História Scary - Capítulo 2


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Categorias It: A Coisa, Stranger Things
Personagens Benjamin "Ben" Hanscom, Beverly "Bev" Marsh, Bob Newby, Dustin Henderson, Edward "Eddie" Kaspbrak, Eleven (Onze), Jonathan Byers, Joyce Byers, Karen Wheeler, Lucas Sinclair, Maxine "Max" Mayfield / "Madmax", Michael "Mike" Hanlon, Mike Wheeler, Nancy Wheeler, Pennywise - o Palhaço Dançarino ("A Coisa"), Personagens Originais, Richard "Richie" Tozier, Stanley "Stan" Uris, Will Byers, William "Bill" Denbrough
Tags Happy End, Reddie
Visualizações 13
Palavras 1.680
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Comédia, Crossover, Drama (Tragédia), Famí­lia, Ficção, Ficção Adolescente, Ficção Científica, Fluffy, Hentai, Lemon, LGBT, Mistério, Romance e Novela, Sobrenatural, Suspense, Terror e Horror, Universo Alternativo, Violência, Yaoi (Gay), Yuri (Lésbica)
Avisos: Adultério, Álcool, Bissexualidade, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Spoilers, Suicídio, Tortura, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Capítulo 2 - Escreva


Uma manhã tranquila despertou em Derry. O nascer do Sol trazia a mistura de diversos tons de laranja, vermelho e amarelo. Seria, com toda certeza, o dia perfeito para dormir até tarde ou aproveitar o calor e dar um mergulho.

Infelizmente não seria esses os planos para os residentes do Orfanato Bargon.

Richie acordou com o cheiro extremamente agradável, para não dizer o contrário, de mais de dez pré-adolescentes que pareciam não lembrar a mais de uma semana o que era um banho.

"Se eu fosse o Eddie" pensou "teria com certeza um ataque de pânico."

Levantou contra a vontade própria e se arrastou pelos corredores junto a uma toalha e uma escova de dentes. Todas as manhãs do verão, o orfanato acordava às 7:00h da manhã. Faziam as higienes pessoais, pelo menos alguns, e tomavam café no refeitório às 7:45h.

Aos sábados e às terças, como era o caso, saiam as 9:00h para arrecadar dinheiro. Richie começou a perceber que a Diretora do lugar adorava reclamar sobre o como a prefeitura não oferecia o suficiente.

Hoje iriam ficar em pé na calçada até o almoço, fazer uma pausa e voltar a lavar cada carro que parasse. Se alguém pagasse, bom para eles, se não... bem, Richard xingou uma vez e levou três tapas do coordenador na nuca.

-Quê que é, hein?!

-Se afastar os clientes com esse linguajar, pode ter certeza que vai passar a semana toda limpando o chão do banheiro.

Mas voltadando ao agora, Richard se lamentaria pelo resto da manhã, e mais um pouco a tarde, por ter que lavar um carro que talvez nem desse lucro.

Depois da refeição, que se resumiu mais a risadas e discursos motivacionais do que comer, cada um recebeu um balde e uma esponja para começar.

Era bem irritante tentar esfregar as manchas de gasolina e ser chamado de incompetente quando elas não sumiam. Era uma merda ficar de baixo de 18°C, uma temperatura rara naquela cidade, sem poder mandar os quatro ventos se fuderem.

E Richard não conhecia ninguém. Dormia no mesmo quarto que boa parte deles, dividia o banheiro com eles, comia no mesmo refeitório e estudava na mesma escola. Mas nada disso foi o bastante para aceitarem, já havia rumores bem interessantes por ai.

Nada que envolvesse sua sexualidade, é claro.

                                 • • •

Era 11:30h quando tudo começou a melhorar. A manhã ficou dublada, os carros diminuiram, o almoço se aproximava.

Mas é claro, nada o aliviou mais do que ver os Otários chegando.

