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História Savior angel - Capítulo 2


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Capítulo 2 - Lonely eyes of someone lost


Law abriu os olhos vagarosamente. Um brilho forte no teto fez sua cabeça doer enquanto sentia uma fraqueza em seu corpo. A dor em seu tronco ainda permanecia apesar de estar consideravelmente inferior à quando recebera seus ferimentos.

Com a visão ainda embaçada pôde ver alguns curativos mal feitos pelo seu corpo, como se alguém houvesse tentado cuidar dele, o que parecia pouco provável dado as circunstâncias em que se metera.

Seus sentidos voltaram com força ao lembrar de onde veio parar e porque. E ainda por cima não sabia o local exato ou com quem estava no momento. Forçou sua mente à lembrar qual foi a última vez que estivera consciente e duas auras voltaram à sua mente.

Tentou levantar rapidamente, afinal estava em um lugar desconhecido e suas enormes asas rapidamente o denunciariam de que ele não era daquele mundo, porém suas pernas falharam e seu corpo foi ao chão.

O baque surdo do corpo caindo chamou a atenção de Luffy que veio correndo até o moreno.

– Você está bem? - O garoto se agachou ao lado do outro que se afastou levemente correndo os olhos pelo garoto ao passo que também tentava identificar o lugar em que estavam. – Eu te trouxe para minha casa quando você desmaiou.

Law o olhou ainda mais confuso. Por que aquele garoto o trouxe para sua casa? Ele era um desconhecido e ainda por cima havia matado alguém. Quem em sã consciência confia em alguém que mata uma pessoa em sua frente, sem nem a conhecer ou ter um motivo aparente? Não parecia ser algo que uma pessoa boa faria.

Já havia ouvido falar de humanos e histórias ruins sobre eles, mas não queria dar margens a boatos, todavia ele também não poderia basear sua confiança apenas na aura nostálgica que sentira, isso poderia custar sua vida.

Porém, havia também a conexão que sentiu ao olhar no fundo de seus olhos naquele momento, não entendia a razão de se sentir daquela forma, mas foi inevitável se sentir ser sugado e atraído por ele, quase como se estivesse hipnotizado e sem nenhuma maneira de desviar.

Estava em um verdadeiro dilema sobre o garoto a sua frente que também o encarava confuso, mas com um brilho de curiosidade no olhar. Aquilo o fez lembrar do olhar de uma criança e mesmo que não quisesse, havia se acalmado um pouco.

– Por quê? - A voz grave e rouca ouvida pela primeira vez atordoou o jovem momentaneamente, o fazendo esquecer a pergunta que lhe foi proferida. – Por que você me salvou?

Ele ainda não tinha certeza se o garoto havia realmente o salvado, mas se ignorasse tudo que já havia ouvido falar sobre humanos, o fato dele tê-lo trago para sua própria casa e de certa forma ter cuidado de seus ferimentos poderia indicar isso, mas ele ainda queria saber a razão, havia algum interesse por trás?

– Porque eu quis. - Respondeu simples. Ele não poderia confiar tão fácil assim em si, certo? Só poderia ser algum truque.

– Você não pode confiar em alguém que nem conhece dessa forma. - Disse cético. O garoto não o salvara apenas porque sim, não é?

– Mas você fez isso. - Law arregalou levemente os olhos diante aquela fala. Sentiu as bochechas esquentarem pela sua falta de atenção. Estava questionando algo que ele mesmo havia feito. – Se você pôde me salvar sem saber quem eu sou por que eu não teria o mesmo direito que você?

O moreno desviou o olhar sem saber o que responder. Ele havia feito o mesmo, porém houve um motivo que o fez arriscar.

– Ele tinha uma aura ruim... Iria matar você. - Mesmo que estivesse fraco naquele momento, ele sentiu aquelas duas auras e sabia que aquele homem já havia causado muitas mortes, havia apenas sangue e podridão nela. Mas a outra, era mais pura que muitas do seu povo eram, a mais brilhante que já havia visto, mesmo que houvesse uma mancha nela. E era por isso que ele não poderia confiar plenamente nelas, elas poderiam ser facilmente manchadas. Não havia pessoas perfeitas e completamente boas, todos eram propensas à maldade.

– E você salvou minha vida. Eu tenho uma dívida com você. - Law fez um som de entendimento diante à fala do menor, ele estava o compensando. Isso fazia mais sentido e também significava que agora eles estavam quites, não parecia ser algo ruim. – Minha intuição me disse para eu trazer você para cá e ela nunca falha.

– Você não tem medo? - Teve que perguntar. Seus olhos encararam os buracos negros de Luffy e novamente sentiu estar se conectando com eles de alguma forma.

