História Second Chance - Capítulo 19


Escrita por:


Capítulo 19 - Deadlock


_Tem certeza? -perguntou Harry, os olhos encarando os de Malfoy incisivamente.

_Ele estava seriamente transtornado e bêbado quando me pediu para entregar a caixa, é claro que eu não tenho certeza! -respondeu Draco, a voz subindo antes que ele se contivesse, suspirando com tristeza, cruzando os braços, e continuando, mais sombriamente- De qualquer forma vocês terão a confirmação quando eu voltar para casa e obter a reação dele, ao descobrir que a garota ainda está viva...

O loiro encaminhou-se para a saída antes que mais alguma coisa fosse dita, claramente perturbado. Ninguém duvidava da lealdade dele quanto ao que era certo, uma vez que seu pai estava sob suspeita de ter tentado matar Beauchamp e ele a trouxera o mais rápido possível até eles, assim que o incidente aconteceu.

Severus e Hermione entraram na sala e mal foram vistos antes que alguém soltasse perguntas, no caso, Rony obviamente: _Como ela está?

_Foi por pouco... -começou a responder Hermione, jogando-se no sofá, parecendo esgotada e limpando sangue das mãos com um guardanapo de cozinha- Conseguimos neutralizar o avanço do veneno, mas vai demorar até que Severus consiga preparar uma poção adequada de cura.

_Ela está fora de perigo? -perguntou Gina, parecendo confusa com a resposta.

_Não exatamente... -respondeu Severus enigmaticamente- O que Draco disse?

_Ele não tem certeza das reais intensões de Lucius, mas acha que ele não estava pensando direito quando o mandou entregar a caixa a ela.

_Eu imaginei isso. Escutei ele gritar com você do outro lado da casa... -retrucou Hermione- Sei que ele não merece, mas pega leve. É o pai dele.

_Mais um motivo para investigarmos com calma o caso.

_Me desculpe, mas o que está fazendo aqui que ainda não foi preparar uma poção de cura ou algo do tipo? -começou a dizer Harry, perdendo a paciência e levantando afoito- Achei que a prioridade fosse salvá-la.

_Talvez não seja. -respondeu ele sombriamente, sem se incomodar com a afronta, sentando-se e acendendo um cigarro.

Silencio caiu na sala enquanto todos entendiam a que ele se referia: dentro da caixa foi encontrado mais do que um inseto de metal enfeitiçado que atacou a garota e a quase matou, fora encontrado... Uma profecia. E o que a profecia dizia não eram coisas agradáveis. Todos ouviram sobre a ascensão de um novo mal, trazido pelo detentor das pedras dos três desejos, assim que este decaísse às trevas do decimo segundo, seja lá o que isso significasse.

_Severus, não pode estar falando sério... -começou a dizer baixinho, num sussurro assustado, sua esposa- Não pode estar supondo que devamos... Deixá-la morrer, por causa de uma profecia idiota.

_Nós não, eu. Nenhum de vocês é um assassino de verdade. -emitiu ele em resposta, a voz robótica e os olhos no chão, enquanto a fumaça espiralava de seus lábios.

Potter bufou e revirou os olhos, a mãos em punho, respirando várias vezes contendo o tom o máximo que podia antes de dizer: _O senhor nunca acreditou em profecias, por que está dando crédito a esta agora?

_Correção: eu nunca acreditei na sua profecia, porque conhecia bem demais nosso inimigo e sabia que, depois de todas as orcruxes eliminadas, Voldemort não passaria de um mortal. Tanto foi que nós dois proferimos feitiços que o atingiram e o mataram, não foi? -ele encarou Harry por um momento, que engoliu em seco com seu tom gélido- A voz naquela orbe não era de Trelawney, tenho certeza. O que significa que, ou é uma profecia mais certeira do que a profetiza que conhecemos ou não é nada. Eu não quero arriscar nossas vidas por isso.

