História Se 'cê ainda quiser - Capítulo 1


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Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 10 ANOS
Gêneros: Drabble, Drama (Tragédia)
Avisos: Heterossexualidade, Self Inserction
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Capítulo 1 - Ah, que droga, eu ainda quero. E como quero.


Eu ainda te sinto e isso me desespera.

Eu ainda sinto o seu aroma na minha roupa, mesmo que ele não esteja mais lá. Mesmo que eu já tenha lavado essa camiseta. Eu inspiro fundo e consigo saber de cor todas as notas do perfume que 'cê usava, e ele entra em mim de modo doce, faz cócegas no meu pulmão, mas é exalado com amargura. Porque é quando eu lembro que na verdade não reconheço mais o seu cheiro.

Ainda, quando deitada, consigo sentir a sua mão na minha. Os dedos entrelaçados — ou não. Fazendo carinho com o polegar. Consigo sentir até seu abdômen nas minhas costas se eu dormir virada pra parede, seu braço cingindo minha cintura com proteção e gentileza. Sinto seus dedos correndo pelo meu cabelo, às vezes, ou a sua respiração na minha nuca. E dói porque depois do fim, é tudo invenção.

Dói porque 'cê não 'tá aqui, sussurrando no meu ouvido, de verdade. 'Cê não 'tá cantando baixinho no pé do meu ouvido. 'Cê não 'tá rindo comigo, discutindo comigo sobre como teu gosto musical é melhor ou dizendo como 'cê me acha bonita. 'Cê não 'tá mais aqui pra cuidar de mim, dizendo que a sua garota tem que comer direito, se hidratar direitinho e cuidar de si própria, não só por ela.

Arde bem lá no fundo porque eu sei que posso nunca mais sentir o gosto da sua boca na minha, me misturar contigo, bagunçar a cama e te amar. Porque eu sei que posso te perder pra uma pessoa melhor, alguém que te mereça e que saiba fazer — e ser — melhor que eu.

Porque eu sei que, na verdade, já te perdi. Não para outra pessoa. Porém, essa é a única parte boa em todo o tormento: cê se libertou, também.

Segurei sua alma, translúcida. Eu a tive nas mãos e ela brilhava tão forte, e era uma luz tão bonita, mas eu não vi.

Eu não vi e acabei por apagá-la sem querer.

Então ela se afastou, 'cê se afastou. E seu brilho ainda é tão forte que dói não só minha vista como também o peito. Não sei antes vou ficar cega ou ter um infarto.

Eu ainda te vejo parado na porta do quarto em que 'cê nunca entrou porque depois de sonhar contigo eu espero te encontrar voltando pra mim. Na última noite isso aconteceu, te vi esperando por mim na porta mas tive medo de me aproximar. 'Cê parecia cansado, como Atlas, como se tivesse carregado o peso do mundo nas costas, se livrado dele, e depois aceitasse o destino em pegá-lo de novo. E aquele foi um pesadelo, porque apesar de tanto te querer, não te quero assim. Não te quero carregando fardos que não te pertencem. E como eu já disse, amor, eu fui o fardo. O maior deles, grande demais pros seus ombros estreitos. E 'cê já carregou peso demais.

Então eu chorei no sonho e acordei chorando porque mesmo à distância de um toque, 'cê ainda 'tava tão longe. Cê ainda 'tá tão longe. Ainda que eu aparecesse na sua porta... continuaríamos distantes.

Descansa, amor, vai dormir e trata de acordar revigorado. Te quero feliz e livre de mim. Obrigada por me deixar segurar sua alma. Obrigada por todo o carinho que eu não aproveitei — e sigo tentando, em vão, recolher de volta do chão, mas como areia em ampulheta, ele passou pra outro plano. Eu não consigo recuperar se virá-la, porque não tenho o poder de voltar no tempo.

Ah, se eu pudesse, já te disse: diria à minha eu de alguns meses atrás pra te tratar bem. Pra sempre te dar motivos para ficar, e nenhum pra partir. Pra te encher de amor, te lotar de beijinhos e nunca, mas nunca, permitir que meus espinhos te machucassem.

'Cê me viu como uma rosa, mas eu sempre fui um cacto.

Mas obrigada, também, por enxergar algo diferente do acúmulo de dores que eu era — e ainda sou. Por ver alguma coisa de bonita nessa minha confusão triste. Por me fazer especial, mesmo que por pouco tempo.

Parabéns pra data que a gente não chegou a completar. Queria ter te feito todo o bem que 'cê me fez. Queria ter te aproveitado. Mas eu queria muitas coisas, nós queríamos o mundo, e eu e o mundo não servimos pra você.

Com amor e um restinho de esperança, da — tarde demais — sua,

Lis.



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