História Secret Love in Montreal - Capítulo 15


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Categorias EXO
Personagens Baekhyun, Chanyeol
Tags Baekhyun, Baekyeol, Basquete, Bottom!baekhyun, Bottom!chanyeol, Chanbaek, Chanyeol, Exo, Flex!chanbaek, Lemon, Mistério, Montreal, Nba, Segredos, Top!baekhyun, Top!chanyeol, Toronto
Visualizações 383
Palavras 8.166
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Esporte, Ficção, Ficção Adolescente, Lemon, LGBT, Lírica, Mistério, Poesias, Romance e Novela, Slash, Violência, Yaoi (Gay)
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Drogas, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Tortura, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Oi :3
Voltei, pessoinhas... Surpresos? Bom, gosto de ser bem sincera com vocês e quero dizer que estou postando esse capítulo bastante insegura. Ele está pronto há alguns dias e desde então venho analisando-o para ter certeza de que é isso mesmo que quero mostrar a vocês. Poucos foram os capítulos que postei em que realmente me vi 100% satisfeita com o que escrevi, e este não está diferente. Mas como sei que sou sempre insegura com tudo o que faço, não estou muito preocupada de estar postando esse capítulo do jeito que está.

Vamos ler então. Façam uma boa leitura!

Capítulo 15 - Tell Me Your Secrets


Fanfic / Fanfiction Secret Love in Montreal - Capítulo 15 - Tell Me Your Secrets

 

 

“A forte batida do meu coração quando ele aparecia sem aviso me aterrorizava e me fazia vibrar ao mesmo tempo. Eu tinha medo quando ele aparecia, medo quando não aparecia, medo quando ele olhava para mim, ainda mais medo quando não olhava.”

– Me Chame Pelo Seu Nome

 

 

Naquela noite fria de maio – após o inesperado reencontro com Chanyeol –, cheguei em casa arrasado. Chorava um choro audível, parecia sentir muita dor. Provavelmente, porque as palavras traçadas sobre a superfície daquele papel completamente encharcado de lágrimas tenham surrado meu coração.

Entrei em casa agarrando com uma mão minha própria blusa na altura do peito, enquanto a outra segurava a carta com dedos trêmulos. Minhas pernas vacilavam, guiando-me de maneira trôpega até me fazerem esbarrar na mesa de centro e cair sobre o carpete fofo da sala.

Permaneci de bruços, na posição em que caí, não sentindo forças para me erguer. Eu só pensava naquelas íris escuras como uma noite sem lua. Pensava naqueles cabelos onduladinhos escorrendo para a testa e quase chegando à altura dos olhos. Aquela cicatriz desenhada em sua face límpida, contando histórias que sempre quis ouvir. Os lábios cheinhos que tanto ansiava sobre os meus em anos passados. A voz de trovão e ao mesmo tempo repleta de mansidão. Havia, também, a carta com as palavras mais belas e tristes que já pude ler.

Custava a acreditar que ele tinha voltado. Todos aqueles 6 meses recebendo cartas sem saber quem as enviava, e eram dele. Dele. Chanyeol, o grande amor da minha vida, o garoto com quem compartilhei momentos únicos, inesquecíveis, e com quem vivi a mais intensa história de amor sendo apenas um mero adolescente.

Em todos aqueles 10 anos fora impossível para mim não sonhar vez ou outra com o contorno daquela face de expressões sérias demais. Sonhei algumas vezes com nossas mãos entrelaçadas enquanto dividíamos uma grama rasa, deitados observando constelações, sussurrando palavras de amor e trocando beijos apaixonados.

Digam-me, como esquecer daquilo que está gravado em sua alma? Ensinem aquele Baekhyun de 27 anos a arrancar de seu coração a pessoa que ele mais amou. Porque eu não soube fazer isso em nenhum daqueles anos. Estações iam e vinham, mas eu continuava a pensar nele com carinho, embora o grande abismo de seus erros me causassem dor. Continuava a recordá-lo em momentos só nossos, fosse no túnel, ou na cabana, meu coração nunca me permitiu deixá-lo no passado, onde ele deveria ter ficado.

Chanyeol estava em todos os lugares. No passado, no presente, e parecia que queria estar em meu futuro também. Estava na faculdade comigo quando eu entrava na biblioteca e avistava de longe a sessão de Filosofia. Estava comigo em meu trabalho quando meu colega de mesa repetia seu velho ditado: “Sonhos são uma maneira de nos motivar. Então, vamos dar a essas pessoas motivação para que elas acreditem que possam ter uma vida normal como qualquer um. Vamos dar a elas seus sonhos”.

Chanyeol era filosofia e sonhos.

Aquele grandão nunca precisou estar lá fisicamente para que eu sentisse sua presença comigo. Todavia, aquilo me causava um incômodo no peito, pois não era o suficiente. Eu estava enfadado de não viver uma história de amor completa, de não ser amado como sempre sonhei. Todos os meus amores resvalaram por entre meus dedos e se foram. Só queria alguém para construir uma vida comigo pouco a pouco, aprendendo um com o outro, sem mentiras, sem segredos; queria um amor duradouro. E meu coração estava empenhado a me provar que o amor que sempre almejei era Chanyeol. Como? Eu queria alguém que pudesse envelhecer ao meu lado, e não que me desgastasse.

Quando se tratava daquele sul-coreano, não dava para pensar em um final feliz ao seu lado. Ele era o segredo vivo, e eu não aceitaria mais nenhum deles. Gosto da sinceridade, de olhar olho no olho enquanto me abro e ouço o meu parceiro se abrir comigo contando-me seus medos, inseguranças e todos os segredos. Chanyeol nunca havia me dado isso, e eu não tinha esperança de que um dia pudesse me dar.

Então, ainda estirado sobre o chão, ouvi passos pesados correndo de encontro a mim. Adrien surgiu em meu campo de visão, os cabelos loiros molhados e desgrenhados. Sua blusa e bermuda estavam um pouco úmidas, e até mesmo dava para ver algumas gotículas de água em seus braços. Estava claro que havia acabado de sair do banho.

“Baekhyun?! O que houve??”

Ele se achegou a mim e me ajudou a levantar, sentando-me no sofá de estofado branco. Eu estava ridículo, ordinariamente ridículo fazendo toda aquela cena dramática como se fosse uma criancinha chorona. Procurava enxugar o rosto, no entanto, as lágrimas escorriam incessantemente não me dando chances nem de formular uma resposta para dar ao meu amigo.

“Eu vou buscar um copo de água pra você.”

