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História Save Me (LGBT) - Capítulo 4


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Notas do Autor


OIOI! gente, nesse momento de quarentena lembrem-se de se prevenir e se manter em casa. Realmente espero que estejam todos bem e que continuem seguindo as recomendações certinho.

Obrigada a quem ler, e aqui vai o capítulo!

Capítulo 4 - Capítulo III


Fanfic / Fanfiction Save Me (LGBT) - Capítulo 4 - Capítulo III

No dia seguinte acordei com o som alto de um despertador tocando uma música que eu não conhecia. Me assustei pensando que perderia a hora, porém respirei aliviada ao olhar e perceber que aquele era o celular de Emily. Como ela acordava mais cedo que eu, estava tudo bem em ficar mais um pouco deitada e admirar o emaranhado de corpos que estavámos naquele momento.


A cabeça dela estava deitada no meu peito, fazendo um peso confortável, enquanto uma de suas mãos estava entrelaçada com a minha e a outra estava no meu pescoço. Eu ainda me impressionava em como nossos corpos se encaixavam perfeitamente e em como a respiração dela em minha nuca parecia deixar-me mais calma, tranquila. Eu tinha certeza que se pudesse, ficaria daquele jeito com ela para sempre.

Porém depois de alguns minutos apenas a observando parei para pensar e percebi que realmente estávamos parecendo um casal, mesmo que nos conhecêssemos havia menos de uma semana. O jeito que ela me abraçava, como me acalmava, ninguém nunca fez isso por mim.


– Lya, o que tanto olha? – Emily perguntou coçando os olhos adorávelmente, me obrigando a sair de meus pensamentos e até me assustar com o som súbito de sua voz.


Ela estava um pouco rouca, e mesmo com o rosto todo marcado pelo travesseiro e o cabelo bagunçado ela parecia a mulher mais linda que já vira em minha vida.


– Nada, estava pensando em algumas coisas que preciso fazer hoje, nada demais. – Sorri fracamente, recebendo um olhar desconfiado porém um aceno positivo dela.


– Ok então, mas precisamos nos levantar e passar na sua casa para pegar roupas, a menos que você ainda queira usar as roupas largas do Shaun. – Ela sorriu e eu lentamente saí de nossa anterior posição, instantaneamente sentindo falta do quão quente o corpo dela poderia ser.


O ar parecia frio sem o corpo quente dela para esquentar-me.


Nós duas tomamos banho, obviamente separadas, e Em me emprestou uma roupa de seu irmão para que pudessemos ir até o hotel escolher alguma roupa para ir para o estúdio gravar o episódio que minha personagem e a de Emily finalmente "conheceriam" Lena.

Porém durante o caminho meu cerébro infelizmente me pregou uma peça e desviou-se para um lugar que eu não queria. Pensei em Logan, em como ele poderia estar no mesmo lugar que eu, e inevitavelmente comecei a sentir minha garganta se fechar. A mão na minha coxa que anteriormente era confortante, lembrou-me demais do aperto desconfortável que ele dava todos os dias ao obrigar-me a dormir com ele.

Mesmo sem querer, afastei a mão dela agressivamente, fechando meus olhos fortemente ao perceber a freiada brusca que ela havia dado pelo susto.


– Lya, está tudo bem? – Emily tentou colocar sua mão em minha perna novamente, porém eu apenas neguei com a cabeça.


E de novo, mesmo que ele não estivesse aqui o medo que eu sentia estava me impedindo de fazer coisas. Eu não poderia deixar me levar pelo medo, Em não merecia que eu agisse estranho com ela toda vez que me sentisse desconfortável, ou visse ele, ou pensasse nele.


Não era justo com ela.


– Em, obrigada pela ajuda, mas não precisa me esperar aqui no hotel. Lembrei que preciso resolver algumas coisas antes de ir para o estúdio e talvez chegue até um pouco atrasada lá. – Inventei uma desculpa boba, torcendo para que ela acreditasse ou pelo menos fingisse.


– Tudo bem, te esperarei no estúdio. Boa sorte com o que tiver que fazer e se cuida, qualquer coisa só me ligar. – Ela e inclinou um pouco para beijar minha testa e o toque de seus lábios suaves e macios em minha pele me fez ficar mais calma.


