História Scars - Capítulo 5


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Categorias Harry Styles, One Direction
Personagens Harry Styles, Louis Tomlinson, Personagens Originais, Zayn Malik
Tags Deficiencia, Guerra, Harry Styles, Scars
Visualizações 150
Palavras 4.157
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Comédia, Crossover, Drama (Tragédia), Famí­lia, Festa, Ficção, Literatura Feminina, Policial, Romance e Novela, Suspense, Violência
Avisos: Adultério, Álcool, Drogas, Heterossexualidade, Linguagem Imprópria, Sexo, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Vocês estão prontos para mais Sydney Whitman? Porquê esse capítulo diz muito sobre ela. Aliás, preciso avisar que nesse capítulo há alguns diálogos essenciais para a compreensão da história. Agora chega de enrolação e boa leitura!

Capítulo 5 - 5. Hold my hand


Sydney estava absorta em seu livro de literatura épica, completamente perdida no assunto complexo e fascinante, como sempre fizera. Sempre foi uma leitora árdua e qualquer coisa que tivesse a ver com literatura, até mesmo remotamente relacionada com historias em quadrinhos, era sua paixão.

— Ainda quer que eu ajude você? — O tom de voz rouco e profundo de Harry cortou sua meditação.

A jovem sentiu um formigamento na coluna vertebral e ergueu os olhos do livro para vê-lo a poucos metros da mesa.

— Você vai ficar chateado?

— Provavelmente. — Os cantos da boca de Harry curvaram-se no que poderia quase ser interpretado como um sorriso, mas depois se transformou em uma careta, como se estivesse com dor.

— Você está bem? — Sydney perguntou preocupada.

— Tudo bem. — Ele respondeu rigidamente.

Ela não tinha certeza se acreditava nele, mas o olhar em seu rosto dizia que não havia espaço para discussão.

Havia um espaço vazio na mesa onde faltava uma cadeira, e Sydney presumiu que era assim para que Harry pudesse se encaixar. Era uma mesa redonda de seis lugares. E, alguns segundos depois, ele provou a teoria da jovem, ao estacionar a cadeira no lado direito, onde ficava a abertura.

Sydney sentiu um cheiro bom, e notou também que Harry não usava as mesmas roupas, então se corrigiu mentalmente por notar e novamente, por perceber que seus olhos eram de um verde esmeralda intenso.

Pare, Sydney! Ele está fora de sua realidade, lembrou a si mesma.

A garota guardou seu livro, pegando o livro tão temido de francês. E depois de ter explicado a ele as muitas coisas com quem estava tendo problemas na matéria, sua sessão de tutoria estava em andamento. Anne voltou para a sala de estar cerca de quinze minutos depois.

— Harry, vou ao mercado, você precisa de alguma coisa?

— Estou bem, mãe. Obrigado, — Um breve olhar passou entre eles e Anne olhou para o relógio na parede.

— Eu voltarei em uma hora e meia, filho. — Disse Anne, quase como se estivesse tranquilizando Harry.

Ele assentiu e Anne inclinou a cabeça para Sydney em despedida.

— Sydney?

Ela sorriu e disse:

— Tchau, Sra. Styles.

— Me chame de Anne, garota.

— Eu posso fazer isso.

Ela piscou e abriu a porta da frente.

Sydney e Harry passaram mais vinte e cinco minutos no francês, e então, desde que Sydney havia dito no bar que não ficaria por muito tempo, ela se pronunciou.

— Então, acho que eu provavelmente deveria ir.

Harry franziu a testa.

— Nós acabamos?

Sydney se sentiu um pouco envergonhada.

— Bem, desde que eu praticamente forcei a minha vinda até aqui e pedi que me ajudasse quando você claramente não queria, estive pensando que eu não devesse demorar. Eu não quero ser um incômodo. — Ela acrescentou com um sorriso torto.

Ele apertou o queixo e a raiva piscou brevemente em seus olhos.