Após isto, Adrien foi até a cozinha e eu permenaci sentado, lutando contra os soluços do choro. Nem ao menos sabia com exatidão o que sentia, simplesmente sentia. Era como um misto de coisas boas e ruins, que talvez pudesse nomear de nostalgia. Reencontrar Chanyeol foi como desenterrar o caixão de um cadáver, com a diferença de que enterrei o meu amor vivo, e ele nunca morreu.

Eu não conseguia evitar de pensar que Adrien estava mesmo certo, aquelas cartas eram uma tentativa de reaproximação, só que de alguém que nunca imaginaria na vida. Com aquelas palavras sinceras e carregadas de sentimentalismo, Chanyeol estava tentando contato comigo outra vez, depois de muito tempo.

Como ele sabia onde eu morava? Em que horário ele deixava as cartas? De manhã cedinho ou de madrugada? O que estava fazendo em Montreal, se ele morava em Toronto? Eram muitas coisas para me questionar.

Céus, o que eu faria? Não tinha a mínima ideia, só sabia que não queria voltar a ser aquele garotinho bobo que fui em minha adolescência. Porque foi graças a tanta fragilidade minha que ele me quebrou em milhares de pedacinhos; e custou muito para juntar e colar cada um.

“Toma.” – meu companheiro de apartamento entregou-me um copo com água.

Bebi o líquido todo, sentindo que lentamente me acalmava. Soltei algumas lufadas de ar, enquanto Adrien acariciava minhas costas em sua tentativa de me ajudar a pôr os sentidos em ordem.

Desci os orbes até o copo de vidro que segurava sobre meu colo, pensando no que dizer ao outro que obviamente esperava um pronunciamento da minha parte.

“O que você faria, se a pessoa que mais amou em sua vida ressurgisse após 10 anos?” – o questionei, ainda encarando a borda do copo de vidro vazio.

“Aahh… Eu não sei.” – ele franziu o cenho, estranhando aquela pergunta.

Suspirei. Nunca havia contado para Adrien sobre mim e o garoto mais popular de nossa escola, até porque, na época queria deixar toda aquela história para trás. Mas bem ali, naquele exato instante, me vi na necessidade de contá-lo.

“Baekhyun, o que houve? Você me assustou muito, sabia?” – ele encarava a carta caída sobre o tapete marrom – “Esse seu amor do passado que voltou… É ele quem tem deixado as cartas pra você?”

Assenti para ele, sentindo a ardência nos olhos mais uma vez.

“Chanyeol voltou depois de tantos anos, Adrien…” – contei, em minha total languidez.

“Chanyeol? Aquele do time de basquete do colégio??” – indagou-me, tomado por expressões de incredulidade.

Outra vez assenti, e junto com o balançar positivo de minha cabeça as lágrimas desceram com ímpeto, mostrando todo meu abalo e fraqueza.

“Eu sei que nunca te co-contei, mas é que eu acreditava que não tocando nessa história, seria mais fácil para seguir em frente. Não queria ter que dizer isso em voz alta, mas eu o amo, Adrien. E nunca consegui d-deixar de a-amá-lo…”

“Meu deus, Baekkie…” – me abraçou de lado, alisando meu braço carinhosamente – “Céus, estou todo perdido com essa história. Naquela época ele não namorava aquela cobra asquerosa?”

Foi quando meu choro se intensificou, apenas por recordar-me daquele fato desprezível.

O canadense recolheu o copo das minhas mãos, o depositando sobre a mesa de centro. Voltou a me abraçar de um jeito mais acolhedor e mais afetuoso. Parecia querer levar embora minhas dores, preocupações e angústias. Uma mão subiu até minha nuca, acarinhando por entre os fios lisos e longos do meu corte de cabelo.

Relaxei os músculos do meu corpo em meio àquele enlace repleto de amor fraternal.

“Vocês tiveram um caso enquanto ele namorava a Victoria, foi isso?”

Então decidi contar tudo, ao menos as partes que consegui me lembrar naquele momento até o instante do meu reencontro com Chanyeol. Adrien ouvia tudo atentamente, demonstrando reações de espanto a cada detalhe contado por mim da exorbitante e complexa história de amor que vivi.

Eu me envergonhava muito do fato de ter me relacionado com Chanyeol enquanto ele namorava outra pessoa. Fui tolo, imaturo, inconsequente, e sofri muito justamente por causa disso.

“Baekkie, calma. Relaxa, não estou aqui para te julgar, estou aqui para te dar meu apoio e conselhos.” – falou, ao notar o quanto estava apavorado com a possibilidade dele sentir aversão dos erros que cometi – “Essa história teve sim seus inúmeros erros absurdos de ambos os lados, e confesso que estou bem chocado. Mas, de certa forma, foi um lindo amor, não vou negar.”

“Um lindo amor do passado, que deveria ficar no passado... O que eu faço agora?? Ele sabe onde moro e fica me mandando essas cartas, Adrien! E-E-E e-eu fugi como u-um idiota quando o encontrei na praia d’Oka-”

“Hey, se acalme ou vai acabar desmaiando desse jeito.” – ele me deu alguns tapinhas nas costas e segurou uma de minhas mãos, fazendo uma certa pressão sobre ela – “Foi uma atitude um pouco imatura da sua parte correr dele como se ele fosse te fazer algum mal.”

“O que você queria que eu fizesse?? Queria que eu dissesse ‘oi Chanyeol, que bom te encontrar’?”

“Sim, Baekkie! Poderia tê-lo cumprimentado, perguntado como ele estava e essas coisas. Ser gentil é algo tão comum vindo de você, me admira que tenha sido tão rude assim…”

Nesse momento, abaixei o rosto e concordei internamente com a fala dele. Aquela atitude minha não condizia com a pessoa madura que eu havia me tornado, só que não pude fazer nada a respeito na hora, simplesmente agi impensadamente. E admito a vocês que fiquei mal por imaginar como Chanyeol se sentiu quando o deixei para trás naquele estacionamento.

Me levantei e busquei pela carta, que estava no chão. E ainda em pé fitei aquele papel branco, pensando no amor que ele ainda sentia por mim, pensei na dor dele. Chanyeol sentia a dor de não me ter, a dor da saudade que de certa forma eu também sentia.

Ele ainda me amava, e ainda havia reciprocidade naquele amor.

“Essa carta contém palavras que não poderiam partir de outra pessoa, a não ser dele.” – revelei ao outro, que apenas me ouvia detidamente – “As outras eram repletas de poemas, mas que não me diziam nada, além de que alguém apaixonado as enviava para mim. Mas nesta carta…” – lá estava eu, emocionado novamente.

Era difícil não me sentir acometido com a dor de Chanyeol, que ele fez questão de escrever-me à mão para que soubesse. Por deus, ele estava tentando me reconquistar com aquelas palavras? Queria amolecer mais ainda aquele meu coração sensível?

