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História Sea - Capítulo 1


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Notas do Autor


Então...
Hoje é meu aniversário, e por isso tô postando essa belezinha 💙💙💙

Capítulo 1 - O rosto sujo de tinta


Fanfic / Fanfiction Sea - Capítulo 1 - O rosto sujo de tinta

Japão, 16 de maio, 19:28

Sasuke observou com afinco a grande tela à sua frente, enquanto movia minimamente o corpo ao som de Birds, que soavam no último volume nos fones, embora um deles pendesse abandonado sobre seu ombro.

_Birds fly in different directions _ cantarolou, enquanto corria os olhos pela extensa coleção de tintas herméticas, querendo o tom certo de azul.

 O pincel parecia esquecido em sua mão direita.

Trocou-o por um mais fino, e buscou pela tinta branca, inclinando as cerdas suaves na tela, contornando a superfície e dando a luz desejada.

“Ok, agora eu realmente preciso de um azul...”

Voltou os olhos negros para a tela, e para as tintas de novo. Para tela, e para as tintas de novo. Para a tela, e para as tintas. Para a tela mais uma vez, e quando fez menção de virar o pescoço, seu celular vibrou.

Sem se importar muito, limpou as mãos no avental verde claro e pegou o aparelho no bolso. Uma mensagem de Iruka.

“Seu pai está perguntando se você vai descer, Sasuke. Venha logo! “

Deu um meio sorriso, e olhou a hora. 19:48.

Digitou uma resposta rápida.

“ Tô descendo, I-Chan “

Tirou com pressa o avental, que levou junto os óculos de armação quase dourada (embora o pai insistisse que fosse cor-de-rosa, mas Sasuke sabia que ele só estava tentando implicar) em formato circular, levemente puxado para o estilo gatinho.

_ Eita _ agarrou quando o viu bater no chão, dando uma rápida olhada. Se quebrasse estaria condenado a ficar 2 meses enxergando tudo embaçado até que um novo e feito de forma excepcionalmente segura chegasse para si. Repôs no rosto e desceu, sem se dar conta de que em seu rosto pálido haviam respingos de tinta azul, assim como no seu cabelo e seus braços.

Seu fone não tinha escapado tampouco.

Ao chegar na extensa sala, viu seu pai, que já estava terminando de jantar e Iruka, que quando o viu, não ficou muito feliz.

_ Sasuke, já viu o estado do seu rosto? _ Perguntou e o moreno negou, observando em seguida:

_ Está arrumado, Iruka. Vai encontrar alguém? _ E sorriu sugestivamente apenas para mudar de assunto. Sabia muito bem onde que ele estava indo.

Umino revirou os olhos, mas não segurou o mini-sorriso que lhe surgiu nos lábios. Sasuke não sabia disfarçar na hora de desconversar.

_ Bobagem _ E soltou outro riso _ estou indo, juízo pra vocês, okay?

E acenou para Fugaku e Sasuke, sumindo da vista deles.

Iruka era, literalmente, um irmão para Sasuke e um filho para Fugaku. Com seus 20 anos, Iruka morava junto com eles a pedido do Uchiha mais velho, que tinha receio do filho não ter companhia alguma, e não poderia ter escolhido melhor.

_ Não vai comer? _ O pai de Sasuke ergueu uma sobrancelha na direção do filho. Ele deu de ombros.

_ Não estou com muita fome.

_ Mas vai comer, nem que seja só um pouco _ acrescentou o mais velho, enquanto o adolescente fingia uma falsa irritação ao se levantar e ir até a cozinha.

Chegando lá, repensou sua frase sobre não estar com fome. Como sempre, Iruka caprichara antes de sair.

Voltou à sala de jantar com o prato cheio e sentou-se a mesa ao lado do pai, que não segurou o riso.

_ Pra quem não estava com fome... _ e Sasuke deu de ombros, sorrindo também.

_ Culpa do I-Chan _ falou, pronto para experimentar da culinária de Iruka.

_Estava pintando? _ Perguntou o mais velho, observando o rosto sujo de tinta azul de Sasuke. Era sempre a mesma cor, embora ele insistisse que os tons sempre fossem completamente diferentes.

 Ele assentiu, comendo com gosto.

_Mas porquê? _ Indagou, tirando os olhos do prato.

_Seu rosto te denunciou. De novo. Seu cabelo também.