Não parecia nada com os beijos brutos dele. Foquei minha mente em apenas pensar nela, pois era assim que eu sempre fazia. Ignorava um problema e pensava em uma coisa boa, até que esse problema se tornasse muito mais difícil de resolver e eu não pudesse inibi-los com bons pensamentos.


Emily definitivamente era meu bom pensamento do momento.


Eu sabia que nosso relacionamento poderia evoluir para algo mais íntimo, porém eu não podia apaixonar-me depois de tudo que passei com Logan. Eu não me permitiria.


E além disso, nunca havia me envolvido com nenhuma mulher.

Mas pensando melhor nunca havia me envolvido com ninguém além de Logan.


Ela era completamente diferente dele, no dia anterior havia provado isto, mas eu tinha medo de deixar me envolver e no final ela ser como ele. Ou o pior, eu ser como ele.

Emily não merecia alguém com tantas cicatrizes como eu, ela merecia alguém que pudesse ser completamente feliz com ela, sem medos.


Fiquei alguns minutos pensando nisso, mas depois de algum tempo lembrei que teria um trabalho a fazer e que precisaria de minha total concentração. Não poderia perder o foco.


Troquei de roupa e peguei um táxi para chegar mais rapidamente lá, mas mesmo dizendo anteriormente que não pensaria mais sobre isso lamentei internamente pelo modo em que tratei Emily. Será que havia sido muito rude? Ela definitivamente merecia melhor tratamento pois só tentava me ajudar.

Mesmo me esforçando para chegar no horário certo, me atrasei por alguns poucos minutos e fui recebida com um olhar feio do diretor.


Parabéns, Lya! Primeira bola fora no emprego que mal tinha acabado de começar.


– Você demorou, fiquei preocupada. – E quem disse isso foi o ser mais amigável desse Universo; sim, Katie McGrath.


– Estava resolvendo algumas coisas, desculpa. – Fui cumprimentada com um abraço forte dela, o que me fez sorrir um pouco.


Havia algum tempo que eu não sentia um abraço tão acolhedor quanto o dela, parecia até meio estranho.


Mesmo que não quisesse, senti meus olhos marejados sem nem saber o motivo de tal coisa. Talvez o toque dela seja um pouco materno, talvez eu sinta falta de braços assim para me consolar e me acolher quando estivesse confusa. Talvez era tudo que eu necessitava naquele momento.


– Sua primeira cena é comigo, vamos? – Katie me estendeu a mão após finalmente afastar-se de mim, o que me fez abrir um enorme sorriso e pegar na mão dela sem nem hesitar.


Senti a grossa aliança em sua mão esquerda, porém não disse nada pois sabia o quão privada com sua vida pessoal ela era.


No final do dia, mais ou menos às sete da noite, eu estava exausta, havia gravado algumas cenas com Katie porém a grande maioria havia sido com Emily.


Nossas personagens estavam enfrentando uma crise em seu relacionamento e por alguns minutos depois de gravar uma cena em que estávamos gritando uma com a outra eu me peguei entrando demais na personagem e soluçando desesperadamente contra a parede do set, sendo confortada pelas duas Irlandesas.


Eu sabia que nada daquilo era real, porém imaginava que algo assim pudesse acontecer realmente entre eu e Emily. Só a possibilidade de perder alguém que literalmente nem tinha me matava.

Além de que toda aquela gritaria me lembrava de momentos com Logan que eu preferia esquecer, gravar aquelas cenas definitivamente não havia sido nada agradável.


Quando estava saindo finalmente do estúdio para pegar um táxi, fui parada por mãos firmes porém ao mesmo tempo cuidadosas segurando em meu ombro.


– Podemos conversar um pouco? – Katie falou assim que me virei para que pudesse ver melhor quem havia chamado minha atenção.


– Claro, onde? – Perguntei sem nem hesitar, precisava realmente ficar um pouco longe do quarto de hotel deprimente e solitário.


– Tem uma lanchonete aqui perto, podemos comer algo enquanto falamos. – Katie disse educadamente, abrindo um sorriso tímido que quase me fez esquecer de sua postura séria. Fofa.