“Há coisas bem específicas que ele relatou nesta carta que só poderiam ter sido escritas por ele. Através dela Chanyeol queria que eu soubesse que ele é quem vem me escrevendo durante esse meio ano.” – limpei a lágrima solitária que deslizou em minha face.

“Eu notei que ela era um pouco diferente das anteriores… Ele está tentando uma reaproximação. E que bela tentativa, não acha? Quem nesse mundo não gosta de receber cartas de amor?” – Adrien abriu um sorriso de canto para mim, e seus olhos brilhavam.

“Ele voltou pra mim, Adrien… Voltou, sem que eu nem ao menos desejasse seu retorno.”

Meu amigo voltou a sorrir, desta vez um sorriso aberto, deixando algumas carícias sobre minha mão.

“Eu não o conheço e nunca passou pela minha cabeça que ele gostasse de homens, ainda estou perplexo com isso. Mas ele me parece bastante empenhado a te reconquistar.”

“Eu não quero.” – ditei com mágoa em meu timbre – “Ele me escondeu muitas coisas e eu não quero mais reviver aquela história.”

“Entendo seu posicionamento e super te apoio se realmente não quiser dar outra chance a ele. Você quer evitar possíveis dores que ele possa vir a te causar e isso eu também faria. Mas acredito que assim como você, ele também deve ter evoluído como pessoa, Baekkie. E acredito eu que, se ele está disposto a te reconquistar, então ele não quer viver aquela mesma história… Ele quer viver uma nova.”

“Mas e se ele-”

“Pense nas cartas. Meu deus, são as cartas mais lindas que já li na vida. Ainda mais essa última, que fez os meus olhos se encherem de lágrimas.”

“Palavras, é só o que são… Não posso me apegar a elas.” – murmurei com desânimo.

“Ai, Baekkie, acha mesmo que são apenas palavras? Aquilo é amor colocado em papel, e você sabe disso.”

Arfei cansado, minha cabeça começava a doer. Precisava guardar aquela carta e tomar outro banho; também estava morrendo de fome, não havia comido nada decente o dia inteiro e era bom repor minhas energias, já que iria trabalhar na manhã seguinte.

“Tem janta? Estou com fome…”

“Está mudando de assunto?” – ele arqueou uma sobrancelha e pôs uma mão no queixo.

“Não, seu bobo. Estou com muita fome, é sério. Comi só um sanduíche natural quando parei para abastecer o carro.”

“Então vai na cozinha, que tem uma caixa de pizza pela metade te esperando em cima do balcão.”

“Vou tomar um banho antes.” – me encaminhei para o meu quarto, a fim de guardar a carta antes de qualquer coisa.

Assim que entrei no meu cantinho particular, fechei a porta e me direcionei até a escrivaninha. Abri a primeira gaveta, onde sempre deixava todas as cartas sem qualquer desvelo. Retirei aquele bolo de papéis e juntei a carta que havia recebido naquele dia com as outras. As levei em minhas mãos para a cama, colocando-as sobre o colchão.

Fui ao guarda-roupas e, me pondo na ponta dos pés, abri uma das portinhas da parte superior. Por alguns segundos tentei alcançar a caixa que havia ali, mas nem os pulinhos que dei me serviram de algo.

Tive que sair do quarto e buscar por uma cadeira. Retornei rapidamente, levando o objeto que fui buscar comigo. Subi na cadeira e finalmente pude pegar a caixa pesadíssima com bastante dificuldade, a levando para junto da cama comigo, alisando meus dígitos sobre os logogramas chineses que davam a ela uma característica única.

Eu amava saber o que aqueles caracteres significavam…

Tirei um pouco da camada de poeira que havia por cima e puxei a tampa, depositando-a em um canto. As primeiras coisas que avistei foram o cachecol e o pequeno ursinho panda. Aquilo me trouxe as mais belas recordações do início da minha história com Chanyeol.

Acabei afastando o cachecol e o urso para um canto e sorri quando li o título daquele livro.

“Eu e você tivemos uma história de amor tão bonita quanto a do Elio e do Oliver… Mas parece que você está tentando nos dar um final onde podemos ficar juntos, não é? O final que você sabe que eu queria...” – eu cochichava como se estivesse me dirigindo a Chanyeol.

Observava o livro “Me Chame Pelo Seu Nome” com olhares afetuosos. Nunca o guardei na estante junto com os demais livros. Sempre quis deixá-lo juntinho com todos os livros que possuía de “As Crônicas de Gelo e Fogo” – inclusive os que eu mesmo comprei quando foram lançados. Queria garantir que tudo o que me ligava ao grandão estivesse muito bem guardado e preservado. Porque, querendo ou não, eu era apaixonado pela história que tivemos e pelas memórias que criamos juntos, embora não fosse por alguns detalhes.

Peguei cada uma das cartas e as inseri dentro da caixa, daquela vez, fazendo tudo com cuidado e com um certo carinho. Afinal de contas, elas não eram do Ben, do Andrew, ou de qualquer um… Eram dele

Naquela noite, após tomar o meu banho e comer quatro pedaços de pizza, fui me deitar em minha enorme cama para tentar relaxar e dormir. Acabei caindo em um sono profundo, sabendo que meu último pensamento daquele dia fora dedicado a ele.

E sonhei com nossas mãos entrelaçadas uma outra vez.

 

∞∞∞

 

Dois dias após aquele nosso reencontro, recebi outra carta dele. Palavras que me comoveram e que me fizeram chorar um mar de lágrimas – não tanto quanto as da carta anterior. Adrien também chorou, acho que já estávamos bastante sensíveis desde a última.

 

“Baekhyun,

Aquele não foi o reencontro que idealizei nos últimos anos. Foi mais doloroso do que acreditei que estava pronto para suportar. Mas tudo bem, não te culpo por correr de mim daquela maneira, afinal, te fiz um grande mal, não é mesmo?

Por um instante não pude crer que estiveste ali, diante dos meus olhos frios e opacos, não depois de ter sonhado tanto com aquele momento. Você é tão bonito… A tua beleza transcende a perfeição, ela é sobre-humana, me fez desejar tanto te tocar, tocar o teu rosto e as tuas mãos. No entanto, você foi embora sem dizer uma palavra, e eu chorei. Chorei sozinho naquele estacionamento, acreditando que merecia o teu desprezo e a tua fuga.

Me senti um tolo por estar há meses te enviando estas cartas, como se um dia foste me perdoar por ter te causado tamanho sofrimento. Sequer pude dormir naquela noite, recordando das tuas mechas vermelhas e de como estavas lindo naquela blusa duas vezes maior do que o teu tamanho.

