História Scared To Be Lonely - Capítulo 1


Escrita por: §

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Categorias Originais
Visualizações 32
Palavras 2.598
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Comédia, Drama (Tragédia), Esporte, Famí­lia, Ficção Adolescente, Hentai, Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Suspense
Avisos: Álcool, Drogas, Heterossexualidade, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas do Autor


E AE GALERA! Tudo bom com vocês? Espero que sim, porque cheguei chegando na parada!

Todo mundo sabe que o meu objetivo nunca foi ser ficwriter ou algo do tipo (principalmente por não ter muita habilidade com isso), mas estou indo com a cara e a coragem mesmo assim. E o fato de escrever apenas jornais de autoajuda/motivacionais, fez com que eu entrasse em um bloqueio criativo muito grande pra escrever esta história. Sendo assim, peço que deem muito carinho pra ela, pois eu to nervosa com esse debut POKASKOPASKSOA


Eu realmente não sei quantos capítulos irá ter, apenas vou deixar que minha criatividade e inspiração me guiem. Mas já irei avisar de antemão que os capítulos irão ser postados quinzenalmente, belezinha? ;)


Agradeço pela beta @Adolf0 que topou entrar nesse fogo cruzado comigo e também à @Hoziier pela linda capa! Principalmente pelo personagem ser meu tipo ideal -qq


No mais, espero que curtam! Boa leitura ;)

Capítulo 1 - Capítulo 1 - Empatia


Era uma das noites mais frias do ano. Lá fora a neve insistia em cair sem parar, embaçando cada vez mais a janela do meu quarto. Era pouco mais de oito horas da noite e, depois de um dia cansativo, eu me encontrava sentada em cima deste balcão novamente. As roupas quentes e grossas iam me aquecendo aos poucos, mas não o suficiente para fazer isso em meu peito, não depois do buraco que você deixou.

O mundo nunca pareceu tão descolorido desde o dia que você partiu. E hoje, eu reprojeto todas as nossas lembranças em cada lugar familiar que costumávamos frequentar. Nossa cafeteria preferida, onde passávamos todos os dias depois da aula, para tomar um chocolate quente. Ainda no mesmo caminho de volta para casa, como poderia não olhar para aquela praça cheia de árvores enormes, robustas e com flores que, apesar de pequenas, insistia sempre em pegar a mais linda para me dar? Você também não media esforços em sorrir sempre quando trocávamos olhares ao nos esbarrar pelos corredores da escola. Nós éramos tão ingênuos na época, mas os jovens tem muito disso, certo?

Eu lembro de todas as manhãs, tardes e noites da qual passamos trocando mensagens sobre como o nosso dia estava indo, e mesmo que você insistisse em me encontrar sozinha, eu arranjava uma desculpa qualquer para fugir. Alto, esportista, carismático e popular eram características que escutava sobre você, mas tudo isso é de longe a ponta do iceberg. Você me mostrou seus gostos, hobbies, manias, esquisitices e até mesmo seus medos. Desejos, sonhos, objetivos e planos para o futuro; e, em situações em que me encontrava desprevenida, você me citava dentro deles.

A insegurança sumiu quando você segurou na minha mão pela primeira vez, e não foi em um local isolado. O medo desapareceu no momento em que disse que sempre estaria do meu lado. A timidez foi sendo deixada de lado à medida que nos encontrávamos todos os dias, às vezes, comprimentando-nos somente com troca de olhares. Dias chuvosos, nublados, cinzentos, até quando ameaçava cair o mundo, parecia tudo indiferente, pois teu humor permanecia o mesmo ― o que me fez pensar que talvez você não tivesse problemas ― mas sim, essa era a realidade. E eu amava a que você me mostrava.

 

xx

 

― Guarde bem isto aqui, ok?

Ele colocou em volta de meu pescoço um colar de prata. Fino, e com um a letra inicial de nosso nome no meio, tão pequena aos olhos de alguém, mas com um significado enorme para mim.

― Por que está me dando isso? ― virei para encará-lo, mas, diferente de todos os tipos de olhares dos quais já conhecia vindo dele, este me causou uma dor aguda em meu peito. ― Você irá embora?

― Eu preciso ir, mas irei voltar, antes do inverno acabar, para buscá-la. ― abriu um pequeno sorriso enquanto acariciava meu rosto com o dorso da mão, colocando alguns fios de cabelo atrás da minha orelha. ― Me prometa que irá ficar bem até lá, hm?

