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História Secret Passions (Stray Kids) - Capítulo 15


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Capítulo 15 - D o z e


"O dia em que eu te conheci, você me disse que nunca iria se apaixonar.
Agora que eu te entendo, eu sei que era medo na verdade.
Agora estamos aqui, tão perto, contudo tão longe, não passei no teste?
Quando você perceberá, amor, eu não sou como o resto."

Demi Lovato – Give Your Heart a Break

HANA

Eu quero poder dizer que contar sobre a possibilidade de estar grávida não mudou nada em minha relação com Hyunjin e Cassie, mas a verdade é que eu estaria mentindo se fizesse isso. Enquanto meu melhor amigo parece mais preocupado e próximo de mim, me mimando o dia inteiro com sua companhia e piadas, Cass parece ter descoberto algo tão terrível sobre mim que durante o dia inteiro me ignora, mesmo quando tento manter contato.

Apesar disso, no fundo acredito que deve ter algo por trás de toda essa atitude. Sempre juramos apoiar uma a outra em qualquer situação, então não faz sentido ela me julgar desse jeito, a menos que haja um motivo que desconheço.

E eu dou tudo para saber o que é.

Por outro lado, Cassie não é a única me deixando confusa ou agindo estranho. Desde que voltou com a cerveja, Changbin se mantém distante e sempre que eu o pego me olhando, ele desvia o olhar, como se tivesse medo do que um de nós possa encontrar se nos encararmos.

Obviamente eu estou martelando isso na mente desde que ele voltou, mas não falo nada. Continuo na minha, conversando com Hyunjin e evitando puxar assunto com Changbin até que ele o faça. O que só acontece quando já está começando a anoitecer e ficamos sozinhos, porque meu melhor amigo está no banho.

— Oi. — o respondo, focando no que o ator do filme que estamos assistindo diz, como se essa fosse a coisa mais importante do mundo.

— Você já sabe onde fica a clinica que é para eu te levar amanhã? — ele pergunta e me ajeito no sofá, abraçando a almofada que está apoiada na minha perna.

— Não, eu vou ver depois com Naomi. Ela quem sabe.

Changbin suspira e sinto seu olhar fixo em mim, mas não me movo, encarando a tela da televisão como se minha vida dependesse disso.

— Você não está nem um pouco interessada nisso, não é? — questiona e pelo seu tom de voz diria até que está decepcionado. O que, não nego, eu também estou. Não é desse jeito que eu imaginava que me sentiria quando surgisse a possibilidade de ser mãe.

— Eu vou fazer isso o teste. Isso não é o bastante para você?

— Isso é o mínimo que você tem que fazer, Hana. Temos que saber a verdade e todos dizem que o exame de sangue é mais confiável.

— Todos dizem também que se deve usar camisinha. Mas me diga, Seo Changbin, você a usa sempre? — revido, virando para ele, que engole em seco.

— É diferente. Se eu não usar a camisinha, existem outros métodos de prevenir uma gravidez. Mas se você não fizer o exame de sangue, só vai restar o teste de farmácia e nem você confia nele. — retruca, pegando o controle na mesa e desligando a televisão.

— Ah é, Changbin? E as doenças? Esses seus outros métodos as previnem? Ou você acha que toda mulher que você transa está segura de ter uma doença? — o questiono, irritada.

Será que ainda posso culpar a TPM para não ter que confessar que isso é efeito de estar sendo ignorada há horas? Além, é claro, de todo o estresse com tudo o que vem acontecendo.

— Não muda de assunto, Hana. Eu quero saber de tudo isso, porque independente do resultado, eu quero estar com você nessa.

— E você vai estar, só não precisa ser só quando achar conveniente. — afirmo e coloco a almofada que estava no meu colo de volta no lugar, pronta para sair dali.

— Onde você vai?

— Para o seu quarto. — respondo e dou a volta no sofá, mas paro antes de alcançar o corredor e me viro para ele. — Preciso te explicar como se faz isso? — pergunto e diferente do que espero, Changbin permanece calado e liga novamente a tevê.

Bufo e vou para o quarto, batendo a porta assim que entro.

Se fosse em outra situação, eu iria embora direto para casa, sem nem olhar para trás. Mas como fiz uma promessa a Changbin de que dormiria aqui para ir com ele ao posto amanhã, vou cumprir com isso, mas me escondendo no quarto dele o máximo possível. É onde vou dormir mesmo, ele que fique na sala até de manhã.

