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História Scenery ll vhope - Capítulo 10


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Notas do Autor


oieeeee, boa noite?
eu demorei um pouco né, mas é que eu queria posta tudo certinho. de qualquer forma acho até que esse capítulo ficou maiorzinho, mas ainda espero que gostem muito *----
obrigada pelos que me esperaram, e saibam que estou feliz com a aparição de novo leitores ><
enfim, vamos para a fic? boa leitura

(gente esse desenho vhope ai da capa foi minha irma que fez, eu até coloquei como capa da fic ;D )

Capítulo 10 - Ele não gosta de mim como eu gosto dele


Fanfic / Fanfiction Scenery ll vhope - Capítulo 10 - Ele não gosta de mim como eu gosto dele

terça-feira


 

Hoseok acordou com os olhos doendo. O travesseiro não encontrava-se debaixo de sua cabeça, mas sim caindo para fora do colchão. Ele levantou-se da cama, decidindo que a arrumaria depois, e pegou seu celular sobre a mesa de cabeceira. Eram dez horas da manhã ainda, por sorte não acabou acordando tão tarde, como fazia nos outros dias.

 

Mickey estava sentado no meio da porta, esperando o dono acordar e colocar comida de uma vez por todas. Não que ele passasse fome, nada disso, mas aquele gato era guloso demais; queria que Hoseok enchesse seu pote seis vezes ao dia.


 

— Já vou, já vou… — disse Hoseok, bocejando logo em seguida. Poxa vida, fora dormir às quatro da manhã. Conseguira escrever umas dez páginas e ainda corrigir duas que precisavam de mais atenção. Mesmo assim, sabia que tinha muito trabalho pela frente.


 

Seu celular começou a tocar, e Hoseok estranhou ao ver o nome de Namjoon na tela do aparelho. Ele atendeu.



 

— Alô?

 

— Hoseok, já te liguei umas quatro vezes! — disse ele, indignado. — Tava dormindo?

 

— Mas é claro que tava — respondeu Hoseok. — Enfim, o que aconteceu?

 

— Queria falar com você sobre o trabalho. Eu contratei uma funcionária que vai escrever parte do livro, vai escrever sobre a parte histórica da cidade… E também vai escrever sobre os dois museus de Neeva.

 

Hoseok concordou com a cabeça.

 

— Só que assim, eu já escrevi sobre a história da cidade. Não totalmente, mas um resumo bastante legal, será que não serve? — perguntou preocupado, pois passara tanto tempo pesquisando e, agora o material não seria usado? Bem, de qualquer forma, seria melhor também a participação de alguém que entendesse do assunto.

 

— Claro que serve, mas já manda pra mim pra eu passar pra ela. Ela fez graduação e pós-graduação em história, deve saber bem mais do que a gente, e eu quero que esse livro tenha credibilidade.

 

—Entendo, e é menos trabalho pra mim, não posso reclamar.


 

— E além do mais — continuou Namjoon —, outro fotógrafo vai trabalhar com ela, mas ele só vai fotografar o museu e vai conseguir fotografias antigas de Neeva.

 

Hoseok calçou os chinelos de pano e começou a caminhar para fora do quarto.

 

— Tá, mas não deixe o Taehyung em segundo plano, por favor — pediu Hoseok. — Ele já tá trabalhando comigo e já estamos fazendo um bom trabalho. O livro vai ficar legal.

 

— Não precisa se preocupar, porque nesse caso ele é o fotógrafo principal… Mas quero que vocês se foquem também na floresta e nos pescadores.

 

— Ah, sim, e em falar nisso, hoje é dia de falar com os pescadores e fotografar eles também.

 

— Ótimo. E tem outra coisa, como você lida melhor com sentimentozinhos e essas coisas, tenho um trabalho interessante pra você.

 

Namjoon achava que Hoseok mandava bem com sentimentos? Hum, talvez nem tanto.

 

— Que trabalho?

 

Hoseok chegou à lavanderia, pegou um saco de ração novo do armário e o abriu, fazendo uns três grãos caírem no chão. O gato correu para comê-los Hoseok se abaixou, pressionando o celular entre o ombro e a orelha, e colocou a ração no pote. Mickey miou antes de começar a comer.


