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História Se Não Fôssemos Nós - Capítulo 1


Escrita por:


Notas do Autor


Como dito no tt, aqui outra fic aridante, está sera quase uma long, ou não. Ainda não sei. Verei com o tempo 😄


Espero que gostem e boa leitura 😚

Capítulo 1 - Sobre o Depois


Antes de conhecer Dante, Ari tomou um susto. 

Um cachorro raivoso tentava avançar sobre a criança que segurava firmemente um pote. O menino se encolhia contra os arbustos espinhosos da vizinhança e não parecia incomodado em ficar neles quando se tinha um cachorro prestes a romper a corrente que o segurava. O outro meninos que assistia tudo foi rápido em pegar pedrinhas e jogar por cima da cerca, distraindo o cão.

— O que está esperando?! Saia daí! — gritou com o menino que o olhou assustado e tentou correr, mas o cão o intimidou novamente. — Merda…

Para uma criança de onze anos, falar palavrões não é bonito, mas ele estava longe de casa, dos pais e dos vizinhos enxeridos que viviam entrando em seu caminho para dizer-lhe o que fazer. Ele fez o que não seria nada apreciado pelos pais: pulou a cerca e entrou no terreno alheio sem ser convidado. 

Sua entrada fez o cão rosnar para ele e o menino assobiou, distraindo-o ainda mais. A outra criança olhava a cena e entendeu que seria a sua oportunidade de dar o fora dali e assim o fez, correndo em disparada. O cão ia avançar sobre o outro menino quando um sapato atingiu seu focinho. As crianças pularam a cerca às pressas sem se importar com machucados futuros, correndo ladeira abaixo.

Ambos foram parando ofegantes e suados. O verão os fazia sofrer e os dois rapidamente entraram na sombra de uma árvore qualquer. A vizinhança quieta, evidenciando que todos preferiam estar dentro de casa ao invés de sair naquele calor, onde sem sequer uma brisa os agraciava. Os meninos se entreolharam, observando um ao outro.

— O que deu em você de ficar no mesmo terreno que um cachorro raivoso? — o menino mais moreno perguntou, ele se deitou na calçada, sem se importar se ficaria mais sujo. O outro garoto não respondeu e abraçou o pote que segurava. — Ei, está tudo bem. Pelo menos não vou vomitar com a lembrança de sua carcaça caso eu tivesse chegado tarde. 

O menino o olhou exasperado e descrenço.

— Okay, isso não foi legal. É...bem, obrigado por...— olhou para os pés do menino, onde um deles estava descalço. — Ter jogado seu sapato nele. Ajudou a nós dois. — abriu um sorriso otimista, mas ainda o medo de que alguma coisa poderia ter dado errado ainda estava ali. Ele não gostava de sentir medo e isso o fez ficar com raiva. O outro menino percebeu e fez um gesto com a mão.

Infelizmente, ele tinha furos em sua pele que sangravam e alguns arranhões, seu rosto tinha pequenas manchas assim como partes de seu corpo. O menino com certeza não passou protetor solar ao sair de casa antes. Em suas mão, o pote chamou a atenção do moreno.

— O que é que tem aí? Parece importante. — ele quis espiar, mas não queria ser intrometido. A criança sorriu para ele e ergueu o pote de vidro, nele contendo insetos dos mais diversos tipos. — Eles estão vivos? 

 

Um balanço de cabeça em negação.

 

— Certo, insetos mortos. O que de legal tem nisso? — O menino deu de ombros, sem se incomodar com o comentário desinteressante do outro. — Você gosta de coisas estranhas não é? Minha vizinha prega papéis na parede. Acredita que ela arranca dos livros novos e cola na parede? Acho que vocês vão se dar bem.  — o menino revirou os olhos, dramático, mas sorriu. 

O pote de vidro foi posto na calçada e o menino o encarou. Ele fez gestos com a mão que o outro não entendeu, mas ele não demorou para perceber que o garoto não falava.

— Me chamo Aristóteles, e você? Pode me chamar de Ari ou Ar. Tanto faz. — ele piscou os olhos, o sol refletindo nas janelas de vidro o cegando. O outro garoto tirou do bolso um pedaço de papel, um lápis mordido na ponta, escreveu e entregou para Ari.

Dante. Mas pode me chamar de Dan.