-Eu não acredito- Richie dizia incrédulo- que tipo de poder vocês tem sobre a minha mulher?

-Cala boca- Stan roubou a esponja e passou no rosto cheio de queimaduras- eu tenho mais o que fazer se for continuar.

-Opa, opa, Uris, relaaaxa- limpou o rosto ensaboado, se arrependendo logo depois de encostar na pele vermelha- sinta o timbre e ajuda o papai aqui a faturar.

-Nunca te ensinaram a passar protetor solar?- Eddie reclamou olhando estático, como se ele tivesse cometido uma espécie de absurdo- Você sabe o quanto o tecido epitelial é sensivel comparado aos outros? Vai se matar!

-Oooou ele só vai precisar de uma pomada.

-Isso aí, Mike- Richie passou um dos braços pelos ombros do amigo.

-Mas com certeza vai doer- o menino negro recebeu um olhar irritado- que foi? Você por acaso já se olhou no espelho?

-Eles tem razão, sabe- Ben concordou- Sua pele vai arder por dias...

Richard tomou a mangueira do garoto do lado e molhou o corpo como se não se importasse com as roupas molhadas. O cabelo umideceu, a blusa colou no corpo.

-Eae? Felizes agora?

-Ajudou muito- Eddie ironizou.

-Tem razão, a água não apaga o fogo...-Os outros olharam sem entender- Eu só posso ser quente demais.

Edward deu um tapa no braço dele.

-Bip Bip Richie.

Os Otários riram e começaram a juntar os materiais. Mike, Ben e Stan enxeram os baldes, Eddie buscou as esponjas e panos, e Richie pulava balançando os braços para chamar atenção de mais lata velhas.

-Você fica ridículo assim- Eddie jogou as coisas na calçada enquanto não tirava os olhos da pele do garoto.

-Oooolha só, alguém chegou na ignorância- se aproximou imitando um voz que só ele sabia qual era e apertou as bochechas do outro- mas você fica lindo quando me xinga, sabia?

-Eu não perguntei nada- Edward bateu os braços para se afastar- Vai dançar 'pro motorista, que a gente ganha mais.

O tempo passou mais rápido, e não passava nem cinco minutos em que aquele grupo estranho de amigos não se xingasse e risse como idiotas.

                                • • •

No almoço, um dos funcionários deixou que os voluntários de fora da instituição se juntassem a eles. Não que fosse grande coisa, mas era muito melhor que comprarem balas no mercadinho.

Richie se servio de uma das marmitas que distribuiram, se sentou na calçada e esperou que os outros se juntassem a ele.

Mas ao contrário do que imaginava, eles passaram direto.

Mike se virou antes que Richard podesse falar alguma coisa.

-Você não vem?

Olhou sem entender por uns segundos antes de perceber que iriam embora.

-Mas eles- antes que terminasse pode ver que ninguém prestava atenção em si no momento. Estavam todos ocupados em devorar a comida a tempo de pegar mais para repitir.

Se levantou e se esgueirou pelos outros órfãos. Se aproximou dos Otários e começaram a correr até virar na rua seguinte.

-Puta merda, FINALMENTE!- Richie comemorou antes de levantar os braços em um gesto de vitória- Não me deixavam sair mais!

Ben estranhou antes de perguntar:

-Porque não deixariam?

-Oh, amigo, quando se ama alguém, você assume o compromisso de ficar com essa pessoa para tooodo sempre. Mas quando sua mulher é ciumenta, o "tooodo sempre" é apenas com ela e os capangas o TEMPO TODO.

Óbvio que todos ali sabiam que por trás das piadas do garoto sobre pegar a própria assistente pessoal, havia apenas uma desculpa de desviar do assunto. A verdade era que quando você perde os pais por assassinato em uma cidade com uma elevada taxa de homicidios, as pessoas ficam com receio que você decida tomar medidas drásticas demais.