— Você não é o incômodo da história.

Sydney Whitman ficou um pouco chocada com sua súbita animosidade e seu sorriso rapidamente caiu.

— Você está se referindo à Chuck? — ele desviou o olhar e exalou, com a mandíbula ainda apertada. — Você sabe, eu não estou exatamente entusiasmada com a forma como ele fez isso. Mas não foi tão ruim, certo?

Harry voltou-se para ela. E a alma dos olhos dele tirou seu fôlego. Sydney sentiu algo parecido com um toque de corrente elétrica através dela, mas Harry parecia inconsciente de sua reação a ele. Claro que ele estava. Não é como se ele tivesse o mesmo tipo de reação para ela.

— É complicado, Sydney. — Disse ele. — Desde minha lesão...

Ela esperou, mas Harry não continuou.

— Ele trata você de forma diferente? — Arriscou-se.

Styles a olhou atentamente por um momento, como se quisesse abrir-se para ela, mas então ergueu as sobrancelhas, olhou para longe e mudou o assunto.

— Então, seu nome é Sydney, assim como a capital de Nova Gales?

Sydney soltou o fôlego que não percebeu que segurava. Ficou um pouco desapontada por Harry ter escolhido não confiar nela e começou a arrumar suas coisas.

— Pode ser. — Disse ela com finalidade, tentando não encarar suas covinhas. Sydney se sentia como aquela garota do filme de Indiana Jones que possuía "I heart you" pintado em suas pálpebras. Então ela sorriu e colocou o último material de estudo na mochila, fechando-a.

— Então, o que está cursando? — Harry quebrou o silêncio.

— Literatura, com o foco em romantismo e classicismo. Quero fazer pós-graduação em estudos comparados e historiografia.

— Uau.

Ela sorriu.

— Eu amo isso. Meu cérebro está voltado para isso. É uma porcaria como o francês não entra em minha mente.

— Eu sou o oposto.

— Mais ligado para biológicas?

Algo um pouco como a nostalgia cruzou seus traços.

— Sim, eu acho.

— Vocês ia para a faculdade de medicina, certo?

— Há algo que Chuck não tenha contado?

— Ele não me disse nada além disso, muito menos o motivo pelo qual desistiu de NYU. — A garota percebeu, então, que não sabia nada a respeito de Harry, a não ser o curioso fato de que era um excelente professor de francês. — Foi devido à sua lesão?

— Não. Isso aconteceu depois que eu já havia desistido. Eu precisava de um tempo. — Disse vagamente. Harry esfregou a parte superior de vidro da mesa com o dedo indicador.

Sydney admirou o comprimento e a graça de seus dedos. Logo em seguida, se corrigiu mentalmente, de novo.

A jovem sabia que havia algum motivo a mais para ele desistir e percebeu que era algo muito doloroso. Provavelmente deveria manter a boca fechada, mas desde quando ouvia a voz interior que lhe dizia isso?

— Você desistiu de NYU só porque você precisava de uma pausa? Por que, Harry?

— Talvez eu diga a minha futura alma gêmea algum dia. — Respondeu com sarcasmo desdenhoso. Como se aquilo nunca fosse acontecer.

Sydney não sabia o que responder sem lhe dizer que o achava lindo e, provavelmente poderia ter meninas enfileiradas para serem sua alma gêmea se simplesmente as deixasse. Em vez disso, ela perguntou:

— Por que você não volta para a universidade agora e a termina?

Seu rosto se endureceu.

— Você quis dizer por que eu não uso meu cérebro já que não posso fazer mais nada? — Ela revirou os olhos.

— Talvez você possa fazer muita coisa. — Harry lançou-lhe um olhar estreito.

— Poupe-me o discurso de "pense sobre o que-você-pode-fazer, não-o que você não pode". Você não sabe do que está falando, Sydney.

