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História Second Chance. - Capítulo 3


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Notas do Autor


Demorei mas postei. Me desculpem pela demora xuxus, vou dar meu máximo para evitar demoras desse tipo ok?

Espero que estejam gostando da história!

Boa leitura e até as notas finais💛🌼

Capítulo 3 - Don't you dare.


Fanfic / Fanfiction Second Chance. - Capítulo 3 - Don't you dare.

Beautfort, Middle School, 6:40 AM.

Julie on

“Nos encontramos depois amiga” , Bea me deu um beijo estalado na bochecha, e quando me virei para dizer que iria com ela, Henry fez o mesmo, quase acertando minha boca.

“Desculpa Ju”, ele riu tímido, e olhou para o tal do Bieber, acenou com a cabeça e correu atrás da Beatrice, neguei com a cabeça e bufei.

“Se eu for te atrapalhar, posso me virar sozinho”, sua voz rouca preencheu meus ouvidos e me virei para seu rosto, seus olhos me fitavam sem pudor, e se eu não estivesse tão nervosa, com certeza me sentiria envergonhada por ter aquele par de mel me encarando.

“Esquece”, falei e neguei de novo, “se eu não te acompanhar, vou acabar me ferrando, o Senhor Jonhson já deve estar cansado das minhas rebeldias.” , Bieber moveu um pouco sua cabeça, como se concordasse com o que acabei de falar, mas sei que estava apenas processando a informação.

“Tudo bem”, ele deu de ombros e colocou as mãos no bolso, “desculpe perguntar, mas.... porque do sermão pela música alta?” , soltei uma risada nasalada e comecei a andar, sem rumo algum, já que ainda não sabia exatamente o que precisava fazer. Ouvi os passos de Bieber atrás de mim, ele me acompanhava, esperando uma resposta.

“De onde você é?”, perguntei sem vergonha alguma, todo mundo em sã consciência que vinha estudar nessa cidade sabia do que havia acontecido e o que podiam ou não fazer, então certamente esse garoto não era de nenhuma cidade daqui de perto.

“Eu sou do Canadá, mas moro em Atlanta desde os meus 12 anos”, ele franziu a testa em dúvida e apenas silabei um “Ah”, já sabendo o motivo pelo qual ele chegou com a musica estralando, em uma cidade que ouvi-las em um volume acima do cinco, era proibido.

“As músicas altas e festas são proibidas por aqui”, o respondi sem fazer questão nenhuma de demonstrar o meu desinteresse no assunto, não estava a fim de explicar pra ele tudo o que havia acontecido, e muito menos ter que relembrar por tudo o que havia passado.

“Como assim? Quem foi o imbecil que proibiu isso?” , parei de andar quando escutei o xingamento, e ele precisou dar dois passos para trás, ficando novamente ao meu lado, o corredor já estava praticamente vazio e as poucas pessoas que se encontravam por ali andavam em direção ao ginásio, claro que sim, como pude esquecer? Tínhamos que ouvir o pronunciamento do senhor Jonhson antes das aulas do primeiro dia.

Meu pai”, respondi e continuei andando, agora, em direção ao ginásio.

“Hã... Desculpa”, ele balbuciou e dei de ombros, essa semana seria longa. Espero que ele não fique fazendo perguntas o tempo todo ou que pelo menos se interesse por basquete e vá se juntar com o time, assim os meninos teriam o trabalho de responder todas as suas dúvidas e não eu.

“Ta”

Até o momento que chegamos a quadra, nenhuma palavra a mais foi dita, e agradecia mentalmente por cada segundo em silencio que tinha ao lado daquele garoto. Tentei encontrar Bea e Henry, mas não obtive sucesso, então me sentei em um espaço livre na arquibancada, e Bieber se sentou ao meu lado. Assim que seu corpo se aproximou de mim, pude sentir o cheiro do seu perfume, um amadeirado leve e um pouco adocicado, bem masculino, um cheiro que de certo, não enjoaria tão fácil.

