História Sayryns - Os Três Corações (Livro 01) EM REVISÃO - Capítulo 6


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Categorias Originais
Personagens Personagens Originais
Tags Ação, Anjos, Aventura, Comedia, Fantasia, Ficção, Magia, Mistério, Mitologia Grega, Romance, Sobrenatural
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Palavras 8.569
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Comédia, Drama (Tragédia), Fantasia, Ficção, Fluffy, Luta, Magia, Mistério, Misticismo, Policial, Romance e Novela, Saga, Shounen, Sobrenatural, Survival, Suspense, Universo Alternativo, Violência
Avisos: Heterossexualidade, Mutilação, Tortura, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas do Autor


Novo capítulo de Sayryns!

Estou percebendo que a cada capítulo a escrita está ficando mais pobre :/ Mas estou dando meu melhor para manter a história sempre no mesmo ritmo sem que vocês percam a vontade de continuar (por favor, não deixem de ler. Eu amo essa história e ela é importante pra mim ><) Bom, sem mais denlongas, aproveitem o novo capítulo :D

Capítulo 6 - ARCO 01 - A novata


Fanfic / Fanfiction Sayryns - Os Três Corações (Livro 01) EM REVISÃO - Capítulo 6 - ARCO 01 - A novata

Miro foi surpreendido com fortes batidas na sua porta da frente. Confuso e um pouco assustado, o rapaz caminhou até a porta e ao abri-la, se deparou com Angela, Simon, Loon, Samantha, Cass e Minxie – todos na forma humana. Cass havia acordado, mas estava muito fraco. Minxie estava inconsciente e Simon a carregava nos braços.

– Vocês são...

– Nenhuma palavra. Precisamos do seu abrigo. – Angela interrompeu o pobre garoto que não fazia a mínima ideia do que estava acontecendo

Todos entraram na casa de Miro mesmo que este não os tivesse convidado para entrar. Loon ajudou Cass a deitar no sofá e Simon colocou Minxie deitada no outro. O rapaz pálido de olhos verdes gemia de dor e sangrava bastante.

– O que aconteceu?! – Miro perguntou preocupado

– O centro da cidade foi atacado por Lyvrenys. Lutamos contra eles e esse foi o resultado. – respondeu Angela também gemendo baixo de dor

– Quem é ela? – perguntou Miro apontando para Minxie

– Minxie. A Sayryn que viemos resgatar. É uma longa história... – respondeu Samantha sentada em uma cadeira

O som de algo caindo e sendo quebrado tomou conta do local. Miro se virou e viu que Simon havia derrubado um vaso de planta sem querer de cima da estante.

– Ah! Essa não! – lamentou o rapaz de cabelos negros se agachando perto do vaso e juntando os cacos como se adiantasse alguma coisa

– Desculpa. Era valioso? – perguntou Simon

– Não, mas foi bem caro! – respondeu Miro um pouco zangado

– E isso é ruim? – perguntou o Sayryn de cabelos verdes de modo inocente

Miro suspirou.

– Tudo bem, foi um acidente. – resmungou Miro sabendo que só o que ele podia fazer era se conformar

– Tem alguma coisa aqui que possa curar nosso ferimentos? – perguntou Loon andando de quatro pela parede da sala como uma aranha

Ao ver aquilo, Miro gritou de susto.

– O que foi? – perguntou Angela

– Vocês...v-vocês andam pela parede?! – perguntou pasmo

– Aranhas, baratas, formigas...todos andam pela parede. Por que isso te assusta? – perguntou Loon descendo da parede e sentando no chão

– Bem, é que...digamos que vocês não sejam criaturas comuns. – disse Miro indo para a cozinha

– Aonde vai, humano? – perguntou Samantha

– Pegar os curativos. – respondeu

Com os olhos fechados, Cass sofria com a dor em seu corpo. Sua respiração estava acelerada e ele suava bastante. Abrindo um dos olhos com dificuldade, ele olhou para a Sayryn inconsciente no outro sofá.

– Ele mentiu... – resmungou Cass

– Como? – perguntou Simon sentado em cima da mesa de centro

– Aquele Lyvreny disse que tinha matado a Minxie...mas ela tá viva... – disse Cass

– Essa idiota...vamos ter uma longa conversa quando ela acordar. – disse Angela

Miro chegou com os curativos.

– Bom, não sei se isso serve pra vocês. Mas acho que pode ajudar.

Ao se aproximar de Cass, Miro foi surpreendido pelo Sayryn que levantou ficando sentado e tomou os curativos das mãos dele.

– Pode deixar que eu me viro. – disse Cass com a voz cansada

– Nossa, de nada. – debochou Miro

Miro olhou para Minxie e se sentiu mal com o quanto que ela estava ferida e machucada.

– O que aconteceu com ela?

– Foi querer invadir a base dos Lyvrenys sozinha e acabou se dando mal. – respondeu Samantha

– Eu vi o ataque pela TV. Foi terrível. Nunca imaginei que os Lyvrenys eram tão cruéis.

– Você ainda não viu nada. Mil anos atrás eles quase destruíram todo o planeta. Toda a legião de Sllayer foi destruída...e apenas por um deles. Maloman. – disse Angela dando um empurrão em Simon que se aproximava por trás para lhe fazer massagem

Ao ouvir o nome de Maloman, Cass acabou esfregando o algodão que passava em uma ferida com bastante força, sentindo a mesma arder bastante.

– Esse Maloman...quem é ele? – perguntou Miro curioso

– O Lyvreny lendário. Dizem que ele é filho do líder dos Lyvrenys com a Irmã Lahkhesis. É considerado o mais poderoso de todos. Ele nasceu das chamas do Tártaro, por isso tem o poder de controlar o fogo, além de que corre lava em suas veias. Destruiu sozinho toda a legião de Sllayer, a deusa-lobo do gelo, com apenas com um golpe. Além disso, ele e o Casstyel...são bem amigos... – disse Angela sussurrando a última frase estreitando os olhos e olhando para Cass com um olhar amedrontador

Cass apenas ignorou revirando os olhos enquanto enrolava uma atadura pela cintura a pressionando contra o enorme ferimento no abdômen.

– Quantas legiões de Sayryns existem? – Miro continuou com as perguntas

– Três. – respondeu Samantha

– Cada legião era protegida por um deus-lobo. A legião do gelo, a que foi extinta, era protegida pela deusa Sllayer. A legião do fogo, era protegida pelo deus Mynddz. E a legião da luz, ou seja, a nossa, era protegida pelo deus Keryuss. Não mantínhamos contato com Sayryns das outras legiões, mas ficamos sabendo que a legião de Mynddz também foi aniquilada pelas Irmãs e os Lyvrenys. Bom, pelo menos a maior parte dela. Acreditamos que houve sobreviventes, mas não sabemos o que aconteceu com eles. – disse Simon

– Agora só resta a nossa legião. No entanto, existem apenas treze de nós. Todos os outros já foram mortos em batalhas anteriores. Enquanto que o exército das Irmãs só aumenta, o nosso só diminui. – disse Loon de cabeça baixa transmitindo um ar de tristeza

– Eu...eu sinto muito... – disse Miro abaixando a cabeça

– Você não tem que sentir nada. Além disso, o que a Angela disse sobre Maloman está metade certo. Maloman já foi um Sayryn. Ele era o DD da legião. – disse Cass devolvendo o mesmo olhar amedrontador para Angela

– Já vai começar com essa ladainha? É impossível que Maloman tenha sido um Sayryn. E mesmo que fosse, você sabe que é proibido manter contato com Sayryns de outra legião. – respondeu Angela

– Por quê? E o que seria um DD? – Miro se intrometeu

– Por causa do equilíbrio de poder. Os poderes dos deuses-lobos não podem ser fundidos, isso seria uma catástrofe em nosso mundo. Para não correr o risco de dois Sayryns de legiões diferentes se apaixonarem e procriarem gerando um Sayryn de poder híbrido, os deuses decidiram que fosse melhor cada legião não manter contato com outra. – respondeu Samantha

– Se Maloman realmente foi um Sayryn como Casstyel insiste em dizer, quer dizer que ele quebrou as regras. E talvez essa maldição de lutar contra Maloman a cada mil anos seja sua punição. – disse Angela

Cass se zangou.