Recentemente aprendi a tocar violão. Queria que estivesse aqui, esparramado em minha cama enquanto toco para você. Eu tocaria All of My Life de Park Won, e até mesmo cantaria, se isto te fizesse me querer mais um pouquinho do que queria segundos antes.

Deves estar me achando um idiota por ainda insistir, certo? Porque você seguiu com a sua vida, e tenho absoluta certeza de que está muito melhor sem mim. Mas durante estes dois últimos dias decidi que vou insistir, sim. Te enviarei todas as cartas possíveis, sendo bem direto e objetivo até que me deixes uma embaixo do tapete da tua porta como resposta. Até lá, praticarei todas as músicas de amor que puder, sonhando com o dia em que poderei tocá-las para você.”

 

Guardei aquela carta com ternura, assim como todas as outras que vieram nos 4 meses seguintes. Eram sempre deixadas durante a madrugada, quando estava dormindo – uma vez que eu e Adrien só as encontrávamos pela manhã. Até cheguei a pensar em esperá-lo a noite inteira, só para pegá-lo no pulo, mas nunca tive coragem.

Nas cartas ele já falava diretamente, dizendo-me coisas que fazia em seu dia a dia pensando em mim, como: “esta tarde fui ao shopping comprar algumas roupas e pensei em você quando tocou Lust For Life na primeira loja que entrei”. Contava-me programações que gostaria que fizéssemos juntos, falava sobre as músicas que aprendeu a tocar e até mesmo comentou sobre livros – algo do qual sentia muita saudade.

Chanyeol parecia diferente – não muito –, aparentava mais amadurecimento, e parecia carregar consigo uma enorme bagagem com experiências da vida. E revelo a vocês que eu já havia me esquecido de como sentia-me quando ele falava sobre assuntos filosóficos, porém, aquelas cartas me trouxeram todas as sensações novamente. Cada palavra lida era como um déjà vu de nossos momentos e, às vezes, eu as lia ouvindo a voz dele ditar cada parágrafo em minha mente.

E o que eu acreditei que nunca mais sentiria estava renascendo em mim a cada carta de amor recebida… O desejo de tê-lo em minha vida.

Vejam bem o resultado das investidas de Chanyeol por intermédio de suas lindas palavras. Eu sentia como se estivesse me apaixonando pela primeira vez. Buscava das mãos de Adrien todas as cartas que aquele enxerido encontrava pela manhã – já que acordava primeiro do que eu –, e retornava para o quarto fingindo indiferença. Mas bastava fechar a porta atrás de mim para correr feito um bobinho apaixonado até minha cama, sorrindo com a expectativa das palavras maravilhosas que ali havia.

Ele estava me conquistando pouco a pouco, mesmo que eu não quisesse admitir a mim mesmo ou ao Adrien. Pelos céus, eu havia passado aqueles últimos 10 anos me convencendo de que havia superado-o. Que grande engano aquele meu. Chanyeol sempre conseguia o que queria e, naquele caso, ele estava resgatando o que já tinha e que não sabia…

O meu amor.

 

Acordei bem disposto naquela manhã de uma sexta-feira do mês de setembro. Ainda estava me espreguiçando sobre a cama quando ouvi batidas em minha porta e a voz de Adrien soar do outro lado.

“Levanta logo, ou vai acabar me atrasando!” – nem fiz muita questão do seu alerta – “E você recebeu outra carta, só que com umas letras bem esquisitinhas. Estou muito puto, porque não sei o que a carta diz!”

Quando ele silabou as últimas palavras, levantei-me do leito com um pulo veloz. Não demorei nem 5 segundos para abrir a porta, e lá estava o canadense todo arrumado e cheiroso para ir trabalhar, com uma cara bem emburrada, enquanto eu estava descabelado e usando apenas meias brancas, um casaco moletom preto e boxer branca.

“Você me prometeu uma carona hoje. Esqueceu que meu carro só sai do conserto depois do almoço? Não vou de metrô de jeito nenhum.” – ele falava balançando o papel de frente ao próprio rosto como se fosse um leque, sendo que aquela era uma típica manhã fria de outono.

“Já vou me arrumar. Agora me deixa ver essa carta logo.” – peguei a carta da mão dele.

Estava toda escrita em hangeul, e acabei lendo-a em voz alta. Adrien me encarava completamente perdido, sem compreender o que eu falava.
 

“Querido Baekhyun,

Há quase um ano comecei a te deixar estas cartas e, talvez, elas já tenham te enfadado, ou talvez nem ao menos faça questão de lê-las depois de saber que são minhas. Mas é que eu realmente precisava contatá-lo de alguma forma, porque eu estava em meu limite de saudade. E por meio desta venho lhe confessar o meu amor e dizer que não suporto mais a tua falta de resposta.

Eu te amo, mesmo sabendo que há grandes chances de que tu não me ames mais. Eu tenho te amado todos esses anos afastado de ti. Eu te amo, mesmo sabendo que fui o grande causador dessa mágoa que carregas. Eu te amo, sabendo que destruí os teus sonhos adolescentes de um futuro comigo. Eu te amo, porque ao teu lado eu aprendi o verdadeiro significado do amor. Eu te amo, mesmo sentindo a dor de saber que poderia ter te feito feliz, e não fiz. Eu te amo, pois sei que foste o único que viu em mim quem eu realmente era por detrás daquela máscara de frigidez.

Sabes bem que sempre fui uma pessoa cética, mas ultimamente tenho me apegado a lenda de Akai Ito, o Fio Vermelho do Destino. A lenda diz que quando uma pessoa nasce os deuses amarram um fio vermelho (invisível para os humanos) nos tornozelos das pessoas que estão destinadas a passar o resto de suas vidas juntas, não importando a situação. Me agarro com todas as forças da minha alma a esta lenda chinesa, em meu visível desespero e anseio de que nossos espíritos estejam ligados por este fio eterno.

Enquanto houver fôlego em mim te amarei. Continuarei te amando, mesmo com a tua rejeição. Continuo te amando, mesmo não suportando mais este teu silêncio. Sempre te amarei, porque você é minha outra ponta do fio vermelho.

Irei te amar eternamente, meu amor.”

 

Terminei de ler a carta em voz alta e sei que um sorriso se alargou em meus lábios. Encostei a carta em meu peito e prendi o ar, segurando o choro de emoção.

“Okay, essa língua é muito bonitinha. Mas agora traduza, pelo amor de deus.”

“Adrien, ele disse que me ama, e disse muitas vezes!” – contei a ele, todo empolgado.