O senhor Jonhson começou a repetir o que falava em todos os anos e nem me dei o trabalho de prestar atenção, olhei para Bieber e diferentemente do que eu achava que ele estaria fazendo, o loiro olhava fixamente para o celular, mexendo em alguma coisa, movi minha cabeça em negação e soltei uma risadinha, o que chamou sua atenção.

“O que foi?” , ele bloqueou a tela do celular e me olhou.

“Nada, só cansei de ouvir todo ano o mesmo discurso, ele não muda uma palavra se quer, consigo imaginar ele em casa, deitado na cama, antes de dormir, repassando mil vezes as mesmas frases, garantindo que não errará nada quando precisar falar em frente aos alunos.” , Bieber riu do meu comentário e eu sorri, mas fechei a cara quando percebi o que estava fazendo.

“Você não precisa ficar de cara fechada o tempo todo”.

“Que?” , olhei para ele, e novamente fui atingida pelos seus olhos cor de mel, eles eram lindos, não podia negar.

“Nada... só estou dizendo que você pode sorrir de vez em quando” , ele me respondeu sussurrando quando uma garota a nossa frente pediu silencio e como resposta lhe mostrei o dedo do meio. “Está na cara que alguma coisa aconteceu com você e por isso é assim”.

Ignorei o que ele falou, e engoli em seco. Ele nem ao menos me conhece para saber o que aconteceu ou acontece na minha vida, e não sou obrigada a ficar ouvindo as palavras que saem da sua boca, muito menos suposições do que ele acha de mim. Sei que ele estava certo no que dizia, e todo mundo que me conhecia sabia que tinha me tornado essa pessoa por causa do que havia acontecido com meu irmão, mas ele não. Ele não fazia ideia do que havia acontecido comigo, e isso que me deixava mais puta, porque mesmo sem saber, ele acertou em cheio.

“Eu sou assim”, virei meu rosto mais uma vez em sua direção e o vi assentindo. Odeio andar com pessoas que não conheço, por não saber o que elas pensam quando eu falo alguma coisa, com Bea e Henry eu consigo saber o que pensam em cada respirada, e isso me alivia.

Bieber ainda me encarava e precisei arquear as sobrancelhas para tirar a atenção do seu olhar do meu rosto, mas ele fez pouco caso e continuou a me olhar, como se me analisasse.

“Não foi isso o que eu vi quando cheguei no colégio”, ele falou, olhando nos meus olhos e se virou para frente, como se tivesse dito algo comum. Ele estava me olhando quando entrou com o carro?

Quando parei pra responde-lo, uma pequena movimentação começou a acontecer no ginásio, olhei para frente e o senhor Jonhson já havia parado de dar seu discurso de sempre e os alunos se preparavam para sair. Respirei fundo e estiquei meu braço, me espreguiçando, se conheço bem o diretor, ele ainda tem mais coisas a dizer.

“Os horários de vocês estão pendurados no corredor principal do colégio, aos alunos novos, que já não foram direcionados, procurem pessoas da sua turma para acompanharem vocês na primeira semana de aula. Tenham uma boa manhã.”

“Graças a deus”, exclamei baixinho e me levantei, Bieber levantou logo atrás de mim e parou ao meu lado. “Quer dizer que você estava me olhando quando entrou no colégio?” perguntei, e me repreendi mentalmente pela minha atitude, Justin apenas riu nasalado e deu de ombros, andando ao meu lado.

“Talvez”.

Sorri de canto, e apenas o ignorei, não podia continuar dando trela para alguém como ele, aliás, não podia dar trela para mais ninguém. Eu não sou mais assim, e não quero mais ser esse tipo de garota.

“Não vamos ver nossos horários?” Bieber me perguntou ao perceber que não estávamos andando em direção ao corredor principal e só então me dei conta de onde estava indo, a poucos passos na minha frente estava o memorial do meu irmão, eu sempre vinha pra cá antes das minhas aulas e claro, esse ano não seria diferente. Meus pés pararam no chão quando me lembrei que Bieber estava comigo, não podia leva-lo até ali, se queria evitar esse tipo de perguntas, não podia leva-lo ao único lugar que ele teria motivos para fazê-las.

