História Secret Love - Capítulo 6


Escrita por: e porradriana

Postado
Categorias Orgulho e Paixão
Personagens Personagens Originais
Tags Aurélio, Aurélio Cavalcante, Aurieta, Julieta, Julieta Bittencourt, Novela, Orgulho, Paixão, Romance
Visualizações 399
Palavras 2.200
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Ficção, Poesias, Romance e Novela
Avisos: Heterossexualidade, Insinuação de sexo, Nudez, Sexo, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Esperamos que gostem!!!
Perdoem os erros e boa leitura <3

Capítulo 6 - It's dangerous to be so close


Fanfic / Fanfiction Secret Love - Capítulo 6 - It's dangerous to be so close

Se porventura nossos caminhos tivessem se cruzado antes, acreditaria que nada disso seria impossível? 

 

Clara transparecia estar levemente incomodada mas, por dentro, sua raiva era contida apenas para não parecer indelicada diante de tantos convidados. Estar diante da mulher que queria tomar tudo de sua família a deixava enfurecida, e ela temia não conseguir ser educada. Julieta manteve a expressão fechada mas ergueu levemente o queixo, analisando a situação antes de dizer uma palavra.   

— Vejo que faltam bons modos nessa família.– ela responde juntando as duas mãos na frente do corpo e com o olhar indicando para Susana sair. E assim ela fez, mas antes lançando a Clara um olhar e sorriso impertinente. 

— Estou realmente curiosa para saber o que traz a Rainha do Café nesse lugar repleto de pessoas tão abaixo dela. 

— Apesar do que pensa e de suas insinuações, estou aqui apenas porque sua filha fez questão da minha presença. Afinal, ela não sabe que a família esconde que em pouco tempo terão que achar outro lugar para promover bailes. 

— É bom perceber que tudo o que escuto sobre a senhora está correto, veio aqui para zombar de suas conquistas.

— Pelo contrário, o motivo de minha vinda eu já esclareci, cabe a senhora escolher acreditar. 

Clara olha Julieta da cabeça aos pés, com um desdém que qualquer um de longe notaria, e cruza os braços.

— A senhora sempre aparece nas festas promovidas pelas pessoas que quer tomar tudo? Ou somos, digamos...especiais? – Julieta arqueia uma das sobrancelhas e respira fundo para manter a pose, mas Clara não lhe dá chance de responder.– Quem a vê assim, com toda essa classe, esbanjando superioridade, se quer desconfia que é tão baixa a ponto de querer ver a ruína de uma família. 

Julieta não pôde responder a provocação pois nesse momento Ema aparece sorridente. 

— Ora, ora! Julieta Bittencourt, é tão bom finalmente conhecê-la.– Ema abraça a viúva, que quase se assusta com a aproximação repentina, mas retribui por simpatia.– Pensei que não fosse aparecer. Camilo falou muito bem da senhora e fiquei curiosa para saber mais sobre a Rainha do Café.– Ema finalmente cai em si e se vira.– Vejo que já conheceu minha mãe. 

Julieta olha para Clara, estudando sua expressão tranquila e completamente diferente da que demonstrava minutos atrás.

— Estávamos falando sobre seu baile, querida, e que ficou tudo lindo.  

— Sim, seu baile está mesmo muito agradável. E sua mãe estava sendo bastante receptiva.– Julieta olha para Clara ao dizer. 

— Tenho certeza que sim! Agora deixarei que voltem a conversar.– antes de sair Ema pega as mãos de Julieta e sorri – E ainda espero que possamos nos conhecer melhor.

Assim que Ema sai Julieta volta a olhar para Clara, interrogando-a em silêncio. 

— Eu não menti ao dizer que estava sendo receptiva, mas me enganei na colocação. O que quis dizer foi que você é receptiva perto de sua filha. É realmente uma pena.

— A senhora não tem escrúpulos, aparece em minha casa e ainda me ofende.– Clara diz indignada.

— A senhora não estabeleceu um limite em suas asserções desde que cheguei, depois de tudo o que me falou imaginei que também não precisasse medir esforços para dizer o que penso. Por isso, aconselho que conte logo a verdade para sua filha, ou em algum momento ela pode vir a descobrir que a mãe não é o que transparece. 

Julieta disse tudo sem cessar, no fundo esperava por uma resposta a altura mas tudo o que recebe é um suspiro irritado e um olhar aborrecido, Clara sai exasperada sem dizer uma palavra.

A viúva soltou a respiração que prendia e voltou a fazer o que deveria ter feito desde que chegara: procurar por seu filho. 

Ao caminhar pelo jardim se permitiu desfrutar do clima agradável e da música que tocava, nem mesmo a conversa turbulenta que tivera minutos atrás fora capaz de minguar sua admiração pelo baile.