― Não posso garantir isso… ― meus olhos castanhos se encontravam cheios. E por mais que tentasse segurar, vê-lo desse jeito me deixava com o coração partido. ― Você tem mesmo que ir?

― Sabe que preciso, Sam.

Eram raras as vezes em que ele não me chamava pelo meu nome, parece que fazia questão de me chamar por Samantha em todas as ocasiões. Desnorteada eu estava, tanto que não havia notado que ele carregava em suas costas uma mochila enorme. Eu amava analisar todas as extremidades de seu corpo, era uma imensidão da qual eu nunca me cansei de me perder. Seus olhos castanhos escuros, que eu amava analisar durante o dia, claros assim como o sol e aquecendo-me todas as vezes em que os direcionava em minha direção. A noite ficavam tão escuros, que poderia ser confundido com a cor ônix, dando-lhe um ar sombrio e misterioso, mas a única coisa que me transmitia era segurança. Seu corpo era a escultura perfeita que, na minha humilde opinião, parecia ter sido pincelado por Deus. Pensei diversas vezes de chamá-lo de um pecado capital, pois ao mesmo tempo em que ele era perfeito por não parecer ter defeitos para os outros, eu o amava justamente por conta deles. Ciumento, reservado, e às vezes complicado, devido às suas mudanças repentinas de humor ― e isso me deixava louca ―, pois era nestas horas que eu não sabia como agir.

― Samuel… ― o chamei com a voz tão fraca e baixa. Não queria chorar, não na frente dele. ― Eu prometo, mas, por favor, me dê notícias! ―  ergui meu rosto para encará-lo e, involuntariamente, depositei minha mão sobre seu peito.

O moreno sorriu e balançou a cabeça, fazendo-me engolir em seco, especialmente por saber que isso não poderia ser feito. A escola não estava em prioridade agora, nem mesmo a mim, e eu precisava entender isto.

 

xx

 

Faltava pouco mais de duas semanas para o Natal. O clima era de festa, solidariedade e de reciprocidade. Famílias sendo reunidas depois de meses e, até mesmo,anos. Amigos combinando de saírem para comemorar e se divertir, ainda mais com o ano letivo em sua etapa final, deixando todos muito aliviados. Ruas, calçadas, lojas, restaurantes, shoppings e até mesmo aqueles bares de esquina mostravam que realmente estavam no clima natalino, e isso me dava um embrulho no estômago.

Tentar mostrar que está bem não é uma tarefa muito fácil, pois não faz muito sentido subir no palco para interpretar um personagem que não é o reflexo que vejo no espelho todas as manhãs. Ocultar sentimentos, emoções e seus desejos mais internos e profundos do coração não é uma coisa que tenho o prazer de sentir. A vontade é de deixar com que isso saia, exploda e dissipe; mas não há uma válvula que faça isso se tornar uma realidade tocável.

Eu admirava Samuel desde o primeiro dia que pisei naquela escola, e no momento em que eu o avistei, foi quando me deparei que o efeito da gravidade não surtia mais efeito em mim. No momento em que entrei na sala de aula, eu o avistei lendo um livro qualquer em sua carteira. Seus olhos tão fixos, o corpo tenso e rígido transmitindo aflição era algo notório. Esse tipo de presença chegava a mexer tanto comigo, que eu sabia que manter distância seria a melhor opção; e foi o que fiz sentando ao lado oposto e em uma das primeiras carteiras. A conclusão de que eu ficaria mais sã mantendo distância já estava mais do que comprovada, segundo os estudos do meu subconsciente, até o dia em que essas muralhas foram quebradas.

 

xx

 

― Vou separar vocês em duplas para que façam um trabalho!

― Ah, não, Professor!

Um aluno, do qual eu não sabia o nome, reclamou ao meu lado, e eu compartilho da sua dor. Quem é que passa trabalho no primeiro dia de aula, cara? Ah sim, este professor dá.

― Deixem de ser preguiçosos! Garanto que será muito interessante. ― ele sorriu satisfeito ao ver que seus queridos alunos pareciam decepcionados. ― Samuel!

―  Senhor?

―  Você irá fazer com esta senhorita aqui! ―  apontou em minha direção. ―  Ela é nova e acabou de ser transferida, então seria ótimo que nosso representante de classe ajudasse esta jovem, não é mesmo?