“Verdade”, respondi, dando meia volta e andando na direção contraria da que estávamos indo. Escutei uma risada abafada e olhei para ele. “O que foi?”

“Nada, você é sempre desligada assim?”, e novamente, os olhos cor de mel me encaravam sem pudor algum. Ele sempre me olhará assim? Não, ele vai se enturmar com os meninos e graças a deus entrará para o time e me deixará em paz. Meu consciente me lembra.

“Não, só não sou acostumada a andar com pessoas desconhecidas. Mas nem preciso te lembrar que só estou fazendo isso....” ele me interrompeu.

“Por que se não o senhor Jonhson não vai hesitar em te foder.”, dei risada quando a última palavra foi dita e apenas continuei andando.

“Isso”, ele riu junto comigo.

Já estávamos chegando ao corredor principal onde a movimentação era maior, os corredores estavam lotados pelos alunos e alguns deles olhavam em nossa direção. Precisei me lembrar a todo momento que estava com um aluno novo ao meu lado e que ele chamava tanto a atenção por ser extremamente bonito. Bieber parecia não se importar com os olhares, já que andava normalmente ao meu lado, ele transmitia tranquilidade em seu andar, enquanto eu estava ficando cada vez mais nervosa com tudo isso.

“Quem diria...”, escutei a voz de Bethany, atrás de mim, e fechei os olhos com força, parando de andar e me virando, merda. “Já superou sua última perda pequena Julie?” , ela se aproximou de mim, andando ao meu redor e seu perfume doce me embrulhou o estômago no exato momento em que adentrou pelas minha narinas. “Acho que sim, já que está andando com o aluno novo”, olhou para Bieber e sorriu, o loiro estava com o cenho franzido mas retribuiu o sorriso. “Thomas ficaria orgulhoso de você, superou rápido”.

“Não começa”, a alertei, meus punhos estavam fechados e podia sentir meu corpo sendo tomado pela raiva, essa vadia de quinta não era nem louca de mencionar o nome de Thomas mais uma vez. Bethany era a típica patricinha que existem nos filmes, nunca imaginei trombar com alguém nesse estilo, e quando encontro, é na mesma escola que eu.

“Não começa com o que Julie?”, ela colocou a mão sobre o peito, se fazendo de desentendida e ofendida, “eu não disse nada.”, respirei fundo e voltei a me virar, não podia perder meu tempo ou dar motivo para ser o centro das atenções desse colégio novamente.

“Como estava dizendo... Thomas ficaria orgulhoso de você”, já não podia responder por mim, seu corpo pequeno e magro estava encostado no armário e meu braço direito estava prensando seu peitoral. Bethany estava com olhos arregalados.

“O que foi que você disse?”, perguntei entre dentes e a pressionei ainda mais, “nunca mais ouse a dizer o nome de Thomas, está ouvindo?”, e antes que ela pudesse me responder ou que eu pudesse lhe falar mais algumas coisas, senti duas mãos em minha cintura, me afastando do pequeno corpo de Bethany.

“Julie”, Chaz me chamava, na tentativa de me acalmar, minha respiração estava ofegante, meu corpo estava dominado pela raiva e tudo o que eu mais queria nesse momento era estar sozinha com essa vadia, para arrebentar a cara dela. “calma”, senti os dedos da sua mão me apertando ainda mais, me impedindo de avançar na loira.

Calma? Calma Chaz?”, gritei, tentei me soltar mais uma vez dos seus braços e ele me abraçou. Chaz sempre estudou comigo, desde pequeno, e apesar de ser mais novo que meu irmão, jogava no time junto com ele. Não posso afirmar que Chaz e eu somos próximos, ou até mesmo melhores amigos, mas nos conhecemos e nos consideramos o suficiente para ele me ajudar em um momento como esse.

Sentia meu coração acelerado e demorei alguns segundos para retribuir o abraço que me envolvia. Meus olhos ardiam e precisei me concentrar ao máximo para não deixar as lagrimas rolarem.

