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História Seduction - Dofia - Capítulo 5


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Notas do Autor


Boa leitura💙💜

Capítulo 5 - Capítulo 05


Foi assim que começaram os Jogos Olímpicos do banco de investimentos. Gostaria de dizer que foi um campeonato maduro entre duas colegas profissionais e muito inteligentes. Gostaria de dizer que foi amigável.

Eu gostaria de... mas eu não vou. Porque eu estaria mentindo. 

Lembra-se do comentário do meu pai? Que a Sofia era a primeira a chegar e a última a sair? Ficou na minha cabeça a noite inteira. Conseguir a conta de Anderson não significava apenas realizar a melhor apresentação ou aparecer com as melhores ideias. Isso era o que Sofia achava – mas sabia que havia algo mais. Afinal, o homem é meu pai, compartilhamos o mesmo DNA. Era também sobre reconhecimento. Daquela pessoa que se dedicava mais. Daquela pessoa que merecia isso. Eu estava determinada a provar para meu pai que eu era “aquela pessoa”.

Então, na manhã seguinte, cheguei uma hora mais cedo. Quando Sofia chegou no escritório, não olhei por cima de minha mesa, mas percebi quando ela passou pela minha porta.

Viu a expressão no rosto dela? A pequena pausa em seus passos quando me viu? A carranca que surge, quando ela percebe que é a segunda a chegar? Viu a raiva em seus olhos?

Obviamente, eu não sou a única a jogar para valer. 

Então, na quarta-feira, chego no mesmo horário e encontro Sofia digitando em sua mesa. Ela olha para cima quando percebe minha presença. Sorri alegremente. E acena.

Não demonstre nada. Continue. Vamos lá. 

No dia seguinte, chego meia hora antes... e por aí vai. Está vendo o padrão aqui? Na sexta-feira, já estava entrando pela porta do escritório às quatro e meia.

Quatro e meia da manhã, porra!

Ainda está escuro. E quando me aproximo da porta do prédio, adivinha quem encontro, chegando ao mesmo tempo que eu?

Isso mesmo, Sofia.

Consegue escutar o desdém em minha voz? Espero que consiga. Paramos e ficamos nos encarando, cada uma segurando nas mãos o seu cappuccino mocha duplo, extra grande e com muita cafeína.

Isso lembra um pouco aqueles faroestes antigos, não é? Você sabe de quais estou falando – em que dois caras andam pela rua vazia ao meio-dia para um tiroteio. Se prestar atenção, você quase consegue escutar o grito solitário de um urubu ao longe.

Eu e Sofia jogamos fora nossas bebidas e corremos para a porta ao mesmo tempo. No hall, ela aperta furiosamente o botão do elevador, enquanto eu corro para as escadas. Já que sou um gênio, percebo que consigo pular três degraus de uma só vez. O único problema disso, é claro, é que meu escritório fica no quadragésimo andar.

Idiota.

Quando finalmente chego ao nosso andar, ofegante e suada, vejo Sofia casualmente a poiada na porta do seu escritório, já sem seu casaco e segurando um copo de água na mão. Ela me oferece, junto àquele seu sorriso de tirar o fôlego.

Isso me faz querer beijá-la e estrangulá-la ao mesmo tempo. Nunca fui fã de sadomasoquismo. Mas estou começando a ver suas vantagens.

– Aqui está. Você parece precisar disso, Dovey – ela me entrega o copo e se afasta. – Tenha um bom dia.

Certo.

Lógico, eu vou fazer isso. 

Pois já está começando muito bem.

***

Tenho certeza de que já falei isso antes, mas vou repetir só para ficar claro. Para mim, o trabalho vem antes do sexo. Toda vez. Sempre.

Exceto nas noites de sábado. Noite de ir para o bar. Noite de curtir. Noite de fisgar mulheres maravilhosas. Apesar da minha nova atividade no trabalho, disputando Anderson com Sofia, minha noite de sábado nunca muda. É sagrada.

O quê? Você quer que eu fique completamente louca? Muito trabalho e nenhuma diversão faz com que Dove se torne uma garota mal-humorada.

Então, naquela noite de sábado me encontro com uma morena divorciada em um bar chamado Rendez-vous. Tenho tido uma preferência por morenas durante as últimas semanas.

Mas você não precisa ser o Sigmund Freud para saber o que isso significa.

De qualquer modo, é uma ótima noite. Mulheres divorciadas têm muita raiva reprimida – muita frustração enterrada –, isso nunca falha em se traduzir em uma trepada boa, longa e intensa. É exatamente o que estou procurando e o que preciso.