_ Estou quase terminando aquele quadro _ Falou Sasuke, olhando o pai com animação _ Falta cerca de um metro, e pronto!

Fugaku pensou como explicaria ao filho que estava pensando em chamar um desconhecido para uma reunião na casa deles, que provavelmente estaria ali em breve, e que ele não se assustasse.

_ Ainda anda trabalhando nele?

O mais novo ergueu uma sobrancelha.

_ Esperava que eu começasse e não terminasse? Que tipo de artista eu seria?! _ E riu junto ao pai, que voltou a ficar imerso em preocupações.

Durante treze anos, Sasuke conviveu somente com o pai, Iruka, Izumi, a garota que havia noivado com seu falecido irmão, que lhe visitava algumas vezes, e seu médico, Asuma.

Eram as únicas pessoas que o Uchiha mais novo conhecia.

Não era a intenção de Fugaku manter o filho longe das pessoas. Ele só o queria vivo, com sua saúde estável. Apenas. Sabia como ninguém da doença do moreno, e sabia ainda mais que ele deveria ficar dentro de casa, e jamais sair caso quisesse viver.

Já havia perdido a esposa, e o filho mais velho, e não queria perder Sasuke de maneira alguma. Isso estava fora de cogitação

Mas seria justamente com aquela visita que Fugaku teria a chance de mudar o destino de Sasuke.

_ Pai? Tudo bem? _ Ao perceber o silêncio do homem, Sasuke parou de comer e encarou o pai, confuso.

Fugaku permaneceu em silêncio por alguns segundos, antes de sorrir suavemente e assentir.

_ Quando terminar, vai direto pro banho, e depois, dormir ok?

_ Ah pai, são sete horas ainda! _Reclamou, terminando a comida _ E eu dormi de tarde!

_ Já são oito agora, mocinho. _Devolveu o mais alto, enquanto se levantava _ você dormiu por menos de uma hora. E amanhã você tem uma consulta cedo e suas aulas também, lembra?

Sasuke revirou os olhos.

_Ainda bem que amanhã é sexta. Nada de matemática! _ E levantou-se, pegando o prato da mesa, dirigindo-se a cozinha.

Passou pelo pai, lhe desejou uma boa noite, junto de um apertado abraço, prontamente devolvido.

Correu para o quarto, e entrou no banheiro, observando seu rosto manchado de tinta. Riu, e começou a se despir, ligando o chuveiro.

Se concentrou em tirar do corpo os sinais de quem passara três horas pintando sem parar, apenas por puro prazer.

Não demorou muito. Saiu e vestiu algo confortável. Sentia a sonolência chegando aos poucos, até tirar o celular do bolso, que vibrava. Iruka.

Sentou-se na beira da cama para ler.

“Sasuke? Tomou banho já?”

“ Claro né. Daqui a pouco vou deitar”

“Nada de dormir com o cabelo molhado, hein?”

Sasuke riu. Iruka fazia questão de lembrá-lo sempre.

Pode deixar, I-Chan. Volte logo!”

“Ok, Sasuke. Durma bem”

E antes que pudesse guardar o celular, o celular vibrou novamente.

“Sasuke, pelo amor de tudo que é mais sagrado”

Eu sei que você vai ir dançar”

“Espera pelo ao menos meia hora antes disso!”

“Saiba que eu não vou cuidar de você se tiver indigestão!”

O moreninho não se aguentou e começou a rir, achando a maior graça no que Iruka havia dito.

Mas ainda assim, respondeu:

Ne, I-chan”

“Pode deixar”

Antes que Iruka pudesse responder, ouviu batidas na porta, e logo foi aberta. Seu pai.

Ele segurava uma cartela de comprimidos e um copo de água.

Se aproximou de onde ele estava sentado, e sorriu de leve.

_ Pronto pra dormir? _ Perguntou, e Sasuke fez que sim.

O mais novo pegou a cartela, tirou um comprimido, pôs na boca e bebeu a água.

_ I-Chan me mandou secar o cabelo primeiro, e esperar uns trinta minutos antes de fazer muitos movimentos.

O homem pegou ambos objetos de volta, dizendo:

_Aproveite e seque esse óculos também, as lentes estão molhadas. E realmente, não vai dormir tarde dançando por aí, hein?

_Pai, eu não fico dançando por aí, tá? Eu faço isso só no meu quarto!

_Não sabia que todos os cômodos da casa eram quartos!

_OI!