“Você não pode deixar a raiva te consumir desse jeito”, ele afastou seu corpo do meu para me olhar e sorriu fraco, engoli seco e apenas assenti, ele voltou a me envolver em seus braços e me apertou, “sabe que estou aqui certo? Eu e os meninos, assim como Bea e Henry, você pode contar com a gente pra tudo.”, me afastei e sorri fraco para ele, voltei a prestar atenção ao meu redor, e algumas pessoas nos olhavam assustadas.

“Obrigada.” o agradeci e voltei a olhar para Bethany, que estava assustada e com algumas lagrimas escorrendo pelo seu rosto, não fiz nem metade do que queria fazer com ela, mas espero que isso tenha sido o suficiente para nunca mais falar sobre meu irmão.

Suspirei irritava ao ver que a grande maioria dos alunos que estavam no corredor ainda me encaravam, inclusive o par de mel que me olhava fixamente, seu olhar me encarava de uma forma diferente dos outros, não estava assustado.

“Acabou o show”, falei alto, e aos poucos, as pessoas voltavam a se concentrar em outra coisa que não fosse eu. Olhei novamente para Chaz, que estava encostado no seu armário, me observando, somente por garantia de que mais nada aconteceria, e sorri agradecendo novamente. Se não fosse por ele, ainda estaria em cima de Bethany, sem me preocupar com estrago que poderia causar.

Movi meus pés em direção ao corredor principal e Bieber já estava novamente ao meu lado, não queria sua companhia, não queria antes e muito menos agora.

“Quem é Thomas?”, ele perguntou e seu tom de voz estava tomado pela curiosidade.

Ele está de brincadeira comigo?

“Não te interessa”, balbuciei e continuei andando em direção a parede lotada de alunos que se espremiam para ver os horários das aulas. Parei a poucos metros da multidão, de jeito nenhum participaria daquela desordem, prefiro perder alguns minutos da primeira aula do que ser esmagada por alunos desesperados.

“Era seu namorado?”, o loiro voltou a perguntar ao perceber que não andaria além daquilo, virei meu pescoço em sua direção, e seus olhos encaravam os alunos em frente ao mural, talvez ele não estivesse tão interessado no assunto, e só estava querendo começar algum tipo de conversa, na tentativa de amenizar o clima tenso que pairava sobre nós.

“Não, era meu irmão.”, ele franziu o cenho e foi então que percebi que suas sobrancelhas grossas destacavam mais seus olhos caramelados, ao notar meu olhar sobre sua face, ele me olhou, seus olhos transpareciam confusão e talvez ele não tenha entendido minha frase no passado.

“Era?”, ele perguntou, respondendo minhas dúvidas e apenas concordei com um gesto feito pela minha cabeça, não gostaria de ter essa conversa novamente, se ele quisesse saber o que havia acontecido, teria que descobrir por conta própria ou perguntar para outra pessoa.

“Finalmente achei você Julie”, escutei a voz de Henry e tornei a virar meu corpo em sua direção, o garoto estava ofegante, demonstrando ter corrido quando me viu por aqui e carregava dois papeis em mãos, me entregou um e em seguida direcionou o outro em direção ao Bieber, que logo pegou de suas mãos. “Hãn... peguei pra vocês”, ele sorriu tímido e agradeci mentalmente por tê-lo como amigo, sorri de volta como agradecimento e sua voz voltou a preencher meus ouvidos, “nós temos as três primeiras aulas juntos, nós quatro.” Ele sorriu novamente e sorriu pra mim.

Desci meu olhar para a folha em minhas mãos e nossa primeira aula era de álgebra, seguida por duas de inglês, ótimo. Odeio fazer essas matérias obrigatórias, mas pelo menos teria a companhia dos meus amigos, e do Bieber, que teria que carregar durante uma semana inteira.

 

"Pelo menos não vou precisar ficar mostrando todas as salas pra você antes de ir para a minha”, sorri irônica, voltando minha atenção para o loiro, ele apenas olhou para o meu papel, voltando a olhar para o seu e novamente para o meu, antes de sorrir e me entregar seus horários.

