História Sea Of Blood (Camren) - Capítulo 25


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Categorias Camila Cabello, Fifth Harmony
Tags Camren, Fifth Harmony, Norminah, Piratas, Pirates, Vercy
Visualizações 276
Palavras 4.693
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Crossover, Ficção, Romance e Novela, Universo Alternativo, Yuri (Lésbica)
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Homossexualidade, Nudez, Sexo
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


MEU DEUS EU ESTOU DE VOLTA!!!!UM!!

ces ainda tão aí?

bom gente, agora que demos uma folga do período de vestibulares depois desse enem que aliás nunca nem vi, voltei com tudo aeeeeeee
capitulo mais esclarecedor, afinal, depois desse MAR SE SANGUE (ba tum tsss) as coisas assentam né
só um pouquinho!

espero que surtem

Capítulo 25 - 24th


Camila

- Ande, Princesa. – me empurrou, nada delicado.

- Já disse que posso ir sozinha. Não tenho medo do Rei como vocês têm.

Claro que era uma falta de respeito sem precedentes um guarda empurrar a Princesa, partindo do princípio que o mesmo não deveria nem tocá-la, mas eu sabia não estar em posição de fazer exigências.

Eles concordaram com a minha “ordem” de não mais atacar ninguém, mas escolheram me trazer presa porque o meu pai os ordenou que, se eu estivesse viva, deveria voltar no mínimo com dois me segurando.

Voltei amarrada.

Demos a volta no palácio, porque eu sabia que Alejandro não ia arriscar mais comentários para a noite do baile, e bem por onde levei Lauren e Veronica para a sala de tesouros, fomos andando até a biblioteca. Ainda bem, quando saí de lá com Lauren, cuidei de não deixar nenhum vestígio de nossa passagem, exceto o livro fora da prateleira.

- Por que estou aqui, posso saber? – perguntei ao único dentre os três a me escoltar que ainda não havia feito algum comentário desagradável. E fora gentil comigo, ao amarrar-me as mãos.

- Temos ordens do Rei para trazê-la aqui e não deixá-la sair.

- Imaginei. Mas por quê? – não tive resposta.

Tenho certeza que o plano de Alejandro era pegar a Lauren, e torturá-la enquanto me prendia aqui, cuidando para que eu sequer soubesse que ela foi capturada.

Tive medo de isso ter acontecido, mas lembrei-me que vi o navio se afastar.

Lauren está bem, em segurança.

E eu também estou… espero.

Os três me deixaram sozinha, para guardar a porta da biblioteca. Fiquei fechada lá dentro, apenas com os livros. Fui até a parte que papai sempre ia quando descia pra cá, em busca de algum livro interessante que ainda não tivesse lido. Mas antes que encontrasse, ouvi vozes na porta.

Era minha mãe, argumentando que era a Rainha e aquela era sua casa, portanto ela podia entrar sim. E podia deixá-los sem emprego.

Ela entrou.

- Camila!

- Oi mãe… está tudo bem lá em cima? – ela ignorou minha pergunta, me abraçando com força. – Eu estou bem. – sentamos onde eu havia sentado horas antes, com Lauren perto de mim.

- E como está Lauren?

- Ela partiu. Espero que dê tudo certo, eu fiz tudo o que podia.

- Por que não foi com ela, Camila? Você tem um grande problema aqui.

- Eu sei. Mas ir embora era a única coisa que eu senti que não poderia fazer. Sei que parece bobo, mas quero me resolver com meu pai. E não achei que deveria sair fugida e em posição de traidora antes de sair dignamente. De qualquer forma, não estou indo? – ela assentiu. – Então, quero conversar com meu pai antes. Se ele conceder-me a honra.

- Não será hoje, filha.

- Sei disso. Admito que passei dos limites, também. O baile já acabou?

- Sim, as pessoas estão indo agora. Vão descobrir o que aconteceu, logo.

- Papai matou pessoas inocentes, mama. Ele explodiu o cabaré. – ela arregalou os olhos. – Essa sede de vingança dele já se tornou obsessiva. Não duvido uma revolução estourar, se ele não souber exatamente o que fazer para acalmar os ânimos das pessoas. Ele matou dezenas. Que tinham amigos, família, vida e função na cidade. Não vejo nenhuma compensação para isso.

Ela ficou calada. Suspirou.

