História Secreto - Capítulo 21


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Categorias Bangtan Boys (BTS)
Personagens Jeon Jungkook (Jungkook), Jung Hoseok (J-Hope), Kim Namjoon (RM), Kim Seokjin (Jin), Kim Taehyung (V), Min Yoongi (Suga), Park Jimin (Jimin), Personagens Originais
Tags Fluffly, Taekook, Vkook
Visualizações 2.811
Palavras 4.163
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Comédia, Fluffy, LGBT, Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Slash
Avisos: Bissexualidade, Homossexualidade, Linguagem Imprópria
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Olha quem voltei!

Primeiramente, me perdoem pela demora. Minha vida deu um 360º duplo carpado e TUDO mudou. Sim, TUDO. (TUDO, menos gravidez, felizmente sigo sem filhos).

Estou tentando voltar a ativa, mas ainda não sei se consigo, por isso, essa postagem não significa que eu sai definitivamente do hiatus, ok?

Espero que vocês gostem do capítulo, pois esse é o antipenúltimo!

Capítulo 21 - Cachecol vermelho


Fanfic / Fanfiction Secreto - Capítulo 21 - Cachecol vermelho

Desde que Jimin havia tido ciência sobre o namoro entre Jungkook e Taehyung, e, tinha conseguido alterar o seu cargo na corporação de amizades, a relação dos três meninos ficava cada vez melhor.

Jungkook, por sua vez, sentia-se cada vez mais confortável, não só com o namoro e com as novas amizades, mas, principalmente, consigo mesmo, suas emoções e seus pensamentos.

É claro que os ditos ainda lhe atormentavam mais do que empresa de cobrança tentando acertar dividendos, porém, Jungkook estava conseguindo usar as táticas de sua mãe consigo mesmo: às vezes não atendia aos chamados, outras vezes pedia para “ligar” mais tarde, ou ainda avisava que não havia ninguém com aquele nome.

E assim ia conseguindo manter os pensamentos catastróficos sob algum tipo de controle, nem que fosse gastando energia para ignorá-los completamente. Claro que isso era cansativo, mas fora essa nova postura que lhe permitiu aceitar um convite inusitado de Taehyung: irem juntos ao festival local de outono.

Apesar do aceite ser simples, para Jungkook não era, assim como todas as coisas em sua vida, afinal, significava que seria a primeira vez — em meses de namoro — que os dois sairiam sozinhos e como um casal. Seria uma espécie de primeiro encontro e isso lhe deixava borbulhando de ansiedade.

Vários eram os “e se’s…” que apareciam em sua cabeça desesperada. “E se alguém os flagrasse?”, “E se eles se esquecessem que estavam em público e acabassem demonstrando algum afeto proibido?”, “E se alguém desconfiasse que não eram amigos e sim namorados?”, “E se Taehyung tivesse o chamado para terminar o namoro?”.

Porém, conseguira se desvencilhar de todos esses questionamentos e aceitar o convite. E apenas por isso já se sentia orgulho de si mesmo. Aliás, desde que começara a se relacionar com Taehyung, mesmo que secretamente, já havia dado passos que jamais daria, havia caminhado por estradas sempre temidas e nunca exploradas.

Era grato a Taehyung, que com sua personalidade fácil e liberta, desatava aos poucos todos os nós que jaziam em sua alma há tanto tempo. Nós tão apertados.

E naquele momento, ajeitava sua franja em frente ao espelho. Uma mechinha teimava em ficar junto aos demais fios de cabelo, tirando-lhe do sério. Mas apesar de estar brigando com o montinho de cabelo rebelde, sabia que estava bonito, o que era uma novidade para si: ver beleza no próprio corpo e rosto — mesmo com as espinhas dadas pela puberdade lhe adornando a face.

O casaquinho colegial era quente o suficiente para protegê-lo dos ventos da estação e o jeans surrado novo que havia ganhado de sua mãe combinavam bem com o sneaker preto. Só faltava o chumacinho de cabelo ficar no lugar.

