1. Spirit Fanfics >
  2. Se não fosse por amor... >
  3. Violation

História Se não fosse por amor... - Capítulo 47


Escrita por:


Notas do Autor


(7/10)
ESSE CAPÍTULO É PESADO. PESSOAS SENSÍVEIS NÃO DEVEM LER.

Voltei, povo. Demorei eu sei.
Tava procrastinando esse capítulo pq ner...
Cs vão ver.
Aproveitem.

Capítulo 47 - Violation


No one ever listens, this wallpaper glistens
(Ninguém nunca ouve, o papel de parede brilha)
One day, they'll see what goes down in the kitchen
(Um dia eles vão ver o que acontece na cozinha)

- Você é uma ótima compositora. – Disse eu, sem saber como reagir. Ela riu nasalado e negou com a cabeça.

- Tive bastante inspiração. – Sorri de lado.

Tudo o que ela cantou parecia um grande exagero. Toda família tem seus defeitos, mas ela parecia dar muita importância aos da dela.

Minutos depois nós jantamos com os pais dela. Ela estava estranha. A Olivia que eu vi na casa da minha mãe, com olhos vidrados, coluna rente, calada, como se estivesse num evento formal estava de volta. Não era a Olivia que estava no quarto comigo minutos atrás: sorridente, leve, sincera.

Algo na relação dela com a família estava começando a me incomodar. E se ela não tiver exagerando?

 

Olivia

Aposto que ele não acreditou. Bem, não posso dizer que não avisei. Só espero que ele faça o que eu pedi. Comemos em paz, afinal, comer e falar é proibido nessa casa. Falta de educação conversar durante o horário de comer, eles dizem. Ou a sociedade diz, não sei.

A comida estava boa, minha mãe cozinha bem. Quando todos já haviam comido, levantei para tirar os pratos. Por hábito, Harry levantou junto para me ajudar e antes de eu conseguir avisá-lo, meu pai o repreendeu fazendo com que ele sentasse em sua cadeira mais uma vez.

- Sente-se, deixe que as mulheres façam o trabalho delas. – Disse Octavius.

Harry teria retrucado, mas o olhei fixamente quase implorando que ele não o fizesse. Ele suspirou, irritado e seguiu conversa com meu pai.

Enquanto isso, segui para a cozinha e passei a secar os pratos enquanto minha mãe os lavava.

- Vejo que seguiu meu conselho. – Disse ela – Ou você acha que não notei os anéis de ouro na mão dele? – Revirei os olhos. Ele sempre disse que eu deveria casar com alguém rico e procurar estabilidade financeira. O amor é para os fracos.

- Eu estou com ele por que o amo, mãe. – Ela riu com sarcasmo. Acho que foi aí que me irritei. – Ou você achou mesmo que eu seguiria os teus passos? Que me tornaria a vadia interesseira que você se tornou? – Mal terminei a frase e senti meu rosto arder e molhar. Ela havia me dado um tapa.

- Quem você pensa que é para falar comigo assim, sua cadelinha de rua? – E a partir dai vieram xingamentos de todos os tipos. Nada que eu não houvesse escutado antes, mas reviver aquilo? Droga, como doía.

- Tudo bem por aqui? – Harry perguntou, entrando na cozinha. Morgana parou de me xingar e colocou sua masca doce, sorrindo.

- Claro querido, já acabamos. – Disse ela, secando as mãos num pano de prato e saindo da cozinha.

- Tudo bem mesmo amor? – Perguntou ele. Assenti.

- Nada que não tenha acontecido antes. – Suspirei. – Vamos pra cama? – Ele assentiu e seguimos.

Tomamos banho juntos, conversamos bobagens e em algum momento dessa conversa eu adormeci em seu peito.

Achei estranho quando senti mordidas em minhas costas. Mordidas que me machucavam um pouco, mas não ao ponto de eu sentir a necessidade de reclamar. Franzi o cenho reconhecendo a sensação, mas ainda estava sonolenta. Sabe quando você sabe quem é, sente que não é algo bom, mas não consegue realmente ligar o ato à pessoa? Forcei minha cabeça por milésimos de segundos até eu finalmente lembrar quem era.

O desespero subiu pelo meu corpo, meu coração passou a bater mais forte e com mais força. Entrei em pânico, mas não consegui me mover. Senti as mordidas subirem da base das minhas costas até a base do meu pescoço e então aquela voz que me deu calafrios toda a minha infância e adolescência sussurrou em meu ouvido.

- Senti sua falta, querida. – A voz de Octavius ecoou no cômodo, fazendo meu estômago embrulhar. Senti seus beijos na parte descoberta de meu pescoço e quando finalmente consegui me mover, virei de frente para ele, assustada.

Ainda assim, não consegui pronunciar uma palavra. Olhei ao redor e foi como se tudo tivesse voltado ao tempo que eu morava aqui. Um meio escuro e vazio. Harry não estava ali. Em minha mente fui transportada aos meus sete anos, quando aconteceu pela primeira vez.