– E por falar nisso...ainda quero entender como usou aquele poder que congelou aqueles Lyvrenys. Somos da legião de Keryuss. Nosso poder é luz, e não gelo. – continuou Angela

– Aquilo foi bem daora. – disse Loon ainda sentado no chão

– Eu não sei como fiz aquilo... – resmungou Cass enrolando uma atadura no pescoço após cuidar do ferimento na garganta e limpar todo o sangue

– Do que estão falando? – perguntou Miro confuso

– É uma longa história... – respondeu Cass tentando fugir do assunto

– Eu tenho tempo. Aliás, eu preciso saber bastante para escrever o meu livro. – disse o rapaz de cabelos negros sorrindo tímido

Mas logo ele desfez o sorriso ao ver as expressões depressivas no rosto dos Sayryns. Talvez ficar os enchendo de perguntas não era uma boa ideia.

– Estão com fome? Eu posso preparar um lanche...

– Idiota, esqueceu que eu disse que não comemos? – interrompeu Cass de modo irritado

– Chato. – resmungou Miro fazendo bico

– Ei, humano, será que podemos passar a noite aqui? – perguntou Samantha cuidando dos ferimentos do corpo de Minxie, que continuava adormecida

– Passar a noite? Bom...a casa é pequena e acho que não tem lugar pra todo mundo...além disso, como sabem onde eu moro? – perguntou Miro com uma sobrancelha erguida

– Então nós podemos ficar? Obrigada, é muita gentileza da sua parte. – agradeceu Angela de modo gentil com um pequeno sorriso no rosto ignorando tudo o que Miro havia dito

Miro corou com o belo sorriso de Angela. Simon percebeu e não gostou nem um pouco.

– Posso conhecer sua casa por dentro? – perguntou Simon saindo correndo para a cozinha

Miro ficou desesperado ao ouvir som de algo sendo quebrado na cozinha. Ao correr até lá, viu Simon sentado igual um gato em cima do armário com dois pratos quebrados no chão.

– O que você tá fazendo aí em cima?! – perguntou Miro começando a se irritar

– Ué, eu quis ver o que tinha aqui. Aí esse troço balançou, a porta abriu e esses dois pratos caíram. – respondeu Simon andando de quatro em cima do armário

– Desce daí agora! – disse Miro pegando uma vassoura para varrer os cacos de vidro

Simon se jogou de cima do armário e caiu deitado em cima da mesa. O impacto da queda foi tão intensa que partiu a mesa ao meio. Miro arregalou os olhos e ficou petrificado sem nem saber como reagir.

– Foi mal aí, humano. Era valiosa? – perguntou Simon caído no chão entre as duas metades da mesa

Angela, Loon e Samantha chegaram mais atrás para ver o que estava acontecendo. Loon caiu na gargalhada, Angela estava com uma carranca no rosto e Samantha bateu com a mão na testa.

Ainda no sofá, Cass estava cabisbaixo e pensativo. As palavras de Angela não saíam da sua cabeça. Ele sempre soube que manter contato com Sayryns de outra legião era proibido. Mas nunca imaginou que a maldição lançada sobre ele pela Irmã Lahkhesis pudesse ser uma punição para isso. Além disso, por que as Irmãs se importariam com essa regra?

Três mil anos atrás, no palácio dos Sayryns da legião de Keryuss, Casstyel se encontrava sentado na grama no campo de sophias observando a paisagem. Mesmo estando bem distante, ele podia ouvir o som de uma cachoeira que caía ao longe, além do canto das pequenas criaturinhas aladas que voavam pela floresta. Sentindo o vento soprar contra seus cabelos prateados e suas enormes asas brancas, ele foi tirado de seus pensamentos quando suas enormes orelhas pontudas vibraram.

– Você não cansa de olhar pra essas flores não? – perguntou uma voz familiar

Casstyel não pode deixar de sorrir ao ouvir aquela voz. Aquela voz que por algum motivo o deixava mais calmo e tranquilo quando a ouvia. Ele sentiu alguém se sentando na grama com ele e virou a cabeça para observar o Lyvreny ao seu lado. Cabelos prateados lisos até o pescoço, pele cinza, olhos felinos dourados com um olhar ardente, camisa preta de manga longa cheia de rasgos por todo o tecido, calça preta também cheia de rasgos nas pernas, coturnos negros, luvas negras de couro nas mãos, um enorme losango laranja pregado no meio do peito, um losango que parecia pegar fogo por dentro. Casstyel não fazia ideia do que era aquilo, mas sabia que fazia parte do corpo do Lyvreny. As asas negras do Lyvreny eram cinco vezes maiores que as asas de Casstyel. Ao perceber que estava sendo olhado, o Lyvreny fez bico e olhou para o Sayryn fingindo aborrecimento.

– Ei, eu te fiz uma pergunta. – disse o Lyvreny dando um pequeno cascudo na cabeça de Casstyel, o fazendo rir

– Eu adoro observar essas flores. Meu pai diz que elas têm o mesmo cheio da minha mãe. Além de serem tão belas quanto ela. – disse Casstyel tocando delicadamente na pétala de uma rosa próxima

– Onde estão os corações? – perguntou o Lyvreny logo na lata

– Estão no...

Casstyel percebeu.

– Ei! – reclamou o Sayryn enquanto o outro ria. – Eu não vou dizer! – disse cruzando os braços e lhe dando de ombros

– Tudo bem, eu entendo.

Assim que o Lyvreny tocou em uma rosa, a mesma ficou completamente carbonizada na hora e logo se desfez em cinzas, como se tivesse pegado fogo. O Lyvreny abaixou os olhos tristes e olhou de canto para Casstyel com medo dele ter visto, mas por sorte ele não viu.

– O que está fazendo aqui? Se algum Sayryn te ver aqui, a confusão vai ser grande. – disse Casstyel

– Só vim dizer um oi. Sabe...queria conversar um pouco antes da nossa luta. Afinal, sempre passamos muito pouco tempo juntos. Estava com saudades... – respondeu o Lyvreny ficando de pé e juntando sua gigantesca foice do chão a colocando sobre os ombros

Casstyel o olhou enquanto ele se levantava.

– Saudades de mim? – perguntou Casstyel sorrindo

– É. Mas só um pouco... – disse o Lyvreny tímido, fazendo Casstyel sorrir mais ainda

Casstyel também se levantou ficando em pé ao seu lado.

