História Se eu pedir cê volta ? - Capítulo 22


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Categorias Wesley Safadão
Personagens Wesley Safadão
Tags Ainda, Ama, Amante, Berlezi, Casal, Dantas, Fanfic, Fic, Filho, João, Mãe, Mihaile, Mileide, Namorado, Novo, Romance, Safadão, Teem, Thyane, Traição, Voltam, Wesley, Yhudy
Visualizações 25
Palavras 5.593
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Famí­lia, Festa, Ficção, Mistério, Romance e Novela
Avisos: Adultério, Álcool, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Sexo
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Wesley e Mileide finalmente estão juntos, vivendo o que tanto queriam, mas estar longe da família e amigos não é nada fácil, e um inesperado encontro vai abalar a confiança do casal.

Capítulo 22 - O encontro


Fanfic / Fanfiction Se eu pedir cê volta ? - Capítulo 22 - O encontro

Hoje, olhando para trás penso o quanto tudo na minha vida foi intenso. Saí adolescente da minha cidade, fui dançar cidades a fora, encontrei o amor da minha vida, larguei tudo e o acompanhei, eu vi ele se tornar um cantor incrível, juntos tivemos a melhor coisa que poderíamos fazer, Yhudy...
Mas por ironia do destino, nos perdemos no caminho, não só nos perdemos, mas nos magoamos, ferimos um ao outro, durante um longo tempo.
Segui a vida e conheci outros amores, um quase me fez achar que era a pessoa certa, mas no fundo eu sentia que algo faltava, por muito tempo pensei que ser 100% feliz era coisa pra quem não conhecia a vida do jeito que ela realmente era, então me acomodei com o que tinha.
Mas Wesley não... Ele queria mais, queria nossa vida de volta, e eu não me permitia, por medo, mágoa, orgulho, um mix de sentimentos que me deixavam presa em um lugar que não quero mais voltar.
Até que me deixei levar e abandonei um quase casamento que seria morno, pra viver... ou melhor... dar continuidade a uma aventura que me faria sentir um turbilhão de sentimentos, mas que nenhum seria de arrependimento ou tristeza.
Bom, aqui estou eu, morando em Orlando.
Respirando ar puro da sacada do meu quarto, em uma casa dez vezes maior que meu apartamento, admirando uma vasta vista de flores e árvores, a lua cheia clareando todo o lugar, me fazendo sentir gratidão por tudo que passei, e ter chegado até aqui.
Depois da proposta que Wesley me fez, precisei só de alguns segundos pra ter a certeza que era a coisa certa sair do Brasil.
Com algumas conversas concluímos que Orlando seria o lugar perfeito, Wesley sempre quis morar aqui, e até quase tinha comprado uma casa quando ainda estava com Thyane, mas não o fez, gosto de pensar que tudo já estava escrito, eu e ele com nossos filhos pudemos escolher a casa juntos...
Filhos... suspiro. Escuto a risada do Yhudy e Ysis, e sorrio.
Ainda fico incrédula quando estou andando distraída pela casa e pego Wesley brincando com Yhudy, Ysis e Dom, me sinto abençoada.
A um tempo aconteceu a audiência de separação do Wesley com a Thyane, e para a surpresa de todos, Thyane cedeu a guarda das crianças para o Wesley.
Obviamente ela mantém contato com eles, e passa alguns finais de semana em Orlando e os pega.
Thyane casou, com Jaimes. Depois que Wesley encerrou contrato com ele, Jaimes resolveu lançar um adolescente, pelo que sei, tem dado certo, já que ele viaja muito para shows e Thyane o acompanha. Acho que ela já adivinhava que a vida deles seria corrida, e ela estava cansada de ser a esposa que ficava em casa esperando o marido, com os filhos... Quero pensar que ela não é uma mãe ruim, no fim das contas, ela pensou neles, não é? Só o que sei, é que eu jamais abriria mão do Yhudy.
Ysis e Dom sentiram a mudança repentina, tanto da separação quanto a minha presença, lembro de no início eu e Wesley termos todo cuidado do mundo, para que eles não ficassem confusos ou chateados. Com o Dom foi mais fácil, ja com Ysis não, mas depois de muita conversa e principalmente demonstração de respeito e carinho, ela foi confiando mais em mim. Desde então a gente vem criando uma história juntos, a seis meses, eu Wesley, Ysis, Yhudy e Dom, moramos em Orlando.
Apesar de ter uns compromissos uma vez ou outra, eu e Wesley nos dedicamos totalmente as crianças e a nós.
Sei que quando completar um ano, teremos que voltar para o Brasil, fico receosa, não sei como será. Fomos a atração principal deles por muitas semanas... E não foi dito nada de bom, só coisas extremamentes cruéis.
Tive a sorte de ter Wesley ao meu lado, dizendo que tudo bem meio mundo nos odiar, o mais importante era nós estarmos bem.
Fiquei surpresa com a tranquilidade com que ele lidou com tudo, me fazia e ainda me faz sentir que perto dele eu jamais pudesse me sentir estranha, assustada ou insegura, que qualquer coisa poderia acontecer, eu sabia que no final do dia tudo seria esquecido, porque estaríamos juntos.

