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História Schrödinger's equation - Capítulo 10


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Notas do Autor


pra compensar a falta de capítulos nos últimos tempos? talvez.

Capítulo 10 - 09. f-ck me gently with a chainsaw


Não havia um Nasty Burger em Arcadia, mas ele havia encontrado uma lanchonete não muito longe da escola que servia milkshakes e tinha wi-fi gratuito. Então, depois da aula, ele se encontrava lá, com o livro medieval escrito em uma caligrafia rebuscada e um vocabulário quase incompreensível e o laptop aberto em cima de uma mesa redonda com tampo de vidro.

Antes de sair de Amity Park, ele lembrava de ter pego um pendrive de seus pais e jogado no fundo de sua mochila. Ele não sabia ao certo porque tinha feito isso, mas agradecia ao seu eu de uma semana atrás. Ele encontrou alguns dados sobre como descobrir onde as falhas interdimensionais iriam se abrir, e talvez ele conseguisse um jeito de programar isso. Mas ele não conseguia se lembrar da senha… o que ele não daria por Tucker ao seu lado agora? Danny havia sido criado por cientistas, sabia tudo o que dava sobre física, química e ecto-biologia. Mas tecnologia passava longe de ser seu forte.

— Droga… — ele murmurou quando mais uma senha que ele testou foi dada como incorreta, depois chupando todo o milkshake que sobrava em sua taça de vidro, antes cheia de milkshake e sentindo seu cérebro congelar por alguns segundos. Não era como se não doesse, mas incomodava menos depois do acidente e seu núcleo de gelo.

— Posso tirar? — um garçom de cabelos azuis perguntou ao ver a taça vazia em cima de sua mesa. Ele assentiu, fuzilando com o olhar quando o garçom parecia tentar ver do que se tratava seu livro.

O garçom — que não parecia ser muito mais velho que ele — deu de ombros e saiu com a taça de milkshake vazia na mão.

Voltando a se concentrar em invadir um pendrive bloqueado que pertencia a dois caçadores de fantasmas, no caso seus pais, ele percebeu seu celular tocando no bolso da frente.

— Claire? — ele atendeu depois de ver o identificador de chamadas. 

— Schrödinger, eles destruíram a ponte. — ela disse, soando desesperada ao outro lado da linha.

— E vocês não conseguiram tirar ele de lá, não é? — Schrödinger perguntou, já sabendo qual seria a resposta.

— Não. Chegamos tão perto… — Claire chorou. — E-ele jogou meu irmão pelo portal… e-ele… cumpriu sua promessa…

— O Toby ‘tá com você? — ouviu um "uhum" do outro lado da linha. — Eu acho que eu vou conseguir achar uma alternativa… mas eu preciso de vocês naquela lanchonete perto da escola. Aquela com wi-fi grátis?

— Ok, chegamos aí em alguns minutos. — ele assentiu antes de desligar o telefone e voltar a tentar adivinhar a senha. 

Ele pediu mais um milkshake, e enquanto esperava Claire e Toby chegarem, tentava mais algumas senhas que, como era de se esperar, não davam certo.

— Nós estávamos brigando para não destruírem o único portal conhecido para a dimensão onde nosso amigo está preso, e você estava tomando milkshake? — Toby o surpreendeu.

— E tentando descobrir uma forma de abrir portais para a zona fantasma e ir para as Terras Sombrias por lá. — ele se virou. — Mas eu esqueci a senha do pen-drive, então eu estou preso com tentar adivinhar a senha e tomar milkshake.

— Vem cá, você não falou que tinha um portal estável no porão dos seus pais, seja lá o que isso significa? — Claire cruzou os braços. — Não podemos usar esse portal?

— Ah, foda-me gentilmente com uma serra elétrica! — ele citou, um pouco alto demais, chamando a atenção de algumas pessoas naquela lanchonete.

— Quê?

— Para de falar besteira, eu não vou voltar ‘pra Amity Park nem por um milhão de dólares. — foi a vez dele de cruzar os braços. — Tá bom, eu bem que poderia ter um uso para um milhão de dólares… enfim, vocês conhecem alguém que saiba hackear um pendrive? É a nossa chave para ajudar o seu amigo.

— Relembre, porque você ‘tá tão obcecado por nos ajudar com o lance do Jim nas Terras Sombrias e ajudar um cara que você nem conhece? — Toby perguntou.

— Proteger, ajudar as pessoas… eu acho que essa é a minha obsessão. — Danny deu de ombros. — Uma das.

— Então, você ‘tá fazendo isso porque… — Claire começou.

— Se vocês não prestaram atenção no seu livrinho medieval, que por sinal é mais preconceituoso que qualquer filme de terror que eu já assisti,  — ele a olhou no fundo dos olhos, provavelmente com os olhos brilhantes como as vezes acontecia, e a garota deu um passo para trás. — se você afasta um fantasma de sua obsessão, de seu ancra por muito tempo, ele some, enlouquece ou as duas coisas. Então, eu preciso ficar por perto e ajudar vocês com isso, porque se não, vocês sabem…

— E depois que tirarmos o Jim das Terras Sombrias? — Claire, antes ligeiramente assustada, se recompôs e disse com os braços cruzados, colocando todo seu peso em uma das pernas. — O que você vai fazer?