- Ele ainda quer destruir tudo o que representa ou traz a lembrança do Michael…

- O que o Jauregui tem a ver com o bordel?

- Ele ergueu aquele bordel. Junto com algumas outras pessoas, alegando que seria uma boa ideia ganhar dinheiro dessa forma aqui. Alejandro foi de acordo.

- Como? Por quê?

- Seu pai e Michael eram melhores amigos, Camila. De infância. – minha cabeça latejou. – E eram dois garotos sonhadores. Queriam pôr fim à monarquia como conhecemos.

- Mama, as histórias que me contava eram…

- Eram as histórias deles, sim.

- Papai era o pequeno rei, e Michael era o garoto que sonhava em navegar… Deuses!

- Sim, filha. Isso explica muita coisa, não?

- Claro, mas… como eles chegaram a ser inimigos?

- Você consegue descobrir isso sozinha, eu sei. – calei-me e pensei sobre mais histórias que mama me contara.

Os garotos que disputam o amor da menina mais bonita da cidade…

- Clara.

- Sim. Os dois apaixonaram-se pela mesma mulher. – soltei o ar. – Eu era filha de duques, e fui a escolhida para casar com o jovem príncipe. Mas nunca quis fazer isso. Meus pais me ouviriam, talvez até me dessem a opção de não casar imediatamente, mas eu tinha uma melhor amiga. Clara Morgado, uma plebeia. E eu não podia deixá-la, a admirava e seguia como uma irmã mais velha. – imediatamente lembrei de Dinah, sentindo falta da certeza que eu tinha, de que podia correr para seus braços caso minha casa ou minha vida estivessem insuportáveis.

Quis muito chorar, mas me contive.

- Fomos separadas e eu tive de me casar. Mas Clara me encontrou. Facilmente, afinal, eu era a Rainha. Acabou trabalhando aqui no palácio. Não tenho muita certeza, mas acredito ter sido aí que ela se apaixonou por Michael. E Alejandro, por ela.

- Como a senhora ficou, diante de tudo isso?

- Eu e seu pai sempre fomos abertos sobre nós mesmos, Camila. Ele afirmava não se importar com quem eu me deitasse desde que eu soubesse esconder isso bem, para não haver escândalos em sua regência. Não contávamos com ele apaixonando-se verdadeiramente pela minha melhor amiga. Juro que eu achava extremamente engraçado, já que ela poderia se relacionar com qualquer um, menos com o Rei, por ser alguém que representa autoridade e estaticidade. Clara queria alguém para embarcar numa aventura, para ir a lugares inimagináveis, para fazer e dizer o que os outros não têm coragem.

- Michael. – mama assentiu. – Deuses, Lauren não tinha como não ser rebelde, guerreira e resistente.

- Exato. – ela suspirou. – Alejandro e Michael, mesmo apaixonados pela mesma mulher, não foram abertos sobre isso. E continuavam conversando sobre mudar a figura do governo de Lesbos, sobre governar lado a lado, sobre expandir o território e navegar. Sobre tornar o lugar um pouco mais desigual, e a vida das pessoas, melhor. Porém Alejandro distanciava-se disso um pouco mais a cada dia, sem comunicar nada ao amigo. Ele foi gostando de ter poder absoluto, ser seguido como um jovem Deus. É nesse momento que o seu pai deixa de ser bom.

- Poder não faz bem... – mama concordou.

- É nesse momento que ele passa a não mais querer ouvir Michael, a não mais evoluir da maneira que o amigo pensava, e sim de sua própria maneira. Afinal, ele era o rei. Era quem comandava tudo. Lesbos pertencia a ele. E Michael não era nada, apenas um empregado que se sentia importante. – neguei com a cabeça. – E nesse momento que Michael passa a ver Clara com outros olhos. Ou a assumir isso, pelo menos. Quando o Jauregui descobre que Alejandro não lhe dá mais ouvidos, eles brigam.

- Então eles não brigaram por Clara?

- Não, brigaram por Alejandro estar mentindo. Michael o ouviu dizer mal dele para mim e ficou muito magoado, chateado e triste.

- Alejandro é o traidor da história. – concluí. Mama preferiu não dizer nada sobre isso, mas eu sabia que ela concordava, pois havia dito isso na cara dele horas mais cedo e eu ouvi.