O portão da garagem se abre chamando minha atenção.
Wesley está chegando.
Tinha um jantar de trabalho, sei que estão insistindo pra ele voltar ao Brasil e lançar música o quanto antes, mas ele se recusa, quer ser fiel aos nossos trezentos e sessenta e cinco dias de férias, de recomeço.
Claro que a pressão em cima dele deve ser maior do que me conta. Sei que me quer bem, mas me preocupo, ele lançava músicas que logo pegavam milhões de visualizações, e se depois dessa longa pausa ele não conseguir mais lançar coisas boas? E se os fãs o esquecerem? E se a culpa toda for minha?
Respiro fundo e tento afastar os pensamentos, enquanto Wesley passa a mão na cabeça e caminha em direção a porta. Ele me olha antes de entrar, ensaia um sorriso, mas quando está chateado não consegue disfarçar.
Eles devem ter pegado pesado hoje. Sei que ele tem os mesmos medos que eu, mas ser fiel a família fala mais alto que qualquer coisa, mesmo que a carreira dele esteja em risco.

Saio da sacada e pego algumas blusas de cima da cama pra guardar.
Pra mantermos a privacidade resolvemos não contratar uma diarista para todos os dias, só a Margareth que vem uma vez na semana. Nos outros dias eu e Wesley arrumamos, com uma casa desse tamanho achei que seria sufoco, mas acaba se tornando divertido.
Escuto Yhudy e Ysis conversando com o pai, e as risadas do pequeno Dom, que como de costume, deve estar recebendo beijos na barriga.
Pego meu celular e me distraio vendo uma foto que minha mãe mandou, do almoço de domingo, com a família. Sinto tanta falta deles que poderia passar horas olhando essa foto.

- Oi.

Levo um pequeno susto, com a voz de Wesley.
Me viro e olho para ele, que adentra o quarto, tirando o relógio do pulso e o calçado.

- Como foi o jantar?

Ele da um suspiro quase imperceptível.

- A comida era muito boa, mas não gostei muito da sobremesa. - Ele me encara com um sorriso divertido.

Balanço a cabeça e sorrio. Sento na ponta da cama.
- Não foi bem da comida que perguntei - digo enquanto Wesley desabotoa a camisa social.

Ele demora alguns segundos pra responder. Percebo que está mais chateado do que transparece.

- Foi o papo de sempre, voltar para o Brasil, produzir, trabalhar trabalhar e trabalhar - Ele da de ombros, se aproxima e me dá um beijo - nada que eu já não tenha escutado. - sorri e tira a camisa e sai.

Mesmo de costas, consigo ver sua tensão. Deve ter algo a mais.
Resolvo não insistir.
Me levanto e vou até ele.
Passo a mão em seu ombro largo, deslizo por seus braços, e dou um beijo na sua nuca. Tentando descontrair proponho:

- Que tal uma massagem? Comprei um óleo novo, prometo que esse não vai arder a pele.

Wesley solta uma gargalhada.
Desde que descobri que no nosso bairro existe uma lojinha brasileira de óleos corporais exóticos, não paro de comprar. Gosto de entrar lá e me sentir em casa, e acabo sempre levando um, já tô quase com um estoque.
Como são exoticos testo todos em Wesley, que claro, ama a massagem que acompanha. Mas alguns efeitos colaterais já aconteceram, como um pouco de ardência, coceira, bolinhas...
Ele costuma brincar que logo nascerá um terceiro braço nas costas dele.
Fico feliz que isso o arranque uma risada.
Mas antes mesmo que ele pudesse responder, Ysis entra correndo no quarto e se joga na cama, e Yhudy entra logo depois com Dom.