– Vamos mesmo ter que lutar? – perguntou o Sayryn de olhos verdes com tristeza em sua voz

– É o nosso destino, não é? Daqui a três dias. – respondeu o Lyvreny de olhos dourados enquanto o vento soprava com mais força contra seus cabelos prateados

Casstyel franziu a testa ao ouvir aquilo. Ele abriu a boca para dizer algo, mas foi cortado pelo Lyvreny que colocou a mão em seu ombro.

– Me promete que vai dar o seu melhor!

– Você...você quer mesmo lutar? Eu não quero te matar de novo... – disse Casstyel triste

O Lyvreny sorriu.

– Hm, me matar? Tá tão confiante assim que vai vencer? Isso! Esse é o espírito! Vamos dar o nosso melhor. Agora eu tenho que ir. Nos vemos daqui a três dias! – disse o Lyvreny batendo suas asas e se preparando para levantar voo

– Maloman, espera! – chamou Casstyel

O Lyvreny se virou para ele com um sorriso no rosto.

– Você é muito mais forte que eu. Mas por que eu sempre venço? – perguntou Casstyel nervoso em saber que tipo de resposta seu amigo lhe daria

Maloman fez bico e ergueu a cabeça com a mão no queixo pensando.

– Essa é uma excelente pergunta. Enfim, tchauzinho! – se despediu o Lyvreny batendo suas asas e voando para bem alto em uma velocidade absurda

Uma pena negra que soltou de sua asa veio caindo e Casstyel a pegou.

– Dar o meu melhor... – pensou o Sayryn bastante angustiado

"Dar o meu melhor" – pensou Cass novamente após aquela lembrança

XXXXX

Era tarde da noite. Como a casa de Miro só tinha um quarto e uma cama, Angela dormia no sofá menor, Minxie ainda estava inconsciente no sofá maior, Simon e Loon dormiam um em cima do outro em um lençol estendido no chão e Samantha dormia sentada em uma cadeira. Cass estava no canto da sala sentado no chão encostado na parede. Estava acordado e pensativo. Cabeça baixa, olhar vazio, expressão vaga. A cada dia que passava, o coração do Sayryn ficava cada vez mais pesado com a quantidade de tristeza que ia se acumulando. Não só tristeza, mas culpa, remorso, arrependimento. Seus belos olhos verdes nem estavam tão brilhantes, estavam cansados e pesados. Mesmo morrendo de sono, ele não conseguia dormir. Muita coisa para pensar. Levando uma mão ao peito, o rapaz de pele pálida e cabelos prateados apertou um pouco o tecido do moletom, como se segurasse algo por baixo do mesmo. Pelo modo como segurava, dava a entender que era o pingente de um colar que ele usava por baixo da roupa. Foi tirado de seus pensamentos por um cobertor branco de tecido grosso e bem macio que caiu sobre ele. Ao retirar o cobertor da cabeça, olhou para cima e viu Miro com um travesseiro em mãos.

– Aqui. Pra apoiar a cabeça. – disse o rapaz humano lhe entregando o travesseiro

Cass recebeu o objeto em silêncio e o colocou sobre o colo. Miro se agachou para ficar ao nível dele.

– Como estão seus ferimentos? Parecem bem graves. – disse Miro preocupado

– Estou bem. Vou ficar bem. Não se preocupe. – respondeu Cass com o rosto virado para o outro lado como se não quisesse olhar para Miro

– Você está bem ou vai ficar bem? – perguntou sorrindo

Cass não respondeu. Miro suspirou e deslizou pela parede sentando no chão ao seu lado.

– Confesso que até agora ainda não consigo acreditar. Tem Sayryns de verdade na minha casa. Isso é incrível. Surreal. – disse Miro com um pequeno sorriso no rosto observando os Sayryns adormecidos pela sala

– Você está bem? – perguntou Cass em um tom baixo

– Oi?

– Perguntei se está bem.

– Por quê?

– Você tinha desmaiado antes queimando em febre...

– Ah sim. Sim, eu tomei um remédio e já estou melhor. Se bem que eu já estou acostumado com isso. Fico com febre alta do nada desde que eu era criança. A sensação é como se todo o meu corpo pegasse fogo por dentro...

– Só perguntei se você está bem. Não quero saber de mais nada. – Cass interrompeu

Miro fez bico e já estava irritado com Cass ficar o tempo todo com o rosto virado sem olhar para ele.

– Por que não olha pra mim? Eu não sou tão feio assim. Sou? – perguntou Miro em um tom divertido

Cass não respondeu.

– Você não gosta nenhum pouco de mim, né?

O Sayryn manteve-se em silêncio. Miro coçou a cabeça e se levantou do chão bocejando.

– Eu vou dormir. Tá tarde. Boa noite.

– Ei, humano.

Miro se virou para ele.

– Valeu por...nos deixar passar a noite aqui.

– Não precisa agradecer. E eu tenho nome, tá? É Miro.

– E quem perguntou?

Miro deu língua para ele e foi para o seu quarto.

XXXXX

Sons de correntes seguidos de gritos e mais gritos de dor ecoavam por toda a catedral. Sentado em seu trono, o líder dos Lyvrenys estava com o rosto sério e com uma leve expressão de tédio. Uma taça de vidro com sangue encontrava-se depositada no braço direito do trono. Juny estava atrás do trono fazendo massagem nos ombros de Lowki e July estava agachada perante ele massageando seus pés. As correntes enroladas nos braços dele estavam esticadas para frente, enroladas nos braços, pernas, cintura, pescoço e asas de Dlav, o erguendo no ar e o esticando sem nenhum dó, com a intensão de arrancar seus membros fora. Dlav gritava desesperadamente alto de dor. Quanto mais se rebatia, mais as correntes se enrolavam em seu corpo o esmagando deixando marcas horrendas em sua pele e esticavam seus membros. Embaixo dele, havia uma poça de sangue no chão, sangue que saía das feridas causadas pelas correntes. Os outros Lyvrenys estavam sentados nos bancos apenas assistindo com uma expressão pasma no rosto. Estavam todos na forma humana. Ivan estava um pouco separado deles encostado na parede com os braços cruzados e um pé dobrado para trás. Estava cabisbaixo com os olhos fechados com força. Dyllan não aguentou ouvir aqueles gritos e assistir aquela tortura, levantou do banco e foi até Ivan.

– Manda ele parar.

Ivan abriu um olho e o olhou.

– Manda ele parar! Isso já tá demais! Se continuar assim, ele vai morrer!

Ivan continuou o encarando em silêncio.

– Que bom que decidiu ser um de nós. – disse Huey sentado em um banco lambendo a mão igual um gato

– Hã? – perguntou Dyllan um pouco confuso

– Pra alguém que dizia que não queria se juntar a nós, você parece bem preocupado com ele. – disse Nyra sentada no banco ao lado de Huey

– Mas e vocês? Não estão nem aí? – perguntou Dyllan

Os Lyvrenys ficaram em silêncio o olhando. Dyllan suspirou e abaixou a cabeça. Dlav não parava de gritar. A poça de sangue no chão aumentava cada vez mais. O corpo dele já estava quase para ser partido ao meio com o quão forte as correntes o apertavam. Sons de ossos estalando eram ouvidos claramente enquanto que seus braços e pernas eram esticados. Lowki pegou a taça em mãos e bebeu um gole do sangue que havia ali. Estava calmo, calmo até demais. Fechou os olhos e suspirou relaxando com a massagem que Juny e July lhe faziam. Ivan levou uma mão ao rosto, ajeitou os óculos, se desencostou da parede e caminhou até Lowki, parando ao lado do trono.