Escutava risadas e conversas animadas enquanto caminhava pelo jardim, atraindo olhares de todos os cantos e deixando no ar os cochichos das pessoas que se questionavam quem ela era. 

— Apreciando o esplendor do ambiente? – Julieta se vira devagar ao escutar a voz, juntando forças para não vacilar ao retornar o passo. 

— Estou aqui para procurar meu filho.– ela responde friamente, tentando não olhar dentro dos olhos do homem a sua frente. Ficava irritada com a forma que ele parecia analisar cada palavra que ela estava prestes a dizer.– Aliás, acho que é seguro perguntar que finalmente tomou uma decisão e decidiu me vender as terras de seu pai. 

Aurélio soltou um suspiro, ficava inconformado em perceber que aquele era o único assunto possível com ela. 

— Desculpe decepciona-la, mas não pretendo vender coisa alguma. Porém, se quiser retomar a conversa mal resolvida daquele dia, Jorge me disse que quer conversar com a senhora para propor algumas coisas. 

Relutantemente Julieta aceitou conversar com o advogado e acompanhou Aurélio. Ele abordou Jorge durante o caminho e os três foram para o escritório, onde poderiam conversar sem interrupções. 

— Se o intuito dessa conversa é tentar me ludibriar vocês estão cometendo um grande equívoco. Já deixei claro que não há outra alternativa que não seja a venda das fazendas. 

— Dona Julieta, na verdade o que quero propor é apenas que adie a data do pagamento da dívida. 

— Vocês não me ouviram? – Julieta fica irritada com a insistência de ambos, estava exausta de tanta repetição.– A dívida agora é minha e não adiarei coisa alguma. 

— Aurélio, onde estão os documentos das fazendas? – Jorge se vira para o amigo e pergunta baixo, Julieta observava em silêncio.– Talvez possamos negociar a venda de pelo menos uma delas, não vejo outra alternativa. Julieta não vai abrir mão de seus direitos e já deixou isso claro. Você como filho pode tomar a decisão, se concordar com a venda de uma propriedade é provável que ela não queira tomar tudo.

— Tem razão, Jorge.– continuam a falar em um tom baixo.– Papai guarda todos os documentos em seu escritório, se ele concordar em te entregar pelo menos um deles...

— Ótimo. A senhora se importaria de esperar por um instante? – Jorge mal espera que Julieta responda e sai do escritório, deixando ela e Aurélio a sós.

— Não há nada que seu advogado possa propor que eu esteja disposta a aceitar. Qual será o truque agora? Já usou até mesmo da saúde de seu pai para me convencer.– ela abafa uma risada irônica e cruza os braços, estava em pé de frente para ele, que estava sentado.– Foi difícil esquecer a cena patética do senhor ajoelhado implorando clemência.

— Sinto muito se a senhora é incapaz de se comover ao ouvir o desabafo honesto de um homem que só quer o bem de sua familia.

— Eu não tenho paciência para aqueles que se fazem de vítima. Saiba que dependendo do que seu advogado disser, o prazo para me pagar ou me vender as fazendas será encurtado! 

— E o que a senhora quer que eu faça? – Aurélio levanta aborrecido e coloca as mãos sobre a mesa, encarando-a.– Quer que eu abra mão de tudo o que meu pai conquistou? Que eu entregue assim o patrimônio da minha família? O futuro de minha filha? 

— O senhor tem mesmo propensão ao fracasso. Então prefere continuar assim e assistir tudo desmoronar? Ou prefere que eu coloque logo um fim nisso e execute a dívida? 

— Eu disse que a admiro por ter construído todo esse império, mas também acredito que durante todo esse caminho tenha se deparado com negociantes menos inflexíveis do que está sendo agora! 

Julieta fica indignada com o que escuta e com a insolência do homem à sua frente. 

— Então quer dizer que no final acha que construí tudo porquê em alguns momentos tive sorte? Que encontrei pessoas que escolheram ser complacentes comigo? Ou é um dos que acha que foi tudo graças ao meu marido? 

— Para uma mulher na sua posição, acredito que as vezes tenha que contar com a transigência de alguns. 

Julieta fica enfurecida e da um passo à frente, até mesmo travando o maxilar para reprimir a raiva que sentia naquele momento.  

— Eu não aceito que me insulte e muito menos que fale sobre o que não sabe de minha vida! 

— Minha intenção não é ofendê-la! – continua a falar e tambem da um passo a frente, ambos com a respiração agravada devido a irritação.– Apenas acho que da mesma forma que a admirei, outros fizeram o mesmo e isso só lhe trouxe vantagem! 

Aurélio termina de falar quase rouco ao se esforçar para manter a calma e o tom de voz controlado, mas não teve tempo de se quer cogitar recuperar o fôlego pois Julieta estava tomada por uma ira que há tempos não sentia, em uma fração de segundos sua mão acertou com força o rosto do filho do Barão.