- Que patifaria é essa? - Digo rindo.

- Hoje é dia do filme, esqueceu? - Yhudy pergunta, ajudando o Dom a subir na cama.

Wesley me puxa de lado pela cintura, e me dando um beijo no rosto, diz:

- Parece que a massagem vai ficar pra mais tarde.

Faço beicinho, Wesley sorri.
Olho para as crianças.

- Pois bem - Digo divertida - eu tinha esquecido, mas já lembrei, e tô indo lá pra baixo fazer pipoca.

Recebo gritinhos de comemoração, que me fazem rir.

Parecendo mais aliviado, Wesley anuncia:
- Vou tomar um banho rapido enquanto vocês escolhem um filme e a pipoca fica pronta.

//

Na metade do segundo filme, vejo só o Dom acordado. Yhudy, Ysis e Wesley já devem estar no décimo sono.
Na maioria das vezes as crianças dormem, e Wesley os leva para a cama.
Mas dessa vez até ele pegou no sono, e estão dormindo tão profundamente com uma paz, que não tenho coragem de acorda-los.

Dom me olha e esfrega os olhinhos bocejando.
Sorrio.

- Ta com sono? - cochicho.

Dom balança a cabeça confirmando.
Me olhando ele franze a testa exatamente como Wesley faz, e sinto vontade de esmaga-lo. Sorrio.

Tiro os baldes de pipoca da cama, desligo a TV, e estendo a coberta como posso, pra que ninguém fique com a cabeça coberta.

Faço sinal para que Dom venha deitar ao meu lado, e passando em cima de todos ele chega.
Wesley tava certo em comprar a maior cama da loja, mas acho que deveríamos procurar uma ainda maior.
Seguro em uma das mãozinhas do Dom, que depois de se mexer muito, pega no sono.

Eu tento, mas a sede que a pipoca me deixou me faz levantar e descer até a cozinha.
Encho meu copo de água. Tomo.
Encho de novo. Tomo. Espero não acordar daqui duas horas pra ir ao banheiro, e perder o sono.

- Tá sem sono?

Olho para trás e meu cantor preferido de cabelo bagunçado entra na cozinha.

- Porque acordou? - Pergunto.

- Eu não tava dormindo. - ele se encosta de lado na mesa e cruza os braços. - Mas tava tentando.

Colocando a água na geladeira pergunto:

- Você quer que eu faça alguma coisa pra você comer?

- Não. Mas se aquela massagem estiver de pé, eu quero.

Gargalho. Não é massagem com óleo corporal que ele quer, e eu estou disposta a lhe dar o que pede.
Seu sorriso travesso me faz morder os lábios. Me aproximo e entrelaço minhas mãos no seu pescoço, e meu amor, agarra minha cintura. Em décimos de segundos nossas bocas se encontram.
Amo os seus beijos! E que beijos!

- Vou levar as crianças para o quarto delas. - diz ele me dando beijos no pescoço.

- Não. Eu tenho uma ideia melhor... no seu escritório!

Wesley da um sorriso largo e aperta os dedos suavemente na minha cintura.

Aos beijos vamos em direção ao seu escritório, mas depois de esbarrar três vezes pelos móveis, como se eu fosse uma pluma, Wesley me pega no colo.

Entramos no escritório, e sem querer a porta bate ao se fechar.
Nos olhamos. Sei que ele pensou a mesma coisa que eu.
Espero que as crianças não acordem!

Minha respiração acelera quando ele me coloca sobre a mesa do escritório. Nosso beijo prossegue e vamos curtindo deliciosamente.
Nossos corpos se aquecem e rapidamente tiro a camiseta de Wesley.
Beijo seu pescoço, seus ombros, seus bíceps, enquanto ele também me toca e me beija. Nos entreolhamos com deleite. Nos devoramos com os olhos, nossos olhares nos excitam. Sorrio ao ver que ele dá um passo atrás e desamarra o cordão da calça preta, que cai no chão, seguida da cueca.
Fico sem ar.
Ele sorri com minha expressão de luxúria.