– Já chega. – disse Ivan com as mãos enterradas nos bolsos da jaqueta preta de couro que usava

– Como? – perguntou Lowki abrindo um dos olhos para olha-lo

– Eu disse que já chega.

– Desculpa, eu não ouvi. Dá pra falar mais alto? Não dá pra ouvir nada com esses gritos. – debochou

– Ele é do meu grupo. Sou eu quem decido o que fazer ou não com ele. Além disso, você ordenou para o novato matar a Sayryn. Era o novato quem deveria ser torturado.

Dyllan arregalou os olhos e seu coração parou por alguns segundos. Não podia acreditar no que tinha ouvido.

– Sim, mas o Dlav disse que faria o serviço. Não fez e ainda mentiu. Além do mais, ele deveria ficar de vigia, mas mesmo assim a Sayryn invadiu. É um incompetente, não acha? – perguntou Lowki tomando mais um gole do sangue na taça

– Mas é claro. Ele é do meu grupo. Só obedece às minhas ordens.

Lowki o olhou com uma sobrancelha erguida.

– Você tem o direito de fazer o que quiser com os outros. Mas o meu grupo está sob minha responsabilidade. E é por isso que eu exijo que você o solte agora mesmo. – disse Ivan começando a se irritar

Lowki ficou o olhando e piscou algumas vezes.

– Muito bem então.

As correntes jogaram Dlav no chão com toda a força, o fazendo afundar no solo. Após joga-lo no chão, as correntes se desenrolaram do seu corpo e voltaram para os braços de Lowki, se transformando em apenas tiras de pano pretas enroladas nos mesmos.

– Feliz?

Ivan virou os olhos e se retirou. Dlav tomou a forma humana e estava muito machucado, em um estado quase morto. Seus braços e pernas estavam quebrados, o corpo cheio de marcas e cortes profundos que não paravam de sangrar. Ivan agarrou o braço dele e saiu o levando o arrastando pelo chão, deixando um rastro de sangue por onde passava. Nyra e Huey foram com eles. Dylan abaixou os olhos, ficou um pouco pensativo e também resolveu acompanha-los. Lowki ficou só olhando.

– Parece que o novato resolveu entrar pro grupo dele. – disse Juny

– Que ótimo... – resmungou Lowki

Lowki pegou a taça vazia e a jogou para Maxxi, que a pegou no ar.

– Pode encher. – disse o líder

Maxxi foi até a poça de sangue no chão e encheu a taça com o sangue de Dlav, a levando para Lowki em seguida.

– Saúde. – disse o líder dos Lyvrenys bebendo o sangue e lambendo os lábios lentamente

Ivan arrastou Dlav até o lado de fora da catedral. Ao chegarem na floresta em uma área bem iluminada pela luz da lua, eles pararam. Ivan o soltou e Dlav ficou sentado no chão. Nyra, Huey e Dyllan chegaram mais atrás.

– O-obr...

Dlav foi interrompido por um forte chute que Ivan lhe deu no rosto o jogando contra o tronco de uma árvore. Ao cair no chão, Ivan o levantou o puxando pela gola da camisa e começou a lhe encher de socos.

– Ei, pare com iss... – disse Dyllan sendo interrompido por Nyra que colocou a mão na frente dele para cala-lo

Ivan deu um último soco deixando Dlav caído no chão quase inconsciente. Ele o pegou pelo braço novamente e o arrastou até perto de um lago o jogando no mesmo. Dlav gritou sentindo as feridas arderem ao serem molhadas pelas águas correntes do riacho. Ivan se agachou na beira do riacho e ficou o observando enquanto ele tentava se levantar.

– Você é um idiota, Dlav. Você sabe que elas estão o tempo todo de olho em nós. É claro que o Lowki ia descobrir.

– Por que não matou a Sayryn, Dlav? – perguntou Huey

– Por que deixou ela invadir a catedral? – perguntou Nyra

– E-eu...eu não...não consegui...não consegui i-impedi-la... – respondeu Dlav bastante fraco

– Mas você pelo menos tentou impedir? – perguntou Ivan

Dlav não respondeu.

– Você tem noção do que fez, Dlav? Agora a Sayryn está viva e solta por aí. Sabe a identidade do nosso líder e que o Dyllan agora é um de nós. Como você acha que os Sayryns irão reagir a isso quando ficarem sabendo? – perguntou Nyra

– Mas o Lowki a deixou bastante ferida. Com certeza ela não deve ter ido muito longe. Se formos atrás dela, podemos encontrá-la e matá-la... – disse Huey sendo interrompido por Ivan que colocou a mão na sua frente para cala-lo

– Limpe esse sangue e depois saia da água. Temos que voltar. – disse Ivan ficando de pé

Dlav se arrastou e saiu do riacho com dificuldade.

– Me perdoem. É que...aquela Sayryn...

– Você a conhece? – interrompeu Nyra

– Talvez... – respondeu tímido com os olhos baixos

– Eles são nossos inimigos, Dlav. Lembre-se disso. – disse Ivan lhe dando as costas e saindo

Ivan passou por Dyllan e tocou no ombro dele o convidando para ir embora dali. Nyra e Huey também passaram por ele indo embora.

– To com fome. – disse Huey

– Nós não sentimos fome, Huey. – disse Nyra

– Ah é.

Dlav estava muito fraco para se levantar. Ele só conseguia se arrastar, mas foi surpreendido por Dyllan que chegou e o ajudou.

– Você está bem? – perguntou Dyllan

Dlav ficou o olhando.

– Por que está me ajudando?

– Bom...por eu ser um ex Sayryn, ainda existe bondade em mim. E agora que eu sou um de vocês, não vejo porque não ajudar.

– Então agora você aceita que é um de nós?

– Aceito que sou um Lyvreny. Mas um de vocês, jamais.

Dlav sorriu.

– É. Boa resposta.

Ivan, Nyra e Huey caminhavam por uma pequena trilha da floresta enquanto voltavam para a catedral. A luz da lua cheia iluminava bem, além de que a floresta estava bem enfeitada com as luzes dos inúmeros vagalumes que vagavam pelo local. Huey observava os insetos luminosos com admiração. Ouviram passos vindo de trás. Se viraram e viram Dyllan abraçado de lado com Dlav o apoiando e o ajudando a caminhar.

– O que acha disso, Ivan? – perguntou Nyra

Ivan ajeitou os óculos e deu um pequeno sorriso.

– É, parece que ele está do nosso lado. Acho que esse novato pode ser nossa salvação.

XXXXX

Miro dormia profundamente em sua cama, quando foi acordado pelo som do despertador. Bufou irritado e tateou a cômoda ao lado da cama até encontrar aquele objeto irritante e desliga-lo. Levantou com uma tremenda preguiça e coçou os olhos bocejando.