— É mais fácil pentear a franja toda com um pouco de gel no pente, assim deve ficar no lugar — a voz da mãe se fez presente dentro do banheiro, fazendo o olhar do caçula desviar de encontro aos seus — Vai sair? — perguntou enquanto tomava a frente para executar a dica que ela mesma havia dado.

Jungkook confirmou levemente com a cabeça, virando-se de frente para a mãe que começava a ajeitar sua franja. Era incrível como as mães sempre sabiam resolver todos os problemas do mundo.

— Onde vai? — ela perguntou em um tom calmo.

Jungkook, como sempre, não conseguiu responder de pronto, pois os pensamentos lhe encheram a mente, vai que respondesse de uma maneira que revelasse todo o segredo que guardava há meses!

Mães são sábias. Sabem quando vai chover, quando vai fazer frio e quando o Sol vem. Elas também sempre sabem quando uma amizade é boa ou quando a pessoa é falsa. Mães identificam dores e sempre têm algum comprimido que resolve o problema. E fazem ótimas sopas.

É muito difícil mentir e esconder coisas das mães. Disso Jungkook tinha certeza. Por isso sempre tomava cuidado extra quando falava de Taehyung para ela, porque, por mais que não soubesse qual era a bruxaria que as mães faziam, tinha certeza que elas podiam ler mentes.

— Vou no festival de outono com Taehyung — falou pausadamente tentando controlar qualquer tom emocional que sua fala pudesse ter — Tudo bem?

Era prudente perguntar, por mais que soubesse que a mãe nunca lhe proibira de sair. Pelo contrário, ela sempre o incentivava e vibrava quando ele decidia colocar os pés para fora de casa para eventos que não estivessem relacionados com a escola.

— Claro — ela respondeu com um sorriso — Gosto quando te vejo sair para se divertir — foi extremamente maternal em sua fala.

Por mais reconfortante que fosse ouvir isso e nesse tom, Jungkook ficava com medo. Medo de ser descoberto, pois certamente a decepcionaria fortemente. Nenhuma família coreana se orgulharia de ter um filho gay e disso Jungkook tinha certeza.

Imagina a cara de vergonha que sua mãe estamparia no rosto caso um dia soubesse que seu filho caçula aprendia novas técnicas de beijo com o suposto amigo do colégio — já que era inegável que Jungkook era um mestre nas artes labiais agora.

— Você devia passar isso — a mãe lhe cortou os pensamentos, abrindo uma das gavetas do gabinete do banheiro e retirando um frasco de cosmético de dentro — É um creme que ajuda a prevenir acne com filtro solar — começou a passar no rosto do filho — E ainda por cima funciona como base, então vai disfarçar as espinhas que já apareceram.

Jungkook chegou a fechar os olhos, como se quisesse isolar-se desse sentido para aumentar a sensação carinhosa dos dedos longos de sua mãe percorrendo todos os cantinhos de seu rosto com o creme, em um gesto de total cuidado e proteção.

Mães eram incríveis.

A mãe dele era.

E isso só tornava as coisas mais difíceis. Se fosse uma mãe bem ruim, com o senso materno falho, seria mais fácil — e até reconfortante — frustrá-la. Mas não… a vida lhe ferrava de todas as maneiras, inclusive lhe presenteando com uma mãe tão fofa e querida que o faria sofrer quando — e se — descobrisse o lado feio de seu filho mais novo.

— Pronto! — Jungkook abriu os olhos a tempo de vê-la sorrindo — Está lindo.

Jungkook sorriu tímido para a mãe e se olhou no espelho. O resultado da base prevenidora de acne com filtro solar e a franja no lugar certo haviam deixado seu rosto muito agradável aos seus olhos. Será que Taehyung gostaria?

E foi assim que as borboletas irritantes voltaram a habitar suas entranhas. Deu-se conta novamente do que estava prestes a acontecer: um encontro. Com Taehyung. Em um festival de rua. A céu aberto. Céus!