Me jogo na cama e puxo um dos travesseiros para abraçar, as lembranças do que meus pais tanto queriam que eu fizesse, mas não dei ouvidos, voltando a mente.

Se eu tivesse optado pelo intercâmbio, quem sabe eu não só já teria desencanado de Hyunjin, como estaria agora namorando um londrino ou um australiano. Pelo menos eu estaria feliz e gravidez seria só um plano para o futuro, como deveria ser.

***

Eu não sei que horas são e nem me importo em saber, tudo o que eu quero é xingar e socar a cara do filho da mãe que bate na porta bem quando eu estava dormindo.

Do lado de fora já está escuro e cada parte do meu corpo deseja virar para o lado e voltar a dormir, mas não param de bater, como se a vida de alguém dependesse de ser atendido.

— Já vai. — resmungo e me levanto da cama, abrindo a porta.

— Eu só vim pegar meu travesseiro e edredom. — Changbin murmura, mesmo que eu não o tenha pergunta e antes que eu tenha chance de fechar a porta na cara dele, ele invade rápido o quarto em direção ao guarda-roupa.

Bufo e volto para a cama, deitando de costas para ele. Não consigo ver o que está acontecendo, mas sinto quando um edredom é colocado ao meu lado e ouço quando instantes depois a porta do armário é fechada. Changbin se aproxima e puxa um dos travesseiros, me fazendo ter de levantar a cabeça para que ele consiga pegá-lo.

Antes de ir, ele resmunga um "boa noite", a qual ignoro e fecho os olhos, disposta a deixar claro minha decisão. Changbin parece entender, porque logo ouço a porta sendo fechada.

Solto um suspiro e abro os olhos, encarando a parede à minha frente e repassando tudo o que estou sentindo o dia inteiro, como se isso pudesse me ajudar de alguma forma. Antes, porém, que eu consiga pensar em algo mais, ouço a porta sendo aberta novamente e fecho os olhos apressada, sentindo dificuldade de me acostumar com a luz que Changbin acende.

— Hana, me desculpa por mais cedo. — ele pede e abro os olhos lentamente, bem a tempo de vê-lo se sentar de frente para mim. — Eu não queria discutir de novo com você. É só que isso também é muito difícil para mim. Eu não esperava ser pai assim tão cedo, mas se eu for, quero ser o melhor possível.

— Eu sei disso. — digo e me sento da cama, prendendo o cabelo em um coque para ganhar tempo e ponderar bem minhas próprias palavras.

Sei que preciso me desculpar e mais ainda sobre o quê, mas é difícil. Admitir estar errada justo para Changbin, acende em mim uma chama de algo que mal consigo cogitar ser real, mas que parece cada vez mais vivo quando estamos juntos e me lembra do quanto estou errada em tantas outras coisas.

— Assim como sei que independente de ser agora ou depois, você vai ser um grande pai, Changbin. — continuo e suspiro. — Eu não deveria ter falado com você daquela maneira. Nem hoje, nem quando insinuei que você poderia fazer o mesmo com outras mulheres. Isso foi errado de várias maneiras, eu só... Eu fiquei nervosa e acabei exagerando. Me desculpa. — o peço, optando por omitir o que me deixou nervosa.

— Você entende o porquê perguntei aquilo, não é? Sobre estar interessada nisso. — explica e assinto. — Eu só quero ter a certeza de que você está nessa tanto quanto eu, porque é muito responsabilidade para assumirmos. Precisamos estar unidos.

— Eu sei e entendo, Changbin. — respondo e toco a mão dele que está apoiada na cama. — Eu estou nessa tanto quanto você. Acredite. Mas tem ainda tem coisas que não fazem sentido na minha cabeça e não consigo parar de tentar entender.

— Tipo...? — ele me incentiva a falar, mas nego com a cabeça.

— Nós podemos falar disso amanhã? Eu estou com muito sono. — escolho como desculpa, aproveitando que não é uma total mentira.

Eu estou com sono, mas o que me faz querer adiar ao máximo essa conversa é a covardia em dizer que sinto a falta dele perto de mim e que no fundo, dentre todas as coisas que acredito sentir, paira uma dúvida do que existe entre nós dois. Ela vem e bagunça com tudo, me deixando de um jeito que eu só via entre casais nos livros.