- Mas, no meio da briga dos dois, Alejandro descobriu que Michael e Clara estavam juntos.

- E o que ele fez?

- Ignorou o melhor amigo e foi exigir o amor de Clara, afinal, ele era um Deus. Ele tinha tudo o que queria, quem era ela para não querê-lo? - estalei a língua.

- Eu teria pego o amor da minha vida, no caso o Michael, e ido embora pra bem longe dessa merda toda.

- O problema é que duas coisas a prendiam aqui. A primeira era eu. E a segunda era o próprio Michael, que mesmo brigado com o Rei, não queria deixá-lo. E não deixou, era e continuou sendo o principal navegador do reino. Eles não voltaram a conversar mais que o necessário, nunca mais. Clara continuou minha melhor amiga, e me contou que Alejandro a fez prometer que não fugiria daqui. Ele ainda sonhava em conquistá-la. Mas mesmo assim ela e Michael sonhavam em viajar os sete mares, ele era um excelente navegador, e ela gostava de acompanhá-lo em viagens não muito longas, porque Alejandro a controlava, indiretamente, com essa promessa. Clara era íntegra e verdadeira, e Alejandro sempre a enganava para que não conseguisse quebrar a promessa feita. Além disso, ele ficava muito chateado quando ela saía.

- Que mal lhe pergunte, mama, mas o que a senhora fez todo esse tempo? – ela ficou quieta, e parecia ponderar.

- Não pensei nunca em te dizer isso, mas você é parecida comigo, e já é uma mulher, então… eu acompanhava essa novela enquanto tinha vários amantes. Até secretamente frequentei o bordel. – ri. – Várias vezes. – gargalhei, o que fez mama rir também. – Seu pai e eu continuávamos confidentes, mas nada mais que isso, nossas demonstrações de afeto eram apenas políticas.

- Vocês nem transavam? – ela negou.

- Porque eu não queria ser um brinquedinho dele. Houve esse dia em que eu tive vontade de fazê-lo, e, ao invés de ceder a uma investida dele, eu o seduzi até ter certeza de que seria bom para mim também. Mesmo assim, tenho de dizer, não foi excelente. – deu de ombros. Quase bati na testa. – Mas eu fiquei grávida de você.

- Nossa. Ele nunca tentou forçá-la a nada, não é?

- Não, mas antes desse momento, ele trazia muito isso à tona porque começavam a achar que ele não teria filhos. Eu sabia que teria de ter um filho dele em algum momento, mas só o faria quando ele me despertasse desejo. Para a sorte do seu pai, não demorou. E por isso você está aqui, dando dor de cabeça a ele. – ri. – E orgulho a mim. – fiquei muito feliz.

- Mama, a senhora com certeza é a mulher que eu mais admiro nesse mundo. E eu amo o fato de estar seguindo seus passos mesmo antes de saber que estava.

- Você herdou a minha coragem. O instinto de liderança e a perseverança do seu pai. – torci a boca ao lembrar que sou filha dele e pareço com ele. – Devo deixar-te um conselho, Mila: não te desvies dos teus princípios. Porque você pode ter pleno poder algum dia, e não quero que perca-se como seu pai. Nunca esqueça de quem você é. – assenti. – Sei que é difícil, tanto que tenha poder, quanto que esqueça de seu passado, considerando o tanto que sofreu, mas se eu não te dissesse isso, talvez não me sentisse uma mãe melhor.

- Sei disso, mama. Obrigada. Talvez eu me perdesse algum dia, caso não escutasse isso. – falei e bocejei em seguida.

- Venha, vamos para seu quarto. Seu pai não vai recebê-la hoje, e você precisa descansar, porque os próximos dias não serão fáceis. – assenti e a abracei.

Eu não poderia ver Lauren ou qualquer uma das minhas melhores amigas quando acordasse. Além de que tinha de enfrentar meu pai, correndo até o risco de ser exilada. E isso não me deixava ficar tranquila.

Mas essa noite pareceu ter a duração de um dia inteiro, e eu estava tão esgotada que apenas precisei deitar para estar em sono profundo.

Dinah

Na verdade, eu não estava lá fora sozinha porque queria, como fiz minha mais nova capitã pensar.

Normani não queria me ver, ela dissera isso. Eu sabia que não era culpa minha, mas fiquei triste. Sabia também que não seria simples quando estivesse com ela, mas nada é simples, e eu a amo. Muito.