O Uchiha mais velho riu, e não demorou para Sasuke fazer o mesmo. Amava seu pai com todas as forças.

Fugaku olhou terno para o filho. E então, veio em sua mente mais uma vez o que precisava contar.

Ou achava. Não era tão preciso assim. Sasuke poderia estar ocupado no dia vendo seu filme favorito, ou até mesmo conversando com os amigos virtuais. Ele entenderia se somente explicasse que precisaria tirar algumas horas de seu dia, por mais que aquilo não lhe parecesse tão justo.

Mas isso poderia compensar. Ao menos, Fugaku queria muito acreditar que sim.

_Boa noite então, okay? _ Desejou ao filho, que logo retribuiu.

Seu pai sorriu carinhosamente e saiu.

O moreno deitou na cama, um pouco cansado, mas não o suficiente para dormir.

Nada de dançar por enquanto, Sasuke!”

Lembrou a si mesmo da advertência, deitando na cama do lado contrário e colocando os pés na parede.

Seus pés estavam limpos, não tinha problema nenhum. Aliás, estavam sempre limpos.

Olhou para a televisão. Não estava a fim de assistir.

Correu o olhar para a estante, com a prateleira superior organizada por autor, a do meio em ordem alfabética, e a última (e a que alcançava facilmente), por cores.

Ele mesmo havia organizado.

Obtendo ajuda nas de cima, claro.

Mas ele também não estava a fim de ler.

Então olhou para o meio do quarto. Seu quadro estava lá ainda, incompleto.

Mas não estava a fim de pintar agora.

Olhou para o computador. Não queria jogar, nem conversar por vídeo chamada, muito menos estudar alguma coisa.

Ele pensou um pouco mais.

Olhou para o armário, e teve uma ideia.

Mas logo desistiu. Não estava com a mínima vontade de arrumar suas roupas por cores também.

detesto ficar sem fazer nada”

Reclamou em pensamento, chateado. Pegou o celular e abriu a galeria, vendo se achava algo por lá. Mas não, não encontrou nada além das fotos de seus quadros, e vez ou outra, prints de conversas e fotos suas, que tirava no tédio. A minoria ia parar no seu Instagram.

E pensando nisso, foi olhar lá, e encontrou mensagens não lidas de Sakura. Ela viraria uma fera mais tarde.

Sinceramente? Ele amava a amiga, mas não estava afim de digitar nada. Nem ler.

Abriu o Play Music, apenas para conformar os nervos.

Deu uma olhada na porta, e pensou se deveria trancá-la. Em seguida, pegou o celular, conectou na caixinha de som e colocou uma música que simplesmente amava.

Cheap Thrills.

Mal começou e ele já estava dançando.

Puts, eu não devia...”

Pensou, mas era tarde demais.

Meia hora era tempo demais, e se tinha algo que ele não resistia, era a uma boa música agitada.

Só porque não tinha imunologia nenhuma, isso não significava que ele não tivesse disposição para se animar o suficiente para dançar durante um certo tempo, até que se cansasse e resolvesse parar e se jogar na cama.

_TIL A HIT THE DANCE FLOOR!

Sabia que podia gritar o quanto for. A mansão Uchiha era tão extensa que era difícil ouvir uns aos outros estando em cômodos diferentes, e além do mais, sua porta estava fechada e com certeza, seu pai devia estar no laboratório da casa, então não ouviria o filho berrando animadamente, a plenos pulmões que iria cair na pista de dança.

 _I AIN’T GOT CASH!

Era estranho Sasuke dizer isso. Era um grande fluente em inglês, e sabia bem que estava dizendo que não tinha dinheiro.

Não fazia tanta diferença para si, uma vez que ele não sabia que seu pai era um dos homens mais ricos de todo continente asiático; ou simplesmente, não ligava tanto pra isso.

Quando a música acabou, começou outra, que tinha uma letra altamente oposta da anterior.

Ele não tinha um estilo de música tão definido. Encontrava algumas por conta própria, ou era influenciado a gostar de outras por sua melhor amiga virtual, Sakura, que também tinha a mesma doença que a sua.

Mas não tão grave. Ela podia sair de casa, e consequentemente, frequentar uma escola.

Já ele não.

Deu uma admirável (e desajeitada) sequência de piruetas no refrão de 7 Rings, empolgado, porém concentrado. Havia aprendido por conta própria, e esse era só um detalhe entre os milhares de talentos inexplorados do garoto.