– Claro, vamos? – Novamente ela me estendeu a mão e eu peguei sem nem hesitar. Me sentia segura junto a ela.


Andamos por alguns breves minutos porém após a caminhada fui recompensada por um dos lugares mais aconchegantes que já havia visitado em minha vida. O local era pequeno, e extremamente acolhedor. A decoração cheia de plantas deixava o lugar mais vivo e a trilha sonora suave fazia tudo parecer mais "caseiro", o lugar era lindo.


Sem nem me dar conta, fiquei alguns segundos parada apenas admirando o lugar maravilhoso.


– É bonito, né? Foi um dos primeiros lugares que visitei quando cheguei em Vancouver, me faz lembrar um pouco de casa. – Ela explicou enquanto nos sentávamos em uma mesa afastada, próxima a uma janela.


Nos sentamos uma de frente para a outra, e ela estendeu sua mão por cima da mesa. Mesmo um pouco hesitante, eu peguei e senti as leves carícias de seu dedão em minha pele.


– Se você se sentir confortável para contar, eu estarei aqui para escutar. Eu sei que algo aconteceu para você ter aquela reação durante o intervalo no set. – Ela disse direta, seu sorriso caloroso se fechando ao perceber o quanto meu corpo tensionou apenas pelas palavras ditas.


– Ei, está tudo bem. Se não quiser dizer podemos falar de outras coisas. – Seu sotaque estava perceptivelmente mais carregado e sua voz indicava sua preocupação.


Eu hesitei, porém percebi que se contasse tinha certeza que ela guardaria meu segredo. Eu sabia que precisava desabafar, se não provavelmente me afogaria em minhas dúvidas e pensamentos.


Eu precisava contar, e por algum motivo senti que Katie era a pessoa certa para me escutar.


– Eu passei por um relacionamento abusivo e... – Hesitei por alguns momentos. – Os gritos, o modo que eu estava falando com ela me fez lembrar dele, das nossas brigas.

– Ele está próximo e eu estou meio assustada, não sei. – Encolhi meus ombros, parando de falar assim que senti minha garganta se fechar. Eu não choraria, não demonstraria fraqueza.


Já era demais estar contando uma porção tão pessoal da minha história.


– Está tudo bem. Você tem o direito de desabafar, porém se não quiser dizer nada eu posso só te abraçar até você se sentir melhor, se você estiver confortável com isso. – Ela disse o mais suavemente possível, sua voz me trazendo calmaria e fazendo com que eu confiasse nela cada vez mais.


Eu sabia que Katie era uma espécie de "mãezona", porém não esperava que ela me acolhesse tão bem e soubesse exatamente do que eu precisava no momento.


Deixando meus pensamentos de lado por alguns momentos lentamente me arrastei até que estivesse ao seu lado, deitando minha cabeça em seu ombro e sentindo um de seus braços firmes em meus ombros e uma de suas mãos acariciando meu cabelo suavemente enquanto eu me derretia cada vez mais pelo carinho.


Eu não resistia a um cafuné, e o toque dela me lembrava um pouco do da minha mãe.


– Eu me lembrei de como todas nossas brigas começavam. Era exatamente daquele jeito. Depois vinham as agressões, as vezes coisas piores... – Eu disse depois de alguns minutos em silêncio, minhas costas rígidas novamente.


Falar deste assunto era extremamente desconfortável, porém eu sabia que se guardasse isso para mim por muito tempo provavelmente explodiria.

Precisava desabafar, esquecer um pouco e focar no meu novo começo.


– Você sabe que ela não é assim, não é? – Ela disse suavemente, e eu dei um pequeno pulo de susto. Será que ela sabia?


– Quem? – Perguntei me fazendo de desentendida, porém já tinha uma idéia de quem ela estava falando.


– Emily. Ela gosta de você, você gosta dela... – Ela gesticulou com um pequeno sorriso e eu senti meu rosto corar.


– Eu não estou pronta para outro relacionamento. Nem sei o que sinto, nem sei se realmente gosto dela, na verdade a única coisa que sei é que ela merece alguém bem melhor. – Gesticulava freneticamente, falando um pouco mais rápido que o normal e sentindo meu rosto queimar um pouco pela falta de ar causada pela velocidade em que eu falava.