Ari fez um careta.

— Dan não combina com você. — Quem ele era pra dizer isso? Dante revirou os olhos mais uma vez, Ari sorri. — Certo, Dante, tente não morrer da próxima vez. 

Ele se levantou, mas Dante segurou sua mão.

— O quê? 

Ele sinalizou para o alto da ladeira e Ari fez um careta.

— Você quer que eu suba com você? Nesse calor? Cara, você sabe o quão fodido vai ser isso? — Dante não gostou do palavrão que saiu de sua boca e Ari retesou um pouco, não sabendo o porquê. — Você quer mesmo subir agora? É quase uma hora da tarde! Vamos para a minha casa que é melhor. Papai vai saber o que fazer com os seus machucados...mas torça para ele não usar nada ardente em você. Água está de bom tamanho.

A negligência que tinha sobre si mesmo fez Dante rir, sem som e Ari observou seu corpo sacudir levemente.  O menino parecia ser mais frágil que ele, mais pálido e estranho.

 

"Estranho é você, Angel, como toda a sua assimetria".


 

As palavras da sua vizinha ecoaram na sua mente. Ari fechou a cara. Susie usava palavras bonitas para parecer inteligente e Ari não sabia dizer se gostava disso ou não. Ele pesquisou a palavra no dicionário e constatou que Susie tentou ofendê-lo, o que não funcionou. Ari se olhou tantas vezes no espelho para ver o que tinha de errado e depois disso passou a ignorar qualquer coisa de esquisito que a menina falasse a respeito dele para ele.

Ainda sob a sombra da árvore, sentiu Dante o observar. Sim, ele é silencioso e estranho e muito sorridente. Isso fez Ari se sentir enjoado. Ele não sorria muito e a inexpressividade maior de Susie somada com a sua fazia-os se entenderem, por mais camadas que ambos tivessem em tão tenra idade. Dante era outra coisa, era diferente. Poderia igualá-lo a outros garotos da vizinhança, mas não teria como. Foi a primeira vez que cruzou com Dante e já percebeu o quão fora da caixa ele era.

Dante o seguiu em silêncio até uma casa azul, na esquina da rua, a cor um dia foi brilhante e nova. Ari costumava lascar a pintura ainda mais quando ficava com raiva ou entediado. Tirou os sapatos, Dante jogando o par que sobrou longe e Ari olhou para o lance e fez um sinal com o polegar, em aprovação. Dante o seguiu cauteloso e ambos encontram dois adultos na cozinha. O homem olhou para Ari por cima do jornal e seu olhar disparou para Dante. A mulher estava de costas e o homem a chamou.

— Liliana.

Seu timbre reverberou pela pele de Dante, que deu um leve pulo. Ari o olhou, interrogatório. Pensou que por Dante não falar, ele prestava atenção demais em pequenas coisas. A voz de seu pai não passou batido e seja lá o que sentiu, o fez se sentir alheio a mais de uma coisa. Não sabia se gostava disso também.

Sua mãe se virou e olhou surpresa e horrorizada ao ver os dois. Ambos os garotos sujos e um dele machucado em tanta pele que Liliana atravessou a cozinha a passos inaudíveis e rápidos.

— O que aconteceu, Ari? — sua voz fez Dante relaxar e permitiu-se ser tocado pela mulher com toques cuidadosos e olhar atento. Então foi dela que Ari puxou aquele brilho no olhar. 

— Um cachorro ia atacar ele e o ajudei a correr. 

Isso pareceu simplista e Liliana não deixou de notar, embora deixou-se ser levada pelo senso de humor não recomendável.

— Jaime, pegue a caixa de remédios, por favor.

Antes que ela terminasse de falar, Jaime já tinha saído do cômodo e Liliana fez Dante se sentar em uma das cadeira. 

— Onde você arranjou tudo isso? — apontou o dedo para toda a extensão de Dante e ele quase deixou seu pote de vidro cair. Liliana o pegou com cuidado e o pôs sobre a mesa. — Como meu filho encontrou você? 

Dante continuou em silêncio e olhou para Ari.

— Ele não fala. 

Sua indiscrição fez Dante se remexer. Liliana deu um olhar para Ari que Dante não conseguiu ver e voltou sua atenção para ele.