A jovem colocou sua bolsa e sua pesada mochila sobre os ombros, escorregando para a frente em sua cadeira, mas não estava em pé ainda. Não queria ficar fora do nível de Harry.

— Você está certo. Eu só posso argumentar sobre o que eu vejo.

Eles trancaram os olhos por um momento, e então ele disse naquele sotaque calmo e intenso.

— O que você vê?

Sydney sentiu-se corar um pouco, mas não recuou.

— Eu vejo um cara incrivelmente inteligente, interessante e um pouco atraente. — Disse ela, esperando que admitir que ele era atraente não soasse como se estivesse ansiando por ele. Morreria de vergonha, no entanto, se soubesse disso.

— Não finja que você não vê a cadeira de rodas.

— É claro que sim, mas quanto mais eu conheço você, mais desaparece no fundo.

Ele parecia tenso e cético. Por que isso era tão difícil para Harry acreditar? Sydney achava aquilo irritante.

— Não me importo se você acredita em mim ou não, Harry, mas não tenho pena de você.

— Você acha que eu sou atraente?

Ela revirou os olhos.

— Não se gabe.

Harry manteve o olhar fixo, com uma expressão ilegível no rosto.

Sydney foi a primeira a desviar o olhar e depois se levantou, de repente se sentia tímida após a admissão. Antes que o silêncio pudesse ficar muito estranho, voltou-se para Harry.

— Posso te fazer uma pergunta pessoal? — Tentou.

Harry, suspirou e largou seus braços de modo desajeitado sobre a mesa.

— Você quer saber como eu acabei numa cadeira de rodas? — Sydney assentiu. — Eu estava esperando a inevitável pergunta por um tempo e estou realmente surpreso que não tenha feito mais cedo. É uma das primeiras coisas que desconhecidos tendem a perguntar.

— Sim, mas você não tem que responder. Eu entenderei completamente se você não quiser falar sobre isso. Não quero me intrometer.

— Tudo bem. — Fitou-a com os olhos brilhantes cheios de insegurança. — Como você deve saber. Eu lutei pelo seu país.

Sydney se calou por um instante, em uma expressão reflexiva.

— Tipo boxer ou luta livre? — Harry sorriu amargamente pela inocência da garota.

— Não, Sydney. — Engoliu em seco. — Iraque.

Esperou que Sydney dissesse alguma coisa, mas nada aconteceu. Então ele prosseguiu.

— Estava com meu esquadrão em uma missão de busca, em Bagdá, às margens do Rio Tigre. Fomos atacados quando nos preparávamos para dormir. Desarmados e desatentos. Não me lembro bem, foi tudo muito rápido. 

— Isso deve ter sido muito difícil de lidar. — Tentou reconfortá-lo.

— Foi devastador. Quando o médico me disse que eu nunca andaria de novo, eu pensei que minha vida tinha acabado, no fundo do poço. Os dias seguintes foram um script tirado de um filme de terror. A dificuldade que eu tinha para exercer pequenas coisas, francamente, era humilhante. O lento progresso estava me matando pouco a pouco, e encontrei-me desinteressado em todas as coisas que costumavam me dar prazer. — Pausou.

— Eu não posso nem imaginar...

— Meus pais ficaram comigo no hospital quase todos os dias e a tensão sobre eles era notável, ambos discutiam sempre e pelo mesmo motivo. As suas tentativas de me deixarem menos ansioso ou deprimido eram ridiculamente falhas. Pedi-lhes para voltarem para casa e continuarem a fazer o que estavam fazendo antes do acontecimento. Uma pessoa estava amarrada à cadeira de rodas, não três. — Lançou-a um olhar triste.

— Harry... — Sydney estava comovida o suficiente para largar tudo e abraçá-lo. Mas não o fez. Então, ele continuou com seu relato.