— Se até lá eu já estiver de volta ao normal, eu acho que eu volto para Amity Park, por mais que eu saiba que isso provavelmente não vá acontecer. E se não acontecer, eu acho que eu vou arrumar uma máscara.

— Isso é uma cidade pequena, Schrödinger. Você acha que o Bruce Wayne conseguiria ser o Batman se Gotham ficasse no interior da Califórnia?

— Isso é uma questão de o quão bem você consegue se esconder. — ele deu de ombros. — E eu preciso de um hacker! Eu deixei o meu em Amity Park.

— Eu… acho que o Eli consegue quebrar a senha de arquivos bloqueados… — Toby se pronunciou.

— Ótimo! — exclamou, mais uma vez chamando a atenção das pessoas naquele lugar. Ele não costumava gostar da atenção, mas naquele momento, em seu pequeno teatrinho dramático, ele não se importava. — Me leve ao Eli. — em seu último ato, ele segurou a gola da camisa do garoto mais baixo. O exagero era proposital.

Toby engoliu seco e assentiu.

— E-eu acho… eu acho que eu sei onde fica a casa dele, mas…

— Sem mas. Você vai me levar até ele. O seu amigo, tirar ele da Zona Fantasma II não era importante? Se eles destruíram a ponte, essa é a nossa única chance. Faça valer a pena.

Toby engoliu o nervosismo e assentiu. — Você tem um lápis?

————————

Jazz havia a mostrado o quadro de cortiça e todos os documentos. Quase não havia dúvida: Danny estava preso em algum lugar entre sua forma humana e sua forma fantasma, em algum lugar entre a vida e a morte. Vivendo sob o nome Daniel Schrödinger em uma cidade pequena ao norte da Califórnia, quase no Oregon. E haviam evidências: algumas coisas haviam sumido, o que incuía algumas roupas do armário de Danny, um pen-drive de seus pais e um valor de 250 mil dólares das contas do prefeito Vlad Masters.

Seu celular não estava em nenhum lugar para ser achado. O que indicava que provavelmente estava com ele. Então uma ideia idiota se plantou na cabeça de Sam: que se ela ligasse, havia alguma chance de ele atender. Por mínima que fosse.

Antes que ela pudesse repensar, ela já havia discado o número. Dois minutos chamando. E nada de uma resposta. Provavelmente estava desligado ou havia sido jogado em algum lugar. Então ela caiu na caixa postal.

Pelos deuses, o que ela não daria para ouvir aquela voz de novo.

— Danny… n-nós sentimos sua falta. Eu sinto sua falta. Porque você precisa fazer isso? Eu sei que eu não posso te fazer voltar, mas porquê? Eu sei o que acontece quando halfas morrem, eu li a tese da sua mãe, mas porra, não passou pela sua cabeça que tinha mais opções além de fugir? Nós poderíamos ter te ajudado, idiota. Você nos deixou. — ela se esforçava para parecer mais brava, mais decepcionada do que triste e chateada. Ela então desligou o telefone. — Você me deixou. — murmurou, por fim, jogando seu iPhone na cama e se jogando logo em seguida.

Alguns minutos se passaram, nos quais Sam se encontrava apenas olhando para o teto do quarto iluminado apenas por um abajour roxo e um fio de luz que penetrava pelas pesadas cortinas pretas. E esse estado mudou quando ouviu duas batidas firmes na porta de mogno.

— Vai embora. — ela pediu em um tom firme e disfarçadamente choroso ao deduzir que fosse sua mãe.

— Sam, sou eu. — reconheceu a voz de Valerie.

— Entra. — disse alguns segundos depois, sem se mexer um milímetro. Ela só soube que Valerie tinha realmente entrado ao ouvir o rangido da porta, e depois sentindo ela se sentar no pé da cama.

— Eu acho que ninguém ‘tá lidando bem com isso. — Val comentou depois que alguns segundo se passaram em um silêncio quase perturbador. — O Tucker já sabe?

— Não. Eu e a Jazz concordamos em não contar ‘pra ele tão cedo. — Sam respondeu.

— Sabe, eu e a Ellie vamos patrulhar, já que o menino fantasma que protege a cidade está de férias na Califórnia. — ela falou. — Se você quiser vir com a gente…

— Ellie?

— Danielle. Ela ‘tá preferindo ser chamada assim agora.

— Ah. — Sam deixou com que mais alguns segundos se pasassem em silêncio e finalmente mudou de posição, se sentando ao lado da amiga. — Eu vou com vocês. Eu sou a mais experiente com o equipamento dos Fenton, e eu não confio no seu equipamento. — ela se levantou e pegou a caixa onde guardava o equipamento que Danny havia deixado com ela. — E nada me anima mais do que caçar fantasmas.


Notas Finais


obs: a frase "foda-me gentilmente com uma serra elétrica", por mais estranha que soe, significa "para de falar bobagem".


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