Não me importo com quem ela é, o que faz. Eu a amo e pronto.

Quando ia descendo, o dia já claro, angustiada e cansada, Ally vinha subindo. Acabamos nos esbarrando.

- Desculpa, Ally. – a abracei, ela não saiu do abraço.

- Tudo bem, Dinah… como está a Mani?

- Melhor, mas ela… não me quer lá. Talvez, se você for… caso esteja bem para isso. – pedi, envergonhada. – Estou começando a achar que Normani realmente não gosta de mim. Eu estive me iludindo durante essas horas, sabe? Pensando. Eu a amo. Mas tudo bem ela não me amar de volta, eu a ajudarei mesmo assim porque…

- Dinah. Você não merece passar por isso. – suspirei.

- Você acha mesmo?

- E nem Normani.

- O que quer dizer, Ally?

- Ela já passou por muita coisa, Dinah.

- Eu imagino, e sei que não faço ideia do que ela passou, mas é difícil segurar as pontas e querer estar com ela, sabendo que não é isso que ela quer.

- Normani sofreu muito. Nas mãos dos meus pais, inclusive.

- Vocês são como irmãs, você a conhece. Pode conversar com ela e fazê-la entender que só quero ajudar... – eu queria chorar, mas não queria fraquejar agora.

Era a pura verdade, mas eu não precisava mostrar que, depois de sangue, guerra, dor e saudade, o que me fazia chorar era Normani, o meu maldito ponto fraco.

- Eu sou a irmã mais velha da Normani, sim. Não de sangue, mas poderia ser, ela cresceu comigo. – disse, me levando de volta ao convés. – Acho que está pronta para ouvir a história do seu ser amado.

- Normani não vai odiar você se contar?

- O problema da Mani é confiar, Dinah. E você já provou ser digna da confiança dela. Talvez seja até esse o motivo de ela estar desse jeito: descobriu que pode confiar sua vida a outra pessoa. Você provou que a ama tanto quanto eu várias vezes.

- Volto a perguntar: não acha melhor que Normani decida se isso deve ser compartilhado comigo ou não?

- Posso resolver-me com ela, DJ. Mas você ficará sabendo de tudo até onde sei.

- Nem você sabe de tudo?

- Nem eu. – ignorei o arrepio amedrontado que correu meu corpo. – A Normani é filha de escravos. – assenti, isso eu já sabia. – Isso você sabe. O que você não sabe é que a mãe dela pertencia à minha família. – meu queixo já caiu bem aí. – Sim. E eu sempre simpatizei com a Mani, única criança escrava do meu pai, e sempre me perguntei por que ela não podia fazer coisas simples, como correr por aí.

- A inocência…

- Aí está algo que Normani, infelizmente, teve por muito pouco tempo. E falo em todos os sentidos possíveis. Ela nem queria falar comigo, inicialmente. Insistia em não responder, resmungar coisas em seu idioma… até o dia em que ela não aguentou mais.

- Ela te atacou?

- O que? Não, Normani era pequena, não machucaria ninguém.

- Olha quem fala! – ainda bem, consegui fazer Ally rir.

- Ela explodiu comigo. Perguntou por que eu fazia aquilo, alegou que não era natural, que eu deveria exigir as coisas dela, e não pedir que viesse brincar comigo. E olha que eu era mais velha.

- Deuses…

- Então, eu a ordenei que brincasse comigo. Ela detestou a ideia, mas acabou se divertindo e nos tornamos amigas. Mas claro que ninguém era a favor disso. E a Normani, apesar de mim, odiava morar lá em casa. Ninguém pode culpá-la, tinha de viver sabendo que sua mãe precisava servir ao meu pai até quando não quisesse, e ainda precisava segurar as pontas e obedecer sem contestar. Eu teria feito o mesmo que ela fez. Ainda mais depois do que aconteceu…

- O que?

- Minha mãe descobriu que o meu pai usava a mãe da Mani, porque ela estava grávida. – levei a mão à boca, só agora assimilando como o pai da Ally a usava. – Ela geralmente não era de dar muitos castigos, mas nesse dia ela mandou torturarem a mãe da Mani. Eu não vi, mas ela provavelmente sim. – meu coração partiu mais uma vez. – A mãe dela morreu, naquela noite.