– Tudo bem. Você não está confortável com esse assunto, então nós falaremos de outra coisa. – Ela voltou a acariciar meu cabelo e eu praticamente derreti com o toque.


Depois disso um pequeno silêncio assumiu a mesa, e nós duas pedimos algo para comer. Não demorou muito para que estivéssemos degustando o delicioso chocolate quente do lugar e voltando a conversar.


– Hm... Eu te contei coisas, então que tal você me contar quem pôs essa aliança no seu dedo? – Perguntei com um sorriso travesso, pegando a mão esquerda dela delicadamente e analisando a aliança não muito extravagante porém perceptível em seu dedo.


Katie me encarou meio sem graça, parando seu carinho. Instantâneamente me senti um pouco mal, não queria que ela ficasse sem graça por uma pergunta invasiva minha quando estava sendo tão amigável comigo.


– Se não quiser falar, tudo bem. Não precisa dizer nada se estiver desconfortável.


– Eu só preciso que você jure que não contará para ninguém. Nós ainda não nos sentimos confortáveis em contar e... – Ela disse e eu a interrompi apenas acenando positivamente com a cabeça.


– Prometo. – Sorri em direção a ela, que sorriu de volta e começou a girar a aliança timidamente em seu dedo.


– Eu e Mel somos casadas. – Katie disse quase como um sussurro, foi até difícil de escutar porém um sorriso enorme se abriu em meu rosto quando escutei ela falar.


– Sabia que vocês eram próximas, só não imaginava que tanto assim. Vocês fazem um casal bonitinho! – Disse empolgada, vendo seu rosto pálido assumir um tom de vermelho.


– Obrigada. Mel ainda está meio insegura em assumir a gente para o pessoal, pois ela está meio incerta com o fato de eu ser a segunda pessoa do elenco que ela namora.


Mas em falar nela, já está ficando tarde e ela ficou me esperando para irmos embora.


– Tudo bem. Obrigada pela conversa, eu realmente precisava me distrair um pouco. – Nós duas nos levantamos e ela me abraçou apertado, fazendo com que eu deitasse minha cabeça em seu ombro, um pouco desconfortavelmente pela diferença de altura, e apenas aproveitasse o contato que estava se tornando comum nesses últimos dias.


– Não há de quê. Sempre que precisar de algo sabe que pode contar comigo. Obrigada por compartilhar sua história e permitir que eu te entenda melhor, obrigada mesmo.


Nós duas dividimos a conta mesmo com a insistência dela para pagar sozinha e voltamos juntas para o estacionamento do estúdio. Eu torcia para encontrar Emily e me desculpar pela maneira brusca que a tratei no dia anterior.


Quando avistamos Melissa encostada no carro de Katie enquanto a esperava, a morena a comprimentou com um beijo rápido na bochecha.


– Mel, você viu a Em? – Perguntei esperançosa, torcendo para que por algum milagre do destino ela ainda estivesse lá.


– Ela veio para o estacionamento comigo, estava me fazendo companhia enquanto eu esperava vocês. Acho que ela já deve ter saído. – Melissa disse, sua expressão confusa quando percebeu que Katie havia entrelaçado seus dedos foi impagável.


A morena sussurrou algo no ouvido da loira, que apenas assentiu um pouco hesitante. Creio que ela havia contado que eu já sabia do casamento delas.


– Eu vou ver se a Em ainda está aqui. Tchau, gente! Obrigada pela conversa, Katie. – Acenei e andei apressadamente até o outro lado do estacionamento.


As chances dela ainda estar ali eram nulas, porém eu sabia que realmente precisava conversar com ela.

O que realmente me surpreendeu foi encontrá-la terminando de guardar algumas coisas no banco de trás e finalmente andar para o banco do motorista.


Aparentemente até o o Universo queria que tivéssemos aquela conversa.


– Em! – Eu disse meio sem fôlego, parando um pouco para respirar por ter andado rápido demais.


Viver com asma não é nada legal.