— Depois de três meses no hospital e passar pelo programa de terapia inicial, o departamento de reabilitação concordou que eu estava pronto para ir para casa. Medidas foram tomadas para eu participar de um programa de terapia semanalmente no Centro de Reabilitação de Nova York. Meu pai voluntariamente se ofereceu para reformar a casa e readapta-la para a minha nova condição. Rampas assumiram os lugares de tapetes que revestiam o piso de madeira. Meu banheiro foi alterado para acomodar minha cadeira de rodas, barras de apoio foram instaladas para todo lado para que eu pudesse me locomover de forma independente. No mesmo dia que voltei para casa, fui comunicado que um dos meus homens veio à falecer. Louis se foi e eu não tive a oportunidade de dizer adeus.

Depois de ouvi-lo dizer aquilo tudo, Sydney sentiu-se sem chão. Não esperava por aquilo, nem de longe. Já havia criado uma teoria em sua própria cabeça que Harry tivera se envolvido em algum acidente de carro. Não que fosse um soldado e tivesse lutado no Oriente Médio por um país que sequer era de sua origem. Ela queria perguntar. Muitas dúvidas rodeavam sua mente, mas ao invés disso, levou sua mão direita até a dele, entrelaçando seus dedos enquanto o lançava um olhar sensível.

— Eu sinto muito mesmo.

Antes que ela pudesse protestar, Harry soltou seus dedos e os passou atrás da nuca, em um ato de nervosismo. Sydney percebeu a situação em que se encontrava e decidiu dar um fim naquilo.

— Então, obrigado pela sessão de tutoria, Harry. Você não faz ideia da grande ajuda que você me fez hoje.

Styles respirou profundamente e um pouco de tensão escorreu em seus ombros.

— Na verdade, sim, eu sei. — Disse ele, olhando-a com um pouco de humor iluminando seus olhos.

— Há! Bem convencido.

Ele sorriu, e então se afastou da mesa e rolou as rodas até a porta da frente para levá-la. Com um toque rápido da maçaneta da porta e uma manobra hábil para tirar a cadeira do caminho da porta, abriu tudo com apenas uma mão.

Sydney admirava a maneira segura e graciosa que ele se movia. Ficou perto da porta aberta, perguntando-se o que dizer e sentindo-se estranha. A garota queria pedir-lhe outra sessão de estudo, mas, como tinha sido tão insistente naquele dia, queria que fosse ele quem oferecesse. Só poderia ir contra o princípio de sua educação até certo ponto. Quando o silêncio ficou muito atraído, deu uma onda de auto-consciência.

— Bem, obrigada novamente.

Harry deu uma olhada, mas não disse nada. Decepcionada, ela se virou e entrou no quase-sempre perfeito tempo de Nova York.

— Sydney? — O ouviu dizer.

Então se virou para ele, com seu coração batendo rapidamente.

— Sim?

— Sexta-feira-feira às duas da tarde?

Sydney Whitman não podia evitar o enorme sorriso que se espalhava em seu rosto. Ela conseguiria sua graduação.

— Você vai ficar chateado?

Ele sorriu.

— Provavelmente.

Harry fechou e trancou a porta da frente e voltou para a sala de estar. Ele realmente gostava de estar com a garota Sydney. Mas ainda assim, sentiu-se drenado de energia e desejava ao menos uma vez que conseguisse dormir uma boa noite sem ser acordado para mudar de posição a cada duas horas. Olhou para o sofá com anseio, apenas querendo poder acostar-se sobre ele e odiando o fato de que uma coisa tão simples estava além de sua capacidade.

A dor em suas pernas era mais fácil agora, e Harry tinha que admitir que sua mãe estava certa. Tirando sua mente por um tempo, ajudando Sydney com o francês, fez com que a dor recuasse. Mas as confissões que fizera anteriormente o fizeram tensionar.

Então se perguntou o que tinha feito para merecer tudo. As pessoas achavam que a pior parte de ser paralisado não era poder andar, mas isso não era nada comparado com o resto. Foram os problemas da bexiga e do intestino. Os problemas da pele e o silêncio total da metade do corpo que o afastou de sua auto-estima.