 

— Então, é sobre o garoto Jeon Jungkook… — Hoseok fez uma expressão triste, porque de fato era uma tragédia alguém morrer tão cedo. Ao que tudo indicava, Jungkook tinha 19 anos quando se afogou. — Eu consegui contato com Jimin, os pais deles ainda trabalham aqui. Quarta-feira ele vem pra Neeva, e eu gostaria que vocês se encontrassem pra conversar sobre a lápide e tudo mais… O Jimin sabe bastante coisa.


 

— E os pais do Jungkook? Você conversou com eles? — quis saber Hoseok, que agora estava encostado no batente da porta da lavanderia. Ele observou as roupas dentro da máquina de lavar e lembrou que precisava estendê-las.

 

— Tudo o que sei é que se mudaram faz tempo, então não sei exatamente como encontrar ele… Mas eu não preciso de permissão, Jungkook era adulto, segundo a lei, quando morreu — explicou Namjoon. — E além do mais, vai ser uma homenagem, por isso quero que você trate o assunto com bastante cautela, não queremos fazer nada de desrespeitoso ou invasivo, entende.


 

— Sim, claro. De qualquer forma, provavelmente, eu só vou escrever quem ele era, como morreu e quem fez a lápide… E adicionar alguns comentários do Jimin, se ele deixar. Acho que não precisa ocupar muito espaço do livro.

 

— Não, não vai, mas é algo importante. Enfim, vou te passar o número do Jimin e você conversa com ele, tudo bem? Ele vem na quarta-feira, provavelmente. Se não for na quarta, vem depois do natal.

 

— Beleza, então eu falo com ele — disse Hoseok, suspirando. — Precisa de mais alguma coisa?

 

— Não, era só isso. Só não esqueça de me mandar a parte escrita da história de Neeva.

 

— Não vou esquecer. Até depois, Namjoon.

 

— Até.



 

***



 

Quando Taehyung entrou no carro de Hoseok, o clima tornou-se silencioso. Hoseok queria poder falar com ele normalmente, mas, depois da conversa ao telefone na noite anterior… Tudo parecia mais estranho. Não era um sentimento ruim, ou algo do tipo, ninguém ali sentia-se arrependido de ter revelado o que pensava, contudo, qual seria o próximo passo? As coisas precisam acontecer naturalmente.

 

— O que vai ser hoje? — indagou Taehyung, que nunca sabia exatamente o que esperar do trabalho.

 

— Vou entrevistar uma família de pescadores. Os avós e bisavós de um deles viveram aqui em Neeva por muito tempo, eles têm muitas informações. Dessa vez eu queria que você tirasse fotos deles trabalhando, do mar, da família… Enfim, você que sabe — explicou Hoseok.

 

— Parece divertido.

 

— Vai ser interessante. — Hoseok olhou para Taehyung por um tempo curto. — Você ainda tem aquela lista que eu te dei? De coisas pra fazer?

 

— Tenho, mas tá em casa.

 

— Confesso que eu não lembro tudo que eu falei nela… — Hoseok brincava com os dedos sobre o volante. — Mas eu lembro de escrever sobre você tirar fotos de qualquer coisa que ache interessante. Se achar bonito, então faça uma foto. Eu confio em você.

 

— Obrigado. — Taehyung sorriu tímido, olhando para seus pés sobre o carpete de borracha que ficava no chão do carro. — Você parece feliz hoje.

 

— Eu quase sempre estou feliz. — Hoseok riu, olhando rapidamente para o mais novo.

 

— Mas mesmo quando não estiver, eu vou querer ficar ao seu lado — admitiu Taehyung, que agora olhava através de sua janela. As árvores e as pessoas do lado de fora pareciam bonitas. — Se você quiser.

 

— Eu não sei exatamente sobre o que você tá falando, mas se você quiser ficar do meu lado, eu vou ficar contente — disse Hoseok, parando o carro em um farol vermelho. Ele levou sua mão direita até a coxa de Taehyung, dando-lhe duas batidinhas. — O natal vai ser divertido.


 

Taehyung observou a mão direita de Hoseok, que agora regulava o aquecedor do carro. Quando ele poderia segurar a mão de Hoseok? Quando seria o momento perfeito? Primeiro vem o beijo e depois as mãos dadas ou é contrário?

 

Hoseok voltou a dirigir, assobiando baixinho, distraído.