- Porra... E o que Normani fez?

- Ela era uma criança apenas, roubou dinheiro e fugiu de lá. Eu juro que fiquei muito sentida, mas à medida que fui crescendo, entendi o que ela fez. E quis fazer a mesma coisa. Na verdade, eu só queria liberdade pra escolher o que queria fazer.

- Assim, você acabou dona de um bordel. – ela assentiu.

- A Normani fugiu e eu não mais a vi. Por anos e anos. Quando eu “me rebelei” e também fugi, acabando dona do bordel, pensei em procurá-la. Talvez usar Michael pra isso.

- O pai da Lauren?

- É, o Rei dos Mares. Talvez ele tivesse alguma ideia. Mas Mike nunca voltou, depois de Clara morrer. Não vi isso, era criança quando ele foi, mas como eu deveria casar com o príncipe, o conhecia, assim como Camila e Lauren. Mas essas duas eram praticamente bebês. A Camila era exibida por Alejandro como um troféu, não havia quem não quisesse pegá-la no colo. – irônico, não?

- E a Normani?

- Voltou para o mesmo maldito navio negreiro de onde veio. E ficou vivendo lá como um bicho, presa. – a minha vontade de chorar estava enorme. – Mas não sei como, e ela não conta, ela fugiu e voltou pra Lesbos. Numa situação deplorável. Ferida, doente, triste. Eu cuidei dela, que passou a morar lá no... cabaré. – ela suspirou. A abracei pelos ombros, sabendo que ela deveria estar pensando no cabaré em chamas.

- E depois? – os olhos de Ally encheram de lágrimas.

- Ajudamos ela. Normani ficou tão linda. Ela deu a volta por cima, sabe? Foi quase inacreditável.

- Eu acredito… e desculpa, acho que me apaixonei mais. – Ally deu uma risadinha.

- Você tem toda a razão ao fazer isso. – assenti. – Por isso eu não queria deixar a Mani trabalhar no cabaré. Pelo menos, não com o que ela trabalhava. Mas não sei se você já percebeu, ela tem um poder de persuasão imbatível e ninguém a diz o que fazer.

- Claro que percebi.

- Eu fui irônica. – me permiti rir.

- É porque você está triste, não imaginei que... – gargalhamos.

- Pois foi a Mani que fez os outros cabarés fecharem e o meu decolar. Até não ter mais competição. Normani é a dona da fama que tinha o meu bordel.

- Nossa.

- Sim. Ela quem trouxe os números de dança e ensinou todas as prostitutas a tratar os homens da maneira certa: como lixo, como objetos descartáveis. – tive que rir.

- Normani trata os homens como lixo?

- Sim. De maneira disfarçada. Eles não notam, estão muito ocupados olhando para a beleza dela.

- Entendi. – lembrei dos guardas do castelo. – Acho que sei como é isso. Ela tem jeito com essas coisas.

- Ela nasceu pra isso, Dinah. Você pode dizer o que quiser, mas a Mani nasceu para mandar em homens. – assenti.

- Não posso discordar. E depois disso tudo, vou ajudá-la a passar por isso.

- Ela vai confiar em você pra sempre. Talvez agora é o melhor momento de vocês, aproveite.

- Ainda está uma merda pra mim…

E me senti um pouco ingrata por dizer isso, porque passei a noite toda ao lado dela, sendo a dona dos seus sorrisos, e ainda achava pouco.

- O que quero dizer é que a Normani agora tem uma grande chance de amar você. Quer dizer, de perceber e aceitar que ama você. Ela já aceitou que sente. Mas não sabe o que. Esses dias serão importantes pra isso. Acredite em mim.

- Eu acredito, Ally.

- Então quero ver você com uma carinha melhor mais tarde, ok? – assenti. – Agora tente dormir um pouco. – beijou-me a testa e esperou que eu voltasse para onde estava indo antes de nos esbarrarmos. Sorri e fui.

Ao deitar-me, percebi que realmente estava cansada, e triste. Sentia falta de casa.

Da minha mãe, principalmente.

Tentei imaginar o que ela me diria, agora.

Antes que eu fosse, tivemos uma conversa. Longa. Senti-me infinitamente melhor depois dela, porque a minha mãe era alguém que compreendia os pontos de vista alheios.

Maravilhosa.