Meu amigo sorriu ao me ver animado daquela forma, como já fazia tempos que não ficava. Então, minha consciência me alertou, como se estivesse gritando em meus ouvidos para não mergulhar de cabeça naqueles sentimentos, exatamente da forma que fiz quando era bem mais novo. Desfiz o sorriso dos lábios, abaixei a carta e pigarreei.

“Vou guardar a carta e me arrumar rapidinho pra gente ir. Te deixo no seu trabalho e já sigo direto para o meu.”

Durante todo aquele dia pensei nas palavras de Chanyeol, pensei em sua agonia e desespero. Nunca respondia suas cartas, porque simplesmente não sentia-me pronto para dar qualquer resposta a ele, sendo positiva ou negativa. Tudo ainda era confuso e incerto para mim. Custava a pôr em ordem meus pensamentos cada vez que lia as palavras escritas por ele, que dirá ter estruturas para respondê-lo.

O sofrimento de sua espera por uma resposta minha estava claro para mim. E não vou mentir, também estava fazendo de propósito, em uma atitude de fazer pouco caso para que soubesse que não seria nada fácil me reconquistar.

No final do meu expediente recebi uma mensagem de texto de Adrien, me dizendo para não fazer joguinhos, caso fosse o que eu estava fazendo ao nunca responder Chanyeol. Segundo ele, amor é coisa séria demais para ficar fazendo brincadeiras de enrolação. Ou você quer, ou você não quer, estas foram as palavras dele.

“Os que fazem joguinhos no amor, sempre são aqueles que ficam sozinhos no final.”

Foi uma das inúmeras coisas sobre o amor que Adrien me falou naquela mensagem enorme. Até mesmo ele já havia cansado de toda aquela enrolação da minha parte. E ele tinha razão, era hora de dar minha resposta ao Park.

Cheguei em casa convicto de que escreveria uma curta e direta carta a Chanyeol, explicando o porquê de rejeitar suas confissões de amor, e o porquê da minha decisão de não o querer mais em minha vida. Eu havia feito minha escolha após refletir muito nos prós e contras de dar mais uma chance a ele, e os contras pesaram muito mais na balança.

Atravessei a sala de estar, onde os móveis nunca eram trocados de lugar. Cheguei à cozinha, tirei minha bolsa carteira marrom do ombro e me sentei na mesinha de vidro com dois lugares, que havia em um canto perto da janela. Da bolsa tirei uma caneta esferográfica preta e uma pasta com folhas A4. Estava pronto para acabar com qualquer esperança que Chanyeol tinha de um dia me ter de volta.

Ajeitei a caneta entre meus dedos e escrevi o nome dele em hangeul. Após isto, não consegui colocar mais nada no papel, apenas travei, tentando controlar meus batimentos cardíacos que aceleraram sem qualquer explicação. Espremi as pálpebras com força e crispei os lábios. Minha consciência e coração travavam uma árdua batalha naquele momento.

E no final, eu sempre sabia quem sairia perdendo.

“Porra!”

Nem me questionem o porquê do palavrão, só sei que foi após ele que comecei a escrever para valer.

 

“Chanyeol,

Li e guardei todas as cartas que escreveu a mim com carinho. Passei a prestar atenção nas palavras de cada uma só após descobrir que eras o remetente delas. Não espere palavras pomposas da minha parte, porque eu nunca fui bom nisso como você é.

Você me pediu uma resposta e, agora, me sinto pronto para dar-te. Tivemos uma história de amor marcante para ambos os lados, e ainda me recordo dos erros que não foram somente teus, já que também tiveram os meus. Não quero reviver aquela história, Chanyeol, porque ela foi bastante marcada por dor.

Por meio desta carta estou lhe informando que pode haver uma chance de tentarmos nos encontrar pessoalmente para uma conversa sobre nós e essa possível nova história que você vem buscando – espero eu que bem diferente da que tivemos anteriormente. E quando digo bem diferente, estou dizendo que não quero mais nada oculto. E a minha condição para seguirmos com isto adiante, é de que conte-me todos os seus segredos. Explique-me os motivos de suas mentiras e de tudo que me escondeu em nossa relação. Exijo toda e somente a verdade, desde de uma explicação de como conseguiu essa cicatriz no rosto, até os motivos que o levaram a namorar uma garota quando, na verdade, era a mim que você amava.

Aguardarei sua resposta negativa ou positiva às minhas imposições. Estas são as condições para que possamos tentar um encontro pessoalmente, sem fugas.”

 

Aquelas foram as palavras que escrevi a ele, sabendo que em alguma madrugada apareceria para deixar uma carta a mim e encontraria a que deixei debaixo do tapete que havia do lado de fora do apartamento. E isso aconteceu dois dias depois, quando recebi uma carta e a minha já não estava mais no lugar onde a coloquei.

Aguardaria pacientemente – nem tão paciente assim – por sua resposta, que com certeza não tardaria.

Triste engano meu, que esperei semanas por uma carta que nunca chegou. Na primeira semana sem qualquer notícia, estranhei. Na segunda semana, ainda tinha esperança de que a resposta chegaria. Na terceira semana me sentia ridículo por acreditar que Chanyeol aceitaria me contar seus segredos. Na quarta semana desejei nunca ter dado a ele qualquer resposta, e foi nessa semana que chorei de raiva e frustração. Quis pegar todas as cartas que guardei e jogá-las na lareira da sala, mas nunca tive coragem, assim como nunca me desfiz dos presentes que ele me deu quando éramos adolescentes.

Já havia aceitado o fato de que Chanyeol não mudaria nunca e continuaria a ser o grande babaca que sempre havia sido. Não culpei a ele em momento algum, o único e exclusivo culpado era eu, por ter acreditado que poderia ser diferente daquela vez, quando já tinha provas o suficiente de que não daria certo.

Ali, jogado em meu sofá ao lado da lareira, tomando um copo de whisky bourbon eu tentava me animar para o final de semana que havia chegado. Todavia, o clima não estava contribuindo nem um pouco, já que uma forte tempestade caía naquele momento e o mundo parecia desabar a cada raio e trovoada.

Era uma sexta-feira à noite, e eu encarava o meu copo pensando no que faria para me divertir nos próximos dois dias. Adrien já tinha seus próprios planos e eu precisava fazer os meus.

E falando no loiro de olhos azuis, ele estava bem produzido, mesmo usando roupas para uma noite tão gélida como aquela. Estava sempre muito bonito e tinha aquele rostinho marcante de traços muitos femininos, não muito diferente de mim, só que no caso dele, eles eram bem mais marcados.