_E COM NÃO ARRISCAR VAI MATÁ-LA?? -esbravejou Hermione gritando tanto que todos pularam de susto menos ele, ela já estava em lágrimas- Eu não consigo acreditar... Severus, por quê? De todos porque você...?

_PORQUE ELA É IGUAL A MIM HERMIONE! -começou a responder ele, firmemente, o tom quase doloroso na voz estava claro, sem barreiras de oclumência amenizando, coisa rara de acontecer- Exceto que ela não tem ninguém para se firmar, ninguém para servir de base! Você sabe o quão perigoso eu ainda sou, imagine se eu não tivesse tido razões para mudar antes que fosse tarde demais! -ele fez uma pausa, desviando o encare para voltar ao chão novamente- Ela é a detentora de uma das pedras dos Três Desejos, se conseguir as outras duas e cair em trevas, já sabemos o que vai acontecer.

_Não se pudermos evitar. -começou a dizer, numa voz pequena, Gina- Tudo bem. Vocês dois são parecidos, mas e daí? Hermione consertou um pouco o senhor não foi?

Hermione sabia que por fora sua amiga ruiva podia estar sendo o mais ousadamente corajosa Grifinória que já fora em vida, mas por dentro estava se borrando de medo. Ela mais do que ninguém não tinha desenvolvido intimidade suficiente com Severus para dizer algo como aquilo – a maioria deles sim, Gina os via interagindo – mas não ela, pra ela ele ainda continuava sendo seu velho e maldoso professor de poções. Hermione estava agradecida pelo esforço, assim ela conseguia tempo para recuperar-se e organizar seus pensamentos.

E pelo jeito Severus sabia disso porque nem se deu ao trabalho de responder, apenas lhe deu um olhar perigoso suficiente para não precisar respondê-la, fazendo-a se sentar amuada de imediato.

_Severus, ela tem a nós agora. Isso não é o bastante? -emitiu Hemione tremulamente.

_Não é. -ele respondeu rápido, continuando- Ela não confia em nenhum de nós o suficiente, e agora, acham que se eu a fizer acordar, ela não terá concluído que alguém do nosso grupo tentou matá-la? -ele perguntou para o ar, ninguém respondeu- Duvido que não tenha visto a profecia, vai querer escutar e vai ficar ainda mais atormentada. Além disso... -ele se interrompeu, parecendo pesar seriamente o que diria a seguir, antes de encarar sua esposa, pedindo encarecidamente- Hermione, sabe que ela já está no caminho, por que teima em concordar comigo?

_Estar drogada não é decair! Pelo amor de Merlin! -ela esbravejou novamente.

_O que? -começou a dizer Rony, piscando afoito- Catherine estava drogada?

_Ecstasy. -respondeu Severus para todos ouvir, os olhos no chão- Estava por toda parte no sangue dela, e pelo histórico da Varinha Anciã ela andou fazendo coisas inomináveis com magia também.

Silencio se instaurou novamente, pesado, frio e significativo. Não era preciso dizer que todos estavam extremamente desconfortáveis com isso, até que Harry se levantou, aproximou-se de Severus, e todos se moveram no automático achando que iria acontecer uma merda costumeira, quando ele os surpreendeu.

Harry se agachou para encontrar os olhos do mais velho, e dizer numa voz muito contida e sussurrada: _Sei que o senhor não quer matar novamente, sei que quer proteger a todos nós e sei também que acha que deve tomar o caminho mais difícil porque nenhum de nós aguenta, mas não acha que está sendo um pouco precipitado, até mesmo para um sonserino?

Hermione estava prestes a agarrar o braço de Harry e tirá-lo de perto a fim de evitar que o melhor amigo levasse um soco, se não fosse o gesto de Severus pedindo para parar e dizendo a ele:

_Continue, e é melhor se explicar rápido, garoto.

_Tudo bem, você a conhece melhor do que qualquer um aqui porque ela é praticamente igual a você certo? -ele assentiu- Use isso. O senhor diz que Catherine não confia em ninguém mas até um cego pode ver que ela se identifica com você e têm algum crédito por Hermione. Faça o que fez da última vez. Salve vidas.