Flashback On

- E a menina Jauregui naquele navio enorme?

- O navio é da Veronica, a mulher elegante e simpática que visitou nossa taverna com vários marujos.

- Sei, a bonitona. Ela é rica, certo?

- É pirata, não sei.

- Deve estar com os bolsos cheios de ouro. – dei de ombros. – E a Jauregui com a Princesa?

- Inseparáveis.

- Então a Mila está tendo a oportunidade do amor da vida. – disse minha mãe, sentando-se ao lado da minha mala pronta.

- É, mas a Lauren…

- Sem “mas”, Dinah Jane. É assim que você tem que pensar.

- Eu penso, mas elas correm perig…

- Correm, mas pelo menos por enquanto, estão felizes.

- Não quero separá-las, não sou o Alejandro ou sei lá, só estou preocupada.

- É um risco que elas escolheram. Por que não fogem?

- Camila precisa ficar aqui.

- A bichinha sofre tanto e…

- Mas insiste em dizer que precisa ficar aqui. Tem seus motivos, não deve mesmo contrariá-los. Sabe que há uma provável revolução chegando. – ela assentiu. – A Camila precisa estar aqui para a família dela. Talvez, se as coisas ficarem radicais demais, ela seja capaz de impedir que toda a família real morra.

- Camila é excepcionalmente inteligente. E apaixonada. – concordei. – Além de destemida, aquela menina tem uma força completamente desconhecida. Deveria seguir o exemplo dela, pelo menos no quesito sentimental da vida.

- O que quer dizer, mãe?

- Nada além do que digo. Você não é muito boa com sentimentos. Falando neles, e a Normani?

- O que tem ela?

- Alguma novidade?

- Não, por quê? E por que a associação com sentimentos?

- Porque você é apaixonada por ela e eu sei disso. Todo mundo de Lesbos que tem dois olhos e olha pra você sabe disso. Até Seth sabe disso. – bati na testa. – Por que não deixa que eu converse com ela?

- Mãe, a Normani já me acha patética pelo simples fato de a amar. Imagina se a minha mãe aparece pra reforçar a minha idiotice. Não, não, não.

- Até parece que eu envergonharia você, me respeite!

- Não é que me envergonharia, é que a própria Normani já não me respeita. Melhor eu apenas levá-la ao baile e não envolver minha família nisso.

- Sim, e se você tiver de partir depois desse baile?

- A senhora sabe que é temporário, não é como se eu não fosse mais voltar.

- Dinah, você não sabe como os oceanos são. Não sabe. E eu já conversei com a Normani.

- O QUE?

- É. E você nem ficou sabendo. – riu, travessa. – Ela também só ficou sabendo que eu era sua mãe quando eu estava indo embora. Pode ficar tranquila, tivemos uma conversa de mulher para mulher.

- E você pode saber de algo que eu não saiba?

- Eu sei de coisas que não sabe, Dinah. Apenas direi que Normani é uma mulher intrigante. Misteriosa, persuasiva, e vai demandar de você muita paciência e carinho. Como um dos seus irmãos, a única diferença é que ela é uma mulher atraente.

- Demais. Então…

- Você deve cuidar da Normani. Ser o mais compreensiva possível, e incentivá-la a ver o lado bom das coisas. E nunca tente pará-la, quando ela decidir fazer algo.

- Mas ela decidiu não me amar. Pela lógica, eu devo parar de fazer coisas por ela, então.

- Ela não decidiu isso. Ela tem alguns bloqueios e precisa trabalhar algumas coisas em relação a isso. Mas se ela decidiu fazer algo em relação a isso, foi quanto a provocar você. Acredite em mim. E não saia de perto dela, ela vai precisar do seu apoio.

- Certo.

- E não esqueça de voltar pra casa, menina.

- Nunca, mãe.

Flashback off

Era fácil para ela dizer, porque Normani não estava a evitando.

Mas tudo bem, eu não iria desistir.

- Mani. – ela não me olhou quando entrei no cômodo. – Se sente melhor?

- Deixe-me sozinha, Dinah. Por favor. E vá descansar-se, imagino que não dormiu.

- Não.

- Então. Eu estou viva, você pode me deixar aqui.

Em nenhum momento ela olhou em minha direção. Eu já estava me sentindo triste o suficiente, por isso saí.