 

— Você tá assobiando a música que eu te mandei — comentou Taehyung, mas só depois de ter certeza que era a música.— Você gostou?

 

— É bonita, e já que você ouviu ela pensando em mim…

 

— Hey — Taehyung chamou, constrangido. — Eu não tava pensando em você, eu disse que ela me lembrou de você.

 

Hoseok deu de ombros.


 

— Dá no mesmo.


 

— Talvez.


 

O resto da viagem foi bastante silenciosa. Assim que chegaram, Hoseok estacionou em uma rua onde havia mais dois carros parados, perto de uma lagoa. Ambos saíram com mochilas pequenas nas costas, Hoseok trancou o carro.

 

A lagoa era bastante extensa em comprimento; não era possível ver seu final, mas Hoseok sabia que aquelas águas se encontravam com uma praia de uma cidade vizinha.

 

O local era bastante arborizado e, apesar de a lagoa ser próxima à estrada, era tudo bastante silencioso, ao que tudo indicava, os pescadores raramente eram incomodados por carros e transeuntes. Parecia algo bom.

 

Eram 18h30, então Taehyung ainda teria uma hora e meia de sol para tirar fotos. 

 

— Você é o escritor? — perguntou uma mulher baixinha, que caminhava na direção de Hoseok.

 

Ele se aproximou dela, Taehyung os seguiu.

 

— Isso mesmo, vim falar com a família Kang — disse Hoseok, cumprimentando a mulher com um aperto de mão.

 

— Espere, eles logo vêm, porque estão pescando perto do mangue. — Ela apontou para uma ilhazinha no meio da lagoa, que ficava próxima de onde estavam. — Só mais uns minutinhos e eles irão falar com você.

 

— Tudo bem, eu aguardo, obrigado — agradeceu Hoseok.




 

Taehyung abriu a mochila e tirou sua câmera de lá.

 

— Aqui é lindo, posso tirar tantas fotos…

 

— Você vai tirar quando o sol estiver se pondo? Ficaria legal, não é? — perguntou Hoseok, como se lesse os pensamentos do outro.

 

— Sim, com certeza quando estiver anoitecendo, vou tirar uma foto do barco no meio da lagoa, com toda a extensão do céu ao fundo… — Taehyung passou a mão no ar, como se imaginasse tudo com muita exuberância. — Na foto provavelmente só vai aparecer a silhueta dos pescadores e da canoa, mas eu acho que isso torna tudo mais legal.

 

— Sim! Quem nem vejo nos filmes e nos livros… Depois me mostre as fotos.

 

Eles trocaram sorrisos.

 

— Eu vou dar uma explorada, ver o que consigo capturar — avisou Taehyung, já dando seus primeiros passos na direção oposta à de Hoseok. — Logo a gente se vê.

 

— Até — disse Hoseok, acenando de leve. Ele voltou a concentração nos pescadores, que agora já remavam para a borda da lagoa. Eram dois, pareciam simpáticos.


 

Enquanto isso, Taehyung observava os caranguejos escondendo-se em suas tocas a medida em que ele se aproximava dos animais. Assim que observou um maior e mais robusto, Taehyung travou suas pernas no chão, puxou sua câmera em direção aos olhos e fez uma imagem do crustáceo vermelho. Magnífico! Parecia até mesmo que o caranguejo olhava para a lente…

 

Taehyung tirou mais algumas fotos ali, e então continuou sua caminhada. Ele fotografou o céu, as poucas nuvens presentes no horizonte, as duas mulheres que pescavam com uma rede na parte rasa da água (elas provavelmente conversavam sobre algo bom, pois os sorrisos não cessavam nem um segundo sequer), as crianças que brincavam e mergulhavam na lagoa, as garças que moviam-se com graciosidade e, até mesmo, um cachorro brincalhão que deitara de costas assim que pusera os olhos em Taehyung. Ele sorriu, tirou uma foto e aproximou-se do animal, fazendo carinho na barriga.

 

— Gosta de carinho, é? — disse fazendo voz fofinha. — Que cachorro lindo, que cachorro fofo…

 

Poxa vida, como Taehyung queria ter um cachorro.

 

Ele ficou mais um tempo acariciando o pelo marrom do animal, até que desferiu dois tapinhas em sua barriga e levantou-se, convencido de que não podia perder muito tempo.