Mas, por alguma razão, no dia seguinte continuo tensa. Irritada.

É como se tivesse pedido à garçonete uma cerveja e ela tivesse me trazido um refrigerante. Como se tivesse comido um sanduíche, quando o que queria era um bom bife suculento. Estou cheia. Mas longe de estar satisfeita.

Naquele momento, não sei por que me sinto assim. Mas você deve saber, certo?

***

Para fazer meu trabalho adequadamente, preciso de livros – muitos livros. As leis, os códigos e as legislações do que faço têm muitos detalhes e são alterados com frequência.

Para minha sorte, minha empresa tem a maior coleção da cidade de bons materiais de referência. Claro, com exceção talvez da biblioteca da cidade. Mas já viu aquele lugar? É como se fosse a porra de um castelo. Demora muito para você encontrar onde está algo e, quando encontra, já está emprestado. A biblioteca particular da minha empresa é muito mais conveniente.

Então, na tarde de terça-feira, estou trabalhando em minha mesa com as referências citadas acima, quando quem resolve dar o ar da graça?

Sim – a adorável Sofia. Ela está ainda mais deliciosa hoje.

Sua voz está hesitante.

– Oi, Dovey? Estou procurando pela Análise técnica dos mercados financeiros, mas não está na biblioteca. Está com você? – ela morde os lábios do jeito adorável que faz quando está nervosa.

O livro em questão está, na verdade, em minha mesa. Já estou quase terminando de usá-lo. Poderia ser uma mulher melhor – uma boa pessoa – e dá-lo a ela.

Mas você acha mesmo que vou fazer isso? Não aprendeu nada em nossas últimas conversas?

– Sim, na verdade, está comigo – digo a ela.

Ela sorri.

– Ah, ótimo. Quando você acha que vai terminar de usá-lo?

Olho para o teto, como se estivesse pensando.

– Não tenho certeza. Daqui a quatro... talvez cinco... semanas.

– Semanas? – pergunta ela, encarando-me.

Você acha que ela ficou aborrecida?

Eu sei o que você está pensando. Se eu quiser, eventualmente, - depois de toda essa coisa de Anderson passar - fazer o tango horizontal com Sofia, por que não tentar ser um pouco mais agradável para ela? E você está certo. Isso não faz sentido. 

Mas o esquema com o Anderson ainda não terminou. E como disse antes – isso, meus amigos e amigas, é uma guerra. Estou falando de uma guerra sem regras, mortal.

Você não daria uma bala para um atirador que tem uma arma apontada para sua testa, daria?

Além disso, Sofia fica muito sexy quando está nervosa, por isso eu não perderia esta chance de vê-la furiosa mais um vez, só para meu prazer. Aprecio ela de cima a baixo, enquanto falo, antes de lhe mostrar meu sorriso infantil registrado, ao qual quase todas as mulheres não conseguem resistir.

Sofia, é claro, não é uma dessas mulheres. Vai entender.

– Bem, caso você peça com carinho... e massageie meu ombro enquanto estiver fazendo isso... eu poderia ser persuadida a da-ló para você agora. 

A verdade é que nunca pediria algo parecido com um favor sexual em troca de algo relacionado a trabalho. Sou muitas coisas. Mas uma cafajeste irresponsável não é uma delas.

No entanto, aquele último comentário com certeza poderia ser considerado um caso típico de assédio sexual. E se Sofia contar ao meu pai que eu disse isso a ela? Puta merda, ele me demitiria na hora, eu estaria ferrada. E depois ele seria capaz de me dar uns tapas na bunda para eu aprender.

Estou em uma situação complicada. Mas, ainda que a possibilidade exista, estou 99,9% segura de que Sofia não vai me dedurar. Ela é muito parecida comigo. Quer ganhar. Quer me derrotar. E ela quer fazer tudo isso sozinha.

Ela põe suas mãos no quadril e abre a boca para me atacar – provavelmente, vai me dizer onde eu devia enfiar meu livro. Dou um passo para trás com um sorriso divertido, esperando ansiosa pela explosão... que não acontece.

Ela vira a cabeça, abre a boca e diz:

– Sabe de um coisa? Esquece.

E com isso, ela sai pela porta. 

Hein?

Ficou sem graça, não é? Foi o que eu achei.

Espere para ver.

***

Algumas horas depois, estou na biblioteca procurando por um livro enorme chamado Rede bancária comercial e de investimentos e os mercados internacionais de capital e crédito. Todos os livros do Harry Potter caberiam em um capítulo deste danado. Examino as prateleiras onde ele deveria estar – mas o livro não está lá.