Passei pelos aposentos da Veronica, ouvindo uma agitação. Segundos depois, a capitã saiu apressada e deu de cara comigo, a segurei para que não caísse.

- O que houve?

- A Lucy, ela… tem calafrios, eu só preciso buscar um cobertor mais grosso.

E passou apressada por mim. A segui, pois sabia que Vero tinha o pé machucado e não devia correr. Ela abriu a porta do cômodo onde provavelmente a Lauren estava, também entrei.

Laur dormia, ainda bem. Apesar da adorável carinha insatisfeita que fazia, devia estar tendo um sonho ruim.

Veronica voltou para o seu quarto levando uma manta. Lucy tremia e parecia delirar.

- Ela não melhorou?

- Melhorou, sim. A febre baixou. Mas agora, isso.

- Vero... – ela sussurrou.

- Shh, mi suerte. Estou aqui, não fale.

- Eu… acho que vou morrer.

- Não, você não vai! Passamos por essa noite, você vai melhorar. Diga a ela, Dinah! – minha capitã lutava contra as lágrimas.

- Você não pode ir agora, Lucy.

- Acho que temos um pouco do remédio que a Lucy me deu, não é? O Alan disse que não pode fazer mais nada, então eu acho que...

- Não sei. – falei.

- Eu trouxe... – disse a Lucy.

- Você vai ficar livre desse sofrimento, meu amor. – ela disse, convicta. – Dinah, se não for dormir agora, vai andar na prancha. Estou falando sério.

- Estou indo, Capitã. – saí e fui para o andar de baixo, deitar em uma das redes.

Dormir seria difícil, mas pelo menos eu ficaria deitada.

Lauren

Camila gritava, e eu estava muito machucada, mas não rendida.

Alejandro sorria, segurando a espada ensanguentada, e eu sabia que o sangue era meu. Eu não tinha mais forças para atacá-lo e ele daria seu golpe final.

Camila continuava em prantos, o que era aterrorizante, eu queria tranquilizá-la, mas não conseguia sair do lugar.

Gritei.

E, finalmente, acordei daquele maldito pesadelo. Suada, ofegante e ainda cansada.

Inferno, nem em meus sonhos Alejandro não deixava de me assombrar. Mas pelo menos eu tinha uma estranha certeza de que Camila estava bem.

Não saí do cômodo. Não queria ver ninguém, apenas queria ficar sozinha e pensar.

Tanta coisa aconteceu de vez… eu agora tinha os diários de mamãe em mãos, tinha tempo e curiosidade sobre tudo o que estava ali. Era a vida dela inteira. Eu finalmente tinha a minha mãe perto de mim.

Depois dessa guerra, por incrível que pareça, eu não estou com mais vontade de matar o Alejandro ou destruir tudo o que ele tem, deixar apenas Camila. Eu só queria entender como chegamos tão longe com isso tudo.

Como o ódio do Alejandro por mim somado ao meu amor por Camila puseram fogo no Cabaré. Por que aquele homem tanto me odiava, sendo que eu nada fiz pra ele?

Claro, antes de foder sua filha. Eu apenas era a cria de seu maior inimigo.  E eu o odiava, mas papa nunca me ensinou isso. Eu que, por conta própria, comecei a pensar que o meu pai era muito injustiçado nessa história (cujo enredo eu sequer conhecia).

Claro que papa não me ensinou a venerar monarcas, afinal, parte da vida nojenta e miserável de muitos de nós é culpa deles. Mas ele também não me ensinou a querer desonrá-los, ou destroná-los. Apenas a manter a distância segura, inclusive por isso eu fiquei meio descrente ao saber que papai queria conversar, negociar ou sabe-se lá mais o que com Alejandro.

Era uma ousadia que eu não conhecia, porque ele estava querendo uma relação acima do sistema.

Nunca imaginei que não muito depois eu viraria uma especialista nisso.

Saudades, Camila.

Mas o tempo longe era importante. E, agora, eu tinha a chance de realmente entender que porra estava acontecendo e por que acontecia comigo.

Finalmente.


Notas Finais


apresento-lhes a nova fase da fic, vai dar tudo certo rsrs ou não

ai gente tem tanta coisa que eu quero fazer... uma fic de humor com 5H bem trash pra dar uma aliviada na bad é uma delas
ces topa?

não? vo fazer mesmo assim qq

até mais manas!


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