 

Hoseok ria com as histórias dos pescadores. Agora, todos eles estavam sentados na grama (os dois homens, a mulher pequena e Hoseok) enquanto conversavam. Apesar de o celular gravar toda a conversa, ele sabia que mais tarde tudo ficaria em sua memória.


 

— Peguemo um peixe de noventa quilo — disse o homem mais alto, mostrando o tamanho dele com as mãos, como se segurasse algo invisível. — Assim até parece pequeno, porque era muito maior, era gigante!

 

Agora o outro, cuja regata tinhas rasgos e manchas pequenas espalhadas pelo tecido, também se intrometeu na conversa:

 

— Era puxão daqui, era puxão de lá, fiquei com medo de cair na água e ser engolido por aquele monstro. — O homem esticou uma das pernas, acomodando-se melhor no chão. — Barbaridade, aquele foi um dos dias mais feliz da minha vida!

 

Hoseok riu, imaginando a cena.

 

— E vocês tem foto disso? Seria ótimo pra colocar no livro.

 

— Hum, tem num jornal velho que eu tenho lá em casa — contou o alto. — Depois cê pega lá com a gente, é a foto mais bonita do mundo.

 

— Posso imaginar — disse Hoseok, que sorria com ternura para o homem, pois ele lhe lembrava muito o jeito de seu avô materno.

 

Um pouco longe dali, ele pôde avistar Taehyung, que se agachava enquanto tirava fotos em uma pose engraçada, que muito provavelmente fazia com que o ângulo da imagem se tornasse mais interessante.

 

— Quando estiver anoitecendo, vocês podem voltar a navegar de canoa? — perguntou Hoseok, olhando para eles. — Meu amigo ali quer tirar uma foto bonita de vocês navegando. Vai ficar linda…



 

Quando a transição de dia para a noite começou, quando o céu tornou-se laranja e rosa, quando tudo parecia mais bonito e sereno, Taehyung começou a fotografar. E tudo estava bem como ele imaginava: a lagoa calma e plana, o reflexo do céu nas águas (e que céu!), a silhueta dos pescadores sobre a canoa, as aves que voavam formando um “V” irregular, o sol deitando-se aos poucos… Taehyung sempre quis tirar uma foto assim. Ele sempre fora um rapaz apaixonado por fotografias simples, mas que eram capazes de transmitir a beleza da natureza e a paz no coração dos homens.



 

***


 

Assim que entraram no carro e botaram seus cintos de segurança, Taehyung entregou a câmera para Hoseok. Na tela estava a foto do pôr do sol.

 

— Que lindo, Taehyung… Mais bonito do que imaginei! — Ele passou o dedo sobre a imagem, como se pudesse acariciar aquele momento. — E ao vivo também estava tão bonito… Você capturou isso bem, bom trabalho.

 

Hoseok ergueu a mão, ambos deram um high-five.

 

— Obrigado. Eu tô feliz, hoje foi um dia muito bom, me sinto em paz — admitiu Taehyung, a cabeça descansando contra o assento do carro.

 

— Eu também — concordou Hoseok, virando a chave na ignição. — Aliás, lembra que eu te prometi um bolinho?

 

— O que sua mãe fez, né? Lembro. Você trouxe?

 

— Esqueci de trazer — disse Hoseok, chateado. — Vamos tomar um café lá em casa então, aí você come também.  Daí a gente pode ir vendo suas fotos e combinando com os textos que eu já tenho pronto. 

Claro que Hoseok sempre tinha uma desculpa na ponta da língua para fazer com que ambos passassem mais tempo juntos. 

 

— Pode ser — concordou o fotógrafo, que agora bocejava de forma exagerada. — Que sono. 

 

— Sono? Então quer ir pra sua casa. 

 

— Nada a ver, quero ir pra sua casa. — Taehyung deitou a cabeça no vidro do carro. — Será que vai chover hoje?

 

— Não sei. Parece que sim, pelas nuvens… Mas eu não acho isso ruim, eu acho que é um ótimo clima para descansar e comer um bolinho. 

 

— Tem razão — disse Taehyung, fechando as pálpebras. — E sabe de uma coisa? 

 

— O quê? — Hoseok mantinha os olhos na estrada, mas sua atenção era de Taehyung. 