Outra pessoa deve estar com ele.

Portanto, começo a procurar um volume bem menor, mas tão importante quanto, chamado Legislação de administração de investimentos, quarta edição.

Mas também não o encontro.

Que merda está acontecendo?

Não acredito em coincidências. Pego o elevador de volta ao quadragésimo andar e vou direto até a porta de Sofia, que está aberta.

A princípio não a vejo.

Isso acontece porque pilhas de livros, altas e bem organizadas, estão ao redor de sua mesa. Umas três dúzias de livros. Por um momento eu congelo, minha boca se abre e meus olhos se arregalam de espanto. Depois, começo a imaginar, inutilmente, como cinquenta quilos. Deve ter centenas e centenas de páginas nesta sala.

E então, sua cabeça com cabelos escuros e brilhantes emerge sobre o horizonte. E mais uma, vez ela. Como um gato com um passarinho na boca.

Odeio gatos. Eles parecem endiabrados, não acha? Como se estivessem esperando você dormir para poder sufocá-lo com seus pelos ou mijar em sua orelha.

– Oi, Dovey. Você precisa de algo? – ela me pergunta com uma falsa boa vontade.

Seus dedos tocam ritmicamente em duas capa dura gigantescas.

– Você sabe... ajuda? Conselho? Instruções para a biblioteca pública?

Engulo minha resposta e lanço um olhar de reprovação para ela.

– Não, estou bem.

– Oh. Ok, ótimo. Tchau, então.

E com isso ela desaparece atrás de sua montanha literária.

Carson: dois.

Cameron: zero.

***

Depois disso, as coisas ficam desagradáveis.

Sinto vergonha em dizer que tanto eu quanto Sofia estamos quase nos rebaixando à sabotagem profissional. Nunca fizemos nada ilegal, na verdade. Mas estamos próximos disso.

Um dia eu entrei na minha sala, para encontrar todos os cabos no meu computador desaparecidos. Isso não causou nenhum dano permanente, mas tive que esperar uma hora e meia para o técnico aparecer e reconectá-lo. 

No dia seguinte, Sofia chegou e descobriu que “alguém” havia mudado todas as etiquetas de seus discos e arquivos. Para a sua informação, nada foi apagado. Mas ela teve que conferir quase todos para achar os documentos de que precisava.

Alguns dias depois, em uma reunião de equipe, eu “acidentalmente” derrubei um copo de água em algumas informações que Sofia tinha conseguido para o meu pai. Informações que ela deve ter demorado umas cinco horas para reunir.

– Opa. Desculpa – eu digo, com um sorriso malicioso no rosto, mostrando como não estou nem um pouco arrependida.

– Está tudo bem, senhor Cameron – ela declara ao meu pai, enquanto limpando a bagunça. – Eu tenho outra cópia em meu escritório.

Que boa escoteira ela, não acha?

Mais tarde, quase na metade da mesma reunião, adivinha o que ela fez?

Ela me deu a porra de um chute! Na canela, embaixo da mesa.

– Humm – eu resmungo, e minhas mãos se cerram na mesma hora.

– Você está bem, Dovey? – pergunta meu pai.

Eu apenas aceno e chio:

– Algo na minha garganta – enceno uma tosse.

Viu, não vou chorar para o papai também. Mas, Deus do céu, isso doeu. Você ja levou alguma vez um chute na canela de um salto agulha de dez centímetros? Para mim, há apenas outro local que dói mais quando se leva um chute.

É um lugar que não me atrevo a dizer o nome.

Após o latejar em minha perna diminuir um pouco, escondo minha mão atrás de alguns papéis, enquanto meu pai falava. Então eu mostro meu dedo do meio para Sofia. Eu sei que foi imaturo mas parece que agora ambas estamos agindo como crianças, então acho que não tem problema nenhum em fazer isso.

Sofia debocha. Então ela abre a boca, e depois sussurra:

Bem que você gostaria.

É – ela me pegou, agora, não é?

***

Estamos na reta final. Um mês de combate mortal se passou e amanhã é o prazo que meu pai nos deu. São onze da noite e, além do serviço de limpeza que está trabalhando no expediente noturno, Sofia e eu somos as únicas no prédio.

Já fantasiei sobre isso um milhão de vezes. Apesar de que, na verdade, minha fantasia nunca imaginou nós duas separadas, cada uma em sua respectiva sala, uma olhando para a outra pelo corredor – mostrando o dedo do meio.