Mas…

Será que Taehyung também estava considerando isso um encontro?

{…}

— Ainda não decidi… — Taehyung falou do nada, como sempre, enquanto os dois adolescentes aguardavam na fila da pipoca.

— O quê?

— Se hoje estamos tendo um encontro ou uma reunião de negócios — falou simples, sem se preocupar com a altura que suas palavras saíram de sua boca, deixando Jungkook preocupado a ponto de olhar ao redor para se certificar que ninguém havia ouvido — Hum… — reclamou — O que acha, senhor Diretor Unânime?

Taehyung tinha cada ideia… cada preocupação sem pé nem cabeça. Mas era exatamente isso que o fazia especial a sua maneira. Felizmente parecia que ninguém estava os ouvindo.

— Acho que pode ser num encontro de negócios — respondeu simples como sempre era quando estava com o mais velho.

Viu o namorado abrir um sorriso tão retangular quanto grande, parecendo que ele tinha testemunhado o momento exato da “Eureka”.

— Sim! Sim! Sim! — exclamou veementemente — É por isso que você subiu de cargo, Jungkook — deu tapinhas leves nas costas do mais novo — Continue assim e logo tomará a empresa de mim — riu de forma caricata, parecendo aqueles empresários velhos e carecas que fazem piadas que só eles entendem.

Taehyung vivia em um mundo à parte.

Felizmente a fila andou e a vez deles chegou. Três pipocas. Duas salgadas e uma doce porque Taehyung queria “comer todas as coisas que vendiam ali”.

O festival local era pequeno e pouco divulgado. Era quase que uma tradição de bairro. Com comidas típicas e outras guloseimas que dividiam a rua com jogos em barracas, como argolas ou tiro ao alvo. Taehyung queria ir em todas as barracas.

Começando pela pipoca. E com a boca cheia sugeriu que entrassem na fila do espeto de cordeiro, o preferido de Jungkook, que era puxado pelo pulso por entre as pessoas que se divertiam.

Taehyung queria o algodão doce e a maçã do amor. Queria lámen e kimchi. Japchae não poderia faltar, assim como a barriga de porco refogada. Mas também queria angariar pelúcias para seus irmãos e um conjunto de itens de higiene para sua própria mãe.

Não parava de falar que eles não podiam ir embora sem terem se divertido no carrinho bate-bate, e que não poderiam perder a roda gigante também, porque senão seria como se não tivessem ido ao festival.

Ainda, não podia faltar a presença nos espetáculos de danças típicas, muito menos na cabine de fotos. Seria um absurdo pensar que não tirariam fotos do primeiro encontro de negócios dos dois.

Jungkook sentia seu corpo ser puxado pela empolgação do mais velho que mal conseguia segurar todas as comidas que havia comprado. Resumia sua fala à pedidos de desculpas aos transeuntes em quem esbarrava no meio do caminho afoito traçado pelo namorado.

E foi nessa correria desembestada que Taehyung parou abruptamente, fazendo com que o corpo de Jungkook se chocasse contra o seu.

— Está esfriando! — ele disse em um tom preocupado, levando a mão até a bochecha de Jungkook — Você está um pouco gelado — afirmou — Está com frio?

— Não, estou bem — respondeu confuso. Simplesmente era impossível saber o que se passava naquelas conexões neurais do outro.

— Tem certeza? — franziu as sobrancelhas desconfiado.

— Tenho, Tae — falou — Não estou com frio — tranquilizou.

O mais velho não respondeu, no entanto fez uma careta que dizia que ele não acreditava verdadeiramente na fala de Jungkook. Voltou a puxá-lo pelo braço, encaminhando-se a barraca de tiro ao alvo, estava na hora de ganhar alguns bichinhos de pelúcia.

Jungkook ria cada vez que Taehyung errava os tiros, ele era incrivelmente ruim de mira. E mesmo sendo uma negação explícita na arte de acertar os copinhos de plástico, o mais velho não desistia.