– Que horas são...? – perguntou ainda bastante sonolento

Procurou seu celular pela cama e após encontra-lo entre as cobertas, olhou as horas. Arregalou os olhos ao perceber que tinha somente cinco minutos para tomar o café da manhã, tomar banho e se arrumar para a escola. Levantou da cama em um pulo e saiu correndo. Ao chegar na sala, se deparou com um ambiente vazio e silencioso. Os Sayryns já haviam acordado e tinham ido embora. Miro suspirou. Juntou os cobertores e os travesseiros do chão e ao chegar na cozinha, gritou bem alto ao ver o armário caído no chão com toda a louça quebrada e espalhada pelo mesmo.

– Malditos Sayryns!!

Correndo pela rua rosnando de raiva, Miro avistou ao longe o portão da escola sendo fechado. Apressou o passo e conseguiu entrar antes que o segurança fechasse o portão de vez.

– Está atrasado! – gritou o segurança de baixa estatura, gordinho e barbudo

– Foi mal! – gritou Miro sem parar de correr e sem olhar para trás

Chegou na sala de aula extremamente cansado e ofegante e agradeceu aos céus pelo professor ainda não estar na sala de aula. Viu Cass sentado na sua carteira de sempre no fundão e marchou até ele esfumaçando de raiva.

– Você destruiu a minha cozinha! – esbravejou Miro colocando seus materiais na carteira ao lado da de Cass e batendo com as mãos na mesa dele

– Destruí? – perguntou Cass bocejando sem tirar sua atenção da janela

– Eu já to sem dinheiro pra pagar o aluguel e as contas e você ainda destrói a minha casa?! É assim que me agradece depois de ter te dado abrigo?!

– Mas do que você tá falando? Eu não fiz nada. – disse o Sayryn bastante calmo

– Não fez nada?! – perguntou o rapaz quase gritando

– Se quiser reclamar, reclame com o Simon e o Loon. Foram eles. Eu só fiquei assistindo. – disse bocejando parecendo não se importar nem um pouco

– Ora seu...

Miro foi interrompido pelo professor que entrou na sala de aula acompanhado de uma aluna. Uma garota belíssima de longos cabelos azuis claros, pele branca como a neve, macia e delicada, baixinha, magra e um jeitinho tímido. Tinha belíssimos olhos verdes brilhantes, usava um vestido marrom simples de alça e um par de sapatilhas prateadas nos pés. Usava uma tiara prateada na cabeça e um cinto preto na cintura como enfeite. Miro corou bastante ao vê-la e arregalou os olhos encantado com a beleza dela. Seu coração acelerou e ele ficou paralisado sem conseguir parar de olha-la. Até Cass também se sentiu tentado em olha-la desviando sua atenção da janela. Ela era muito bonita e nisso Cass concordava.

– Bom dia, alunos. – disse o professor em um tom não muito alegre

Por causa do ataque de Lyvrenys na noite anterior, as pessoas ainda estavam em choque e assustadas. Todos saíam de casa com medo, outros preferiam nem sair. Poucos alunos se atreveram a ir para a escola. Na sala de aula de Miro, por exemplo, só haviam dez alunos. Foram poucos os que responderam ao professor.

– É...depois do que aconteceu ontem, não sei como hoje possa ser um bom dia. Mas enfim, estou aqui com uma nova aluna. O nome dela é Lyanne. Não veio nos primeiros dias de aula pois estava doente. Ela é muito tímida e espero que se deem bem com ela. Lyanne, gostaria de falar alguma coisa? – perguntou o professor

A garota negou com a cabeça.

– Tudo bem. Pode se sentar. Abram seus livros e vamos iniciar a aula.

Caminhando por entre as carteiras, Lyanne procurava um lugar para se sentar. Assim que ela se aproximou da carteira de Miro, Miro corou mais ainda e seu coração acelerou tanto que parecia que ia explodir. Ele ficou maravilhado com o perfume dela. Era um cheiro doce, suave e refrescante. Levou as mãos ao rosto e soltou um suspiro. Um suspiro apaixonado. Assim que Lyanne olhou para ele, ela ficou pasma. Arregalou um pouco os olhos e deu um passo para trás. Seu corpo ficou trêmulo e parecia assustada. Miro estranhou aquela reação.

– Oi. Eu sou o Miro. Bem-vinda. – disse o rapaz de modo gentil tentando acalmar a garota

Ela abaixou a cabeça tímida, passou por ele sem responder e se sentou na carteira atrás dele. Ele se virou para trás para olhar para ela.

– Você está bem?

Ela afirmou com a cabeça.

– Tem namorado?

– Miro! – chamou o professor

Miro rapidamente se virou para frente.

– Preste atenção aqui na frente.

– Sim, senhor... – disse encolhendo os ombros

Lyanne olhou para o lado e viu que Cass estava olhando para ela. Assim que ela olhou para ele, ele virou o rosto e voltou a observar o jardim do lado de fora pela janela.

Depois, na hora do intervalo, Cass estava caminhando pelo corredor da escola como de costume. Gostava de sair andando pelo prédio sem nenhum motivo, sem nenhum rumo, apenas gostava de andar. O corredor que estava sempre lotado de alunos, desta vez estava quase vazio. Poucas pessoas se atreveram a ir para a escola, e por onde ele passava, sempre ouvia conversas sobre o que aconteceu na noite anterior. Passou em frente à porta da sala do Conselho Estudantil e mais uma vez teve aquela sensação desagradável que o fez se afastar. Com certeza os antigos membros do Conselho haviam sido mortos pelos Lyvrenys que se livraram de seus corpos e tomaram seu lugar. Cass sabia que eles estavam naquela escola por um motivo: ele.

Caminhando distraidamente, o Sayryn foi surpreendido por Miro que chegou por trás e pulou nas suas costas.

– E aí? Como é que vai o meu Sayryn favorito? – perguntou o rapaz de cabelos negros alegremente montado nas costas de Cass

– Será que dá pra sair de cima de mim? – perguntou Cass irritado

Miro sorriu e desceu. Ele foi dizendo algo, mas parou ao ver que o pescoço de Cass estava totalmente limpo, sem nenhuma ferida, marca ou cicatriz.

– Ué... – disse Miro se aproximando de Cass para observar bem seu pescoço

– O que foi? – perguntou Cass com uma sobrancelha erguida meio desconfortável com aquela aproximação

– Seu pescoço...agora que eu vi. Não devia ter uma cicatriz aí? Aquele ferimento era enorme.

– Nós Sayryns temos um grande poder de regeneração.

Cass levantou o moletom e mostrou seu abdômen definido. Aquele corpo que quase havia sido esmagado e partido ao meio na noite anterior, agora estava totalmente curado, sem nenhuma marca, cicatriz ou mancha. Como se nada tivesse acontecido.

– Uau... – disse Miro impressionado

– O que você quer? – perguntou o Sayryn abaixando o moletom

– Não lembro. – respondeu fazendo bico

Cass lhe deu de ombros e saiu caminhando.

– Ei, espera! Eu lembrei! Você viu a aluna nova? – perguntou Miro o acompanhando

– Vi.

– Você viu o quanto que ela é linda? Acho que eu to apaixonado.

– Problema seu.

– Você acha que eu devo chegar nela? Eu nunca tive uma namorada e por isso não sei bem como funciona. O que eu devo fazer?