Dou uma olhada e vejo-a revisando seus cartazes. O que ela está pensando? Estamos na Idade da Pedra? Quem ainda usa cartazes? O Anderson sem dúvida será meu.

Quando estava dando os toques finais na minha apresentação de slides, Bella entrou em meu escritório. Ela está indo para os bares. Não se esqueça de que é uma noite de quarta-feira, e esta é a Bella. Há algumas semanas, eu também era assim.

Ela fica me olhando por um bom tempo sem dizer nada. Depois, senta-se na beirada da minha mesa e fala:

– Dovey, faz essa porra logo.

– Sobre o que você está falando? – eu pergunto, mas meus dedos não param de digitar no teclado.

– Tem se olhado no espelho ultimamente? Você precisa ir lá e resolver isso logo.

Agora ela começou a me irritar.

– Bella, que merda você está querendo dizer?

Mas tudo o que ela responde é:

– Já assistiu A guerra dos Roses? Quer ficar daquele jeito?

– Tenho trabalho pra fazer. Não tenho tempo pra isto agora.

Ela joga suas mãos para cima.

– Beleza. Eu tentei. Quando encontrarmos vocês duas no saguão, embaixo do candelabro caído, vou dizer pra sua mãe que eu tentei.

Eu paro de digitar.

– Do que você está falando?

– Sobre você e a Sofia. Tá na cara que você sente algo por ela.

Olho para o escritório dela, quando ela fala seu nome. Ela não olha.

– Sim, eu realmente sinto algo por ela. Uma antipatia enorme. Não nos suportamos. Ela é importuna. Eu não a comeria, nem que fosse a última mulher no mundo.

Ok, isso não é verdade. Eu, com certeza, a comeria. Mas não gostaria.

Está bem – você está certa. Isso também não é verdade.

Bella senta na cadeira do outro lado da minha mesa. Ela está me encarando de novo. Depois suspira e diz, como se fosse algum tipo de revelação totalmente inspiradora:

– Sally Jansen.

Olho para ela sem entender.

Quem?

– Sally Jansen – ela repete e depois esclarece –, terceiro ano.

A imagem de uma garotinha com tranças castanhas e óculos grossos vem à minha mente. Eu aceno.

– O que tem ela?

– Ela foi a primeira garota que amei.

Espera. O quê?

– Você não a chamava de Sally Fedida?

– Sim – ela acena, enfática. – Sim, eu chamava. Mas eu amava ela.

Continuo confusa.

– Você não fez com que todos no terceiro ano a chamassem de Sally Fedida?

Ela acena mais uma vez e, tentando se mostrar sábia, diz:

– O amor faz com que a gente faça algumas coisas idiotas.

Também acho, porque...

– Sally não tinha que sair mais cedo da escola duas vezes por semana pra ir ao psicólogo porque você amolava muito a coitada?

Ela faz uma pausa para refletir um pouco.

– Sim, é verdade. Sabe, Dove, há uma linha tênue entre o amor e o ódio.

– Sally Jansen também não mudou de escola depois daquele ano, pois...

– Olha, o que importa aqui, Dovey, é que eu gostava daquela menina. Amava. Achava ela demais. Mas não sabia lidar com aqueles sentimentos. Não sabia expressá-los direito.

Bella não costuma demonstrar este sentimentalismo.

– Então, em vez disso, você resolveu zombar com a cara dela? – pergunto.

– Infelizmente, sim.

– E o que isso tem a ver comigo e com a Sofia?

Ela para por um momento e depois me olha... daquele jeito. O leve movimento de sua cabeça, a careta triste de frustração. Aquele olhar é pior do que o de uma mãe se sentindo culpada, eu juro.

Ela levanta, dá um tapa em meu braço e diz:

– Você é uma mulher esperta, Dove. Você vai descobrir.

Depois disso, ela sai.

Sim, sim, eu sei o que Bella estava tentando dizer. Eu entendi, tudo bem. E te digo – de verdade –, ela é louca.

Não discuto com Sofia por gostar dela. Faço isso porque sua existência está ferrando com a trajetória da minha carreira. Ela é uma chata. Uma mosca na minha sopa. Um pé no saco. Tão chata quanto aquela abelha que me mordeu na bochecha esquerda no acampamento de verão, quando tinha onze anos.

Claro, ela seria uma ótima transa. Eu daria uma volta no bonde da Sofia a qualquer momento. Mas não seria nada além de uma boa transa. Isso é tudo, pessoal.

O quê? Por que você está me olhando desse jeito? Você não acredita em mim?

Então você está tão fora de si quanto Bella.



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