Meu amor volta a me beijar, mas sem perder mais tempo tira minha blusa e meu sutiã. Wesley sorri olha meus mamilos rígidos, se abaixa e dá uma lambida primeiro em um e depois no outro.
Com as duas mãos, retira meu short de pijama junto com a calcinha.
Com desejo de lhe mostrar o que é seu, passo a mão nos meus seios deito sobre a mesa me acomodo e ao ver que meu amor não desvia os olhos, deslizo os dedos por minha vagina. Começo a me tocar. Sinto como estou molhada. Maravilhado, Wesley não se contém, segura minha mão e sinto sua boca se fechar ao meu redor e me sugar, quase grito com tanto prazer, meu corpo reage, estremeço quero me encolher, mas Wesley me segura. Por vários segundos a incrível boca de Wesley me leva as alturas, quando ele para imploro para que continue, e com um sorriso ele volta a me lamber, me agarro a beira da mesa, preciso apertar alguma coisa, me abro ainda mais pra ele.
Sou chupada num ritmo enlouquecedor, Começo a tremer com violência. Que delícia… que delícia… Meu corpo se contrai de prazer.

- Ah… isso… isso… não para - consigo balbuciar.

O prazer aumenta, a loucura se acentua, os espasmos se ampliam e sinto deliciosas descargas elétricas me fazerem ofegar e gemer sem controle. Um orgasmo incrível começa a percorrer meu corpo.
Ah... que delícia! que tesão!

Mas Wesley quer mais, deseja mais, e eu tambem. Ele me pega nos braços, me levanta da mesa e me apoia na parede. Ele me beija, e eu sinto o seu gosto e o meu. Delícia!
Com um movimento dos quadris, introduz o membro ereto e ansioso em mim. Minha vagina o acolhe e o ouço gemer mordendo o lábio, fico louca.
Wesley começa a se mexer, primeiro devagar, mas, quando já está totalmente fundido em mim, seu ritmo se acelera.
Nossos gemidos preenchem o silêncio do escritório, e ele continua a se fundir em mim com força. Eu o encorajo a continuar.
Sou tão sua como ele é meu.
Nada existe nesse instante mágico a não ser nós dois. Por fim, quando a luxúria nos faz tremer em uníssono, Wesley me penetra uma última vez, ofegante e com a voz carregada de prazer. Então caímos um nos braços do outro, esgotados.
Nossa respiração agitada ressoa por toda a sala. Passado meio minuto Wesley me solta com cuidado.
Caminho até o barzinho para pegar água. Abro uma garrafinha, dou um gole e ofereço para meu amor que está suado.
Qualquer dia desses, vai cair duro por desidratação.
Entre risos, vestimos a roupa e dez minutos mais tarde entramos no quarto, se antes não tínhamos sono agora estamos preparados para dormir como uma pedra. Nos ajeitamos como podemos ao lado das crianças e dormimos. Precisamos descansar.

//

Sinto o cheiro de torradas, mas não torradas boas, torradas queimadas. Faço careta ainda com os olhos fechados. Sei que preciso levantar da cama, mas à um peso sobre meu corpo que me impede. Com muito esforço me viro, e como imaginei, Wesley e as crianças não estão mais.
Puxo a coberta, e cubro minha cabeça, pra ver se o cheiro se vai.

Não adianta. E antes que a casa pegue fogo levanto e me espreguiço, olho o relógio... Porque eles acordam as 8 horas de um domingo? Bufo. Não vejo a hora de eles se tornarem adolescentes preguiçosos... tá bom, talvez eu não esteja tão ativa quanto era, mas qual é... é um ano sabático ou não?


Depois de ir no banheiro coloco meu roupão, pego a pantufa do Yhudy, que é a primeira coisa que vejo, e desço.

Quando me aproximo da cozinha, o cheiro de queimado se intensifica, me fazendo sentir um leve mal estar.

- Bom dia. - Encontro todos sentados a mesa da cozinha, tomando café.

- Bom dia. - me respondem em coral.

Do um beijo no rosto das crianças, e um selinho em Wesley que pisca pra mim com cumplicidade.

- Queimou as torradas? - Pergunto, enquanto pego um copo de água.

- Ysis tava mostrando pra gente um vídeo, e eu me distrai, acabei esquecendo. - Wesley responde.

- Nossa, mas o cheiro tá muito forte, você quase colocou fogo na casa.

- Eu não tô sentindo nada. - Wesley me entrega uma xícara de café.

- Nem eu mamãe. - Yhudy, que é o único prestando atenção na conversa, responde.

Levantando da mesa e indo até a pia, meu amor pergunta empolgado:

- O que vamos fazer hoje?

Sento no lugar dele
- Vai ter uma feira de fast-food do lado do parque central. Poderíamos ir, levar uma toalha de piquenique, comprar comida lá, e sentar no parque, o que acham?