– Lya! Pensei que iria embora depois de sair da lanchonete, por isso nem esperei você. – Ela disse com um pequeno sorriso, fechando a porta novamente e vindo em minha direção.


– Eu sinto muito pelo jeito que te tratei mais cedo. Desculpa por ter mentido, é só que eu estava pensando em algumas coisas que não deveria e...


– Eu só fiquei preocupada pelo jeito que você reagiu no carro, mas não fiquei chateada. Saiba que se quiser contar o porquê ficou daquele jeito eu vou te ouvir sem julgamentos, ok? – Ela pegou minha mão e começou a acariciar as costas da minha mão suavemente.


Emily é uma das pessoas mais incríveis que eu já conheci, e mentalmente comecei a me espancar por sequer pensar que ela poderia ser igual Logan.


– Você quer ir lá pra casa? A gente pode conversar melhor se você quiser. – O rosto dela estava meio corado, e o jeitinho acanhado que ela falava fazia meu coração acelerar.


Tinha apenas uma semana que eu a conhecia, porém ela já possuía um poder estranho sobre mim. Me fazia sentir coisas que nunca havia pensado em sentir.


– Claro! Mas só se você prometer que a gente vai maratonar Wynonna Earp. – Eu perguntei, vendo um adorável sorriso se formar em seu rosto e ela assentir freneticamente.


– Vamos logo! É uma das minhas séries favoritas, não sabia que você gostava! – Em disse empolgada, a animação dela era tão fofa que quase parecia infantil.


Linda.


– Então vamos, senhorita McCan. Quanto mais cedo melhor!


Aparentemente sem nem se dar conta, ela pegou em minha mão e entrelaçou nossos dedos. A mão dela era um pouco menor do que a minha, e o encaixe era perfeito.

Até agora ficava impressionada com o quão bem parecíamos encaixar uma com a outra. Ficar junto com ela é incrível.


Educadamente como sempre ela abriu a porta do passageiro para permitir minha entrada e deixou com que eu controlasse a playlist, o que fez com que ela ganhasse alguns pontos a mais em minha lista.


Como se ela já não fosse uma das minhas pessoas favoritas nesse novo começo.


Batucando no volante, ela delicadamente colocou sua mão livre em minha coxa e começou um carinho suave ali.


Nós estávamos em silêncio, porém era algo confortável. Estávamos apenas aproveitando a música que tocava e a companhia uma da outra.


Algum tempo depois, já estávamos deitadas no sofá extremamente confortável dela, com roupas mais frescas e agarradas enquanto assistíamos série.

Eu nunca havia me sentido em um relacionamento tão doméstico.


– Então... Eu não esqueci o motivo de eu ter te convidado. Se você quiser falar, eu estou aqui para te escutar. – A abracei mais forte ao escutar essas palavras vindo dela após vermos o terceiro ou quarto episódio seguido.


Contar tudo para Katie já havia sido um pouco exaustivo, porém eu sabia que precisava abrir o jogo de uma vez por todas com ela se quisesse criar um relacionamento baseado em honestidade e confiança.


– Aquele surto no restaurante começou quando vi meu ex-marido. – Comecei a falar após respirar profundamente.


– Eu vi você encarando um homem, mas pensei que fosse coisa da minha cabeça. – Ela comentou, porém logo se calou ao ver que eu ainda não tinha terminado de falar.


– No começo do nosso namoro ele era um anjo. – Senti minha garganta se fechar e uma intensa vontade de chorar, porém resisti. – Mas depois que comecei a perseguir a carreira de atriz e ele veio morar comigo tudo mudou. – Pausei novamente, sentindo lágrimas começarem a escorrer.


Falar sobre ele duas vezes em um mesmo dia era difícil, mas eu sabia que realmente era necessário ser honesta sobre minha história.


– Ei, se você não quiser falar sobre isso está tudo bem. – Em se sentou corretamente no sofá e me puxou para os seus braços, dessa vez era ela quem me abraçava com força porém cuidado ao mesmo tempo.


– Não, eu preciso que você saiba disso. – Voltei a falar. – Primeiro foram agressões verbais, depois físicas e depois sexuais. Ficamos assim por mais de dois anos, mas eu larguei ele e vim para Vancouver assim que recebi a resposta sobre o papel em Supergirl.