Depois da terceira música, Show & Tell, de Melanie Martinez, ele parou de contar, mesmo quando veio a mais tranquila, que era a sua favorita da cantora.

Highschool Sweethearts.

A diferença que tinha a introdução do refrão o encantava incontrolavelmente.

Quando cansou, não pensou duas vezes antes de ir tomar um banho frio, pra tirar aquele calor do corpo, mas que gostava.

Toda a casa era colocada num só clima através de um sistema de computação tão evoluído - Ou até mesmo acima - quanto a de um robô com inteligência artificial, para que isso não afetasse a inexistente autoproteção de Sasuke, então dificilmente, ele sentia frio demais, ou calor demais.

Estava cansado agora. O corpo levemente dolorido pelos movimentos ágeis, mas não se arrependia de nada. Nadinha mesmo.

Refletiu se deveria vestir um pijama, mas não estava com vontade. Colocou um short azul e uma camiseta branca, com a toalha rosa bebê sobre os ombros. Não houvera secado o óculos anteriormente, e resolveu fazê-lo agora, pondo no rosto ao terminar.

Olhou para a imensa janela de vidro blindado, e suspirou.

Tomava uma boa parte da parede de seu quarto, pintada em um rosê pastel, infinitamente agradável de olhar.

Deu sete passos até ela, e encostou a testa no vidro, encarando o vasto campo que havia ali, iluminado somente pela lua.

A grama parecia azul, assim como as árvores também pareciam ter mudado de cor.

E lua brilhava com tanta voracidade que lhe doeu os olhos sensíveis por encarar durante tanto tempo.

Bonita...”

Pensou, não querendo parar de encarar. Gostava da lua, e por um pequeno motivo em especial.

A tinha gravada na palma de sua mão; mas não artificialmente.

Era de nascença.

Era levemente escurecida, e o formato era na fase crescente. Quem olhasse relacionaria facilmente com a lua.

Isso o fazia lembrar das histórias que seu irmão lhe contava, e sentia saudades disso. Muita. Muita saudade mesmo.

Virou-se, deixando aqueles pensamentos de lado. Não queria começar a chorar.

Sabia que era uma ideia boba, mas nunca iria deixar de sonhar com a possibilidade de sair de seu mundo tão pequeno, e conhecer o grande lá fora. Ver tudo que a natureza havia criado, e principalmente, realizar seu impossível sonho.

Ver o mar.

Parecia algo tão pequeno, não é mesmo? Algo bobo demais, digamos assim.

Mas para quem jamais havia posto os pés numa praia ou tido a chance de vê-la ao vivo e em cores, era sim importante.

Sasuke era puro demais para perceber que o que lhe parecia impossível, era comum e até mesmo desprezado pelas pessoas. Elas não pensavam duas vezes antes de destruir o que a natureza criava com tanto afinco.

Mas o moreninho estava com tanto sono, que esqueceu de secar o cabelo, e deitou-se na cama extensa sem maiores preocupações do que o azul do mar em sua mente, e adormeceu, com os óculos marcando sua pele pálida.

��

Quando Sasuke acordou, não estava se sentindo muito bem.

Julgou ser a preguiça matinal, e sentou-se, mantendo o olhar fixo em algum ponto do quarto durante um bom tempo, até levantar e ir em direção ao banheiro. Sentia-se tonto.

Os óculos estavam tortos, e haviam lhe apertado durante a noite; com certeza haveria uma marca avermelhada ali. Tinha babado também.

_Eca.

Resmungou ao passar a mão na bochecha, enquanto lavava a mão na pia.

Deu uma olhada no espelho. Estava com a boca pálida.

Antes de pensar em algo, espirrou.

Merda...”

Sabia o motivo daquilo. Havia dormido com o cabelo molhado.

Suspirou e despiu-se para um banho morno e rápido, mordendo os lábios o tempo todo para evitar que continuassem brancos e despertassem a preocupação de seu pai e Iruka.

Vestiu-se e desceu, exibindo um sorriso ao ver ambos na mesa.

_ Achei que fosse hibernar.

Fugaku sorriu, enquanto Sasuke negava ao sentar do lado de Iruka.

_ Só... Dormi demais. Respondeu, servindo-se, com a mão levemente trêmula.

Um cansaço enjoativo espalhou-se pelo seu corpo, e Sasuke soube que algo não muito bom iria acontecer.