Aurelio levou mão até a bochecha ainda vermelha com os vestígios da mão pequena, porém forte, da viúva. 

— O que foi isso? – a encara inconformado com a atitude. 

— Eu não lhe dou essa liberdade. E muito menos preciso da complacência dos outros! 

— Como a senhora pôde? 

— E não duvide do que mais sou capaz de fazer! – Julieta levanta a mão novamente mas desta vez Aurélio segura seu braço e a impede de acertar seu rosto, ela fica ainda mais enraivecida e tenta bater com a outra mão mas ele também a segura, juntando os dois braços na frente do corpo e acabando por ficar mais próximo do que deveria. Julieta não tentava mais se soltar e estava imóvel nas mãos dele.

Ambos estáticos e com a respiração descompassada, o coração batendo freneticamente, quando em um ímpeto se deram conta do que estava acontecendo e se separaram bruscamente.

Julieta forçou seu corpo a ir para o outro lado do escritório, indo contra a fraqueza que tomou conta de suas pernas e ficando de costas.

Repentinamente ela se vira na direção da porta e dá passos apressados até sair do escritório, sem olhar para trás, e ainda batendo a porta.  

Aurélio estava imobilizado, buscava qualquer sinal de equilíbrio e um motivo admissível para o que quase havia acontecido. 

— Aqui está.– a voz de Jorge causa nele um sobressalto e o próprio advogado para de andar ao ver a expressão do amigo.– Onde ela está? 

— Ela ficou irritada e foi embora.– responde rápido e voltando a se sentar, tentando transparecer serenidade. 

— Disse algo que a irritou? – Aurélio olhou para o advogado por alguns segundos. 

— Não. Ela apenas saiu. 

 

Nem mesmo a música alta conseguira abafar completamente o barulho dos saltos da rainha do café quando a mesma saiu tempestuosa do escritório. Estava prestes a deixar o jardim quando seu filho a alcançou e entrou na sua frente. 

— Mãe? O que houve? Quando chegou? 

— Não posso conversar agora, Camilo. Conversamos amanhã.– ela tenta voltar a caminhar mas Camilo a impede ao colocar a mão em seu ombro.

— Por que está assim...eufórica e irritada? 

— Eu não preciso lhe explicar nada, Camilo! Agora me dê licença! 

Julieta finalmente consegue se afastar do filho e alcançar o carro que a levaria de volta. Seu motorista constatou que a patroa estava irritada e não disse uma palavra, apenas abriu a porta e obedeceu as ordens da mesma. 

— Aconteceu alguma coisa? – Darcy pergunta ao ver Camilo retornar do jardim com uma expressão chateada. 

— Minha mãe. Ela estava aqui mas acabou de sair e parecia muito aborrecida. 

— Terão tempo de conversar amanhã. Não deve ter sido nada.– Darcy tenta tranquilizar o amigo. 

— Camilo! – Susana aparece de repente e um pouco afobada.– Estou procurando sua mãe e não a encontro, você a viu? 

— Acabei de vê-la ir embora, Susana. Fiquei preocupado mas ela não me deu explicações.

— Deve ter fugido dessa gente maluca. Nem eu estou aguentando mais ficar aqui! 

— Do que está falando, Susana? O baile está muito agradável.– Camilo rebate. 

— Você é um cavalheiro, Camilito. Um príncipe. Não falaria mal nem se dependesse de sua vida. Darcy, eu acredito que vá concordar comigo? 

— Não exatamente, Susana. Estou achando tudo bastante aprazível.– o lorde responde sorridente e ergue a taça para brindar com o amigo ao lado. 

...

Ninguém seria capaz de explicar e muito menos compreender a reação que tivera, por isso a melhor opção era se isolar como de fato havia feito durante todos os anos desde que se casara. Julieta não deu explicações ao seu motorista quando retornaram à mansão Bittencourt, apenas saiu do carro e em silêncio seguiu até seu quarto. Foi quando ela desabou. Todo a dor que reprimira durante o percurso foi dividida entre suas lágrimas e os objetos que ela arremessava contra a parede, sentia-se angustiada e não conseguia parar de tremer, tentava fechar os olhos mas isso apenas contribuía para que tudo repassasse em sua mente. 

— NÃO! – ela grita e, em uma última tentativa de amenizar a dor, pega o abajur que avista ao lado e o arremessa contra o espelho, quebrando-o facilmente.

Diferente do que desejava, as lágrimas não cessaram naquele momento e ela se ajoelhou no chão, chorando baixo e limpando o rosto com as mãos firmes.– Não.– diz baixinho a si mesma e fecha os olhos enquanto respira fundo, recompondo-se e se colocando de pé, repreendendo a fraqueza que ela jamais se permitia sentir. 

(...)
 


 


Notas Finais


Até o próximo <3


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