— Você não respondeu minha declaração de ontem. Ficou desviando do assunto…

— Não mesmo! — negou ele, rindo com indignação. — Eu respondi subliminarmente. 

— Hum, quanta vantagem eu tenho — zombou Taehyung. Seus olhos agora abriram para observar a paisagem através do vidro do carro. 

— Não seja assim — pediu Hoseok, deslizando sua mão direita até a de Taehyung, que encontrava-se sobre a própria coxa. Ele encostou seus dedos sobre a palma da mão de Tae, e então entrelaçou ambas as mãos. Seu coração palpitou forte em finalmente sentir um real contato entre os dois; Hoseok sorria. 

— O que está fazendo? — estranhou Taehyung, mas sem desfazer o nó entre as mãos. Era tão bom poder sentir os dedos de Hoseok entre os seus, era tão bom sentir aquele friozinho na barriga. 

Hoseok soltou a mão de Taehyung. 

— Eu queria poder segurar mais — explicou Hoseok. — Mas eu preciso ficar mudando de marcha. — Ele sorriu com vergonha, Taehyung suspirou. 


 

*** 


 

Quando a chaleira apitou, Hoseok correu para a cozinha e pegou o pó de café de dentro do armário. Talvez ele precisasse comprar uma nova cafeteira, já que a sua estava quebrada. De qualquer forma, o café feito de modo tradicional ainda era seu preferido. 

 

Enquanto isso, Taehyung fazia carinho em Mickey, que dormia sobre o chão da sala de estar. Tae sorria enquanto acariciava o gato, ele era muito bonzinho e sonolento, parecia uma nuvem fofinha, só que carregada de uma chuva prestes a desmoronar. 

Hoseok tirou duas canecas de seu armário, pegou uma caixa de leite de dentro da geladeira e também o pote de açúcar, levando tudo até a mesa redonda que ficava próxima ao balcão. Depois, caminhou até a chaleira sobre a pia, despejando o resto de água quente dentro do filtro de papel. 

— Taehyung, você gosta de bolo frio ou quente? — perguntou alto, já que estavam em cômodos diferentes.

— Por mim tanto faz. 

— Okay, vou esquentar o meu e o seu no microondas!

— Tudo bem!

 

Hoseok colocou os quatro bolinhos dentro do microondas, ligando-os por 3 minutos. Provavelmente era suficiente para ao menos não ficarem gelados. 

Pouco tempo depois, Taehyung caminhou até a cozinha, sentando-se em uma das cadeiras. Hoseok olhou para ele, pegou a garrafa de café e levou até a mesa, sentando-se também. O microondas apitou, mas quem se levantou para pegar os bolinhos foi Taehyung. 

— Que lindos! — exclamou ao abrir a porta do eletrodoméstico. — É tipo cupcake, né?

— Sim, minha mãe gosta de vender em encontro de igreja e também quando as amigas dela se juntam pra vender maquiagem — explicou Hoseok. — Ela sempre compra essas forminhas coloridas de bolinhas brancas. 

— São fofinhas. — Taehyung sorriu com certa tristeza, Hoseok não entendeu o porquê. — Um dia eu quero conhecer sua mãe. 

— E vai, no natal, quando almoçar lá em casa. Acho que ela vai gostar de você, você tem o tipo de bochechas que ela gosta. 

— Tenho? — Taehyung ficou todo sorridente. — Engraçado. — Ele pegou um dos bolinhos e deu uma mordida na parte de cima, onde havia chocolate granulado sobre a cobertura de creme. — Que gostoso. Nada como um bolo caseiro — comentou ainda de boca cheia. 

 

De repente, lá fora, o barulho de água espalhou-se por todos os cantos da casa. 

 

— Chuva? — perguntou Hoseok, franzindo as sobrancelhas. — Bem que desconfiei… Minha mãe deve estar irritada, ela odeia chuva. 

 

— Realmente têm pessoas com todos os gostos — concluiu Tae, agora olhando nos olhos de Hoseok, que mordia um dos bolinhos. Em seguida, o mais velho pegou uma das canecas e serviu café para si. — Não vai tomar café?

 

— Talvez depois, agora tô um pouco enjoado. 

 

— Sério? Por quê?

 

Taehyung piscou os olhos duas vezes seguidas. O barulho da chuva soava como uma boa música para o momento. 