E isso por não ter secado o cabelo, combinado ao choque térmico que se submeteu ao colocar o corpo quente debaixo do chuveiro frio.

Por que eu tenho que ser tão inconsequente?!”

Pensou, chateado consigo mesmo. Logo Asuma estaria ali, e não ficaria muito contente ao descobrir o que o moreno havia feito. Começou a se preparar para o sermão dos três; isso se Izumi não resolvesse fazer mais uma de suas visitas surpresas e chegasse em um momento não muito bom.

_Sasuke?! Tudo bem?! _ Iruka mostrou-se preocupado com a inatividade do moreno diante do café da manhã, que sempre o apetecia logo de primeira.

_Hm? _ Ele murmurou, encarando o Umino, com os cabelos presos num coque e alguns fios caindo na testa franzida pela preocupação.

_Você nem tocou no seu café. _Disse Iruka, e Sasuke não soube bem o que responder.

_Eu só... Estou pensando um pouco.

_E dormiu de óculos de novo, não foi? _ Fugaku interveio ao notar a marca avermelhada próximo a orelha do filho e no nariz também, se contar com o formato de meio círculo vermelho na bochecha.

_ Eu me esqueci deles. Mas eu estou bem. _ Sabia que não valia muito apena adiar, mas faria esse esforço até a chegada de Asuma, que não foi demorada.

O Uchiha mais novo estava na sala de consultas quando o médico chegou, após ter tranquilizado o pai e o irmão de consideração comendo um pouco, mesmo que não quisesse.

_ Como está, Sasuke? _ Perguntou o homem, cumprimentando o mais novo. Sasuke respondeu depressa:

_ Estou bem!

Asuma soube na hora que ele havia feito algo errado, mas não disse nada, e começou a examiná-lo calmamente, diferente do moreno, que estava ligeiramente nervoso.

Retirou da maleta o termômetro e o entregou para que colocasse debaixo do braço.

_Diga, o que você fez ontem à noite? _ Perguntou ele, e obteve uma resposta tão rápida quanto a anterior:

_ Estava pintando meu quadro.

_Hm, interessante _ Disse Asuma, pegando o estetoscópio e posicionando nos ouvidos _ O que mais?

_Eu jantei com meu pai, e voltei pro quarto depois_ completou, tão rápido quanto antes.

O mais velho pegou o termômetro novamente e Sasuke não segurou a expressão de nervosismo absoluto.

Ah, pronto! Eu estou definitivamente encrencado!”

Pensou, numa pilha de nervos. E então, Asuma continuou verificando os batimentos do menor:

_ Fez mais alguma coisa?

O Uchiha não respondeu de imediato. Levou um tempo para continuar:

_ Eu... Hm, eu liguei minha caixinha de som e-

 Foi atacado pela forte vontade de tossir, e não se segurou. Com isso, a tonteira voltou, um cansaço repentino se instalou no corpo pálido por natureza e uma dor de cabeça fraca apareceu também.

Algo tão simples, mas que era de grande efeito negativo no garoto.

_ E foi suar, tomou banho frio, não vestiu roupas compridas e dormiu com o cabelo molhado, que desencadeou uma gripe, e agora você precisa ficar em repouso absoluto.

Sasuke estava chateado, mas era consigo mesmo. Deixaria Iruka e seu pai preocupado, e não gostava nem um pouco disso. Se esforçavam para que não ficassem doente, e então, aprontava.

_Você não vai sentir fome, mas precisa se alimentar. Nada de muita agitação, banhos frios ou quentes demais, tudo bem?

E o mais novo assentiu, e Asuma levantou-se, esperando Sasuke fazer o mesmo, enquanto se direcionavam para fora da sala.

Sabendo bem o que o médico iria relatar tudo aos adultos, o moreno seguiu para seu quarto lentamente, já que seu corpo não estava muito ao seu favor para que fizesse esforço físico.

Deitou na vasta cama, e sentiu vontade de chorar baixinho, mas não chorou. Ao invés disso, mandou mensagem para a amiga, Sakura.

“Oi Rose :(”

“Tá aí?”

A resposta veio um pouco depois.

“Tô”

“O que foi? :(”

Pode falar vai”

“Eu sou um moleque inconsequente”

“E idiota”

“Muito idiota”

“Deixa de show, Sasuke”

“Fala, o que aconteceu?"

"Fiquei gripado"

"Ah meu deus do céu"

Alguém dizer que estava gripado não era motivo para um grande alarde, qualquer um sabia disso.