O olhei e sua expressão era a mesma de anos atrás, deliciando-se com o meu pânico. Seu rosto se aproximou do meu e ele me beijou. Ou melhor, senti sua língua áspera se esfregar contra meus lábios e uma de suas mãos acariciarem meus seios. Quando senti sua mão descer, finalmente tive alguma reação.

Passei a me debater em seus braços pedindo para que ele parasse, implorando, mas ele se divertia. Ele sorria e passava a mão pelo meu corpo, distribuía beijos molhados pelo meu pescoço e as lágrimas escorriam pelos meus olhos. Ouvi minha camisa rasgar e em pouco tempo tudo o que me cobria era a calcinha.

Ele sempre gostou de deixa-la por último.  Sempre preferiu massacrar o meu psicológico ao máximo antes de seu gran finale. Onde está Harry?

Foi ao sentir sua boca sugando meu seio e sua mão asquerosa dentro de mim que minha esperança se esvaio por completo. Nunca houve ninguém para me salvar, por que agora seria diferente?

Harry

- Querido? – Chamou Morgana, ao ver-me bebendo água na cozinha. Eram cerca de oito da manhã.

- Sim? – Respondi, colocando meu copo na pia e virando em sua direção.

- Se importa de levar-me ao mercado? Vai ser rápido, prometo. – Sorriu ela, simpática.

- Claro, vou trocar de roupa e desço. – Ela assentiu ainda sorrindo.

- Vou esperar na sala. – Assenti e subi as escadas.

Olivia encontrava-se dormindo tranquilamente entre os lençóis, linda, como sempre. Troquei de roupa rapidamente e desci. Olivia não se importaria de ficar sozinha por uma horinha, não?

- Vamos? – Chamei Morgana. Ela levantou-se do sofá e me acompanhou até o carro.

Fomos a um mercado próximo da casa, demoramos uns dez minutos no máximo. Foi chegar ao estacionamento que notei que não tinha trazido minha carteira.

- A senhora se importa de esperar aqui? Esqueci a carteira na outra bermuda. – Falei recolocando o cinto de segurança.

- Não precisa querido, vai ser rápido. – Eu deixaria pra lá normalmente, mas algo na expressão dela me fez querer voltar pra lá. Ela parecia querer me manter longe da casa dela.

- Ótimo – Ela sorriu vitoriosa -, como não vai demorar, a senhora deve estar de volta ao estacionamento quando eu voltar. – Não esperei resposta, apenas sai com o carro e voltei com pressa. Estava com um mal pressentimento.

Ao lembrar da expressão raivosa de Morgana ao me ver sair, acelerei o carro e subi as escadas correndo e ao chegar lá me arrependi amargamente de ter deixado ela sozinha naquela casa.

Olivia

Ele já havia tirado minha calcinha e eu estava de olhos fechados quando senti todo o peso de Octavius sair de cima de mim e barulhos semelhantes a socos preencherem o quarto.

Sentei e encolhi meu corpo, mantendo os olhos fechados. Meus soluços eram audíveis e ao sentir uma mão no meu braço gritei, assustada.

- Sou eu, amor. Sou eu. – Escutei a voz dele.

Chorei com mais força ao senti-lo me pressionar contra seu peito, acariciando minha cabeça.

- Me perdoa, amor. Me perdoa. – Ouvi sua voz sussurrar em meu ouvido, me transmitindo calma.

- Não me deixa. – Falei entre soluços – Não me deixa sozinha.

- Não vou. Nunca mais. Não vou mais sair do seu lado, tá? – Assenti.

Aos poucos, nos braços dele, minha respiração se acalmou e meus olhos pesaram. Ele beijou minha testa e me forçou a olhar diretamente em suas esmeraldas.

- Vamos tomar um banho? – Assenti.

Ele me levou até o banheiro, tirou sua camisa e entrou comigo no chuveiro, me acomodou em seu peito e enquanto a água escorria pelo nosso corpo ele acariciava minha nuca e distribuía beijos leves pela minha testa. Aos poucos, ele me deu o sabão e me ajudou a esfregar o corpo e então saímos do banho, nos vestimos, pegamos nossas coisas e fomos para um hotel.

No meu quarto havia manchas de sangue no carpete. Saindo pela casa, não havia ninguém. No carro vi que Harry tinha o canto da boca cortado e um arranhão perto da sobrancelha.

- Você tá bem? – Perguntei rouca, devido ao tempo que tinha passado chorando.

- Eu tô – Sorriu de lado. – Se sente melhor? – Perguntou ele com cautela na voz.

- Acho que sim. – Ele assentiu.

Ao chegarmos no hotel, tudo o que fizemos foi deitar na cama e se aconchegar um ao outro e dormir. Bem, ao menos eu dormi. Era o que meu corpo precisava.


Notas Finais


Então...

Ninguém quer me matar né?


Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...