- Por mim tudo bem. Crianças?

- Pode ser. - Yhudy fala de boca cheia, e o repreendo com uma careta.

- Agora? - Ysis entrega o celular para Dom, que nem pisca.

- Não. A tarde?! - Me dirijo a Wesley.

-A tarde. - Ele confirma.

//

Passo parte da manhã resolvendo algumas coisas com Lívia. Ainda recebo propostas de parcerias, e nas que me interesso, tento entrar em um acordo para quando eu voltar ao Brasil. Vou para academia e na volta ligo para a minha mãe como faço todos os sábados, e a risada dela me passa uma energia enorme.
Chego em casa e Wesley e as crianças estão exatamente no mesmo lugar de quando eu saí, sentados no sofá assistindo desenho.
Sorrio. Gosto dessa visão.
Tomo um banho, coloco um shorts e uma regata e desço.

- Já pedi comida. - Wesley fala, esticando o braço para que eu sente ao lado dele.

- Que bom, tô morrendo de fome. - aperto a bochecha do Dom, concentrado com o desenho. Me acomodo no sofá, e beijo Wesley.

- Cansada? - Ele pergunta.

- Deixei minha alma lá na academia, só meu corpo tá aqui.

Sorrimos.

//

Depois do almoço, e do Dom dormi sua soneca sagrada, nos arrumamos, para ir ao parque.
Confiro se Yhudy está se arrumando e ajudo Ysis escolher uma roupa.
Passo no quarto do Dom.

- Precisa de ajuda? - Pergunto a Wesley.

- Não, vou levar ele pro banho agora. Pode ir se arrumar.


Vou para meu quarto, abro meu guarda roupa. Tenho tanta coisa que poderia usar um ano sem repetir.
Suspiro.
Lembro do bazar beneficente. Lívia, tem insistido para que eu vá ao Brasil fazer o bazar, mas não sei se estou pronta.
Droga. Preciso parar de pensar nisso e escolher algo... Penso nas dicas de Juliana sobre looks.
Sorrio.
Saudades daquela maluca.
No fim, acabo pegando um macaquinho, branco, com marcação na cintura, e decote v, junto com uma sandália. Passo uma maquiagem leve, e deixo o cabelo solto liso.
Me olho no espelho, o macaquinho realça meu corpo, dando ênfase na bunda.

- Você tá linda.

Que susto!
Me viro e vejo Wesley parado de braços cruzados, encostado na entrada da porta.

- Gostou da minha roupa? - Sorrio brincalhona.

Wesley se aproxima me olhando por inteira. Me puxa para si, e eu entrelaço as mãos no seu pescoço.

- Gostei - ele sussurra perto da minha boca - mas queria poder tirar ela agora. - Seu corpo se pressiona contra o meu, e recebo um beijo que me tira o fôlego.

- Queria que você tirasse. - Digo em meio a selinhos. - Mas...

- Mas não podemos... - Ele me encara, colocando meu cabelo atrás da orelha. - Não agora. - Aí está! Seu sorriso malicioso de novo.

Mais um beijo seguido de selinhos. Então me afasto e do um tapa na sua bunda.

- Bora, vai se arrumar.

- Vou tomar banho, em 15 minutos fico pronto senhora Mileide. - diz ele com uma voz engraçada.

//


Como imaginei o parque está cheio, mais do que o normal devido a feira.

Primeira coisa que Dom faz é correr pelo parque, e lá vamos nós correr atrás.
Brincamos com a bola que Yhudy e Wesley levam pra todo lugar, e até alguns gringos chutam a bola pra gente, quando ela vai longe.
Eu e Ysis resolvemos nos afastar dos meninos, e dar uma volta no parque. Tento não demonstrar tanta empolgação, mas estamos em um momento de meninas, só eu e ela, e isso a algum tempo atrás era quase impossível.
O lugar, claro... é lindo, cheio de árvores, um lago enorme, com peixinhos que eu e ela paramos pra admirar, uma fonte de água linda, que Ysis me pediu que batesse uma foto com ela fazendo pose.
Orgulhosa mostrei como a foto tinha ficado, disse que ela poderia ser modelo de tão fotogênica, ela sorriu, mas logo o sorriso desapaceu.

- Você não gostou? - Pergunto.

- Gostei. - Ela me encara por alguns segundos, e então baixa a cabeça.

- Então o que foi? - tiro uma mecha de cabelo do seu olho.