– Que tal me deixar em paz? Já é um começo.

– Caramba, como você é chato! Que tal ajudar um amigo apaixonado, hein?

– Em primeiro lugar: você não tá apaixonado. Só tá atraído por ela. Não tem como se apaixonar por uma pessoa que você acabou de ver. E em segundo lugar: não somos amigos.

– Mas somos colegas de classe. E eu sou o único que sei o seu segredo. Isso não conta?

– Não.

Miro suspirou e resolveu continuar acompanhando Cass.

– Você já amou antes?

– Defina “amar”.

– Se apaixonou por alguém?

– Isso é impossível pra mim. Amor é perda de tempo. Além disso, to mais preocupado em salvar a minha pele.

– Se você nunca se apaixonou, então como sabe que eu não to apaixonado por ela?

– Há quanto tempo você acha que eu estou aqui no mundo dos humanos? 995 anos é tempo suficiente pra aprender muita coisa sobre vocês. Seus costumes, seus hábitos...e que vocês são umas criaturas muito esquisitas.

– Olha só quem fala. – disse Miro com a cara emburrada

– Mas se você tá a fim da menina...vai lá falar com ela. – disse Cass chegando no refeitório e sentando em uma mesa

– V-você acha mesmo que eu devo fazer isso?

– Não, só quero que saia de perto de mim.

Miro virou os olhos e saiu irritado. Cass deu um suspiro de alívio por finalmente Miro ter ido embora. Assim que ficou sozinho, começou a ouvir os cochichos de alguns alunos que também estavam no refeitório: “Parece que o esquisito do Cass finalmente arranjou um amigo. Talvez ele não seja tão antissocial. Vocês não deviam julga-lo, vocês nem o conhecem.”

Ignorando os comentários, o Sayryn só conseguia pensar na noite anterior, em toda a destruição que os Lyvrenys causaram e em como ele tinha um pouco de culpa por aquilo está acontecendo. Suspirou. Não queria admitir, mas sentia falta do palácio, dos seus amigos e principalmente do seu pai. Sabia que ficar longe do palácio deixaria seu povo em segurança, mas não por muito tempo. Tinha que fazer alguma coisa, e ficar se escondendo para sempre não era uma opção. Precisava dar um fim àquilo. Quantos mais Sayryns e humanos teriam que morrer para que o segredo dos corações fosse mantido? Apenas matar os Lyvrenys não adiantava, pois as Irmãs sempre apareciam com um novo exército. A única alternativa seria matar as Irmãs do Destino para sempre. Matando as Irmãs, os Lyvrenys seriam destruídos para sempre e ele estaria livre da maldição. Não precisaria mais lutar contra Maloman a cada mil anos, porém, nunca mais o veria de novo, pois Maloman nunca mais ressuscitaria. Fechou os olhos com força e mais uma vez a pergunta que ecoava em sua mente por milhões de anos voltou a aparecer: “Por que Maloman mentiu?”

Miro caminhava pelo corredor suando de nervosismo enquanto treinava o que dizer para a aluna nova.

– “Oi! Eu sou o Miro! Bem-vinda à escola!”...não, alegre demais. “E aí, beleza? Eu me chamo Miro. Vamos tomar um chá e conversar sobre o quanto você é linda”...não, imbecil demais. “Olá! Como vai? Você é nova aqui?” Claro que ela é nova aqui! Deixa de ser burro! – disse Miro batendo na própria testa

Selena passou por ele.

– Oi, Miro!

– Ah, oi Selena.

– Eu estou indo lanchar no refeitório. Você vem?

– Depois, eu tenho que resolver uma parada primeiro.

– Que parada?

– Depois eu falo. A gente se vê no refeitório. – disse Miro saindo

– Ah...tá bem.

Miro saiu caminhando pelo corredor e assim que dobrou à esquerda, avistou Lyanne conversando com Ivan no fim do mesmo. Miro ficou atrás do bebedouro observando. Ivan parecia sério e falava com rigidez, enquanto que Lyanne estava cabisbaixa e apenas confirmava com a cabeça.

– O que será que o presidente do Conselho quer com ela? – perguntou Miro para si mesmo

Lyanne ergueu a cabeça e disse algo que fez Ivan dar um largo sorriso de canto. Ele colocou a mão no ombro dela, se inclinou e sussurrou algo em seu ouvido. Lyanne apenas assentiu. Ivan ajeitou os óculos e foi embora. A garota de cabelos azuis passou a mão na testa, suspirou e veio caminhando pelo corredor até o seu armário. Ela o abriu e ficou organizando seus materiais. Miro suspirou, tomou coragem e resolveu ir até ela.

– Ah...oi.

Lyanne olhou para ele e ela era tão linda que o fez esquecer tudo o que ia dizer apenas com o olhar. Ambos coraram e viraram o rosto tímidos.

– Eu...bom...meu nome é Miro. E o seu? Ah, é Lyanne. O professor já tinha dito. É...eu...queria desejar boas-vindas à escola. Eu também sou novato, sabe...você...é...você é muito bonita... – disse Miro engolindo em seco sem parar de esfregar a mão na nuca de tão nervoso que estava

– Obrigada. Eu me chamo Lyanne...ah, espera...disso você já sabe...e qual é o seu nome? Ah, espera...você já disse... – disse a garota tão nervosa quanto ele

Miro sorriu.

– Você é muito fofa. Quantos anos você tem?

– Quantos anos?

Ela abaixou a cabeça e ficou pensando. Miro ergueu uma sobrancelha estranhando.

– Ah...dezesseis...?

A resposta dela saiu mais como uma pergunta, mas Miro resolveu ignorar pois sabia que como ela era muito tímida, estava tão nervosa quanto ele.

– Eu tenho dezoito. De onde você é? Eu sou do Livriew e estou fazendo intercâmbio aqui em Tefyan.

– De onde eu sou? – perguntou a garota

Miro estranhou novamente.

– Sim...você é daqui mesmo? Onde você estudava antes?

A garota piscou algumas vezes parecendo não saber a resposta de nenhumas daquelas perguntas.

– Você...sofre algum tipo de perda de memória?

– Perda de memória?

– Eu perguntei de onde você é e você parece não saber...

– De onde eu sou...Grécia.

– Grécia?! Você é grega? Você também tá fazendo intercâmbio? Uau! Não é à toa que você parece uma deusa!

Lyanne corou e sorriu tímida.

– Ah, desculpa, eu...saiu sem querer...é que você é tão linda que...

– Tudo bem. Obrigada. Meu ex namorado também me dizia isso.

Miro pasmou ao ouvir aquilo.

– Ex namorado...?

– Sim. Mas isso faz muito tempo. Ele terminou comigo por causa de ciúmes e...ah...nem sei porque to contando isso... – disse Lyanne sem jeito

– Tudo bem. Mas você tá solteira agora, né?

– Sim.

– Tipo, solteira mesmo. Sem namorado nenhum. Totalmente solteira. Sozinha. Sem ninguém pra chamar de amor.

Lyanne riu.

– Você é engraçado.

– Isso. Quer dizer que eu tenho chance! – resmungou Miro comemorando

– O quê?