“Não queria te deixar bebendo sozinho.” – ele comentou enquanto ajeitava os cabelos, se olhando no espelho que fazia conjunto com o aparador rústico da sala.

“Quer ficar bêbado comigo de novo? Lembra como terminou da última vez?” – brinquei com ele, vendo-o corar e soltar algumas risadinhas baixas.

Alguns meses após o meu término com Ben, eu e Adrien decidimos fazer uma noite de diversão só nossa. Bom, dá para imaginar como tudo terminou, não é? Eu, ele e duas garrafas de vinho, igual a nós, uma cama e sexo. Acabamos por ficar um mês agindo de forma estranha e evitativa um com o outro, uma vez que aquele tipo de coisa era algo que nunca esperávamos que acontecesse entre nós – e que nunca mais tornou a se repetir.

“Infelizmente não dá pra esquecer.” – me encarava todo envergonhado.

“Nossa, eu fui tão ruim assim?”

“Não estou falando nesse sentido, Baekkie! Estou falando no sentido de ser uma recordação embaraçosa e, ai meu deus, não quero falar disso!” – virou de costas e voltou a arrumar os fios desalinhados de seus cabelos.

“Muita coragem sua de sair em um encontro debaixo desse temporal.” – comentei para mudar de assunto.

“A chuva já está diminuindo e ele vem me buscar de carro, então não vejo problema.” – deu de ombros.

“Até domingo eu também vou arranjar alguém pra foder comigo a noite toda.”

Adrien tornou a me fitar de frente.

“Isso não é do seu feitio.”

“Tem razão, é do seu. Mas acho que se eu fosse mais assim e menos como eu realmente sou, talvez não tivesse sido tão idiota de acreditar que dava para tentar algo com o Chanyeol outra vez.” – confessei meu desgosto, tomando um grande gole do bourbon.

Meu amigo me olhou esmorecido, foi até mim e se sentou ao meu lado.

“É realmente uma pena que ele não tenha te respondido. Eu estava muito empolgado por você, por causa daquelas cartas, mas estou bem frustrado agora…”

“Não fique frustrado, agora é bola pra frente. Eu deveria ter seguido minha consciência, até parece que Chanyeol Park me contaria seus segredos. Ele me fez regredir ao imbecil que eu era com 16 anos.”

“Baekkie, para de se ofender, olha pra você. Tenho muito orgulho de quem você foi, de quem você é e de quem, com certeza, ainda se tornará. E não vai ser nenhum homem idiota que surgir ou ressurgir pelo caminho que vai tirar sua essência.” – me deu um beijo estalado na bochecha – “Vamos fazer algo juntos no domingo, okay? Algo que não envolva sexo...”

Assenti e abri um sorriso em sua direção. O celular dele vibrou em cima do aparador e ele correu para alcançá-lo.

“Ele chegou! Meu deus, eu estou bonito??” – perguntou-me com euforia.

“É claro que está!”

Ele sorriu e pegou o guarda-chuvas pendurado no porta casacos de parede, se despediu e saiu. Fitei a porta por alguns segundos e voltei a bebericar da bebida em meu copo. Não me lembro ao certo, mas acho que fiquei sentado naquele sofá por mais de uma hora, até ouvir a chuva se intensificar outra vez.

Olhei as horas no relógio de parede, e já não era tão cedo. Resolvi me recolher para o quarto e ficar debaixo do meu cobertor quentinho até adormecer.

Deixei o copo vazio ali mesmo pela sala e quando dei o primeiro passo em direção ao quarto, ouvi batidas frenéticas na porta. Assustei-me com aquilo, mas segui até lá. Verifiquei quem era através do olho mágico e não pude acreditar no que vi.

Chanyeol estava em minha porta, completamente encharcado e tremendo de frio.

“Baekhyun, por favor abre a porta?” – pediu em coreano.

Dei dois passos para trás, totalmente descrente de que ele estava mesmo ali.

“Não vou abrir! Vai embora, seu idiota!” – gritei, não sabendo exatamente como proceder naquele momento. Mas a última coisa que pensava era em abrir a porta.

“Eu vim te dar a resposta… Por favor, abre?”

“Eu não quero mais! Vai embora, pelo amor de deus!” – implorava internamente para que ele desaparecesse de uma vez.

“Eu vou te contar tudo que quiser saber…” – sua voz saiu trêmula.

“Pensa que acredito em você?? Você só mente, esconde as coisas e me engana! Estou cansado disso! Acha mesmo que pode voltar, me encher de cartas com belas palavras e depois sumir como se nada tivesse acontecido? Cansei de você e já cansei faz 10 anos, seu desgraçado!”

O silêncio foi tudo o que ouvi nos primeiros 30 segundos, até os soluços de um choro cortá-lo. Fiquei estático por alguns minutos, ouvindo aquele pranto contido do outro lado da porta. Meus orbes se encheram de água e me angustiei por ele.

Deus do céu, ouvi-lo chorar era demais para suportar! Então acabei por abrir a porta e o encontrei sentado no chão abraçando as próprias pernas, tendo a testa encostada nos joelhos. Seus cabelos castanhos pingavam de tão molhados, e igualmente suas roupas.

Enxuguei a lágrima que escapou pelo canto do meu olho e o chamei.

“Chanyeol, vem… Está frio aqui fora...”

Ele permaneceu na mesma posição. Acho que estava envergonhado por chorar daquela forma na minha frente. Fui até ele e me agachei. Por um instante hesitei em tocá-lo, mas acabei pondo a mão sobre o ombro dele.

Tocar em seu corpo me causou choques de arrepios pelo corpo inteiro.

“Eu sinto muito. Eu sinto muito. Eu sinto muito…” – ele repetia ainda chorando.

“Levanta, vamos entrar e conversar.”

Ele ergueu a face, seus olhos ainda jorravam lágrimas com abundância e estavam absurdamente vermelhos, assim como o nariz. Me levantei e segui para dentro do apartamento, esperando que ele fizesse o mesmo. E assim ele fez, entrando tímido e fungando por conta do choro recente.

Fechei a porta e o encarei perdido, sem saber o que fazer.

Chanyeol estava dentro da minha casa…

E ele definitivamente estava mudado, não só fisicamente, como acreditei. Aquele choro me provou muitas coisas.

“Me desculpe…” – ele pediu ao notar que havia molhado o chão do apartamento. Então retirou os tênis e as meias encharcadas.

“Pelo que exatamente?”

“Por sujar o seu chão e por ter sumido esse último mês.” – ele falou, e eu não tinha coragem de encará-lo no rosto, então mantinha o olhar em meus pés calçados em meias.