Por que ele foi amaldiçoado para não sentir absolutamente nada abaixo do seu peitoral, exceto por dor de queima ocasional? Como poderia ser justo? Se ele tivesse que ter sentimentos fantasmas, por que seus nervos não podiam conjurar a sensação de lenços de algodão macios em suas pernas ou a sensação de água de chuveiro agradavelmente gostosa sobre as costas ou seu tronco? Por que tinha que ser essa dor horrível e gelada que não era nada que ele experimentou na vida dele antes dessa lesão? Seria melhor se tivesse morrido.

A perda da metade inferior de seu corpo era tão dolorosa quanto a perda de um ente querido. A tristeza por tudo o que ele perdeu foi tão agonizante quanto a perda que sentiu por seus colegas de combate. Sentiu-se como uma cabeça e torso flutuante, incompleto, não ele mesmo. E o sentimento era tão forte hoje como aconteceu quando ele acordou da cirurgia há quase um ano. Harry se sentiu tão triste, tão à deriva, constantemente de luto pela morte do velho sargento Harry Styles.

Sydney havia dito que achava o inteligente e até atraente, e estava agradecido por dizer isso, mas ele simplesmente não conseguiu acreditar nela. Ela não conhecia todos os seus vergonhosos segredos. O que ela pensaria se soubesse o que aconteceu naquela manhã? Que usava fraldas para dormir e sequer conseguia usar o banheiro. Aquilo era humilhante.

Fechou os olhos, tentando controlar suas emoções. Sentiu sua garganta grossa e apertada, seus olhos arderam. Ele estava a uma fração de um centímetro da loucura, de berrar como uma criança. A única coisa que o impediu era o fato de Caroline estar em casa, e Harry ficaria mortificado se alguém o encontrasse em tal estado.

Lembrou-se de quando em uma de suas primeiras missões fora esfaqueado no ombro, e nem de perto aquela dor poderia ser comparada com o vazio que sentia constantemente. Então, respirou profundamente, afastando os pensamentos que estavam constantemente na sua mente, ameaçando consumi-lo.

Horas depois, há alguns quilômetros de Yorkville - a parte nobre de Nova York - mais precisamente no Brooklyn, Sydney jogou as chaves do carro no pequeno balcão de granito, que separava sua minúscula cozinha da sala de seu apartamento ainda mais minúsculo. Era uma quitinete eficiente e barata de um quarto a poucos quilômetros do campus da NYU e do MacLaren's, onde, felizmente, ela ainda possuía um emprego.

Naquela noite, Sydney conseguiu escapar por pouco de ser demitida do bar depois do "incidente" com o vinho no dia anterior, apesar dos melhores esforços de Emily em levá-la para o meio da rua. Karl, o dono do estabelecimento, no entanto, havia lhe dado um sermão severo, sobre como teria que segurar sua boca.

Sydney entrou no banheiro ansiando por um banho relaxante depois de uma noite cansativa no trabalho. Olhou para si no espelho. Como de costume, não estava impressionada com o que via: cabelos castanhos ondulados e sem vida. Olhos castanhos não reconhecíveis e sardas irritantes que se recusavam a ser cobertas por qualquer tipo de maquiagem. Fechou os olhos, desejando com todas as suas forças que tivesse pelo menos uma característica que não fosse tão simples ou sem graça e que pudesse ser chamada de bonita - algo que faria Nathan Mills se atrair por ela.

Ela estava cansada de sempre ser a melhor amiga. Seus sentimentos por Nathan eram mais intensos do que nunca sentira por qualquer cara, mesmo seu primeiro "amor" de duas semanas que havia tido na escola primária.

Sydney queria tocá-lo da maneira como uma namorada toca um namorado, tocar seus lábios nos dele, para dizer-lhe o quão incrível ele era, mas sabia que seria o fim de sua amizade e ela não estava disposta a arriscar isso. Em vez disso, constantemente se continha. Fingia que pensava nele da mesma maneira que pensava nela, tinha que fingir que não estava apaixonada por ele desde o primeiro semestre.