Quer dizer, não queria desistir, mas fora obrigado quando Jungkook retirou a arminha de suas mãos, tomando seu lugar no palanque de tiros. Se Taehyung era altamente inabilidoso com a mira, Jungkook era praticamente um sniper.

Acertava todos os copinhos freneticamente e sem errar um tiro sequer, o que deixava o dono da barraca de mau humor e o namoro em êxtase. Após acertar as três pirâmides de copos empilhados ganhou uma ficha que valia uma das recompensas de três estrelas.

— Toma — entregou a ficha para Taehyung — pode escolher.

— Hum — segurou o papelzinho na mão com força, com medo de perdê-la no caminho até o balcão de trocas — Você consegue mais uma dessa? — perguntou sem freios.

— Acho que sim — respondeu simples fazendo o dono da barraca olhar-lhe com irritação ao mesmo tempo em que lhe entregava a arma de brinquedo novamente.

— Sabe como é… se eu levar um grande para Heechul e não levar para Taemin, eu sou um irmão morto — comentou empolgado vendo a primeira pilha de plástico se desfazer no chão.

Jungkook era bom e isso seus pensamentos não conseguiam lhe enganar. Era a sua maior virtude, a sua facilidade com jogos e esportes, além das matérias escolares.

Sempre tivera facilidade para aprender e com a coordenação motora. Se o pequeno Jungkook se sentia um inútil e fracasso nas artes da sociabilidade, era um gênio das habilidades cognitivas, corporais e manuais. Pelo menos algo para se orgulhar.

Apesar de que, no atual momento, Jungkook tinha muitas coisas pelas quais se orgulhar. Nos últimos meses havia se soltado mais, enfrentado medos que nunca imaginou conseguir e até tinha um namorado.

Usar esses novos pensamentos contra os antigos lhe faziam bem e lhe enchiam de confiança, tanto que instantes depois de pegar a arma na mão já estava entregando mais uma ficha especial para o mais velho que rapidamente lhe puxou pelo pulso rumando para a barraca de trocas.

— Tinha uma raposa enorme quando chegamos, espero que ainda esteja lá — ele comentou rapidamente, sem nem olhar para trás.

Parou na fila de trocas completamente ansioso, balançando os braços e pernas enquanto esticava o pescoço para ver se a tal raposa ainda estava lá.

Felizmente estava.

— Tomara que ninguém pegue — comentou.

— Acho difícil, Tae, não estou vendo ninguém com a ficha dourada nas mãos — respondeu tentando olhar nas mãos dos outros que aguardavam na fila — E qual vai ser o outro bichinho que vai pegar?

Taehyung parou e coçou o queixo analisando os demais presentes separados na prateleira especial pintada de dourado.

— Acho que vou levar… — pensou e pensou — aquele coelho! — apontou para o animal de pelúcia.

A vez deles chegou e Taehyung entregou as fichas completamente empolgado, parecia uma criança grande apontando para os bichos de pelúcia que eram enormes.

Na verdade, eram gigantescos. Jungkook sentiu o rosto afoguear só de pensar na vergonha de passar o resto do festival segurando um treco daquele tamanho, afinal, era absolutamente impossível que o outro segurasse os dois sozinho.

E ele estava certo. Assim que saíram do balcão, com Taehyung afundado entre os pelos falsos dos bichinhos, ouviu seu nome ser chamado.

— Jungkook, seus dentes são de coelho, logo, deve levar a raposa — o mais velho proferiu.

— Não entendi, eu não deveria ficar com o coelho então? — respondeu tentando ajeitar a raposa de algum jeito embaixo do seu braço.

— Não, eu que fico com o coelho, entendeu? — Taehyung balançou as sobrancelhas fingindo alguma malícia.

Jungkook riu. Nem em suas fantasias mais malucas imaginaria que o outro era tão excêntrico assim. É claro que dava para perceber que faltavam alguns parafusos na cabeça do mais velho, mas, agora, era perceptível que o coitadinho não devia é ter nenhum parafuso. Nem unzinho.