 

—  Chocolate me deixa assim às vezes, mas mesmo assim eu não deixo de comer, porque é muito bom. — Ele deu uma pequena gargalhada enquanto fitava o outro. Hoseok começou a rir também, porém, logo mudou de expressão, parecia pensar em algo.

— Vamos fazer uma coisa — disse. 

— O quê? — perguntou Taehyung, seus olhos demonstravam curiosidade.

— Faz tempo que eu não penduro minha rede na varanda, e agora fiquei com vontade. Você gosta?

— Hum, acho que sim. — Taehyung não era o tipo de pessoa que tinha muitas oportunidades para ficar em uma rede, mas parecia algo interessante. — É do tipo que tem espaço pra duas pessoas?

— Claro que sim. Se arrumar certinho, cabe um monte de gente, até. Já volto — disse e levantou-se, como se estivesse determinado a fazer algo muito importante. Enquanto isso, Taehyung deu mais uma mordida no próprio cupcake, dessa vez pegando um pedaço de chocolate amargo também. 

Hoseok voltou abraçado com um emaranhado de pano cor vinho. 

— Eu deixo guardada no meu guarda-roupas — disse ele, sorrindo. — Quer me ajudar a pendurar?

Taehyung enfiou o último pedaço de bolo na boca e bateu uma mão na outra para se livrar das migalhas, levantando-se logo em seguida.

— Sim, eu te ajudo. 

Eles caminharam até a varanda, Hoseok acendeu a luz fraca do local e apontou para o gancho de ferro preso na parede, em seguida, apontou para o outro que estava preso no pilar de madeira. 

— Eu penduro de um lado e você do outro — disse ele, segurando uma das pontas da rede. Hoseok encaixou sua ponta no gancho da parede; já Taehyung, encaixou na do pilar. — Isso, agora sim. — Hoseok desembolou o pano, até que a rede se tornou algo próprio para deitar. Em algum lugar, longe dali, um raio caiu sem piedade, fazendo todo o céu trovejar. 

Hoseok se sentou na rede, sorrindo.

— Faz um favor pra mim? — pediu a Taehyung. 

— Hum, pode falar. 

— Busca meu café que ficou lá na mesa da cozinha? — Hoseok sorriu para o outro. — Por favorzinho. 

Taehyung empurrou Hoseok, fazendo ele deitar com as costas na rede. O mais velho arregalou os olhos com a atitude repentina.

— Quer me matar?

Taehyung saiu, rindo do outro. Ele buscou o café de Hoseok e também pegou outro bolinho para si. 

Ao retornar para a varanda, Hoseok já estava todo acomodado dentro da rede. Taehyung deitaria ali também? Agora não sabia mais como fazer isso. 

— Aqui tá seu café — avisou ele, parando em frente a Hoseok. 

— Pode deixar aí no chão — disse ele. 

Taehyung fez o que ele pediu e, depois, encostou-se no murinho de madeira da varanda. Mordeu o bolinho e ficou encarando o horizonte úmido e cinza.

— Cabe mais um aqui — disse Hoseok, erguendo os olhos até o outro. 

— Já vou. — Taehyung comia de modo paciente. O que ele faria agora? Se deitaria com Hoseok e, quem sabe, algo a mais rolaria? Poderia ser uma junção de mãos, ou um abraço, ou um beijo rápido; qualquer coisa. — Esse dia é tão calmo que eu espero que não acabe. 

— Pois é — concordou Hoseok, dando tapinhas na própria barriga. — Uma noite agradável. 

Tae terminou de comer, logo avisando que entraria para tomar água. 

— Como você é enrolado. 

Taehyung, além de tomar água, imaginou-se escovando os dentes. Mas não, não seria uma boa ideia deixar praticamente estampado que queria dar um beijo em Hoseok. Então, ele soltou o bafo dentro da própria mão para sentir o cheiro; não estava tão ruim.   

Retornando à varanda, Tae se aproximou de Hoseok, sentando-se na rede junto dele. Com cuidado, deitou ao lado do outro, mantendo ombro com ombro. 

— Isso é estranho — observou Taehyung, um pouco desconfortável. Era legal estar ao lado de Hoseok, mais ainda em uma noite calma de chuva, mas, mesmo assim… Era como se não tivesse intimidade suficiente. 