A esse ponto eu já estava chorando, minhas unhas começando arranhar minha pele com força enquanto ela me segurava como se não quisesse me soltar em momento algum.


– Não, não se machuca. Olha aqui. – Ela disse suavemente, porém fez um pouco mais de força para soltar minha mão de minha pele e segurar com força para que eu não conseguisse movê-la.


– Eu sinto muito que você tenha vivido isso, sinto muito. – Sua voz estava embargada, e ela olhou nos meus olhos com carinho.


Depois de alguns minutos nessa mesma posição, ela me abraçando com força enquanto eu me acalmava em seus braços, finalmente consegui formular um pensamento coerente.


– Perdão. Me desculpa por ter chorado, é que é muito difícil falar sobre isso e... – Fui silenciada por seus lábios contra os meus.


No começo foi apenas um encostar de lábios, porém ela me surpreendeu ao passar sua língua em meu lábio interior levemente, fazendo-me abrir um pouco a boca e nossas línguas começarem a se explorar.


O beijo era lento, suave, e como da primeira vez nossos ritmos assim como todo nosso corpo se encaixava perfeitamente.


Sua mão acariciava meu rosto enquanto ela se movia para se sentar em meu colo e minhas mãos migravam para sua cintura.

No início não sentimos a falta do ar, e em nenhum momento algum nenhuma outra pessoa passou em minha mente ao finalmente ter seus lábios contra os meus novamente.


Parecia certo, e aquele definitivamente era o melhor beijo da minha vida.

Eu sentia uma vontade incontrolável de beija-la, e queria ficar naquele exato momento para sempre.


Perdida em meus pensamentos, apertei sua cintura e escutei o pequeno gemido abafado pela minha boca.


O beijo esquentava, porém nos afastamos finalmente pelo ar que começava a faltar em nossos pulmões.


– Me desculpa. – Ela murmurou ofegante, colando sua testa na minha.


Apertei sua cintura escutando mais um suspiro dela, e a roubei um selinho rápido.


– Não tem o que desculpar. A menos que eu tenha te deixado desconfortável, aí quem tem que pedir desculpas sou eu. – Eu disse com um pequeno sorriso no rosto, vendo o quão corado seu rosto estava e o quão ofegante ela ainda estava.


Naquele momento eu havia me esquecido completamente do que havíamos conversado anteriormente, porém eu sabia que esse assunto viria a tona em algum momento.

Por enquanto, eu só queria aproveitar o conforto que o peso de Emily em meu colo me causava.

Mesmo que nos conhecêssemos por praticamente uma semana, eu me sentia extremamente conectada e atraída por ela. 


Parecia certo, como destino.


Estar com ela parecia fazer parte do meu destino.


E pela primeira vez desde que comecei a sentir-me atraída por ela, eu não tive medo. Não tive medo de um possível relacionamento fracassado, e apenas me permiti senti-la junto a mim.


– Óbvio que não me deixou desconfortável, Johston. Na verdade esse foi o melhor beijo da minha vida. – Ela juntou nossos lábios novamente, sorrindo uma contra a outra.


Definitivamente, perfeita.


– Fico feliz que tenha gostado, senhorita McCan. – Murmurei brincalhona quando finalmente nos afastamos novamente.


Ficamos por mais algumas horas agarradas no sofá dela, trocando carinhos e beijos.

Não conversamos oficialmente sobre o que éramos, porém eu sabia que me sentia segura junto a Emily e que estar com ela parecia certo

Naquela hora eu não tive medo porém sabia que em algum momento teria e poderia estragar tudo. 


Apenas pensar nessa possibilidade fez com que meu coração apertasse, eu não poderia perder a companhia dela.


– Eu gosto muito de você. – Emily sussurrou contra meu ombro antes de finalmente ceder ao sono e adormecer em meus braços.


– Eu também gosto de você. – Eu beijei a testa dela com um enorme sorriso no rosto.


E naquele momento eu decidi; eu faria de tudo para não deixar com que meu passado fizesse com que eu perdesse Emily.

Eu decidi que queria viver qualquer coisa que o destino tivesse a oferecer junto a ela.



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