“Você não vai precisar fazer isso nenhum dia, temos todas as aulas juntos.”, coloquei nossos horários um ao lado do outro, comparando-os e eles eram exatamente os mesmos, se eu não soubesse que eles são organizados de maneira completamente aleatória, afirmaria com toda a certeza que habita em mim, que fizeram isso de propósito.

Tudo o que eu precisava.

“Bom, acho que Henry pode te mostrar onde fica a sala de álgebra, preciso resolver uma coisa antes de ir para a aula.”, entreguei o papel dos horários para Bieber e sorri de canto para Henry, o garoto lançou um sorriso cabisbaixo em minha direção, sabendo exatamente para onde iria e apenas assentiu. “Obrigada”, falei baixinho e olhei para Bieber, “encontro vocês daqui a pouco.”

Me apressei em sair do lado deles, mas ainda assim pude ouvir Bieber perguntando o que eu tinha de tão importante para resolver cinco minutos antes da aula começar, meu deus, esse garoto faz perguntas de mais.

Meus passos soavam apressados pelo piso branco do colégio, algumas pessoas esbarravam contra meu ombro, mas não fazia questão alguma de me desculpar ou diminuir o ritmo em que caminhava. A prateleira de madeira escura estava a poucos metros a minha frente, de longe, podia perceber que os vidros que completavam suas portas estavam perfeitamente limpos. Diferente do ano passado, não haviam tantas flores ou algum tipo de objeto deixados pelos alunos em frente ao móvel.

Meus pés diminuíram o ritmo automaticamente ao ver os cabelos encaracolados de Bea, seu corpo estava apoiado a parede ao lado da estante e ela limpava as poucas lagrimas que caiam dos seus olhos. Me aproximei da minha amiga e pressionei meus lábios em um sorriso curto.

A foto de Thomas estava perfeitamente no centro, ao lado esquerdo havia uma pequena mensagem em sua homenagem, palavras carregadas de sentimentos e ao final um “nunca te esqueceremos.” Fez com que meus olhos se enchessem de lágrimas, ele era minha maior saudade. Apoiei minha testa no vidro e fechei minhas pálpebras, permitindo que pequenas gotas quentes corressem pelo meu rosto.

“Parece que foi ontem”, Bea falou baixinho e senti seu corpo ao meu lado, me afastei do vidro, olhando o sorriso puro que preenchia os lábios do Thomas, a foto que estava perfeitamente emoldurada em um porta retrato marrom, foi tirada no dia em que o time ganhou o campeonato estadual, Thomas havia marcado o ponto da vitória e lembro que o colégio inteiro o bajulou por duas semanas, seus cabelos estão bagunçados e colados na testa pelo suor, seus olhos azuis estão brilhando de felicidade e orgulho, ele estava feliz, mais do que nunca.

“Eu nunca vou me acostumar com a ideia de que nunca mais vou ve-lo”, pronunciei baixo, poucos segundos do sinal soar pelo corredor que estávamos, indicando que precisávamos ir para a aula. Olhei mais algumas vezes para a foto de Thomas e Bea me chamou, “Pode ir, já vou”, minha amiga concordou e saiu andando pelo corredor.

Nunca imaginei viver em um mundo onde Thomas não existisse, e hoje o que tenho de mais próximo dele, é essa foto e suas coisas que continuam guardadas em seu quarto, exatamente do jeito em que ele deixou.

Alguns minutos depois, sou a única pessoa andando pelo corredor do colégio, meus olhos estão um pouco inchados e meu nariz não para de escorrer, o que resultou em uma Julie que precisa fungá-lo a cada dez segundos, aproximadamente.

Parada em frente a porta, que se encontra fechada, da sala de álgebra, me pergunto se é melhor dar uma passada no banheiro antes de entrar, minha maquiagem deve estar borrada e minha imagem não agradará a nenhuma das pessoas lá dentro. Neguei em pensamento, me lembrando que não me importo mais com os comentários grosseiros ou os olhares tortos direcionados a mim. Se fosse a sete meses atrás, eu me importaria, mas hoje, isso não me incomoda mais.

