História Secrets And Lies - A Seleção - Capítulo 43


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Categorias A Seleção
Personagens Personagens Originais
Tags Drama, Gay, Interativa, Revelaçoes, Romance
Visualizações 19
Palavras 1.860
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Comédia, Drama (Tragédia), Famí­lia, Festa, Ficção, Ficção Adolescente, LGBT, Mistério, Romance e Novela, Suspense, Universo Alternativo, Violência, Yaoi (Gay), Yuri (Lésbica)
Avisos: Adultério, Álcool, Bissexualidade, Drogas, Estupro, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Spoilers, Tortura, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Ai gente, vocês me perdoam? A vida tá complicada e eu tô sem tempo e sem notebook e sem internet, aí vcs já viram né. Fica complicado demaaaaais escrever, mas juro que vou tentar melhorar (mesmo que não possa prometer nada).

Espero que vocês ainda estejam aí e que gostem. Lembrando que esse capítulo e os dois anteriores se passam na mesma noite :)

Enjoy!

Capítulo 43 - Uma carta estranha


O escritório de Harrison era muito bem protegido, para quem não morasse no castelo desde pequeno. O que não era o caso de Lancelot. O príncipe mais novo sempre gostou de andar pelos mais remotos e escuros corredores quando pequeno, juntamente com o irmão, até descobrir os túneis secretos que haviam naquele lugar. 

O castelo, anteriormente, já havia sido diversas coisas, desde só um castelo para férias, ponto turístico, até uma grande prisão. Por causa desta última, haviam diversos túneis subterrâneos e passagens secretas que ligavam alguns cômodos aos outros. Em sua maioria, eram utilizados pelas criadas para chegarem nos quartos reais à tempo e ajudar a família real sempre que precisassem. Também eram usados em caso de ataques rebeldes. Os guardas, em seus primeiros dias de treinamento, eram obrigados a aprender tudo sobre aqueles túneis, para o caso de precisarem usar eles como rota de fuga. 

Como Eloah também havia crescido ali, não era tão difícil achar o caminho até o lugar que Lancelot havia lhe dito para ir. O problema, foi ter esbarrado com Kathleen no meio da madrugada. A garota lhe encheu de perguntas 一 coisa que Kathleen era muito boa fazendo 一 e Eloah se viu obrigada a dizer a verdade. Primeiro, Kathleen ficou cética. Perguntou a Eloah um milhão de vezes se ela tinha certeza do que havia visto. Quando finalmente se convenceu, ela decidiu que iria junto. Eloah percebeu que não havia nada que pudesse fazer para impedi-la. Por isso, deixou que Kathleen se juntasse a pequena aventura que ela e Lancelot estavam vivendo. 

一 Você contou para ela? 一 Foi a primeira pergunta que Lancelot fez quando viu Kathleen junto de Eloah. As duas estavam de camisola, afinal já passava da uma da manhã, e Lancelot precisou se concentrar para não reparar nas belas pernas de Kathleen. 

一 Ela meio que descobriu 一 Eloah tentou explicar.

一 Não se preocupe, não vou contar para ninguém 一 Kathleen se sentiu um pouco ofendida com o tom de voz de Lancelot. 

O garoto percebeu que seu tom havia sido um pouco ofensivo, mas decidiu não pedir desculpas. A verdade é que ele preferia que ela não soubesse. Lancelot não sabia exatamente como explicar tudo aquilo que sentia, mas uma coisa ele tinha certeza: não havia necessidade de que Kathleen se arriscasse a fazer algo que ele e Eloah poderiam fazer sozinhos. O pensamento de que, se fossem pegos, ela seria condenada à morte, fazia com que ele se sentisse cada vez mais ansioso pelo final daquela aventura. 

Os três se dividiram entre o escritório para que a busca fosse simplificada. A ordem de Lancelot foi simples: elas deveriam procurar qualquer coisa que remetesse — mesmo que vagamente — ao possível paradeiro de Beatrice. Enquanto Eloah examinava os livros que cheiravam à idade que deveriam ter, procurando por alguma "passagem secreta" como ela mesma havia brincado, Lancelot buscava pistas nas bebidas e fotografias do pai, e Kathleen ficara responsável pela inspeção da mesa de madeira que, provavelmente, deveria conter todos os documentos e informações do reino. 