Ela realmente ficaria satisfeita apenas segurando sua mão. Por algum tempo, de qualquer forma.

Sydney cruzou seus braços, se apoiando no batente da pequena janela de vidro do banheiro. A noite já caia lá fora e o céu estava iluminado pelas estrelas que costumava observar.

Desde pequena ela tinha essa mania de observar as estrelas. Sempre fora dessas menininhas carentes, atentas e sonhadoras. Cresceu com as estrelas sendo um certo tipo de refúgio para si. Um dia desabou quando viu sua própria avó paterna dar uma chinelada no rosto de seu avô, e soube que o amor deles definitivamente havia acabado, mas ele estava doente, numa cadeira de rodas, e tudo que precisava no momento era de ajuda.

Pouco tempo depois ele faleceu.

E, então, a pequena Sydney sentou-se ao chão do muro de sua casa e observou as estrelas, mas dessa vez imaginou ele sendo uma delas, brilhante e encorajadora. Cada perda que teve em sua vida a deu uma estrela. Então ela cresceu, descobriu que a maioria das estrelas que via no céu não eram tão recentes quanto ela, sua luz foi originada a séculos de anos-luz atrás, para então ser vista naquele momento.

O brilho das estrelas é um brilho passado. E Sydney ainda não havia se decidido se isso era bom ou ruim para sua mania de observar estrelas. Por um lado tinha o alívio de dar uma estrela que veio do passado à alguém que deveria estar em seu passado, por outro lado tinha o temor de que as estrelas deixassem de ser o seu refúgio por não coexistirem ao mesmo tempo que ela. Mas essa última opção seria trágica, porque as estrelas era o que restava de uma boa parte de sua infância.

Tivera de aprender a não ser carente, se perdeu ao ponto de não ser mais atenta, e lhe decepcionaram até destruir sua parte sonhadora. Parecia dramático, mas acontecia todo instante, por todo o mundo.

Sydney sentia-se nostálgica. Então recordou-se da sua primeira festa como universitária. A garota tinha apenas 18 anos e era a primeira vez que bebia uma quantidade significativa de álcool. A casa e o jardim da fraternidade estavam cheios de universitários e penetras. Sydney já tinha os braços enrolados ao redor de Nathan Mills e estava balançando para frente e para trás a tempo de uma música pop dos anos 2000, quando Stella percebeu o quanto Sydney estava bêbada.

O rapaz que Sydney abraçou havia se transferido para a universidade alguns meses antes e Sydney não conseguiu tirar os olhos dele desde aquele dia. Ela estava tão convicta que os sentimentos que Mills despertou dentro dela a deixaram confusa, ligeiramente irritada e extremamente distraída. Ela até se tocou intimamente pela primeira vez no dia em que o conheceu, e todos os dias desde então.

Sydney sentiu-se muito nervosa e excitada quando ele a convidou para a festa da fraternidade Kappa B. E a garota tinha certeza de que ele queria sair com sua companheira de trabalho, Stella. Mesmo assim, ela ainda não se importou. Estava apenas entusiasmada com a chance de conhecê-lo. Então começou a se embebedar cedo para resolver seu problema de nervosismo e timidez. Passou a noite inteira no chão do banheiro para que ela pudesse ter acesso fácil e vomitar no vaso, se necessário. A vontade chegou e Sydney ficou feliz por estar no lugar certo. 

Ainda se sentiu enjoada e envergonhada por alguns dias depois. Nathan ligou para ela. Infelizmente, Stella teve que mandá-lo embora, já que Sydney não estava muito bem para sair da cama, mas antes, Mills entregou-lhe uma fita com músicas clássicas para dar a ela. Stella se perguntou para que diabos serviria aquilo. Sydney ouviu atentamente a fita e deu uma nota de zero a 10 para cada uma das músicas. A primeira música teve sequer uma piada, então ela deu um zero. O resto foi bastante marcante e ela ficou imensamente satisfeita de que a última música era Wonderwall. Então perguntou-se se Nathan Mills era real.