“Desculpe o atraso”, me apressei em entrar na sala, e a senhora Dulce apenas assentiu com um gesto, informando que deveria me sentar na única carteira disponível. Ela não me repreendeu por entrar na aula depois dela, e acredito que ela saiba exatamente onde eu estava até agora.

Bea havia guardado o meu lugar com seu livro de Álgebra IV e a entreguei assim que sentei. Minha mente vagou por lugares obscuros enquanto Dulce explicava detalhadamente sobre o que iriamos aprender nesse ano, meu corpo pouco se moveu durante sua aula e sentia o olhar de Bieber sobre mim em alguns momentos. Ele estava sentado no meu lado esquerdo, enquanto Bea estava na minha frente e Henry do meu lado direito.

De canto de olho conseguia observar Bieber e sua perna impaciente que não parava de move-la para cima e para baixo freneticamente rápido, como se não aguentasse mais estar sentado. Inclinei meu pescoço olhando em direção a sua perna e ele cessou os movimentos, subi meu olhar para seu rosto e novamente seus olhos me encaravam, suspirei pesado e apesar de muito desejar parar de olhá-lo, estava presa em seu olhar.

Os traços perfeitamente desenhados do seu rosto me prendiam de uma forma extremamente anormal, não conseguia desviar meus olhos dos seus olhos, e estava me sentindo cada vez mais intimidada a cada segundo que ele parecia ultrapassar minhas barreiras. Será que ele conseguia ver a tristeza que meus olhos carregavam, que tentava disfarçar com traços grossos e pretos de delineador todo os dias? Será que ele enxergava toda a dor que meu corpo já aguentou em apenas meio ano? Será que ele seria capaz de achar um mínimo que fosse, de vida em mim?

As palavras da Senhora Dulce romperam minha hipnose, e voltei a olhar para frente. “Até a próxima aula, não esqueçam de trazer o quarto e ultimo livro da nossa matéria”.

Me apressei em levantar da carteira e parei ao lado da carteira de Bea, ela levantava com a maior pacificidade do mundo, parecendo um bicho preguiça e Henry deu risada da minha cara.

“Vai ter que ter paciência hoje pequena Julie.”, ele falou e eu ri nasalado.

“O mundo não está conspirando ao meu favor nesse lindo dia de merda”, falei arrancando risada das três pessoas próximas de mim.

Beautfort - Middle School – 10 AM.

Refeitório.

 

As duas aulas de inglês passaram mais devagar do que eu poderia imaginar e apesar das gracinhas que Ryan fez durante a aula, deixando o professor Mark mais irritado e impaciente do que já é normalmente, nada conseguia fazer eu me distrair e o tempo passar mais rápido.

“Ryan, sério, você precisa maneirar nas brincadeiras, o senhor Mark estava quase te colocando para fora e você sabe que o treinador Evan não aceita esse tipo de situação.” Chaz chamou sua atenção pela terceira vez em menos de cinco minutos e o loiro suspirou, se dando por vencido e concordou em diminuir as gracinhas, mas não em cessá-las e ele deixou isso bem claro para seu amigo.

Estava sentada entre Bieber e Bea, e diferentemente dos dois que devoravam os lanches, eu apenas remexia minha sala de frutas, sem apetite nenhum para ingeri-las. A mesa em que eu me encontrava estava completa, fazendo Chris sentar em cima da mesma, com os pés apoiados ao redor da cadeira de Henry, que estava visivelmente adorando estar rodeados de meninos.

Ryan trocava algumas palavras com Bieber de vez em quando, perguntou sobre a cidade de onde veio e porque precisou vir para o fim do mundo, sua resposta, bem diferente do que eu imaginava, foi explicar que seu pai havia abandonado sua mãe, sem nenhum motivo aparente, e que a mulher precisou se afastar de tudo o que lembrava o homem que tanto amou e precisava viver uma vida mais tranquila, e onde o custo não era tão alto, já que havia largado seu emprego por pedidos do seu ex-marido. Chaz o perguntou em algum momento se ele pretendia se inscrever para o time e o garoto não se mostrou tão empolgado sobre o assunto, deixando um pouco claro que não se inscreveria, apesar de não responder diretamente a pergunta de Charles.

