talvez minha idade, ou até um pouco menos. Notei ser alguém de cabelo curto, até os ombros, pois os mesmos faziam cócegas em meus dedos toda vez que lhe tocada no pescoço. Sentia-a arrepiar-se. Por algum motivo desconhecido, senti-me vitoriosa por saber que lhe arrepiava. Eu conseguia visualizar alguns de seus traços, mas isso era difícil, poderia ser qualquer pessoa. Não sou tão boa nesse jogo como achei que seria. Mas, ainda quero ganhar!

— Pronto, pronto. O tempo acabou! — ouvi o apito de um cronometro — Agora, como uma lição para casa, todos deverão tentar desenhar ou descrever a pessoa que vocês sentiram, usando a memória. — por um momento senti-me na escola, novamente. — Mas por agora, quero que todos virem-se de costas. Irei passar e tocar o ombro de um por um, ao fazer isso essa pessoa virá para frente, falará o que lhe trouxe aqui e tirará a venda sem olhar para seus companheiros. Em seguida irá embora. — interessante — Comecemos!

— Sou viciado em ecstasy . Eu parei há uma semana e isso esta acabando com meu corpo. Sinto-me trêmulo, é como se meu sangue estivesse sendo drenado aos poucos. Nos momentos de necessidade fico agressivo, completamente maluco! Todos os dias penso em usar de novo, em ter uma recaída. Estou tentando.

— Sou pai de dois filhos, mas não os vejo por conta do álcool. Eu era um completo obsessivo e compulsivo com minha mulher e filhos. O álcool despertava um monstro em mim. Eu entrei em recuperação ano passado e estou curado nos dias de hoje. Mas por conta de tudo que causei não posso chegar perto de minha família e me sinto sozinho, isolado. Causei com que minhas crianças cresçam sem um pai. Eu sei que ela faz tudo sozinha, e eu sou um merda por não ter percebido isso antes. Venho em busca de um recomeço comigo mesmo, pois sei que já os perdi.

— Fui estuprado aos quinze anos de idade. Hoje com vinte e três não permito que nenhum homem chegue perto de mim, não desta maneira. O pior é que eles me crucificam ainda mais por ser gay: Deve ter gostado, não quer ser mulherzinha? Eles dizem. Sinto meus direitos humanos serem desrespeitados. Sinto-me rejeitado pela sociedade e pior ainda, olham-me como se eu houvesse pedido para ter sido daquele jeito. Sinto-me sujo!

— Julgo-me por ser da sexualidade que sou. Eu nunca contaria aos meus pais, eles não aceitariam de forma alguma! Eu sou lésbica e tenho vergonha disso, vergonha de não me encaixar no padrão que eles querem. Eles diriam que os desonrei, que não os amo e que estou trazendo o pecado para família. Não posso ser quem eu sou, eles não me aceitariam. Eles me impediriam de amar.

— Machuco-me todos os dias por conta da ansiedade. Minha mente não se desliga, mas não presto atenção em nada. Aos onze anos desenvolvi ansiedade e tendências depreciativas, mas ainda leves. Eu não sabia na época que isso era grave, achei que era apenas nervosismo comum, para apresentar um trabalho na escola ou cantar em público. Mas tudo isso piorou de uns anos pra cá. Sentia medo de sair de casa, medo da multidão. Minhas crises asmáticas emocionais atacam enquanto eu durmo e isso faz com que eu fique presa no sono, pois minha mente esta tão cansada que não condiz com meu corpo. Estou em caos.

Sinto um toque de leve em meu ombro. É agora.

— Não estou aqui por algo que eu tenha feito, e sim alguém próximo. Minha mãe. Nós sempre fomos muito unidas, fazíamos tudo juntas mesmo sendo muito diferentes. Ela era meu contraste. Brincava com tudo e todos, enquanto eu ficava no meu canto emburrada. Tão diferente de mim! Quem olhasse para ela iria ver uma mulher sorridente e muito feliz, eu a via assim. Eu via suas lágrimas e que sofria todos os dias quando ia dormir, mas na minha mente tudo isso era mascarado pelos sorrisos que ela dava. Eu não vi sua face, não ouvi seus pedidos de ajuda. Eu sou egoísta o bastante pra não ter prestado atenção! Ninguém a socorreu, eu deveria, mas não fiz. Eu me sinto presa numa caixinha agora, como se tudo estivesse diminuindo ao meu redor, sinto-me como ela se sentia. Não posso gritar. Não pude ouvir. Ela não disse nada antes, nem avisou a ninguém, ela só foi. E quando eu cheguei em casa, lá estava ela.

Afogando-se em suas próprias lágrimas.

 


Notas Finais


△ Eu espero que tenham gostado. Deixem nos comentários o que acharam e aceito críticas. Obrigado por acompanharem e até os próximos. Não esqueçam de votar nos comentários quem vocês querem ver em minha perspectiva. O link estará logo abaixo. Para aqueles que desejam ver o que eu imagino de cada personagem, sugiro que vejam antes de comentar. Adeos!

Aqui: https://goo.gl/apc1ai

△ Vocês me pediam tanto pra criar um Twitter que eu finalmente criei vergonha na cara. Eu criei não faz nem um dia, por isso, me sigam lá babys.
https://twitter.com/_Erro_R


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