E Richard se sentia mal. Era como se um pedaço dele tivesse partido naquela noite. Nunca chorou tanto no tempo livre, no box do banheiro ou simplesmente passou horas olhando para parede. Ou parecia olhar. Tudo ao redor dele eram vultos e borrões escuros e limitados. Preferia se manter em pensamentos, onde tudo era nítido e colorido. Pelo menos era antes de se lembrar de seu tempo em casa. Na sua casa.

Mas mesmo com um vazio no peito, com a dor de cabeça nas horas erradas e uma velha vontade de desistir de se importar... não valia a pena.

E os próprios amigos o conheciam o suficiente para saber que ele era forte. Capaz de suportar os tempos ruins e fazer piadas para desviar a atenção.

A companhia era sua maior arma. Não precisava conversar, não agora. E eles sabiam disso. Então riram como sempre riam, zoaram como sempre zoavam. E estava tudo bem.

Estava tudo bem e um dia ele se convenceria disso.

-Chegamos- disse Stan, mesmo que todos já tivessem percebido.


A sede dos Otários era no subterrâneo. E nenhum dos garotos sabia dizer como Ben tinha conseguido construir aquilo. Mas não podiam negar que tinha sido extremamente útil por um motivo ou outro.

Eles desceram as escadas e Richard foi o primeiro a se jogar na rede.

-O que acha, Eds? Eu posso facilmente me mudar para cá.

-Vai com certeza pegar uma doença, guarde minha palavras. E para de ne chamar assim!

Eddie se deitou no lado oposto da rede com o ar costumeiro de sempre.

-Vão correr que nem loucos atrás de você. Quem sabe aquele cartaz de procurado apareça por ai.

Richard de repente desistiu da ideia. A cidade esqueceria dele duas semanas depois.

Mas era só uma questão de tempo até entrarem em contato com Ted Weeler. Logo iria embora, por mais que tentasse adiar.

Não queria falar agora, mas se arrependeria depois se não o fizesse.

-Eu vou me mudar.

O grupo ficou em silêncio antes de Stan começar a rir. Mas parou quando recebeu um olhar irritado de Mike. Percebeu então que não era brincadeira.

-Como é que é?

-... Eu tenho um parente em Hawkins. Parece que ele é meu tio, mas não sei bem o que esperar dele. Até agora parece a pessoa mais próxima que pode cuidar de mim. Quando descobrirem a existência dele... ah, isso é uma merda.

Richie esfregou as mãos nos olhos, frustrado. Os outros ainda olhavam para ele sem quererem acreditar. Mas um lado deles já desconfiava que não viveria na cidade por muito tempo, de um jeito ou de outro.

-Você pode escrever para gente- Mencionou Ben, com uma atenção maior que antes- sabe, podemos dar um jeito de viajar nas férias, se juntassemos dinheiro o bastante...

Era longe demais, sabiam disso, mas cada um deles queria continuar com a esperança de manterem contato. Bev e Bill não deram notícias mais ou menos três a quatro meses depois de partirem. Mas Richard faria de tudo para mandar uma carta por dia se precisasse. Mesmo que fosse para contar sobre o que comeu no almoço ou perguntar se sentiram sua falta com o orgulho que tinha.

-É melhor você não esquecer da gente, idiota- Eddie cutucou ele várias vezes com o pé- to falando sério, nem que eu precise te incomodar eu mesmo!

Richie riu do amigo. Estava na cara que ele engolia o choro, e se derreteu com isso.

"Caralho, que gay."

Richard se inclinou para frente na rede, segurou os pés que o empurravam e se jogou em cima do garoto.

-Eu sei que vai sentir minha falta, docinho- Edward deu uma risada curta e retribuiu o abraço desajeitado.

-Me chame assim de novo e eu esmago as tuas bolas.

Todos riram, e os outros três meninos se juntaram ao montinho como se fosse aquele, talvez, o último dia.



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