– Por que eu teria? - Ao mesmo tempo que Law tinha respostas para aquela pergunta, ele não queria respondê-la. – Os humanos podem tão perigosos quanto seja lá o que você for.

Law não tinha respostas para aquilo. Ele não conhecia os humanos e não era uma espécie que determinava a índole de alguém, ele já havia aprendido isso da pior forma.

– Obrigado, aliás. - O garoto abriu um grande sorriso e estendeu a mão para o outro. Seus olhos se voltaram curiosos para as enormes asas nas costas do maior ao ouvir o som delas se arrastando pelo chão. – O que você é?

– O que? - Segurou a mão do menor se levantando.

– É, você tem essas asas grandona e eu achei melhor não falar de você com o pessoal esses dias até você acordar, então não faço ideia do que você é, mas você é tipo um híbrido de urubu ou corvo?

– Isso é algum tipo de animal? Espera, como assim "esses dias"?

– Você ficou desmaiado por quatro dias, mas você estava respirando, então achei que era normal.

– Acho que meu corpo estava tentando se recuperar. - Percorreu seu tronco vendo as áreas que já haviam se curado, porém ele ainda se sentia um pouco fraco, talvez precisasse se alimentar.

– Mas você ainda não me disse o que você é. - A pergunta o fez ficar tenso por alguns instantes. Os humanos conheciam sobre as raças místicas?

– Eu sou... Um anjo... Ou era.

– Eu achei que anjos tivessem asas brancas. - Tombou a cabeça para o lado confuso. Já havia visto algumas ilustrações de anjos e as asas eram sempre brancas ou douradas, não negras.

– Anjos corrompidos não. - Seus olhos correram pelas penas escuras com uma dor instalada em seu peito.

– Elas são muito mais bonitas assim, preto combina com você. - Law o encarou surpreso enquanto via o outro sorrir. Ele provavelmente não entendia o significado delas para dizer algo daquela magnitude. Sorriu com a inocência do outro, talvez não estivesse errado em confiar naquela aura pura, aquele garoto poderia ser mesmo uma boa pessoa.

– Você também não me disse seu nome.

– Ah, é. Eu sou Monkey D. Luffy. - O sorriso se manteve na face do menor e Law percebeu que não era apenas a aura do garoto que era pura, seu sorriso também era, apesar de haver algo obscuro em seus olhos.

– Trafalgar Law.

– Você deve estar com fome, Tral. - Law nem teve tempo de corrigi-lo pelo engano pois o menor saiu do cômodo que estavam. – Eu já estou terminando a janta, você pode comer e depois tomar banho. Você passou o quatro dias só deitado shishishi.

Law se sentiu envergonhado diante a fala do outro e cheirou seu corpo comprovando que realmente estava com um odor terrível. Preferia banhar-se primeiro, mas não o questionaria, afinal não estava em posição para isso.

Percorreu seus olhos pelo novo cômodo observando os objetos estranhos para si. Luffy pôs duas tigelas enormes de algo que o Trafalgar não pôde identificar.

– O que foi? - Perguntou ao ver Law sentar e olhar confuso para o alimento a sua frente. – Nunca comeu ensopado de carne?

– Não. - Disse simples para o espanto do pequeno. 

– Como não?!

– De onde eu vim só nos alimentamos dos frutos da própria natureza.

– Isso deve ser horrível, quer dizer que você nunca comeu carne, hambúrguer ou pizza? - Ficou ainda mais indignado quando viu o outro negar confuso. – Eu vou te apresentar os maiores prazeres da vida, então.

Law achou graça da exasperação do outro por apenas um alimento, mas nada disse, apenas se pôs a comer. O gosto era peculiar e bem diferente do que estava acostumado.

– O Sanji tem me ajudado a cozinhar, ele disse que eu estou melhorando.

– Está bom. - Disse mesmo que não estivesse realmente bom, o gosto era horrível na verdade, porém seu corpo precisava de energias então o gosto, ao menos naquele momento, não importava.

O restante do jantar se passou com Luffy falando sobre suas comidas favoritas e que faria Law experimentar enquanto o mesmo apenas concordava, tentando assimilar tudo que aconteceu tão de repente em sua vida, todas as mudanças e coisas que deveria se adaptar, mais uma vez, a partir de agora.

[...]

Depois que o mostrara como funcionava o chuveiro, Luffy buscou algumas de suas peças de roupas mais largas para que pudesse emprestar a Law. 

Ele obviamente havia ficado assustado naquela noite, porém o moreno havia salvado sua vida e sentia que deveria fazer algo por ele.