Senti minhas bochechas queimarem devido o comentário daquele professor. Ao virar minha cabeça na direção da voz do meu novo parceiro, eis que me deparo com aquele que, minutos atrás, havia tomado todo o ar dos meus pulmões. E, olha só que coincidência, ele conseguiu repetir a situação.

―  Prazer! ―  ele sorriu de onde estava, acenando com a mão enquanto ainda segurava o livro com a outra.

―  P-Prazer! ― gaguejei em meio à uma tentativa inútil de retribuir o sorriso, mas o máximo que consegui fazer foi olhar para o chão.

Depois de observar o meu querido professor de biologia terminar de separar as duplas ― o que concedeu algumas risadas abafadas ao ver o desespero e reclamações dos meus colegas ― nós fomos liberados.

Após escutar aquele sinal horrendo de tão alto, comecei a passar os olhos sobre as apostilas, fazendo-me tremer um pouco de desespero ao ver o quão complexos aqueles conteúdos aparentavam ser.

― Fique tranquila, não é tão assustador quanto parece.

Já não bastava o efeito que esse garoto estava causando sobre meu corpo, ele ainda tinha que chegar de surpresa pra fazer meu coração sentir umas oscilações inesperadas?

― Desculpa, te assustei? ― ele riu, coçando a cabeça desconcertado ao me ver negando. ― Posso? ― apontou para a carteira desocupada à frente da minha, afinal, todos já haviam saído.

―  Claro!

―  Então, qual é o seu nome? ―  perguntou animado ao cruzar as pernas enquanto apoiava o cotovelo em cima da minha mesa. ―  De onde veio? Sua idade?

―  Calma! ―  dei risada do seu jeito, parecia até uma criança. ―  Meu nome é Samantha, me mudei de Londres tem duas semanas e tenho quinze anos, e você?

―  Wow! Sempre quis ir pra Londres! Mas bem que imaginei mesmo pelo seu sotaque. ― sorriu vitorioso. ―  Eu nasci no Canadá, mas agora moro aqui com a minha tia, e sou um ano mais velho apenas.

―  Lá é muito frio, se você gosta de lugares assim, iria amar aquela cidade.

―  Ah sim, eu até que gosto, mas prefiro o calor, sabe? Estar em contato com a natureza e essas paradas… é mais interessante aos meus olhos.

―  Eu ainda prefiro o frio. ―  ri ao vê-lo fazer uma careta de desaprovação. ― Desculpe, não sou muito fã da natureza, ela pode ser traiçoeira…

―  Por que diz isso? ―  seu semblante mudou, acho que ele percebeu que meu tom de voz mudou. ―  Aconteceu alguma coisa?

Fiquei alguns instantes encarando aquele par de olhos castanhos escuros. Se tinha algo que esse garoto é bom, era hipnotizar as pessoas. Não me considero uma pessoa que consegue confiar facilmente nos outros, mesmo porque já uma bagagem de experiências ruins nela para contar. Mas, por algumas razão ― da qual eu ainda não descobri ― , esse garoto parecia ser diferente e confiável, algo me dizia isso por dentro, e se tem uma coisa que nunca me deixou na mão, foi minha intuição.

― Bom, por onde eu começo? Parece até coisa de filme, mas né, às vezes o destino é meio imprevisível e acaba se inspirando em ideias não muito boas.... ― soltei uma breve risada irônica, porque, de fato, isso era mais do que verídico na minha opinião.

― Não precisa contar se não quiser, afinal, somos estranhos ainda… ― sua mão pousou sobre a minha, apertando-a de leve e tentando passar segurança. ― Isso também não é da minha conta, certo?

― Bom… ― comecei enquanto ainda apreciava aquele toque vindo de mãos tão quentes e que, de alguma maneira, fez com que essa sensação se espalhasse por todas as extremidades do meu corpo. Olhei para ele em seguida e respirei bem fundo. ―  Há três anos, eu e minha família sofremos um acidente de carro. Nós estávamos indo para o interior da Inglaterra, visitar alguns de nossos parentes no Natal. Já era noite e a estrada estava perigosa, devido a chuva de neve, sem contar o estado que as pistas estavam, ou seja, bem escorregadias. Meu pai estava dirigindo tranquilamente, minha mãe estava do lado e eu e meu irmão mais novo estávamos dormindo no banco de trás, quando…

Minhas mãos se uniram, numa tentativa inútil de tentar conter e controlar todo o efeito que aquelas lembranças queriam impor sobre meu subconsciente novamente, querendo infligir controle sobre mim.