- Você ficaria braba se eu pedisse pra você enviar essa foto pra minha mãe?

Me sinto decepcionada comigo mesma por ela se sentir assim. Por ter passado a impressão que eu não apoiaria a relação dela com Thyane.
Me agacho perto dela.
- É claro que não meu amor, sua mãe vai amar essa foto, e já vou enviar pra ela. - Sorrio - Quer saber de um segredo?

- Quero! - Ela responde curiosa.

- Eu também tô morrendo de saudades da minha mãe.

Ela me encara sorrindo. Envio a foto e mostro pra ela, digo que assim que tiver resposta, mostrarei.

- Eu tô com fome.

- Aí graças a Deus, minha barriga já tá roncando. - faço careta e gargalhamos. - Vamos atrás dos meninos?

- Vamos.
Ysis pega na minha mão com naturalidade e eu vibro de alegria.


Wesley nos vê chegando de mãos dadas e me lança um olhar admirado. O encaro e ele entende que não deve fazer disso grande coisa pra não deixá-la com vergonha.

- As princesas estão com fome? - Wesley pergunta.

- Voltamos pra isso. - Sorrio.



Caminhamos por toda a feira e acabamos comprando um pouco de cada lugar. Tudo parecia muito gostoso, ou nós estávamos com muita fome.

Voltamos para onde estávamos, estendo uma toalha xadrez que demorei um ano pra achar em casa e sentamos.

Apreciamos aquele fim de tarde, com Wesley contando sobre a infância dele, sobre o sonho de quando ele queria ser jogador de futebol, e como ele foi campeão de vôlei na escola. Vejo Yhudy e Ysis vidrados no pai, ouvindo como se estivessem escutando anjos cantarem, e Dom se lambuzando na comida.

Logo Wesley entra na parte que eu dançava na garota safada, e conta coisas engraçadas, como quando ele caiu enquanto entrava no palco, e eu seguida de todas as dançarinas, quase vamos para o chão junto.
Isso nos faz gargalhar.

- Passamos por poucas e boas. - Wesley coloca a mão na minha coxa, sorrindo com as lembranças.

- Poucas e boas é modéstia. - Digo rindo enquanto entrego um canudo para Dom tomar suco.

Yhudy se estica na grama preguiçoso.

- Aqui é tão fofinho que da até pra dormir, né papai?

Sorrio olhando Yhudy, mas Wesley não fala nada. Viro para ele, que está encarando algo atrás de mim. Diferentes expressões passam por seu rosto tão depressa que mal consigo identificá-las, sua mandíbula se move em sinal de tensão.
Olho para trás mas não vejo nada além de pessoas desconhecidas andando pela feira.
Encaro novamente Wesley.

- Ei... que foi? - Toco sua mão.

Como se eu tirasse ele de um transe, ele me encara por alguns segundos. Com a voz firme, exclama:

- Vamos pra casa.

- Ta... Tudo bem... Eu... - Olho para trás novamente sem entender. Volto a atenção para as crianças. - só espera o Dom terminar o suco.

Mas Wesley não espera, já está de pé, colocando as sobras em uma sacola.

- Wesley? - Chamo sua atenção.

- Ele toma no carro, né filho? Levanta, vamos. Yhudy, ajuda o pai.


Me levanto um pouco desconcertada com a urgência, mas ajudo a arrumar tudo, e não questiono.
Saímos em direção ao carro.
Yhudy pega a sacola de lixo da mão do Wesley, e volta para jogar na lixeira.
Continuamos andando e escuto alguém chamar o nome do meu filho.