Exceto quando se tratava do Uchiha mais novo, e Sakura sabia disso por passar por cerca de 35% do mesmo que ele.

“O que você tá sentindo?”

“Seu pai já sabe né?”

“O que ele disse?”

“Já tomou algum remédio?”

“Tá coberto?”

“Sasuke, isso é sério”

“Isso pode ficar pior”

“Ai meu deus do céu”

“Coloca oito pares de meias”

“E onze cobertas”

“Liga o aquecedor”

“E fica quietinho”

“Descansa bastante”

“Tem que se alimentar também!”

“Não esquece de beber água!”

“Tem que se hidratar!”

E enquanto a Haruno se preocupava em fazer seu interrogatório, o Uchiha mais velho estava impaciente e nervoso na cozinha, conversando om Asuma e Iruka.

_O de sempre, Fugaku, mas dessa vez com uma temperatura mais eficiente pra ele. E é bom que ele durma mesmo se não quiser, pode ajudar a se recuperar um pouco mais rápido _ Asuma falava tranquilamente

_Quanto tempo, aproximadamente? _ Perguntou o homem.

_Bem, isso depende. Se tudo correr bem, um ou dois meses.

Uma situação complicada.

Sasuke não podia passar tanto tempo doente. Poderia fragilizar ainda mais o corpo nada resistente dele.

Mas fariam o possível e o impossível por ele.

Com certeza a quantidade de medicamentos que ele recebia iria dobrar; assim como o cuidado deles com a limpeza e a ventilação da mansão.

 _Ligue o aquecedor no mínimo, e certifique-se de que ele se alimente também, pois vai alegar que não está com fome.

_ Isso fica comigo _Iruka pontuou calmo, embora estivesse numa pilha de nervos por dentro.

Ao mesmo tempo que queria brigar com Sasuke, queria muito cuidar dele. Sabia muito bem o que poderia acontecer se a gripe piorasse, e isso o deixava tão nervoso quanto Fugaku, que embora parecesse apenas ligeiramente incomodado por fora, estava desabando de preocupação por dentro.

_ Ótimo. Eu vou receitar uma lista de remédios que devem ser dados na hora correta, e Fugaku, tenho algo sério a lhe dizer.

E instantaneamente, todo o corpo do Uchiha mais velho se enrijeceu.

_ Eu vou ter que viajar durante um tempo indeterminado para os Estados Unidos. Kurenai engravidou, e está em risco agora, e o melhor lugar para ela é lá, onde vai poder fazer uma bateria completa de exames.

Embora não fosse uma boa notícia, Fugaku se permitiu ficar um pouco mais calmo, mas logo disse:

_ E quanto ao Sasuke? Ele não pode ficar sem suporte médico.

_Sim, sim eu sei, e cuidei disso _ Asuma estendeu para Fugaku um pequeno papel com um número anotado _ ligue para ele. Dr. Jiraya Namikaze, um ótimo médico, especializado no caso do Sasuke.

Ele pegou o papel e agradeceu baixinho, avaliando o número.

Depois da lista de remédios que foi enviada por e-mail, Asuma subiu até o quarto de Sasuke, que havia dormido com o celular na mão, ligado, enquanto vibrava com a quantidade de mensagens que estava recebendo.

_ Sakura _ disse Iruka, sem pensar duas vezes, e ainda assim acertou. Pegou o celular para tranquilizar a garota, enquanto Sasuke era posto numa posição correta para que Asuma aplicasse por uma seringa uma certa quantidade de anticorpos no seu sangue, mesmo que não durassem muito, seria suficiente até os medicamentos chegarem.

E assim que Asuma se foi, Fugaku saiu rumo a empresa, preocupado também.

_ Iruka _ chamou ele_ você vai ligar pra esse número e falar sobre a indicação de Asuma, ok?

_ Ok _respondeu, assentindo para o homem, que logo se despediu e saiu.

Iria ver com Minato o que poderia fazer para confirmar aquela reunião o quanto antes.

Sabia que Sasuke não conseguiria esperar muito.


Notas Finais


É isso negada.

Bem, capa não tem ainda, então, vai ser essa por enquanto.
Hoje eu tô fazendo 16 anos, tá chovendo, e eu precisava postar o meu bebê que começou a ser escrita e planejada ano passado!

Eu espero que tenham gostado, e até a próxima!


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