O clima não estava dos melhores, e não estou me referindo à chuva forte que caía do lado de fora. Me refiro a nós dois e aquela aura pesada ao nosso redor, nos deixando em um completo silêncio constrangedor por bons minutos.

“Baekhyun, sei que está com raiva, mas eu não resido aqui em Montreal. Moro em Toronto, porque é a sede do time para o qual jogo. Estou de férias agora, porém fico sempre a disposição de qualquer chamado, e foi o que aconteceu. Tive que retornar para lá com urgência, porque daqui um mês a temporada regular se inicia. Não deu para voltar antes e assim que cheguei hoje vim direto pra cá…”

Daquela vez o encarei, pois queria lê-lo em suas expressões para ter certeza de que não estava mentindo, e em seus olhos eu enxerguei verdade.

Se aproximou de mim e eu me tremi por inteiro. Pude ver bem os seus lábios pálidos por conta do frio, e mesmo assim os achei muito atrativos, ao ponto de desejar beijá-los. Mas virei o rosto e encarei a parede onde ficava a lareira.

“Fica perto da lareira que eu já volto.” – ditei, após me tocar de que ele deveria estar morrendo de frio.

Fui até o quarto e busquei por roupas confortáveis e limpas, além de uma toalha, retornando para junto dele logo em seguida.

“É melhor se secar e trocar de roupa.” – entreguei as coisas em suas mãos.

Apontei aonde ficava o banheiro, o segui com os olhos até vê-lo entrar no compartimento e esperei que ele saísse de lá trocado. A porta se abriu e a blusa de frio havia ficado ótima em Chanyeol, o que eu não podia dizer da calça moletom que ficou curta.

Ele caminhou descalço até mim. Apontei o sofá para que se sentasse e assim que ele se acomodou em uma ponta, me sentei no outro extremo, o mais distante possível.

“O seu amigo não está?” – perguntou após um tempo.

“Não.”

Silêncio outra vez.

“Se eu tivesse respondido imediatamente, dizendo que contaria tudo, você teria me dado uma chance?”

“Não sei.” – respondi seco.

“Bae…”

“Não me chama assim, e para de enrolar, por favor. Apenas diga o que tem a dizer de uma vez.” – falei rude, encarando minhas mãos unidas sobre meu colo.

O ouvi suspirar triste.

“Você acha que é simples falar sobre algo que evito até pensar?”

“Acho. Acho que é simples sim, você só tem que abrir a boca e começar a falar.”

“Meu deus, Baekhyun! Esses segredos não são só meus! São referentes a algo que você provavelmente não faz a mínima ideia!” – ele ditou afobado.

Me levantei do sofá com um movimento brusco e o encarei com raiva, apontando o dedo em sua cara.

“Então por que ainda insiste nessa porra?! Por que não deixou tudo exatamente como estava?! Eu estava muito bem antes de você aparecer, Chanyeol! Eu sou feliz se você quer saber, sou muito feliz sem você!”

“Eu sei que é… Mas eu não sou sem você…” – ele sussurrou, levantando-se acanhado.

Fixei meus orbes em seu rosto, ele parecia querer chorar. Suas íris escuras brilhavam úmidas e ele mordia o lábio inferior em um ato de nervosismo. Chanyeol parecia alguém bem mais sentimental do que em nossa época de colégio.

Aquilo era resultado da minha ausência em sua vida?

“Apenas diga de uma vez, por favor…” – àquela altura até eu já segurava o choro.

“Direi, mas não aqui. Quero que venha comigo à um lugar e lá eu te conto tudo.”

Soprei uma risada forçada.

“Eu não vou cair nessa sua enrolação. Você nunca quis me contar antes, por que diria agora?”

Então, com um movimento abrupto, Chanyeol juntou nossos corpos, segurando os lados do meu rosto com ambas as mãos. Olhava-me em minhas íris da maneira mais intensa e com afinco.

“Eu te perdi uma vez por causa dessa merda, e não vou cometer o mesmo erro hoje! Você exigiu que eu te revelasse todos os meus segredos, e eu estou dando a minha palavra de que é isso que vou fazer se vier comigo agora.”

Naquele momento não contive as lágrimas, assim como ele também não. Mirava-o tendo os olhos embaçados, enquanto ele ainda segurava meu rosto com delicadeza.

“Eu quero acreditar em você, e ao mesmo tempo não quero, porque tenho medo. Não quero sofrer como há 10 anos…”

Chanyeol enxugava minhas bochechas com seus polegares, sem se importar com o fato de que chorava bem mais do que eu.

“Lembra que uma das últimas coisas que eu disse a você, foi que ainda não podia tomar minhas próprias decisões?” – concordei com um aceno – “Hoje a minha vida é muito diferente do que a que o meu pai havia planejado para mim, e sou eu quem tomo minhas próprias decisões. Aquele adolescente idiota que eu era ficou para trás… Me deixa provar a você que ainda posso te fazer feliz?”

Vi quando ele aproximou seu rosto do meu e senti sua respiração quente bater contra meu rosto, assim como senti o cheirinho de hortelã impregnar meus sentidos.

Sorri entre o choro.

“Você ainda come essas balinhas…” – cochichei a ele.

Ele também riu e em momento algum tirou suas mãos da minha face.

“Assim como ainda te amo…” – encostou sua testa na minha e o clarão de um raio reverberou pelo céu; em seguida ouvimos o trovão – “Me dá mais uma chance de te fazer feliz, Baekkie?”

Uma de suas mãos desceu e segurou uma semelhante minha, enquanto a outra afagava minha bochecha.

Eu arfava pesadamente, querendo gritar o quanto também o amava e o quanto queria me entregar a ele naquele momento, mas me contive. Sentia meu peito se aquecer tanto por suas carícias em meu rosto, quanto por seu olhar cheio de amabilidade. Chanyeol nem ao menos precisava dizer o quanto me desejava, porque aqueles seus orbes me diziam tudo e mais um pouco.

Desci o olhar e fiquei mudo. Não sabia o que dizer, pois havia um conflito interno de respostas dentro de mim.

“Olha pra mim.” – levantei meus olhos, temendo ceder a ele quando o fitasse – “Se rende a mim, vai… Diz que ainda me quer…”

Chanyeol beijou a ponta do meu nariz e nesse momento me afastei dele.

“Aonde vai me levar?” – indaguei, encarando a parede cinza claro ao meu lado.

Ele sorriu com uma certa satisfação, afinal, se perguntei aonde íamos, é porque tinha interesse em ir.

“Isso você verá só quando chegarmos lá.”

Fechei os olhos por 10 segundos.

“Está bem, vamos antes que eu me arrependa.”