Nos primeiros trinta minutos, a busca de Eloah e Lancelot se mostrou inútil. Por isso, os dois se juntaram a Kathleen em sua inspeção. Os diversos papéis estavam espalhados pela mesa — Kathleen havia decorado suas exatas posições para colocá-los de volta sem levantar a suspeita do rei — e eles tentavam ler tudo, no mais curto período de tempo. Afinal, não era como se estivessem sem preocupações de serem descobertos.

— Não sabia que os hospitais dos Dois recebiam tanto dinheiro — Kathleen comentou, segurando a o relatório de orçamento em suas mãos. — Esse dinheiro poderia ser facilmente dividido em quatro e ser mandado para as castas de cinco a oito. 

Lancelot se interessou pela fala da garota e largou seus papéis em cima da mesa, se aproximando da mesma. 

— Você também acha? Eu já sugeri isso tantas vezes nas reuniões de orçamento…

— É matemática básica — ela suspirou, folheando as diversas páginas. — Parece até que… — ela se deteve, incerta de se sua fala poderia estragar a amizade que os dois haviam construído.

— Que…? — Ele insistiu para que ela continuasse.

— Que seu pai está favorecendo as castas altas, especialmente a Dois. 

Lancelot sorriu de lado, mas não a respondeu porque, antes que pudesse elogiar a sua perspicácia, a voz de Eloah se fez presente.

— Gente — ela os chamou —, eu achei uma carta estranha.

Os dois se aproximaram da garota que segurava um envelope que em seus dias jovens, costumava ser branco, mas que agora tinha uma coloração amarelada e um tanto antiga. Havia apenas uma palavra escrita nele, "Harrison". A caligrafia era definitivamente feminina, por causa da forma delicada como a tinta se punha sobre o papel. A carta já estava aberta, mas o papel que ela segurava ainda estava ali. 

Eloah sabia que aquilo não era sobre Beatrice, mas havia ficado curiosa. Todos os outros documentos e cartas eram digitadas e remetidas à "Vossa Alteza" e variantes. Nunca o primeiro nome do rei. Parecia íntimo demais. Por isso, a garota queria ter a permissão de Lancelot antes de abrir a carta e decorar todo o seu conteúdo. 

— Estranho… — Lancelot tomou o envelope para si. — Quem escreveria uma carta endereçada a meu pai de forma tão informal?

— Acho que só tem um jeito de descobrir — a voz de Eloah era sugestiva. A garota estava realmente muito curiosa.

E Kathleen não ficava para trás. Ela estava levemente inclinada para a frente, fazendo com que seu ombro se encostasse com o de Lancelot, pronta para descobrir o conteúdo daquela carta misteriosa. A respiração próxima de Kathleen fez com que Lancelot parasse de pensar. Ele retirou o papel do envelope e começou a ler.


"Querido Harrison,

Sei que cartas são a forma mais antiquada de comunicação, mas esse foi o único jeito de me comunicar com você que eu encontrei. Não espero que você a responda, porque sei o quanto você odeia ter que escrever suas próprias coisas. Mas eu não odeio e preciso que você saiba por mim, já que não saberá por mais ninguém. Sei que, como muitas outras coisas, este é o segredo que apenas nós dois saberemos e que deveremos guardar dentro de nossos corações e mentes para sempre. 

Sinto que estou sendo um tanto emotiva, mas você logo vai descobrir o porquê. Espero que esteja lendo em particular. Espero que meu criado tenha dado as instruções certas para o seu. Sei muito bem que a informação pode se perder no trânsito de um país ao outro. E talvez um dos motivos pelos quais eu deixo que minhas emoções transpareçam pela primeira vez, é porque eu cheguei à dura conclusão de que não há ninguém mais no mundo que me faça sentir do jeito que você me faz. 