Olho para trás e Yhudy está procurando quem o chamou.
Também faço o mesmo, olho para os lados e não vejo ninguém conhecido, talvez seja outro alguém com o mesmo nome.
Mas aí vejo Yhudy ficando surpreso, seguido de um sorriso. Ele corre em direção a alguém que ainda não consigo ver.
Mas não demora muito até que meu coração pare por um segundo, antes de ficar acelerado ao ver de quem se tratava. Suor surge em minhas mãos, e um nó em minha garganta parece quadruplicar o
tamanho, até que eu me sinta estrangulada.
De trás de um pequeno grupo de pessoas, João aparece sorrindo.
Ele abraça Yhudy e o tira do chão.
Por alguns segundos não consigo me mexer. Quando saí de casa hoje, não me passou pela cabeça que eu encontraria o homem que deixei no altar. Engulo em seco. Nosso último encontro não foi dos melhores. Aos gritos ele disse que não queria mais me ver, e estava cumprindo, até agora...
Yhudy aponta pra nós, e João, agora agachado, me encara... Seus olhos seguem meu corpo todo, até que chegue em meus olhos, no canto da sua boca, um pequeno sorriso se forma, não sei se é por algo que Yhudy está falando, ou se é uma forma de me cumprimentar, não sei como agir.
Solto o ar aliviada ao perceber que João desvia o olhar, mas ele fita algo atrás de mim... Wesley!
Fiquei tão desconcertada que nem vi a reação dele. Tento me recompor e não demonstrar o quanto a presença de João me perturbou e só então olho para Wesley que parado alguns passos atrás de mim, encara os dois. Ele permanece sério. Sua mandíbula continua movendo-se sem parar. Sei que essa situação não o agrada, sei que deve estar soltando fogo por dentro, e agora entendo a urgência de ele querer sair do parque.
Do mais uma olhada para João, que está completamente entretido com Yhudy, e por sinal, meu filho não para de falar um segundo.
Sei que Yhudy sentiu falta dele, os dois eram muito apegados, e por minha culpa, meu filho perdeu alguém que amava, da noite pro dia.
Se eu não tivesse misturado as coisas... se tivesse mantido na amizade... Eu...suspiro.
Volto a atenção a Wesley, que agora me encara. Dom e Ysis nem fazem conta do que está acontecendo, apenas aguardam.

- Precisamos ir. - Ele fala quebrando o silêncio.

- Tá.
Por alguns segundos tento pensar no que fazer.
De um lado, o homem da minha vida, claramente incomodado com a presença de João.
De outro, alguém que fez parte da minha vida por anos, que cuidou de mim, e que amou meu filho como se fosse dele, e eu retribui magoando e humilhando.

Respiro fundo. Tá legal... Wesley não vai gostar disso mas...

- Já volto. - Digo.

Se saísse fogo dos olhos do Wesley, certamente eu estaria queimada agora. Aí aí meu ciumento. Nada bom! Nada bom!

Não espero que ele diga algo, apenas me viro e vou ao encontro de João e Yhudy, sinto os olhos de Wesley sobre mim, ele deve estar amaldiçoando todos os meus antepassados. Sei que deve estar tentando conter os impulsos de me jogar nas costas, pegar Yhudy e ir pra casa.

Tento me manter concentrada.
Chego até eles.

- Mamãe, o João disse que vai passar uns dias aqui, que sorte encontrar ele hoje. E a gente já tava indo embora.

A empolgação do Yhudy me tira um sorriso. Mas a tensão volta quando João levanta, e fica frente a frente comigo.
Estamos a mais de seis meses sem nos ver e nem ouvir notícias, pelo menos eu não sabia nada sobre ele, como se tivesse sumido do mapa. Então, se bem o conheço, no fundo ele deve estar com a mesma tensão que eu.

- Bom te ver. - Digo finalmente.

Ele assenti.
- Bom te ver também.

Fico surpresa com a resposta, esperava que ele saísse correndo como se eu fosse um monstro... e de uma certa forma, sou.

Ficamos em silêncio por alguns segundos, nos encarando.

- Você parece bem. - Quebro o silêncio.

Péssima ideia eu ter vindo aqui, qual é o meu problema? Eu nem sei o que falar pra ele.

Sorrindo, balança a cabeça.
- Sim. Você também parece ótima... Yhudy me disse que vocês moram aqui agora.

- É - Coloco a mão no ombro do meu filho. - Estamos, mas, só por um ano... ano sabático sabe? - sorrio.

Ele me olha como se estivesse atento a cada movimento que dou.

- E você? - Pergunto tentando tirar a atenção de mim.

Ele coloca as mãos no bolso da jaqueta preta de couro, e passado o susto inicial, paro para observa-lo melhor. Embaixo da jaqueta ele usa uma blusa toda preta, com uma calça jeans clara e uma bota. Sua barba está perfeitamente feita, e o cabelo penteado para o lado. Devo admitir que ele está mais bonito do que lembrava. E algo nele está diferente... talvez seja porque nós dois somos completos desconhecidos agora, e esse ar de mistério paira sobre ele.

- Eu tô aqui a negócios. E como Yhudy mesmo disse, vou ficar só alguns dias.

Correndo o risco de ser inconveniente, exclamo:
- Você sumiu, eu tentei saber sobre...