– Você ouviu?! D-desculpa, eu estava pensando alto! – disse Miro sorrindo de tão nervoso que estava

Lyanne levou a mão até a bochecha dele. Assim que ela tocou em seu rosto, ele ficou muito mais vermelho do que já estava. A mão dela era macia e o toque era delicado. Ela deu um pequeno sorriso que fez o coração dele explodir de vez. Como ela era linda.

– O destino é mesmo algo surpreendente. Quando duas pessoas são unidas por um vínculo poderoso, não importa quanto tempo passe, pode passar até mesmo a eternidade...o destino sempre dará um jeito de uni-las novamente. Porque elas nasceram para ficar juntas. Foram feitos um para o outro. – disse Lyanne com sua voz doce e suave com as bochechas rosadas olhando fixamente nos belos olhos dourados de Miro

– Bonito, mas...por que você disse isso?

Lyanne afastou a mão do rosto dele e ele fez um beicinho aborrecido.

– Me desculpe, é que...você se parece muito com o meu ex namorado...

– Pareço? – perguntou Miro piscando algumas vezes apontando para o próprio rosto

– Quando te vi pela primeira vez, pensei que fosse ele...

– Por isso que você agiu daquele jeito na sala de aula quando me viu?

– Sim...sinto muito.

– Tudo bem. Então seu namorado devia ser muito bonito. – disse Miro de modo convencido

Lyanne sorriu.

– Então, você...tá a fim de lanchar? Eu posso te mostrar a escola. Apesar de eu ainda não conhecer o prédio direito...

– Lanchar...não, obrigada. Estou sem fome. Mas você pode me mostrar a escola. – disse Lyanne fechando a porta do armário e trancando

– Claro. Por onde quer começar?

Cass passou por eles e esbarrou em Miro de propósito.

– Ai! Ei! Olha por onde anda! – disse Miro com a mão no ombro onde Cass esbarrou

Assim que passou por Lyanne, ambos trocaram olhares. Lyanne corou encantada com a cor verde dos olhos de Cass. Após passar por ela, ele desviou o olhar e voltou a olhar para frente. Lyanne ficou só olhando para ele com os olhos trêmulos.

– Que lindo... – disse a garota ainda com o rosto corado

– Hã?! – perguntou Miro enciumado

Lyanne foi atrás de Cass deixando Miro sozinho.

– Ei! E eu aqui?! – perguntou Miro frustrado por ter sido deixado de lado

Cass caminhava com uma carranca no rosto escondido levemente pelo capuz do moletom, quando uma voz feminina falou atrás dele.

– Com licença...

Ele parou de andar e se virou. Era Lyanne. Ele ficou a olhando em silêncio, esperando ela falar.

– É...seus olhos...são muito bonitos... – disse tímida

Cass piscou algumas vezes e continuou a olhando em silêncio.

– Parece que somos colegas de classe. Eu me chamo Lyanne. Qual o seu nome?

Cass virou os olhos, lhe deu as costas e continuou a caminhar a ignorando. Miro chegou ficando ao lado de Lyanne.

– Ei! Ela te fez uma pergunta! Custa responder? – perguntou Miro

– Quem é ele? – perguntou Lyanne

– Ah...o nome dele é Cass. Eu não o conheço muito bem, mas ele já estuda aqui há algum tempo. É um tremendo babaca.

– Ele é muito bonito... – disse a garota com o rosto corado e os olhos brilhando

Miro franziu a testa.

– É, ele é...mas eu sou muito mais! Além disso, sou muito mais legal. – disse Miro fazendo pose

Lyanne sorriu. Ivan e Nyra estavam observando tudo de longe.

– Ora, ora...o destino realmente é uma caixinha de surpresas. – disse Nyra

– Maloman é mesmo um idiota. – disse Ivan ajeitando os óculos enquanto que a luz do dia refletia nas lentes

XXXXX

Acima das nuvens, no mundo dos Sayryns, no palácio da legião de Keryuss, Lavidh caminhava de um lado para o outro parecendo agoniado.

– Você vai acabar fazendo um buraco no chão, Lavidh. – disse Lídius chegando no local

– Eles ainda não voltaram! – disse Lavidh parecendo bastante preocupado

– Tenha paciência. E por favor, pare de andar em círculos. Estou ficando tonto. – disse o líder dos Sayryns passando a mão na testa

– Não consigo me acalmar! Mas que droga! Se alguma coisa tiver acontecido com ela...

Lavidh parou de falar quando suas orelhas vibraram.

– VOLTARAM! – disse a voz de Yel vindo de cima do lado de fora do palácio

Eles olharam para cima e o som de bater de asas ficava cada vez mais alto, até que finalmente, Angela, Samantha e Minxie vieram voando e caíram no chão, já que estavam machucadas e não conseguiram pousar direito. Lavidh correu até elas e foi direto até Angela.

– Angela! – disse o Sayryn se agachando e a ajudando a se levantar

– Lavidh... – disse Angela feliz por vê-lo

Ao ver as feridas pelo corpo de Angela, Lavidh ficou furioso.

– Quem fez isso? – perguntou o Sayryn passando o polegar delicadamente pelo corte no rosto dela

– Encontramos vários Lyvrenys pelo caminho...lutamos contra eles. E também um grupo de Lyvrenys muito poderosos destruíram todo o centro de Tefyan. Casstyel nos ajudou...mas ele não quis voltar com a gente. Sinto muito...prometi que não voltaria ferida...eu sinto muito... – disse Angela abaixando a cabeça

Lavidh a abraçou passando o recado de que ela não precisava se preocupar. Que estava tudo bem agora. Angela retribuiu o abraço e fechou os olhos se sentindo confortável e segura.

– Estamos bem, Lavidh. Muito obrigada por perguntar e se preocupar. – debochou Samantha enquanto que Lídius ajudava ela e Minxie a levantarem do chão

Lavidh e Angela desfizeram o abraço e Lavidh sorriu sem jeito. Simon e Loon desceram pelo buraco do teto, deram um mortal no ar e fizeram uma pose – Loon ergueu os braços no ar e Simon pousou em seus ombros também com os braços erguidos – ambos com suas enormes asas abertas para permanecerem no ar.

– TAH-DAH! – disseram ambos

– Gostaram da nossa entrada triunfal? – perguntou Loon

– Estou vendo que vocês dois não sofreram nenhum dando durante a missão. – disse Lavidh cruzando os braços

– É claro que eu sofri! Você não faz ideia do quanto que o meu coração doeu ao ver a minha Angel ferida. – disse Simon descendo dos ombros de Loon, pousando no chão, se agachando perante Angela e beijando a mão dela

Angela se saiu.

– Eles só ficaram brincando enquanto que a gente lutava. – disse Samantha

– Ei! A gente também lutou! Nem vem! – disse Loon

– E o meu filho? Como ele está? – perguntou Lídius preocupado

– Ele está bem. Ficou bastante machucado e ferido após a batalha, mas ele já se recuperou. – respondeu Angela

– Que bom. – disse Lídius aliviado

– Ele tem um amigo humano. – disse Simon

– O quê? Amigo humano? – perguntou Lídius

– E aquele idiota fez um amigo? Achei que ele só se interessava por Lvrenys. – brincou Lavidh

Eles olharam para Minxie que estava o tempo todo de cabeça baixa e calada.

– Minxie...pode começar. – disse Lídius bem calmo

Minxie rapidamente se curvou perante ele.