— Não vejo como isso será um problema. — ela se levantou e saiu da cozinha. Ari se encostou no batente do arco da porta e sua mãe apareceu trazendo consigo um caderno e uma caneta. Dante se sentiu envergonhado por tê-la feito sair e voltar quando tinha papel e lápis consigo. — Vá se lavar Ari, eu cuido do seu amigo aqui.

Ari deu a mãe um olhar sombrio e Dante sentiu o coração bater rápido e forte por segundos. Isso não parou, nem mesmo quando suas feridas foram lavadas e deixadas sob o remédio. Jaime auxiliou a esposa de perto, ele não era de muitas palavras, percebeu logo e ele fez Dante lembrar-se de Ari. Ele era uma mistura dos pais e não sabia dizer de cara qual puxou mais. Dante mordeu o lábio e Ari voltou para a cozinha depois de longos minutos no banho. 

O cabelo mais escuro que o seu ainda pingando e as roupas não eram a melhores para se receber uma visita. Constatou logo que ele não era ninguém em especial para fazer Ari pensar um pouco mais. 

— Se sente melhor? — Ari já não tinha o olhar de mais cedo no rosto e Dante quis chegar mais perto para ver se realmente estava constatando certo. Ari olhou os braços de Dante, suas pernas e o menino tentou não se sentir exposto. Ninguém nunca olhou para si assim. Afinal, os dois ainda eram estranhos, apesar de a mãe de Ari ter considerado Dante amigo dele.

Não fez mais do que assentir e juntar as mãos sobre o colo. Dante não era desleixado, apesar de suas roupas estarem sujas. Ele se sentou ereto e com os ombros firmes, seu nariz parecia empinar e suas mãos agora pareciam certas de onde está. Não sabia dizer como, mas Ari gostou do menino. Mais do que queria admitir para o primeiro encontro e não desejado. E percebeu que Dante não gostava de palavrões. Ari também sabia notar várias coisas.

— Mamãe quer que você fique mais um pouco. Até o sol parar de torrar qualquer coisa viva. — Dante sorriu e Ari foi até ele com as mãos nos bolsos da bermuda. — Quer beber alguma coisa? Ou comer? 

Dante escreveu no caderno sobre a mesa e o deslizou até o outro lado. Ari franziu.

— Água não vai te sustentar. Sabe disso né? 

Dante encolheu os ombros e abriu um tímido sorriso.

— Certo, Dante. Vou tratar de engordar você. Não deixa mamãe saber que te dei o que não devia.

Não evitaram em sorrir, cúmplices. Quanto mais Ari tagarelava para um garoto que não queria nada com ninguém, mais Dante gostava dele. E aos poucos Ari se tornaria fechado, deixando Dante a mercê do que ele poderia pensar. Nessa fase, ainda estavam se conhecendo e ambos ainda se deparariam com coisas não imaginadas sobre eles mesmos. E esparavam não ser um problema.

Naquele dia a família de Ari descobriu que Dante era seu novo vizinho e ele morava agora no casarão velho no topo da segunda ladeira da vizinhança, cercado por muito mato. Do jeito que Dante gostava. Para um garoto mudo, ele sabia se expressar mais do que Ari.


 


Notas Finais


Me inspiriei um pouco em O Centro do Meu Mundo e enquanto eu escrevia esse capítulo, a música Mystery of Love ficou na minha cabeça o tempo todo.
O real título seria Libélulas e Manchas na Pele, mas pensei tanto que não haveria como se encaixar, então mudei para um melhor (talvez).

A capa por enquanto vai ser essa, eu mesma fiz, não sou boa com capas mas até que essa ficou boazinha.

A arte da capa não me pertece.
Aqui o link de o de vocês podem encontrá-la: https://christinad306.tumblr.com/post/144535309024/ari-dante/amp?__twitter_impression=true

Vou tentar mudar ela se a fanart pegar muito pesado. Sei que anda tendo muito disso de repostar fanart e eu juro que não uso pra fins lucrativos, é só pra representar.

Espero que tenham gostado do capítulo 😚
Até o próximo ;)

Ps: esqueci de dizer! Me inspirei também em Gives Light e ainda estou decidindo que a mudez de Dante será seletiva ou não. Desculpem-me por ainda não esclarecer essa parte.


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