Chanyeol foi ao banheiro buscar por suas roupas molhadas e nesse meio tempo segui até a janela grande da sala, observando a chuva intensa que descia sobre Montreal. As gotas deslizavam na vidraça com rapidez e eu me questionava o que ainda estava por vir em minha vida. Havia medo em minhas íris, o medo de me entregar a Chanyeol novamente e acabar bem mais ferido do que da última vez.

Meu subconsciente alertava-me de um perigo iminente.

Ele voltou a sala e eu fui ao meu quarto pegar meu celular, dois casacos e um guarda-chuvas.

Entreguei-lhe um dos casacos e calçamos nossos tênis que estavam perto da porta. Saímos, tranquei a porta e caminhei pelo corredor, logo atrás dele, observando seus ombros largos.

Por deus, eu estava cedendo a ele! Aliás, já havia cedido.

“Você está de carro?” – perguntei.

Chanyeol parou de andar quando chegou no topo da escadaria.

“Estou.”

Permaneceu parado.

“Não vai descer?”

Se voltou para mim, largou as roupas molhadas no chão e subitamente me prensou contra uma das paredes, tomando meus lábios com os seus, me fazendo soltar o guarda-chuvas. As duas mãos seguravam meu rosto com força, enquanto sua língua quente adentrava minha boca. Nem sequer lutei contra aquele beijo afoito e cheio de aflição que se iniciou em meio a raios e trovões. Se ele não estivesse me segurando com firmeza, tenho certeza de que teria desabado naquele chão, já que minha pernas fraquejaram. E quando dei por mim já estava enroscando minha língua na semelhante dele, puxando-o pela cintura para mais junto de mim. Meu coração bombeava sangue com pressa, dançando a valsa dos apaixonados em minha caixa torácica. Tinha certeza de que aquele beijo se assemelhava ao nosso primeiro, quando sentimos nossos gostos pela primeira vez.

Aquele beijo tinha gosto de amor...

Quando me dei conta o abracei, alisando minhas palmas em suas costas longas, sentindo não somente algumas lágrimas vertendo em meus orbes cerrados, como também a doçura daquele carinhos que deixava em minha bochecha como se quisesse tranquilizar meu coração.

Desprendemos as bocas e nos observamos ofegantes. Em seu rosto também havia lágrimas e ele sorriu para mim como um garotinho que acabara de ganhar o presente de Natal que tanto pediu.

“Eu te amo muito mais do que te amava quando nos despedimos há 10 anos.” – ele beijou meus olhos, dando continuidade às carícias em minha bochecha. Eu ainda chorava silenciosamente, abraçado a ele.

“Droga, C-Chanyeol… Eu não sa-sabia q-que ainda te amava t-tanto assim.”

Eu mesmo fiz questão de iniciar o ósculo daquela vez, me deixando entregue em suas mãos grandes que me seguravam como se não quisessem me soltar nunca mais. Em minha mente a mesma frase se repetia, dizendo que o desejava como nunca desejei outro alguém. Meus dedos tremiam segurando com força meu casaco que ele vestia. Escorreguei uma mão até alcançar os fios ainda úmidos dos cabelos de sua nuca, sua língua deslizava contra a minha, explorando cada canto da minha boca, assim como eu fazia na dele. Meu coração estava disparado em meu peito como em todas as vezes que estive em seus braços. Suspiros de ambos escapavam por entre o ósculo repleto de saudade, e eu não queria que aquele contato encontrasse seu fim nunca. Chanyeol me envolveu em um enlace, descansando suas mãos na parte baixa de minhas costas.

E eu realmente havia sido sincero quando disse que não fazia ideia de que ainda o amava com aquela magnitude. Nosso amor se perdeu no tempo dentro de nós mesmos e das recordações da história que um dia vivemos. Mas, após uma longa peregrinação, ele retornou com ímpeto. Voltou para nos unir uma vez mais, porque nosso amor era, de certa forma, como a lenda de Akai Ito. Os laços que nos uniam iam muito além de alianças físicas que se colocam em dedos.

Um trovão soou estrondoso, acabando por nos afastar por causa do grande susto. Chanyeol me encarou com profundidade e eu enxerguei em suas íris o peso sombrio daquilo que tinha para me revelar.

“Está pronto para descobrir os meus segredos, Baekkie?”

Assenti, pois acreditava que estava.

“Então vamos.” – recolheu as roupas do chão e as segurou com uma mão, enquanto a outra se esticou para mim.

Meus orbes se fixaram em sua mão estendida para que eu a segurasse. Hesitei em me mover, porque temi o que pudesse explicar todos os erros cometidos por Chanyeol no passado.

Ao que tudo indicava, o que antes impedia-o de ser inteiramente meu parecia não existir mais, ou não ter mais efeito algum sobre suas ações e decisões.

Por fim peguei o guarda-chuvas e entrelacei meus dedos nos dele, passando a descer as escadas ao seu lado.

Chanyeol finalmente me revelaria seus segredos mais ocultos, aqueles que sempre se negou a me contar.


 

“Ele era meu canal secreto para mim mesmo… Como um catalisador que permite que nos tornemos quem somos, o corpo estranho, o condutor, o enxerto, o curativo que desencadeia os impulsos certos, o pino de aço que mantém o osso de um soldado no lugar, o coração de outro homem que faz com que sejamos mais nós mesmos do que éramos antes do transplante.”

– Me Chame Pelo Seu Nome


Notas Finais


O capítulo veio com um final que acredito que vocês não esperavam dkfglkfk
Já imaginam o que teremos no próximo capítulo, certo? Revelações...
Calma que a fanfic não está terminando, temos muita coisa pra vivenciar com esses dois. Eu pensei sim em fazer uns dois capítulos só com o Chanyeol correndo atrás do Baekhyun e o Baek fazendo a egípcia, mas isso não é a minha cara. Talvez vocês esperassem que o Chan tivesse uma puta dificuldade de reconquistar o Baekhyun... E também não é como se o Baek fosse a pessoa mais fácil desse mundo, okay? Espero que consigam compreender que nada mudou em relação aos sentimentos deles, muito pelo contrário, os dois ainda se amam muito. O Chanyeol sofreu igual um condenado amando o Baekhyun, que viveu a sua vida normalmente, se apaixonando e sendo feliz. Cada um tem sua forma de lidar com perdas e separações. O meu foco para os próximos capítulos é outro, então não haverá "enrolações".

Acredito que falei demais :s

Fiquei devendo resposta a uns 3 ou 4 comentários, e não se preocupem, porque responderei. É que estava meio ansiosa pra atualizar logo, hehe...
Agora vou dormir, porque tenho que ir à faculdade já já ksfkdgjkgk. Beijinhos ;*


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