Eu amo você, Harrison. E sei que você nunca poderá me amar de volta. Não porque ama sua esposa, mas porque não sabe o que é amar alguém. Eu gostaria de poder ser a pessoa a mudar isso, mas não se pode mudar ninguém, certo? E eu tenho mais coisas para fazer do que ficar tentando mudar os sentimentos de alguém que pouco se importa com os meus. Sim, eu estou sendo emotiva e sei que você deve estar me achando irracional, mas me deixar sozinha naquele barco foi a coisa mais cruel que você fez comigo. Então eu preciso ser raivosa e emotiva porque esta é a última vez que eu serei qualquer coisa para você. 

Estou grávida. 

Imagino que você tenha prendido sua respiração e surtado, então quero que saiba que eu também tive o meu surto. E fui irracional, emotiva e raivosa. Agora, já penso claramente. Sei o que quero com mais certeza do que eu já soube de alguma coisa. E também sei o que não quero. 

Não quero que você seja um pai, porque você seria péssimo. E porque você é herdeiro de seu reino, casado. E porque eu sou a rainha de meu reino, casada. Não se preocupe, você jamais terá que assumir os bebês como seus herdeiros. Sim, no plural. São gêmeos. Meu marido acredita que os filhos sejam dele. É isso que ele vai continuar a acreditar. O primogênito será meu herdeiro natural e o segundo, arranjarei em casamento para algum outro herdeiro. Jamais os seus, porque seria apenas uma das maiores blasfêmias que nós dois poderíamos cometer. 

Sinto muito que não tenha funcionado entre nós. Sinto muito que eu tenha acreditado por alguns segundos que você seria a pessoa certa para mim. Sinto muito que eu ainda pense em você, às vezes. 

Espero, honestamente, que você consiga herdeiros para seu trono. Espero que você nunca tenha que conhecer os seus filhos bastardos que serão reis ou rainhas. É a única vez que falaremos sobre esse assunto. Não me responda essa carta. Apenas saiba que, assim como você me esqueceu, eu usarei essa nova alegria para deixar qualquer lembrança sua aterrada em uma gaveta. 

Sinceramente,

Dagna."


Conforme lia os diversos parágrafos daquele texto em voz alta, Lancelot experimentou diversos tipos de emoções, desde a mais pura ansiedade, para o nojo. A nova informação fazia com que sua garganta fechasse e, por isso, foi Eloah quem precisou terminar de ler a carta. Ninguém queria acreditar no que estava lendo, mas todos sabiam que aqueles fatos narrados na carta eram a verdade em sua forma mais pura. 

Era um choque, para Lancelot, se lembrar de toda a sua infância e ter todas as suas memórias derturpadas da forma mais inconveniente possível. Como o dia em que vira a rainha Dagna e seu pai discutindo no jardim, em sussurros raivosos, mas que cessaram no momento em que ele se aproximou. Ou quando Astrid confessou-lhe que tinha sentimentos por ele e foi fortemente reprimida tanto por seu pai, quanto pela mãe dele. E também se lembrou de todas as vezes em que Soren estava por perto e como o humor de seu pai melhorava incrivelmente. Agora, ele sabia que o primogênito era simplesmente o favorito. E que, além de Lancelot, ele tinha mais dois irmãos bastardos. 

— Você está bem? — A voz de Kathleen fez com que ele se retirasse de seus pensamentos. A mão dela em seu ombro lhe causava uma sensação estranha no estômago. — Esse tipo de coisa é… complicado. Sinto muito por… você sabe… — ela parecia não saber o que falar. 

Mas a sua tentativa quase cômica foi suficiente para o príncipe. Ele a abraçou e começou a impedir que as lágrimas viessem. Só precisava estar em outro lugar. Só precisava ser outra pessoa. Ter uma família normal. Os braços de Kathleen lhe proporcionavam a sensação de liberdade, mesmo que ela estivesse o prendendo com força. 

Mesmo que Eloah ainda estivesse na sala — sem saber como reagir à nova informação de que seu rei havia também tido um caso com a rainha da Noruega —, era como se os dois estivessem sozinhos, cuidando um do outro. 

Naquele momento, Kathleen soube. Mesmo que fosse novo e frágil, ela finalmente soube. Casar-se com Arthur estava completamente fora de questão.


Notas Finais


Revelações! Acho que alguns de vcs já desconfiavam né? Hahahahah

E então?


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