Mesmo que Law houvesse matado alguém, seria ele quem estaria morto naquele momento e ele não era ninguém para julgá-lo. Já havia visto coisas muito piores, pessoas sendo mortas por menos e por mais que soubesse que deveria desconfiar dele, ao menos um pouco, sua intuição lhe dizia para confiar.

Não que ele acreditasse que aquele homem devesse morrer apenas por atacá-lo, mas também não poderia dizer que ele deveria ou merecia estar vivo, ele não era um Deus para dizer quem deveria ou não viver, cada um tinha sua liberdade de escolha e arcava com as consequências dela. Ele apenas não julgava Law pela escolha naquele momento, não o considerava um cara ruim por fazer o que fez, afinal, para ele, havia uma razão para agir daquele modo.

Ele também estava curioso e animado sobre Law. Não que nunca houvesse acreditado na existência de coisas sobrenaturais, porém era bem diferente ver uma pessoalmente. Sentia a curiosidade aflorar dentro de si e novamente estava animado sobre algo depois de muito tempo, mesmo que não fosse perguntar nada no momento, afinal não iria invadir a privacidade alheia e o questionar sobre algo que claramente o deixava desconfortável.

Estranhou quando ouviu um gemido alto de dor e correu até o banheiro, sem se importar se ele estaria despido ou não. Buscou o outro e o encontrou sentado no chão, sem qualquer peça de roupa, o corpo molhado e algumas penas negras a sua volta. Seus olhos se arregalaram quando viu as costas cobertas de sangue e as asas num tamanho consideravelmente menor.

Se aproximou lentamente, agachando ao lado dele. Law o olhou sobre o ombro quando sentiu sua presença e Luffy viu os olhos brilhantes de outrora se tornarem opacos e vazios.

Outro gemido involuntário escapou dos lábios do anjo quando alguns ossos quebraram por baixo da pele. Luffy sentiu o desespero o atingir sem saber o que fazer para parar aquilo.

– Oe, Tral! O que está fazendo?! Para com isso! - Luffy ficou exasperado enquanto ouvia mais ossos se quebrando ao passo que os dois buracos nas costas do outro se abriam mais, revelando a cartilagem da base da asa que adentrava por eles.

– Podemos diminuir nossas asas e guardá-las dentro de nós mesmo, mas é um processo doloroso no começo... - A voz de Law saiu sussurrada e Luffy sentiu a dor presente nela, não a dor física, mas do que aquilo significava. Ele estava reivindicando suas asas, sua máxima expressão de liberdade. Pensar naquilo, pior, ver aquilo era terrivelmente doloroso, era uma dor que ele poderia sentir como se fosse ele quem estivesse naquele lugar.

Law havia tomado aquela decisão num ímpeto pois sabia que não a faria se esperasse e ele tinha que fazer. Ele foi mandado para aquele lugar por uma razão e tinha que aprender a viver ali, era um mundo sem magia e de toda forma ele não tinha mais o direito de usar suas asas, nem poderia se considerar mais um anjo. Porém isso não significava que não doía, pois doía, ele estava deixando de ser quem era e teria que aceitar o quanto antes.

A penugem das asas se tornava cada vez menor até que pudessem entrar pelo mesmo local que a cartilagem. Os buracos começaram a se fechar em seguida, iniciando a cicatrização lentamente.

– Eu não posso voltar, então não poderei usá-las. - Os olhos dourados, agora sem vida, se encontraram novamente com os olhos ônix. Sentiam uma conexão quase palpável quando suas orbes se prendiam uma à outra.

Olhos solitários

Ele tinha aqueles olhos solitários

Eu só sei porque eu os tenho também

Naquele momento Luffy compreendeu que ele não tinha um lugar para voltar, ele não tinha para quem voltar e entendeu o que aquele olhar significava. Era por isso que se sentia tão conectado à aqueles olhos âmbar, eles compartilhavam um olhar de compreensão.

Houve um tempo

Quando eu estava sozinho

Sem lugar para ir

E sem lugar para chamar de lar


Notas Finais


Demorei mais do que imaginei para voltar, mas enfim. A fic ficou maior do que eu pretendia, eu sinceramente desanimei e me estressei muito com ela, e talvez isso tenha influenciado no desenvolvimento, mas qualquer coisa eu faço a egípcia e finjo que ela nunca existiu

Olha, o Law vai ser um anjo diferente dos anjos comuns, lá pra frente será mostrado.
Sobre as músicas, às vezes a melodia ou até o contexto da letra não vai ter nada a ver, só coloquei uma frase que lembrei e achei que se encaixaria. De toda forma, a primeira é "Lonely eyes" e a segunda é "Lost boy"


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