– Me perdoe, mestre Lídius...me perdoe. Sei que o que fiz foi burrice...

– E põe burrice nisso. – interrompeu Simon levando uma cotovelada de Loon

– Prometo nunca mais desobedece-lo novamente. No entanto...invadindo o esconderijo dos Lyvrenys...descobri algo...

– Descobriu? – perguntou Lídius fazendo o gesto para que ela ficasse de pé

– O líder deles...quando eu o vi...pensei que fosse o senhor. – disse Minxie ficando de pé

– Como? – perguntou o líder dos Sayryns sem entender

– Ele era idêntico. Mesmo cabelo, o mesmo rosto, a mesma voz, a mesma roupa...ele tinha até correntes nos braços!

Lídius arregalou os olhos com aquela descrição.

– O nome dele é Lowki.

Ao ouvir aquele nome, todo o chão desabou sob os pés de Lídius. Ele não poderia acreditar no que tinha ouvido. Já haviam se passado milênios de anos desde a última vez que ele havia ouvido aquele nome. Aquele maldito nome, que agora soava como sinônimo de traição.

– Lowki... – sussurrou Lídius ainda tentando organizar seus pensamentos, que agora explodiam em sua mente

– O senhor o conhece? – perguntou Lavidh

– Lowki...meu irmão gêmeo. Quer dizer então que ele é um Lyvreny? Ainda por cima o líder deles? – perguntou Lídius em um tom de voz que demonstrava raiva e decepção

– Eu ouvi um Lyvreny o chamando de mestre Lowki. Não sabia que o senhor tinha um irmão gêmeo. – disse Minxie

– Como o senhor pode ser irmão de um Lyvreny? – perguntou Loon

– Parece que nem o mestre Lídius tinha conhecimento disso. – disse Lavidh

– Ele era o líder da legião de Mynddz, o rei dos Sayryns...como ele pode ser um Lyvreny? – murmurava Lídius caminhando de um lado para o outro ainda tentando processar todas aquelas informações enquanto apertava os punhos com força rangendo os dentes com raiva

– Mestre, se acalme. – disse Angela

– Tem mais uma coisa. – disse Minxie

Todos voltaram sua atenção a ela para ouvirem o que ela tinha a dizer.

– O Dyllan. Ele está vivo. E é um deles agora. – disse abaixando a cabeça com a voz trêmula

O silêncio tomou conta do local. Todos estavam abismados. Não conseguiam acreditar naquilo.

– Ele ia me matar, mas um outro Lyvreny o impediu e me deixou fugir...

– Espera, o quê?! O Dyllan está vivo?! – interrompeu Lavidh ainda sem acreditar

– Sim... – respondeu Minxie tímida

– Aquele traidor...maldito seja! – disse Lavidh furioso dando um soco no chão

Minxie não conseguia parar de pensar em Dlav e não parava de se perguntar por que ele havia poupado sua vida. – “Isso faz parte da dívida que tenho com você.” – foi o que ele havia dito, mas ela não conseguia entender. Que tipo de dívida? Ela nunca havia o visto antes...será que não?

Enquanto isso, no calabouço, a Lyvreny capturada ainda estava presa. Ela gritava de dor pois Lorien perfurava sua barriga com uma de suas katanas.

– Vamos! Me diga! O que as Irmãs pretendem? O que estão planejando contra nós? Por que querem os corações? – perguntou o Sayryn de olhos marrons erguendo o rosto dela pelo queixo enquanto empurrava mais ainda a lâmina da katana para dentro da barriga dela atravessando do outro lado

– Lorien, venha para o salão principal! Agora! – chamou a voz de Lavidh do lado de fora da porta

– É, parece que vamos dar uma pausa. – disse Lorien retirando a katana da barriga da Lyvreny, sacudindo a arma para retirar o sangue da lâmina e a guardando na bainha das costas

A Lyvreny abaixou a cabeça soltando um grande suspiro de alívio.

– Mas eu vou voltar. – disse o Sayryn lhe dando as costas e saindo do local

Assim que ele saiu, lágrimas de sangue começaram a escorrer pelo rosto da Lyvreny. Ela não aguentava mais estar naquela situação. Queria ir embora, voltar para a catedral para a sua família, pois era assim que ela considerava os Lyvrenys: sua família.

Aryel...Aryel...” – sussurrou uma voz masculina que ecoou por todo o local

Aryel ergueu a cabeça e olhou de um lado para o outro e não viu ninguém. Estava fraca e não parava de perder sangue.

A voz sussurrou novamente. No início, Aryel não conseguia entender o que estava sendo dito pois a voz falava em uma língua estranha, mas que logo se tornou reconhecida.

– Essa voz... – pensou Aryel achando aquela voz bem familiar, mas ela não conseguia se lembrar e nem reconhece-la

Uma aura laranja emitindo um forte calor começou a emanar pelo local. Aryel ficou admirando aqueles pequenos raios de fogo que cruzavam o ar iluminando aquele lugar escuro e assustador.

– Q-quem...quem é...? – finalmente Aryel falou

A voz sussurrou novamente. O idioma em que falava não existia no mundo humano, era um idioma que poderia ser entendido apenas pelos antigos deus gregos mitológicos.

Aryel percebeu que sempre quando a voz falava, os raios de fogo que vagavam pelo local ficavam mais fortes e quando a voz sumia, os raios sumiam juntos.

Bem-vinda de volta, Aryel. Você está livre agora.” – sussurrou a voz em um tom mais alto. Isso foi tudo que Aryel entendeu

Aryel arregalou os olhos quando os raios de fogo começaram a envolver seu corpo. Ela começou a gritar desesperadamente alto enquanto que seu corpo era queimado pelos raios. Ela gritava sem parar e olhando bem em seus olhos felinos vermelhos, era possível ver...refletida a imagem de um enorme lobo que possuía chamas no lugar dos pelos, olhos dourados, asas de fogo e seis caldas.

Depois de um tempo, os Sayryns chegaram no local para saber o que havia acontecido e por que a Lyvreny estava gritando. E assim que abriram a porta, se depararam com algo inacreditável: todo o calabouço estava iluminado por uma forte luz branca. Se aproximaram e paralisaram ao ver que a Lyvreny estava com o cinza da pele mais claro, seu vestido e botas estavam brancos e suas enormes asas pregadas na parede também estavam brancas. Ela levantou as pálpebras lentamente e revelou que seus olhos felinos vermelhos agora eram azuis. Ela se tremia e parecia bastante assustada, tanto quanto os Sayryns à sua frente. Sim, Aryel havia virado uma Sayryn.


Notas Finais


Uma nova aluna chega na escola de Miro, onde tanto ele quanto Cass se sentem atraídos por ela (mas é claro que só Miro demonstra). Dyllan resolve se conformar com o fato de que agora é um Lyvreny e entra para o grupo do Ivan. Angela, Samantha, Simon, Loon e Minxie retornam para o palácio e Minxie revela a todos que o líder dos Lyvrenys se chama Lowki, irmão gêmeo de Lídius e que Dyllan está vivo. O espírito do deus-lobo Mynddz fala com Aryel e a transforma em uma Sayryn. O que acontecerá a seguir? Fiquem ligados no próximo capítulo de Sayryns! :D


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