Changbin assente e beija minha testa, me trazendo de volta a realidade. O ouço se despedir com um "boa noite" e o respondo com outro, observando quando ele apaga a luz e sai do quarto, fechando a porta.

Deito na cama, crente que vou conseguir voltar a dormir, mas todo o receio do que amanhã pode me trazer interrompe meu sono e demoro a apagar novamente, entrando em pânico ao pensar em tudo o que mudará com um "positivo".

Eu estarei eternamente ligada a ele. O que farei com o trabalho é um mistério e minhas viagens possivelmente serão adiadas, assim como vários outros sonhos. Bebês precisam de atenção e carinho. Um cuidado maior do que estou acostumada a dar a alguém e para isso eu terei que abdicar de algumas coisas por um tempo. O que torna tudo maior do que acredito que posso aguentar.

Mas, ao mesmo tempo, garanti a Changbin que estou nessa tanto quanto ele e por isso preciso ser forte caso o resultado não seja o que eu realmente quero.

Um negativo.

***

Horas depois de Changbin deixar o quarto e eu conseguir pegar no sono, despertei de repente com um pesadelo. Mesmo virando de um lado para o outro da cama, tentando voltar a dormir, nada funciona. Eu já perdi a conta de quantas vezes fiz isso e ainda assim, não importa para qual lado eu vire, toda posição parece desconfortável demais.

Uma parte de mim se pergunta se o desconforto não vem do pesadelo, afinal tudo o que senti com ele ainda parece claro demais para mim. Toda a dor de sentir que estou perdendo algo importante e não há nada que eu possa fazer para impedir.

No sonho, Changbin e eu discutimos depois do resultado dar negativo, porque ele estava animado demais com a ideia de ser pai e eu que ainda não havia assimilado tudo, me sentia aliviada.

E quando o vi tão triste pela perda e senti que naquele momento, também o estava perdendo, tudo doeu em mim. E mesmo quando acordei para a realidade, não consegui parar de pensar nisso.

Será que realmente vamos brigar se der negativo? Changbin se apegou daquele jeito a essa ideia ou isso só é coisa da minha cabeça?

Aposto que todos me achariam patética se descobrissem o que se passa na minha mente. Quer dizer, eu não quero um filho agora, mas se for real, insisto que devo arcar com as consequências. Mas em compensação, isso é tão difícil de ser feito sem ficar torcendo para que seja um erro e os sintomas sejam de outra coisa, que é nisso o que penso metade do tempo.

Um filho pode ser um presente como Hyunjin disse, mas tudo o que vem disso não me faz me sentir tão presenteada assim.

Definitivamente, falar é muito mais fácil do que fazer, penso e viro mais uma vez na cama, tentando dormir.

Nada acontece e me sento, prendendo meu cabelo em um coque novamente, decidida a ir na cozinha pegar um copo d'água. A casa está escura e silenciosa, porque os garotos acordam cedo, então já foram dormir.

Changbin eu não sei para que, já que até onde sei não tem nenhuma gravação para ir. Mas também não fiz questão de perguntar, sabendo que ele mal queria falar comigo direito no resto do dia.

Encosto no balcão com o copo na mão e inevitavelmente observo o garoto deitado no sofá-cama, dormindo. Ele está tão quieto e parece tão diferente do Changbin que eu vejo no dia a dia, que não posso controlar o impulso de ir até lá vê-lo mais de perto, depois de deixar o copo dentro da pia.

Os olhos castanhos estão fechados e ele respira calmamente. Aos poucos um sorriso aparece em seus lábios e dou um passo para trás, temendo que ele tenha me visto, mas Changbin só está dormindo.

Sabendo disso, me abaixo mais um pouco, admirando cada detalhe e de alguma forma me prendendo aos lábios dele novamente. O que me tira do transe, no entanto, é um barulho atrás de mim, me fazendo virar rapidamente.

Não há ninguém lá e tento ficar aliviada por isso, voltando o olhar para Changbin com medo dele ter acordado e me visto, mas ele continua dormindo, ainda com o sorriso nos lábios.

Aproveitando a deixa, ajeito a postura e volto para o quarto, dessa vez não tendo tanta dificuldade para pegar no sono, graças a imagem de Changbin dormindo que vem à minha mente, me fazendo sorrir, assim como ele.


Notas Finais


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