Sou interrompida com Wesley chamando meu nome. Olho para ele e faço sinal para esperar, ele parece impaciente e irritado.
João o encara e mesmo com um sorriso no canto da boca, ele parece incomodado.

- Preciso ir, tá ficando frio pras crianças e...

- Tudo bem.
Ele sorri pra mim. Se agacha novamente e abraça Yhudy.
- Se cuida carinha. A gente se vê.

Triste, meu filho o abraça por longos segundos. Desvio o olhar, isso aperta meu coração.

João e eu nos despedimos com um aceno de cabeça.
Começo a caminhar desacreditada de tê-lo encontrado. Juliana também ficará.
Mas antes, preciso enfrentar a fera que Wesley deve estar.
Yhudy corre em direção aos irmãos.

- Mileide...?

Olho para trás, correndinho João para na minha frente. Agitado, diferente de como estava segundos atrás, expressa:

- Eu... Eu queria te ver de novo. Eu não sei você mas, não quero que nosso adeus seja aquela briga horrível no seu apartamento.


Fico sem saber o que dizer.
- Bem, eu... Não é boa ideia, eu e Wesley...

- Não, por favor - Ele sorri nervoso - não quero tentar uma reconciliação amorosa nem nada disso, eu sei que você está com ele. Eu só, sei lá, só quero que a gente fique bem. Podemos sair pra jantar, leva o Yhudy... sabe... como amigos.

O encaro, penso, penso e penso.
- Eu não sei, eu acho que...

- Por favor.

Seus olhos suplicantes me desconcertam.
Como posso recusar algo de alguém que tanto me deu?
Droga, Wesley vai ficar furioso.

- Tudo bem.

- Tudo bem? - diz ele surpreso.

- Tudo bem... Vamos jantar... - forço um sorriso. - Mas Yhudy não vai poder ir.

Imagina, Wesley teria um troço! Ja vai ser difícil o suficiente convencer que eu vá.

- É... ok... ótimo... ótimo. Você... Você prefere me passar seu número, ou pegar o meu?

- Número? - ruim! ruim!

- Sim. Pra gente combinar o lugar e o dia.

- Não podemos deixar marcado agora? - insisto.

- Desculpa Mileide, eu realmente preciso olhar minha agenda e ver qual dia e horário vai da pra mim, você sabe... estou aqui a trabalho.

Penso.
Olho para o lado, e vejo Wesley vindo na nossa direção, pisando firme, com o semblante sério.
Puta merda!!

- Tá. - Coloco o cabelo atrás da orelha inquieta - Anota meu número.

Passo o número o mais rápido que posso.
Wesley chega até onde estamos.
Com um ar de superioridade ele encara João, e depois me encara.
Meu amor me segura pela cintura e com firmeza me puxa para si. Quase perco o equilíbrio, mas sua mão e seu corpo me sustenta.
Os dois se olham, fica claro que não se gostam.

- João. - Wesley balança a cabeça. Sua cara de deboche me faz querer belisca-lo.

- Wesley. - João faz o mesmo, mas se mantém sério.

- O mundo é tão grande, mas as vezes acho que não o suficiente.

Boquiaberta com a indelicadeza de Wesley, estou pronta para dizer algo, quando João me interrompe:

- Concordo. Eu mesmo por muito tempo achei que você estava longe o suficiente. Engraçado como as coisas podem mudar quando a gente menos espera. - Dessa vez é João quem expressa um sorriso de deboche.

Eu entendi direito ou o João acabou de insinuar que eu poderia deixar Wesley e voltar com ele?

Consigo sentir Wesley ficando tenso, sei que ele está pronto para socar João, sinto sua mão soltando minha cintura.
Sinceramente, quem queria dar um soco era eu, só que na cara dos dois. Antes que eu realmente faça isso coloco a mão nas costas do Wesley, e seguro com força sua cintura.

- Tá na hora da gente ir. - falo aborrecida.

João sem tirar os olhos de Wesley concorda:

- Eu também!

Então meu ex noivo me olha, e com precisão, coloca a mão na minha nuca e beija meu rosto com vontade, com a certeza de que vai deixar Wesley em plena ebulição.
Satisfeito ele se vai, e eu sinto uma nuvem preta pairar sobre meu amor, que me solta chateado, e caminha me deixando para trás.

Continua.


Notas Finais


Demorei mas voltei. Espero que gostem 💗👩🏻‍💻 comentem 💗


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