― Nós estávamos felizes, sabe? Era Natal e essa sempre foi a nossa data preferida, mas foi tudo tão rápido, que eu ainda tenho dificuldades de lembrar algumas coisas que aconteceram.

― Tá tudo bem… ― ele virou seu corpo em minha direção, com as pernas afastadas em volta da cadeira, e agarrou firmemente ambas as minhas mãos. ―  Continue, acho que vai fazer bem você desabafar sobre isso também.

E essa ação se tornou a válvula para que eu deixasse escorrer uma lágrima pelo meu rosto.

― O carro estava parado quando um caminhão ultrapassou o semáforo vermelho, batendo na lateral onde estava meu pai e meu irmão. Quando eu acordei, já estava dentro da ambulância, mas não dava para entender nada do que estava acontecendo, foi tudo muito rápido e tinha muita gente no local, sem contar que a tempestade só piorava ainda mais a situação. ― cerrei meus olhos com força, para impedir que mais lágrimas caíssem. ― Eu tive complicações, traumatismos e acabei entrando em um coma. Isso durou, em média, quase dois meses. Quando eu acordei, os enfermeiros me deram a notícia de que meu pai e meu irmão caçula tinham falecido.

― Eu… Sinto muito por isso, Sam…

― Minha mãe teve alguns ferimentos, quebrou algumas costelas, mas ela ficou bem. Depois de resolver tantos problemas, decidimos nos mudar para cá. Ficar distante de algumas coisas às vezes é melhor, impede que a gente sofra mais.

―  Sei como é… Eu nunca soube quem foram meus pais. Minha tia me criou desde os dois anos de idade, e todas as vezes que eu perguntava por eles, ela contornava o assunto, até que desisti e simplesmente me conformei com a ideia de que eles não existiam.

―  Você não sabe quem são eles?

― Não. Também não sei seus nomes, o que fazem da vida, se estão vivos ou mortos… ― deu de ombros. ―  Me conformei, sabe?

―  Entendo… ―  concordei, puxando as minhas, mãos para que eu pudesse arrumar meu cabelo. ― Acho que temos problemas demais para dois adolescentes, não acha?

―  Sim! ―  ele caiu na gargalhada. ―  Vem cá! ― levantou rapidamente e, estendendo a mão em minha direção, me fez a ficar de pé.

E, no momento em que eu o vi pegar em uma pequena mecha da minha franja, colocando-a atrás da minha orelha, pude ter a certeza do que era ter as famosas borboletas no estômago. Após isso, ele me puxou para um abraço. Ficamos ali durante alguns instantes, sem dizer uma palavra, apenas observando o encontro de dois corações desesperados por querer arrancar a dor que todas essas memórias, que nos faziam sofrer. Corpos colados, emoções transbordando e sentimentos ruins se entrelaçando em uma tentativa de buscar conforto e segurança um nos outros. Fomos interrompidos pelo barulho daquele maldito sinal escandaloso novamente, e automaticamente fizemos uma careta, irritados com a dor que isso causava nos nossos tímpanos e caindo na gargalhada logo em seguida.

― Você se acostuma! ― riu enquanto me afastava delicadamente pelos ombros.

― Duvido! ―  revirei os olhos impaciente.

Demos risada por mais alguns segundos, logo voltamos para os nossos assentos depois de perceber que a sala enchia novamente para a próxima aula. Uma coisa de fato era verídica: essas duas semanas seriam interessantes.

 

xx

 

Olhei para o meu celular e nada. Nenhuma mensagem, torpedo ou atualização sua de alguma rede social. Facebook? Intacto. Somente com fotos antigas sua e olhe lá. Isso me consumia, a ansiedade aumentando em uma proporção tão grande, que estava começando a me questionar quando essa bomba explodiria.

Pois é, mais um dia se passou e nada mudou, apenas o fato de que eu sobrevivo agora me alimentando apenas das memórias que você criou, enquanto espero lentamente pelo momento em que isso possa ser revertido.


Notas Finais


E aí? Me saí bem na minha primeira long fic original? XD


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