Hoseok colocou  a mão no chão, fazendo-os balançar por um momento. Taehyung começou a rir. 

— Isso é legal, tão relaxante — disse ele, antes de trocar o assunto. — Então, o que vai ser no natal?

— Poxa, em falar nisso, minha mãe ia me ligar… Mas acho que é amanhã. Enfim, vamos falar sobre o nosso natal. — Hoseok e Taehyung mantinham os olhos no teto de madeira. — Que tal a gente… Fazer uma caminhada no centro da cidade? Têm luzes lindas, e também tem o trem iluminado. 

 

— Parece legal, mas de madrugada não é perigoso?

— Não, digamos que é cheio de gente, muita festa, muita bebida… Tem de tudo. 

— Bem no aniversário de Jesus — disse Taehyung. — Ele não deve ficar muito feliz com isso. 

 

— Verdade — disse Hoseok, sorrindo. — Mas, olha, eu sou preguiçoso pra planejar coisas, quando estiver mais perto de quinta-feira, a gente resolve. 

— Okay. 

Taehyung fechou os olhos por um momento, suas mãos estavam juntas sobre o peito. Então, de repente, ele sentiu algo lá. Hoseok pegou uma de suas mãos e a puxou para perto, entrelaçando com a sua. 

 

— Pronto, agora que eu não preciso trocar a marcha do carro, posso segurar sua mão.

 

Taehyug riu, sentindo-se feliz, mas também um pouco nervoso com a situação. Fazia tempo que ele não se sentia daquele jeito. E assim ficaram, juntos por um tempo, enquanto Hoseok torcia para que sua mão não começasse a suar demais.

Taehyung, que por hora era o mais corajoso da relação, virou-se de lado, ficando mais próximo do outro. Seu braço esquerdo, que estava livre, agora abraçou o tronco de Hoseok, que sorria timidamente. Ele não tinha coragem de ficar cara a cara com Taehyung, seria demais para uma noite só.

 

O mais novo, então, colocou a mão por dentro da blusa do Hoseok. 

 

— O que tá fazendo? — perguntou o mais velho, tenso, mas não necessariamente desgostoso. Taehyung começou a fazer carinho na barriga dele. 

— Te tocando, mas eu juro que não vou fazer nada demais. 

Hoseok assentiu, em silêncio. Aquilo era bom, então deixou que ele continuasse. Taehyung, com a mesma mão, agora tocou de leve o pescoço do outro. Ele podia ver o peito de Hoseok levantar e abaixar com leveza; não parecia mais tão nervoso. 

Subindo o dedo indicador, Taehyung conseguiu tocar o queixo de Hoseok, logo virando o rosto do rapaz em sua direção. Era o momento perfeito, contudo, Hoseok parecia distraído, como se pensasse em outra coisa.

Então, de repente, ele ergue o tronco, mantendo a coluna ereta e os olhos atentos. 

— Ouviu isso? — perguntou Hoseok, alarmado. 

Taehyung trincou o maxilar, um pouco decepcionado. 

— Não ouvi nada. 

— É o meu celular — disse Hoseok, saindo da rede. — Foi mal, preciso atender, pode ser importante. 

Taehyung assentiu, agora ele conseguia ouvir o toque do celular, bem baixinho. 

Hoseok correu para dentro de casa, e Taehyung sentou-se, bufando. 

Por que Hoseok pareceu tão aliviado quando o telefone tocou? Como se quisesse se livrar de uma vez de Taehyung. 

Se ele não queria ficar perto de Tae, se ele não queria nada demais, se não tinha segundas intenções, então era melhor esclarecer tudo de uma vez. 

Pouco tempo depois, Hoseok voltou com o celular na mão. 

— Era minha mãe, ela…

— Acho que tá na hora de eu ir embora — disse Taehyung, sério. 

Hoseok olhou para ele, surpreso com aquele novo semblante. Era como se estivesse ligeiramente incomodado. 

Hoseok imaginou que tivesse feito algo de errado. 

— Aconteceu alguma coisa? — quis saber ele, aproximando-se de Taehyung com calma. 

— Não, mas acho que está tarde, é melhor eu ir pra casa.

 


Notas Finais


manifestem-se!

beijos, até o próximo ;))


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