Ainda que Bieber demonstrou pouco interesse quando o assunto era basquete, ele pareceu gostar dos meninos, e preciso dizer que só me encontro sentada nessa mesa com eles por pedidos de Bea, que aparentemente está interessada por Chaz, e também para fazer com que Bieber se entrose com os meninos e saia um pouco da mina cola.

“Não vai comer?”, Christian me tirou dos pensamentos, sua mão estava apontando para minha salada de frutas, que estava cutucando fazia um tempo sem colocar nenhum pedaço se quer na boca.

“Estou sem fome...”, o respondi com educação e imediatamente ele reprovou minha fala.

“Você precisa se cuidar pequena.”, sorri involuntariamente, um pouco envergonhada, preciso admitir que amo quando os meninos me chamam assim, e apesar da minha nova aparência, eles nunca hesitaram em continuar com os apelidos carinhosos e eu nunca os repreendi por isso.

“Não me obrigue a dar na sua boca, por favor.”, Ryan falou brincalhão, e ri baixinho, assim como os outros da mesa. Nunca permitiria que ele me desse comida na boca, mas confesso que me arrancaria boas risadas se o fizesse.

Conheci Ryan e Chris na mesma época que Chaz, estudamos juntos desde o primário, mas fui a única que nasceu por aqui. Me recordo da época em que me dava extremamente bem com os meninos e fazíamos tudo juntos.

Os três me conheciam como ninguém, assim como Bea, que também esteve comigo desde sempre.

“Tudo bem, vou comer!”, me rendi e os três meninos assentiram. Dei duas garfadas no morango e Chris me aprovou com o olhar.

Depois de quase comer metade do pote, as conversar continuaram normalmente e agradeci mentalmente por não ser mais o centro das atenções.

“Então Bieber”, Ryan continuou, “como você ia dizendo, o que você gostava de fazer em Atlanta?”.

“Ia à muitas festas, o que já percebi que não vai rolar por aqui”, todos assentiram com sua afirmação, “além disso, gostava de estar com meus amigos e com as garotas, claro.”, e então os comentários e risadinhas começaram por parte dos meninos com a última fala do Bieber, apenas revirei com olhos em negação.

Olhei a tela do celular e faltavam apenas dez minutos até a aula de estudos sociais, me levantei da mesa novamente os olhares se voltaram para mim, por que eles sempre precisavam olhar em todo o movimento que fazia?

“A onde você vai amiga?”, Bea perguntou e pequei o maço de cigarro que estava no bolso da minha jaqueta, levantando a minha frente.

“Fumar”, afirmei mesmo sem precisar, “alguém quer ir comigo?”, perguntei arqueando a sobrancelha, fazendo cara de poucos amigos, já estava ficando impaciente e precisava ser tomada pela nicotina, “ótimo, alguém leva o Bieber para a próxima aula dele”.

Me virei e saí andando. Mas escutei um pouco da conversa deles antes de me afastar.

“Ela não está em um bom dia.”, Henry afirmou.

“Fiquei sabendo da confusão dela com Bethany, aquela garota não tem o mínimo de bom senso, mas Julie precisa se controlar para não fazer besteira...”.

Meus ouvidos já não conseguiam mais captar o que era falado entre eles e apesar de desejar muito saber o que Ryan tinha para falar a respeito, apenas continuei andando em direção a área externa atrás do refeitório.

Meus passos foram cessados assim que ouvi alguém me chamar.

“Julie! Espera...”


Notas Finais


A pequena Julie querendo se livrar do Justin a qualquer custo, mas ao mesmo tempo não consegue parar de olhá-lo, e pelo visto, ele também não...

Comentem aqui o que vocês estão achando xuxus💛

* Com cinco comentários já posto o próximo babies 🌼


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