E mesmo assim ele era adorável.

Os dois continuaram o tal encontro de negócios. Jungkook não aguentava mais comer, mas Taehyung continuava o seu objetivo de comer todas as coisas possíveis. Também não aguentava mais pegar filas. E nem andar. E muito menos carregar aquele trambolho peludinho e fofinho.

— Tae — chamou — segura aqui rapidinho — largou a raposa no colo do outro fazendo-o sumir de novo — preciso ir ao banheiro.

— Tá bom — concordou — Então enquanto você vai lá, eu vou entrar na fila da roda gigante — avisou.

— Tudo bem, te encontro lá então.

Respondeu e se afastou. Passou a procurar o banheiro em meio ao mar de gente que estava no festival. Conforme a tarde dava lugar a noite, o local parecia ficar ainda mais cheio.

Ainda ficava desconfortável com multidões, mas agora era menos. Nem estava ansioso com o fato de ter que usar o banheiro na frente de outros homens, algo inimaginável algum tempo atrás.

Certamente estava mais tranquilo. Ainda não era o ideal, porém conseguia enxergar a luz no fim do túnel. Aos poucos sua mente ia criando novas possibilidades menos catastróficas, por exemplo, estava mais ansioso de demorar e chegar a vez deles na roda gigante, ou de então Taehyung resolver fazer outra coisa e esquecer de avisar onde está, do que a ideia — absurda — de que o outro iria embora e deixá-lo sozinho.

Afinal, falava para si mesmo que mesmo que Taehyung cogitasse a ideia de ir embora sem avisar, não conseguiria ir tão longe com aqueles dois ursos exagerados. Aos poucos, Jungkook, aprendia a olhar as situações com o viés mais concreto e real que podia.

E isso ajudava demais. Ao olhar as possibilidades reais de alguém ficar encarando seu pênis enquanto fazia xixi, sentia diminuir a força dos pensamentos que lhe atormentavam tentando fazê-lo acreditar que ririam de si em um momento tão íntimo.

Conversava tanto consigo mesmo que executou tudo de maneira mecânica e logo estava do lado de fora do banheiro e caminhando em direção à roda gigante. Quando deu por si, estava sendo libertado de seu transe pessoal por causa do pelo fofinho de raposa se chocando contra seu nariz.

— Bem a tempo, somos os próximos — disse empolgado.

Jungkook ajeitou a pelúcia em seus braços e logo pode ver mais uma guloseima nas mãos do outro. Ele tinha certeza que Taehyung não aguentaria ficar parado na fila do brinquedo por tanto tempo.

— Como você fez para comprar as maçãs do amor e ainda assim ficar na frente aqui fila?

— Eles ficaram na fila para mim — respondeu simplório, se referindo aos ursos.

Esse era o casal mais estranho. Um sofria com as ideias malucas que a cabeça criava sobre o que os outros achariam de todos os seus movimento. Já o outro não se preocupava nem um instante sobre a possibilidade de suas maluquices reais causarem estranhamentos verídicos. Talvez isso também ajudasse Jungkook, afinal, se não falavam do Taehyung que fazia e falava tudo o que vinha a cabeça, por que falariam de si?

— Próximo — o homem chamou e arregalou os olhos ao ver os dois meninos acompanhados pelos dois bichinhos.

— Moço, eles podem ir na cadeira da frente da gente? — Taehyung perguntou — Eles não vão dar trabalho, eu juro.

O homem olhou confuso para Jungkook que apenas levantou os ombros, mostrando o quanto não podia fazer nada para tirar aquela ideia da cabeça do mais velho. O rapaz sorriu para Taehyung e acenou afirmativamente.

Logo, o coelho e a raposa estavam devidamente acomodados na cadeira da roda gigante. Taehyung acariciou os bichinhos e os prendeu no cinto de segurança.