Severus riu afoito sem nenhum humor, apenas sarcasmo seco e sombrio- Não é tão simples... -começou a protestar, afastando-se dele ao levantar.

_Quando é que as coisas foram simples, principalmente para nós dois? -Harry agarrou o braço dele fazendo-o congelar- Sempre foi um homem de princípios, por mais distorcidos que eles sejam, sabe que Catherine tem os dela também.

_Como pode ter tanta certeza? -ele arrancou o braço da mão dele e o encarou tão perto que todos sabiam que a próxima palavra de Harry poderia começar uma briga feia.

_Ela cumpriu com sua palavra. –Potter disse, e foi como se os dois trocassem de personalidade, ver um tão impassível e o outro tão irritado, sendo o primeiro Potter e o segundo Snape, era como se o universo tivesse ficado maluco– Catherine nunca mentiu. Ela nos disse sempre a verdade. Devemos, ao menos, a verdade a ela.

_Harry, o que está dizendo? -perguntou Hermione- Que devemos falar sobre a profecia à Catherine?

Harry sorriu constrangido, negando com a cabeça, afastando-se sabiamente de um Snape muito, mas muito atordoado, e começando a ficar levemente demente de tão irritado com o que ele dissera, começando a despertar em sua ira porque entendeu o que o garoto captara antes mesmo que a maioria conseguisse imaginar.

“Desde quando o pirralho ficara perspicaz e perceptivo assim?”

_Não exatamente... Tive algumas conversas com ela, Mione. A garota pareceu, acima de tudo, sempre muito incomodada em como vocês dois acabaram juntos, fissurada em descobrir como ele conseguiu sobreviver. Não sei, mas sinto, que a história dele é a mais importante nos livros da avó dela, pelo menos para Beauchamp.

_Não fale de mim como se eu não estivesse aqui! -rosnou Severus, não conseguindo evitar de ficar branco com manchas vermelhas horríveis subindo pela nuca e pescoço, o que deveria significar que estava corando- O que você contou a ela Potter?

_Nada. Não é minha história para contar. -respondeu ele calmamente, mesmo com o perigo iminente do mais velho o enfeitiçar.

_Precisamente... -respondeu Hermione, quando entendimento amanheceu em seus olhos castanhos brilhantes- Severus...

_Não se atreva mulher! Eu não tenho a obrigação de...

_O que? -ela a interrompeu, pisando forte e indo em direção a ele, o cabelo encrespando com magia, fazendo-o assustar e retroceder afoito- Como você pode pensar em matá-la mas é tão difícil ter uma conversa civilizada com a moça?

Ele engoliu em seco, sem resposta, desviando o olhar e coçando atrás da cabeça, falando baixinho: _Isso não é garantia de que vá funcionar... -começou, a voz grave tomando um ar completamente deslocado, claramente ele não tinha ideia de que a conversa tomaria aquele rumo absurdo- Entenda amor, não estou me negando a isso, só acho que palavras não mudarão muita coisa.

_Palavras em si não mudam nada Severus. Conhecimento sim. Você nunca deixou de ser quem era, porque soubemos da verdade, apenas proporcionou uma visão mais completa do porquê era um completo bastardo babaca com todos quando éramos crianças, só isso.

Nessa, o esforço do grupo para permanecer sério com a situação grave foi quase fatal. Rony engasgou baixinho com o sorriso ferrenho que tentava esconder, já Gina virara o rosto enquanto Harry olhava para Severus sem vergonha alguma, sorrindo abertamente.

_Vai me pagar por isso, Potter. -rosnou Snape, olhando para ele como um cachorro faminto olha para um pedaço de carne antes de destroça-lo.

_Eu sempre pago. -começou a responde Harry, a tempos ele perdera o medo e as suspeitas totais de Snape, simplesmente por causa de Hermione- Mas se o preço for poupar a vida de uma garota que sei ter alguma bondade ainda dentro dela, vou esfregar isso na sua cara pra sempre, velho safado.

 

 



Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...