Haviam se passado cerca de trinta minutos desde que fechou o bar e levou Stella para o aeroporto. Sua amiga tiraria alguns dias de férias como garçonete e passaria algumas semanas com sua irmã no Canadá. Mesmo com toda sua imprevisibilidade, Stella ainda conseguia surpreende-la.

Com rapidez, escovou os dentes e lavou o rosto. Em seguida, se afastou do espelho, tirando seu casaco e a camisa. Saiu de seu jeans e sutiã. Andou nua pela casa como de costume e ficou grata pela privacidade. Sua colega de quarto se formou no último semestre e, ao invés de encontrar outra, ela arcou com o aluguel sozinha para que pudesse ter privacidade. Mesmo que isso signifique alguns dólares a mais fora de sua poupança. Colocou uma camiseta de tamanho grande e uma calça de pijama de algodão, se jogando na cama, embora estivesse com um pouco de fome.

Pela madrugada, a jovem acordou em um apartamento silencioso e sem comida. Abriu a geladeira vazia, relembrando o motivo de não ter realizado as compras da semana: sua falta de tempo. Sem contar que seu carro estava quase sem gasolina e não poderia dar ao luxo de ficar sem um meio de locomoção. Sydney se consolou com o conhecimento de que compensaria o tempo do supermercado nos próximos dias, focando mais no MacLaren's e em seus estudos. Ela prometeu não perder seu controle sobre sua força de vontade, embora sempre existisse o medo em sua mente de que não conseguisse se manter.

Chovia forte em Nova York. Os pingos grossos de chuva que batiam na janela de seu quarto causavam arrepios por sua espinha, algo que nunca aconteceu antes. A chuva sempre a confortou, mas naquela exata noite estava causando calafrios em seu corpo. Olhava para a janela, mais precisamente para a rua nada movimentada pela qual algumas folhas se arrastavam pelo chão enquanto o vento frio soprava. Despertou-se de seus devaneios quando ouviu um barulho. Ela passou as mãos por dentro de sua bolsa na procura do celular. Ao encontrar, apertou o botão central para ler as horas.

Haviam mais de seis ligações de um número em que não conhecia. Sydney arregalou os olhos e correu para retornar a ligação. Sem cautela, apertou o botão de discagem rápida e ligou. Naquele momento, várias coisas se passaram por sua cabeça e tudo que ela podia fazer era esperar.

Primeiro toque.

Stella poderia ter sofrido um acidente. E se seu avião tivesse caído?

Segundo toque.

Poderia ter acontecido algo com seus pais, em Louisiana.

Terceiro toque.

— Sydney. — Houve alguns segundos de silêncio e a jovem pôde ouvir alguns grunhidos de choro. — Já faz quase um ano e parece que foi ontem que aquela porra toda aconteceu. Todos os dias paro para pensar em todos aqueles curtos minutos antes da minha sentença final e a cada segundo que se passa dentro dessa memória, é como se um pedaço enorme de mim fosse arrancado pouco a pouco e, a cada segundo dessa tortuosa repetição, eu vejo meu coração se despedaçando diante dos meus olhos. E isso dói pra caralho.

Era Harry.

— Harry, você está bêbado?

— Estou.

— Onde você está?

— No fundo do poço.

— É sério. — Respirou profundamente tentando raciocinar. — Me diga onde você está. Estou indo aí agora.


Notas Finais


Hello it's me again! Vocês me deixaram extremamente feliz com os últimos comentários e eu só tenho a agradecer.
Inclusive, nessa noite de insônia e muito vinho, acabei por fazer esse outro teaser: https://youtu.be/EykK5PGPLIc
Até a próxima.


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