— São para meus irmãos mais novos — pegou o celular e tirou uma foto dos bichinhos sentadinhos — Eles vão ficar malucos quando souberem que eles foram na roda gigante também.

— Eles vão sentir inveja — o homem sorriu — da próxima vez traga seus irmãos também — acionou a roda para trazer a próxima cadeira.

— É que estamos em um encontro de negócios, eles são muito pequenos para entender isso — respondeu enquanto sentava e afivelava o próprio cinto.

Jungkook não sabia onde enfiar a cara e então apenas ignorou o semblante ainda mais confuso do homem e se sentou ao lado de Taehyung. Um dia o mais velho o mataria de vergonha.

Logo o brinquedo começou a subir. A noite já havia tomado conta do céu. O vento tornava-se mais gelado e Jungkook se arrependia de não ter levado um agasalho extra.

Estavam em silêncio, esperando o brinquedo encher. Quer dizer, quase em silêncio, afinal o mais velho não parava de se mexer e revirar as sacolas cheias de comida que carregava.

Logo entregou uma das maçãs do amor para Jungkook e sorriu. Abriu a própria, retirando plástico protetor. O mais novo copiou sua ação e de repente sentiu sua maçã “brindar” a outra.

— Estou muito feliz que estamos aqui — o mais velho falou e mordeu a maçã com força.

— Também estou.

— Quando chegarmos lá em cima precisamos dar um beijo, para tirar o “beijo na roda gigante” da lista — concluiu com a boca cheia e toda pintada de vermelho.

— Será que ninguém vai ver?

— Claro que não! Todo mundo fica se beijando na roda gigante… por que ficariam olhando para a gente?

— Verdade…

Sim! Verdade!

Somente casais sedentos por beijos iam para um passeio de roda gigante! Logo, todos deviam imaginar que era isso o que os dois iam fazer lá em cima. Talvez por isso o homem do brinquedo tinha lhe olhado confuso, ele certamente estava pensando no que os dois meninos estavam prestes a fazer.

Por mais que Jungkook tivesse com mais controle sobre seus pensamentos, alguns faziam muito sentido, como esse.

O pânico de ser descoberto já subia pelas pernas em forma de tremedeira. Sentia o frio na barriga gelar a alma e de repente nem parecia que havia acabado de voltar do banheiro.

Sentir a visão querer ficar turva. Parecia que todos os olhos do mundo estavam sob si e as mãos começavam a querer suar, mesmo que estivesse sentindo mais frio do que a estação permitia.

E, quando achou que ia se perder no próprio desespero, sentiu o rosto ser puxado e os lábios falantes de Taehyung encostaram nos seus, fazendo a mágica já conhecida de silenciar sua agonia.

Um selinho longo, com direito aos olhinhos do outro completamente fechados, conseguiu colocar seus pensamentos em ordem.

— Você pensa demais — ele proferiu baixinho quando o selar e findou.

Porém, antes que Jungkook pudesse responder, Taehyung se adiantou tirando um pedaço longo de pano de dentro de uma das sacolas que o mais novo nem havia percebido estar ali. Um grande e quente cachecol vermelho vivo enrolava-se ao redor de seu pescoço, sendo guiado pelas mãos cuidadosas do mais velho.

— Eu sabia que você estava com frio — comentou — sua boca até está gelada — continuou sem parar de ajeitar o adereço com delicadeza.

Jungkook apreciava o ato sem nada dizer ou pensar. Permitiu-se apenas sentir o pescoço, o corpo e alma ficarem mais quentinhos com o gesto alheio. Taehyung causava-lhe muitas sensações, mas com certeza a melhor de todas era o conforto.

Já protegido dos ventos — mais internos do que externos — gélidos, sentiu a cabeça do mais velho se reclinar sob seu ombro. O barulho de mais uma mordida na maçã deu sonoridade ao momento junto com um longo suspiro do companheiro.

— Acho que comi demais — disse despreocupado, fitando o céu enegrecido no horizonte.

