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História Séculos - Capítulo 1


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Capítulo 1 - Melodia magnífica


A melodia daquele restaurante-karaoke era esplêndido. As notas musicais balançavam pelo local sem preocupação nenhuma. Não havia preocupações, quaisquer tipos de mudanças, barulhos altos de assobios e gritaria, sem xingamentos. As pessoas passavam a madrugada inteira ali, apenas para apreciar as belas vozes que pairavam o lugar, calmamente, docemente, carinhosamente. Dariam suas vidas só para continuar ali, para sentir a vibe, para baloiçarem com seus corpos sentados no sofá ou cadeira, sentindo a melodia percorrer o organismo. 


  Referência à unha e cutícula: Mark nunca iria desistir daquela melodia magnífica que ouvira, ouviria, e ouvirá. Sua alma estava entregue ao momento, ao templo, ao espaço. Queria provar mais e mais daquele sabor açucarado; não perderia uma oportunidade dessas. Sua mente permitia-o pensar em mil e uma coisas, mas nenhuma era sucedida, nem tentada. Mark apenas permanecia no seu assunto, — o mesmo de todos os dias —, apreciando a beleza e melancólica que Donghyuck transmitia apenas pela voz. 


  Como que um ser humano poderia transmitir isso? Sentimentos que eram ocultados a cada segundo, minutos, horas, dias, semanas, meses, anos, possivelmente, séculos. Porque uma pessoa ocultava os seus sentimentos? Medo de ser magoado, desrespeitado, xingado, mal tratado. Era disso que Hyuck tinha medo. Tinha medo de Mark o maltratar, e seu amor não ser recíproco. Era disso que Dong tinha ainda mais medo. 


  Mal ele sabia que seu amor era recíproco fazia séculos. 


  Hoje, exatamente neste momento, fazia um século que Mark admirava Donghyuck de longe, todos os dias. Seu cabelo castanho claro era uma maravilha, podia-se cheirar seu cheiro magnífico de longe, podia-se sentir seus cabelos sedosos passearem pelas mãos de Lee, esse era o seu desejo à séculos.


  Porque duas pessoas demoravam demais para tentarem algo? 


  Eis a questão. E que questão. 


  Ambos não sabiam disso, não sabiam que se amavam à séculos. Não sabiam que o amor e carinho de ambos era recíproco. Não sabiam que, com apenas um olhar poderiam transmitir o amor que transbordavam. Não sabiam que se encaixavam perfeitamente, isso precisaria ser testado e estudado, urgentemente.


  Mark não tolerava impaciência, por isso que estava arrancando cada fio do seu cabelo na sua mente, por raiva. Porque não conseguia parar de pensar nele? Porque não conseguia mexer um músculo sequer quando via Haechan distanciar-se sempre que terminava sua seção de canto, de puro glamor e compaixão? Suas pernas não permitiam, não se permitia. As possibilidades de dar tudo errado eram noventa e nove porcento, enquanto existia sempre aquele um porcento de que poderia dar tudo certo. 


  Mas não. Com Mark nada corria como esperado e planejado. Ele era um zero à esquerda, digamos. Descontrola-se facilmente, com uma simples piada, ou um simples erro de pronúncia, permitia-se rir e rir sem parar. O engraçado nisso era sua expressão de maluco animado, isso que contagiava as pessoas ao seu redor, vê-lo sorrir descontroladamente. Não ousavam mentir, como óbvio, amavam demais sentir-se contagiados pelo riso do maior; era realmente muito contagioso.


  Haechan queria provar um pouco disso, do seu riso contagioso. Estava mortinho para conseguir algum dia chegar perto de Mark, sem vergonhas e arrependimentos, fazendo-o voltar atrás com suas ações precipitadas e mal pensadas. Não eram. Não eram, mas Dong não queria aceitar que eram, de verdade. Sua cabeça era um baralho que eram incapazes de conseguir arrumar e baralhar aquilo direitinho, do jeito que veio dentro da caixa pequena de papel com desenhos engraçados do lado de fora.


Sua voz foi cessando aos poucos, pela sua alegria, as pessoas amavam demais sua voz e suas canções melancólicas que nem tinham palavras para descrever o quão maravilhoso Hyuck é. Sua voz deixava as pessoas chorosas e com vontade de ficar chorando o resto de seus dias sem parar. Era esse o seu efeito em todo mundo; quererem abraçar Haechan e nunca mais soltá-lo, quererem beijá-lo e nunca mais soltar seus lábios dos dele. Esses desejos nunca seriam concedidos, era nisso que acreditavam. 


Mark permaneceu com sua boca entreaberta, assistindo Haechan sorrir vergonhosamente, tentando disfarçar seu rosto corado pelos mil olhos que encaravam-no no momento, importando-se mais com os olhos de Mark Lee sobre si. Era Mark que dominava tudo, era por ele que Hyuck não conseguia dormir por umas boas horas, era ele o culpado de ter ganho umas olheiras maiores que suas orelhas preciosas. 


Tudo nele era precioso. Só ele que não sabia.


Ele mal sabia que a pessoa que era apaixonado por ele o achava precioso demais. 


Hyuck era como a porcelana, que era capaz de quebrar e ficar marcada com qualquer toque.


Mark era duro como uma pedra, mas se um alguém bastante precioso o toca-se, ele entregaria-se sem pensar duas vezes.


Era disso que ambos tinham ainda mais medo.


  De se apaixonarem.


  Durante séculos.





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