— Também, comeu tudo o que tinha direito e mais um pouco.

— É que esse festival é só no outono — se justificou.

— Eu sei, mas essas comidas têm em todos os festivais do ano — riu tímido.

— Jungkook — chamou baixinho e olhou para ele. Estavam no ponto mais alto da roda gigante. De onde estavam conseguiam ver os dois ursinhos sentados à frente — eu gosto muito de você.

Todo o frio que anteriormente o fazia tremer foi substituído por um calor descomunal. Sim. Ele também gostava muito de Taehyung. Sentia-se eternamente grato por ter driblado o medo e começado uma conversa anônima com ele.

E assim, com esse sentimento quentinho e com gosto de primeiro amor — e de maçã caramelizada — deram mais um beijo, banhados pela luz da lua e pelos silêncios internos que só Taehyung conseguia lhe proporcionar.

{…}

Já passavam das dez da noite e Jungkook agora estava ansioso com um motivo absurdamente concreto e real: a possível bronca que levaria de seus pais. Iria ficar encrencado até o último fio de cabelo.

— Se ela pegar uma faca, você corre aqui para fora e grita “fogo” — Taehyung brincou sobre o possível assassinato do mais novo.

— Pelo menos você já sabe, se eu sumir ou eu realmente morri ou vou morrer em um castigo eterno — tentou ir do próprio desespero.

Abriu a porta de casa com cuidado extremo. As luzes apagadas sugeriam que os pais haviam dormir e isso significava que Jungkook teria uma chance de mentir sobre o horário que voltara, caso descobrisse que horas os pais haviam ido se deitar.

Taehyung entrou na casa junto com ele. Ia deixar os ursos na casa do namorado, pois não conseguiria levá-los sem ajuda e não era possível pensar em levar apenas um, pois seria como dar o primeiro tiro que inicia uma guerra.

Os dois bichinhos foram deixados no sofá com todo zelo que habitava o corpo do mais velho. Jungkook observava tudo de longe, parado na porta de entrada.

Viu quando Taehyung se aproximou para se despedir.

Despedidas sempre pediam beijos de língua e isso fazia com que Jungkook vivesse um paradoxo entre querer que o namorado sempre ficasse mais tempo, mas também que ele fosse embora, só para ter o beijo mais gostoso desses encontros entre os dois.

E assim foi. De olhos fechados, braços enlaçados no corpo alheio, bocas seladas, respirações misturas e línguas em choque é que o beijo de despedida começou. Olha! Jungkook era um mestre nesse quesito.

O beijo calmo às vezes dava uma pequena acelerada antes de se tranquilizar de novo. Os hormônios faziam seu corpo pinicar e chamar por mais contato. Os dedos tão longos quanto atrevidos de Taehyung brincava com a barra do casaco do mais novo, ora ou outra tocando a pele quente e macia que estava por debaixo.

O clima esquenta por dentro, fazendo com que o cachecol se tornasse uma peça que naquele momento mais atrapalhava do que ajudava. Queria muito se livrar dela.

Mas não deu tempo.

— Jungkook?

A espinha arrepiou e gelou. A voz da mãe o fez se separar rapidamente de Taehyung e arregalar os olhos em direção a visão de sua mãe segurando uma vela acesa. Deviam estar sem luz na casa!

— Mãe… — sua voz saiu trêmula.

Taehyung congelou no lugar.

— Vocês dois… estavam… se beijando? — perguntou retoricamente, afinal, ela tinha visto com clareza — Precisamos conversar — ficou levemente mais séria — Estamos sem luz na rua, então acho perigoso que Taehyung volte para casa agora — olhou para o corpo petrificado do outro — Ligue para sua mãe e avise que você vai dormir aqui — falou imperativa — Vou montar o colchão aqui na sala.

E assim ela voltou a subir as escadas.

Ferrou. Taehyung nunca tinha dormido na sala. Estavam muito encrencados.


Notas Finais


E aí?


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